Início Site Página 11897

Os reforços e o seu possível impacto

Cabeçalho Futebol Nacional

Encontra-se na fase final o mercado de inverno. Não havendo grandes surpresas no que toca a contratações, dois dos grandes clubes do nosso campeonato não perderam a oportunidade para retocar os seus planteis e aumentarem a sua competitividade para o que falta disputar na presente época. Apenas o Benfica não regista até ao momento qualquer aquisição, o que se justificará pelo facto de a equipa lisboeta estar apenas na disputa do campeonato nacional e já ter sido eliminado das restantes competições.

Envolvidos em todas as competições que estão por disputar, Futebol Clube do Porto e o Sporting aproveitaram algumas oportunidades de mercado para se reforçarem, sendo que os portuenses, em contenção devido ao fair-play financeiro, apenas despenderam dinheiro numa das quatro operações efectuadas. Osório, defesa central contratado ao Tondela, terá custado uma verba que ronda os 2 milhões de euros. O reforço venezuelano terá pouco espaço no presente para acumular tempo de jogo, no entanto é visto como uma aposta de futuro, numa posição em que duas das três opções para a referida posição terminam contrato com o clube no final da época e não se sabe ainda se avançarão para a renovação.

Gonçalo Paciência regressa à casa mãe Fonte: Facebook Oficial de Gonçalo Paciência
Gonçalo Paciência regressa à casa mãe
Fonte: Facebook Oficial de Gonçalo Paciência

Para o meio campo, os azuis reforçaram-se por empréstimo com Paulinho, ex Portimonense, que poderá ser uma opção muito importante no plantel. Podendo jogar tanto na zona central do meio campo como descaído numa ala, o brasileiro que se tem mostrado em grande plano poderá ter um papel importante nesta fase em que o calendário portista se irá adensar. Caso a resposta seja positiva, o Porto poderá avançar para a sua compra no final da época. Para o ataque, e igualmente por empréstimo chegou Waris, proveniente do Lorient. O avançado veio assim complementar o leque de avançados à disposição de Conceição e tem já sido opção nos primeiros jogos após ter chegado ao Dragão.

Para a mesma posição, chegou Gonçalo Paciência, desta vez o regresso de um jogador formado na casa, que se encontrava emprestado ao Vitória de Setúbal. Após uma primeira metade de época bastante positiva, Gonçalo regressa com o sonho de se afirmar no seu clube do coração e tem todas as possibilidades de o fazer. Forte fisicamente e com excelente capacidade técnica, tem todas as condições para, desde já, ser a primeira opção como substituto de Aboubakar.

O sucesso e fracasso do Futebol Feminino português

Cabeçalho Futebol FemininoO Futebol Feminino em Portugal tem um passado relativamente curto, uma vez que só começou após o 25 de abril de 1974. No entanto, a primeira competição nacional oficial data de 1988 – sabe-se que a mesma competição já acontecia antes, mas sem a chancela da FPF -, tendo sido vencida pelo Boavista FC, clube que, aliás, dominou o início das competições em Portugal, vencendo tudo o que havia para ganhar até 1994/95.

A nível de seleção, Portugal ainda está a dar os primeiros passos. A primeira participação em competições internacionais foi apenas em 2017, durante o Europeu na Holanda, com uma participação muito meritória. Se em masculinos, o ranking da FIFA diz que somos terceiros, em femininos, o mesmo ranking aponta-nos como 38ª, a nível mundial, o que nos coloca como 22ª seleção europeia neste ranking.

A Formação começou apenas em 1994, ano em que o Sporting CP decidiu criar as primeiras escolas de formação em Portugal, numa altura em que não existiam escalões competitivos. Os leões fecharam o Futebol Feminino no final dessa época, terminando, assim, com a equipa sénior e as escolas de formação. O primeiro campeonato de juniores data de 2014, ganho pelo Cube Albergaria, ou seja, está apenas na quinta temporada, e a Taça Nacional de juvenis apenas começou na época transata.

