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FC Porto 1-0 SC Braga: Até que Soares nos separe

O FC Porto venceu o SC Braga por 1-0 no jogo grande da jornada dez. Numa partida equilibrada e com várias ocasiões desperdiçadas, valeu Soares para desfazer a igualdade no encontro e no topo da classificação. Os dragões são líderes isolados.

Casa cheia no Dragão para o jogo da jornada: frente a frente os dois líderes da tabela, num duelo pela liderança isolada. Do lado azul e branco, Casillas, Felipe e Alex Telles são os três totalistas em jogos a contar para o campeonato e, em relação ao encontro da Liga dos Campeões, frente ao Lokomotiv, Soares voltou à titularidade para o lugar de Herrera. Já no SC Braga, Abel apenas promoveu uma alteração em relação em embate com o Vitória Futebol Clube, deixando Fábio Martins no banco e fazendo alinhar Ricardo Horta. Ambos com 21 pontos à entrada para esta ronda, dragões e guerreiros distinguiam-se pela forma como perderam os seis pontos até ao momento, com duas derrotas para o FC Porto e três empates registados pelos minhotos.

Com ambiente de clássico nas bancadas, foi o FC Porto a protagonizar a primeira aproximação à baliza adversária, por intermédio de Óliver. Aos cinco minutos, o grande destaque da equipa nos últimos jogos testou a pontaria, com um remate que acabou por sair por cima da baliza de Tiago Sá. O SC Braga entrou sem receio na partida e disposto a dividir o jogo no Dragão e, aos 19 minutos, conseguiu o primeiro remate enquadrado do encontro, com Paulinho a desviar para as mãos de Casillas.

O Dragão já se preparava para gritar golo quando Óliver serviu Maxi Pereira, aos 22’, mas o remate forte do uruguaio não foi suficiente para bater Tiago Sá, que com uma defesa apertada segurou o nulo. Sem querer deixar o lance sem resposta, Dyego Sousa apareceu solto na área e deixou o público em suspenso, mas o cabeceamento ao lado após cruzamento de Sequeira voltou a devolver o fôlego aos adeptos portistas que encheram as bancadas do recinto.

Brahimi teve nos pés talvez a melhor ocasião do primeiro tempo, mas Tiago Sá voltou a agigantar-se entre os postes. O cruzamento foi de Corona, Marega deixou passar para o argelino que, apesar do remate forte, viu o guarda-redes do Braga negar novamente o golo. Casillas também teve tempo para uma boa defesa, a remate de Esgaio.

Jogo muito divido até ao final
Fonte: Bola na Rede

A segunda parte começou com maior ascendente azul e branco, ao assegurar mais posse de bola no meio campo adversário, mas foram os visitantes a fazer tremer a barra da baliza de Casillas e as cerca de 48.000 pessoas presentes. Aos 56 minutos Esgaio apareceu novamente com perigo e, com um remate forte, atirou à trave. Por pouco o SC Braga não desbloqueava o marcador.

E se no futebol os erros por vezes se pagam caros, Bruno Viana pode agradecer à falta de crença de Marega pelo facto de a sua falha não ter dado o primeiro da partida. O maliano, solto de marcação em frente à baliza, demorou um segundo a mais a assimilar a chegada da bola e permitiu que Bruno Viana se redimisse e aparecesse a tempo para limpar um lance que, mais uma vez, levava carimbo de golo. Do banco, a primeira substituição de Sérgio Conceição dava um sinal claro de aposta no ataque: Maxi Pereira saiu para o lugar de Otávio aos 62 minutos.

E num duelo de ocasiões, FC Porto e SC Braga iam desperdiçando as oportunidades de perigo. Um lance de envolvência do ataque azul e branco terminou com a falta de acerto de Soares, que não conseguiu o desvio. Na resposta, a formação de Abel Ferreira voltou a acertar na barra, desta vez após um remate potente de Fransérgio.

Nos últimos dez minutos os dragões tomaram conta do meio campo adversário e o público fez a sua parte ao puxar pela equipa. O certo, é que funcionou. Aos 88 minutos apareceu Tiquinho para fazer o que faltava. Cruzamento com conta, peso e medida de Otávio e Soares, à ponta de lança, a não desperdiçar. O Dragão explodiu, estava feito o 1-0.

Num duelo equilibrado e marcado pelas ocasiões desperdiçadas, o único golo acabou por surgir já perto do minuto 90 e não deixou ao SC Braga tempo de resposta. Soares desbloqueou as duas igualdades entre as equipas, tanto no jogo como no topo da classificação, e aqueceu a noite dos presentes no Dragão. Frente a um dos candidatos ao título, o FC Porto conseguiu uma vitória importante e os três pontos que permitem aumentar distâncias na frente. Já o SC Braga, registou a primeira derrota na prova.

Onze inicial FC Porto: Casillas, Maxi Pereira (Otávio, 62’), Éder Militão, Felipe, Alex Telles, Danilo, Óliver Torres (Hernâni, 83’), Corona, Brahimi (Herrera, 71’), Marega e Soares

Onze inicial SC Braga: Tiago Sá; Marcelo Goiano (Fábio Martins, 90’), Bruno Viana, Pablo e Sequeira; Esgaio, Fransérgio, Claudemir e Ricardo Horta (Wilson Eduardo, 82’); Paulinho (Palhinha, 78’) e Dyego Sousa

Sporting CP 3-3 UD Oliveirense: Duelo de candidatos termina em empate

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O Sporting e a Oliveirense não defraudaram as expetativas naquele que foi o jogo cabeça de cartaz da quinta jornada do campeonato nacional de hóquei em patins. A equipa de Oliveira de Azeméis teve o pássaro da vitória na mão, mas acabou por o deixar fugir, com os leões a fazerem uma grande recuperação e a forçarem um empate a 3-3.

O Sporting entrou bem no clássico e, logo nos primeiros sessenta minutos, esteve perto de marcar. No entanto, Ferran Font e Toni Pérez não conseguiram concretizar.

Tal como havia feito no encontro contra o Benfica, o Oliveirense optou por um estilo de jogo mais cerebral e sem forçar a chegada à baliza contrária. O principal destaque nos primeiros cinco minutos foi uma stickada de Torra defendida por Girão.

A jogar em casa, os leões procuravam inaugurar o marcador o mais cedo possível, tendo conseguido dispor de vários lances de golo. Contudo, nenhum deles acabou no fundo da “porteria” contrária.

Após uns minutos iniciais onde o Sporting foi melhor, acabou por ser o Oliveirense a fazer o primeiro. Jogada lateral de Marc Torra e Jorge Silva ao segundo poste fez o 1-0. Mais um tento para o melhor marcador do campeonato. Todavia, a vantagem não durou muito e, pouco tempo depois, Caio, com um stickada de meia distância fortíssima, restabeleceu a igualdade. O empate esteve quase a ser desfeito passados apenas alguns momentos. Jordi Bargalló ganhou espaço e, diante de Girão, tentou fazer uma “picadinha”, mas o guardião leonino levou a melhor no duelo com o espanhol.

Os golos abrandaram um pouco o ritmo da partida, tendo continuado a ser o Sporting a equipa que dispunha de mais chances para finalizar. Ao estilo da presente temporada, a Oliveirense procurava o momento certo para atacar, quando em posse, e aproveitar situações de contra-ataque.

Com o intervalo cada vez mais próximo, o encontro foi acalmando, tornando-se mais equilibrado, sem grandes oportunidades de golo para cada lado. As exceções foram duas belas intervenções de Girão a stickadas de Ricardo Barreiros e uma stickada de Emanuel Garcia ao poste.

