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Australian Open 2017: A Queda do Campeão

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Cabeçalho modalidadesDecore bem esta data: 19 de janeiro de 2017 – o dia em que o super campeão Novak Djokovic, a jogar na sua superfície favorita e no torneio que já anteriormente venceu em seis ocasiões, foi eliminado na 2ª ronda do Australian Open, pelo menos cotado tenista uzbeque Denis Istomin, número 117 do ranking ATP. Apesar da, também surpreendente, eliminação de Simona Halep, na 1ª ronda do torneio feminino, frente à norte-americana Shelby Rogers, esta foi, sem dúvida, a maior surpresa da competição até ao momento e, para os amantes de ténis, uma das maiores perdas que o Australian Open poderia conhecer ainda numa fase prematura do mesmo.

Na Rod Laver Arena, viveram-se quase todas as emoções típicas das grandes ocasiões: euforia, tristeza, fúria, resignação. Num grande encontro de ténis, defrontaram-se, no court, um tenista a fazer a partida da sua vida e um amorfo ex-número 1 mundial. Após 4h48m de jogo, o primeiro acabou por sair vencedor, pelos parciais de 7-6(8), 5-7, 2-6, 7-6(5) e 6-4.
O encontro foi marcado, acima de tudo, pelo equilíbrio, em quase todos os momentos. Logo no (longuíssimo!) primeiro set, com 1h25m de duração, Istomin adiantou-se frente a Djokovic; apesar do já referido equilíbrio, o tenista uzbeque destacou-se pela sua maturidade tática, conseguindo contrariar, em muitas ocasiões, o jogo do sérvio. O segundo set não foi muito diferente, mas desta vez com Djokovic a fazer prevalecer os seus superiores recursos técnicos.

Fonte: Australian Open
Fonte: Australian Open

Após um terceiro set em que Nole parecia lançar-se em definitivo para a expectável vitória, Istomin reergueu-se e, no quarto parcial, chegou a estar a vencer por 4-1. Apesar de ter acabado por perder a vantagem, o uzbeque conseguiu vencer o set no tie-break. Na quinta e última partida, Djokovic continuou a apresentar-se mais errático do que é habitual (acumulou um total de 72 erros não forçados e 9 duplas faltas ao longo do encontro!) e Istomin, que nos cinco encontros anteriores nunca havia vencido mais do que um set ao tenista sérvio, acabou por carimbar a sua passagem para a 3ª ronda do Australian Open.

Com esta vitória, Denis Istomin, tenista que recebeu um wild-card para estar presente no Australian Open, foi o protagonista da maior derrota de sempre de Novak Djokovic em torneios do Grand Slam, e logo num torneio no qual o sérvio, desde 2011, apenas havia sido derrotado numa ocasião, por Stan Wawrinka. Na próxima ronda, o tenista uzbeque irá enfrentar o espanhol Pablo Carreño Busta, atual número 31 do ranking ATP.

Para Novak Djokovic, esta derrota, provavelmente a mais surpreendente da sua carreira, simboliza a prorrogação de um período de resultados mais negativos para o sérvio que, após a recente conquista do torneio de Doha, frente a Andy Murray, parecia já ter terminado. Por outro lado, este parece tratar-se do melhor presente que o tenista escocês poderia ter recebido rumo à (agora mais) provável conquista do quarto torneio do Grand Slam da sua carreira.

Foto de capa: Australian Open

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

O que é isto de ter duas equipas?

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O ano era 1966. Meio do século XX numa altura mais pacata, apesar de já existir o clima de tensão entre manteigas de amendoim e vodka, mas, acima de tudo, ano de campeonato do mundo. Esse mítico campeonato onde Portugal espetou 3-1 ao Brasil e atingiu as meias-finais, tendo perdido para a Inglaterra, país anfitrião, que dias depois de vencer o Portugal de Eusébio, Coluna, Simões e muitos outros, venceu a prova em Londres frente à Alemanha Ocidental.

Poucos ou, talvez muitos, saberão que este mundial é de grande memória para os portugueses, não só pelo que já foi referido, mas também, porque nos quartos-de-final, Portugal defrontou a Coreia do Norte.

Os norte-coreanos são tudo menos uma potência do futebol, mas naquele ano conseguiram surpreender tudo e todos, quando chegaram a uma fase tão adiantada da prova. Mas como? Como é que uma equipa que vem do nada, aparece de forma implacável nos quartos-de-final e depois é travada por 5-3 contra Portugal?

