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A Referência do Wrestling Português – Entrevista a Bruno “Bammer” Brito

Bruno “Bammer” Brito é um dos nomes mais conhecidos do circuito de Wrestling em Portugal. Em entrevista ao Bola na Rede, falou-se da sua carreira, das suas referências, o desenvolvimento Wrestling Portugal, da WWE e até da questão Chris Benoit e Hall of Fame.

 

Bola na Rede: Como nasceu a tua paixão pelo wrestling?

Bammer: A maior parte do pessoal lembra-se sempre do dia e do combate. No meu caso, não me lembro ao certo de qual era o combate. Estávamos em 1992 ou 1993, estava a ver a RTP ou a Sky, vi uns gajos a bater uns nos outros e pareceu ser diferente do boxe. Não me fascinou desde o início mas achei diferente do que conhecia e comecei a investigar. Fiquei intrigado mas não me lembro realmente do combate. No entanto, pela apresentação, pelo ringue ser diferente, pelos comentadores, senti que aquilo era uma coisa diferente do boxe.

BnR: Treinaste na Academia do Lance Storn, no Canadá, um país com grande tradição no Wrestling. Isso influenciou o teu estilo de Wrestling?

B: Sim, eu sempre cresci a gostar de lutadores do Canadá. Primeiro do Bret Hart e do Owen Hart, depois do Jericho e do Benoit. Reparei que os canadianos eram poucos mas eram realmente bons. Curiosamente, havia uma escola de Wrestling canadiana, a Hart Dugeon, onde eu queria treinar quando acabasse o curso. Cheguei a trocar emails com alguns lutadores da escola para saber mais, mas durante a minha licenciatura a escola fechou. Felizmente, abriu outra escola, do Lance Storm, lutador da WWE e da WCW, e fui para lá.

Bammer com Sami Zayn Fonte: Facebook Oficial de Bruno "Bammer" Brito
Bammer com Sami Zayn
Fonte: Facebook Oficial de Bruno “Bammer” Brito

BnR: Tens algum wrestler que te tivesse influenciado na tua entrada para o mundo do Wrestling?

B: Sim, o Chris Benoit. Sei que ele é daqueles nomes que não pode ser mencionado, mas é a descrição de ídolo para mim, que me fez ir ao ginásio, ficar em forma. Dentro do ringue, ele era tudo o que eu queria ser e sei que se não fosse ele eu não teria ido para o Canadá.

BnR: É o melhor wrestler tecnicista que já houve na WWE?

B: Na minha opinião, sim. O melhor trabalho dele foi até na WCW e no Japão, mas pela consistência eu diria que sim. Não é um lutador tão versátil como alguns que tens agora como o AJ Styles, que não tem um mau combate com ninguém. O Benoit era menos flexível, mas tudo o que fazia era credível e isso é muito importante para mim. Quando estou a estudar Wrestling, quero que tudo pareça credível e ele nesse aspecto era o maior.

BnR: Tal como referiste, o nome do Benoit é um nome polémico na WWE e fala-se muito da questão do Hall of Fame. Há quem diga que ele deve entrar, pelo que deu ao Wrestling, outros não concordam, pelo que aconteceu fora da companhia (homicídio da família e suicídio). Qual é a tua opinião?

B: Por muito fã que eu seja do Benoit, eu acho que não deve entrar. O que ele fez fora do ringue, infelizmente elimina o que ele fez dentro. As pessoas vão pesquisar sobre o Benoit para saberem mais sobre ele e vão encontrar aquela informação. Não é uma pessoa com problemas com álcool ou com drogas como muitos wrestlers, mas tirou a sua vida e a vida de duas pessoas e isso é mais dramático. Por muito que ele tenha feito no Wrestling, ficará sempre associado a isso. Infelizmente é um dos nomes mais populares do Wrestling mas não pelas melhores razões. Teve 20 anos de alto nível mas não é reconhecido por isso.

BnR: Na altura, falou-se das lesões que sofreu na cabeça e da influência que isso teve nos seus actos. Achas que este acontecimento mudou a forma como a WWE passou a ver as lesões e as marcas que estas deixam nos lutadores?

