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De onde virá a surpresa?

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Golden State Warriors, Houston Rockets, Boston Celtics, Cleveland Cavaliers. Não sendo, necessariamente, esta a ordem, é, provavelmente, o conjunto mais unânime de equipas apontadas como as favoritas à conquista do anel de 2018. E, mesmo neste lote, os Celtics correm, de certa forma, por fora. Portanto, a questão que serve como título para este texto procura obter uma resposta: se estas quatro equipas falharem por alguma eventualidade, quem se chega às frente na restante liga?

Olhando para esta Este, surge uma resposta que parece tão óbvia. Os atuais líderes da conferência, os Toronto Raptors. Na prática, isto não é nada óbvio. Apesar do bom basquetebol da presente temporada e da consistência demonstrada, a equipa do Canadá costuma, de certa forma, sufocar na postseason e as suas principais armas, Kyle Lowry e DeMar DeRozan,  costumam ficar muito aquém das expectativas. Ainda assim, são uma ameaça. Pequena, mas uma ameaça.

Os Wizards podem apertar com qualquer um dos favoritos, sobretudo se depois do regresso de John Wall a equipa perceber como têm que funcionar. Porém, será extremamente difícil obter quatro vitórias, quer contra os Celtics quer contra os Cavs. Podem sim, ser a surpresa chegando a uma possível final de conferência. E, bem, olhando para o restante Este percebe-se que as restantes equipas não têm, por um lado, a força necessária ou, por outro, encontram-se ainda demasiado “verdes”, como é o caso dos Milwaukee Bucks e dos Philadelphia 76ers.

A Oeste a coisa parece, de facto, mais ameaçadora. Os San Antonio Spurs serão sempre uma ameaça, sobretudo numa altura em que se intensifica os rumores de um regresso iminente da Kawhi Leonard aos pavilhões. Ninguém dúvida o quão melhor é a equipa dos Spurs com o seu principal astro e toda gente se lembra do extremamente complicado que a série da temporada passada estava para os Warriors até ao momento da lesão de Kawhi. Os Timberwolves podem surpreender, até porque a lesão de Butler vai afastar o mesmo até ao início dos playoffs. Com um Jimmy descansado, desde que em plenas condições físicas, os T-Wolves podem ser um equipa difícil de bater para qualquer um dos favoritos.

Os Thunder procuram surpreender a liga e mostrar uma coesão que ainda não se viu
Fonte: NBA

Se a defesa da equipa melhorar, maior será a ameaça. Por fim, a equipa que considero que pode ser o maior x-factor de toda esta questão, os Thunder de Oklahoma. O starpower está lá, falta um maior entendimento do papel de cada um. A perda de Andre Robertson parecia à partida insignificante mas o seu auxílio, sobretudo no meio-campo defensivo, faz falta e tem contribuído para uma maior instabilidade dos OKC. Russel Westbrook, Paul George e Carmelo Anthony podem assumir-se como o leão que corre por fora sempre de olho na sua presa.

Concluo com um pensamento muito pessoal: não me parece que o título fuja das mãos daquele primeiro lote de equipas, focando as coisas essencialmente nos Rockets, nos Warriors e nos Cavs e com claro pendor para a equipa que emergir vitoriosa da complicada conferência Oeste.

Foto de Capa: NBA

Artigo revisto por: Ana Rita Cristóvão

Estrelas da formação: Rafael, o Rei Leão

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A época 2017-18 viu nascer mais um Leão da formação do Sporting CP. Sim, caro leitor, este é mesmo Leão, de nome e coração. O seu nome é Rafael, o Rei Leão.

Tem apenas dezoito anos e está ainda, por isso, na fase de adaptação ao Plantel Sénior dos Leões. Marcou um grande golo no Estádio de Dragão, o único da equipa de Alvalade. Apesar da derrota, Leão mostrou-se muito bem na partida, rendendo de forma exímia Doumbia. Já no penúltimo jogo contra o Moreirense, entrou a meio da segunda parte, encostado ao lado esquerdo do ataque leonino e fez o passe que desmarcou Gelson Martins para o golo sentencial da partida. Foi mais uma explosão do Rei Leão, rasgando o meio-campo defensivo da formação de Moreira de Cónegos. Aquilo foi, pura e simplesmente, arte em Alvalade!