Simples. Soube-se, uns dias antes do duelo entre portugueses e coreanos, que o seleccionador coreano tirava partido da incrível semelhança que existia do ponto de vista do aspeto físico, entre os seus 23 jogadores, para, em todos os jogos, trocar os 11 que tinham disputado a primeira parte, por outros 11 que disputavam as segundas partes. Perante estes rumores, a organização da prova foi ao balneário do Portugal vs Coreia do Norte, ao intervalo, altura em que os coreanos venciam por 1-3, ficou lá o até que a segunda parte começasse, e foi embora. Na segunda parte, como já puderam perceber, os mesmos 11 levaram 4 golos e foram para casa.

Isto é aquilo que, futebolisticamente falando, pode ser tido em conta como ter duas equipas. Eram literalmente duas equipas que jogavam um jogo de 90 minutos. Eram 11 fresquinhos a começar o primeiro tempo e 11 fresquinhos a começar o segundo tempo. Esta ideia de que o Benfica tem duas equipas é só descabida. Aliás, a expressão em si não tem nexo.

O Regresso do Rei

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Cabeçalho modalidadesNo âmbito dos jogos particulares do fim do mês com a Rússia, saúda-se o regresso à convocatória do melhor jogador de futsal do mundo, o “mágico” Ricardinho.

Bem sei que a seleção não depende só do gondomarense, uma vez que, felizmente, temos outros jogadores capazes de decidir, mas a ausência do nosso capitão é um pouco comparável com a não-inclusão de Cristiano Ronaldo no lote de convocados da equipa nacional de futebol de 11. São intervenientes que nem precisam de fazer grandes jogos, somente a sua presença em campo serve para intimidar os adversários, que sabem que têm que prestar atenção redobrada ao jogador português. Recorde-se que este jogador falhou a última convocatória por lesão, num torneio amigável triangular, realizado no passado mês de Dezembro, na Macedónia, jogado entre a equipa organizadora, Portugal, e a Bósnia-Herzegovina, torneio esse que acabámos por conquistar.

A estrela maior do futsal português está de regresso Fonte: UEFA
A estrela maior do futsal português está de regresso
Fonte: UEFA

De facto, como disse há cerca de 15 dias, estes encontros servem para preparar o apuramento para o Euro 2018 e serão jogados contra a congénere russa, em solo nacional, uma vez que serão jogados no Pavilhão Municipal da Torre da Marinha, nos dias 27 e 29 deste mês. Também no mesmo recinto irá decorrer outro jogo de cariz particular, mas este perante a nossa equipa sub 21, no dia 26.

Em relação aos restantes convocados, não há grandes surpresas, optando o selecionador Jorge Braz por convocar o núcleo duro que levou até ao Mundial da Colômbia, com apenas 3 alterações na convocatória, quando comparado com o Campeonato do Mundo na América do Sul. Para além da troca de Victor Hugo por André Sousa, que não esteve nos 14 eleitos por lesão, notam-se mais 2 alterações nos convocados: Márcio, da AD Fundão, e Nilson, do SC Braga, por Djo, do Sporting CP, e Ré, do SL Benfica.

Apesar de, no geral, não haver muitas mudanças no lote, nota-se uma clara aposta em jogadores jovens, pois os dois jogadores de campo têm, respetivamente, 26 e 24 anos, contra os 31 dos jogadores que renderam, pese embora o facto de ambos serem jogadores muito importantes na manobra defensiva e ofensiva da equipa, em condições normais.

Estes são jogos amigáveis e, como tal, é muito importante implementar algum sangue novo na seleção. Vão ser dois jogos muito bons de assistir e espera poder-se ver as jovens promessas em ação, nem que seja apenas durante uns minutos.

Foto de capa: FPF

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Sentido! O Árbitro está aqui – Entrevista a Pedro Henriques

entrevistas bola na rede

No futebol, os protagonistas costumam ser impreterivelmente os mesmos. Jogadores, treinadores e dirigentes acabam sempre por mover paixões e muitas emoções por parte dos adeptos. No meio disto, existe um anti-herói: o árbitro, juiz do espetáculo, que acaba por ser o parente pobre no meio do jogo, e só lhe é dado protagonismo quando erra.