Concluída a primeira metade, o marcador indicava um empate a 1-1 no encontro entre Sporting e a Oliveirense. Os leões entraram melhor, mas não conseguiram transformar o grande volume ofensivo em golos, tendo sido até o conjunto visitante a abrir o ativo. A resposta surgiu rapidamente e, a partir daí, o jogo tornou-se bastante equilibrado, com as defesas a superarem-se aos ataques. Destaque ainda para as exibições de Girão e Puigbí. Se o resultado era tão magro, muito se deveu às suas defesas de alto grau de dificuldade.

Neste lance Jorge Silva fez o 1-0 para a Oliveirense
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

O segundo tempo começou da melhor maneira da Oliveirense, pois, com trinta e dois segundos jogados, Bargalló, em zona central, aproveitou o espaço concedido e disparou um “míssil”, fazendo o 2-1. Pouco depois, Jorge Silva quase fez o terceiro, mas não conseguiu desviar uma stickada de Marc Torra. Passados alguns minutos, foi o próprio Torra a ficar perto de ampliar a vantagem, mas Girão – quem mais – evitou o golo do catalão.

Em desvantagem, a equipa leonina foi à procura de restabelecer o empate, mas nem Gonzalo Romero de meia distância ou Pedro Gil conseguiram concretizar. Não marcou o Sporting, marcou a Oliveirense. Iniciativa individual de Bargalló e apenas com Girão pela frente, colocou o esférico por entre as pernas do guarda-redes dos leões e fez o 3-1. Pouco depois, Xavi Barroso teve no seu stick o quarto dos visitantes, mas estava mal posicionado e não conseguiu aproveitar a oportunidade.

Na frente, a Oliveirense tentava controlar as incidências da partida, gerindo a posse de bola e fechando os caminhos para a sua baliza. O Sporting, por seu lado, aparentava ter sentido os golos, não conseguindo construir reais ocasiões de perigo.

Na tentativa de pelo menos evitar a derrota, Paulo Freitas voltou a lançar o experiente Pedro Gil. A aposta revelou-se certeira, pois, pouco depois de ter regressado, fez uso da sua excelente meia distância e reduziu a diferença para 3-2. 

O golo de Pedro Gil animou o encontro: as chances de golo sucediam-se em cada uma das balizas, “obrigando” Girão e Puigbi a brilhar. No entanto, com quase três minutos para se jogar, Matías Platero, em excelente posição, não desperdiçou a oportunidade e apontou o 3-3. 

Grande recuperação do Sporting, que aproveitou a “menor vontade” da Oliveirense em atacar, conseguindo chegar à igualdade num curto espaço de tempo. Contudo, apesar da “menor vontade”, o conjunto de Oliveira de Azeméis teve algumas situações para acabar com a partida, mas Girão manteve os leões dentro do jogo.

Terminado o encontro, Sporting e Oliveirense empataram a 3-3 numa partida muito equilibrada e bem disputada. Nota ainda para a exibição positiva da dupla de arbitragem composta por João Duarte e Luís Peixoto, que na semana passada havia estado em evidência pela negativa no Benfica-Porto. 

Assim, disputadas cinco jornadas do campeonato nacional de hóquei em patins, o Porto, que este sábado recebeu e venceu o Tomar por 5-2, lidera com doze pontos somados. Logo a seguir surge o Sporting com onze. A partir do terceiro posto e à condição, surgem o Benfica, que esta tarde perdeu em Braga por 6-3, o Riba d’Ave, que no Parque das Tílias derrotou o Oeiras por 5-3, e a Oliveirense – todos com dez pontos. 

Sporting CP: 61-André Girão (GR), 4-Ferran Font, 8-Caio, 17-Matías Platero, 57-Toni Pérez; Jogaram ainda: 9-Pedro Gil, 16-João Pinto (CAP.), 88-Henrique Magalhães e 99-Gonzalo Romero

UD Oliveirense: 88-Xavier Puigbi (GR), 6-Xavi Barroso, 8-Marc Torra, 9-Jordi Bargalló e 15-Jorge Silva; Jogaram ainda: 7-Pedro Moreira, 77-Ricardo Barreiros (CAP.) e 84-Emanuel Garcia

Borussia Dortmund 3-2 FC Bayern München: Na luta Reus vs. Lewandoski, Alcácer decidiu

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Pela primeira vez nos últimos anos, o Borussia Dortmund entrava no Der Klassiker como líder do campeonato. Já o FC Bayern procurava recuperar de um mau início de época sob a batuta do novo treinador, Niko Kovac. Em terceiro lugar, a quatro pontos do primeiro, os bávaros reconheciam a necessidade de uma vitória frente ao principal rival.

E isso ficou evidente com a sua entrada em jogo: o Bayern manteve desde o iníco a posse de bola, com Goretzka a agir como pêndulo da equipa, trocando a bola de um flanco para o outro, e Ribery a apresentar-se como o principal desequilibrador dos homens de camisolas vermelhas.

Mas o plano de Lucien Favre para a partida era evidente: deixar o adversário fazer a bola circular e aproveitar os erros para, com a velocidade de Reus, a técnica de Sancho e a qualidade de passe de Götze, lançar contra ataque. E acabou por ser um plano eficaz, com Marco Reus a ter a primeira oportunidade de golo, numa ocasião de um para um que acabou por perder para o seu colega de equipa na Seleção Alemã, Manuel Neuer.

Os bávaros, no entanto, acordaram com esta ocasião. Uma hipótese para Ribery, outra para Gnabry e, à terceira vista clara da baliza defendida por Marvin Hitz, Lewandowski fez o 0-1. O cruzamento de Serge Gnabry a partir do flanco direito encontrou a cabeça do polaco, que, isolado na pequena área, não perdoou. Agora, teria de ser a equipa da casa a perseguir o prejuízo.

“Lewa” e Müller celebram o primeiro golo
Fonte: FC Bayern

Após o golo o jogo chegou ao seu primeiro período de estagnação. A equipa de Favre não parecia querer tomar as rédeas da partida, agora que esperar pelo contra ataque já não era uma aposta viável. O Bayern mandava poucos homens para o ataque, tendo já percebido a tática do adversário.

Se a primeira parte acabou com suspiros de aborrecimento, a segunda começou com gritos jubilantes para os adeptos do Borussia Dortmund. Após ser derrubado num erro infantil de Manuel Neuer, Marco Reus beneficiou de um penálti aos 48 minutos e aproveitou para fazer o 1-1 e o seu sétimo golo da época.

Empurrados pela fantástico ambiente criado no Signal Iduna Park, os jogadores do Borussia pareciam estar a ganhar um novo ímpeto, lançando outro ataque logo após o pontapé de saída. Na resposta… o Bayern fez o 1-2. Serge Gnabry e Joshua Kimmich brilharam no lado direito, com o primeiro a fazer um delicioso passe de calcanhar para o segundo, que, já dentro da área, picou a bola por cima de Marvin Hitz e para Lewandoski, que teve o seu segundo cabeceamento gratuito da noite. Dois minutos depois do empate, o FC Bayern adiantava-se novamente.

Kimmich esteve em evidência nos processos ofensivos dos bávaros
Fonte: FC Bayern

A segunda parte continuava com um ritmo estonteante e Marco Reus viu o seu remate a ser bloqueado em cima da linha por Joshua Kimmich. Logo a seguir, Favre decidiu lançar o seu super substituto, Paco Alcácer (já leva sete golos nesta época). Dois minutos depois, Lewandoski completou o seu hat trick, mas o fiscal de linha anulou – e bem – a jogada por posição irregular do avançado.