B: Sim,  até já há quem estude os traumatismos cranianos e as suas consequências, como o Chris Amann. Quem conhecia o Benoit, dizia que ele estava a começar a ter demência, estava a ficar paranóico, sentia-se perseguido e isso são tudo sintomas desse tipo de lesões. O problema do Wrestling é não teres uma off-season, um período de descanso. Se quiseres recuperar de lesões, podes fazê-lo, mas podes perder o teu push, a tua relevância, o público esquecer-se de ti e muitos lutadores, se tiverem uma lesão pequena, vão decidir continuar até não conseguir mais. A WWE tem uma Welness Policy que faz os lutadores serem constantemente avaliados pelos médicos, mas pelo que sei, é uma política algo leve e que está feita para que voltem ao activo o mais depressa possível. É qualquer coisa, mas a melhor forma de fazeres isto é teres dois planteis e teres alguma rotatividade.

Segunda Liga: uma “escola” de treinadores

futebol nacional cabeçalho

Sempre defendi, e continuo a defender, que não faltam motivos para se gostar do futebol português. E um desses motivos é a qualidade dos treinadores que o nosso país produz, sendo que, desde há uns anos, os treinadores portugueses são dos melhores e dos mais referenciados no futebol mundial.

No entanto, estes só ganham reconhecimento quando se destacam na Primeira Liga ou no estrangeiro, sem se querer ver que muitos deles começaram a mostrar serviço nos escalões inferiores do futebol português.

Ora, observando os treinadores lançados na Primeira Liga desde as últimas épocas para cá, posso concluir que a segunda divisão do futebol português é um desafio importante para o crescimento e desenvolvimento dos nossos treinadores.

Alguns treinadores começam a carreira a treinar nas camadas jovens e/ou como adjuntos ou preparadores físicos numa equipa sénior. Outros, começam a carreira a treinar clubes amadores, subindo depois a pulso na carreira até chegarem aos escalões profissionais. No entanto, para muitos deles, a segunda divisão é o primeiro contacto directo com o futebol profissional, num campeonato competitivo onde é necessário mostrar qualidades a curto prazo para se conseguir dar o passo seguinte.

O Monaco é uma sensação na Europa Fonte: AS Mónaco
O Monaco é uma sensação na Europa
Fonte: AS Mónaco

Porém, nem todos começaram assim. Para além de José Mourinho, tem havido outros treinadores a começarem a carreira por cima, ou seja, no escalão máximo do futebol português, tais como André Vilas-Boas, Sérgio Conceição, Nuno Espírito Santo e, já no decorrer desta época, Vasco Seabra e Nuno Manta Santos. Mas muitos outros treinadores, actualmente referenciados no futebol português e europeu, começaram a notabilizar-se na segunda divisão nacional.

Ora, é impossível falar de treinadores da nossa segunda divisão sem se falar em Vítor Oliveira. O “Rei das subidas” caminha a passos largos para a sua décima promoção à primeira divisão e para o seu quinto campeonato da segunda divisão. Existem, também, outros treinadores experientes que militam actualmente na segunda liga, como Carlos Brito e Francisco Chaló. Mas vejamos os treinadores que a nossa segunda divisão lançou nos últimos anos.

Foto de Capa: GD Chaves

Um grande entre os maiores

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Hoje é um dia importante para o Sporting Clube de Portugal. Os sportinguistas irão votar a permanência de Bruno de Carvalho ou a eleição de Pedro Madeira Rodrigues. Estas eleições são mais uma vez reveladoras da enorme grandeza e importância social da instituição centenária que é o Sporting Clube de Portugal. E há quantos anos não havia um presidente do Sporting a cumprir um mandato completo.

Mas hoje dirijo-me a vós para reflectir acerca de outro assunto, por um factor que está, quer se queira, quer não, íntima e intrinsecamente ligado ao Sporting Clube de Portugal e a tudo o que o mesmo representa.  A grandeza do clube de Alvalade e a sua importância social junto das pessoas ao largo de todo o pais…  Tenho de dizer, que neste texto não analiso nem reflicto acerca de organização, gestão ou profissionalismo das estruturas de qualquer clube acima mencionado.