Em virtude daquilo que se tem passado no futebol português nos últimos tempos, fomos falar com Pedro Henriques. O atual comentador falou-nos da sua carreira no futebol e expôs a sua visão em relação ao estado da arbitragem em Portugal.

Bola na Rede: Pedro, foi sem dúvida alguma um dos árbitros portugueses mais marcantes do futebol nacional nos últimos anos. Como surgiu o interesse pela arbitragem?

Pedro Henriques: Fui tirar o curso de treinador e de árbitro de futebol e de futsal, em virtude de na instituição militar ter que lidar com o treino, e  com equipas e seleções de ambas as variantes e, nesse sentido, o interesse surgiu devido ao gosto pela modalidade, pela necessidade e vontade de saber mais sobre o Futebol e para, obviamente, poder desempenhar melhor as minhas funções. Assim sendo, ao tirar o curso de árbitro apaixonei-me logo pela função e, ao ser nomeado para um jogo, gostei, aliás adorei e fiquei por lá 20 anos.

BnR: Recordo que para além da carreira na arbitragem, fez carreira a nível militar. Acha que há semelhanças entre a vida militar e a arbitragem? O passado militar deu-lhe alguma vantagem quando, depois, veio a arbitrar jogos?

PH: Ser oficial do exército e ser árbitro de futebol tem coisas em comum: a adrenalina, a emoção, a gestão de pessoas e de momentos de alguma tensão, a actividade física e exigente, o rigor do treino, o espírito de missão, a motivação constante, o pouco reconhecimento público… Com todas estas coisas é fácil sermos um pouco loucos, mas muito apaixonados e envolvidos pela “tropa” e pelo “apito”.

BnR: Quais foram as suas grandes referências na arbitragem?

PH: Não tinha bem uma referência específica, tinha uma referência geral, de apreciar o futebol inglês e a forma como os árbitros interpretavam e dirigiam os jogos, daí, criei um estilo muito pessoal, de deixar jogar, privilegiar o contacto físico e de grande respeito e proximidade com os jogadores, treinadores e adeptos. Como diziam na altura, eu arbitrava à Inglesa.

BnR: Como é que se relacionava com os jogadores? Era próximo dos jogadores ou mantinha algum distanciamento?

PH: O segredo na vida está em pormo-nos no lugar dos outros quando nos relacionamos com eles. Se percebermos isto e soubermos o que significa: liderança, motivação, tomada de decisão, atitude, respeito, seres humanos, futebol e sobretudo paixão, o resultado só pode ser, para além de momentos constantes de felicidade, uma relação sistemática e permanente de excelência, neste caso concreto, com os jogadores ao mais alto nível, de forma fácil, tranquila e de enorme consideração e respeito.

Pedro Henriques foi árbitro profissional durante vários anos Fonte: Facebook Oficial de Pedro Henriques
Pedro Henriques foi árbitro profissional durante vários anos
Fonte: Facebook Oficial de Pedro Henriques

BnR: Arbitrou mais de uma centena de jogos em Portugal. Lembra-se de algum jogo em especial que lhe tenha sido mais complicado de gerir?

PH: Só guardo as recordações dos jogos que foram especiais pela positiva e que marcaram a minha carreira também de forma positiva. Destaco a minha estreia na 1º divisão em 2001-2002 no Santa Clara-Braga; a participação na final da Taça de Portugal em 2002-2003 entre FC Porto e União de Leiria; o primeiro dérbi Benfica-Sporting em 2005-2006; e o primeiro clássico entre Porto-Sporting em 2006-2007.

BnR: O que é que lhe proporcionava maior prazer em arbitrar?

PH: O prazer de arbitrar estava relacionado com o sentimento de que, para além de saber que estava a dar sempre o meu melhor, estava na modalidade que amo e a fazer uma coisa sem a qual não vivo (exercício físico de uma maneira geral e correr em particular). Depois, gosto de participar “por dentro” daquilo que eu gosto e das atividades às quais me entrego, ou seja, há os que fazem parte da história porque a ajudam a fazer e escrever, e há os outros, que apenas se limitam a contar essa história, e essa é a diferença que faz com que não perca tempo com aqueles que apenas sabem criticar e julgar.