No minuto seguinte, um erro de Mats Hummels permite a Jadon Sancho pôr a quinta mudança, deixar o central alemão para trás, fintar Manuel Neuer e dar a bola a Alcácer, que, isolado frente a uma baliza vazia, não conseguiu rematar a tempo de evitar o corte de Jerome Boateng.

Mas aos 67 minutos os jogadores de amarelo não perdoaram. Pisczeck cruza a partir da direita e Marco Reus remata de primeira para fazer o golo da noite. Dois tentos para Reus, dois para Lewandowski. Os ex-colegas de equipa no Borussia Dortmund protagonizavam agora um dos Der Klasskiker mais frenéticos da década.

Reus festeja o 1-1
Fonte: BVB

O BVB mudara por completo a sua abordagem do jogo, e com isso abrira a partida. Deixámos de ver uma equipa a controlar a posse de bola enquanto a outra esperava o contra ataque. Eram vinte e dois jogadores igualmente determinados a conseguir uma vitória que pode significar tanto, mesmo numa fase inicial da campanha.

Aos 73 minutos, a arma secreta de Favre dava resultados, pela oitava vez nesta época. Um passe delicioso de Axel Witsel deixa Paco Alcácer completamente isolado em frente a Neuer. O espanhol emprestado pelo FC Barcelona compensou o falhanço anterior e bateu o guarda redes alemão para, pela primeira vez, colocar a sua equipa em frente na partida.

Niko Kovac estava a ver a sua equipa a perder por completo o controlo do jogo, perante um Borussia cada vez mais ofensivo e motivado. Lançou Renato Sanches, na tentativa de gerar alguma inquietação num meio campo que se mostrara incapaz de atacar e impotente a defender.

Mas a entrada do português não surtiu efeito, e um FC Bayern vulnerável viu-se mais perto de sofrer o 4-2 do que conseguir o 3-3. Uma segunda parte para esquecer deixara os bávaros sem confiança, e isso ficou espelhado numa troca de bola atabalhoada entre Boateng, Kimmich e Neuer, que acabou por dar ao BVB um lançamento já no seu terço ofensivo. Contam-se pelos dedos de uma mão as transições ofensivas com sucesso do FC Bayern no quarto de hora final, um quarto de hora em que Neuer teve mais toques na bola que Lewandowski.

Mas o avançado polaco apenas precisou de um toque para, aos 94 minutos, fazer o golo. Um golo que, pela segunda vez no jogo… foi anulado. O levantamento da bandeirola foi celebrado pelos adeptos como se de um golo se tratasse.

E as celebrações continuaram com o apito final, que veio confirmar um avanço de sete pontos do BVB sobre o FC Bayern. Os homens de Favre vêem-se assim isolados no topo da classificação, enquanto os de Kovac ainda podem descer ao quarto lugar nesta jornada. Tendo em conta que a última visita dos bávaros ao Signal Iduna Park resultara numa vitória de 0-6, uma derrota no Der Klassiker deixa o novo treinador numa situação que tem tanto de delicada como de incerta.

Onzes iniciais:

Borussia Dortmund: M. Hitz; L. Pisczeck; M. Akanji; D. Zagadou; Achraf Hakimi; J. Weigl (M. Dahoud 46’); A. Witsel; J. Sancho; M. Reus; B. Larsen (T. Delaney 82’); M. Götze (P. Alcácer 59’)

FC Bayern München: M. Neuer; J. Kimmich; M. Hummels (N. Süle 65’); J. Boateng; D. Alaba; J. Martínez; L. Goretza; T. Müller (S. Wagner 82’); S. Gnabry (R. Sanches 74’); R. Lewandowski; F. Ribery

«Quero regressar ao futebol em janeiro ou junho de 2019» – Entrevista BnR com André Villas Boas

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Tem um gosto especial pelo exotismo e pela experiência. Para ele, treinar na China ou fazer uma pausa na carreira não é um passo atrás, mas sim uma forma de crescer. André Villas Boas mexeu com o mundo do futebol ao ser o mais jovem treinador da história a ganhar uma competição europeia. Com passagens por FC Porto, Chelsea, Tottenham ou Zenit, o treinador português regressou a Portugal para a Web Summit e falou connosco sobre o presente e o futuro: do seu regresso, do sonho japonês ou da paixão pelos motores.

Bola na Rede (BnR): Já passaram sete anos desde que abandonou o futebol português como treinador. Quais as principais diferenças que encontra de então para agora?

André Villas Boas (AVB): Como estive no estrangeiro tantos anos, não é fácil fazer um resumo das mudanças que estão a ser feitas no futebol português. Acho que a Liga mudou para melhor, está mais bem organizada; a Seleção também, em consequência dos sucessos que tem tido nas competições, não só a Seleção A como também as jovens. Eu acho que a grande diferença que se nota no futebol português é o impacto cada vez maior dos media, um interesse diário dos media, uma série de novos programas desportivos orientados para o que se vive no futebol português…

BnR: E acha que esse maior interesse dos media ajudou a promover o nosso futebol?

AVB: De certa forma criou um ambiente mais hostil, para não falar em violento. Vieram aumentar um pouco a quantidade de controvérsias em torno do futebol português e penso que isso não era necessário. Mas esses programas existem para criar controvérsia e disputa e não a amigável competitividade que deviam ter os clubes entre si. De certa forma ajuda a propagar a mensagem do futebol português, mas seria melhor se fosse de uma forma positiva. Sendo da forma que está a ser, negativa, hostil e agressiva, não é positivo. A acrescentar a isso, a possibilidade de estarmos perante um grande escândalo de corrupção desportiva, que estará por provar, deixa também alguma mancha sobre estes últimos quatro ou cinco anos.

BnR: Olhando ainda para o nosso futebol: quais as maiores diferenças entre o futebol português e o futebol inglês? Dentro e fora das quatro linhas.

AVB:  No aspeto das estruturas de das competências, acho que o futebol português é superior. Os grandes clubes ingleses estão rodeados de estruturas que, na minha opinião, não têm a competência que têm as dos clubes portugueses, falando na minha experiência, por exemplo, que o FC Porto tem. Nesse aspeto estava à espera de mais. Obviamente que depois, no campo desportivo, não há comparação. Há maior competitividade, o ambiente que se vive nos estádios, a qualidade das equipas, dos jogadores e não se compara a expansão da mensagem do que é o futebol inglês e do que representa para o mundo.

André Villas Boas falou connosco na Web Summit, onde esteve a falar sobre os treinadores que nunca jogaram futebol
Fonte: Bola na Rede

BnR: Ainda olhando para o futebol, falemos de tecnologia, visto que estamos na Web Summit. Foi introduzido o VAR (vídeo-árbitro), não só em Portugal: vê isso como algo positivo para o futebol? Uma vez que a maior parte dos adeptos não o vê.

AVB: Eu vejo como uma boa decisão. Obviamente que a única coisa que não pode acontecer é o VAR não tomar bem as decisões que são óbvias. Ele existe para ser justo e para não deixar dúvidas e tem que funcionar. Existe uma coisa que eu mudaria: daria a cada clube a opção de usar apenas duas vezes a requisição do VAR e não ao árbitro, assim limitava-se a quantidade de vezes que o árbitro o requer e dava-se aos clubes a oportunidade de o usarem quando querem. Seria como no ténis, onde cada jogador só tem direito a requisitar a repetição três vezes. Uma coisa parecida penso que faria sentido, talvez uma por cada equipa, por parte. Mas acho positiva a introdução do VAR, não o retiraria, a única coisa que acrescentaria seria dar a oportunidade aos clubes de recorrerem a ele quando se sentem lesados.

BnR: Ontem falou dos treinadores portugueses e da “boa fornada” atual. Há algum em particular que, neste momento, lhe encha as medidas?

