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O defeso das defesas

Cabeçalho Futebol Internacional

 

Caro leitor, não se sinta confuso com o título que antecede as primeiras palavras deste artigo no seu corpo textual. É que, ao longo dos próximos parágrafos, vamos, juntos, explorar um dado particular deste mercado de transferências veraneante. Um mercado de mexidas nas balizas, nos homens que detêm as luvas. Referimo-nos às “defesas” enquanto ato de proteção da baliza por parte do guarda-redes e não defesa enquanto setor de uma equipa.

O ‘timing’ deste trabalho é até conveniente um dia após o fim da novela Gianluigi Donnaruma em Milão. O ainda adolescente mas titular guardião do AC Milan renovou o seu contrato até 2021 e viu o seu irmão Antonio, quase uma década mais velho, ser contratado ao Asteras Tripolis, da Grécia…….ah, Antonio também é guarda-redes.

E por falar em novelas, a nível doméstico, que falar, também ontem, da confirmação de André Moreira no Braga? E o caso polémico Makaridze? E Casillas, que, há dias, e após dúvidas especulativas, confirmou a continuidade de dragão ao peito?

Gianluigi Donnaruma protagonizou uma quente novela ao longo deste defeso….a sua renovação pelo AC Milan foi um longo processo até à consumação Fonte: Superesportes
Gianluigi Donnaruma protagonizou uma quente novela ao longo deste defeso….a sua renovação pelo AC Milan foi um longo processo até à consumação
Fonte: Superesportes

Contudo, para não me evadir da brevidade que se pretende deste artigo, enfatizarei, digamo-lo assim, uma amostra de três gigantes europeus no que ao assunto guarda-redes diz respeito para tornar este texto o mais coerente possível.

Ederson Moraes foi a primeira grande transferência do mercado. O mais caro guarda-redes da história do futebol inglês é aposta de Pep Guardiola para a baliza dos ‘citizens’ que, numa segunda época sob o comando do técnico catalão, querem conquistar títulos.

Tal situação deixa o concetualmente preterido Joe Hart ainda mais fora das contas e Claudio Bravo num segundo plano.

Também em Manchester, o ‘United’ de Mourinho já prepara a sucessão de De Gea, falando-se de alguns nomes nas cogitações dos ‘red devils’. Um deles é já carta fora do baralho: Gianluigi Donnaruma. Handanovic, do Inter de Milão, é outro nome em cima da mesa. Mas, curioso, é falar-se de Joe Hart como possível reforço do rival de Manchester. O tal conceptualmente preterido por Guardiola parece ser concetualmente preferido por Mourinho.

A mudança de Ederson Moraes do Benfica para o Manchester City foi a primeira grande transferência deste verão Fonte: Manchester City
A mudança de Ederson do Benfica para o City foi a primeira grande transferência deste verão
Fonte: Manchester City

          E o Manchester United só procura a sucessão de De Gea porque o homem das luvas espanhol, ao que tudo indica, está a caminho do Real Madrid. E o que isto implica? Keylor Navas num patamar secundário……Depois do negócio De Gea ter abortado no último dia do mercado de transferências do verão de 2016, veremos se, desta vez, o namoro dá em casamento.

Como um mosaico de compensações, em plena alta pré-época na grande parte da europa do futebol, as transferências que se vierem a consumar nas balizas da modalidade ludopédica do velho continente, terão necessariamente de dar um novo rosto aos clubes. É que, nas luvas calçadas pelo homem que guarda a baliza, está o mesmo traço do bilhete de identidade coletivo de qualquer outra posição do terreno.

Foto de Capa: AC Milan

artigo revisto por: Ana Ferreira

Equipas Angolanas e as Competições Africanas

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Cabeçalho Futebol Internacional

    O passado domingo, dia 9 de julho de 2017, foi um dia importante para o futebol angolano: o Recreativo do Libolo conseguiu assegurar presença nos Quartos-de-final da Taça das Confederações CAF. Pela primeira vez na sua história, o clube do Calulo conseguiu ultrapassar a Fase de Grupos da segunda prova de clubes mais importante do continente africano, o que é um feito importante para esta equipa, que costuma lutar todos os anos para conquistar o Girabola.

