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Os treinadores que falam e os que nada dizem

É com atenção redobrada que acompanho as variadas conferências de imprensa que ocorrem semana após semana. Por norma, é sempre mais fácil ao espectador comum assistir à dos chamados três grandes, mas, com um pouco de atenção, facilmente se consegue aceder ao que foi dito pelos demais. É sobre isso que vos pretendo falar um pouco.

Há treinadores que dizem muito. Há treinadores que dizem pouco. E há treinadores que nada dizem.

É com satisfação e sempre com curiosidade que acompanho ou leio o que foi dito por alguns treinadores da nossa praça futebolística. Porque há sem dúvida alguns que falam. Que transmitem. Que entendem que as perguntas dos órgãos de comunicação são muitas vezes o reflexo das perguntas que o comum adepto deseja ver respondidas. Então ouvimos esses mesmos senhores a comentar uma substituição, uma alteração táctica, um determinado lance, o porquê de ter optado por um jogador em detrimento de outro ou o que quer que seja.

Neste contexto de “treinador explicador”, temos alguns dos mais ilustres treinadores do nosso futebol, encontrando à cabeça destes nomes como o de Sérgio Conceição, Jorge Jesus, Luís Castro, Vítor Oliveira ou até Abel Ferreira.

Sérgio Conceição tem sido uma lufada de ar fresco na comunicação do FC Porto
Fonte: FC Porto

Estes treinadores não nos limitam ao óbvio e falam realmente de Futebol, sendo alguns deles até capazes de assumir culpas por determinado resultado ou considerarem “injustas” vitórias que surgiram quase aos trambolhões para a equipa que defendem, como já aconteceu recentemente, por exemplo, com o atual treinador do GD Chaves.

A cada um deste género de treinadores, uma vénia seja feita e uma salva de palmas pela a sua capacidade de informar e de não se esconderem em subterfúgios.

Depois há treinadores que dizem pouco. Alguns até falam bastante – impossível esquecer Manuel Machado -, mas que dizem pouco. Falam sobre o jogo, dão algumas pinceladas em algo que aconteceu no jogo ou na preparação do mesmo, falam “volta e meia” especificamente num dos seus jogadores, ou, “quando o rei faz anos”, são eventualmente capazes de dar um murro na mesa, de dissecar uma teoria relacionada com o futebol em geral e o “futebol tuga” em particular, ou sobre um ou outro tema do interesse público.

Olheiro BnR – Wout Van Aert

Próxima estrela do futuro para as clássicas? Quem sabe… A verdade é que nesta primeira metade de temporada têm existido alguns nomes em foco, principalmente pelo trajeto que apresentaram nas clássicas até hoje e na forma com que estão ao enfrentar este princípio de temporada ainda sem chegarmos ao começo das Grandes Voltas. Entre Peter Sagan, Alejandro Valverde, Philippe Gilbert, entre outros… temos o nome de Wout Van Aert.

Claramente não é nem está (ainda) perto do patamar de qualquer um desses nomes considerados, mas o potencial que demonstra parece fazer acreditar que teremos aqui mais um grande nome belga para as clássicas, até para um futuro bem próximo.

Mas quem é mesmo este jovem ciclista? Bem, Wout Van Aert tem 23 anos, nasceu na Bélgica, é ciclista da Vérandas Willems-Crelan e é tricampeão nacional e mundial de cyclo-cross! É verdade, temos aqui mais um daqueles casos em que os antecedentes nesta modalidade parecem servir de mote para uma carreira no ciclismo de estrada.

Assim que o belga anunciou que iria correr estas clássicas depois de um inverno de cyclo-cross exaustivo, muitos foram os que não acreditaram nas capacidades deste ciclista em poder surpreender após o desgaste numa modalidade um pouco diferente. Mas o facto é que não só conseguiu estar presente em algumas delas como ainda demonstrou capacidade para ser um caso sério no futuro para este tipo de provas.