Parece inequívoco que este Leão vai crescendo de jogo para jogo e, ao que parece, tem merecido toda a confiança do técnico Jorge Jesus. Por isso, é legítimo perguntar: até onde pode chegar o Rei Leão?

Com apenas 18 anos, Rafael Leão já festeja os golos da equipa principal e partilha as alegrias com os melhores da Europa
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Destaque para o seu poderio físico (1.88 m), bom na condução de jogo e veloz nos momentos de transição atacante. Está ainda na fase “de se mostrar”, sendo por isso compreensível alguma “ligação afetiva” à bola procurando, sobretudo, jogadas individuais. Isso faz com que seja, ainda, um pouco egocêntrico no domínio e na posse de bola. O jogador tem uma excelente capacidade no um-para-um, aliando técnica, força e impulsão nas suas projeções ofensivas.

Este Leão não engana, é mesmo Leão: Leão de nome, Leão de coração. Dará certamente um grande jogador de futebol e Jorge Jesus estará na linha da frente como aquele que “lançou” este Leão numa equipa de Leões. Todos poderão ser Leões mas este será, não tarda muito, o Rei Leão.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

FC Porto 2-1 Sporting CP: Via aberta para título

Ao quarto duelo entre dragões e leões, a vitória voltou a sorrir aos azuis e brancos, fruto de uma exibição completa, da defesa ao ataque, com enorme espírito de sacrifício e com a competência necessária para “matar” o adversário em momentos decisivos. Os verdes e brancos ficam agora a oito pontos de distância e, ainda que tenham “carregado” nos minutos finais, a ineficácia de Rafael Leão (esteve perto de ser herói em dose dupla) e Montero, bem como um Casillas enorme a fechar a baliza, não permitiram a conquista de qualquer ponto. Marega e Doumbia foram os azarados da noite.

Muito do que poderá ser a descoberta do próximo campeão nacional jogou-se esta noite no Estádio do Dragão. O FC Porto entrava em campo com o conforto de saber que, independentemente das incidências da partida, continuaria na liderança isolada da prova. O Sporting CP, por outro lado, jogava todas as fichas possíveis no encurtamento de distâncias para o rival. Face a tamanhas ausências de ambos os lados nenhum dos técnicos surpreendeu no momento de escalar os onzes iniciais. Sérgio Conceição, ainda que com os regressos de Aboubakar e Ricardo, manteve Dalot na esquerda e chamou Gonçalo Paciência para o batismo a titular esta época com a camisola do FC Porto. Jorge Jesus, que hoje não contou com Bas Dost, Gelson e Piccini, chamou Ristovski para fechar a lateral direita e Bryan Ruiz para oferecer os apoios necessários a Doumbia.

O jogo era muito importante para os portistas e quase decisivo para os sportinguistas e, dessa absoluta necessidade de vencer, saiu reforçado o espetáculo, que viu os dois conjuntos numa busca incessante pelos golos que teimaram em escassear nos três clássicos anteriores. O primeiro sinal de perigo saiu da cabeça de Marega, que enviou a bola ao poste na sequência de um pontapé de canto, ainda não estava decorrido um quarto de hora. A resposta leonina obrigou Casillas a corrigir um mau cálculo de Marcano, que deixou Doumbia isolar-se perante o espanhol. De seguida, Marega voltaria a ser protagonista quando percorreu 30 metros a cem à hora, sem qualquer oposição e, frente a frente com Rui Patrício, não conseguiu melhor do que disparar ao lado. Era a melhor oportunidade dos azuis e brancos, que estavam apenas a ensaiar o festejo que se comprovou cinco minutos depois. Sérgio Oliveira bateu um canto da esquerda e a bola percorreu toda a área até chegar a Herrera; o mexicano combinou com Maxi, que lhe devolveu a bola, fazendo um cruzamento milimétrico para a cabeçada triunfal de Marcano. O FC Porto estava por cima e a lesão de Doumbia, mesmo em cima do intervalo, não augurava nada de bom, não fosse entrar para o seu lugar o jovem prodígio com nome de predador. Rafael Leão não precisou de mais do que um minuto em campo para mostrar aos colegas o caminho para reentrar na luta. Brahimi perdeu a bola a meio-campo e Bryan Ruiz conduziu-a em direção à área até isolar o jovem avançado português, que a colocou por entre as pernas do consagrado espanhol.