AVB: Eu acho que não podemos referir só um. Tudo começa num processo de aprendizagem a partir de 2003/04 com José Mourinho. Este começou a gerar uma vaga de treinadores e uma vontade nas pessoas que quererem ser treinadores profissionais, sem passar sequer pela carreira desportiva, pois normalmente estão ligadas à carreira desportiva, à educação física, ao futebol. A era de José Mourinho foi um marco e a partir daí penso que temos uma série de bons treinadores. É uma geração muito boa que vai desde Leonardo Jardim ao Marco Silva, passando por Nuno Espírito Santo e Paulo Fonseca, por aí fora. O treinador português é um treinador que facilmente se adapta a outras culturas – tem flexibilidade de aprendizagem de novas línguas, o que emite um pouco a nossa cultura de conquistadores dos séculos XIV e XV: chegam e vencem, conseguem implementar as suas ideias, e acho que isso é positivo, tem mercados em todo o mundo. Acho que merecemos esse destaque enquanto escola de treinadores.

«o VÍDEO-ÁRBITRO DEVIA SER PEDIDO PELAS EQUIPAS, COMO SE FAZ NO TÉNIS. TALVEZ UMA REQUISIÇÃO POR EQUIPA, POR PARTE»

BnR: Nos últimos anos têm sido formados e têm saído muitos bons jovens de Portugal. Isso poderá estar relacionado com a qualidade dos treinadores também?

AVB: Sim, com a qualidade do treino, tanto nas camadas jovens como nas seleções. Pelo menos para um país tão pequeno continuamos a gerar talento suficiente para continuar a alimentar as nossas seleções e os nossos clubes. O salto mais dificil será sempre o das camadas jovens para o plantel principal. Acho que nesse aspeto o Benfica e o Sporting têm dado mais oportunidades aos jovens de o FC Porto. O Porto continua a pecar nesse aspeto, mas tivemos recentemente a saída do Diogo Dalot, que é escola FC Porto, para o Manchester United. O mais importante para nós é continuar a formar esses talentos, eles existem e existem também porque a qualidade de treino é superior.

BnR: Compreendo aquilo que está dizer mas no caso dos três grandes, do FC Porto, do SL Benfica e do Sporting CP, não será mais importante “ganhar títulos” do que apostar nos jovens?

AVB: Eu acho que faz tudo parte. Os clubes portugueses, especialmente os três grandes, estão o todos numa situação financeira caótica, portanto neste momento precisam também de promover as suas estruturas de scouting para apostar de forma certa e para poderem ter rendimento e vender. Portanto, serão sempre, infelizmente, clubes vendedores. Felizmente para nós, recentemente, ainda se tem conseguido sucesso europeu, no caso do FC Porto em 2011. Mas eu acho que não podem nem devem viver sem os jovens porque o que está em causa aqui é a viabilidade financeira dos clubes para o futuro e os clubes portugueses não podem viver com passivos de 500 milhões de euros, porque não gerem receitas suficientes. Infelizmente esse desequilíbrio pode notar-se nas gerações futuras e espero que se note com uma aposta mais forte nos jovens. Os treinadores temos, as estruturas temos, os quadros competitivos já temos – não há noutros países quadros competitivos como os nossos -, competências também. O salto mais difícil é sempre esse do jovem para o plantel principal, portanto espero que haja mais aposta nesse sentido.

BnR: Pegando nas diferenças financeiras, olhemos para Superliga Europeia: tem-se falado na sua criação e parece que até ao momento não se pensa em nenhum clube português como participante. Acha que seria algo benéfico para o futebol termos algum clube português na competição?

BnR: A criação desses e de outros projetos, até mesmo o final da Taça das Taças e a criação das Liga dos Campeões, acaba por tornar cada vez mais o futebol-espetáculo em futebol-negócio.

AVB: Sim, mas isso, infelizmente, já é assim. O futebol já não passa disso. O que liga as pessoas ao jogo são as emoções. O mais puro que há no jogo é a paixão que nos abrange desde nascença por algum clube, através da nossa família, dos valores e dos gostos que nos são passados pelos nossos familiares ou até mais tarde, quando nos tornamos sócios e temos uma empatia por um determinado clube. Temos empatia pelo desporto e depois mais tarde por um determinado clube e tornamo-nos fãs e adeptos dele. Esse purismo tem que ser defendido, não se deve perder. Agora que o futebol é uma arma de negócio, isso é, já ninguém tem dúvidas. Infelizmente é a realidade com a qual nos deparamos. Repare que o perfil do dirigente de futebol em Portugal continua ligado a um certo padrão de eleição, é um presidente eleito. No futebol inglês são proprietários. O perfil dos gestores e dos executivos mudou para pessoas que  são extravagantes, são bilionários que acabam por ter acesso à compra de clubes e com eles vem investimento e vem ideias de resultados a short term, exigências extravagantes e isso muda muito o perfil e a postura do adepto para com o clube e muda bastante a forma como as pessoas passam a olhar para o futebol.

BnR: E qual deve ser o papel da FIFA e da UEFA nesse sentido?

AVB: Eu acho que cabe à FIFA e UEFA defender o purismo do futebol. O único problema é que tanto a FIFA como a UEFA, como sabemos, estão envolvidas em escândalos de corrupção. Infelizmente são as sociedades em que nós vivemos, são sociedades corruptas. A única coisa que espero é que se continue a fazer uma limpeza do que não está bem para que o purismo que é o amor da criança e do adulto pelo seu clube se mantenha.

BnR: O André deixou o futebol como treinador há algum tempo e dedicou-se ao rali. Porquê os desportos motorizados?

AVB: Sabe que eu tenho uma paixão igual ao futebol que é o desporto automóvel, que está no sangue da minha família há mais anos. A minha família nunca foi uma família de futebol, bem pelo contrário, sempre foi mais ligada ao desporto automóvel e essa paixão sempre esteve presente em mim. A minha profissão é treinador de futebol, a minha grande paixão é o futebol. Mas neste meu ano sabático não fiz clichés e não posso dizer que “fui ver não sei quantos jogos” e “fui ver não sei quantos treinadores”. Isso é uma falácia à qual não me tenho que prestar. Divirto-me com as coisas de que gosto, neste caso o desporto automóvel.

BnR: E gostava de voltar aos grandes palcos como treinador de futebol?

BnR: Gostaria de treinar, preferencialmente, em que liga?

AVB: Eu sou um bocado extravagante nesse aspeto. Eu gostava muito, há muitos anos que tenho esta ideia, de treinar no Japão e espero que isso um dia aconteça, na seleção ou num clube. Espero e estou seguro que que o meu currículo me habilitará para treinar numa liga como a japonesa e a seleção japonesa. Não sei quando é que isso vai acontecer porque também tenho vontade de regressar à Europa. O meu futuro vai, seguramente, continuar no estrangeiro, entre a Europa ou mais virado para o Oriente, ainda não decidi. Tudo depende dos projetos que me são apresentados e da vontade que eu tenho de os aceitar.

BnR: Portanto, Portugal é uma porta fechada?

BnR: E se recebesse um convite para ser selecionador nacional? Aceitava de imediato?

AVB: Primeiro a seleção nacional está muito bem entregue. Mas sim, porque não? Nunca me foi proposto e nunca equacionei, mas porque não?

Foto de Capa: Bola na Rede

Entrevista realizada por: Joana Libertador e André Maia

Sporting campeão europeu? Ou vai ou racha!

