Fui ao pavilhão municipal para assistir ao encontro que punha frente-a-frente as equipas do Sporting Clube de Tomar e o Futebol Clube do Porto e saí de lá com uma grande certeza: não há muitas equipas em Portugal que consigam impor tantas dificuldades à formação azul e branca como as colocadas hoje pela turma nabantina. Este jogo foi a prova inequívoca de que não é por acaso que os leões estão nas posições cimeiras, e hoje o resultado caiu para os dragões, mas qualquer uma das equipas podia efetivamente ter ganho o encontro e os três pontos, ou podia pelo menos ter havido uma divisão de pontos.
Mas vamos aos factos do encontro, que na primeira metade teve variadas oportunidades de golo junto de ambas as balizas, e no entanto terminou com apenas um golo favorável ao Porto, tento esse sido apontado por Telmo Pinto. A metade complementar trouxe a mesma imprevisibilidade ao jogo, muito bem disputado e com ocasiões para os dois lados.
A bancada central estava bastante bem composta neste jogo frente ao FC Porto Fonte: SC Tomar
A cerca de dez minutos do fim, o estádio explodiu com o golo de Ivo Silva, concluindo de forma perfeita uma grande jogada coletiva. E a festa só não foi ainda maior porque o mesmo jogador que apontou o golo, embora tenha tido uma oportunidade de ouro para poder virar o resultado, não converteu o livre direto em castigo resultante da décima falta dos portistas.
Outro momento decisivo foi o cartão azul mostrado a João Lomba, que deu um livre direto ao adversário, defendido pelo guardião tomarense, mas que deixou a sua equipa em inferioridade numérica numa fase decisiva do jogo, permitindo aos dragões levar três pontos bem suados na bagagem.
Apesar deste desaire, o SC Tomar continua o seu percurso tranquilo pela classificação, contando com seis pontos em quatro jogos, fruto de duas vitórias e tantas outras derrotas, estando para já em sexto lugar mas com tendência para descer um ou outro lugar, pois ainda falta jogar todos os outros emblemas.
Do Vizela para o Boavista, João Silva, mais conhecido nos relvados por Talocha, é atualmente um dos titulares do onze da formação orientada por Miguel Leal e um dos destaques do campeonato na sua posição. O Bola na Rede esteve à conversa com o jogador sobre o seu percurso e as dissemelhanças entre o Campeonato de Portugal Prio e na Liga NOS.
Bola na Rede (BnR): Começaste a praticar futebol desde muito cedo nas camadas jovens do Famalicão, de onde és natural. O que é que te atraiu particularmente neste desporto? Tens algumas referências?
Talocha (T): Sim, comecei muito cedo no futebol, uma vez que em casa o futebol era um tema muito falado. O meu pai praticava futebol, foi muitos anos jogador do Famalicão e, então, apanhei aí o vício do futebol. Relembro que a alcunha Talocha também foi herdada do meu pai.
BnR: Na temporada 2013/2014 deu-se a tua mudança para o Vizela, clube onde permaneceste durante três épocas e realizaste perto de uma centena de partidas oficiais. Como analisas o teu percurso pelo clube?
T: A mudança foi muito pensada, mas são as opções da vida. Decidi optar pelo trabalho e pelo futebol. Poucas pessoas entendiam e eram contra a minha decisão. Aí surgiu o Vizela, um clube com história e eu não hesitei: disse logo que sim. Estava pronto para a mudança e para dar o meu melhor. Na primeira época cheguei e consegui agarrar o clube. Foi uma época em que superamos as expetativas de toda a gente e ficou muito perto o sonho. Na segunda época superamos tudo na primeira fase, mas, devido a um caso raro, não conseguimos a fase de subida. Na terceira época, aí sim, conseguimos o pleno: a tão desejada subida de divisão que aquele clube merecia por todas as pessoas que o envolvem. Foram muitas partidas. Que me lembre, falhei duas na primeira época e uma na segunda. Na terceira época fui totalista. Resumindo, foram três épocas muito boas e onde posso dizer que fui muito feliz.