O Sporting tem a única equipa de infantis femininos, jogando no campeonato misto, mas apenas com equipas masculinas Fonte: Sporting CP
O Sporting tem a única equipa de infantis femininos, jogando no campeonato misto, mas apenas com equipas masculinas
Fonte: Sporting CP

A FPF está a apostar no Futebol Feminino. A aposta ainda está a começar e contou com o forte apoio de quatro clubes – uns mais do que outros -, que responderam ao repto da federação e aceitaram criar equipa feminina. Já antes referi que não gostei da forma como aconteceu este ingresso, mas, como já não é possível voltar atrás, resta dizer que a medida foi positiva. A entrada, ou regresso, do Sporting, assim como a entrada do Sporting de Braga, CF Estoril Praia e do CF Os Belenenses trouxe muito mais notoriedade, principalmente no que toca ao Sporting e ao Braga, que criaram, talvez, as duas equipas mais fortes de sempre em Portugal.

O nível tem subido e o interesse também, apesar de termos um campeonato a duas equipas. Sporting e Sporting de Braga são muito superiores às restantes e, no próximo dia 4, as duas formações defrontam-se em Alvalade, no que poderá selar o título para as leoas, caso vençam, uma vez que passam a ter oito pontos de vantagem para as guerreiras, sendo praticamente impossível desperdiçar esta vantagem nos jogos que faltam (oito). Mais, o Sporting, caso vença, ‘arrisca-se’ a terminar o campeonato só com vitórias. O jogo de dia 4 tem ainda outro objetivo: bater o recorde de assistência de um jogo de Futebol Feminino em Portugal. Neste momento, a melhor marca é 12213, alcançado num jogo entre estas duas equipas, no Jamor, na final da Taça de Portugal do ano passado, que terminou com vitória do Sporting.

A queda desamparada do Inter

0

Cabeçalho Liga Italiana

Em Itália já sabemos que a luta pelo ‘scudetto’ resumir-se-á a Juventus e Nápoles, contrariando o que poderíamos prever há algumas jornadas atrás quando havia uma aproximação efetiva dos cinco primeiros à liderança.

Um dos fatores para o isolamento destacado dos dois primeiros classificados tem que ver com a crise de resultados do Inter de Milão que assume contornos cada vez mais sérios. À 15ª jornada era o líder…daí para cá não ganhou qualquer jogo!

Se uma goleada a 3 de dezembro, por 5-0, sobre o Chievo, fazia os ‘nerazzurri’ ascender à liderança, são agora 13 os pontos que separam a equipa do primeiro lugar, para além de uma eliminação na Taça pelo meio, frente ao rival AC Milan.

O sistema utilizado e predileto de Luciano Spaletti privilegia o equilíbrio. É um 4x2x3x1 que não é uma máquina de fazer golos, mas também, por outro lado, concede poucos. A fase atual pode descrever-se, então, como um decréscimo anímico e quiçá de foco dos jogadores.

Mauro Icardi, com 18 golos, tem quase metade do total da equipa na Serie A. Mesmo assim, a equipa não encontra o rumo dos triunfos Fonte: FC Inter Milão
Mauro Icardi, com 18 golos, tem quase metade do total da equipa na Serie A
Fonte: FC Inter Milão

Veja-se o caso deste último empate concedido frente ao SPAL. O Inter apanha-se em vantagem no início da segunda parte num lance feliz e depois a atitude durante o resto do jogo foi, denotou-se, de algum relaxamento.

O plantel tem enorme talento, mas, nesta altura, com tantos empates, a dúvida também será sobre o estofo de tal formação que tem a pressão sobre os ombros para que os ‘nerazzurri’ retornem aos dias gloriosos. Escasseia um jogador que seja, como noutros tempos, símbolo do clube e que tenha palmarés que garanta que os colegas possam seguir, nem, ainda que com muitos anos de ‘Serie A’, o do treinador…

Só há campeonato até ao fim e, se o título é praticamente uma miragem, a luta que resta deverá ser por um lugar direto na Liga dos Campeões, isto é, o pódio, que está apenas a dois pontos de distância.