Esteve bem na Het Nieuwsblad e no GP de Denain, realizou uma excelente corrida na Strade Bianche, acabando a prova no pódio da mesma, no terceiro lugar, e esteve bem ao ataque durante os últimos quilómetros da Gent-Wevelgem, conseguindo um lugar no top’10. Após isso, conseguiu mais um bom nono lugar na Ronde Van Vlaanderen e, por fim, também se destacou no Paris-Roubaix, terminando bem à porta dos dez primeiros, ao chegar em 13.º numa das provas mais difíceis e espetaculares no mundo do ciclismo.

Em 2017, por exemplo, ganhou o GP Pino Cerami à frente de Jean-Pierre Drucker e de Dries Devenyns, dois homens bastante experientes e com capacidade para disputar bem este tipo de corridas. Também nesse mesmo ano conseguiu vencer outras duas corridas de categoria 1.1, como a Bruge Cycling Classic, em que ficou à frente de outro talento do cross, de seu nome Van Der Poel (neto do bem conhecido Poulidor, destaque em várias Grandes Voltas, tendo inclusive vencido uma Vuelta), que até foi o último vencedor do campeonato do mundo de cyclo-cross antes de Wout ter começado a dominar a prova.

Uma imagem que poderá repetir-se várias vezes – o levantar de braços de Wout para festejar uma vitória
Fonte: Grand Prix Cerami

Há mais casos em que o cyclo-cross acaba por “dar” uma “estrela” ao mundo do ciclismo, com nomes como Zdenek Stybar ou Lars Boom a terem igualmente trilhado primeiro o seu caminho nessa vertente e depois a passarem para o ciclismo de estrada. Numa era de especialização científica, acaba por ser mais complicado do que antigamente passar de uma modalidade para outra. A programação que têm numa e noutra são um pouco diferentes, principalmente em termos de impulso e carga, juntamente com as diferenças de clima e superfícies. Para além disso, as grandes clássicas, em particular, são igualmente bastante definidas pela força e resistência que é preciso ter.

Para Wout Van Aert, a adaptação foi mais rápida do que o normal. Ele tem até sido um dos pilares, talvez o maior na atualidade, da equipa Vérandas e muito por culpa dele receberam igualmente o convite para estar, por exemplo, na Strade Bianche e com o (excelente) resultado que se pôde observar. Nessa e nas outras corridas, demonstrou uma incrível capacidade de trabalho (que provavelmente advém muito do treino de cyclo-cross) e uma demonstração de força e perseverança. É claramente um ciclista que irá querer voar ainda mais alto e não é surpresa nenhuma que tenha as maiores equipas do World Tour atrás dele.

Por enquanto, a maior interrogação é mesmo saber por quanto tempo é que irá conseguir conciliar as duas vertentes. Para ele, o cyclo-cross é a sua grande razão para ter optado pelo ciclismo, mas parece ser mais do que normal se daqui a uns tempos o belga se dedicar por completo ao ciclismo de estrada. Até mesmo em termos monetários é bom para ele manter-se com o cross, mas a verdade é que um potencial destes em ciclismo de estrada precisa de ser potencializado a 100%.

Van Aert tem contrato com a Vérandas até 2019, mas veremos se até antes disso não muda de ares, tendo em conta o forte interesse de alguns conjuntos. A verdade é que é possível prever que este será um ciclista de topo nas clássicas, porque tem todas as caraterísticas, físicas e mentais, para o conseguir. Resta saber como irá correr o resto da época a este jovem belga e se o futuro será tão incrível quanto o previsto. Mantenham-se atentos a Wout Van Aert e a mais um possível grande nome belga para as clássicas – e não só, quem sabe…

Foto de Capa: Veranda’s Willems-Crelan-Charles Pro Cycling Team

Os lobos estão de volta

«The Wolves are back to the Premier League»

Esta é frase que se faz ouvir entre os adeptos do clube do condado de West Midlands, que volvidas seis épocas, conseguiu finalmente regressar ao principal escalão do futebol inglês. O Wolverhampton Wanderers FC sempre se assumiu como favorito à conquista do Championship e desde cedo deu claros indícios que tinha argumentos para tal.