BnR: Uma inolvidável prestação individual frente ao Sporting nos oitavos de final da 75ª edição da Taça de Portugal colocou o teu nome em evidência na imprensa desportiva. Sentiste, alguma vez, que estarias próximo de dar um passo maior na carreira?
T: Esse dia vai ficar para a vida, claro. Não são todos os dias que se fazem dois golos ao Sporting. Sentir que poderia dar o salto, uma pessoa sente sempre. Quem anda no futebol tem sempre a esperança de dar o salto na carreira e não ia ser por esse jogo que iria pensar ainda mais. É bom aparecer na imprensa, mas o sonho já estava há muito na cabeça.
Talocha nos tempos do Vizela Fonte: Vizela Digital
BnR: Foi como lateral esquerdo que te destacaste ao serviço do Vizela e, numa votação da Federação Portuguesa de Futebol, foste, inclusive, considerado o melhor jogador do Campeonato de Portugal nessa mesma posição. Podes ocupar outras posições no terreno de jogo?
T: O prémio de melhor lateral é sempre um motivo de orgulho. No campo, sim, posso ocupar outras posições como, por exemplo, defesa central e também já joguei como lateral direito, mas essa foi mesmo por necessidade.
BnR: Despertaste, também no Vizela, a atenção de outros emblemas, tendo surgido a proposta do Boavista. Como reagiste? Recebeste outras propostas?
T: Fiquei muito contente, de sorriso nos lábios, o normal… O sonho estava ali tão perto, ainda para mais do Boavista, um clube histórico do futebol português. Foi a primeira proposta que recebi e, como estava do meu agrado, assinei logo.
Portugal venceu esta noite a Itália na final do Campeonato Europeu de Hóquei em Patins Sub-20 por 3-1. Assim se fez história em Pully, pois pela primeira vez, conseguiu conquistar um pentacampeonato e igualou o feito conseguido pela Espanha entre os anos de 1995 e 1999.
A primeira parte, começou com duas equipas a procurarem impor um bom ritmo na partida e com vontade de atacar a baliza contrária, obrigando os guarda-redes a estarem com a atenção no nível máximo.
Os primeiros dez minutos de jogo, apresentaram uma seleção italiana a variar entre ataques mais longos ou mais objetivos, enquanto a seleção lusa, procurava atacar a baliza adversária mais pela certa e com oportunidades de perigo real. Por sua vez, nos segundos dez minutos e numa altura em que Portugal parecia estar melhor, a Itália chega ao golo por intermédio de Francesco Compagno. O conjunto orientado por Luís Duarte, respondeu muito bem e num par de minutos Gonçalo Nunes, primeiro com uma grande arrancada e depois com uma seticada antes de meio campo, virou o resultado para 2-1.
Enorme resposta de Portugal ao golo sofrido e com Gonçalo Nunes a voltar a ser um elemento chave na reviravolta que permitiu à seleção portuguesa ir a vencer para o intervalo.
Cerca de 750 pessoas lotaram o pavilhão da cidade de Pully para ver a final do Europeu Fonte: Pully 2016 / U-20 European Rink-Hockey Championchip
No segundo tempo, Portugal entrou melhor e logo aos quatro minutos, erro defensivo italiano e Gonçalo Pinto aproveitou para servir o solto Pedro Batista que não desperdiçou e fez o 3-1.
Com uma desvantagem de dois golos, a Itália foi à procura de igualar o encontro. Porém, o conjunto orientado por Massimo Mariotti tinha pela frente um muro chamado Tiago Rodrigues, que parava tudo o que tinha feita frente e de todas as formas. Fosse com as luvas, caneleiras ou mesmo capacete, o esférico não entrava. Apesar deste ímpeto italiano, a seleção portuguesa não se limitava a defender, pois Bruno Sgaria ainda teve vários lances onde grandes defesas mantiveram a sua nação dentro de jogo.