Mais do que nunca, os leões têm de se reger por este lema em dia de eleições Fonte: Sporting CP
Mais do que nunca, os leões têm de se reger por este lema em dia de eleições
Fonte: Sporting CP

Ao longo dos últimos anos, assistimos a constantes atentados a este estatuto que o clube do Visconde de Alvalade atingiu por direito e mérito. Vimos numa primeira instância uma tentativa (repetidamente frustrada, diga-se), de colar ao Sporting uma “Belenização”, tentou-se passar a ideia de o Sporting caminhar (ou ter mesmo atingido), o estatudo de “grande caído”, de um clube que havia sido grande e que se tornava ou tinha chegado a um estado em que não se poderia colocar ao nível dos outros dois grandes clubes nacionais. E que bem que isto soava para os grandes rivais dos leões… Uma bipolarização do futebol português e a consequência natural de passarem só e apenas a existir dois crónicos vencedores. O FC Porto como o claro clube forte do Norte do país e o Benfica reinando abaixo do Mondego. Um paraíso na Terra, diriam eventualmente Luís Filipe Vieira e Jorge Nuno Pinto da Costa. E devo ser sincero ao dizer que muitas das pessoas que dirigiram o Sporting nos últimos anos, transpareceram claramente a ideia de que se serviram do Clube ao invés de o servirem… Através de políticas e comportamentos claramente subservientes aos interesses dos mais directos e temíveis adversários.

Depois de uma tentativa frustrada de colar ao Sporting a ideia de que havia caído ao nível de clubes que outrora foram grandes, surgiu um outro tipo de corrente filosófica em relação ao estatuto dos leões de Alvalade… A de que um clube como o Braga estava a atingir e a roubar o estatuto de terceiro grande ao Sporting Clube de Portugal. Um disparate à medida de quem o profere.
Com todo o respeito pelo Braga, comparar um clube que tem duas taças de Portugal e uma Taça da Liga conquistadas, com um outro que já ganhou dezenas de títulos a nível nacional e que já teve conquistas na Europa é simplesmente uma ofensa sem precedentes para a integridade do Sporting Clube de Portugal. O Sporting é, foi e será um grande de Portugal.
E porque que o Sporting é um grande? Porque que o Sporting é obviamente comparável a Porto e a Benfica?

A primeira final em onze

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fc porto cabeçalho

O título deste artigo dá o mote para os próximos que serão redigidos até ao término da presente época. Se há coisa que nos incutiram nos momentos decisivos pelos quais fomos passando ao longo de todos estes anos, é que as finais não se jogam, ganham-se. Pode até parecer absurdo, mas a ciência do futebol mostra-nos que o pensamento tem de ser este. A semana passada, no Bessa, o FC Porto superou mais um teste de fogo. Não foi preciso jogar bonito, muito menos com nota artística. Bastou uma entrada ‘à dragão’ e um espírito guerreiro e lutador ao longo de 90 minutos para que os três preciosos pontos viessem para casa. Aliado a tudo isso esteve, uma vez mais, o 12.º jogador (parece que alguém anda a falhar redondamente na tarefa de dividir a família portista).

O FC Porto teve, uma vez mais, de se deparar com dificuldades acrescidas durante a partida, não só pela oposição que o Boavista apresentou mas acima de tudo porque anda por aí um Polvo amedrontado com a possibilidade de não conseguir o tão almejado tetra.

O jogo do Bessa mostrou uma equipa a personificar o ‘ser Porto’ na perfeição Fonte: FC Porto
O jogo do Bessa mostrou uma equipa a personificar o ‘ser Porto’ na perfeição
Fonte: FC Porto

Amanhã não será diferente: teremos pela frente um Nacional aflito que, sem nada a perder, apostará todas as fichas numa surpresa que lhe permita desafogar a situação preocupante que vive na tabela classificativa. Para que os ingredientes para uma grande festança estejam devidamente reunidos, eis que assistimos ao regresso do apaixonado Bruno ao Dragão, nove anos depois. Receio, contudo, que a nomeação deste “tentáculo” não seja suficiente para derrubar a imperturbável fortaleza em que se tornou este FC Porto de NES, principalmente a jogar no ambiente de que mais gosta, prevendo-se uma ainda mais estrondosa onda de apoio.

Foto de Capa: FC Porto

Mudanças começam a dar frutos

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fc porto cabeçalho

Durante esta época ocorreram várias mudanças na estrutura azul e branca, e os resultados começam a ser visíveis. Não quero com isto tirar mérito às várias pessoas que ao longo de muitos anos deram o melhor pelo clube e, na maioria das vezes, obtiveram grandes resultados.