Os 10 melhores centrais do Sporting da última década

sporting cp cabeçalho 2Ultimamente, a dúvida acerca da continuidade de Sebastián Coates na equipa do Sporting Clube de Portugal tem levantado algumas questões quanto à relação qualidade/preço deste e de outros jogadores que poderiam vir a substituí-lo. A verdade é que olhando para os últimos anos existem muitos centrais medianos que tiveram o seu lugar no clube. Ao olharmos para esta lista, muito provavelmente existirá uma grande percentagem de adeptos a apoiarem o esforço que o clube deve fazer pelo central uruguaio. Se Coates é um dos melhores da última década? É o que vamos ver.

10.º – Anderson Polga

Fonte: Super Sporting
Fonte: Super Sporting

Polga foi um jogador de extremos que, na sua passagem pelo Sporting, foi capaz do melhor e do pior, dividindo o coração dos sportinguistas. Apesar da sua inconsistência, o brasileiro jogou no clube durante nove épocas, perfazendo um total de 342 jogos oficiais com a camisola verde e branca. Fez parte da equipa que chegou à Final da Taça UEFA em 2005, mas foi depois disso, com a chegada de Paulo Bento, que teve o seu pico de rendimento. Foi titular indiscutível, envergou a braçadeira de capitão e foi o primeiro campeão do Mundo de seleções a jogar em Portugal.

FC Nantes: Conceição soma e segue

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Cabeçalho Liga Francesa

Depois de pendurar as botas, Sérgio Conceição, decidiu aventurar-se numa carreira de treinador principal. Conhecido pelo seu carácter emocional no mundo do futebol, o agora técnico do Nantes já orientou equipas como o Vitória de Guimarães, Olhanense, Braga e Académica de Coimbra. Em todas estas equipas do campeonato português não fez um mau trabalho, mas também não fez um trabalho em que lhe fosse reconhecido o mérito, e foi, talvez, por isso que decidiu começar uma nova etapa fora do seu país.

Chegou a França e abraçou o desafio de retirar rapidamente o Nantes da linha da água e assegurar, no mínimo, a manutenção na Ligue 1. Aquando aterrou no país francês, a equipa ocupava o penúltimo lugar da tabela e apresentava um plantel sem organização e qualquer harmonia.
A primeira vez que se sentou no banco dos “Canários” foi num jogo para a taça da liga francesa no qual derrotou o Montpellier por 3:1, e consomou a qualificação para os oitavos final da prova. A partir daqui foi sempre a somar, em seis jogos registou cinco vitórias e apenas uma derrota para os quartos-final da mesma taça da liga. No campeonato a equipa regista 4 vitórias seguidas, uma delas no difícil terreno do Toulouse.

Sérgio Conceição só sabe ganhar na Ligue 1 Fonte: F.C. Nantes
Sérgio Conceição só sabe ganhar na Ligue 1
Fonte: F.C. Nantes

Há pouco mais de um mês no clube gaulês, Sérgio Conceição já criou uma enorme cumplicidade com os jogadores do plantel. As mudanças nos hábitos mais comuns e na mentalidade da equipa, resulta num aperfeiçoamento do futebol praticado em campo. A equipa não tem medo de defrontar qualquer adversário, e joga agora sempre de olhos postos na vitória, bem ao estilo do ex-futebolista Conceição.

Depois das passagens por equipas nacionais, parece que é no futebol internacional que o português vai vingar. A sua forma de liderança é vista com bons olhos pelos adeptos do Nantes, que esperam que a sua equipa faça uma segunda volta segura e até mesmo surpreendente, com uma posição na primeira metade da tabela classificativa no final do campeonato. Já na taça de França o emblema amarelo e verde vai a Lille tentar sair de lá qualificado para a próxima fase, e quem sabe conseguir ir longe nesta competição.
O técnico tem agora uma excelente oportunidade para crescer como treinador e elevar o seu nome ao futebol internacional.

Afinal, de quem é a culpa?

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Cabeçalho modalidadesDecorreram, nos dois últimos fins-de-semana, as poules de apuramento das seleções de sub-20 femininos e sub-21 masculinos para o Campeonato do Mundo de 2017 e das seleções de sub-18 femininos e sub-19 masculinos para o Campeonato da Europa de 2017.

Mais uma vez, nenhuma das formações o conseguiu. Se num dos casos esteve perto e a oportunidade fugiu por uma unha negra, nos outros, o que se verificou foi mais do mesmo. E isto não é uma crítica: é a constatação de um facto.