Portugal conseguia manter o controlo do jogo e ia fechando ao máximo os caminhos para a sua baliza. Contudo, a faltarem menos de sete minutos para o final, Davide Gavioli “cavou” autenticamente uma grande penalidade, mas Compagno acabou por atirar ao lado. Na sequência do lance, Compagno arranca um novo penalti, que desta fez se juntou a um cartão azul para o guarda-redes português Tiago Rodrigues. Este tipo de situação que origina este penalti é um lance onde eu, pelo menos, considero que os guarda-redes deveriam ser mais protegidos, pois tal como mostraram as imagens, Tiago Rodrigues procura a defender a bola e nunca fazer falta sobre Compagno. Para o seu lugar entrou o frio Diogo Brandão. Algo que não foi problema para ele, visto que não só parou o penalti de Compagno, como também a recarga.
Em superioridade numérica em pista, a Itália nunca conseguiu criar grande perigo para a baliza de Diogo Brandão e Portugal ultrapassou os dois minutos com três jogadores de campo totalmente ileso. Curiosamente, só com a reentrada do quarto jogador pista é que a Itália voltou a criar perigo, mas retornou a ter pela frente o muro Tiago Rodrigues, que continuava a parar tudo e assim segurou o resultado de 3-1 até ao final do jogo.
Vitória justa da seleção portuguesa, que tal como no jogo de ontem voltou a ser mais eficaz, mas também contou com uma enorme exibição, mais uma, do seu guarda-redes Tiago Rodrigues e como se costuma dizer, um bom guarda-redes é mais de 50% de uma equipa.
Desta forma, a Federação de Patinagem de Portugal fecha o ano de seleções com as conquistas dos Europeus de seniores e sub-20 e os segundos lugares no Europeu de sub-17 e no Mundial feminino sénior.
Devo antes de mais deixar-vos a mensagem de que este artigo é escrito sobre um desapontamento que há muito não sentia… Quem é do Sporting Clube de Portugal, sabe bem que temos de travar uma guerra contra uma espécie de tendência (vou chamar-lhe assim) que nos últimos anos se instalou no nosso futebol, tem plena noção de que não combatemos com armas iguais e que quando não executamos a nossa parte com sucesso, complicamos uma tarefa que só por si é complicadíssima.
Partimos desta forma, para o jogo que irá decidir a nossa participação na Liga dos Campeões 2016/2017, imbuídos num espírito que havia há muito deixado Alvalade. Uma aura de desconfiança e descrença pela nossa equipa e por quem guia os seus destinos.
Pedem-nos que acreditemos, mas entendam que neste momento a dificuldade em fazê-lo é imensa! Temos todas as nossas esperanças depositadas nesta equipa, propusemo-nos a nós mesmos que não deixaríamos o nosso velho rival atingir algo inédito na sua história e fizemos a nossa parte. Enchemos Alvalade, seguimos a equipa para todo o lado e cantámos até que a voz nos doesse. Mas não recebemos por parte da equipa aquilo que merecemos, não saboreamos uma vitória para a Liga desde 23 de Setembro e nestas cinco semanas, apenas ganhámos ao débil Famalicão num jogo a contar para a Taça de Portugal.
Os adeptos leoninos sabem o que querem e cumprem com a sua parte Fonte: Sporting CP
Deveria basear este artigo numa antevisão ao jogo de Dortmund que se realizará na quarta-feira, mas tenho de deixar sair a minha frustração e explicar o que sinto em relação ao clube que amo, do fundo da minha alma e do meu ser. Tenho que dizer que, para mim, a maioria dos jogadores do plantel não entende o que é o Sporting para nós e o que está em jogo. Dos jogadores (de campo) disponíveis, ninguém está a interiorizar a mensagem e a forma como devem atacar as suas partidas! E sim, estou a incluir William Carvalho neste grupo, parece-me que as declarações que proferiu após o jogo com o Nacional da Madeira demonstram que não está imbuído do espírito de “vitória a qualquer custo”. Não duvido que seja sportinguista, mas acredito que olhe para o seu papel de actual capitão, apenas como mais uma tarefa da sua profissão e que se não der, não dá…
Adrien marca essa diferença! O verdadeiro capitão do Sporting Clube de Portugal, demonstra com a sua atitude em campo (e mesmo depois da sua eventual saída), que entende o nosso sentimento e desejo de vitória! Luta com todas as suas forças e empresta uma qualidade ao nosso meio-campo que neste momento mais nenhum jogador do plantel consegue igualar!