Ora, esta passagem à fase a eliminar da Taça das Confederações CAF por parte do Rec. do Libolo serve como ponto de partida para fazer uma breve reflexão acerca da prestação das equipas angolanas nas competições africanas, e tentar perceber o que tem estado na origem para não se verificar, em anos anteriores, feitos idênticos ao protagonizado pela equipa treinada pelo português Vaz Pinto.

Uma primeira explicação para o insucesso observado anteriormente deve-se sobretudo à falta de investimento por parte dos clubes e da própria Federação em infraestruturas de topo, que permitam aos treinadores e jogadores desenvolver as suas capacidades técnico-táticas, que poderão levar ao alcance de bons resultados desportivos fora de Angola. Talvez o sucesso liboliense fora de portas este ano seja o mote que faltava para as entidades desportivas desenvolverem esforços necessários, no sentido de criar e/ou melhorar as instalações futebolísticas espalhadas pelas províncias angolanas – mais academias de futebol, centros de treino com boas condições, etc.

Petro Luanda não foi feliz diante do SuperSport Fonte: Zimbio
Petro Luanda não foi feliz diante do SuperSport
Fonte: Zimbio

Outra explicação poderá ser a falta de competitividade do campeonato angolano em anos anteriores, o que impossibilitou às equipas que costumam representar Angola nas competições de clubes da CAF de estar bem preparadas para o ritmo exigente que prima essas mesmas provas. Na minha opinião, creio que este aspeto acima referido deixou de ser uma “dor de cabeça” para o futebol angolano, uma vez que as últimas edições do Girabola têm sido bastante disputadas pelos 16 clubes participantes, o que torna-se benéfico para o crescimento e reconhecimento do nosso futebol.

Em jeito de conclusão, penso que se todas as partes ligadas ao Futebol angolano (treinadores, dirigentes e jogadores) decidirem cooperar fortemente, o feito alcançado pelo Rec. do Libolo poderá ser observado mais vezes por outras equipas angolanas, o que seria certamente uma boa notícia para Angola e seus adeptos fervorosos ver que não é somente no Basquetebol, Andebol e Hóquei em Patins que os clubes que representam ao mais alto nível o país da Palanca Negra dão cartas fora de portas.

Foto de Capa: Recreativo do Libolo

Old but Gold

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sl benfica cabeçalho 1Quero começar o texto desta semana com a seguinte frase: O meu avô é do Belenenses. O que é que isto tem a ver com o Benfica? Calma, tudo a seu tempo. O meu avô relembra-me que ele é do Belém todas as semanas e todas as semanas ele relembra-me que o Matateu era o melhor jogador de todos os tempos! De tal forma, que para ele o Matateu ainda devia jogar no clube. Podemos todos concordar que isso faria toda a diferença, porque o Belenenses começaria a marcar mais e a ganhar mais. Posto isto, vamos ao que interessa.

Deixando os Matateus desta vida, por palmas, quantos de vocês é que acham que o Benfica poderia estar bem melhor se voltasse a ter o Enzo? Ou o Gaitán? Ou o Rodrigo? Ou o Emerson? Estiquei a corda nesta última.

Agora os outros três são a mais pura das verdades. Teríamos melhor meio-campo com o Enzo a controlar as operações, uma ala direita ou esquerda (visto que já andou a navegar pelas duas) mais requintada com Gaitán e a sua classe e uma frente de ataque com Jonas e Rodrigo… Epá, não quero ser de intrigas, mas os guarda-redes tinham autorização para jogar de fralda.

Fonte: Instagram Oficial de Nico Gaitan
Fonte: Instagram Oficial de Nico Gaitán

Ok, um pouco de exagero, mas perdoem-me se sonho com uma utopia onde o Casillas vai à Luz e pede para ser substituído porque tem de ir ao berçário.

Este texto não tem como objectivo denegrir o actual plantel do Benfica. Longe disso. Somos campeões e isso vale o que vale. Contudo, existem duas ideias a reter. Primeiro, estes três exemplos destacam jogadores que foram campeões e heróis na Luz e que quando saíram por uns belos milhões, não conseguiram pegar de estaca.