Com a vitória frente ao Sporting CP, o FC Porto aproxima-se do título de campeão nacional.
Fonte: FC Porto

O duro golpe, mesmo no fim do primeiro tempo, acabou por ser corrigido logo nos instantes iniciais da etapa complementar, altura em que o estreante Gonçalo Paciência contemporizou na área até encontrar, no seu raio de visão, completamente solto, Brahimi do outro lado. O argelino recebeu com o pé direito, enquadrou-se e colocou a bola no ângulo contrário, garantindo que Patrício não lhe chegaria.

Daqui em diante, pouco critério dos leões na procura pelo empate, ao passo que o FC Porto aproveitava para colecionar desperdícios com contra-ataques em superioridade numérica. Marega, em noite “não”, viu-se novamente isolado perante o guardião português, mas o chapéu ficou curto e Battaglia salvou em cima da linha. Na sequência, o maliano lesionou-se (parece grave) e estava dado o mote para que, a faltar 10 minutos para o fim, a ordem fosse para cerrar fileiras e guardar a preciosa vantagem com a entrada de Reyes para formar um meio-campo a três.

O Dragão haveria de suspirar de alívio quando Casillas negou o que seria um golo certo de Montero ao 87’ e quando o jovem Leão falhou de forma incrível o empate. No fim sobraram os festejos dos homens da casa, cientes de que haviam dado um passo de gigante rumo ao objetivo final. O Sporting CP, agora a oito pontos, parece estar praticamente fora da corrida.

 

Como jogou o FC Porto:

Titulares – Casillas, Maxi, Felipe, Marcano, Dalot, Herrera, Sérgio Oliveira, Otávio, Brahimi, Marega e Gonçalo Paciência.

Suplentes – José Sá, Ricardo, Reyes, Oliver, Corona, Hernâni e Aboubakar.

Substituições – Corona por Otávio aos 66’; Aboubakar por Gonçalo Paciência aos 71’; Reyes por Marega aos 81’.

Cartões amarelos – Felipe aos 64’ e Herrera aos 90+2’.

Cartões vermelhos – nada a registar.

Golos – Marcano aos 29’; Brahimi aos 49’.

 

Como jogou o Sporting CP:

Titulares – Rui Patrício, Ristovski, Coates, Mathieu, Fábio Coentrão, William Carvalho, Battaglia, Bruno Fernandes, Acuña, Bryan Ruiz e Doumbia.

Suplentes – Salin, Bruno César, Misic, Palhinha, Rúben Ribeiro, Montero e Rafael Leão.

Substituições – Rafael Leão por Doumbia aos 45’; Rúben Ribeiro por Ristovski aos 67’; Montero por Fábio Coentrão aos 85’.

Cartões amarelos – Bruno Fernandes aos 77’; Acunã aos 86’.

Cartões vermelhos – nada a registar.

Golos – Rafael Leão aos 45+1’.

FC Porto 2-1 Sporting CP: Adeus verde e branco ao título

O Sporting CP perdeu no Estádio do Dragão e disse adeus à luta pelo título nacional. Pela segunda época consecutiva, os leões ficam fora da luta pelo título bem antes do final da prova.

Num clássico onde os verde e brancos tinham obrigatoriamente de ganhar para chegar perto dos líderes, Jorge Jesus optou por Ristovski, Bryan Ruiz e Doumbia nos lugares dos habituais titulares Piccini, Gelson Martins e Bas Dost (o italiano também fez uma falta enorme nesta partida), que estavam impedidos de alinhar. Já Sérgio Conceição praticamente repetiu o onze que havia goleado o Portimonense. A única troca foi a saída do lesionado Soares, rendido pelo regressado Gonçalo Paciência.

Os dragões entraram melhores na partida, com Marega a destruir os adversários no confronto direto. Fábio Coentrão, Coates e Mathieu perderam sempre os duelos com o maliano. Valia ao Sporting que Marega não estava forte na última decisão. O maior exemplo disso ocorreu aos doze minutos, quando, na sobra de um canto, Marega cabeceou duas vezes à boca da baliza. Primeiro atirou ao poste, e depois foi Bryan Ruiz a negar o golo em cima da linha.