O recém-promovido à Premier League tem a particularidade de ser “o clube mais português” dos campeonatos profissionais, com excepção claro à Liga NOS. A armada Lusa conta com: Roderick; Rúben Vinagre; Pedro Gonçalves (alinha sobretudo pela equipa Sub-23); Rúben Neves; Ivan Cavaleiro; Diogo Jota e Hélder Costa que estão sob comando de Nuno Espírito Santo. Léo Bonatini, brasileiro, mas cara conhecida dos portugueses por ter jogado no Estoril Praia, é também peça chave neste conjunto e aposta recorrente do técnico português.

O Championship é dos campeonatos mais competitivos do mundo do futebol, pois nele jogam 23 equipas e, nos últimos anos, tem revelado épocas desportivas com constantes alterações na tabela classificativa, o que se justifica pelo grande equilíbrio na qualidade exibicional entre todos os conjuntos, mas também pelo desgaste decorrente de, por exemplo, duas jornadas por semana.

Atendendo a estes factos, seria impensável prever esta brilhante campanha do Wolverhampton. Contudo, os Wolves foram sempre a equipa mais constante, aquela que se consolidou desde cedo como primeiro classificado e que no final da primeira volta apresentava indícios bastantes promissores e ilustradores do seu elevado potencial. Estava no topo da tabela com sete pontos de avanço sobre o Cardiff, o conjunto que sempre seguiu na sua dianteira. O registo era de 17 vitórias e apenas três derrotas e tantos empates, sendo também a defesa menos batida e o ataque mais letal.

Tem sido uma época de sonho para os Wolves
Fonte: Wolverhampton Wanderers FC

Tudo parecia encaminhado e, chegada a segunda metade do campeonato, a equipa de Nuno Espírito Santo não vacilou e, mantendo-se fiel ao seu estilo de jogo, continuou a ganhar jogos, mesmo contando com ciclo negativo de resultados entre a 32ª e a 37ª jornada, onde conseguiu triunfar apenas por uma vez ao empatar e perder duas vezes. Em contraste com esta má sequencia de resultados esteve a supremacia da equipa de Cardiff que, com uma sucessão de vitórias, conseguiu diminuir distâncias, aproximando-se assim do Wolverhampton que viu a sua vantagem reduzir de 11 para três pontos.

A luta pelo título ficou então entre os dois conjuntos que, num cenário de parada e resposta, colecionaram várias vitórias até ao momento em que se encontraram no Cardiff Stadium, naquele que foi o jogo no qual ficou patente a ideia que nenhuma outra equipa senão o Wolverhampton merecia conquistar o Championship, numa partida extremamente disputada e apenas desbloqueada por um golaço de um dos portugueses que alinha nos Wolves, Rúben Neves.

O objetivo estava demasiado próximo para não ser alcançado e a festa da subida até foi feita “no sofá” após o deslize do Fulham diante o Brentford, atendendo a este resultado também, os comandados de Nuno Espirito Santo conseguiram , hoje, comemorar não só a promoção como o título do Championship.

A locomotiva dos lobos arrancou com tudo no inicio da época e só parou na placa Premier League. O sucesso esteve na constância e equilibro da equipa, que teve como peças chave jogadores e técnicos made in Portugal!

Foto de Capa: Wolverhampton Wanderers FC

Artigo revisto por: Vanda Madeira Pinto

Sporting CP 6-1 Gyori ETO: Ano novo, mas os mesmos finalistas!

