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A magia da Taça está de volta!

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Cabeçalho modalidadesNeste próximo fim-de-semana, temos um interregno na Liga Sport Zone, para dar lugar a uma competição que se estreia esta época, na ótica dos principais emblemas do futsal português. É a Taça de Portugal, tão pródiga em provocar enorme festa aos adeptos dos clubes ditos “pequenos”, quando têm a sorte (ou o azar, desportivamente falando) de defrontar um dos grandes do nosso país. Vou, por isso, falar de clubes de escalões inferiores, que têm essa oportunidade de receber no seu pavilhão um “tubarão” do desporto, a nível nacional.

Os casos mais flagrantes são os ocorridos no Barreiro, onde o GD Fabril recebe o Sporting CP e no Porto, onde o Boavista FC joga com o SL Benfica. E o mais curioso é notar que a equipa portuense já não militava em escalões inferiores desde a época 2012/13, precisamente a última época em que a equipa do Fabril teve a oportunidade de atuar no principal escalão.

A turma axadrezada que foi despromovida na temporada anterior volta a ter poucos meses depois a ocasião de se degladiar com os encarnados, uma das potências do nosso desporto. E o mesmo sucede com a equipa barreirense, que já está afastada da alta roda do futsal nacional há quadro temporadas, mas que tem a hipótese de reviver esses tempos passados durante, pelo menos, um dia, num ano em que a formação verde e branca está a apostar as suas fichas todas numa eventual subida de divisão, algo que até ver está a correr bem pois findas 15 jornadas, a equipa do concelho do Barreiro vai liderando a sua série da II divisão (série F) com 13 vitórias e apenas duas derrotas, até ao momento.

Veremos se conseguirá manter a sua boa forma até ao fim da época, pois esta série apenas serve para apurar as formações que irão discutir entre si a subida de divisão, separadas entre zona Norte e zona Sul. Em termos de contas relativas à subida de escalão do Boavista, tal já é matematicamente impossível de almejar, tendo em conta o enorme fosso pontual para os lugares cimeiros da tabela e o número reduzido de jogos para disputar até ao fim desta fase inicial. Resta então à equipa portista lutar pela manutenção e desfrutar ao máximo do jogo grande com o Benfica.

Esta imagem repetir-se-á neste próximo fim-de-semana, só mudando alguns intervenientes Fonte:theboavistafootballers.blogspot.pt
Esta imagem repetir-se-á neste próximo fim-de-semana, só mudando alguns intervenientes
Fonte:theboavistafootballers.blogspot.pt

Vendo os números de cada equipa, na sua respetiva série, é de crer que o Fabril irá colocar mais dificuldades ao Sporting do que o Boavista às águias, mas isso tem de ser provado em campo. Seja como for, e atendendo à história, não é fácil ganhar em solo boavisteiro e o Benfica tem que encarar o jogo com a máxima seriedade, sob pena de sofrer um grande dissabor.

De resto, destaque para os três encontros que juntam equipas do escalão máximo, nomeadamente o Rio Ave – Unidos Pinheirense, a AD Fundão – Quinta dos Lombos e o Futsal Azeméis – SC Braga, todos jogos que prometem grande espetáculo e também muito equilíbrio e emoção nos 40 minutos de tempo regular.

Foto de capa: desportivotransmontano.com

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Taça Davis 2017: Favoritismo português frente a Israel

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Cabeçalho modalidadesÉ já nos dias 3, 4 e 5 de fevereiro que, nos courts cobertos de terra batida do Club Internacional de Foot-ball (Lisboa), se disputará a eliminatória da Taça Davis que coloca frente a frente as seleções nacionais de Portugal e de Israel. A eliminatória inicia-se às 13h de 6ª feira, dia em que se disputarão os dois primeiros encontros de singulares, seguirá no sábado (a partir das 15h) com o embate de pares, e terminará no domingo, a partir das 12h, com a realização dos dois últimos encontros de singulares.