Spaletti, noutro contexto, já teria feito as malas e abandonado o clube. Mas, se os resultados não mudarem, será difícil não haver divórcio. Não será 2017/18 a época do primeiro ‘scudetto’ do experientíssimo ‘allenatore’ italiano.

Foto de Capa: FC Inter Milão

Artigo revisto por: Ana Ferreira

Moreirense FC 0-0 FC Porto: Liderança azul e branca em risco

fc porto cabeçalho 2

O Moreirense FC e FC Porto empataram esta noite a zero, num jogo a contar para a vigésima jornada da Primeira Liga. Em posições distintas na tabela classificativa, as duas equipas acabaram por dividir os pontos, num jogo em que foram os dragões que mais tentaram chegar ao golo.

A noite foi de estreia no Parque Desportivo Comendador Joaquim de Almeida Freitas. Do lado do FC Porto, Paulinho chegou e assumiu a titularidade, saltando para um onze inicial onde a principal ausência dava pelo nome de Danilo. Com Óliver Torres e Diego Reyes também a alinhar de início, foram os azuis e brancos os primeiros a conseguir rematar à baliza adversária, com Felipe a responder de cabeça ao canto cobrado por Alex Telles, logo aos dois minutos, e a chamar Jhonatan à primeira intervenção da noite. Aos 23 minutos foi a vez de um dos homens dos dragões se chegar à frente. Aboubakar recebeu a bola de Paulinho e, dentro da área, rematou – já praticamente sem ângulo à malha lateral.

Claramente bem entrosado com o ritmo da equipa do FC Porto, Paulinho foi um dos elementos em destaque ao longo da primeira parte, tendo tido mesmo uma das melhores ocasiões de golo do primeiro tempo, à passagem dos 37 minutos, com um remate à entrada da área que saiu por cima, muito perto da barra. E, menos de cinco minutos depois, foi a vez de Brahimi ter nos pés o primeiro da partida mas, isolado em frente à baliza, falhou o remate, num momento raro de se ver nos pés do argelino. Mesmo em cima do apito para o intervalo, Óliver Torres obrigou Jhonatan a uma boa intervenção, na sequência de um remate que surgiu na recarga de um outro, protagonizado por Marega.

Depois de ver o SL Benfica perder pontos ontem no Restelo, e consciente de que o segundo classificado da tabela apenas entra em campo amanhã, o FC Porto sabia que precisava de vencer para garantir a continuidade na liderança isolada e aumentar a vantagem sobre os encarnados. A entrada para a segunda metade deixou isso claro. Os azuis e brancos entraram fortes e, aos cinquenta minutos, beneficiaram da melhor ocasião de golo da partida. Alex Telles enviou a bola à trave e Felipe, na recarga, já com Jhonatan caído, viu Rúben Lima cortar a bola em cima da linha de golo.

Apesar de ter mais posse e estar lançado no ataque, o FC Porto enfrentou um Moreirense coeso defensivamente e, ainda assim, um Jhonatan atento. A entrada de Soares aos 68 minutos tinha o objetivo de dar mais intensidade na frente e o brasileiro foi mesmo chamado a intervir logo de seguida com um cabeceamento que saiu por cima. E, a um quarto de hora dos noventa, Soares teve novamente a possibilidade de abrir o marcador, mas voltou a cabecear ao lado após um cruzamento de Marega. Numa segunda parte dominada pelos dragões, com mais caudal ofensivo, e frente a um Moreirense FC que não teve qualquer oportunidade clara de golo, a bola chegou a entrar já em cima do apito final, para lá dos noventa minutos, num lance que foi anulado por fora de jogo de Waris.

O resultado acabou por não mexer, terminando da mesma forma como começou: zero a zero. O FC Porto não conseguiu aproveitar o empate do SL Benfica para aumentar a vantagem na frente e, com 49 pontos, poderá ver o Sporting CP assumir a liderança já amanhã. Já o Moreirense FC somou um ponto importante para continuar na luta pela manutenção.