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Nesta sexta-feira o Sporting tinha um duro adversário pela frente, a equipa húngara do Gyori ETO, num jogo onde os leões eram claramente favoritos mas previa-se que caso o jogo não ficasse resolvido cedo a tarefa dos jogadores leoninos poderia ficar ainda mais complicada. Só que essa acabou por não se verificar muito por causa do mérito da equipa portuguesa, que ao intervalo já vencia por 5-0( golos de Cardinal (2), Merlim, Cavinato e Diogo) e já tinha o jogo praticamente resolvido ao cabo dos primeiros 20 minutos.

Um arranque de leão valeu a vitória final, com o conjunto orientado por Nuno Dias a gerir o esforço na metade final, algo que permitiu ao emblema magiar marcar o seu primeiro golo em fases finais desta competição europeia (Saho apontou o golo histórico do Gyor ETO, antes de Dieguinho apontar o sexto golo do conjunto verde e branco.

Foi, portanto, um encontro sem história e onde a superioridade dos leões nunca foi colocada em causa. De seguida, em jogo a disputar no Domingo, virá a equipa do Inter Movistar, num jogo com os mesmos intervenientes da final de 2017, na qual o conjunto espanhol levou o melhor por esclarecedores 7-0.

Esperemos que a história este ano não se repita e que possamos ver no próximo Domingo João Matos a elevar o troféu bem alto, para gravar mais uma página dourada na história do futsal em Portugal. Cabe ao SCP cortar nos erros, e a final será muito mais equilibrada, com certeza.

Cardinal e Merlim, autores de três dos seis golos do Sporting neste jogo.
Fonte: Sporting CP

Aliás, creio que não é, de todo, impossível o Sporting ganhar a UEFA Futsal Cup, pese embora o poderio do seu rival na final. Todos nós sabemos reconhecer a valia do Inter Movistar, um dos conjuntos mais fortes do mundo, mas o Sporting também tem qualidade de sobra no seu plantel para poder ombrear com o gigante madrileno e trazer de Saragoça a taça. Em Fevereiro também éramos teoricamente a equipa menos forte na final mas conseguimos agigantarmo-nos por isso tudo é possível e uma eventual conquista só iria tornar este ano ainda mais inesquecível para todos os portugueses.

Apesar de não ser adepto do clube leonino, sou português, acima de tudo e, conforme tenho frisado em muitos artigos, apoio sempre as equipas do meu país contra emblemas estrangeiros. Por isso, vamos Sporting Clube de Portugal, tornem este ano de 2018 (ainda mais) inesquecível para todos nós, alguns dos jogadores estiveram presentes na nossa conquista há dois meses, pelo que podem inspirar os restantes colegas.

Foto de Capa: Sporting CP

Está aí o Mundial de Snooker. E agora, o que esperar?

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Estão a chegar as três semanas mais aguardadas do ano para qualquer adepto de snooker.

Entre os próximos dias 21 de Abril e 7 de Maio disputa-se o Campeonato do Mundo, a competição mais importante da modalidade que anualmente se realiza no Crucible Theatre, em Sheffield, Inglaterra.

Se os 16 melhores classificados do ranking mundial já tinham o seu lugar assegurado no quadro final da competição, o mesmo não se pode dizer dos outros 16 que só esta semana conseguiram garantir a sua presença no lote de 32 finalistas.

Existiam 128 candidatos aos 16 lugares que ainda se encontravam em aberto e, depois de uma semana muito intensa, ficaram concluídos esta Quarta-Feira os jogos de qualificação que definiram o lote de 32 finalistas.

Realizou-se esta Quinta-Feira o sorteio que definiu o quadro final da competição. Não se tratou de um sorteio livre, existindo restrições na forma como o mesmo é efectuado, sendo a mais relevante o facto de nenhum jogador do Top-16 se defrontar nesta primeira ronda. Significa isto que, cada um dos 16 jogadores apurados nas qualificações desta semana defrontará um dos 16 já apurados por pertencer ao Top-16 do ranking mundial.