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A Futsal Champions League disputar-se-á entre os dias 13 e 18 de novembro. O Pavilhão João Rocha será o anfitreão do Grupo C que contém, além da equipa sportinguista, a formação do SL Benfica, os russos do FC Sibiryak e os croatas do NV Makarska. Os restantes jogos serão disputados na Lituânia (Grupo A), em Espanha (Grupo B), e na República Checa (Grupo D).

Apuram-se para a final four os primeiros classificados dos quatro grupos. Esta situação faz com que no grupo do Sporting, águias ou leões ficarão necessariamente pelo caminho. Esperemos que seja a equipa “da casa” a conseguir o apuramento pois terá o João Rocha ao rubro como vem sendo habitual nos jogos das várias modalidades. Além disso, a equipa técnica sportinguista conta com um plantel reforçadíssimo para esta temporada, com jogadores de enorme craveira internacional. Um dos principais jogadores da formação leonina, Pany Varela, renovou recentemente com a formação do Sporting. Isso deve dar-nos mais alento no trajeto vencedor além-fronteiras que queremos para o clube pois Varela já levantou a UEFA Futsal Cup, atual Futsal Champions League, em 2009/10 pelo SL Benfica. O atleta leonino foi peremptório ao afirmar aquando da sua renovação: “Vou continuar a defender as cores do Sporting Clube de Portugal e conto com a vossa presença para continuar a festejar títulos”.

A experiência de Pany Varela como campeão europeu deve servir para motivar os colegas
Fonte: Sporting CP

Chegou o tempo do Sporting ganhar a Europa, não se pode acanhar na eterna “portugalidade” – inscrita aliás no seu nome – escudando-se na ansiedade de ser campeão europeu de Futsal. Falta nesta equipa de Nuno Dias um título conquistado além-fronteiras que catapulte a Modalidade e o Sporting para outros voos. Pese embora a sua constante participação nas provas europeias, ainda não obteve qualquer troféu fora deste país à beira-mar plantado. Cá dentro, já sabemos que “papa tudo”, desde campeonatos, taças e tacinhas. A equipa de Futsal do Sporting já nos habituou a ganhar em todas as frentes. Mas, desculpem-me a exigência, talvez de sócio mal-habituado, este Leão tem que começar a rugir mais forte lá fora. Entenda-se desde já o que quero dizer com isso: ir à final e ganhar. Simples. Não podemos continuar a ser o clube que apregoa aos sete ventos estar sempre nas fases finais das competições europeias. Isso não basta, temos que as ganhar.

Com a outra equipa portuguesa em competição, e logo o eterno rival SL Benfica, torna-se ainda mais imperioso a vitória dos Leões nesta competição. Pois os encarnados têm já no seu palmarés o título europeu, em 2009/10. Bem sabemos que o que se passa do outro lado da segunda circular não nos diz respeito. Mas saber que eles já saborearam a conquista do principal título europeu e o nós não, deixa-me com um amargo de boca ao qual devemos dar resposta quanto antes. Como dizem os Deolinda, pois que seja agora. Sporting campeão europeu? Desta vez, ou vai ou racha.

Rui Vitória e a Luz ao fundo do túnel

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Rui Vitória e a Luz ao fundo do túnel

 

Assistimos a mais um desaire na passada quarta-feira e parece que, desta vez, a paciência do Terceiro Anel se esgotou definitivamente para com Rui Vitória. Não me recordo de alguma vez ter visto tamanha contestação para com um treinador desde que acompanho o Sport Lisboa e Benfica.

A contestação não é de admirar pois Rui Vitória parece estar a fazer a sua própria cama. Se não nos podemos esquecer de que o principal culpado de tudo isto é Luís Filipe Vieira, o que é facto é que o treinador do SL Benfica parece ultimamente andar a brincar com o seu próprio destino, seja através de frases feitas cheias de trivialidades, seja nas suas escolhas de jogo para jogo. Rui Vitória está completamente desnorteado e só mesmo uma tremenda falta de noção é que não o faz engolir o orgulho, admitir que está a mais e colocar o lugar à disposição.

Eu não quero (nem preciso de) enganar ninguém. Em tempos, fui apoiante de Rui Vitória e não tenho qualquer pejo em admiti-lo. No entanto, no final da temporada de 2016/2017, que culminou com o Tetracampeonato, percebi que o ciclo teria terminado. Sempre lhe reconheci limitações ao nível do treino, mas, pela sua postura e pelo facto de estar num Clube que proporciona aos seus colaboradores todas e as melhores condições para uma progressão e evolução a nível pessoal, acreditava que poderia dar o salto e melhorar de época para época. Enganei-me, deixei-me continuar a enganar e Rui Vitória revelou-se uma tremenda desilusão, pois, até em relação à tal postura, parece deixar muito a desejar. A constante vitimização e conversa de “coitadinho” não dá com nada. Com todo o respeito que um treinador do SL Benfica merece, a mim pouco me importa se é pai e chefe de família. Eu quero é que seja competente, acima de tudo. O que começou por ser uma ligação marcada pela elevação e respeito de Rui Vitória para com o nome do clube que representa, está hoje em dia desfeito; a cada jogo que passa, a cada desaire que sofremos, o treinador do SL Benfica faz questão de desvalorizar tudo e mais alguma coisa, atribuindo as culpas à falta de sorte e/ou eficácia, desculpando-se com o facto de ter terminado com mais remates que a equipa adversária, ou mesmo – pasme-se! – justificando que “a bola não entrou na baliza quase que por magia”. Rui Vitória é treinador de futebol desde 2002/2003 e ainda não percebeu que no futebol não há “magias”, sendo que o mais importante é o trabalho no campo de treinos.

Rui Vitória mostra não ter quaisquer ideias para dar a volta à pessima situação que o SL Benfica atravessa
Fonte: SL Benfica

Pegando no trabalho realizado, não podemos olhar somente para os números e títulos ganhos para avaliar Rui Vitória. Num clube como o SL Benfica – onde deveria haver exigência máxima –, não deveríamos ficar-nos pela bola que entra e que faz valer um título.  É totalmente errado deixarmos um jogo entregue ao acaso e à inspiração individual do jogador, pois a qualquer momento a bola pode deixar de entrar. É aqui que o trabalho da equipa técnica do SL Benfica tem sido totalmente inexistente. De época para época, temos vindo a assistir a uma redução drástica da qualidade de jogo da equipa, e isso é completamente inaceitável. Após o investimento feito para esta temporada, é inconcebível que a equipa consiga jogar ainda pior do que na temporada passada! Nota-se a total insuficiência de Rui Vitória e tal facto faz-nos entender que os números valem o que valem e em nada definem a sua qualidade como treinador.

A proposta de jogo que tem vindo a ser apresentada é uma autêntica vergonha e um atentado à história gloriosa do SL Benfica. Cada vez está mais evidente o tal “cunho pessoal” que Rui Vitória queria incluir na forma de jogar da equipa; neste momento, a equipa vive um autêntico deserto de ideias e, quando apertada, limita o seu jogo ao pontapé na frente, em busca de duelos físicos e segundas bolas que possam fazê—la aproximar-se da baliza adversária. Dos jogos que vou vendo, desde o futebol profissional, passando pela formação e terminando nas divisões inferiores, posso dizer que existem equipas do campeonato distrital com modelos de jogo bem mais trabalhados e elaborados do que aquele que é mostrado semanalmente por Rui Vitória. Sem palavras em relação a isto.

A cada dia que passa vai-se adiando o inevitável e nem assim o treinador do SL Benfica parece preocupar-se com a imagem que está a passar cá para fora. Neste momento, nem o SL Benfica ganha algo com a sua presença, nem ele ganha algo com a sua presença no SL Benfica. Rui Vitória está no fim da linha: poderá não passar deste fim-de-semana. A imagem de um homem totalmente perdido irá acompanhá-lo durante muitos anos, podendo até afetar a sua carreira a curto/médio prazo. A única forma de mostrar algum amor próprio seria demitir-se antes de ser demitido. Lamentalvelmente, parece que será o contrário a acontecer.