Sporting conquista Taça da Liga e acerta contas com a história

0

sporting cp cabeçalho 2

No passado sábado, o Sporting Clube de Portugal conquistou o primeiro título da época, pela primeira vez venceu a Taça da Liga. Os leões que estão em todas as frentes, na disputa pela Liga NOS, na meia-final da Taça de Portugal e na Liga Europa, juntaram ao seu palmarés a Taça da Liga.
Pela terceira vez, os leões estiveram numa final da Taça da Liga. Nas duas primeiras, o Sporting viria a ser derrotado com recursos a pontapés de penálti. Na reedição da final de 2007-2008, depois de um empate a uma bola, o Sporting foi mais competente nas grandes penalidades, concretizando as cinco, e conquistou o troféu.
Pelo caminho, o Sporting deixou de fora Marítimo, União da Madeira e Belenenses, na fase de grupos. Na meia-final, a equipa leonina eliminou o FC Porto, após grandes penalidades, com Rui Patrício em destaque, a defender dois pontapés de penálti.
O Sporting voltou a conquistar troféus no futebol português Fonte: Sporting Clube de Portugal
O Sporting voltou a conquistar troféus no futebol português
Fonte: Sporting Clube de Portugal
Uma nota importante, para a confiança de Jorge Jesus e para a personalidade dos jogadores Coates e William Carvalho. Depois de não terem conseguido converter na meia-final as duas grandes penalidades, viriam a assumir essa responsabilidade na final. Com o internacional português William Carvalho a marcar o penálti decisivo, que daria o troféu ao Sporting.
O Sporting para esta temporada tinha quatro objetivos, ser campeão nacional, vencer a Taça de Portugal e Taça da Liga, e chegar o mais longe possível nas competições europeias. O primeiro objetivo está conseguido, agora é focar nas outras competições, com atitude e compromisso, para podermos vencer o título nacional, a Taça de Portugal e chegar o mais longe possível na Liga Europa.

Com uma união de aço, entre jogadores, equipa técnica, dirigente e claro, os melhores adeptos do mundo, é possível fazermos uma grande temporada, uma temporada com títulos e conquistas. Com Esforço, Dedicação e Devoção, para atingirmos a glória dos títulos e dos troféus.

A lealdade devia ser mútua

0

Cabeçalho modalidades

Com a “época de trocas” a chegar ao fim na NBA, os Clippers foram os primeiros a mexer com algum peso no plantel. Os californianos enviaram a estrela da companhia, Blake Griffin, mais Willie Reed e Brice Johnson para Detroit. Por seu lado, os Pistons enviaram Avery Bradley, Tobias Harris, Boban Marjanovic, uma escolha de primeira ronda e uma de segunda no draft. Os Clippers continuarão a procurar mais negócios que permitam uma revolução no plantel, mas esta primeira troca traz à tona um problema maior: quando se pede lealdade a um jogador, o mesmo devia ser garantido por quem a pede. E é por aí que os Clippers saem mal desta troca.

Em julho de 2017, pouco depois de perderem Chris Paul para os Rockets, os Clippers apostaram tudo em Blake Griffin. O “menino da casa” escolhido em primeiro lugar no draft, ao qual fizeram uma apresentação mostrando o que seria liderar a equipa de Los Angeles, ser dos Clippers para toda a vida e, acabada a carreira, ter a sua camisola pendurada e o seu número retirado para a eternidade. Os Clippers prometeram a Griffin que ele seria a estrela e o poste foi na conversa. Cinco meses depois, acabou trocado para uma cidade que nunca teve interesse em chamar de “casa”.

Imaginemos agora esta situação ao contrário. Imaginemos que em julho passado, Blake ouvia a apresentação dos Clippers mas optava por ir jogar para outro lado. Rapidamente a equipa de L.A. começaria a falar em lealdade em várias “indiretas, que na verdade são bastante diretas” para o seu ex-menino querido. Os adeptos chamariam Griffin de traidor e assobiariam o poste em qualquer jogo que ele fizesse no Staples Center. Porque no caso do jogador, mudar de ares, é traição. Porque na realidade, “ele só pensa no dinheiro”. No caso da equipa que faz isto, basta puxar do cliché “isto é um negócio” e logo tudo se torna perdoável.