Para além disso, os principais favoritos à vitória final deste Campeonato do Mundo estão distribuídos pelo quadro de forma a que só se defrontem entre si nas fases mais avançadas da competição (se alcançarem essas fases).

Claro que, numa modalidade tão equilibrada como o snooker, qualquer um dos 32 jogadores presentes neste torneio terá qualidade suficiente para eliminar um dos outros 31 jogadores em competição.

Isso não invalida, no entanto, que existam alguns nomes apontados como principais candidatos a levantar o troféu mais desejado do circuito no próximo dia 7 de Maio.

A prova disso está presente no quadro abaixo, que resume uma consulta de três sites de apostas desportivas distintos, de forma a comparar quais os jogadores considerados favoritos para cada um deles.

Lista de Favoritos a vencer a competição para as casas de apostas (Informação Consultada a 19/04/2018)
Fonte: Diogo Reganha/Bola na Rede

Tornou-se evidente que existe alguma unanimidade no que se refere à lista dos principais candidatos a vencer o Campeonato do Mundo deste ano.

Apesar das ligeiras oscilações nas Odd’s apresentadas em cada um dos sites, a realidade é que todos eles apresentam como principais favoritos os mesmo seis jogadores e precisamente pela mesma ordem.

Ronnie O’Sullivan parece partir com uma boa dose de favoritismo para o Crucible. Considerado por muitos o melhor jogador de sempre da modalidade, o Rocket chega a esta competição depois de uma época assombrosa. Foram sete finais alcançadas (English Open, Shanghai Masters, UK Championship, World Grand Prix, Players Championship, Hong Kong Masters, Champion of Champions), onde venceu cinco troféus. Apenas saiu derrotado no Hong Kong Masters e no Champion of Champions.

Dificilmente alguém que acompanhe snooker duvida que Ronnie tem qualidade para vencer o Campeonato do Mundo pela sexta vez (já venceu a competição em 2001, 2004, 2008, 2012 e 2013). Quando está em dia sim, dificilmente alguém se consegue bater com o Rocket. Contra si poderá ter o facto de, ao longo da sua carreira, serem inúmeras as situações em que demonstrou alguma fragilidade psicológica. Numa competição tão longa e desgastante, será preciso contrariar esse factor.

Ronnie O’Sullivan é o favorito das casas de apostas à vitória final
Fonte: World Snooker

Esse poderá ser precisamente um dos factores aos quais se poderá agarrar o segundo favorito para as casas de apostas, o inglês Mark Selby.

Selby está longe de gerar a euforia que Ronnie O’Sullivan causa nos fãs e nos media e talvez isso o leve a ter uma Odd significativamente mais alta que Ronnie. Na prática a diferença de favoritismo entre os dois não deverá ser tão grande, existindo até quem considere Selby um candidato mais sério à vitória final que Ronnie O’Sullivan.

As 5 provas de fogo para os leões

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Uma das provas de fogo dos leões nesta reta final de temporada, era a recepção ao FC Porto na segunda mão da meia final, com uma desvantagem trazida do Dragão (1-0). Um dos objetivos da equipa liderada por Jorge Jesus era a conquista da Taça de Portugal, a segunda competição mais importante no nosso país e com um significado especial para o “mister” leonino. Num ambiente extremamente hostil, para não fugir à regra, os jogadores no relvado e os adeptos nas bancadas conseguiram igualar a eliminatória através do central uruguaio Seba Coates, levando a decisão para prolongamento e posteriormente para os pontapés de penálti, onde o Sporting acabaria por levar a melhor sobre o rival FC Porto pela segunda vez na presente temporada. O Sporting está pela 28ª vez no Jamor.