Passou o primeiro sufoco e os leões reequilibraram-se na partida, sempre sob a batuta de Bruno Fernandes. Tivesse o Sporting três Brunos Fernandes no meio campo ofensivo e teria ganho este jogo facilmente. Contudo, como infelizmente não é assim, os leões disseram hoje adeus ao título. Depois de Bruno Fernandes e Doumbia obrigarem Casillas a trabalhar, Marega teve outro falhanço escandaloso, depois de um lance em que surgiu solto na área pelo flanco direito. Perto da meia hora, Marcano inaugurou o marcador. Após mais um canto, Herrera ganhou a bola no lado direito e, com demasiado espaço livre, cruzou para a cabeça de Iván Marcano, que estava solto e cabeceou de forma certeira.

Rafael Leão estreou-se em clássicos, e logo a marcar
Fonte: Federação Portuguesa de Futebol

À beira do intervalo, Doumbia lesionou-se e Jesus lançou Rafael Leão em campo. No primeiro toque na bola, o jovem de dezoito anos faturou. Bryan Ruiz fez um passe com muita classe e Rafael Leão fugiu aos centrais e fez o empate, no primeiro toque na bola, no seu primeiro clássico. Leão é mesmo craque!

O empate à beira do intervalo antevia uma segunda parte positiva para o Sporting, mas começou logo mal. Ainda antes de se completarem cinco minutos no segundo tempo, Brahimi adiantou novamente os dragões. Mais uma vez, num lance fabricado pelo lado direito. Gonçalo Paciência derivou para a direita e cruzou atrasado para Brahimi. Ristovski não marcou o argelino nem conseguiu cortar o passe, e Brahimi teve tempo e espaço para tudo, perante Rui Patrício. Os leões até reagiram bem, com Bryan Ruiz a cabecear ao poste, após canto batido por Bruno Fernandes. O costarriquenho deve ter feito hoje o seu melhor jogo da última época e meia, esteve de facto muito bem.

A vinte minutos do fim, Conceição trocou Otávio por Corona, continuando a dar pendor ofensivo à equipa. Jesus também arriscou, com a entrada de Rúben Ribeiro para o lugar de Ristovski, com Battaglia a derivar para lateral direito. Aboubakar também entrou para o lugar de Gonçalo Paciência.

Até ao fim, Rafael Leão e Montero ainda tiveram duas oportunidades claríssimas de golo, mas desperdiçaram. O jovem português rematou por cima quando estava sozinho, enquanto Montero permitiu a defesa de Casillas. Pelo meio, Marega também teve uma ótima oportunidade, com um chapéu a Rui Patrício. Valeu Battaglia a salvar em cima da linha. O maliano saiu lesionado após esse lance.

O FC Porto ganhou um alento importantíssimo rumo ao título, tendo agora oito pontos de vantagem para o Sporting e podendo manter os cinco sobre o Benfica. Já os leões tentarão agora concentrar-se em chegar ao segundo lugar, que pode dar apuramento para as pré-eliminatórias da Liga dos Campeões, e em fazer boa figura na Liga Europa. Bruno Fernandes e Acuña viram cartões amarelos, que os impedirão de jogar em Chaves para a semana. Além da lesão de Bas Dost, será que Jorge Jesus também não tem culpa na péssima gestão que fez dos cartões? Além destes dois, também Gelson Martins e Coates estão “à bica”, quando se aproximam jogos frente a Chaves, Rio Ave e SC Braga.

Caso Chucky: o diabrete ininterrupto

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O extremo do SL Benfica, Franco Emanuel Cervi, está a tornar-se um caso sério. Está a vedar a possibilidade de competição pela ala esquerda. O argentino já é muito mais do que um velocista que dispara após a queima do rastilho.

O pequeno jogador, só em centímetros, tem, atualmente, a incumbência de pegar no jogo com quase a mesma frequência que Pizzi. E quando o miúdo passa a ter este cargo dentro das quatro linhas, a história é logo outra!

Já não são só arrancadas, pressão alta na hora de defender, disciplina tática e finalização. Agora Cervi aliou essas valências a outros momentos igualmente instigantes. “Chucky” é, muitas das vezes, o segundo homem a aparecer na área. Maioritariamente, lado a lado com Jonas, ou atrás do ponta de lança brasileiro. Quando não surge na área para finalizar, dirige-se para o centro do terreno, pedindo a bola e soltando, de seguida, a mesma para Grimaldo.