Depois de Griffin, DeAndre Jordan deverá ser o próximo a ser trocado pelos Clippers Fonte: LA Clippers
Depois de Griffin, DeAndre Jordan deverá ser o próximo a ser trocado pelos Clippers
Fonte: LA Clippers

Blake Griffin vai juntar-se aos Pistons, não fazendo da turma de Stan van Gundy mais favorita do que era antes. E os Clippers vão continuar a mandar os seus melhores ativos embora, numa reconstrução que lhes permite serem flexíveis em termos de ordenados nos próximos verões. No entanto, o maior problema continuará (e acontece com qualquer equipa) que é o da lealdade e da confiança.

Sim, Griffin podia ter-se protegido com uma cláusula que impedisse ser trocado. Mas os Clippers ficarão sempre manchados, mesmo aos olhos de jogadores que possam potencialmente estar interessados em rumar a Los Angeles no futuro, por aquele momento em que prometeram o mundo à sua maior estrela. E depois ignoraram tudo, escondendo-se à sombra do “futuro da equipa”.

Foto de Capa: NBA

CD Santa Clara 0-0 SC Braga B: Muita parra… nenhum golo

0

Cabeçalho Futebol NacionalNuma terça feira à noite de muito frio, o Estádio de São Miguel engalanou-se para receber o Sporting de Braga que defrontava o Santa Clara, equipa que vinha de uma derrota frente ao Sporting da Covilhã mas que antes disso tinha vencido o Cova da Piedade por 1-0. Já a equipa visitante, já com Wender ao leme do clube, vinha de uma pesada derrota frente à Académica e de vários jogos sem vencer.

A primeira parte mostrou duas equipas com ideias de jogo diferentes. O Sporting Braga B preferia entregar a bola à equipa da casa para depois tentar sair com perigo, em contra-ataque através dos seus velozes avançados na linha da frente. Já o Santa Clara tinha mais bola, assumia as despesas do jogo mas não conseguia furar a estratégia bem montada da equipa minhota. Nesta primeira parte para além de uma bola ao poste pela equipa visitante, na sequência de um livre, houve também alguns lances de dúvida na pequena área bracarense. Ainda assim, ao intervalo, o jogo registava um nulo.

Na segunda parte,  a toada da partida manteve-se. Muitos duelos, muita intensidade, muita velocidade, muitas bolas divididas mas pouco sumo. A verdade é que mesmo com as substituições de parte a parte o jogo manteve-se até final. Nesta segunda parte, o Sporting Braga B voltou a ter uma boa oportunidade para marcar mas Serginho disse presente. O Santa Clara, que acabou por jogar, nesta segunda parte, mais com o coração do que com a cabeça acabou por criar alguns lances de perigo na ponta final da partida. Apesar disso via-se uma equipa mais em esforço do que com arte e engenho. Até final da partida mais nada de relevante se passou. Para além das muitas paragens durante a partida pouco mais houve a registar num encontro que acabou por ter muita luta, muitos duelos… mas nenhum golo.

SC Braga 2-0 CD Aves: Uma oportunidade perdida para golear

Cabeçalho Futebol Nacional

José Mota regressava ao escalão mais alto do futebol português com a difícil missão de levar um Aves em perigo de despromoção a pontuar na casa do Braga, feito que, para o Campeonato, apenas FC Porto e SL Benfica conseguiram. Abel Ferreira, avisado de que a mudança de treinador podia trazer mexidas na forma de jogar do Aves, aproveitou para também ele surpreender um pouco, apostando numa equipa muito móvel, com apenas dois médios no centro, apoiados por dois extremos e colocando Wilson no apoio a Paulinho na frente de ataque. Também talvez deixando uma mensagem para fora, André Horta e Teixeira, que têm sido pouco utilizados e de quem se falou que poderiam retornar aos seus clubes-mãe, foram ambos titulares.