Até final da presente temporada, a equipa leonina tem cinco provas de fogo, sendo que uma delas é a final da Taça de Portugal e quatro para o campeonato nacional, onde matematicamente é possível alcançar o título de campeão nacional, mas o foco principal neste momento é conseguir alcançar o segundo lugar e respetivo acesso à fase de qualificação da Liga dos Campeões. Partindo atrás de FC Porto (primeiro classificado) e S. L. Benfica (segundo classificado), para alcançar a segunda posição no pódio, a turma de Alvalade depende apenas de si, ou seja, se vencer em todas as jornadas tendo em conta que irá enfrentar em Alvalade o segundo classificado Benfica (neste momento com mais três pontos que os leões), chegará à segunda posição da tabela classificativa, com igualdade pontual mas com vantagem no confronto direto com a equipa de Rui Vitória (na primeira volta registou-se um empate a uma bola na Luz). De realçar que a diferença pontual do líder Porto para os leões é de cinco pontos.

SC Braga 2-0 CS Marítimo: Esta Pedreira virou uma Fortaleza!

Está a ser uma temporada de sonho para os Guerreiros do Minho, que vão batendo recordes atrás de recordes e, a somente quatro jogos do final da Liga, têm o pódio ali tão perto e, matematicamente, podem até ainda sonhar com o título. A consequência disso – além de chamar mais adeptos ao estádio, hoje com 12564 nas bancadas – é o fosso que abre abaixo de si na tabela.

Aí entra o Marítimo, que está apenas dois lugares abaixo na classificação, mas entra para esta partida com mais de 20 pontos de atraso para os arsenalistas. Ainda assim, não se pode estranhar muito esta discrepância, já que, se o Braga tem nomes já com algum pedigree no futebol nacional, como os irmãos Horta ou Wilson Eduardo, os insulares têm uma equipa de remendos, curiosamente incluindo dois dispensados do Braga, Gamboa e Rodrigo Pinho, e só o excelente trabalho de Daniel Ramos lhes permite ambicionar voos tão altos na tabela.

O Braga tomou controlo do jogo desde o início e foi, ao seu ritmo, aproximando-se da baliza dos madeirenses. Aos 10 minutos, deu-se o primeiro lance de perigo quando, após falta amarelada de Fabrício, Amir saiu de forma atabalhoada e quase permitia aos da casa inaugurar o marcador. Tanto dentro como fora da área, o Braga tentava chegar à vantagem, mas o Marítimo ia-se aguentando.

A melhor oportunidade de primeiro tempo surgiu pouco depois da meia hora de jogo, com um canto mal aliviado a permitir aos bracarenses colocar rapidamente a bola na área adversária, mas o nº 1 visitante esteve à altura e, não havendo nada mais de nota, as equipas seguiriam para intervalo com o nulo no resultado.

Enquanto as equipas descansavam no balneário, foi tempo de subirem ao relvado os atletas das modalidades do SC Braga, que tiveram direito a um sóbrio e merecido momento de reconhecimento junto de um público mais amplo que o habitual.

O Braga reentrou com a mesma vontade de conquistar mais um triunfo e, logo aos 52 minutos, Vukcevic, no coração da área, abriu a contagem com um remate colocado após recuperação de bola a meio campo num erro dos visitantes.

Vukcevic e Paulinho resolveram para os da casa
Fonte: SC Braga

E como a melhor forma de defender o resultado é atacando, os da casa não desarmaram e foram sempre os mais perigosos. Ainda assim, Matheus, num dia menos sólido que o que nos tem habituado, ainda teve uma má saída que causou calafrios, mas resolveu à segunda. Por outro lado, os Guerreiros quase chegavam ao segundo. A bola até entrou, mas o lance foi bem anulado por fora-de-jogo, numa recarga após cabeceamento à barra.

Aos 86 minutos, Paulinho surgiu frente a frente com o guardião adversário e fuzilou para estabelecer o resultado final. No entanto, ainda houve lugar a um grande sobressalto para os arsenalistas. Matheus errou o passe e entregou o golo a um adversário, mas teve a presença de espírito de mergulhar num carrinho perfeito para salvar a situação.