Foto de Capa: SL Benfica

Revisto por: Mariana Coelho

Herói do mar

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O ano de 2018 está a acabar e, com isso, o mundial de Moto2 também. A categoria conta com o português Miguel Oliveira nos quadros. Aos comandos de uma moto de 600cc da KTM, o piloto, natural de Almada, conseguiu alcançar o vice-campeonato em 2018, apenas sendo batido por Francesco Bagnaina. 

Com apenas uma ronda em falta no calendário, Miguel Oliveira mostrou ser um piloto a ter em conta. Ora vamos às estatísticas: 2018 trouxe a “Portuguesa” ao pódio por duas vezes, com duas vitórias conseguidas no Grande Prémio da Itália e no Grande Prémio da República Checa. Contou também com nove pódios, sendo estes distribuídos por cinco subidas ao segundo lugar e quatro ao terceiro. O ano da 2018 também trouxe imensas dificuldades, principalmente a nível de qualificação para a grelha de partida. Oliveira não conseguiu nenhuma pole position e teve muitas dificuldades em arrancar da linha da frente para as corridas de domingo. 

Desde 2012 na caravana do mundial de MotoGP, Miguel Oliveira fecha o ano de 2018 com um merecido vice-campeonato. Com o Grande Prémio de Valência a ser o último do piloto na categoria de Moto2, a pressão do campeonato já não existe. Assim, esperamos que Miguel Oliveira consiga mais uma vitória antes de ingressar no maior desafio da sua vida: a temporada de 2019 na categoria rainha do motociclismo.

A imagem de Miguel Oliveira no pódio de uma corrida de MotoGP já está a ser criada na mente dos portugueses que seguem o campeonato
Fonte: Red Bull KTM Ajo

A KTM serve outra vez de berço para o piloto português, que, sempre que se encontra aos comandos da moto austríaca, tem bons resultados. Miguel Oliveira terá Hafizh Syahrin como companheiro de equipa na Tech3 KTM. O malaio obteve, neste fim de semana, um excelente resultado na sua ronda caseira. Já na casa oficial Pol Espargaró continua e a contratação sonante para 2019 é o francês Johann Zarco, que vem da Tech3, marca que atualmente utiliza motos da marca japonesa Yamaha.

Resta-nos saber qual o número que Oliveira levará nas carnagens – já que o #44 pertence a Pol Espargaró – e como será a decoração da sua mota, sendo que um dos patrocinadores (a Red Bull) fará as mesmas cores que a equipa de Fórmula 1, a Scuderia Toro Rosso.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: Red Bull KTM Ajo

Embora tarde, sempre chega a verdade

Uma das maiores figuras destes primeiros três meses no nosso campeonato nacional tem sido sem dúvida, Dyego Sousa.

O jogador do Sporting Clube de Braga é o atual melhor marcador do campeonato português, contabilizando já sete golos, e tem sido uma das estrelas deste “super” Braga que já faz as pessoas acreditar na sua candidatura ao titulo. Dyego Sousa é um caso, no mínimo, estranho. Provavelmente a grande maioria das pessoas pensariam que estamos a falar de uma jovem promessa em ascensão no SC Braga, mas a verdade é que o jogador brasileiro já leva 29 anos de idade. Não falamos por isso de um jovem jogador, nem nada que se pareça.

Dyego Sousa é um excelente exemplo de pico tardio na carreira de um jogador futebol. Enquanto que a grande maioria dos jogadores de futebol atingem o auge das suas carreiras entre os 24-28 anos de idade, Dyego Sousa, nesse espaço de tempo, andava pelo CD Tondela, ainda na Segunda Liga, Portimonense FC e CS Marítimo. Nunca deixando grande marca naquilo que os avançados se notabilizam, os golos.

Foi no entanto no Marítimo que Dyego Sousa começou a mostrar os primeiros sinais de qualidade. Durante a época 2015/2016, o jogador brasileiro marcou um total de 12 golos em 36 jogos, nada de especial dirão muitos dos leitores, certo…. não nós podemos esquecer, no entanto, que falamos de um avançado de uma equipa média portuguesa, um espaço onde é sempre mais difícil para se exibir com golos. Dyego Sousa já começava, nesta altura, a mostrar as características que o diferenciam dos jogadores “razoáveis”, a sua compostura forte e física, a sua enorme capacidade no um para um.

O jogador teve, no entanto, um percalço na sua carreira desportiva e que colocou em risco a mesma: uma agressão a um árbitro assistente, durante um jogo de pré-época.

A agressão que podia ter custado a carreira a Dyego Sousa
Fonte: Nuno André Ferreira

Dyego Sousa foi castigado em primeira instância a uma suspensão de nove meses, o que fazia com que o jogador perdesse praticamente toda uma temporada, importante para si mesmo, já que tinha clubes interessados no seu serviço e estava no último ano de contrato. Apesar de ainda ter sofrido efeitos de toda esta situação, foram vários os avanços e recuos nestes processo, o Marítimo e o jogador conseguiram reduzir a pena para seis meses e o jogador acabou mesmo por assinar a livre-custo pelo SC Braga, um passo importante na sua carreira.

O jogador brasileiro até teve um excelente arranque em Braga, apesar de vir de uma época inconstante, e no seu primeiro jogo oficial com a camisola bracarense até marcou o golo que qualificava o SC Braga para a fase de grupos da Liga Europa frente aos islandeses do FH Hafnarfjordur. Abel Ferreira, treinador do SC Braga, queria no entanto mais do jogador e assumiu, já está época, que o jogador brasileiro tem características que o permitem ter mais de 20 golos por temporada.

Este “picanço” por parte de Abel Ferreira parece ter surtido efeito em Dyego Sousa que está neste momento imparável! O SC Braga apenas desejaria certamente que o avançado brasileiro tivesse menos alguns anos de idade para assim fazer um melhor negócio no final da época.

Mas é possível encontrar casos similares ao de Dyego Sousa, no futebol português. Lima chegou ao futebol português, por intermédio do CF Belenenses, aos 26 anos de idade e com um currículo bastante pobre, Lima não era conhecido no Brasil pela sua enorme quantidade de golos, antes pelo contrário. Depois de 12 golos ao serviço dos azuis do Restelo mudou-se também, tal como Dyego Sousa, para Braga onde encontrou o seu espaço perfeito de afirmação tendo atingido o seu pico de carreira aos 28 anos de idade quando marcou 26 golos na época 2011/2012, sagrando-se melhor marcador da Liga Portuguesa.

Lima e Dyego Sousa são por isso dois casos bastante semelhantes em bastantes parâmetros. A idade tardia com que “explodiram” e o clube onde o fizeram são as semelhanças mais óbvias. O SC Braga facturou cerca de quatro milhões de euros pela venda de Lima ao Benfica, quanto poderá facturar agora com a venda de Dyego Sousa e para quem? Dizem que o FC Porto está à espreita. Lima já provou que a idade é apenas um número e nunca é tarde para fazer a diferença num grande do futebol português.

Foto de capa: SC Braga

 

 

A postura de Luís Filipe Vieira: aceitável ou questionável?

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No passado dia 30 de outubro, Luís Filipe Vieira concedeu uma entrevista a um canal de televisão generalista, onde abordou vários tópicos relacionados com o passado, presente e futuro do SL Benfica, numa altura em que o presidente comemora 15 anos como presidente do clube.