Contra um Aves que acabou por mudar pouco, destacando-se o relegar de Paulo Machado para o banco, os da casa entraram com força e logo aos dois minutos Paulinho respondeu para fora a um cruzamento da esquerda. Mantendo a pressão, na jogada seguinte os de vermelho atiraram uma bola ao ferro e ainda permitiram uma boa defesa a Adriano na sobra. O jogo bem podia ter mudado de figura quando Matheus teve um erro clamoroso que só não deu em golo porque Bruno Viana conseguiu ainda tocar com a cabeça no esférico, apenas o suficiente para a fazer subir um pouco e embater na barra.

Um início de jogo tão animado só ficaria completo com o golo de Raul Silva, aos 7 minutos, a cabecear após canto batido por André Horta. Como habitual, após chegar ao golo o Braga acalmou o jogo e foi gerindo ao ritmo que melhor se lhe adequava, e dispôs das únicas jogadas causadoras de real perigo para as redes adversárias, destacando-se novo cabeceamento de Raul aos 27 minutos que desta vez encontrou as mãos de Adriano.

Entretanto, o árbitro também não ajudava e o seu excesso de zelo e de faltas marcadas impedia o jogo de ganhar intensidade. Claramente num mau dia, isso foi demonstrado na escolha do tempo extra. Mesmo antes dos 45 minutos de jogo, Matheus queixou-se com dores e esteve um minuto a ser assistido, o que, juntando os vários lances de bola parada deveria dar entre dois a três minutos de compensação, mas a equipa de arbitragem deu um claramente insuficiente minuto solitário.

Como não melhor maneira de voltar dos balneários que com um golo, foi exatamente isso que os da casa fizeram. Esgaio viu-se isolado frente ao guardião, mas deixou que lhe fossem tirar a bola. Ora, quando o Aves tentava encetar o contra-ataque, rapidamente Goiano recuperou a bola e a colocou de novo em Esgaio que, desta vez, teve que tirar um jogador da frente para atirar com a redondinha para o canto superior esquerdo e poder celebrar um belo golo.

Bracarenses voltaram a festejar em casa Fonte: SC Braga
Bracarenses voltaram a festejar em casa
Fonte: SC Braga

Pouco depois, um dos mais bonitos momentos da noite. José Mota tentava incutir novo alento aos de Santo Tirso e colocou em campo Tissone e Guedes e o estádio respondeu com uma ronda de aplausos para o substituído Agra, que já passou pela equipa da casa no tempo de Sérgio Conceição e fez parte do grupo que foi à final da Taça de Portugal perder no Jamor para o Sporting de Marco Silva.

Entretanto, o jogo voltara a acalmar e até deu para o Aves chegar próximo da baliza à guarda de Matheus, mas após vários cabeceamentos completamente desenquadrados, só à passagem do minuto 85 é que Matheus teve de intervir e com relativa facilidade. Até final, Paulinho ainda assustou mais uma vez Adriano, mas o resultado ficou mesmo em 2-0, que só peca por escasso perante o domínio do Braga. Os arsenalistas aproximam-se do Benfica e ainda têm hipóteses de lutar pelo podium, enquanto o CD Aves deixa-se ultrapassar pelo Estoril e cai para a zona de despromoção. Nota final para os festejos dos adeptos bracarenses que, enquanto a equipa dava a volta ao estádio a agradecer o apoio, gritavam por “Abel!”, mostrando-se rendidos ao seu técnico.

GD Estoril-Praia 3-0 CD Tondela: Adeus, barriga de misérias!

Cabeçalho Futebol Nacional

Com algumas mexidas no onze inicial (com particular destaque para o reforço Ewandro), o Estoril Praia recebeu, em jogo a contar para vigésimo jornada, o Tondela, que manteve os mesmos protagonistas em relação ao último encontro. A equipa da linha vinha de uma derrota no Dom Afonso Henriques por 3-1. Por sua vez, a equipa tondelense vinha de uma derrota no estádio do Dragão pela margem mínima (1-0).

