Não foi decisivo para o desfecho do encontro em questão, mas o golo de André Almeida acabou por ser um dos marcos curiosos da então eliminatória da Taça. A equipa celebrou de forma efusiva o primeiro tento do português. Não sendo um acontecimento, é bastante revelador daquilo que significa André Almeida no balneário benfiquista. Um elemento querido, e que esta época, numa função que lhe era estranha, foi importante para…tapar um buraco. Um bombeiro táctico de serviço para Rui Vitória e que compensa na cabeça, aquilo que, por vezes, lhe falta nos pés.
André Almeida chegou ao Benfica como médio. Mas, Jorge Jesus, habituado a colocar alas nas laterais defensivas, tinha outros planos para o jogador. André Almeida trocou o protagonismo de Leiria pelo desafio do Benfica. André, depois de alguns meses no “laboratório JJ”, começou a ser opção consistente na primeira equipa do Benfica. O jovem português compensava alguma falta de pujança técnica com uma solidez e uma fiabilidade táctica sempre importantes. Sem nunca descurar a polivalência – elemento decisivo para a confiança de Jorge Jesus.
A celebração do primeiro golo de André Almeida Fonte: Facebook Oficial de André Almeida
André ia trocando da esquerda para o meio. Do banco para a direita. Jorge Jesus não abdicava dele, mesmo quando as horas de aperto competitivo chegavam – titular na final europeia de Amesterdão e suplente utilizado em Turim. Se no meio-campo André mostrava pouca imaginação com bola, na defesa, as qualidades do português eram mais reconhecíveis. Não encantava o terceiro anel mas, quer Jesus, quer Rui Vitória nunca se importaram muito com isso. Haverá um poder no jogador popular?
Não sabemos se os eternos patinhos-feios terão um lugar especial nos corações dos técnicos. Sabemos porém que há um especial no Benfica. Sem grandes malabarismos técnicos, mas com juízo (táctico). Eternos craques do futebol (e, sem me permite, caro leitor): percebam, por este exemplo mais ou menos competente, que a cabeça ocupa um lugar importante, e não estranho, no futebol.
E assim de repente… 1 ponto! Apenas um mero ponto separa o FC Porto “de onde quer estar” como tantas vezes diz Nuno Espírito Santo. No Reino do Dragão vivem-se dias felizes, dias nos quais a esperança impera, dias que ainda não se tinham vivido esta época. Num ápice, e apenas três semanas depois de terem visto a distância pontual para o líder subir para 6 pontos, os portistas veem agora o seu clube depender apenas de si para chegar ao título.
O momento é bom, a confiança está em alta e há razões para acreditar num final feliz. No entanto, e sem querer (longe de mim) abalar as hostes azuis e brancas, há algo que me vem preocupando bastante e que nem a redução de distâncias teve o condão de desvanecer: as prestações do Porto fora de portas.
Apesar de, como já disse, as perspetivas de sucesso serem, por esta altura, as melhores desde que se iniciou a Liga NOS, o que é facto é que, invariavelmente, o FC Porto vacila longe do Dragão. É verdade que na Amoreira o Porto balançou mas não caiu e que, porventura, de lá saiu mais vivo do que nunca. Mas não deixa de ser, igualmente, verdade que, mais uma vez, num jogo fora, teve uma prestação não mais do que medíocre. Há dificuldades recorrentes em fazer golos, com a agravante de, no sábado, as dificuldades se terem estendido à criação de situações para concretizar os tais golos. Jogo muito pobre.
Fonte: FC Porto
Ora vejamos, o FC Porto disputou, até ao momento, 9 jogos longe do seu reduto e conquistou apenas 16 pontos fruto de 4 vitórias, 4 empates e 1 derrota (contra 9 vitórias e 1 empate no Dragão). Quer isto dizer que o FC Porto, candidato ao título, tem uma percentagem de vitórias abaixo dos 50% em jogos deste cariz. Podemos concluir, então, que há, indiscutivelmente, motivos para apreensão. Esses motivos sobem de tom quando verificamos que os 4 empates foram em Tondela, Setúbal, Belém e Paços de Ferreira.E todos pelo mesmo resultado. O fatídico 0-0.