“Chucky” já começa a dar frutos e quem sabe se não será um novo “Nico”
Fonte: SL Benfica

Ou então as coisas invertem-se e também corre tudo às mil e uma maravilhas: é o espanhol que vem para o meio e Cervi cruza para a área e, ultimamente, deva dizer-se, fá-lo com eficácia – contrariando os primeiros tempos de Benfica, com bolas que pecavam pelo fraco alcance.

Atualmente, o jogador de 22 anos está a fazer uma excelente temporada, com 4 golos em 27 jogos de águia ao peito. Arrisco-me a dizer duas coisas: primeiramente, que Cervi ultrapassará os 7 golos da época passada; também afirmo com assertividade que se o médio do Benfica continuar com esta cadência exibicional, terá que ser uma hipótese muito bem analisada pelo selecionador da Argentina, Jorge Sampaoli – para o Mundial de 2018, na Rússia.

Já lá vão os tempos em que os adeptos da formação da Luz torciam o nariz ao “substituto” de Nicolás Gaitán: o pequeno franzido que apesar da garra, perdia muito a bola. Pois bem, não está feito um senhor com a classe de Gaitán, mas é, evidentemente, um chocolatinho para Rui Vitória.

Uma aposta ganha e que vai dar frutos. Parece que já se vê estampada na testa de Franco Cervi um número com muitos zeros.

Foto de Capa: SL Benfica

Portugal 0-0 Austrália: Empate histórico até soube a pouco!

Depois da histórica vitória na primeira jornada desta Algarve Cup frente à China, a seleção nacional feminina tinha pela frente um desafio ainda maior, nada mais nada menos que a quarta classificada do ranking da FIFA, a Austrália, que não falha uma fase final do Campeonato do Mundo feminino desde 1995.

Contrariamente ao esperado, Portugal começou a mandar no jogo, tendo dominado boa parte dos primeiros dez minutos. No entanto, a Austrália não demorou a impor o seu jogo e podia mesmo ter chegado à vantagem, só que a árbitra entendeu que a falta de Ana Borges dento da área… foi fora da mesma. As australianas optavam por sair sempre a jogar com critério, fruto da maior qualidade técnica das suas jogadoras. Aproveitando a mobilidade da sua frente de ataque e a robustez do seu meio campo defensivo, Portugal ia pressionando a equipa adversária, obrigando as australianas a errar alguns passes e possibilitando aproximações vertiginosas à baliza de Williams.

A melhor oportunidade da primeira parte pertence mesmo à equipa das Quinas: estavam decorridos 35 minutos quando Diana Silva, depois de uma grande combinação com Jéssica Silva, isolou-se e, na cara de Williams, rematou à figura da guardiã. Tinha tudo para inaugurar o marcador!

O intervalo chegou com muitos motivos de satisfação para Francisco Neto, já que a sua equipa estava a bater-se de igual para igual frente à quarta seleção do ranking, que estava a sentir muitas dificuldades para travar, sobretudo a tecnicista e veloz Jéssica Silva.

As jogadoras portuguesas disputaram cada bola como se fosse a última
Fonte: FPF

No segundo tempo a toada manteve-se, com um jogo equilibrado e as duas equipas a lutar muito para levar de vencido este jogo. O relvado do estádio do Algarve estava cada vez mais difícil, o que obrigava ambas as equipas a procurar outras soluções. As jogadoras vindas do banco australiano vieram dar outro tipo de agressividade, mas a alma lusitana ia conseguindo contrapor a balança. Os últimos minutos foram algo incaracterísticos, com “bola cá, bola lá” e o jogo podia cair para qualquer lado. No entanto, o empate prevaleceu, tendo ainda Vanessa Marques rematado para uma grande estirada de Williams e a defesa portuguesa afastado todas as aproximações das australianas.

Um empate que se ajusta, mas se houvesse um vencedor teria que ser Portugal! Que grande demonstração de carácter da equipa das Quinas, com um crescimento incrível no último ano! Na edição transata desta Algarve Cup, sentia-se que ainda estava uns patamares abaixo das equipas de topo. Apenas um ano volvido, levou de vencida a seleção chinesa (décima quarta do ranking) e empatou com a Austrália (quarta). Isto já depois de ter feito história ao estar presente no Europeu pela primeira vez e ao vencer um dos jogos dessa competição.

