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Ensaio sobre Geraldes

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Ensaio sobre a Cegueira é um romance do aclamado escritor português José Saramago, publicadoem 1995, e que se tornou, com o passar dos anos, uma das obras mais famosas do autor natural doRibatejo. Sobre o livro em si, Saramago retrata-o falando em 300 páginas de “constante aflição”.Através da escrita, segundo o próprio, a obra é uma tentativa de dizer que “não somos bons” e que
“é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso”.

Não deixa de ser irónica esta descrição ideológica, se nos lembrarmos de Francisco Geraldes. Não porque ele não é bom, porque é, mas sim pelo sururu sobre a qualidade do mesmo nesta pré- época. Há quem defenda que ele precise de um ano de maturação, porque nesta altura “o importante mesmo é jogar”, e há quem defenda que mereça jogar ao lado de Adrien e William, já “para ontem”.

Admito que Francisco Geraldes cativa-me. Não só a mim, presumo. Não porque o rapaz gosta de ler ou porque gosta de andar de metro, mas sim porque a sua personalidade acompanha a sua personalidade futebolística. Trata-se de um jogador – e isso notava-se há já um par de anos – que quer e sabe pegar no jogo, mas por vezes parece “falar sozinho” no meio-campo. A sua leitura transpõe-se para uma leitura de jogo fora de comum. A sua capacidade de decisão transpõe as qualidades técnicas que evidencia ter. São qualidades que “amarram” qualquer romântico do futebol. No entanto, é preciso, nesta fase da sua carreira, que encontre uma equipa que “pense” como ele. Que, em suma, leiam o mesmo livro, quando a bola é a protagonista.

Francisco Geraldes já trabalha em Vila do Conde Fonte: Rio Ave Futebol Clube
Francisco Geraldes já trabalha em Vila do Conde
Fonte: Rio Ave Futebol Clube

Acredito que independentemente da gestão da sua evolução nos últimos anos – que foi má, na minha opinião – o empréstimo ao Rio Ave possa ser importante para a sua evolução. Porque lhe dará a oportunidade de jogar regularmente, de se adaptar a um processo de jogo em que a saída de bola é feita pelo chão (jogar ao lado de Tarantini e Pedro Moreira será vital nesse aspeto) na maioria dos jogos, e dá-lhe a oportunidade de seguir um processo evolutivo que permitiu a jogadores como João Mário, Rúben Semedo, Podence (e companhia) voltar a Alvalade com outra maturação.

Não sei qual é a opinião de Jorge Jesus sobre Geraldes, sinceramente. Nem consigo arriscar que o próprio terá a oportunidade que merece na próxima época. Nem digo sequer que Geraldes tenha vivido, até este momento, num mundo de cegos. Mas nesta altura precisa, definitivamente, de alguém que olhe para ele com outros olhos.

Diz Saramago, na respetiva obra, que “quando a aflição aperta, quando o corpo se nos desmanda de dor e angústica, então é que se vê o animalzinho que somos”. Que seja então – e agora é meramente o coração do autor a falar – a altura de Francisco Geraldes mostrar o verdadeiro leão que é.

Foto de Capa: Rio Ave Futebol Clube

CS Marítimo e SC Braga: Contas para resolver em casa

Cabeçalho Futebol NacionalDepois da estreia positiva – mas sem grande brilho – para as competições europeias nesta temporada, SC Braga e CS Marítimo regressam esta quinta feira às respetivas casas para disputarem o acesso ao play-off da Liga Europa. Apesar dos empates registados nos jogos da primeira mão, os portugueses justificaram o favoritismo, embora também os adversários tenham evidenciado qualidade suficiente para discutirem a eliminatória.

O Sporting de Braga deslocou-se até Estocolmo, para medir forças com o AIK, vice-campeão sueco. Os arsenalistas adiantaram-se no marcador logo à passagem do minuto 10, quando Raul Silva deu continuidade à veia goleadora que revelou no Marítimo, e fez, de cabeça, o importante golo forasteiro. Os homens da casa, contudo, reequilibraram o resultado oito minutos depois, quando Sundgren converteu um pontapé da marca de grande penalidade.