Mas não quero entrar pela discussão dos resultados, quero antes tentar perceber o motivo dos mesmos.

Com o passar dos anos, as desculpas para os maus resultados a nível de seleções têm sido sempre as mesmas: falta de apoios, jogadores baixos, jogadores sem condições, falta de apoios (sim, a repetição é propositada!). Então, “pode” dizer-se que, ano após ano, a culpa é sempre de fatores exteriores, nunca vem de dentro. Não se olha para o trabalho desenvolvido e pela comunicação que é feita pelas entidades competentes. Se temos bons jogadores, porque os temos (não vamos dizer que não, basta ver alguns exemplos que estão nas melhores ligas internacionais: Miguel Rodrigues, Alexandre Ferreira, …), porque é que isso não se reflete nos resultados coletivos? E se a culpa estiver no pensamento e na mentalidade desportiva? Não atiremos sempre a culpa para os outros!

Fonte: Vanda Pinto
Fonte: Vanda Pinto

É preciso fazer mais, querer mais, mostrar mais, treinar mais. Não basta dizer que se quer. Não basta ser-se bom, é preciso fazer por isso. Ser bom jogador não implica ser bom atleta e de bons jogadores está o mundo cheio. E é preciso querer mais, não só da parte dos jogadores, mas nos vários lados da questão: dos jogadores, dos treinadores, dos dirigentes, dos diretores e de quem dirige a modalidade.

E nas seleções, em que à partida as condições são bem melhores do que nos clubes, porque é onde estão, supostamente, os melhores atletas e treinadores, onde há melhores condições de treino e onde se aposta mais, é que os resultados não estão de acordo com essas condições… É certo que os resultados não têm de estar numa proporcionalidade direta com a qualidade de trabalho, mas… Fica aqui a questão.

Com tudo isto não quero dizer que a culpa é exclusivamente interna (nem eu sou a pessoa mais competente e indicada para o dizer), até porque, na minha humilde opinião, não é. Mas isso fica para outro capítulo…

Foto de capa: Vanda Pinto

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

SL Benfica 6-2 Leixões SC: Rendição (in)completa

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Depois do terramoto de sábado, o Benfica voltou à Luz para cumprir as obrigações e responsabilidades de passar às meias-finais da Taça. O adversário apelava ao sentido de responsabilidade do colectivo benfiquista. A resposta, nesse campo, foi positiva. A superioridade nunca esteve em questão, mesmo depois da excelente resposta da turma leixonense, que forçou o Benfica a sofrer mais dois golos em casa. A equipa ainda enfrentou algumas dúvidas na ressaca do empate surpreendente. Kennedy, de regresso à Luz, e com cachecol leixonense ao peito, pode ficar orgulhoso. O jogo começou com uma toada lenta. Ainda assim, com o tempo – particularmente a partir dos 5 minutos -, a partida desenrolou-se nos moldes previsíveis.

Estava-se perante um Benfica dominador e controlador, a procurar a largura dos extremos e a sociedade Pizzi-Jonas para desequilibrar uma estrutura defensiva do Leixões, que, sendo coesa, ia cometendo lapsos aqui e ali. O Benfica aproveitou alguns desses lapsos para, no primeiro tempo, construir uma vantagem de três golos – o terceiro, de Jonas, é para rever. Pensava-se que o Benfica poderia construir uma goleada histórica. Antes do intervalo, o Leixões tentou atenuar essa sensação, com uma jogada típica dos comandados de Kennedy. Velocidade dos extremos e golo de Porcellis. Com a segunda parte, veio uma reacção (ainda) mais efectiva do clube do Mar. Com Bruno Lamas a comandar o ataque com visão de jogo e criatividade, o Leixões durante dez minutos caiu em cima de um Benfica relaxado.

É verdade que a equipa de Matosinhos não aguentou a pressão alta durante a segunda parte toda, mas foi sempre tentando surpreender a defensiva benfiquista. O Benfica, no segundo tempo, valeu-se da inspiração de Zivkovic – construiu lances que encantaram o pouco público da Luz – e da capacidade concretizadora de Mitroglou. Resultado? Mais seis golos e a garantia de profissionalismo, já com o Jamor em vista. Mesmo com alguns problemas, o Benfica recuperou da ressaca do empate. Seis golos ajudam sempre uma equipa de futebol.