A equipa apresenta um jogo mais solto e as jogadoras estão muito mais entrosadas. Isto pode ser justificado por uma maior qualidade do campeonato nacional, fruto, sobretudo do Sporting e do Sporting de Braga, que trouxeram para o nosso campeonato muitas jogadoras portuguesas que estavam no estrangeiro e potenciaram a imergência de novos valores. Para se ter uma ideia, do onze inicial utilizado hoje por Francisco Neto, apenas quatro jogadoras não atuavam no Sporting ou no Sporting de Braga. É também de exaltar o trabalho de Francisco Neto e de toda a federação no desenvolvimento do futebol feminino em Portugal.

Portugal parte para a última jornada na liderança do grupo, a par do adversário de hoje, ambos com quatro pontos. A Noruega vem logo a seguir com três, enquanto que a China é a última classificada, ainda sem pontuar. Uma vitória na última jornada pode garantir uma inédita luta pelos primeiros lugares da competição.

Viveiro de experiência

Em qualquer desafio, o seu conhecimento é o ponto de partida. É preciso conhecer o que se enfrenta para se saber qual a melhor forma de o ultrapassar. Isto é aplicável no futebol a todos os níveis, começando desde logo com os treinadores. Expressões como “raposa velha” são utilizadas constantemente, e, não por acaso, são elas as detentoras do maior conhecimento da prova em questão. Se isso é suficiente para derrotar a irreverência da juventude que vai aparecendo, só os jogos o dirão.

A treinadores como Jorge Jesus, Manuel Machado, Manuel Cajuda ou Vítor Oliveira são desculpadas eventuais “gafes” ou aplaudidas e destacadas as constantes análises precisas e acertadas. É esta a vantagem da experiência no que diz respeito à comunicação com o exterior, mas não ficam por aqui. Dentro do campo, onde realmente importa e onde os jogos são disputados, a experiência do treinador é também aplicável, mas só pode ditar o sucesso se houver compreensão, colaboração e comprometimento por parte dos intervenientes, os jogadores. E é pelos jogadores que se percebe a importância da experiência, do calo, do hábito.

Miguel Cardoso tem em Cássio uma voz de comando experiente dentro de campo
Fonte: Rio Ave FC

Para além do universo dos “três grandes”, a experiência mescla-se no balneário com os jovens à procura de afirmação. Uma das equipas que melhor futebol pratica no nosso campeonato, o Rio Ave FC, é um bom exemplo disso mesmo; conta no seu plantel com dois conhecidos intervenientes do desporto rei, Cássio e Tarantini. O primeiro, guarda-redes brasileiro de 37 anos, atua em Portugal desde a época de 2008/09 e está na quarta época ao serviço dos vilacondenses. Passou ainda cinco épocas na capital do móvel e uma em Arouca. O segundo, médio português de 34 anos, cumpre a décima época no clube de Vila do Conde, depois de passagens por Gondomar, Portimão ou Covilhã.

No Bessa, mora uma das figuras mais conhecidas do nosso campeonato dos últimos tempos, talvez não pelos melhores motivos. Mateus construiu a sua carreira quase exclusivamente em Portugal, passando seis anos no CD Nacional, dois em Barcelos e Arouca e vai no segundo ao serviço dos axadrezados. Na cidade berço, Douglas e Moreno apresentam-se como dois dos símbolos maiores do clube. O guarda-redes brasileiro de 34 anos está há oito épocas em Portugal, todas ao serviço do Vitória SC. O defesa português de 36 anos vai na 11ª época pelos conquistadores e conta, por exemplo, com uma passagem de dois anos pelo CD Nacional, num total de 18 temporadas no nosso campeonato.

O CD Tondela e o seu treinador, Pepa, contam no seu plantel e, em particular, no seu eixo defensivo, com um poço de experiência, conhecimento do jogo e das relações humanas no âmbito desportivo, que é Ricardo Costa. O defesa central português de 36 anos acumula nove épocas em Portugal, a maior parte ao serviço do FC Porto, mas também passagens pelo VfL Wolfsburg, PAOK ou Valencia CF, onde é muito querido entre os adeptos espanhóis.

Rony Lopes – A afirmação com a Russia à vista

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O menino chamado Rony

Marcos Paulo Mesquita Lopes, conhecido no mundo do futebol como Rony Lopes representa atualmente o Mónaco de Leonardo Jardim e tem dado nas vistas esta época pela equipa monegasca. Para os mais atentos é um nome já ouvido à algum tempo, no entanto, apesar da enorme qualidade e potencial, o jovem português de 22 anos ainda não se tinha conseguido afirmar ao mais alto nível.