Raul Silva voltou a ser determinante nas bolas paradas Fonte: SC Braga
Raul Silva voltou a ser determinante nas bolas paradas
Fonte: SC Braga

Os minhotos, que até então expressavam uma superioridade incontestada, tremeram com a igualdade e sofreram mais do que o expectável, sobretudo até ao final do primeiro tempo. O AIK ia tendo mais bola, aproveitando a evidente atrapalhação do setor mais recuado da equipa de Abel Ferreira. A metade complementar trouxe um Braga ligeiramente mais assertivo, com Fábio Martins a assumir um papel de destaque, criando alguns desequilíbrios à defensiva sueca.

No final, o empate a uma bola afigurava-se como um resultado positivo, deixando em aberto as hipóteses de apuramento para os bracarenses na cidade dos arcebispos. Perante o seu público, a turma minhota estará obrigada a emendar alguns erros e a combater a ansiedade que transpareceu no último confronto. O AIK, que atua habitualmente em 3-5-2, demonstrou facilidade nas jogadas de ataque rápido e supremacia no meio-campo, graças ao bom trabalho de jogadores como Rasmus Lindkvist, Kristoffer Olsson ou Stefan Ishizaki, mas as boas impressões deixadas pelo Braga permitem acalentar a esperança da continuidade na prova.

Hamburgo ATP: Leonardo Mayer derrota o homónimo na final

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Leonardo Mayer era o número 138 do mundo, nunca esteve acima de 21 na sua carreira, e isso apenas muito brevemente. O seu recorde no circuito ATP é agora um negativo 137-140. Ganhou apenas 2 títulos na sua carreira… os dois no ATP 500 de Hamburgo. É difícil encontrar outro jogador cuja carreira seja tão definida por um só torneio, mas não há dúvida de que quando se pensa em Leonardo Mayer se pensa no torneio de Hamburgo.

O que torna o triunfo do Argentino ainda mais notável é que Mayer veio da fase de qualificação… onde perdeu para Rudolf Molleker, um jovem de 16 anos que é #923 no ranking ATP. Teve a sorte de ser repescado para o quadro principal como lucky loser e o resto é história. Começou por derrotar o primeiro cabeça de série do torneio Albert Ramos no tie-break do set decisivo e manteve o elã até à conquista do título, perdendo apenas mais um set ao longo do torneio, na final contra o seu homónimo alemão Florian Mayer.

O torneio de Hamburgo já não é o que era, desde que foi demovido de Masters a ATP 500, em 2009, mas continua a ser um dos torneios com mais história e prestígio no circuito. Nos outros torneios da semana, John Isner ganhou Atlanta pela quarta vez em oito edições do torneio (e tem também três finais perdidas, ou seja, estive em sete das oito finais do torneio) e Fabio Fognini venceu em Gstaad, batendo na final o surpreendente alemão Yannick Hanfmann, que havia derrotado João Sousa nos quartos.

O circuito ATP 500 vira agulhas agora para Washington, onde 4 jogadores do top 10 mundial estarão em prova (Thiem, Nishikori, Raonic e Dimitrov), num dos torneios mais fortes desta categoria.

 

Foto de Capa: Facebook Oficial Leonardo Mayer

Artigo revisto por: Beatriz Silva

FC Porto 4-0 RC Deportivo la Coruña: Rolo Compressor

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Na apresentação aos sócios azuis e brancos, Sérgio Conceição voltou a utilizar o seu “onze de gala”, com Casillas, Ricardo, Felipe, Marcano e Telles; Danilo, Óliver, Corona e Brahimi; Soares e Aboubakar.

Uma vez mais o FC Porto entrou fortíssimo, com uma circulação de bola rápida e com uma pressão altíssima, deixando o Deportivo completamente sufocado no seu próprio meio campo. Foi assim com normalidade que chegou à vantagem no marcador, por intermédio de Aboubakar, à passagem dos 14 minutos, e depois de uma bela jogada do “magico” Brahimi.

Ao minuto 43 e, depois de mais uma bela jogada coletiva, Corona assistiu para o “matador” Aboubakar bisar na partida. E foi com o resultado de 2-0 que as equipas recolheram aos balneários. Resultado justo com uma bela primeira parte do FC Porto.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

A segunda parte começou com a mesma tónica, domínio completo do FC Porto. Ao minuto 55 Corona espalhou magia e rubricou um belo golo. Por volta da hora de jogo, Sérgio Conceição começou a rotação habitual nestes jogos particulares, acabando por substituir praticamente todo o onze inicial. Depois de tantas mudanças, a partida ficou mais incaracterística mas com o FC Porto sempre no domínio do encontro.