Voltando ao passado sábado e ao jogo na Amoreira, não fosse um penalty caído do céu na fase final da partida e se calhar o Estoril, uma das equipas que pior futebol pratica no nosso futebol, ter-se-ia juntado aos “clube dos empates”. Denota-se, portanto, um paradigma.
O jovem médio português tem sido um dos grandes destaques da Primeira Liga. Ajudou recentemente o Moreirense FC a ganhar brilhantemente a Taça da Liga, onde foi preponderante, e tem sido fundamental na recuperação que a equipa de Moreira de Cónegos tem feito na tabela classificativa da Primeira Liga.
Tem 21 anos e fez toda a formação no Sporting CP, para onde voltou esta semana, depois de seis meses brilhantes no Moreirense. É um médio criativo, com uma técnica individual acima da média, muito forte no último passe e com capacidade de chegar a zonas de finalização com facilidade.
Fonte: Facebook Oficial de Francisco Geraldes
No Moreirense, fez 20 jogos onde apontou dois golos e fez duas assistências. Acredito que poderá ser uma mais-valia para o Sporting durante a segunda volta. No sistema tático de Jorge Jesus, pode atuar em várias posições: médio de transição (Nº8), sendo uma alternativa a Adrien, ou fazer a posição de segundo avançado, uma posição em que o Sporting está bastante carenciado e por onde já passaram vários jogadores esta época. Pode também fazer, como recurso, uma posição nas alas, principalmente sobre o lado esquerdo, onde Bryan Ruiz é uma sombra do jogador que foi na época passada.
Já na época passada no Sporting B, Geraldes esteve em grande destaque, fazendo 38 jogos e marcando oito golos. O jovem criativo é como o algodão, não engana e é de classe pura. Acredito que Jesus pode ajudar no crescimento do atleta e potenciar ainda mais todo o seu talento.
Foto de Capa: Facebook Oficial de Francisco Geraldes
O dia 29 de novembro de 2016 está marcado como a data que ocorreu a maior tragédia esportiva de todos os tempos. O acidente com o avião da LAMIA na Colômbia, que vitimou 71 pessoas, deixou o mundo chocado e muito mais entristecido. Mas não estou aqui apenas para relembrar esse fato que todos já sabem. Quero falar de futebol e do processo de reconstrução que a Chapecoense está passando.
Imaginem o seguinte cenário: De um dia para o outro o seu clube não tem mais nenhum jogador, nem comissão técnica e também não conta com boa parte da diretoria. Isso é algo devastador para qualquer clube e é claro se a razão for uma tragédia a situação piora ainda mais. Alguns jogadores iriam ser negociados, como o zagueiro Thiego que assinaria na Colômbia um pré-contrato com o Santos, e essas negociações gerariam receita ao clube. Como elas não aconteceram é como se a Chapecoense tivesse perdido todo o seu plantel gratuitamente. E agora sem jogadores, sem comissão técnica e sem dinheiro em caixa, como o clube irá fazer para disputar as várias competições oficiais, incluindo a Libertadores da América, em 2017?
Da tragédia até o dia do primeiro jogo oficial na temporada foram menos de dois meses. Em cerca de um mês após o acidente o time já teve que iniciar a sua pré-temporada. A Chape sempre formou seus elencos aproveitando os jogadores que estavam livres no mercado e jogadores oriundos, por empréstimo, de outros clubes. O novo presidente eleito, Plínio David de Nês, e o novo diretor de futebol, Rui Costa, mantiveram essa política que sempre deu certo na Chapecoense. Vale lembrar que essa política de contratação levou o clube da Série D, em 2009, à Série A, em 2013. Uma ascensão meteórica e o que é mais admirável é que o clube conseguiu permanecer na primeira divisão nacional, inclusive realizando boas campanhas.