E assim se contou a história de mais uma vitória caseira do SC Braga que, com a concorrência mais próxima a 27 pontos, continua a morder os calcanhares aos três grandes e, para já, vai mantendo o sonho da frente do campeonato vivo por mais uns tempos. 

SC Braga: Matheus; Goiano, Raúl Silva, Bruno Viana, Jefferson; Esgaio, Vukcevic, André Horta (Danilo 85’), Ricardo Horta (Fábio Martins 89’); Wilson Eduardo (Dyego Sousa 75’), Paulinho.

CS Marítimo: Amir; Bebeto, Zainadine, Pablo, Rúben Ferreira; Correa (Valente 85’), Gamboa (Ghazaryan 70’), Fabrício, Jean Cleber; Tagueu, Rodrigo Pinho (Everton 83’).

Assalto final, com ouvidos moucos…

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No rescaldo de uma intensa e decisiva semana azul e branca sobram o passo de gigante na luta pelo título dado com a vitória na Luz e a dolorosa eliminação da Taça de Portugal, em Alvalade, numa prova em que os portistas depositavam grandes esperanças. Pelo meio, tempo e oportunidade para as habituais histerias dos doutorados em treino de bancada. Perdoa-lhes, Sérgio, porque não sabem o que dizem!

A ambição dos treinadores mede-se – fiquei a saber – pela conquista, ou não, de vitórias. Defender uma vantagem demonstra, inequivocamente, falta de ambição ou, portuguesmente falando, ‘cagaço’. Rui Vitória ficou com a fama no domingo e Sérgio Conceição não se livrou dela na última quarta-feira. Com a equipa de rastos e a cinco minutos de conseguir um bilhete para o Jamor, na casa de um Sporting CP forte e empurrado pela energia do seu público e que, imagine-se, corria atrás do prejuízo, os arautos do conhecimento técnico-desportivo gostariam certamente de ter visto o FC Porto em cima do seu adversário, a pressionar como se estivéssemos em agosto e a desenvolver constantes jogadas de perigo. Resumindo, estas espécies raras julgavam que do outro lado estava o Carcavelinhos da Apúlia e que, vai daí, caberia a Sérgio Conceição a simples tarefa de remeter o Sporting CP, no seu estádio, ao seu meio campo sem o deixar sequer jogar.

Sérgio Conceição foi criticado por não ter usado Marega frente ao Sporting CP
Fonte: FC Porto

A (não) opção por Marega também mereceu os mais variadíssimos reparos por parte dos reis do ‘bitaiterismo’. Para esses, profundos conhecedores da realidade interna do plantel e da condição física e psicológica dos jogadores, Sérgio falhou em toda a linha nas substituições (porque, pasme-se, optou por refrescar apenas e nunca por mudar o sistema) e por não ter lançado o maliano que, certamente, colocaria o Sporting CP em sentido. O facto de o jogador vir de uma lesão complicada de um mês e meio e de já ter sido exposto ao risco de uma recaída no jogo da Luz não interessaria para nada, o importante era atacar e manter a equipa na frente e nunca defender uma vantagem preciosa que valeria a presença no Jamor. A infelicidade de Marcano ditou que esta pequena amostra de comentaristas tivesse oportunidade de se manifestar, porque do lado de fora as facilidades são outras e o erro, esse, não existe. Pobres coitados!

Segue-se o Vitória FC, uma equipa que sacou um empate no Dragão na última época. Aliás, os próximos três jogos acabaram com divisões de pontos em 2016/17, que se revelaram determinantes no segundo lugar que Nuno Espírito Santo não conseguiu evitar. É, pois, de capital importância apelar a um último esforço dos jogadores nesta reta final que pode/tem de trazer o título tão desejado. As armadilhas estarão, certamente, estrategicamente bem montadas, pelo que só um FC Porto forte, intenso e avassalador logo desde o primeiro minuto dos encontros as poderá debelar.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

Taça do Rei, ‘Scudetto’ e a manutenção na Liga Alemã

Este fim de semana trás-nos jogos a não perder, e não falamos só dos campeonatos nacionais…

– Uma final da taça que promete;

– Uma luta intensa por um “título” de vice campeão na Bundesliga;

– Um possível adeus de um histórico;

– E, uma machadada no sonho de ser campeão.