A equipa natural da Beira Alta foi a primeira a tentar o golo e logo ao segundo minuto da partida. Num canto batido do lado direito, apareceu o experiente Ricardo Costa, que, à entrada da pequena área, cabeceou ao lado. Valeu o susto para os adeptos presentes na Amoreira.

O Estoril não tardou a responder… e que resposta! Numa boa jogada ofensiva, a bola foi ao encontro de Pêpê. Este, sem cerimónia, rematou colocado e atirou a bola para o fundo das redes. Ficou a ideia de que Cláudio Ramos podia ter feito algo mais.

O jogo adormeceu (mérito para a equipa do Estoril que assim o quis fazer) e só voltou a haver uma oportunidade por volta do minuto vinte. Miguel Cardoso, médio tondelense, assiste, após um ressalto, Pedro Nuno. Este ultrapasse um defesa e, na cara de Renan Ribeiro, atira às malhas laterais… que desperdício!

O Estoril respondia sempre às investidas do Tondela e o minuto vinte e três foi uma prova disso mesmo. Numa rápida jogada no lado esquerdo, a bola vai até ao centro do ataque estorilista. Aí, Ewandro atirou violentamente ao poste. Tentava-se o golo no António Coimbra da Mota.

Vinte minutos depois, o Estoril aumentou a vantagem. Numa insistência do lado direito, a bola sobra para Luvas Evangelista. O médio brasileiro (quem mais poderia ser?) fez um golo de levantar o estádio: de pé direito, sem hipóteses para Cláudio Ramos, a bola ainda beijou a barra, mas acabou mesmo por entrar. Grande golo do Estoril e de Luvas Evangelista.

João Pinheiro apitou para o intervalo e o Estoril demonstrava sinal mais. Com a surpresa dois avançados móveis (André Claro e Ewandro), sem ter um alvo fixo na frente, Ivo Vieira desmembrou por completo a equipa de Pepa. Este fator foi fundamental para a boa primeira parte dos canarinhos.

Lucas Evangelista é, sem dúvida, o motor desta equipa. Foi fundamental para a vitória ao assistir e a marcar Fonte: GD Estoril-Praia
Lucas Evangelista é, sem dúvida, o motor desta equipa. Foi fundamental para a vitória ao assistir e a marcar
Fonte: GD Estoril-Praia

A segunda parte começou e o Tondela mostrou logo sinal de que queria marcar e vencer o jogo. Notou-se que as ordens de Pepa tiverem um ponto base: a velocidade. Os tondelenses estavam mais rápidos e executavam as suas jogadas ofensivas sem muita cerimónia. Contudo, e mesmo sem grandes lances de golo, a equipa do Estoril controlou sempre o jogo e foi sempre dono e senhor da partida e do seu rumo.

Sem momentos dignos de destaque, o terceiro golo estorilista chegou aos setenta minutos. A defesa do Tondela tentou sair a jogar (nem sempre bonito é bom) e cedeu à pressão da zona ofensiva do Estoril. Bruno Gomes, numa investida fulminante, apareceu na cara do guardião tondelense e, deixando o egoísmo de lado, assistiu Allano. O extremo brasileiro só teve de encostar e fez o terceiro golo da partida e do Estoril.

Ao minuto 82, o Tondela tentou o golo de honra. No lance muito confuso na área estorilista, já no chão, Renan Ribeiro brilhou e impediu o tento tondelense. Grande intervenção do guardião!

João Pinheiro acabou com o jogo e os adeptos estavam mais do que galvanizados. A equipa estorilista, bem à moda brasileira, deu “show de bola” e foi merecedora dos três pontos. A jogar assim, a manutenção está cada vez mais perto. Por outro lado, o Tondela desapontou e deixou muito a desejar. Ao contrário do que tem sido habitual nesta época, os tondelenses não praticaram um bom futebol, atacaram mal e defenderam ainda pior. É ainda de realçar o facto de não ter sido exibido nenhum cartão no decorrer da partida. Tanto a equipas de arbitragem como as outras duas equipas merecem uma menção honrosa neste capitulo do jogo.