O atual momento que os encarnados atravessam, assim como outros assuntos polémicos, foram alvo de discussão e, inclusive, foram feitas algumas revelações exclusivas.

Com base nas suas declarações, decidi analisar os principais temas e afirmações mais marcantes, numa altura tão preocupante para o seio benfiquista.

  • RUI VITÓRIA

“Tem feito um trabalho fantástico, consegue ter equipas competitivas, lançando sempre jogadores da formação (…) É o treinador mais indicado para continuarmos a desenvolver este projeto (…) Por minha vontade, será o treinador até ao final do contrato.”

Começo pelo homem do momento pelos piores motivos. Segundo o presidente, é alvo de “um tipo de crítica que não merece” e é “o homem certo” para comandar o atual projeto dos encarnados.

Pois bem, por muito que queira aplaudir estas palavras e lembrar-me de todos os feitos que Rui Vitória conseguiu em três anos, não consigo! Compreendo a tentativa de defender o treinador dos ataques a que tem sido sujeito, mas não tolero esta atitude, tendo em conta o descontentamento e o desacordo dos últimos meses.

É algo que já se vem a arrastar há imenso tempo e que, entre outros motivos, é fruto de uma teimosia extrema em torno de determinados modelos táticos (4x3x3), presença de certos jogadores no onze (André Almeida) e substituições que não fazem nenhum sentido na ideia de jogo (trocar Pizzi, o cérebro da equipa, por Gabriel ou Castillo). Para mim, Rui Vitória tem cortado as pernas a um SL Benfica que quer continuar a andar, visando alcançar a “Reconquista”. Infelizmente, com Rui Vitória à frente do leme, nada se está a fazer para cumprir este resultado. Algo tem de mudar o mais rápido possível!

[Sobre o telefonema que deu conta da venda para o Everton] “Primeiro do que tudo dizer que é de estranhar como aparece uma conversa destas na comunicação social.”

Por muito polémica que seja esta notícia, concordo com Luís Filipe Vieira nesta afirmação, e, acima de tudo, é um assunto que apenas diz respeito às entidades envolvidas.

Quanto à notícia em si, é um processo absolutamente natural e normal no mercado de transferências, seja de treinadores ou jogadores, pelo que, analisando e refletindo, não me choca o conteúdo do telefonema, mas sim a forma como a comunicação social conseguiu apoderar-se dele.

  • ATUAL MOMENTO DESPORTIVO

“A reconquista é um objetivo que temos. Estruturámos uma equipa para ganhar o Campeonato e para estarmos na Europa (…) Champions? Não é impossível o Benfica ir aos oitavos de final.”

“Num momento negativo não se pode pôr tudo em causa. Na hora da derrota temos de estar juntos, porque só juntos ganhamos (…) Só peço às pessoas que acreditem e nos apoiem.”

As coisas são muito bonitas quando faladas, mas na prática é mais difícil de as concretizar. A imagem de um presidente esperançoso é excelente, mas a desilusão poderá ser muito maior se tivermos a capacidade de descer à terra. Não estou, com isto, a dizer que o SL Benfica não vai ser campeão ou não vai passar aos oitavos de final da Liga dos Campeões, mas muita coisa tem de mudar para chegar até lá. E isso começa, em primeiro lugar, pela postura do treinador, que, como disse, é o principal saco de pancada de toda esta situação.

  • FORMAÇÃO DO SEIXAL E O IMPACTO DO CLUBE NO ESTRANGEIRO

“Todo o nosso projeto assenta no Seixal. Nesta altura estamos a reter os talentos. Não saem a não ser pela cláusula de rescisão. Qualquer jogador que entre na primeira equipa do Benfica é logo blindado com cláusulas de rescisão elevadas.”

“No próximo ano, qualquer plantel das modalidades tem de ter pelo menos 25% de jogadores saídos da Formação. O futuro passa por aqui e não me vou desviar.”

“Vamos ser uma realidade na China, nos Estados Unidos e noutros paísesPerguntaram ao Benfica se estaria disponível para gerir um clube em Inglaterra.”

O futuro do SL Benfica passa pelo Caixa Futebol Campus e por todos os jogadores formados na cantera
Fonte: SL Benfica

Nem tudo é mau, e a melhor parte desta entrevista foi aquela que abordou os principais trunfos do SL Benfica: a formação e a forte presença no estrangeiro. Como seria de esperar, o projeto do Caixa Futebol Campus é para continuar e implica, na visão do presidente, segurar e blindar todos aqueles que entrem na equipa principal (Gedson, João Félix, Rúben Dias e, nos últimos anos, Ederson, Lindelof, Nélson Semedo e Renato Sanches – alguns dos exemplos mais recentes).

Concordo com esta visão e, apesar de ser difícil resistir aos grandes tubarões europeus, a estrutura encarnada tudo fará para garantir o correto desenvolvimento das suas pérolas. Se um dia tiverem de sair, é com muita pena que o fazem, porque foram nomes muito importantes e com impacto por terem vindo da cantera. Por outro lado, será mais um grande passo para manter a ótima reputação no estrangeiro, cujos planos passam por atingir o maior número de países possíveis, e, inclusive, gerir um clube em Inglaterra, proposta que se encontra em estudo.

Fico extremamente orgulhoso por estas afirmações, que contrastam com o período mais cinzento que se vive, e que mostram a grande procura e sucesso que os encarnados têm obtido na Europa. O SL Benfica é uma grande potência do futebol europeu e a estrutura, a par com os jogadores da cantera, tudo fará para continuar a trabalhar nesse sentido.

  • 15 ANOS COMO PRESIDENTE E AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES

“Investimos na construção do estádio. Fizemos um centro de estágio, que é considerado um dos melhores da Europa. Vamos continuar a aumentar a capacidade do Caixa Futebol Campus porque é por ali que passa o nosso projeto.

“Posso já dizer que sou candidato às próximas eleições.

Faltam dois anos para Luís Filipe Vieira terminar o mandato e, apesar de precoce, considero que foi uma revelação perfeitamente lógica e aceitável. Em 15 anos na presidência, foi um nome muito importante e que revolucionou o SL Benfica por completo, tornando-o na grande potência que é hoje. Prezo, sobretudo, a coragem ao manter a boa reputação do projeto, apesar dos inúmeros casos que têm afetado o SL Benfica nos últimos anos. Para mim, Luís Filipe Vieira é o presidente eterno dos encarnados. A par com Luisão e Eusébio, que também foram abordados na entrevista, é uma das principais figuras de referência da história do clube. Espero que assim continue por muitos e bons anos! Longa vida ao presidente Luís Filipe Vieira!

  • CASOS QUE MANCHARAM O NOME DO SL BENFICA

“A história dos e-mails marcou-nos, não estávamos preparados para lidar com o crime organizado. Os hackers e os bloggers têm de ser penalizados. Iremos até às últimas consequências. Fizeram muito mal ao Benfica. A verdade tem de aparecer.”

“O que se deve condenar é o roubo de correspondência de dez anos do Benfica. Espionagem industrial? Revolta-me falar nisto. Obviamente alguém entrou na correspondência privada do Benfica, expondo as vidas dos funcionários. Não há lá ofertas a ninguém, dinheiro a prostitutas, almoços com árbitros, nada.”

“Se se provar que o Benfica ao longo destes 15 anos cometeu atos menos lícitos que levassem à corrupção, eu demito-me imediatamente. Estive sempre na primeira linha pela defesa da verdade desportiva.”

Casos como o dos e-mails, e-Toupeira, Operação Lex e Mala Ciao tentaram manchar a imagem do SL Benfica, mas a postura de Luís Filipe Vieira deixou claro e evidente o empenho que se encontra a ser feito em nome da justiça e verdade desportiva. Não podia concordar mais e só posso pedir que se cumpra justiça e que todos os envolvidos sejam devidamente condenados.