Ao minuto 88, Marega aproveitou um erro do defesa espanhol e fechou o marcador em 4-0. Uma exibição convincente da equipa orientada por Sérgio Conceição e que deixa agua na boca para a época que vai começar.

Quando a cabeça não regula o corpo

Cabeçalho Futebol NacionalDesde sempre que milhares de crianças partilham, entre si, o sonho de ser jogador de futebol. O campo improvisado, no bairro perto de casa, dá asas à imaginação e de um momento para o outro transforma-se num Wembley, num Maracanã, num Camp Nou. A peladinha entre amigos assume um caráter mais sério do que o esperado como se de uma final de um Mundial se tratasse. A verdade é que para se chegar a esses palcos não é fácil. E se há um lado da história muito colorido, há que dizê-lo que também há um lado negro. Se a qualidade técnica é preponderante no futebol atual, não é menos verdade que a capacidade psicológica também é fundamental.

Vide o caso do internacional inglês, Aaron Lennon, jogador do Everton, que foi visto a vaguear por uma das mais movimentadas avenidas de Londres e que posteriormente foi levado para fazer um tratamento psiquiátrico. A qualidade sempre esteve lá mas às vezes a demasiada exposição aos media, a pressão para não falhar e o stress da profissão leva a quebras destas.

O ex guarda-redes do SL Benfica, suicidou-se após depressão Fonte: Página de facebook de Robert Enke
O ex guarda-redes do SL Benfica, suicidou-se após depressão
Fonte: Página de facebook de Robert Enke

Mas este não é caso único. Segundo um estudo realizado pela FIFPRO, aproximadamente um quarto de 180 jogadores de futebol masculino profissional em atividade relataram sinais de depressão e/ou ansiedade. Essa percentagem foi ainda maior no grupo de ex-jogadores. Um dos exemplos disso foram Robert Enke, internacional alemão que teve uma passagem pelo Benfica e Andreas Biermann, que se suicidaram após lutarem contra a depressão.

Outro caso bastante mediatizado foi o de Paul Gascoigne. O fantástico médio teve episódios recorrentes onde era visto em trajes menos adequados para sair à rua, visivelmente debilitado, muito por culpa do vício das drogas e do álcool. Gazza, como assim era conhecido nos seus tempos auréos, foi detido e internado em Fevereiro de 2008, sendo submetido a um tratamento médico. Sete meses depois voltou a ser internado com suspeita de overdose.

GP Hungria: Ferrari faz a dobradinha e Vettel dá lição de mestre

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Cabeçalho modalidadesÀ partida para este Grande Prémio da Hungria, Vettel liderava o campeonato com apenas 1 ponto de vantagem sobre Hamilton. Estava reunido todo o leque para um grau de interesse elevado antes da pausa para férias. Interessava saber se a Mercedes era de facto a melhor equipa e se detinha o melhor carro, ou contrariamente, se a Ferrari ainda estava taco a taco na luta pelo título, e o real desempenho da Red Bull.

Qualificação dominada por Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen da Ferrari, que não deram as mínimas hipóteses à Mercedes nem à Red Bull. A Scuderia Ferrari alcançava a primeira linha da grelha na Hungria 14 anos depois. O alemão da Ferrari conquistou a 48ª Pole Position da carreira e a Ferrari alcançava a primeira linha da frente, com Bottas na 3ª posição à frente de Hamilton, e com Verstappen no 5º lugar à frente de Ricciardo.

A partida da corrida no circuito de Hungaroring decorreu sem espinhas para os homens de Maranello. Vettel e Raikkonen partiram bem. Bottas mantinha a 3ª posição, enquanto que logo na segunda curva os dois pilotos da Red Bull chocaram entre eles, mas Ricciardo viria de seguida a abandonar a prova com um furo no pneu dianteiro esquerdo, o que provocava a primeira e última entrada do safety-car. Max era considerado culpado e sofria a penalização de 10 segundos.

A corrida pode-se dividir em duas partes: a primeira parte refere-se até à única paragem nas boxes, e a segunda remete-nos para o pós-boxes.

A primeira parte da corrida foi dominada de forma clara pela Ferrari. Com pneus super soft, tanto Vettel como Raikkonen estavam à vontade, a performance deste tipo de pneus no Ferrari revelava-se muito mais rápido do que qualquer outra equipa. O alemão chegou a ter uma vantagem de 15 segundos sobre Hamilton, que se mantinha no 4º posto. Entre os dois homens da Ferrari a distância nunca foi mais dilatada do que 3 segundos. A Ferrari dominava a corrida ainda que os pneus super soft não aguentassem mais do que 30 voltas com um alto desempenho.