Aos 13 anos ingressa na formação do Sport Lisboa e Benfica onde na altura foi colega de equipa de jogadores como Bruno Varela e João Teixeira. Aos 17 anos o Manchester City chegou-se à frente para trazer a jovem promessa para Inglaterra. Fez todo o percurso nos escalões jovens do City chegando à equipa sénior na época 2012/2013. Com a falta de espaço na equipa, foi obrigado a procurar uma oportunidade fora de Inglaterra, esteve um ano no Lille onde voltaria mais tarde novamente por empréstimo mas já ligado contratualmente ao Mónaco. Foi na época passada que deu nas vistas no clube francês ao lado de Éder e companhia realizando 29 jogos quase sempre a titular e contribuindo com 6 golos nas várias competições. A qualidade técnica e principalmente a sua capacidade de desequilibro no um para um chamaram à atenção de Leonardo Jardim que o resgatou novamente para a equipa principalmente do Mónaco.

Um lugar ao sol nas praias monegáscas

Apesar do crescimento a afirmação adivinhava-se bastante difícil, com avançados como Lemar, Diakhabi,Ghezzal e Youri Tielemans a concorrência era realmente fortíssima. Apesar das dificuldades Rony Lopes foi agarrando as oportunidades dada pelo técnico português e foi somando minutos na Ligue 1. Marcou o seu primeiro golo na liga à sexta jornada frente ao Strasbourg  na vitória por 3-0, depois disso estreou-se na Liga dos Campeões frente ao Futebol Clube do Porto.

A primeira metade da época foi bastante regular e conseguiu cimentar o seu lugar na equipa, as boas exibições valeram-lhe uma nova chamada à Seleção principal depois da estreia em Março do mesmo ano no particular diante da Noruega.

Os minutos somados e a evolução às mãos de Leonardo Jardim tornaram o jovem cada vez mais consistente, melhorando consideravelmente o seu papel nos processos defensivos e ofensídos da equipa.

Com o novo ano as coisas continuam a correr de feição , apesar de coletivamente não ser a melhor época dos monegascos com o campeonato entregue ao Paris SG e já fora das competições europeias, em termos individuais as exibições do craque português têm sido cada vez mais faladas em França e não só. Nos últimos 8 jogos Rony marcou por 9 vezes, bisando na ultima partida frente ao Toulouse. Os golos e as exibições estão a ter eco alem fronteiras e já se fala numa eventual oportunidade para Rony lutar por uma vaga nos 23 que irão ao mundial na Rússia.

Kremlin à vista?

Apesar da curta carreira ao nível da Seleção A já conta com um vasto currículo nas seleções jovens. Dos sub17 aos sub21 Rony Lopes somou 54 internacionalizações. Do percurso destaca-se uma final de Sub19 em 2014 e a excelente prestação no mundial de sub20 em 2015.

Continuado a este nível é quase certo que Fernando Santos o irá chamar para os particulares frente ao Egito e Holanda já neste de Março. Serão jogos onde o jovem poderá ter oportunidade de mostrar o seu valor e garantir uma das poucas vagas que restam no lote dos 23 que irão ao mundial na Russia

A qualidade e o potencial estão lá, cabe a Rony Lopes continuar a trabalhar a mostrar todo o seu talento e agarrar a oportunidade.

Foto de Capa: AS Mónaco

Cátia Azevedo, Lorene Bazolo e Lecabela Quaresma – A manhã das portuguesas em Birmingham!

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Como foi uma manhã com forte participação portuguesa, torna-se pertinente fazermos um ponto da situação do que se passou com as nossas atletas em Birmingham.