Festejos como este motivarão o reerguer da Chape Fonte: Chapecoense
A nova Chape possui 37 jogadores no seu elenco principal, incluindo os jogadores de base que foram promovidos. Impressionantemente esses jogadores não foram contratados aleatoriamente ou no desespero (o que seria até normal pelas condições que o clube se encontrava). Os contratados passaram por uma avaliação da nova comissão técnica e da diretoria. Isso mostra a força de superação que o clube teve, pois mesmo em um momento delicado de sua história a Chapeconse manteve a “cabeça fria” e não mudou a sua filosofia de contratações. Entre os reforços da nova Chape, podemos destacar o goleiro Artur Moraes (ex-Benfica) e o meia Dodô (ex-Atlético Mineiro).
Esse é um processo lento e gradual. A própria torcida do Verdão de Chapecó está ciente disso e apoiou o clube no primeiro amistoso do ano (empate em 2 x 2 contra o Palmeiras) e no primeiro jogo oficial na temporada (empate em 0 x 0 contra o Joinville). Só os torcedores da Chape sabem o que estão sentindo. Os clubes da Série A estavam dispostos a pedir à CBF, Confederação Brasileira de Futebol, que isente a Chapecoense do rebaixamento por três temporadas. Uma atitude nobre dos clubes, mas a direção do time catarinense recusou essa proposta pois acredita que o mérito de permanecer na elite do futebol nacional tem que ser conquistada dentro do campo. Esplêndida atitude.
A Chapecoense ainda não possui um time titular definido, mas a expectativa de todos é que o grupo em geral tenha condição de mostrar o seu valor. Acredito que a Chapecoense fará uma grande temporada e conquistará os seus objetivos. Torcida para isso o time terá, não apenas no Brasil como no mundo inteiro.
Sabia que, um dia destes, este texto teria de ser feito. Acredito que não será tão complicado quanto uma possível Carta Aberta, que poderei fazer na altura em que se retirar, mas não quero, para já, sequer pensar nessa possibilidade, de não termos o privilégio de ver um jogador como este nos courts…
Apesar da sua grandeza ser vista muito além dos números, é importante salientar o que Roger Federer tem feito, ao longo da sua impressionante carreira, 18 torneios do Grand Slam; 24 Masters 100 (no total, 89 torneios ATP); um recorde com 302 semanas como número 1 mundial (sendo que esteve cerca de 237 semanas seguidas, outro recorde), entre 2004 e 2012; tem o Grand Slam de Carreira; é o único a ter vencido por 3 vezes os 3 de 4 torneios do GS na mesma temporada; e é o único da história a ter, pelo menos, 5 vitórias em 3 dos 4 Grand Slam’s existentes.
Aliado a isto, apresenta 28 finais do Grand Slam disputadas; é recordista com 6 títulos do ATP World Tour Finals; tem 4 prémios consecutivos nos Laureus, que são dos mais importantes prémios para qualquer desportista; tem 2 medalhas em Jogos Olímpicos, uma de ouro ganha em pares (Pequim 2008) e uma de prata ganha em singulares (Londres 2012); apresenta mais de 1300 partidas disputadas em toda a carreira, sendo essa uma das maiores marcas da história; e já venceu, igualmente a Taça Davis, pela sua seleção, a Suiça, em 2014.
Essa Taça Davis marcou mais um importante feito histórico de Federer, visto que apenas ele, e o bem conhecido ex-tenista norte-americano, Andre Agassi, conquistaram os 4 Grand Slam’s, a Taça Davis, a medalha de ouro olímpica e o ATP World Tour Finals (Rafael Nadal poderá ser o próximo a juntar-se a este elenco de luxo, mas precisará de vencer um ATP World Tour Finals).
Dos seus 18 títulos do Grand Slam, 7 deles vêm de Wimbledon Fonte: sportskeeda.com
Tem mais de 1050 vitórias – 316 correspondem aos eventos de Grand Slam, sendo, mais uma vez, o número 1, neste aspeto, em todo o circuito masculino – desde que começou o seu percurso profissional, e é o segundo tenista com mais vitórias de sempre, apenas atrás de Jimmy Connors, que conquistou 1242 vitórias na sua carreira.