Vettel conquista a sua 46ª vitória da carreira e a 4ª do ano Fonte: F1
Vettel conquista a sua 46ª vitória da carreira e a 4ª do ano
Fonte: F1

A segunda parte da corrida foi bastante mais agitada, após a paragem nas boxes dos Ferrari e Mercedes, para a mudança de pneus super soft para os soft, rapidamente se percebeu que a equipa germânica se adaptava melhor a este tipo de pneu. Simultaneamente que este facto era consumado e visível, Vettel comunica via rádio que tem problemas no equilíbrio do monolugar, isto é, a direcção tornava-se mais pesada e difícil de pilotar. Raikkonen tinha um ritmo e um andamento superior ao alemão e pedia aos engenheiros para que não o entalassem entre o companheiro de equipa e os Mercedes. Verstappen só efectuou a paragem na box decorria a volta 43, estratégia claramente a pensar na ponta final da prova. A luta pela vitória, inesperadamente, estava ao rubro, Vettel liderava e Hamilton em 4º lugar estava cada vez mais perto dos homens da frente.

Valtteri Bottas era terceiro mas teimava em chegar à traseira de Raikkonen. Até que o momento da corrida estava para chegar, a equipa pedia a Bottas para deixar passar Hamilton, para que o inglês tentasse ultrapassar o finlandês da equipa transalpina, com a promessa de que se este não conseguisse ultrapassar, que devolvia a posição.

RB Leipzig 2-0 SL Benfica: Último ensaio

sl benfica cabeçalho 1O Benfica voltou a perder esta pré temporada, desta vez contra o RB Leipzig, no segundo jogo da Emirates Cup, prova organizada pelo Arsenal FC, em Londres, no Emirates Stadium, casa dos londrinos.

Não há muito para contar deste jogo além dos golos. O primeiro foi aos 19 minutos por parte de Halstenberg, numa arrancada do lateral esquerdo dos alemães, que tabelou antes de entrar na área e fazer o primeiro golo da partida. Passividade da defensiva do Benfica que tem sido o que mais andou a falhar nesta pré-época, contando com 14 golos sofridos. O segundo golo veio da cabeça de Compper, aos 53′, que desviou a bola com força para a baliza defendida por Bruno Varela. O cruzamento foi de Kaiser. A bola ainda bateu no poste antes de entrar, logo, foi sem hipóteses para o guarda redes dos encarnados. Contabilizados os golos, passo a analisar o jogo que foi, grande parte, entediante. A partida foi entusiasmante até chegar o primeiro golo do Leipzig, mas, depois disso, foi um jogo sem balizas, (pouco) disputado no meio campo e nas linhas laterais sem grandes sinais de perigo. Ao chegar o intervalo, nenhum dos treinadores decidiu mexer no onze que saiu, levando a que a partida não ganhasse grande entusiasmo e continuasse num típico jogo sem ritmo de pré temporada.

O Benfica não conseguiu argumentos para contrariar a desvantagem frente ao clube alemão Fonte: RB Leipzig
O Benfica não teve argumentos para contrariar a desvantagem frente ao clube alemão
Fonte: RB Leipzig

Aos 60 minutos iniciou-se a renovação do onze inicial, entrando Jonas e André Horta para os lugares de Martin Chrien e Rafa Silva. Mais tarde, saíram Carrillo, Cervi e Raúl e entraram Diogo Gonçalves, Willock e Mitroglou. Este último saiu devido a lesão (não parecendo grave) e deu o lugar a Pizzi. Antes entrara Filipe Augusto para substituir Fejsa.

O Benfica fechou a pré temporada com mais um jogo a demonstrar grandes fragilidades na defesa, que hoje foi composta por Grimaldo, Lisandro, Rúben Dias e Pedro Pereira. Foram sofridos dois golos, um deles devido à passividade do quarteto defensivo, além de vários lances em que se notava a clara falta de organização e de ensaio entre os jogadores que defendem a baliza encarnada. Já o ataque continua com lances de elevada qualidade, muito rápidos, boas transições, ainda que precisem de aprimorar algumas decisões. Cervi, Carrillo, Willock e Diogo Gonçalves mostraram boa influência e expetativa para esta época. O Benfica tem o próximo jogo a contar para a Supertaça Cândido de Oliveira, frente ao Vitória de Guimarães, a abrir a temporada 2017/18 em Portugal. Que comece a época e as vitórias! Saudações Benfiquistas!