Para esta eliminatória, referente à primeira ronda do Grupo I da zona euro-africana da Taça Davis, o capitão e selecionador nacional, Nuno Marques, escolheu um quarteto de tenistas composto por João Sousa (41º no ranking ATP), Gastão Elias (76º), Pedro Sousa (192º) e Frederico Silva (355º). Do outro lado “da rede”, Eyal Ran, o capitão da seleção de Israel, teve que enfrentar as importantes baixas de última hora de Amir Weintraub e de Edan Leshem, acabando por escolher um quarteto de tenistas composto por Dudi Sela (75º no ranking ATP), Daniel Cukierman (528º), Yshai Oliel (928º) e Jonathan Erlich (49º na variante de pares). Ressalva-se que Cukierman e Oliel, convocados para fazer face às ausências de Weintraub e Leshem, nunca disputaram qualquer encontro a nível profissional.

Se apenas se tomar em linha de conta as atuais classificações dos atletas no ranking ATP, ficar-se-á com a certeza de que Portugal parte como claro favorito para este confronto, e a verdade é que esse favoritismo é inegável. Contudo, há que não esquecer que Israel se desloca a Portugal com Dudi Sela como tenista mais cotado, sendo este um adversário digno de respeito para qualquer um dos jogadores da equipa nacional (ex-top 30 mundial). Adicionalmente, Jonathan Erlich é um especialista na variante de pares, o que poderá colocar problemas à seleção portuguesa, no encontro dessa mesma variante que se realizará no sábado.

Fonte: Gastão Elias
Fonte: Gastão Elias

Do lado da seleção portuguesa, Pedro Sousa, que se viu forçado a desistir durante o encontro referente aos quartos de final no Future de Hammamet (Tunísia) devido a problemas físicos (lesão no punho direito), deverá estar totalmente recuperado e apto para defrontar a seleção de Israel, não devendo ser necessário recorrer ao suplente João Domingues (316º no ranking ATP). Assim sendo, a seleção portuguesa apresenta-se na máxima força e, em condições normais, com uma equipa capaz de levar de vencida a seleção de Israel, pela maior qualidade tenística dos atletas que a compõem. Apesar de tudo, existe uma informação factual que importará não esquecer: nos quatro confrontos anteriores entre as duas seleções, Portugal saiu sempre derrotado, qualquer que fosse a superfície ou o local onde os encontros fossem disputados. Assim sendo, o favoritismo da seleção portuguesa em muito dependerá da consistência apresentada pelos seus dois representantes mais cotados: João Sousa e Gastão Elias.

Analisando o sorteio realizado e a ordem dos encontros, o primeiro dia deverá ser marcado pelo equilíbrio. João Sousa tem tudo para vencer confortavelmente Yshai Oliel, mas Gastão Elias terá que manter a concentração e os níveis competitivos bem elevados se quiser levar de vencida Dudi Sela, tenista dotado de uma perigosa pancada de esquerda, pese embora a terra batida não seja a superfície na qual este apresenta melhores resultados. No segundo dia o favoritismo parece recair igualmente na dupla Sousa/Elias, mas não se poderá descurar um perigo chamado Jonathan Erlich do outro lado da rede, especialista na variante de pares que fará dupla com Daniel Cukierman. Finalmente, no último dia de competição, João Sousa terá que estar também ao seu melhor nível para, na sua superfície favorita, conseguir vencer Dudi Sela. Já Gastão Elias, pese embora tenda a apresentar uma atitude menos competitiva frente a adversários de menor valia, parece ter todas as condições para vencer o jovem Yshai Oliel, de apenas 17 anos de idade. Caso a eliminatória fique resolvida no sábado, é possível que nos encontros de domingo João Sousa e Gastão Elias nem entrem no court, dando assim lugar a Pedrou Sousa e Frederico Silva.