A Liga Amaricada

Cabeçalho Futebol NacionalFoi na última semana que o calendário da Primeira Liga 2017/18 foi desvendado ao público e a notícia das suas condicionantes deixou-nos a todos a perguntarmo-nos de onde vêm e que sentido, ou não, fazem estas “regras” impostas no sorteio do calendário da próxima temporada.

De entre as nove condicionantes presentes no regulamento do sorteio da liga, várias diziam respeito aos três grandes: não se podem defrontar nas primeiras duas jornadas; não se podem defrontar em jornadas consecutivas; não podem jogar em casa os dois jogos frente aos grandes na primeira metade do campeonato.

Fonte: LPFP
Fonte: LPFP

Além disso, aparecem dois pontos que dizem respeito às competições extra-liga: nas duas primeiras jornadas, as equipas que disputam a Supertaça Cândido de Oliveira e a equipa que jogar o playoff da Liga dos Campeões não se podem defrontar; na terceira jornada a equipa que jogar o playoff da Liga dos Campeões não podem enfrentar as equipas que disputarem o playoff da Liga Europa.

Para finalizar, ainda há um ponto que proíbe que qualquer equipa enfrente um grande em jornadas consecutivas. Estas são as condicionantes que me chamaram mais à atenção por serem, de certa forma, estranhas. Estas são seis das nove. As outras três são, para mim, as únicas com mais sentido. Dizem que a segunda volta será o espelho da primeira, que se deve evitar ao máximo que uma equipa jogue consecutivamente dois jogos em casa ou fora e defendem a alternância dos jogos em casa de clubes da mesma cidade.

A Pré-Época do Leão

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sporting cp cabeçalho 2

A pré-época de qualquer temporada que se avizinha é sempre um momento propício para que, por um lado, os atletas se mostrem aos dirigentes e treinador e estes, por outro lado, tornem esse momento num verdadeiro laboratório onde se ensaiam sistemas táticos, jogadas estudadas e se observam os jogadores que poderão ficar na equipa e plantel principal e outros que poderão vir a ser dispensados ou emprestados a outros clubes, para que melhorem as suas qualidades futebolísticas.

A pré-época do Leão não foge, por isso, a este momento de ensaio que marca qualquer pré-época. Para Jesus, trata-se de uma oportunidade para avaliar o potencial dos jogadores à sua disposição, particularmente as novas contratações, bem como o sistema tático mais afinado e oleado para atingir o tão almejado título de campeão nacional.

Quanto ao sistema tático usado, e em relação aos jogos realizados até ao momento, parece não haver grandes alterações relativamente à época passada. Continua a imperar um sistema de 4x4x2 com um médio pivô-defensivo, laterais projetados no ataque durante a manobra ofensiva da equipa e extremos que acompanham os laterais.

Quanto às contratações, elas têm mostrado que o Sporting Clube de Portugal apostou em grande neste Defeso de verão. O setor defensivo foi o que teve mais reforços, com as chegadas de Piccini (Ex- Bétis de Sevilha), Mathieu (Ex-Barcelona), Coentrão (Ex-Real Madrid) e André Pinto (Ex- Sporting de Braga). No meio-campo, regresso do médio defensivo Petrovic (emprestado na época passada ao Rio Ave), bem como a contratação de Bruno Fernandes à Sampdoria. Regresso ainda do talentoso Iuri Medeiros, que esteve emprestado a época passada ao Boavista e onde realizou uma excelente temporada ao serviço dos axadrezados. Mattheus Oliveira e Rodrigo Battaglia vieram para o clube verde e branco provenientes do Estoril e SC Braga, respetivamente. No ataque, o costa-marfinense Doumbia (Ex-Basileia) é o reforço mais sonante deste setor.