Dados impressionantes? Sem dúvida. E o que torna isto tudo tão “monstruoso” é que ainda se poderia dedicar mais uns parágrafos às estatísticas e aos recordes de Federer. Aquele menino, que começou a jogar aos 8 anos, provavelmente nunca achou que chegasse a este patamar, mas a verdade é que a sua evolução foi realmente bem acompanhada e, apesar de nos primeiros anos não ter sido um jogador assim tão mediático, acabou por ganhar, a seu tempo, todas as atenções possíveis até chegar ao brilhante profissional, e pessoa, que é hoje.
No jogo grande da jornada, Liverpool e Chelsea, num jogo intenso, mas nem sempre bem jogado – as equipas abusaram do pontapé para a frente, principalmente no primeiro tempo –, empataram a uma bola e mantiveram as respetivas classificações na tabela – o Chelsea já sabia que não ia mudar de posição. A equipa de Hazard e companhia, líder da classificação, consegue assim um resultado razoável, num jogo onde até podia ter conseguido algo mais.
Foi o Liverpool quem começou com a iniciativa do jogo, ainda que totalmente inconsequente. A equipa tinha mais bola, tinha o domínio territorial, mas exceção feita a um remate de Wijnaldum que Courtois defendeu, as chegadas à baliza do adversário não existiram. Depois dos primeiros quinze minutos, a equipa orientada por Conte melhorou, começou a ter mais bola e a equilibrar mais a partida, até que ao minuto 25’ David Luiz, de livre direto, surpreendeu Mignolet e atirou a contar, num grande pontapé, com a bola ainda a rasar o poste antes de beijar as redes da baliza. Quando se pensava que os reds iam reagir, foi o Chelsea quem manteve o controlo do jogo e esteve mais perto de aumentar a contenda, num livre de Willian que David Luiz não conseguiu desviar por muito pouco. Intervalo na partida e a saga negativa do Liverpool parecia que ia continuar.
David Luiz marcou de livre um grande golo e foi o melhor em campo Fonte: Chelsea FC
No entanto, o início da segunda parte trouxe novidades. Ao minuto 49’, contra-ataque rapidíssimo da turma de Klopp, e Firmino, na cara do golo, a precipitar-se e a atirar muito por cima. Três minutos depois, e já depois de Moses ter colocado Mignolet em sentido com um remate às malhas laterais, Wijnaldum empatou o marcador. Grande passe de Henderson, Milner de primeira a cruzar de cabeça para o coração da área e o médio holandês a saltar mais alto do que todos e a cabecear para o fundo das redes. O Liverpool não conseguiu aproveitar o “boost” emocional do golo e foi o Chelsea quem teve uma oportunidade soberana para empatar. Num contra-ataque, Diego Costa surgiu no um para um com Matip e, de forma muito inteligente, forçou a falta do camaronês e ganhou o penalty. Com tudo para colocar novamente o líder em vantagem, o hispano-brasileiro desperdiçou a ocasião e permitiu a defesa de Mignolet. O jogo, com o aproximar do final, ficou confuso e o golo podia ter surgido para qualquer das equipas. Pedrito, num remate de fora de área esteve perto do golo – o remate saiu a rasar o poste –, e Firmino, à boca da baliza e com tudo para fazer golo, cabeceou de forma frouxa e permitiu a defesa de Cortouis. Final do jogo e o Conte a ir “festejar” com os adeptos, o que demonstra bem da importância do resultado para os blues. Do lado do Liverpool, continua a série de jogos sem ganhar e pode ser alcançado na classificação pelo Manchester City.
Os milhões entram e saem mas o Benfica deixa sempre um lugar cativo no coração e na carreira dos jogadores que por cá passam. Refiro-me principalmente, aos meninos de ouro que têm surgido da formação porque é, de facto, uma realidade no Benfica, mas não só. É sabido que há muitos outros profissionais que já não jogam futebol até ou representam, atualmente, outros clubes mas que não escondem o orgulho e a alma benfiquista, como o Simão Saborosa, que todos sabemos, ou o Nico Gaitán que, se bem se lembram, emocionou-se e emocionou os adeptos com o discurso final no balneário, ou ainda, o Sílvio, formado na Luz.
Deve ser difícil dizer adeus a um clube que se transforma em casa, a um balneário que é um encontro de amigos e a adeptos que rapidamente se transformam em família que não se escolhe!