O mercado de inverno foi atacado cirurgicamente, com a contratação certeira de Soares. Um jogador que entrou de forma arrasadora na equipa, sendo neste momento uma peça praticamente imprescindível. Sempre defendi que o mercado interno tinha de ser uma das grandes áreas de recrutamento do clube: os jogadores não precisam de adaptação, e os valores gastos nessas contratações, em comparação com transferências feitas com jogadores de outros mercados, são bem menores. Os casos de Danilo, Soares ou André André são exemplos disso. O plantel foi reduzido de forma inteligente: saíram, por empréstimo, Sérgio Oliveira (Nantes), Adrian Lopez (Villarreal) e, a título definitivo, Evandro e Varela. Com isto baixamos a folha salarial, o que nesta altura de pouco fulgor financeiro é importante. Este trabalho é já obra de Luís Gonçalves e de João Pinto, que neste momento são os homens fortes do Futebol.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Uma outra mudança bastante visível é a forma como o FC Porto comunica neste momento; a entrada de Francisco J. Marques para diretor de comunicação não é alheia a isso. Uma comunicação mais ativa, interventiva e perspicaz é visível. Acredito que estas mudanças já estavam pensadas e em preparação, mas, neste momento, já navegam em velocidade de cruzeiro. A newsletter Dragões Diários foi uma excelente ideia: é uma forma de intervenção inteligente sem desgastar elementos da administração (ou mesmo o seu presidente), ao contrário de um dos nossos rivais, que faz comunicados quase diários no seu Facebook.

Foto de Capa: FC Porto

FC Bayern Munique: … e o gigante acorda!

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Cabeçalho Liga Alemã

Com pouco mais de meio campeonato já disputado na Alemanha, olhando para a classificação, nota-se algo que tem sido habitual nos anos mais recentes. Com cinco pontos de avanço para o segundo classificado, segue na primeira posição da tabela aquele que parece ser o crónico vencedor da Bundesliga – o FC Bayern Munique. No entanto, a verdade é que o caminho que o clube da Baviera teve de percorrer até aqui não foi nada fácil, tendo sido até várias as previsões de que este poderia ser o ano em que se quebrava o seu ciclo de vitórias na liga alemã.

A época começou da melhor forma para os comandados de Carlo Ancelotti, que conquistaram frente ao seu maior concorrente a nível interno a Supertaça alemã, e as primeiras jornadas do campeonato viram um Bayern forte na luta pelo seu quinto título consecutivo, com muitos golos marcados e poucos sofridos, e com vitórias relativamente fáceis, até a contar para a Liga dos Campeões.

O Bayernatravessa um ciclo de 16 jogos sem derrotas Fonte: Facebook FC Bayern München
O Bayern atravessa um ciclo de 16 jogos sem derrotas
Fonte: Facebook FC Bayern München

Apesar disso, foi num jogo da liga milionária, frente ao Atlético de Madrid, que o gigante alemão teve a sua primeira derrota oficial da época, e que desencadeou uma série de três jogos sem vencer, dois deles para o campeonato, frente ao FC Köln e ao Eintracht Frankfurt. Estas derrotas permitiram que os rivais se aproximassem e mantivessem o Bayern em sentido no primeiro posto da classificação, onde nunca esteve com total “descanso”.

O momento não era o melhor para os Die Roten, que mesmo após uma nova série de vitórias, voltaram a estar três jogos sem conquistar os três pontos, frente a TSG Hoffenheim, Borussia Dortmund e FC Rostov. Estas tiveram maior peso na tabela classificativa, que viu tornar-se líder o outsider RB Leipzig, relegando o Bayern para o segundo lugar. O primeiro posto estava entregue ao clube que é propriedade da Red Bull, mas o Bayern Munique foi capaz, mesmo depois de alguns maus resultados, de iniciar uma série de 14 vitórias em 16 jogos que lhe permitiu recuperar o primeiro lugar que parece ser seu por direito.

Os números de Mitroglou

Kostas Mitroglou tem estado nas bocas dos portugueses. Quer dos media, quer, principalmente, dos benfiquistas que, de “papo cheio”, glorificam os remates sucessivos que só param nas redes da baliza adversário.

O grego está a fazer um ano de 2017 de fazer qualquer ponta de lança invejar. Leva 15 golos em 12 jogos e, estatisticamente, é o melhor ponta de lança da Europa. Tem uma média de golos este ano superior à de Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Lewandowski, Ibrahimovic, Benzema, Aubameyang, entre outros jogadores de elite. A nível nacional, contabiliza 13 golos na Liga NOS, ficando apenas atrás de Bas Dost (18 golos) na lista dos melhores marcadores.