O Sporting venceu o primeiro teste em solo suíço, frente ao Fenerbahçe Fonte: Sporting CP
O Sporting venceu o primeiro teste em solo suíço, frente ao Fenerbahçe
Fonte: Sporting CP

Mas nem tudo são rosas nestas contratações e regressos à equipa principal dos Leões. A analisar pelos jogos de pré-época até ao momento, Piccini mostra algumas debilidades ao defender, parecendo ser mais ágil e dotado no ataque. No jogo contra o Fenerbahçe foi notória esta situação. Petrovic, enquanto pivô médio-defensivo, está ainda bastante longe de assegurar esta posição na equipa do Sporting. Revela muita dificuldade e, sobretudo, insegurança no momento de construção ofensiva dos Leões. Fábio Coentrão é como o algodão: não engana. Como já se esperava, revela-se um jogador bastante dotado tecnicamente, capaz de bons cruzamentos para a área quando chega ao último terço do terreno. Mas, não nos podemos esquecer que o algodão não engana. O internacional português, emprestado ao Sporting pelo Real Madrid, apresenta dificuldades no momento defensivo da equipa e problemas de posicionamento. Dificuldade partilhada no outro flanco da defesa, o que pode constituir-se como lacunas a explorar pelos adversários, particularmente os extremos. Jonathan Silva, que regressou do empréstimo ao Boca Juniors, pode muito bem disputar ombro a ombro a lateral esquerda dos Leões com Fábio Coentrão.

Mas neste plantel há contratações que não deixam dúvidas quanto à qualidade. Falo, desde logo, no eixo defensivo. O francês Mathieu tem-se mostrado nesta pré-época como um Central bem formado, com boa leitura de jogo. Além disso, apresenta algo que no ano passado não víamos em alguns defesas leoninos, particularmente Rúben Semedo: a segurança, tranquilidade e a ponderação nas saídas defensivas. Não restam dúvidas de que Mathieu e Coates serão, por isso, os protagonistas principais do eixo defensivo dos Leões em 2017/2018.

No meio-campo, penso que Bruno Fernandes será, o tempo o confirmará, um grande jogador neste Sporting. Trata-se de um jogador bastante maduro tática e tecnicamente, inteligente e capaz de ler os vários momentos do jogo. Assume as despesas da organização ofensiva, tem instinto de maestro. Poderá ser uma boa réplica de Adrien, caso este saia, tal como aponta alguma comunicação social.

No ataque, Doumbia vai explodindo. Jogador tecnicista, com boas movimentações sem bola. Marcam-no a destreza e a velocidade na condução da bola para zonas de finalização. No jogo contra o Fenerbahçe entrou na segunda parte para a posição do argentino Alan Ruiz, isto é, para jogar nas costas de Bas Dost. Jogou que se fartou o costa-marfinense, deixando os adeptos e sócios com água na boca e a pedir bis.

É, portanto, no seio deste laboratório montado em terras helvéticas que Jesus inicia assim o seu trabalho de cientista no plantel sportinguista. Entre os tubos de ensaio, as provetas e as soluções aquosas e alcalinas, tem o técnico português de descobrir qual a fórmula mágica para o êxito da próxima época. Mas, tal como qualquer cientista, tem de ter cuidado para que a solução que procura não expluda nas suas próprias mãos.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

Artigo revisto por: Beatriz Silva

As opções de Sérgio Conceição para a lateral direita

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fc porto cabeçalhoEnquanto se debate a falsa questão dos reforços, o FC Porto segue a preparação para a nova época e Sérgio Conceição (SC) continua a avaliação dos jogadores que tem ao dispor. A verdade é que para quase todos existe qualidade para explorar, sendo o exemplo maior disso a direita da defesa. Se na última época Layún e Maxi foram os donos do lugar, em 2017/2018 as coisas prometem não ser assim tão lineares. Em apenas um ano, Fernando Fonseca e Dalot mostraram que, tendo oportunidades para tal, serão jogadores de enorme qualidade e Ricardo Pereira provou que sempre teve lugar no plantel azul e branco.

São cinco nomes a ter em conta para duas vagas, isto já depois de Sérgio Conceição ter dado sinais de ter excluído Víctor García do lote de candidatos. Enquanto o venezuelano procura novo clube para jogar por empréstimo, os mais jovens – Fonseca e Dalot – têm na equipa B o destino mais provável, sobrando apenas Maxi, Ricardo e Layún. Curiosamente, todos eles associados recentemente a possíveis transferências.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

De um ponto de vista mais racional, o português seria aquele a manter a todo custo e Maxi o candidato número um à saída. Existem alguns argumentos para defender esta linha de pensamento: a polivalência de Ricardo é uma vantagem no sistema que, aparentemente, SC quer utilizar (4-4-2) uma vez que, por vezes, é necessário um extremo mais rigoroso defensivamente; e porque o uruguaio já não mostra qualidades que exibiu no passado – sendo cada vez mais evidente a falta que o manto protector que o cobriu aquando da passagem por outro emblema português lhe faz – e, além disso, é um dos jogadores mais bem pagos no plantel.