 

O melhor onze de sempre do FC Porto: Ricardo Carvalho

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Ricardo Alberto Silveira de Carvalho: este é o nome do melhor defesa central da história do FC Porto e de um dos melhores do mundo no século XXI. Foram 118 os jogos que Ricardo Carvalho fez de dragão ao peito, clube ao serviço do qual conquistou por três vezes a Liga Portuguesa, por uma vez a Taça de Portugal, e em três ocasiões a Supertaça Cândido de Oliveira. A nível internacional Ricardo Carvalho foi pedra basilar na equipa do FC Porto que, comandada por José Mourinho, conquistou uma Taça UEFA e uma Liga dos Campeões.

Depois de abandonar os azuis e brancos o amarantino partiu para o Chelsea FC e, posteriormente, para o Real Madrid CF, onde veio a confirmar tratar-se, efetivamente, de um dos melhores defesas centrais do mundo. Sem ser particularmente alto ou muito forte fisicamente (1,82m e 74Kg), Ricardo Carvalho destacava-se por ser um futebolista à frente do seu tempo, um defesa central “do futuro”. A sua capacidade de leitura de jogo era absolutamente notável, permitindo-lhe frequentemente antecipar as jogadas; a sua movimentação impressionava pela rapidez e pelo acerto da mesma; e com a bola nos pés, Ricardo Carvalho era um jogador muito evoluído, capaz de iniciar a construção desde trás com qualidade, entenda-se, com critério.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Para além de ser muito forte no momento defensivo, Ricardo Carvalho foi certamente uma inspiração para futebolistas como Hummels ou Bonucci, que têm hoje no seu jogo com bola muito daquilo que foi deixado no futebol pelo defesa central português. Carvalho tinha a capacidade de roubar a bola por diversas vezes ao adversário durante o jogo e, mediante o posicionamento dos seus colegas de equipa, decidir quase sempre bem: iniciar transição rápida ou esperar pelo momento ideal para a soltar.

Com 38 anos de idade, e quando muitos já o davam como inapto para jogar ao mais alto nível, Ricardo Carvalho esteve presente no UEFA Euro 2016 a representar a seleção portuguesa de futebol (ao serviço da qual fez um total de 89 jogos), e mostrou ser ainda capaz (mais até do que alguns dos seus colegas de equipa mais jovens) de se exibir a um nível elevado, com a menor velocidade que agora apresenta a ser compensada por uma extraordinária capacidade de posicionamento e de leitura de jogo. Não fossem as limitações físicas associadas à sua idade e as boas exibições entretanto rubricadas por José Fonte, e certamente Ricardo Carvalho teria estado no Stade de France, no dia 10 de julho de 2016, ao lado de Pepe no centro da defesa da Seleção de Portugal.

Agora, e já com 39 anos de idade, Ricardo Carvalho prepara a sua reforma na China, alinhando ao serviço do Shangai SIPG, clube treinado pelo português André Villas-Boas e que segue atualmente no segundo lugar da tabela classificativa da China Super League. Na memória de todos os adeptos do FC Porto ficam, acima de tudo, os tempos áureos do defesa central português e jogos como o da final da Taça UEFA, frente ao Celtic FC, nos quais Ricardo Carvalho parecia intransponível e Vítor Baía podia passar longos minutos de tranquilidade na baliza do FC Porto.

Foto de Capa: Orgulho Tripeiro

artigo revisto por: Ana Ferreira

Com estas garras todas, o Leão poderá rugir bem alto

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O Sporting terminou o ciclo de jogos de preparação para a temporada 2017/18. Em oito partidas, os verde e brancos averbaram três vitórias, um empate e quatro derrotas.

Depois de um empate no Algarve frente ao Belenenses, os leões partiram para um estágio na Suíça e começaram bem, derrotando o Fenerbahçe. Depois disso, três desaires frente a Valencia, Basileia e Marselha. Os prognósticos não eram positivos e os leões fizeram mais três testes em solo nacional. Em Alvalade, bateram o campeão francês AS Mónaco na apresentação aos sócios e a Fiorentina no Troféu Cinco Violinos. Pelo meio, o Sporting foi goleado pelo Vitória de Guimarães, num encontro onde quase metade da equipa titular não participou no encontro. Ainda assim, foi um resultado que envergonhou os adeptos leoninos.