Provas disso deu-nos há bem pouco tempo Renato Sanches, que rumou a Munique, rompendo de certa forma, e do ponto de vista emocional, uma ligação de sempre e que vai muito para além de um contrato. E há bem poucos dias, outro menino, o Gonçalo Guedes, jogador em quem sempre acreditei e continuarei a admirar, seguiu a mesmas pisadas. Neste caso, a distância só é menor porque a rutura é igualmente forte.
Talvez um dia regressem a casa. Cá vos esperamos!
Temos ainda Bernardo Silva, ex-benfiquista de águia ao peito mas que é vermelho de coração e alma. Agora é uma verdadeira estrela na equipa do principado, onde está desde 2014, mas vem à Luz sempre que pode e em várias entrevistas o ouvi dizer que não esquece o clube que o formou, acompanhando sempre e vibrando com as exibições e resultados.
Bernardo Silva não esquece o Benfica Fonte: Facebook Oficial de Bernardo Silva
Ah e claro que não podia deixar de falar do nosso André Horta. Ainda cá paira, e ainda bem, mas é lindo de se ver o adepto ferrenho que é e não se fica pelo futebol. Já o vimos a invadir o campo para festejar o título da Supertaça de futsal e é presença frequente também, na bancada dos jogos de hóquei em patins.
O Sport Lisboa e Benfica, do ponto de vista organizacional, é uma grande estrutura que consegue proporcionar aos jogadores todas as condições que precisam para garantir o seu rendimento e bem-estar e esse equilíbrio é essencial, faz toda a diferença. Os jogadores sentem-se bem e isso passa cá para fora pela forma como se relacionam e vivem o clube.
Consola-nos o sentimento de missão cumprida pelas águias que já voaram e cumpre-nos apoiar as que connosco ficam para que, por cada vez mais altos voos, nos elevem.
Um adeus para os que sentem o Benfica, nunca é um adeus, é um até sempre!
Nesta difícil deslocação dos dragões ao terreno do Estoril Praia, não se avizinhavam facilidades devido às dificuldades nos últimos anos do FC Porto em conseguir bons resultados nas Amoreiras. Era uma deslocação muito complicada e o FC Porto não tem tido bons desempenhos fora de casa, tanto exibicionalmente como ao nível dos resultados.
Porém, o enguiço foi quebrado com uma vitória arrancada a ferros, e com um homem a exibir-se num nível muito alto e a desbloquear o resultado, de seu nome André Silva. Ele que demonstra cada vez mais experiência e maturidade em campo e o penalti ganho é sinónimo disso mesmo, demonstrando que apesar da sua tenra idade, que podemos contar com ele em todos os momentos.
Não vacilou na hora de cobrar a grande penalidade e ainda assistiu Corona para o segundo golo dos portistas e a selar uma vitória dificílima mas a demonstrar que os níveis de confiança estão a melhorar (apesar das exibições nem sempre bem conseguidas). Porém, é um jogador que não se poupa em campo e isso compromete a sua capacidade de finalização porque, e apesar de todos apreciarmos a sua raça e comprometimento com o jogo, a forma de jogar da equipa comandada por Nuno Espírito Santo exige demasiado de André Silva visto este ter de recuar, ir aos lançamentos laterais, vir buscar jogo, disputar bolas no meio dos centrais e isso desgasta um jogador.
Fonte: FC Porto
Comparemos com o melhor marcador do campeonato, Bas Dost, que não trabalha tanto, mas sendo um finalizador nato visto só está em campo a receber bola e rematar, não trabalhando em todo o processo da equipa. Algo que deve ser visto e revisto pelo treinador do FC Porto porque, a este ritmo e durante 90 minutos, qualquer jogador, por muito bom que seja, perde compostura na hora de tomar decisões e André Silva não é exceção. Esta semana, num blog afeto aos dragões, diziam que a namorada de André Silva sofria porque este chegava a casa estafado e isso é percetível analisando quanto este jogador corre e batalha em campo. Obviamente, precisa de melhorar o seu 1×1 porque continua a perder muito nestes duelos mas isso é algo que o número 10 do FC Porto irá evoluir e está no início da sua caminhada como futebolista e os seus números já são impressionantes.