A vitória de Portugal, caso se verifique, garantirá a sua passagem à segunda ronda do Grupo I pela primeira vez desde 2011, ano em que a seleção portuguesa acabaria por ser derrotada pela poderosa Suíça que contava na sua equipa, entre outros, com Stan Wawrinka e com o recente vencedor do Australian Open, Roger Federer. Agora, caso Portugal se qualifique para a segunda ronda, terá como adversário no acesso ao play-off do Grupo Mundial a seleção da Ucrânia, equipa com ranking na Taça Davis significativamente superior ao de Portugal (ocupa atualmente a 20ª posição, face à 35ª da seleção lusa) e que conta com Alexandr Dolgopolov como tenista mais cotado (atual 69º classificado no ranking ATP e ex-top 15 mundial).

A Santíssima Trindade do Clássico

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Muito provavelmente estou na iminência de cometer um erro ao juntar dois dos assuntos que mais geram confusão, conflito, mas mesmo assim vou arriscar, até porque são também dos que mais geram amor e fé incondicional. Estou portanto a falar de Futebol e Religião. E a verdade é que, apesar do que referi  antes, os mais crentes e simultaneamente mais fanáticos costumam associar uma à outra, chegando a fazer promessas ao Pai, e/ou ao Filho, para que através do Espírito Santo lhes conceda o milagre de ver o seu clube ganhar.

Ora bem, e se há jogo que nos faz recordar esse espirito de fé transportado para o futebol, é o próximo clássico jogado no Dragão. Não que alguma das entidades superiores da Santíssima Trindade lá vá fazer algum tipo de aparição ou milagre (e se isso acontecer, que o faça para que ganhe o Sporting) mas porque dois dos seus intervenientes transportam no seu cartão de cidadão nomes que evocam duas das entidades que a compõem, o Filho e o Espírito Santo. Curiosamente os dois líderes das equipas que se irão defrontar.

Fonte: Sporting CP
Fonte: Sporting CP

Esses dois líderes, quais guias espirituais, têm nas suas fileiras, bravos guerreiros que irão para o jogo com fé de que o poderão ganhar. Espero que os jogadores do Sporting não confiem só na fé para tentar ganhar, mas que trabalhem com afinco para conseguirem os seus objectivos. Porque esperar que o Pai ou o Filho os ajudem, sem que os próprios se esforcem para o merecer, será meio caminho andado para perder. E por falar em Filho (Jesus), o nosso treinador, como guia, deve então dar aos seus jogadores o treino, os ensinamentos que possam levar de vencida a equipa adversária, corrigir posicionamentos, tentar recuperá-los psicologicamente e ter fé que eles consigam, com o seu esforço, trabalho e qualidade, fazer um jogo suficiente para ganhar ao adversário.

As 5 Melhores vitórias sobre o Leão

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5. FC Porto 3–0 Sporting CP (LIGA NOS 2014/15)

Tello brilhou ao apontar três golos Fonte:
Tello brilhou ao apontar três golos
Fonte: Facebook Oficial de Cristian Tello

Foi o ponto alto da passagem de Tello pelo FC Porto, uma exibição de gala onde apontou os três golos. Um dos melhores jogos da época dos azuis e brancos, numa época que acabou por não ser feliz: Lopetegui não conseguiu conquistar qualquer troféu, teve na Liga dos Campeões o ponto alto. Um dado interessante e revelador que, felizmente, mudou nos últimos anos é que no onze inicial não constava nenhum jogador português.

Foto de Capa: FC Porto

As 10 Maiores Transferências do Mercado de Inverno

Cabeçalho Futebol Internacional

Em Portugal temos histórias de sucesso. Desde a entrada de André Cruz no Sporting, importante para o título de 2000, até ao ingresso de Lucho em 2012, decisivo para os dois títulos de Vítor Pereira. Os fracassos são ainda mais evidentes quando falamos desta janela de transferências. Enfim, aqui tem as histórias mais pujantes de 2017

Pedro Pereira: Um regresso feliz

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sl benfica cabeçalho 1Pedro Pereira é um dos reforços de inverno do Sport Lisboa e Benfica. Aos 19 anos, o lateral-direito português chega à Luz com um contrato de cinco temporadas e meia (até 2022) e uma cláusula de rescisão de 60 milhões de euros.