  • JORGE JESUS

“Tenho uma boa relação com o Jorge Jesus. Não o ponho de lado [para assumir o cargo de treinador do Benfica] como não ponho outros de lado.”

À parte os grandes assuntos que marcam a atualidade, Luís Filipe Vieira referiu o nome de Jorge Jesus e afirmou que não o coloca de parte para um eventual cargo de treinador, cargo este que desempenhou entre 2009 e 2015.

Compreendo a visão do presidente, mas acredito com certezas que Jorge Jesus voltará a Portugal, mas apenas para treinar o FC Porto, o único grande que ainda não orientou na carreira. Não equaciono, portanto, a hipótese de voltar ao SL Benfica, não pelo que aconteceu quando saiu e que em nada afetou a relação com Luís Filipe Vieira – como afirma -, mas porque só falta à extraordinária carreira de Jesus um pequeno pormenor (e histórico, por sinal): juntar-se à elite de treinadores que passou por todos os três grandes do futebol português. Para Jesus seria histórico e, quem sabe, um ponto final na excelente carreira de treinador.

Fazendo um apanhado muito geral da entrevista de Luís Filipe Vieira, a sua atitude foi a mais correta para o contexto atual. As declarações sobre Rui Vitória são discutíveis e, sem dúvida, a parte mais enriquecedora deste debate. Acima de tudo, o presidente procurou tranquilizar os benfiquistas – sentimento este que se estendeu a todos os assuntos abordados -, e projetar neles a esperança e crença que sempre marcaram o clube.

Perante estas palavras, acredito que os benfiquistas podem ficar tranquilos e conscientes. Apesar dos maus resultados, a imagem do SL Benfica mantém-se intacta e a colher os devidos frutos em Portugal e um pouco por todo o mundo.  Uma coisa é certa e impõem-se desde já: as mudanças têm de ocorrer e são extremamente urgentes!

 

Revisto por: Mariana Coelho

 

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Moreirense FC 2-0 Portimonense SC: Exibição de gala dos Cónegos surpreendentes

O Moreirense FC somou a terceira vitória consecutiva para o campeonato esta sexta-feira,  um feito inédito na história do clube, batendo o Portimonense SC por 2-0, com golos de Nenê e Pedro Nuno.

As duas equipas, apesar de para já confortáveis, entraram em campo conscientes que este era um daqueles jogos que conta mais. Afinal de contas, são duas equipas que lutam pelo mesmo objetivo – a manutenção –  e esta época são despromovidas três equipas.

A equipa algarvia chegava a Moreira de Cónegos depois de um empate em casa frente ao Belenenses SAD. Já a equipa da casa vinha de duas vitórias seguidas. Depois da derrota por 3-0 em Setúbal, a equipa dos cónegos parecia estar finalmente a encontrar o seu rumo e a sua identidade. O jogo desta sexta-feira confirmou isso mesmo.

Ivo Vieira apresentou o mesmo onze que foi ao Estádio da Luz bater o SL Benfica por 1-3. Já António Folha acabou por fazer apenas uma alteração no onze, comparativamente à última partida: trocou Ewerton por Lucas Fernandes.

As duas equipas entraram bem no jogo e tudo parecia alinhado para que este fosse um grande jogo de futebol. Ora o Moreirense FC, com um futebol apoiado e paciente, sempre à espera da abertura de espaços, ora o Portimonense SC, procurando sempre a criatividade de Shoya Nakajima, iam praticando um futebol apelativo e sem medos. Apesar do bom futebol, a primeira meia hora de jogo foi tranquila para Jhonatan e Leo. Os guarda-redes das duas equipas não se viram obrigados a fazer grandes esforços perante a dificuldade das duas equipas em produzir lances de perigo.

Foi ao minuto 34 que surgiu o primeiro remate enquadrado com a baliza, do Moreirense FC, e bastou para os Cónegos inaugurarem o marcador. Nenê saltou mais alto que todos e, com um cabeceamento “como mandam as regras”, fez o 1-0 para a equipa da casa.

Imediatamente após o golo dos Cónegos, os algarvios cresceram no jogo e passaram a ter a totalidade da iniciativa, contra um Moreirense FC tímido e encolhido. Ao minuto 39, Jackson Martínez podia ter igualado o resultado com um chapéu muito bem executado a Jhonatan, mas o avançado colombiano foi apanhado em fora de jogo.

O fôlego algarvio durou pouco e o jogo aproximou-se do intervalo com muitas paragens, devido à elevada quantidade de faltas na sequência de lutas pela posse de bola na zona de meio-campo.

As lutas pela posse de bola a meio-campo foram uma constante nos minutos finais da primeira parte
Fonte: Luís Rocha/Bola na Rede

Para a segunda parte, Ivo Vieira tirou Pacheco de campo e colocou Ângelo Neto. A alteração teve efeitos imediatos: a equipa entrou a todo gás. Logo a partir do pontapé de saída para o segundo tempo, Arsénio protagonizou uma grande arrancada do lado direito do ataque da equipa da casa, deixou a bola para Chiquinho. que disparou contra um adversário. Valeu Lucas Possignolo a evitar o golo de Pedro Nuno na recarga. O mesmo Lucas viria a ser essencial a impedir, também, males maiores depois de uma grande arrancada de Chiquinho.

Nesta avalanche de oportunidades, as redes de Leo chegaram mesmo a tremer, mas o golo de Nenê foi invalidado por fora de jogo. O Moreirense acabaria por marcar a contar, mas só ao minuto 56: Arsénio aproveitou uma falta de agressividade de Leo na abordagem à bola e serviu Pedro Nuno que, sem dificuldades, fez o 2-0 para a equipa da casa.

Folha viu-se obrigado a mexer para mudar o paradigma do jogo: retirou Manafá e Pedro Sá para colocar Ewerton e João Carlos. A alteração tornou a equipa mais ofensiva, mas criou problemas na construção de jogo e o treinador do Portimonense SC acabou por voltar atrás e colocar Hackman para repor a linha de 4 homens na defesa.

O Moreirense FC procurou, naturalmente, pôr gelo no jogo e cabia ao Portimonense SC assumir a partida. Com alguma dificuldade, ia avançando no terreno, sempre sem grande perigo. Nota para o golo anulado de Jackson Martínez, mais uma vez por fora de jogo.

A vitória nunca pareceu que fosse fugir da equipa da casa, tais eram as dificuldades sentidas pelos forasteiros. Aliás, o Moreirense até ficou perto de ampliar a vantagem, não fosse a atenção de Leo na resposta a um remate muito forte de Ângelo Neto.

Nota também para o minuto 80, em que o Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas cantou os parabéns ao Moreirense FC, que celebrou 80 anos de existência no dia 1 de Novembro.

Com esta vitória, o Moreirense FC continua a sua campanha impressionante e soma já três vitórias consecutivas. Os Cónegos sobem assim ao sexto lugar, com 16 pontos. Já o Portimonense pode vir a cair para o 15º lugar.

Onzes iniciais

Moreirense FC: Jhonatan; Rúben Lima, Ivanildo (Iago 90’), Abarhoun, D’Alberto; Pacheco (Ângelo Neto 45’), Luom, Pedro Nuno (Heriberto, 71’); Arsénio , Chiquinho e Nenê

Portimonense SC: Leo; Vitor Tormena, Lucas Possignolo, Rúben, Manafá (João Carlos 58’);  Fernandes, Pedro Sá (Ewerton 58’), Paulinho, Bruno Tabata (Hackman 68’); Shoya Nakajima e Jackson Martinez