A sua afirmação de que já está no melhor clube de Portugal faz suspirar qualquer adepto portista e ter orgulho num jogador como este, que acrescenta qualidade ao seu sentimento como adepto e produto vindo da formação dos dragões. Todos esperamos altos voos de André Silva e se o FC Porto pode sonhar com o título, muito se deve a este jovem dragão que não para de melhorar e, muitas vezes, carregar o peso da equipa nas suas costas.
Ficaram decididas este fim de semana as equipas que vão disputar a série dos últimos e a série dos primeiros, da segunda divisão feminina, numa jornada em que tudo, mas mesmo tudo, estava em jogo. Se os primeiros classificados (e, consequentemente, os primeiros apurados para a série dos primeiros) já estavam decididos há algum tempo, os segundos eram ainda uma incógnita.
Na série A, o Ginásio Clube Vilacondense – GCV – já tinha o primeiro lugar garantido e o segundo lugar seria disputado pelo Ginásio Clube Santo Tirso -GCST- e Vitória Sport Club -VSC-, com este último a não ter oportunidade de pontuar, pois gozava do fim de semana de folga. O VSC partia para esta última jornada com um ponto de vantagem sobre o GCST e esperava que este não pontuasse. O Santo Tirso “roubou” um ponto ao primeiro classificado (que, na Taça de Portugal, eliminou uma equipa da primeira divisão, com uma vitória pela margem máxima – 3.0 ao Castêlo da Maia), apurando-se com os mesmos pontos, mesmo número de vitórias e mesmo número de derrotas do Vitória, mas com melhor rácio de sets e de pontos.
Na série B, a Associação Académica de São Mamede –AASM- já tinha o primeiro lugar garantido e o segundo lugar seria disputado pelo Esmoriz Ginásio Clube –EGC- e pela Academia José Moreira –AJM. O Esmoriz partia para a última jornada com menos um ponto do que a Academia, precisava de ganhar e esperar que a AJM não ganhasse à AASM. E foi o que aconteceu. Vitória por 3.0 ao Ala de Gondomar e derrota da AJM em casa, perante o São Mamede, também por 3.0, num jogo sem muita história. Fica, obviamente, um amargo na boca e a sensação de morrer na praia, principalmente sendo eu atleta da Academia. Jogar para não descer não era, de longe, o objetivo desta equipa.
A equipa de São Mamede Fonte: Pedro Fonseca
Na série C, o CS Madeira apurou-se em primeiro lugar, isolado e com grande vantagem (16 pontos) sobre o segundo classificado e apurado, o Clube Nacional de Ginástica.
Espera-se agora o sorteio da 2ª fase e muita disputa pelo lugar no play off para a subida à primeira divisão. A minha aposta inicial recai sobre a Associação Académica de São Mamede, numa luta bastante renhida com o Ginásio Clube Vilacondense; isto tudo sem nunca esquecer a aguerrida equipa de Esmoriz (que tem sempre uma palavra a dizer, como ficou comprovado na fase que agora findou) e sem saber muito bem com o que contar do CS Madeira, que pode sempre ser uma surpresa.
“Prefiro o pé direito e o lado esquerdo, à Simão!”
Silva, David para os amigos, carrega às costas o 10 no Banguecoque FC. Jogar na Tailândia está a ser uma das melhores experiências da sua vida, e o Bola na Rede aproveitou o facto de o extremo se encontrar em Portugal, devido a uma inusitada interrupção do campeonato tailandês, e foi com muita simpatia e boa disposição que nos contou como está a viver este momento da carreira e um pouco de todo o seu percurso.
Bola na Rede: Como tudo começou?
David Mendes da Silva: “A minha história é engraçada! Comecei a jogar à bola com nove anos, joguei dois anos na Venda Nova, onde jogava sempre com os mais velhos, num escalão acima, mas a minha mãe resolveu que eu tinha de ser violinista e tirou-me do futebol. Ela detesta futebol!