Mas esbarramos noutro problema: Layún acabou a época com problemas disciplinares e não se sabe até que ponto será possível que sejam ultrapassados. Se o processo culminar na saída do mexicano, Maxi e Ricardo serão, por defeito, as escolhas para o lugar. Mas, sabendo de antemão que ambos têm mercado e a SAD não parece estar em condições de recusar ofertas que superem um certo valor – como parece atestar o brinde feito ao Wolves com Rúben Neves – esta janela de transferências pode terminar com o FC Porto a dar a oportunidade de uma vida a um dos miúdos ou a ter de ir ao mercado para reforçar a posição que, nesta altura, é a que oferece mais escolhas ao treinador.

Foto de Capa: Facebook oficial Layun

Artigo revisto por: Beatriz Silva

Alguém para Anna van der Breggen?

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Cabeçalho modalidadesTerminou este domingo o Giro Rosa, a prova mais importante do Ciclismo feminino. Numa edição em que faltou a dureza de outros anos, a holandesa Anna van der Breggen continuou a sua época de sonho e venceu a prova italiana pela segunda vez na carreira.

O Giro começou com um contrarrelógio por equipas onde a Boels-Dolmans, equipa de van der Breggen, mostrou ao que vinha e venceu, colocando logo aí a holandesa em vantagem face às suas adversárias da geral. Seria logo na segunda etapa que assumiria a liderança quando, após uma subida perto do final, se isolou com as duas ciclistas que viriam a discutir consigo a classificação geral, Annemiek van Vleuten e Elisa Longo Borghini.

As duas etapas seguintes disputaram-se ao sprint, tendo, ainda assim, implicações para a geral uma vez que, na quarta etapa, um corte no pelotão à passagem da segunda meta volante do dia foi aproveitado para distanciar Annemiek van Vleuten que, apesar do trabalho da sua equipa, Orica – Scott, perdeu nesse dia um minuto e 59 segundos.

Annemiek van Vleuten ainda deu luta a van der Breggen Fonte: Orica-Scott
Annemiek van Vleuten ainda deu luta a van der Breggen
Fonte: Orica-Scott

Van Vleuten respondeu no dia seguinte vencendo o duro contrarrelógio de Sant’elpidio a Mare à frente van der Breggen e Longo Borghini. No entanto, não mais diferenças se fariam entre as principais líderes, apesar das etapas oito e dez terem produzido ataques e seleções no pelotão. No final, Anna van der Breggen ganhou com um minuto e 3 segundos de vantagem sobre Elisa Longho Borghini e um minuto e 39 segundos sobre Annemiek van Vleuten.

Já no ano de 2016, van der Breggen tinha-se sagrado Campeã Olímpica e Europeia, mas este está a ser o ano da sua afirmação como dominadora do pelotão feminino. Na estreia da ‘Tripla das Ardenas’ feminina, a holandesa venceu Amstel Gold Race, La Flèche Wallonne e Liège-Bastogne-Liège no espaço de uma semana para igualar o feito de dois homens: Davide Rebellin (2004) e Philippe Gilbert (2011). Seguiu-se a vitória no Tour of California e, agora, vence a mais mítica prova do calendário feminino e é lider do ranking World Tour.

O pelotão liderado por Daniela Reis, única portuguesa em prova Fonte: Daniela Reis
O pelotão liderado por Daniela Reis, única portuguesa em prova
Fonte: Daniela Reis

Integrada na mais forte equipa feminina, a Boels-Dolmans, para onde se mudou este ano, Anna van der Breggen parece querer afirmar-se definitivamente como a cabeça de cartaz do ciclismo feminino e a pergunta que fica no ar é se há quem a possa parar. No Giro Rosa, Annemiek van Vleuten deu luta, mas um erro – e uma equipa que não a conseguiu salvar – numa etapa teoricamente inofensiva custou-lhe caro. E a jovem Katarzyna Niewiadoma, sexta no Giro Rosa, que também brilhou nas ardenas e é segunda no ranking World Tour, também aspira a voos mais altos. Teremos de esperar para ver se este domínio terá continuidade nos próximos anos, mas, para já, parece encontrada a melhor de 2017.