Vindo da Sampdoria por uma transferência de seis milhões de euros, o jovem atleta, formado no SL Benfica, não poderia estar mais feliz com este regresso: “Não tenho palavras para descrever o que estou a sentir. Desde que surgiu a opção de regressar ao Benfica, esse sempre foi o meu primeiro desejo. Como todos os jogadores que saem da Formação do Benfica, também eu sonhava chegar à equipa principal. Consegui cumprir esse sonho e, felizmente, estou de volta ao Benfica”, afirma.

Pedro Pereira de regresso a uma casa que conhece Fonte: SL Benfica
Pedro Pereira de regresso a uma casa que conhece
Fonte: SL Benfica

O jogador que vestiu de águia ao peito entre 2008 e 2015 já esteve a treinar no Caixa Futebol Campus às ordens de Rui Vitória, e não se coibiu de mostrar admiração pelas instalações do Seixal. “Quando saí do Caixa Futebol Campus já tínhamos todas as condições, não nos faltava nada. Quando voltei a entrar notei que cresceu ainda mais, está mais completo. É uma mais-valia e por isso é que o Benfica continua a crescer”, comenta o atleta.

Depois de quase dois anos a jogar num dos campeonatos mais competitivos do mundo como a Serie A de Itália, Pedro Pereira é grande conhecedor do esquema defensivo: “é um campeonato mais tático e mais defensivo. Aprendi muito [em Itália] e melhorei bastante. O Benfica é das equipas que melhor defende na Europa”, defende, perentório.

O bom filho a casa torna – Entrevista a Filipe Mendes

entrevistas bola na rede

Bola na Rede: Filipe, conta-nos como começaste a dar os primeiros passos no futebol?

Filipe Mendes: Começou tudo muito cedo. Lembro-me de ir para o trabalho do meu pai, logo de manhã, e ficar de bola nos pés até ele fechar a loja ao fim da tarde. Ainda faço parte de uma geração que jogava, constantemente, nas ruas, esses eram os nossos estádios. Mais tarde, com oito anos inscrevi-me no Real Sport Clube, mas infelizmente pouco tempo depois comecei a perder o foco na escola e os meus pais viram-se obrigados a tirar-me do futebol. Na altura fiquei mesmo muito triste, mas hoje sei que foi o melhor que me podiam ter feito. Quando finalmente percebi o rumo que queria dar à minha vida, voltei a jogar de forma oficial, sempre com o sonho de poder chegar longe, mas sem nunca abdicar da minha formação profissional.

BnR: Como te defines como jogador? Quais são as tuas mais valias?

FM: Sou um jogador que gosta de jogar simples, com qualidade técnica e rápido. Gosto muito de jogar em equipa e sou o primeiro a incentivar os meus colegas, tanto nos bons como nos maus momentos. Quanto à segunda questão, acredito que as minhas mais valias são ser um extremo combativo e que ajuda muito no processo defensivo, para além de perceber quando devo acelerar ou pausar, nos diferentes momentos do jogo.

BnR: Recordo que começaste a carreira no Sintra Football. Entretanto saíste do clube e agora regressas ao clube pela segunda vez. Pretendes permanecer no clube ou já pensas mais à frente?

FM: Neste momento só penso em subir de divisão. Tanto eu como os meus colegas sabemos que se não estivermos completamente focados nesse objetivo, tudo vai ser mais complicado. Estou feliz onde estou e isso é o mais importante, neste momento.

BnR: Desde que saíste do Sintra Football passaste por vários clubes: Damaiense, Carcavelos, Futebol Benfica. Qual foi o clube que mais te marcou e o que correu menos bem nestas experiências?