“Sir” William Carvalho – Último Ano em Alvalade

0

sporting cp cabeçalho 2

Devido à violenta comercialização do futebol, não é necessário ser um entendedor nato do desporto-rei para constatar que a abertura do mercado de transferências será sempre uma dor de cabeça para os clubes que pretendem manter as suas “jóias da coroa” por mais uma época desportiva, nos seus plantéis.

Aliás, é financeiramente viável uma direção considerar rejeitar as ofertas milionárias recebidas pelos seus atletas, muitas vezes acima dos reais valores do mercado? Ou, até mesmo, como é que um jogador rejeita um contrato de uma vida, com a triplicação dos seus honorários contratuais em campeonatos superiormente competitivos e notórios, de maior visibilidade?

Com estes desequilíbrios financeiros cada vez mais amplos provocados pelas injeções de capital estrangeiro-petrolífero, torna-se muito complicado o equilíbrio nas competições internas e até mesmo nas competições internacionais, na rivalidade por um vitorioso, acabando sempre por ganharem os mesmos endinheirados. Podemos muito bem concluir que vivemos numa época financeira absurda no futebol: os valores que se praticavam no início do milénio pelos clubes com maior poderio financeiro eram na aquisição de jogadores de classe mundial, principais favoritos ou detentores da Bola de Ouro, que arrastavam multidões pelas suas seleções para os ver jogar. Falo, claro, de lendas vivas da bola como Zidane, Figo, Ronaldo “o Fenómeno” ou Buffon. Hoje, esses valores servem apenas para encaixar titulares nas grandes equipas, pois os melhores não têm preço. A sobrevivência dos restantes clubes passa por deixar de olhar para o mercado e para os ativos financeiramente robustos, e pôr os olhos nas suas camadas jovens, lapidando os seus diamantes durante anos até chegarem à equipa sénior, para, quem sabe, realizar um negócio altamente rentável para sustentar o desenvolvimento do Clube.

Assim, é notória a particularidade que está mais que enraizada no Sporting Clube de Portugal: a filosofia direcionada ao desenvolvimento das camadas jovens com o objetivo de alimentar e colmatar as lacunas no plantel sénior com jogadores de qualidade, muitos deles, ou quase todos, internacionais nas seleções mais jovens. Exemplo ao qual William da Silva Carvalho não escapa. Confesso que não conhecia o William Carvalho até caducar o seu empréstimo de dois anos ao Cercle Brugge, clube belga que milita na Jupiler League, tendo posteriormente integrado o plantel em definitivo na época 2013/14 ao comando do treinador Leonardo Jardim, que fez dele senhor e patrão do meio-campo com 33 jogos logo na sua época de estreia, apontando quatro golos. William Carvalho tornou-se, desde essa altura, o meu jogador favorito do Sporting Clube de Portugal.

William Carvalho cedo conquistou as bancadas de Alvalade Fonte: Sporting CP
William Carvalho cedo conquistou as bancadas de Alvalade
Fonte: Sporting Clube de Portugal

William é um verdadeiro “seis” puro, responsável pela construção do jogo recuado e pela lateralização do jogo, arriscando por vezes o passe de rutura pelo meio para os companheiros mais adiantados no terreno, onde o seu posicionamento mais recuado permite sempre a circulação da bola com rigor e intencionalidade, tendo uma excelente visão de jogo. É um verdadeiro pilar face à sua envergadura física, e, aliado ao seu maior atributo, a força, é praticamente impossível o William perder a bola em desarme no 1 vs 1, situação que só acontece quando estão dois ou três jogadores na marcação apertada ao “Sir”, o que faz dele um porto seguro para passar e reter a bola.  Ainda assim, considero que existe uma característica que faz dele um jogador único: a sua calma.