São estes os principais focos deste fim de semana, com grandes jogos, grandes equipas e muitas emoções à mistura, pois estamos a chegar à altura das grandes decisões e é o tudo ou nada para as ambições de cada uma das equipas.

Lendas do Universo Benfiquista: José Augusto

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José Augusto Pinto de Almeida, nasceu no Barreiro a 13 de abril de 1937. Iniciou-se na prática do desporto aos 10 anos, como basquetebolista e como futebolista, no clube da cidade, o FC Barreirense. Mas foi por influência do pai, antiga gloria do clube da terra, que aos 17 anos escolheu ser jogador de futebol.

Rápido, ágil, forte e com um instinto goleador, foram algumas valências que o fizeram sobressair enquanto jovem jogador.

Ainda aos 17 anos, foi chamado pela primeira vez à seleção nacional de jovens, num torneio internacional na Itália, onde se destacou. Não tardou a chegar á equipa principal de seniores do FC Barreirense, e em outubro de 1955, José Augusto, faz a sua estreia na primeira divisão, num jogo contra o Sporting CP, onde foi a estrela do jogo, marcando 2 golos.

Foram muitos os clubes que demonstraram interesse no jovem avançado de 22 anos, mas foi pelo o Sport Lisboa e Benfica, que José Augusto viria assinar contrato, no verão de 1959. Chegando assim, ao topo do futebol português.

O treinador era Bella Guttman, que vinha do FC Porto para orientar o SL Benfica. Com uma equipa recheada de estrelas, o técnico húngaro meteu José Augusto atuar do lado direito do ataque como extremo. Fez a sua estreia para o campeonato contra o Vitoria FC, e no seu segundo jogo contra o SC Braga marcou o primeiro golo pelo SL Benfica. A partir dai, começou a escrever-se história.

Trio de ataque com António Simões, José Augusto e Eusébio
Fonte: SL Benfica

Em corrida, ultrapassava com uma elegância fora de serie, os adversários que lhe saltavam ao caminho. Tinha o dom de dominar e chutar a bola com qualquer um dos pés. No jogo aéreo era igualmente um jogador de classe. Apesar de na maior parte da sua carreira não ter ocupado a posição mais avançada do ataque, revelou-se sempre um exímio marcador, tendo marcado ao serviço do SL Benfica mais de 170 golos em mais de 360 jogos.

Com a “águia ao peito” conquistou 8 campeonatos da primeira liga, 3 Taças de Portugal, e as 2 míticas taças dos campeões europeus, juntamente com tantas outras lendas do clube. Na seleção fez parte do lote de escolhidos, que dignificaram o pais, no celebre mundial de 1966, onde marcou 3 golos. A imprensa estrangeira, apelidou-lhe de “melhor extremo direito atuar na Europa.”

No ano de 1970, com apenas 32 anos, mas como um verdadeiro líder em campo, foi-lhe oferecido o cargo de treinador, depois de um desentendimento entre Otto Gloria (treinador na época) e o plantel encarnado. Terminando naquele momento a sua carreira como jogador de futebol.

Ainda nessa época, conquistou a Taça de Portugal contra o Sporting CP no Jamor por 3-1. A partir dai prosseguiu a sua carreira como treinador de futebol, com passagens em vários clubes, escalões de formação e inclusive na seleção nacional.

Ao longo da sua carreira no mundo do futebol, muitos foram os troféus e medalhas que conquistou, mas mais importante foram os muitos adeptos de futebol e, em especial, do SL Benfica, que lhe deram o apelido de “lenda no universo Benfiquista.”

Foto de Capa: SL Benfica