FM: O clube que mais me marcou foi sem dúvida alguma o Damaiense. Tenho um carinho enorme pela instituição e o meu grande desejo é que eles consigam a manutenção este ano. Relativamente à experiência que correu menos bem, não é fácil de destacar um clube: em todos eles guardo momentos bons e momentos menos bons, mas todos, sem exceção, foram importantes para o meu crescimento enquanto jogador e pessoa.

BnR: Começaste esta temporada na Naval, equipa com muita tradição no futebol português, mas que se tem afundado com o passar dos anos. No entanto, as coisas acabaram por não correr muito bem. Como explicas os dois pontos conquistados em 17 jogos?

FM: Não foi fácil. Todos sabíamos a história do clube que íamos representar, e a responsabilidade que era vestir aquela camisola. Infelizmente, a falta de condições, a par das guerras já existentes e o planeamento duvidoso da época desportiva acabaram por meter em causa o nosso rendimento.

Filipe Mendes está de volta ao Sintra Fonte: Ricardo Pereira
Filipe Mendes está de volta ao Sintra
Fonte: Ricardo Pereira

BnR: Quais foram as maiores dificuldades sentidas na Naval? O ambiente no balneário era difícil devido às derrotas?

FM: A primeira dificuldade que senti foi não termos tido pré época. A falta de ritmo competitivo foi evidente nas primeiras jornadas e, por mais que conseguíssemos fazer uma primeira parte interessante, acabávamos sempre por quebrar no segundo tempo. A segunda dificuldade foi não termos tido ninguém que nos falasse em objetivos, e isso nunca me tinha acontecido! A terceira, e talvez a mais importante, foi a falta de acompanhamento, já para não falar de termos de jogar em campos alugados/emprestados, dos treinos com cinco ou seis jogadores e da falta de transparência para com os jogadores relativamente a assuntos do interesse de todos. Quanto ao ambiente no balneário, era incrivelmente bom! Percebemos desde cedo que só unidos poderíamos (tentar) lidar com todas as adversidades e nunca virámos a cara à luta. Naquele balneário esteve sempre um grupo de guerreiros!

BnR: Achas que há condições para a equipa conseguir voltar aos principais escalões do futebol nacional?

FM: Eu gostava muito de poder dizer que sim… mas não estaria a ser honesto. Muita coisa teria de mudar para que tal acontecesse. Hoje, mais do que nunca, sei que o profissionalismo não vem da divisão que disputamos. Já estive em clubes muito mais organizados e ambiciosos em divisões inferiores, e um deles é o caso do Sintra Football, clube que hoje represento.

Carta Aberta a Lazar Markovic

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Meu caro Amigo,

Apetece-me, antes de tudo, começar esta carta com uma gracinha, até porque tenho esse direito. Se reparares, na língua deste país que já te acolheu duas vezes, o teu primeiro nome rima com a palavra “azar”, facto que não posso deixar impune neste momento, devendo fazer-lhe o devido reconhecimento.

Estava eu em conjunto com a maioria dos Sportinguistas longe de perspetivar, no entanto, que essa palavra falsa e feia acabaria por determinar a tua passagem por Alvalade, desde logo porque nos surgiste em modo surpresa, ao cair do pano das transferências, exaltando ainda mais os ânimos e levando-nos mais uma vez a pensar que este ano, meu caro, seria “o ano”. Provar do teu veneno não fora agradável. Grande golo, diga-se. Foram instantes como aqueles que ilibavam as dúvidas e que te retiravam o espectro da incógnita que costuma acompanhar os reforços. Nesse dia de Agosto estávamos nós, então, satisfeitos com a tua vinda enquanto aqueles que festejaram contigo no passado fingiam não estar preocupados. Ninguém merece aquilo que te fizeram em Inglaterra, que é o pior que se pode fazer a alguém como tu, que vive para atacar a baliza do adversário e não para evitar que cheguem à sua, e quem sabe se não terá sido essa ressaca de infelicidade táctica que te foi tirando o jeito.