 

Foto de Capa: SL Benfica

SC Covilhã 0-1 Vitória SC: A velha máxima “Quem não marca sofre”

Cabeçalho Futebol Nacional

Os quatro graus que se fizeram sentir no Complexo Desportivo da Covilhã estavam condizentes com a fase que se jogava da Taça de Portugal. A equipa da casa apresentou-se com a máxima força, querendo ser o David de outro Golias: o Vitória de Guimarães. Por sua vez, os visitantes não se deixaram ficar atrás, encarando este jogo com a seriedade que merece, apresentando também um onze forte nesta partida dos quartos-de-final.

No primeiro quarto de hora da partida o Guimarães foi mais dono da bola e tentou sempre chegar perto do último terço do campo. O Covilhã procurava surpreender através de saídas em contra-ataque, mas sem conseguir criar problemas para a defensiva dos vimaranenses.

A primeira vez em que os serranos chegaram com perigo à baliza de Miguel foi através de um remate à entrada da área de Diarra, que acabou por ser intercetado por Josué. No seguimento da jogada, a equipa visitante saiu em contra-ataque, criando também algum perigo através de um cruzamento de Raphinha.

Chaby, perto dos 20 minutos, após uma excelente iniciativa na extrema direita, conseguiu entrar na área vimaranense com relativa facilidade, mas acabou por deixar escapar a bola, tentando ainda Diarra rematar novamente à baliza, mas sem sucesso.

O Covilhã, apesar da sua entrada nervosa, começou a crescer no jogo, com boas oportunidades perto da área do seu adversário, dando trabalho à defesa da equipa da Primeira Liga. O jogo aparentava estar cada vez mais equilibrado, emocionante e prazeroso de se ver, não desiludindo os adeptos que se deslocaram em massa ao Complexo Desportivo da Covilhã.

O Vitória de Guimarães esteve perto do golo já na chegada ao intervalo. Após uma iniciativa particular de Soares, este sofre falta que resulta num livre perigoso à entrada da área do Sporting da Covilhã, em que Rapinha remata para uma excelente defesa do guardião, Igor, e na recarga Hernâni remata ao poste da baliza.

No início da segunda parte os leões da serra entraram bastante pressionantes, conseguindo chegar-se perto da baliza da equipa nortenha com perigo mais do que uma vez. Pedro Henriques, técnico do Vitória, apercebeu-se de que a sua equipa não estava a sair do seu meio-campo e decidiu colocar mais um elemento para este setor: Bernard.

Hernâni foi decisivo na vitória forasteira Fonte: FPF
Hernâni foi decisivo na vitória forasteira
Fonte: FPF

A pressão do Covilhã era cada vez mais forte, e perto do minuto 60 esteve mesmo perto de chegar à vantagem, através de um cabeceamento de Pintassilgo após cruzamento de Medarious. Numa tentativa de criar perigo, o Guimarães só conseguiu chegar perto da baliza de Igor através de um remate a meia distância de Soares que não chegou a criar preocupação.

Nesta fase do jogo os vimaranenses não conseguiam mesmo trocar a bola, muito por culpa da excelente organização defensiva da equipa treinada por Filipe Gouveia.

Completamente contra a corrente do jogo o Vitória de Guimarães chegou ao golo já na entrada dos dez minutos finais da partida. Após um bom trabalho na extrema direita do ataque vimaranense, surge um cruzamento de Bruno Gaspar para o segundo poste, onde Hernâni fuzilou com um remate portentoso as redes da baliza do Covilhã.

Até ao final do encontro, os da casa foram à procura do sonho de chegar à próxima fase da Taça de Portugal, mas já sem as forças com que começaram o segundo tempo. Com o futebol apresentado, principalmente na segunda parte, o Sporting da Covilhã não merecia este final. A equipa apresentou-se a um excelente nível e merecia mais. É de ressalvar a excelente atitude dos adeptos de ambos os conjuntos, que os apoiaram incansavelmente durante os 97 minutos.

Desta forma, o Vitória de Guimarães passa para as meias-finais da Taça de Portugal, onde irá defrontar o Chaves, equipa que derrotou o Sporting CP.