Então parei de jogar completamente e só voltei aos 16 anos. Chateei a minha mãe e voltei a jogar no Fofó [Clube de Futebol Benfica]. Comecei a jogar com os juvenis mas também jogava com os mais velhos, com os júniores, e num desses jogos estava um olheiro do Estoril, que gostou de mim e me levou para esse clube. Fiquei lá dois anos e fui parar ao Porto. Foi tudo do nada, muito rápido. De violinista a jogador de futebol!
BnR: Acabou por ser uma rampa de lançamento, o Fofó… Depois do Porto?
DMS: Foi, foi, sem dúvida! Depois do Porto, fui para a Bulgária um ano e meio. Em termos monetários, foi dos meus melhores anos. Era uma equipa grande e foi uma experiência diferente. Estive no Lokomotiv Mezdra, seis meses, e depois fui contratado para o CSKA Sofia, que é o Benfica lá do sítio. Fomos duas vezes vice-campeões; tive muita pena de que não tenhamos sido campeões. Estava a correr bem mas depois mudou a direcção e o treinador do clube, e eu fui seis meses emprestado para Espanha. Foram seis meses muito bons. O futebol em Espanha também é muito bom. Dali fui parar à Escócia, onde fiquei dois anos. Foi uma grande mudança, do calor para o frio. Vivia ao lado da praia, em Espanha, e na Escócia lidava com graus negativos. Na Bulgária também era frio mas na Escócia nem era só pelo frio; era pela vida social também, que não existia. Estava sempre cinzento e a chover. É complicado viver assim.
BnR: A seguir, regressaste a Portugal…
DMS: Depois da Escócia voltei a Portugal, para o SC Olhanense. Fiquei uma época e correu bem também; foi a época em que fui chamado à selecção cabo-verdiana. No fim dessa época regressei à Escócia, fiquei lá seis meses e tive uma lesão um pouco grave no joelho, pelo que não joguei nos outros seis meses. Recuperei, fui para a Finlândia, e através de um treinador que me conhecia bem, pai de um colega meu, fui parar à Tailândia.
BnR: Grandes mudanças; experienciaste diversas realidades do futebol. De todas, qual foi a mais marcante?
DMS: Na Escócia foi muito complicado. Como já disse, eu não vivia; estava sempre de noite a partir das quatro da tarde. Na Bulgária era o clima, era bastante frio, mas a vida até era boa. Sófia é uma boa cidade mas, em termos de diferenças culturais, senti-as mais na Tailândia, claramente. Eles são completamente diferentes. Foi o maior choque que tive.
David Silva a festejar o seu golo frente à Académica de Coimbra Fonte: Facebook Oficial de David Mendes da Silva
BnR: Já falamos melhor sobre a Tailândia. Estiveste na Escócia na 1.ª Liga e depois no Olhanense, 1.ª Liga portuguesa. Que diferenças sentiste entre estes dois campeonatos?
DMS: É diferente! Na Escócia há mais físico. É mais estilo de “guerra” do que em Portugal! Na minha opinião, cá há mais técnica e qualidade. Ao nível dos adeptos, na Escócia os estádios estão sempre cheios, não há um jogo que esteja vazio, estejam -10 graus ou -50 graus; isso não interessa. É Inglaterra em ponto pequeno. É um espetáculo para nós, jogadores; a motivação dispara.
BnR: Ainda no Olhanense, jogaste com os grandes? Qual a sensação?
DMS: Sim, joguei com o Porto, o Benfica e o Sporting. Consegui empatar com o Porto, perdi com o Sporting por 1-0, em Alvalade, e perdi com o Benfica por 2-0 e 2-1. Nunca ganhei a um grande mas também não perdi por muitos! Mas já vinha habituado a estádios cheios e a grandes ambientes na liga escocesa, por isso não senti muito esse impacto. Lá eles mentalizam-se mesmo de que o futebol é uma festa, e podem perder 5-0 que isso não interessa. Têm outra cultura. Cá em Portugal, toda a gente é do Porto, do Benfica ou do Sporting, e lá eles são do clube da sua cidade e apoiam incondicionalmente. É completamente diferente.