Bem sei que não é fácil correr atrás da forma quando a equipa não está bem, e que por isso também não é justo condenar-te pelo falhanço de uma missão quase impossível. Ainda assim agradeço-te; sei que vieste muito por culpa do nosso Treinador, que, segundo os jornais, falou contigo numa ocasião informal no Ritz. Deixa-me adivinhar o diálogo: ele disse-te que caso viesses voltarias ao topo, que isso em circunstâncias normais seria canja para ti e que o lugar no onze estava ali mesmo ao lado. Pois, eu disse-te que adivinhava. Deixa-me reforçar mais uma vez o agradecimento por teres vestido a camisola mais bonita de Portugal. Só um ingénuo não acredita que o Liverpool facilmente te colocaria a rodar num qualquer outro recanto da Europa, mas tu preferiste o nosso Sporting. O Treinador ajudou, eu sei, e o conforto nestas coisas também conta.

Markovic já veste a camisola do Hull City, treinado pelo português Marco Silva Fonte: Hull Tigers
Markovic já veste a camisola do Hull City, treinado pelo português Marco Silva
Fonte: Hull Tigers

Porém retenho a tua coragem, essa interessa-me neste momento, já que não temeste os insultos e a pressão. O caminho mais difícil às vezes é só para Heróis, e aquele que te calhou agora não é menos afável. Parece-me que mais uma vez a palavra de Treinador te foi fundamental, o que só vem provar o teu circunstancialismo emocional. Mais do que para qualquer outra coisa, esta carta serve para te desejar a melhor das sortes. Sem rancores ou recordações de amargura, assuma-se que as coisas não correram bem, mas que essa razão não elimina a existência do jogador tremendo que ainda és, mesmo que a tua passagem por Alvalade apenas seja recordada no leque episódico do historial que une os dois grandes da capital.

À parte de tudo isto, relembrar-te que tens 22 anos e que, ao contrário daquilo que vão dizendo, não pode haver sentenças definitivas quando ainda se tem a carreira no início. Não te posso dar muitos conselhos porque sinceramente não os sei para o efeito. Só espero que continues a persistir para que no próximo ano estejas nesse campeonato terrível a lutar para ser campeão e não para permanecer na divisão. Caso as coisas não corram bem de novo, talvez o truque esteja em jogar num país cujo idioma permita rimar o teu primeiro nome com a palavra sorte.

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal

Flávio Sá Leite, A catedral do Andebol

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Cabeçalho modalidadesPara os seguidores do andebol, o nome Académico Basket Clube é algo que está presente no pensamento quando falamos dos principais clubes portugueses. Para os adeptos que pouco conhecem deste desporto, o que eu vou referir a seguir pode deixá-los um pouco espantados…

Por mais conquistas que os “Três Grandes” consigam, e apesar de a qualidade que apresentam, o ABC é o clube português com mais história no andebol nacional e europeu. Mas a história do ABC terá de ficar para outro dia, porque hoje vou escrever sobre a sua “casa”, o Flávio Sá Leite.

Para mim, um dos aspetos que falta melhorar no andebol nacional é a mentalidade dos adeptos. Os benfiquistas têm aparecido cada vez mais no Pavilhão Nº2 da Luz (mas só em jogos grandes), os sportinguistas idem. Houve momentos em que considerei os portistas os adeptos que criavam um melhor ambiente e mais próximo do que se vê na Alemanha, Dinamarca, ou seja, nos principais palcos europeus, mas a época 2015/2016, sem grandes resultados (a mudança da estrutura do Andebol 1 para playoff e a grande campanha na EHF Champions League deixaram mossa, sendo mesmo esta boa prestação o único ponto positivo da época), afastaram os adeptos do Dragão Caixa.

Fonte: ABC
O fantástico apoio dos adeptos tem trazido o ABC de volta à ribalta
Fonte: ABC

Já o Flávio Sá Leite é outro mundo: é um apoio genuíno, um ambiente diferente que se cria naquela catedral amarela (um pouco ao estilo do Signal Iduna Park), são adeptos que vão ao andebol não porque o jogo é contra o FC Porto ou o SL Benfica, mas sim porque é aquilo que estão habituados a fazer desde sempre!