 

Foto de Capa: Bola na Rede

CAN 2017: Os empatas

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Cabeçalho Futebol Internacional

E já começou o CAN 2017! A principal competição futebolística disputada no continente africano teve o seu pontapé inicial no sábado (dia 14), com o anfitrião Gabão e a estreante Guiné-Bissau a disputarem a partida inaugural do torneio no estádio Stade de l’Amitié, situado na capital gabonesa Libreville. Neste texto, irei fazer um resumo geral do que se pôde assistir nos jogos dos quatro grupos nestes três primeiros dias da prova.

Começando pelo grupo A, como referenciado anteriormente, coube ao Gabão e à Guiné-Bissau darem as honras de abertura da prova, com um jogo bastante disputado entre ambas as seleções. O jogo terminaria com um empate a um golo, sendo que Pierre Aubameyang marcou o 1.º golo da edição de 2017, mas perto do final do encontro (aos 90+1’), Juary Soares, defesa-central do C.D. Mafra, marcou o golo do empate, o que lhe garantiu uma entrada direta nos registos históricos do futebol guineense, uma vez que marcou o primeiro golo de sempre da Guiné-Bissau num CAN. Quanto à outra partida do grupo A, as seleções dos Camarões e Burquina Faso decidiram “imitar” os seus outros dois oponentes, e acabaram empatados pelo mesmo resultado (1-1).

No 2.º dia de prova, entraram em ação Riyad Mahrez, Yacine Brahimi e Islam Slimani ao serviço d’As Raposas do Deserto (alcunha da seleção argelina) contra o Zimbabué. A expetativa era bastante elevada devido à qualidade futebolística destes três atletas, mas a seleção argelina foi surpreendida pelo força do coletivo adversário e não foi além de um empate a duas bolas, com o jogador do Leicester City, Riyad Mahrez, a evitar o primeiro resultado-surpresa do torneio, ao bisar aos 82’ e a estabelecer o 2-2 final. No jogo entre o Senegal e a Tunísia, assistiu-se à primeira vitória de uma seleção na prova, com os senegaleses a vencerem os tunisinos por 2-0, tendo o primeiro golo do encontro sido marcado de grande penalidade por Sadio Mané, atleta do Liverpool.

Gana-Uganda foi dos poucos jogos que não conheceu um empate no final Fonte: BeinSports
Gana-Uganda foi dos poucos jogos que não conheceu um empate no final
Fonte: BeinSports

No grupo C, a campeã em título, Costa do Marfim, não iniciou a sua prestação no CAN com o pé direito, uma vez que empatou 0-0 com o Togo, que contou com o experiente avançado Emmanuel Adebayor a titular. A partida entre as outras duas seleções que compõem este grupo (República Democrática do Congo e Marrocos), terminou com a vitória-surpresa da congénere congolesa por 1-0, com o Congo a terminar a partida com apenas 10 elementos em campo, pois Lomalisa Mutambala foi expulso aos 81´ por acumulação de cartões amarelos, mas apesar desse duro revés, os congoleses conseguiram aguentar a vantagem mínima até ao final do jogo.

No último dia da 1.ª jornada da fase de grupos, o Gana confirmou o favoritismo que trazia consigo antes do início do encontro com o Uganda, e venceu por 1-0 – golo apontado por André Ayew, através da conversão de uma grande penalidade. No que diz respeito ao jogo entre o Mali e o Egito, não se observou uma fuga da tendência dos restantes jogos disputados: empate a zero entre os dois conjuntos. Duas notas importantes a ser referidas em cada um dos lados: Moussa Marega foi titular pela seleção maliana e atuou os 90´, ao passo que do lado egípcio, o guarda-redes Essam El-Hadary , com 44 anos de idade, tornou-se no mais velho jogador de sempre a participar num CAN, quando aos 25´ substituiu o lesionado Ahmed El-Shenawy .

Em jeito de balanço, o que se concluí acerca da 1.ª jornada da fase de grupos é que a maior parte das seleções participantes demonstraram uma pouca vontade em querer arriscar tudo no 1.º jogo, com um enorme receio de perderem os seus respetivos jogos, mas isso pode ser justificado pelo típico “nervoso-miudinho” que surge sempre no início de provas de alto calibre, como é exemplo o CAN. Para a próxima jornada, é de se prever que os jogos sejam mais abertos e que surjam mais golos para inverter a atual situação: apenas 12 golos marcados nas 8 partidas.

Foto de capa: DailyMail