O Sporting venceu os dois particulares disputados em casa, frente a Mónaco e Fiorentina. Fonte: Sporting CP
O Sporting venceu os dois particulares disputados em casa, frente a Mónaco e Fiorentina.
Fonte: Sporting CP

Contudo, o Sporting parece ter um plantel mais forte do que na temporada passada, principalmente do meio campo para a frente, onde jogadores como Battaglia, Bruno Fernandes, Acuña e Doumbia têm tudo para acrescentar mais do que, por exemplo, Elias, Castaignos, Markovic, Campbell ou André, só para mencionar alguns elementos que foram flops na temporada transata. Os verde e brancos terão um duro mês de agosto, com quatro jornadas de campeonato e as duas mãos do playoff da Liga dos Campeões, onde dificilmente serão cabeças de série, o que dificulta ainda mais a tarefa.

Jorge Jesus e Bruno de Carvalho têm uma árdua e muito desafiante tarefa em 2017/18. Vamos ver se ganhamos títulos desta vez. Nas páginas seguintes, analisamos o plantel do Sporting, setor a setor.

Inglaterra: A glória Internacional está próxima

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É quase matemático: em alta competição, um jogo de futebol mal preparado é jogo perdido. A evolução da tática encarregou-se de enaltecer o estudo do adversário, pelo que a mutabilidade de um sistema é essencial nos tempos que correm. Assim, velhos paradigmas tácticos como como o “kick-and-rush” caem em desuso pela sua previsibilidade. Ciente disto, e dos sucessivos trambolhões nas principais provas de seleções (não esteve no Europeu de 2008, por exemplo, e não passa os quartos-de-final desde 1996), a Inglaterra, ‘cliente’ habitual desta espécie de filosofia, adaptou-se e mudou. Não erradicou completamente o ‘pontapé para a frente’ em busca da velocidade ou do físico de uma referência ofensiva aéreo, por exemplo, mas também incutiu outros princípios de jogo… de raíz, sem que se sugasse o “kick-and-rush” do ADN (aliás, seria impossível fazê-lo, porque é um modelo transversal a muita gerações).

Ao ver as seleções jovens de Inglaterra jogar apercebemo-nos disso. À medida que se baixa o escalão, vai ficando cada vez mais nítida a aposta em modelos alternativos (que tomaram, por exemplo nos sub17, a opção principal) que contemplam mais técnica e um futebol ofensivo construído de forma mais apoiada. Na hora de defender, a abordagem já não é exclusivamente agressiva, permitindo alguma expectativa perante o que possa fazer o adversário. Ou seja, já não existe tanta vulnerabilidade à qualidade técnica do adversário.

Inglaterra venceu o último Mundial de Sub20 Fonte: FIFA
Inglaterra venceu o último Mundial de Sub20
Fonte: FIFA

Neste contexto, a Inglaterra preparou-se para disputar, de igual para igual, encontros frente a seleções como a espanhola ou a portuguesa, mais capazes tecnicamente, sem desvirtuar o que de bom tem o kick-and-rush e que permite a imposição do físico. Os resultados estão à vista: as seleções jovens dos três leões só não chegaram à final de uma competição neste verão, perdendo nas grandes penalidades frente ao vencedor do torneio (Alemanha, em sub21). De resto, disputaram 3 finais e ganharam duas. Nos sub17, perderam de forma ingrata (estiveram a vencer até aos 6 minutos de compensação, mas consentiram o golo que levou o jogo para prolongamento, vindo a perder o troféu para a Espanha nas grandes penalidades, nos sub 19, venceram o Europeu, batendo Portugal na final e nos Sub 20, venceram o Mundial.

Perante factos, não há argumentos. Mantendo esta aposta na formação, dotando-a de mais qualidade técnica (veja-se Foden ou Mason Mount, por exemplo… e até Pickford!, guarda-redes que promete vir a colmatar um drama de vários anos relativo à posição) e, claro, maior capacidade táctica (McEachran, Chalobah ou Lewis Baker), a Inglaterra pode muito perfeitamente vir a vencer uma grande competição nos próximos anos.

Foto de Capa: Mirror