Ainda que longe desse patamar, Daniela Reis que encheu o Ciclismo português de orgulho só pela presença na prova, teve uma primeira participação no Giro Rosa discreta, mas positiva, tendo sido a melhor da sua equipa, a Lares-Waowdeals, ao terminar em 56º da geral e fazendo até um 18º lugar na nona etapa.

Foto de Capa: Boels-Dolmans

Artigo revisto por: Beatriz Silva

Profissionais, mas nem tanto

Cabeçalho Futebol NacionalO nosso futebol profissional encontra-se dividido em dois escalões: Primeira e Segunda Liga, sendo que, apesar de se considerarem ambas ligas profissionais, existem várias diferenças entre elas.

Comecemos por exemplos práticos: fazendo uma pesquisa pelos contratos dos jogadores das equipas da Segunda Liga, podemos constatar que a grande maioria dos jogadores têm contrato de um ano e existem vários empréstimos (algo que foi reduzido com a introdução das equipas B), esta política desportiva por parte da grande maioria dos clubes do segundo escalão deve-se essencialmente à fraca capacidade financeira que estes clubes actualmente têm: são poucas as receitas de bilheteira, televisivas e patrocinadores; por isso, em muitos casos, estas equipas ficam sem margem negocial para negociar os seus melhores jogadores, pelo que, muitas vezes, estes até acabam por sair a custo zero.

Este tipo de política desportiva vai-se refletir em muito no tipo de liga e competitividade que temos: há uma clara falha no planeamento das épocas desportivas, a maioria dos clubes apenas começa a construção do plantel quando a época arranca, quando deveria ser o oposto, esperando muitas vezes pelas dispensas das equipas da Primeira Liga, isto traz dificuldades acrescidas aos treinadores que querem montar um modelo de jogo na sua equipa, porque veem os seus jogadores chegarem a “conta-gotas” e já temos assistido a muitos casos de equipas com inícios de época desastrosos, mas que conseguem recompor-se com a época em andamento, nalguns casos, entretanto, já com chicotada psicológica.

Bogdan Mishukov foi a 20˚ contratação do Leixões esta época Fonte: Leixoes SC
Bogdan Mishukov foi a 20˚ contratação do Leixões esta época Fonte: Leixões SC

O Sporting Clube da Covilhã regressou aos treinos  no inicio deste mês tendo apenas seis (!) jogadores sob-contrato, dificilmente haverá um treinador, na minha opinião, que consiga trabalhar uma ideia de jogo durante a pré-época nestas condições.

Por outro lado, temos casos como o Leixões, que já vai em 21 novas contratações, onde não se percebe exactamente qual é a política ou projecto ou se é apenas contratar ao desbarato, sem qualquer critério para encher o plantel.

Portugal 1-0 Holanda: Portugal pragmático (e feliz) na final!

Cabeçalho Seleção Nacional

Foi um jogo de nervos este que opôs a seleção portuguesa, que apenas contou com um golo no decorrer dos 90 minutos, à sua congénere holandesa. Portugal pareceu ter sempre o controlo das operações, excetuando nos últimos minutos, onde a laranja mecânica tentou o tudo por tudo para conseguir pelo menos o empate e consequentemente levar o jogo a prolongamento.

Mas, bem, falando um pouco daquilo que foi o jogo, este começou de forma intensa e disputada, conforme se pôde ver pelas estatísticas ao intervalo, e foi nesta mesma metade que se decidiu o marcador: à passagem do minuto 27, Gedson Fernandes abre o marcador, num lance onde o guarda-redes holandês não fica isento de culpas.

Nos primeiros minutos, foi a Holanda a entrar mais forte, só que nós conseguimos equilibrar o jogo passados poucos minutos, daí eu dizer que foi uma metade inaugural muito equilibrada (só desequilibrada pelo golo referido em cima).