O dia começou com uma boa prestação de Lecabela Quaresma nas barreiras do Pentatlo, correndo em 8.51, a segunda da sua série e oitava da geral, um tempo melhor do que o que fez nas barreiras quando alcançou o seu recorde pessoal. Depois na Altura, a atleta esteve também bastante bem, saltando 1.76m, o seu melhor da época. No final da manhã foi a vez do Lançamento do Peso, onde a atleta conseguiu o seu melhor desta temporada com um belo lançamento final de 14.12. Neste momento, Lecabela Quaresma ocupa a 9ª posição da geral, estando acima das expectativas no que diz respeito a marcas e a correr pelo recorde.

https://www.facebook.com/PlanetadoAtletismo/videos/2003664703239009/

Menos sorte teve Lorene Bazolo nos 60 metros femininos. Bazolo não conseguiu apresentar o nível já demonstrado esta temporada (já tinha corrido em 7.30), ficando em sexto lugar na sua série, em 7.39. Foi o fim da prestação da atleta portuguesa em Birmingham, numas eliminatórias de 60 metros que foram bastante rápidas, com 9 atletas a fazer igual ou abaixo de 7.20s.

Também Cátia Azevedo não conseguiu replicar o seu melhor pessoal – que até daria para ganhar a sua série e se apurar para as semi-finais- e correu os 400 metros em 54.17, ficando no terceiro lugar a um lugar do apuramento. A atleta ainda voltará a competir no Sábado nas eliminatórias das estafetas 4×400.

 

Jogadores Que Admiro #91 – Miguel Rosa

Por vezes, temos de ser humildes e saber dar um passo atrás para poder depois dar dois à frente. Isto serve para tudo na vida e, como não poderia deixar de ser, o Futebol não foge à regra. Neste artigo, vou falar sobre um jogador que dispensa apresentações: Miguel Rosa, médio de 29 anos, actualmente ao serviço do CD Cova da Piedade.

“Mas como poderá um jogador destes ter ido parar novamente à Segunda Liga?” – perguntam vocês. “Terá sido fruto de uma grave lesão, procurando agora retomar a sua melhor forma”? “Terá decaído assim tanto na sua qualidade, que não serve mais para a Primeira Liga?” “Estará já a aproximar-se do final da sua carreira?”

Não, não e não. Nada disso. Miguel Rosa continua a ser um fantástico jogador, com uma qualidade muito acima da média. Simplesmente – e no meu entender –, Rosa tem sofrido algumas injustiças ao longo da sua carreira, que não o permitiram ter uma projecção ainda maior. Ultimamente, foi vítima de mais uma injustiça. Mas já lá iremos.

O CF “Os Belenenses” esteve atento ao impacto de Miguel Rosa e quis contar com a sua qualidade para atacar a subida à Primeira Liga
Fonte: aoutravisao.wordpress.com

Natural de Lisboa, foi com 12 anos para as escolinhas do SL Benfica e foi nessa casa que fez toda a sua formação enquanto jogador. Terminado o percurso na formação, foi por empréstimo para o GD Estoril Praia, tendo sido esta a sua primeira experiência como jogador sénior. Decorria a temporada de 2008/2009 e, nesta altura, o clube da linha de Cascais estava a disputar a Segunda Liga. Podemos dizer que Miguel Rosa teve uma participação activa na temporada canarinha: disputou 22 jogos e marcou 4 golos. Nada mau, para uma temporada de estreia. Na época seguinte, foi novamente emprestado, desta vez à AD Carregado; mais uma temporada e Miguel elevou o seu patamar, com uma contribuição de 12 golos marcados, em 31 jogos disputados.

A influência deste jogador começava a fazer-se sentir, tendo na temporada de 2010/2011 dado um salto na sua evolução; ainda por empréstimo do SL Benfica, o médio de então 22 anos foi emprestado ao CF “Os Belenenses” e podemos dizer que foi aqui que Miguel se começou realmente a sentir ainda mais valorizado. Foi com o emblema da Cruz de Cristo ao peito – num empréstimo de duas temporadas – que deu nas vistas, com um total de 69 jogos disputados e 24 golos apontados. Qual é o médio que não gostaria de ter este registo?

Em 2012/2013, Miguel Rosa teve uma oportunidade de mostrar todas as suas credênciais ao serviço do clube que o havia formado. Beneficiando do surgimento da equipa B do SL Benfica, foi integrado no projecto sob o leme de Luís Norton de Matos e podemos dizer que foi aqui que Miguel teve a sua temporada mais proveitosa de sempre, em termos de golos e jogos: 41 jogos disputados e 17 tentos apontados. Chegando a treinar-se algumas vezes com o plantel principal, o médio esteve sempre na calha para uma subida que seria sempre mais que merecida. Infelizmente, tal não se verificou, acabando por se desvincular definitivamente da equipa encarnada no final da temporada.