A fase do camisola 11 do Benfica é, de facto, impressionante. Tem sido decisivo em vários jogos, bisou pelo segundo jogo consecutivo pela primeira vez de camisola encarnada, e tem a confiança em alta, esperando-se que não pare por aqui. Aproveitando este período de ouro para Mitroglou, começa a ser coerente compará-lo com a parte interna, com os adversários que também vestem ou vestiram o manto sagrado.

Mitroglou já marcou 49 golos em 78 jogos, o que lhe dá uma média de 0,63 golos por jogo. Neste ano civil, vai com uma média mais impressionante: 1,25 golos por jogo. Quando comparado ao seu parceiro na frente de ataque – Jonas -, que já é o quarto melhor marcador estrangeiro da história do Benfica, o brasileiro conta com 76 golos em 99 jogos, com uma média de 0,77 golos por jogo.

Mitroglou é o homem do momento Fonte: SL Benfica
Mitroglou é o homem do momento
Fonte: SL Benfica

Andando um pouco mais para trás no tempo, mas mais para a frente na lista de melhores marcadores estrangeiros, temos o líder, Óscar Cardozo. O paraguaio tem uns incríveis 172 golos em 293 jogos. Estes números permitem-lhe ter uma média de 0,59 golos por jogo.

Fazendo as contas com o compatriota de Jonas, Lima, este obteve 70 tentos em 144 jogos, ficando com 0,48 golos por jogo. Rodrigo apenas marcou 45 golos em 120 jogos, dando uma média de 0,38 golos por jogo. O eterno Nuno Gomes, contribuiu, durante 12 épocas, com 166 golos em 399 jogos. Média de 0,42 golos por jogo.

Números na mesa, Mitroglou encontra-se com melhor média de tentos por jogo que o goleador Tacuara, mas está ainda atrás do brasileiro Jonas. Os exagerados 172 golos do paraguaio parecem inalcançáveis, a princípio, mas relembro que esteve 7 épocas de águia ao peito e o grego está a cumprir a segunda.

As estatísticas valem o que valem. Contudo, servem para ganhar uma noção de onde nos encontramos neste momento e Mitroglou, olhando para alguns dos goleadores que por cá passaram, está bem posicionado. É um excelente finalizador e, com confiança, até grandes fintas consegue fazer. Decide jogos com frieza e tem-se mostrado muito importante nos sucessos do clube encarnado. Cada vez mais acarinhado pelos adeptos, Mitroglou mostra que tem qualidade imensa.

No fim, o que conta são os golos e o grego anda a marcá-los, sendo material mais do que suficiente para o aclamar. Tem uma média de golos muito interessante, embora ainda atrás de Jonas; mas, melhor que esse é complicado. Só mesmo Eusébio, que em 436 jogos marcou 465 golos e tem uma média 1,07 golos por jogo. Mas este Pantera Negra, este sim é outra conversa.

Resta-nos esperar que continue a marcar. Quer ele, quer Jonas. Qualquer um que envergue o manto sagrado vermelho de águia ao peito. Desde que resulte em vitórias…

Saudações Benfiquistas!

Jogadores que Admiro #67 – Miguel Lamperti

Cabeçalho modalidadesQuando o mundo conspira para que uma criança fanática e praticante de basquetebol se torne um dos melhores jogadores de Padel do circuito mundial, os adeptos da modalidade só têm a agradecer.

Miguel Lamperti, jogador argentino e actual número sete do ranking WPT, joga ao lado de Juani Mieres, amigo que conhece desde o seu início no Padel profissional.

Em 2016, tive oportunidade de o ver jogar e ganhar, ao lado de Cristián Gutiérrez, o mundial de Padel, disputado em Portugal. E se assistir a um mundial da modalidade é quase sempre sinónimo de assistir a grandes jogos e grandes demonstrações de skills, assistir a um mundial onde joga Miguel Lamperti é sempre sinónimo de assistir a um espectáculo, dentro e fora de campo.

O argentino é um dos jogadores mais carismáticos do circuito. Para além da qualidade técnica inquestionável, o jogador é sobejamente conhecido pela sua generosidade e bom carácter, em jogo e fora dele. Lamperti preserva os valores, num momento em que muitos atletas, nas mais variadas modalidades, parecem começar a desprezá-los.