 

Gedson Fernandes foi o autor do golo que coloca Portugal na final Fonte: Seleções de Portugal
Gedson Fernandes foi o autor do golo que coloca Portugal na final
Fonte: Seleções de Portugal

Na segunda parte, Portugal tentou controlar o jogo e apostar nos contra-ataques, pois o resultado era favorável e quem tinha de ir atrás do resultado era a formação holandesa. Foi com esta tática que conseguimos criar ainda mais perigo junto da baliza defendida por Bijlow, mas sempre com o guardião a opor-se muito bem aos nossos remates.

Posso estar a ser injusto, mas não me recordo de uma ocasião clara de golo dos nossos rivais na segunda metade; o jogo foi muito bem controlado e preparado pelo técnico Hélio Sousa, que conseguiu ainda anular por completo a figura da seleção holandesa, o jogador contratualmente ligado ao Manchester City, Rodney Kongolo.

Foi, portanto, uma vitória sofrida mas que me pareceu inteiramente justa por aquilo que se passou ao longo dos 90 minutos. O nosso golo foi feliz, é certo, mas creio que fomos a melhor equipa no somatório global do tempo de jogo.

Com esta vitória, seguimos para a grande final, que se disputa no sábado e onde temos de esperar um pouco para saber se jogamos com a Inglaterra ou com a República Checa, que começam a jogar às 17 horas.

Foto de Capa: Seleções de Portugal

Eu só quero saber do Benfica

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Sou benfiquista, sócio há mais de 20 anos. Tenho um orgulho enorme no meu clube, nas suas conquistas, na sua história. Já chorei com o Benfica, já ri com o Benfica. Algumas das minhas memórias mais felizes envolvem um jogador vestido de vermelho a por uma rede a balançar. Se alguém insulta o Benfica à minha frente, sou tomado por uma pulsão felina que me esgaça as garras e a minha primeira reação é, inevitavelmente, a de repetir o insulto, mas em dobro e aos berros.

Quando vejo futebol, insulto o árbitro, insulto o adversário e insulto as respetivas mães. É muito feio, mas é o que é. Incontrolável. Não sou eu, é outro. Se eu fosse Pessoa, dava-lhe outro nome, outra história e talvez me desculpassem essa histeria que faz de mim alguém menos recomendável, sim, mas que não sou eu.

O jogo de futebol é uma guerra. Num jogo de futebol, ninguém conhece a razão. Um jogo de futebol chega até a fazer mal à saúde.

Mas depois o jogo acaba, eu meto o cachecol no armário e vou beber um copo com os meus amigos. Tenho-os de todas as cores, azuis e brancos, verdes, vermelhos. Nas suas listas de qualidades e defeitos consta, respetivamente, o facto de serem ou não do meu clube.

Contudo, não posso dizer que seja amigo de nenhum por causa disso. O clube dos meus amigos foi-me indiferente no momento em que os escolhi.

Porque ser de um clube não quer dizer nada sobre ninguém. Atenção: esta frase até para mim é polémica, porque eu – se tudo o resto for igual – escolho sempre salvar um benfiquista a alguém de outro clube.

Mas é verdade: ser do Benfica, ou de outro clube qualquer, não faz de ninguém mais sério, mais honrado ou mais simpático. A minha namorada não é do Benfica. A maioria dos meus amigos não são do Benfica. Estão errados, eu sei, mas eu continuo a gostar deles.

Eis o estádio mais inspirador do país Fonte: SL Benfica
Eis o estádio mais inspirador do país
Fonte: SL Benfica

E avanço para a segunda polémica: dizer mal do Benfica também não diz nada sobre ninguém. Eu não vou gostar, mas o Benfica, como tantos clubes, tem várias coisas que lhe merecem a crítica. É legítimo criticarem o meu clube, como eu critico o clube dos outros. E mais: é legítimo faze-lo “sem olhar primeiro para o seu clube”, da mesma forma que eu não preciso de avisar que não lavei os dentes antes de dizer a alguém que cheira mal da boca.

Eu sei que isto é tudo muito confuso, porque se por um lado o tipo que escreve isto insulta pessoas que não conhece durante um jogo de futebol, por outro está a dizer que isto de defender cegamente os seus clubes não faz sentido nenhum.