Acredito que se a EHF tivesse permitido que o ABC jogasse a Liga dos Campeões no Flávio Sá Leite, os resultados do ABC teriam sido diferentes e a Europa teria ficado com outra ideia dos seus adeptos. Se alguma vez quiser sentir verdadeiramente o que é o andebol no seu estado mais genuíno, e não quiser sair de Portugal, dirija-se a Braga para ver um jogo do ABC (ou aqui ao Alentejo, mais propriamente a Serpa, onde também se vive um ambiente magnífico nas tardes de sábado).

Foto de capa: ABC

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Vale a pena competir nas provas europeias de clubes?

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Cabeçalho modalidadesAcabou a aventura europeia e o saldo não é muito animador para os clubes masculinos que decidiram competir: disputaram 22 encontros e só ganharam quatro.

O SL Benfica até começou muito bem a época e esteve mesmo à beira de concretizar um feito histórico, que poderia abrir novamente as portas da Europa competitiva. Perdeu na Luz com o Pallacanestro Varese (72-75) e ganhou em Itália (70-72), gorando a oportunidade de disputar o terceiro nível europeu (“Champions League”) e de ganhar compensação financeira. Posteriormente, na fase inicial da “Europe Cup”, ganhou três encontros e garantiu a presença na fase seguinte, onde perdeu as seis partidas. Em resumo, em 14 jogos apenas conseguiu ganhar quatro, um registo que mesmo assim suplanta o do FC Porto, que foi também afastado na pré eliminatória (duas derrotas) e perdeu todos os seis jogos na “Euro Cup”. Em resumo, as nossas equipas disputaram 22 jogos e apenas ganharam quatro, o que mostra claramente que estamos longe dos padrões competitivos europeus, mesmo os do quarto escalão.

Individualmente, nos jogadores nacionais, os veteranos estiveram em particular evidência. Destaque para o extremo/poste do FC Porto, Miguel Miranda (38 anos), que foi o jogador nacional com melhor rendimento (eficácia 10,2). Jogou em média 18 minutos, com sete pontos marcados, boas % de lançamento e ainda conquistou 4,8 ressaltos. O benfiquista Carlos Andrade, da mesma idade, jogou mais tempo (27 minutos média), marcou 7,8 pontos e 3,9 ressaltos e 2,4 assistências. Finalmente, o base Mário Gil (34 anos) esteve em campo 15,2 minutos, em média, com alguma eficácia (4,7).

Fonte: SL Benfica/FC Porto
Fonte: SL Benfica/FC Porto

Nos internacionais actuais, os atletas do FC Porto José Silva (9,5 eficácia), que foi quem melhor aproveitou o contacto internacional, logo seguido por Miguel Queiroz ( 7,3) e André Bessa (6,3). No SL Benfica, que disputou mais jogos, é justo destacar a aplicação de João Soares.

Como atenuante, podemos ter em conta a falta de experiência internacional dos atletas nacionais, falta ritmo (a competição interna é fraca e jogada a ritmo lento), e um menor número de estrangeiros (a maioria dos adversários tinha mais atletas estrangeiros no seus plantéis porque as regras não são uniformes) e a qualidade dos mesmos.

Recordo, a propósito o meu antigo treinador Prof . Teotónio Lima que já dizia: “Hoje não é difícil convencer os jogadores de que têm de treinar todos os dias. O difícil é convencê-los de que esses treinos terão de ser intensos. Nas competições internacionais vão encontrar a prova provada de que tem de ser assim”.

Viagens longas, custos elevados e oscilação do rendimento desportivo nas provas nacionais levantam a questão se vale ou não a pena a participação nestas condições. Claro que, em termos individuais, a competição internacional só tem vantagens. Jogar na Europa é importante, mas temos de ter condições para sermos minimamente competitivos, e isso só com mais estrangeiros do tipo de Damian Hollis e Bradley Tislay.