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Lamperti é um dos jogadores mais acarinhados pelo público, muito devido à sua atitude e carinho
Fonte: Miguel Lamperti

O jogador, cujo jogo se caracteriza acima de tudo pelo controlo, começou a jogar Padel aos 12 anos e a disputar os primeiros torneios aos 16, e desde aí a sua carreira é recheada de sucessos. Miguel Lamperti não mais parou… até 2005, ano em que, ao deslocar-se ao Brasil, teve um grave acidente de automóvel, vendo-se obrigado a parar cerca de seis meses. A maré de azar não tinha terminado e Miguel Lamperti lidou ainda com a morte da mãe, nesse mesmo ano.

Depois de recuperar deste período conturbado, regressou em força e chegou a número um da Argentina, em 2006, e, desde aí, tem vindo a garantir um bom nível de jogo no circuito mundial.

O jogador argentino é a personificação perfeita do desportivismo e aconselho vivamente a que assistam a uma exibição dele.

Para mim, Miguel Lamperti é indiscutivelmente um dos melhores e mais marcantes jogadores de Padel, até à data. Um verdadeiro gentleman que conquista multidões, não só com a qualidade brilhante que apresenta em jogo, como com a disponibilidade e generosidade com que se dirige aos fãs.

Foto de capa: Miguel Lamperti

SD Eibar: A arte do ‘pressing’

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Cabeçalho Liga Espanhola

Vive em Espanha uma equipa que, passando boa parte da sua história nas divisões secundárias, tem-se superado a si própria, e procura, nesta Liga Espanhola em que os gigantes vão mostrando fraquezas de forma contínua, um lugar europeu. A concorrência é apertada, mas o clube tem dado passos seguros e, mais do que isso, a equipa, depois de anos de tranquilidade na Liga, é, nos dias de hoje, um garante de qualidade e regularidade.

Mais do que tudo, o projecto do Eibar mostra a todos – leia-se: dirigentes desportivos portugueses – que a melhor forma de estabilização de um clube é através da confiança e da regularidade nas opções. O Eibar, depois de um 14º lugar na época passada, manteve a sua base e encontra-se neste momento a lutar por um impensável lugar europeu.

A equipa, não sendo espectacular, é competente e muito segura de si mesma. Para lá dos destaques individuais e das dinâmicas, importa realçar um facto. Sabe-se da importância do meio-campo para a saúde de uma equipa. Ora, este Eibar, de uma época para outra, manteve o seu meio-campo (de qualidade) e…os resultados estão à vista. Escalante-Dani García (duplo pivôt) e Adrián González (criativo com excelente chegada a zonas de finalização) formam um meio-campo de grande intensidade e rotatividade.

Pedro Leon, numa época recheada de golos Fonte: SD Eibar
Pedro Leon, numa época recheada de golos
Fonte: SD Eibar

A equipa não tem propriamente a melhor defesa do campeonato. Não porque defenda mal, nem porque tenha maus defesas – Capa, o capitão, voa pelo lado direito da defesa – mas sim porque arrisca. Arrisca no pressing que faz. Veja-se o jogo de Sevilha. A equipa de Sampaoli, uma das mais fortes do campeonato (em todos os momentos do jogo), foi obrigada a jogar perante uma pressão muito alta e corajosa, em termos tácticos.

É claro que isso depois favorece as unidades atacantes. O já mencionado Adrián, que, sendo um médio, funciona como uma muleta da grande referência ofensiva, Sergi Enrich. Os dois são um garante de golos e futebol vertical e objectivo – o avançado espanhol é muito forte na procura do espaço vazio. Mas a grande estrela (em termos mediáticos) da equipa mora na faixa direita. Pedro León, o homem que Mourinho disse que…não era nem Zidane, nem Maradona, tem feito uma época marcada por muitos golos e assistências.

Não é um futebol que empolga. Mas é uma equipa que sabe (quase) tudo do jogo. Como atacar (bem), como ocupar todas as zonas do campo e, acima de tudo, como pressionar. Pressionando alto, está-se mais próximo de ter bola. O Eibar promove essa (boa) ideia do futebol. Será suficiente para lugar europeu?

Foto de capa: SD Eibar

Artigo revisto por: Patrícia Nel

Desportivo das Aves: Haverá asas para voar?

Cabeçalho Futebol Nacional

Na pacata Vila das Aves, em Santo Tirso, mora uma equipa com história no futebol nacional: o Desportivo das Aves. Com quase 90 anos de história e estórias, o Desportivo das Aves pretende chegar à primeira divisão pela quarta vez, mas falta saber se a equipa das Aves terá asas para voar.

O Desportivo das Aves, segundo classificado da Ledman Liga Pro, quer, finalmente quebrar a maldição de Neca, nesta temporada. Para quem não sabe, o Desportivo das Aves conta com três presenças na primeira divisão do campeonato português: em 1985, pelas mãos do mítico Professor Neca, em 2000 de novo com Neca e em 2005, novamente com Neca. A verdade é que a equipa só conseguiu subir à primeira divisão pelas mãos do professor, e até teve uma oportunidade de quebrar esta maldição, em 2014, quando teve a oportunidade de disputar um play-off contra o Paços de Ferreira, mas a equipa não conseguiu.

Esta temporada, com Ivo Vieira, técnico que passou pelo Nacional e pelo Marítimo, o objetivo definido no início da época foi bem claro: chegar à primeira divisão. A temporada até começou de forma algo intermitente, com a equipa das Aves a somar alguns empates, mas depois a equipa conseguiu dar a volta à situação e acumulou vitórias consecutivas que lhe permitiram atingir o segundo lugar da tabela classificativa. Os avenses conseguiram, em 13 jogos, 11 vitórias e apenas dois empates, fazendo valer o fator casa para garantir a vitória em diversos jogos.  A equipa estava bem e recomendava-se, conseguindo cavar um fosso assinalável em relação às equipas que disputavam o segundo lugar. Só que, depois de quatro jogos, onde a vitória não surgiu, os responsáveis do Desportivo das Aves perderam a paciência com Ivo Vieira e despediram-no, justificando o despedimento devido aos maus resultados, mesmo depois deste ter guiado a equipa até ao segundo lugar da prova.

De forma surpreendente, o escolhido para treinar a equipa das Aves, foi José Mota. O experiente técnico que falhou esta temporada no Feirense, volta a ser solução de recurso para uma equipa da segunda,  tentando alcançar a subida, depois de já o ter feito pelo Feirense, na temporada passada. Apesar de José Mota não ser uma opção consensual no seio dos adeptos do Desportivo das Aves,  o técnico terá todas as condições para alcançar a tão almejada subida. Desde o forte apoio dos adeptos, à boa classificação no campeonato, que permite ter algum desafogo, e ao próprio plantel, muito bem preparado e feito a pensar na subida.

José Mota tem tarefa árdua
José Mota tem tarefa árdua
Fonte: Desportivo das Aves

A equipa da Vila das Aves conta com um plantel constituído com um misto de juventude e com jogadores já batidos na segunda liga, um plantel recheado de qualidade. Na defesa, com Quim, experiente guarda-redes que passou pelo Benfica e pelo Braga, a liderar o quarteto defensivo constituído por: Hackman, a defesa direito, jogador que passou pelo Boavista na temporada passada, Nélson Pedroso, a defesa esquerdo, homem formado na casa e que conta com várias passagens na primeira liga, Tiago Valente e João Pedro, ambos com experiências na primeira liga, a atuarem como centrais.

Mais à frente, no seu experiente meio-campo, a equipa conta com elementos como: Luís Alberto, que já passou por diversos clubes na primeira liga, Pedró, que tem sido o patrão do meio-campo da equipa,  Tarcísio, médio centro com alguma rodagem nesta segunda liga, Zé Tiago que tem tido uma carreira em clara ascensão. Na frente de ataque é onde se vê maior rotação. Ora joga Théo Mendy, jogador que já está no seu segundo ano no clube, e Femi Balogun, nigeriano que esteve na Olhanense aquando da última participação na primeira liga, ora joga Alexandre Guedes, jovem avançado forma no Sporting e Luís Barry, experiente avançado que passou alguns anos pelo Desportivo de Chaves.

Mas não é só o plantel experiente e bem planeado do Aves que pode ajudar José Mota, a alcançar a subida. O Desportivo das Aves, em casa, tem um registo quase imaculado, sendo que é dos clubes mais fortes a jogar no seu reduto, da segunda liga. Vejamos: a equipa das Aves, em 14 jogos, perdeu dois, empatou três e venceu por nove vezes. Sendo que, o forte apoio do público tem sido também fundamental para o bom desempenho da equipa.

Agora, resta saber se com José Mota a equipa terá asas para alcançar a subida de divisão. Ainda há muito campeonato pela frente mas a equipa das Aves tem tudo para chegar à primeira divisão e quebrar mais uma “maldição” do futebol português.

Foto de capa: Desportivo das Aves

Artigo revisto por: Diana Martins