Começou! O basquetebol gourmet voltou esta terça-feira e ninguém quer perder pitada. As expectativas estão mais altas que nunca, e as longas noites de sono são agora proibidas. Estão lançados os dados e só irão parar de rolar com o coroar do campeão a meioa Primavera.
Os seis principais destaques dos primeiros jogos da nova época da NBA:
UM – Um anel para Ohio
Fonte: Cleveland Cavaliers
O anel que simboliza a conquista da época passada foi entregue no primeiro jogo dos Cavs no Quicken Loans Arena. E que forma brilhante de começar a temporada, em festa, celebrando esta árdua conquista, e lembrando às restantes 29 equipas qual é a grande meta. O anel em si é fantástico, celebra a cidade que ansiava pelo primeiro título há mais de 40 anos.
Dentro de campo também não existiram surpresas. O campeão impôs-se com natural tranquilidade sobre os Knicks com uma exibição de gala do seu líder – Lebron James arranca a época com triplo duplo.
Depois de saber do resultado positivo do SL Benfica e do resultado menos conseguido do Sporting CP, o FC Porto deslocou-se ao Bonfim com o intuito de manter a mesma distância pontual para atacar o primeiro lugar e alargar a distância que o separa do terceiro. Nuno Espiríto Santo fez questão de lançar Otávio, já recuperado de lesão, relegando para o banco o mexicano Corona. Já a equipa de Setúbal, prescindiu de Frederico Venâncio por problemas físicos e viu-se obrigada a não convocar Zé Manel (emprestado pelo Dragões). José Couceiro apostou em Fábio Cardoso e André Claro para render os dois jogadores relegados.
O Vitória FC entrou bem no jogo, impedindo que a equipa da Invicta o assumisse e criasse perigo. Os Dragões não conseguiram impor o seu domínio no meio campo e, consequentemente, não chegavam com perigo ao último terço do terreno. Decorridos os primeiros quinze minutos de jogo, a turma de Espírito Santo começou a recuperar mais rapidamente a bola e conseguiu encostar a formação orientada por Couceiro ao seu meio campo defensivo. Felipe aos 18´e André Silva aos 19´ fizeram os primeiros remates mais perigosos do encontro. Mas a equipa nortenha só conseguiu mesmo pôr em sentido Bruno Varela aos 25 minutos. Na sequência de um canto mal batido pelo Vitória FC, Diogo Jota arrancou e levou a bola até à grande área sadina e deu de bandeja o golo a Óliver que só tinha de finalizar. O jovem espanhol não rematou da melhor maneira e proporcionou uma grande defesa a Bruno Varela. Aos 30´, foi a vez de Diogo Jota falhar. O jovem avançado português não respondeu da melhor maneira a um enorme cruzamento de Alex Telles. Os Dragões estavam por cima do jogo e criaram mesmo outra boa oportunidade aos 33 minutos. André Silva serviu o mexicano Herrera que não conseguiu enquadrar o seu remate com a baliza. A equipa azul e branca merecia ter ido para o descanso com outro resultado.
As equipas regressaram ao campo para disputar a segunda parte sem alterações. Os Dragões entraram nos primeiros minutos desta parte com todo o gás. Layún e Otávio combinaram bem, mas André Silva não conseguiu cabecear da melhor maneira a um cruzamento do mexicano aos 48 minutos. O FC Porto acelerou mais com o decorrer da segunda parte e Diogo Jota teve outra grande oportunidade para inaugurar o marcador. O guarda-redes sadino fez uma defesa do outro mundo depois de um cabeceamento do jovem jogador português, já dentro da pequena área. Um dos grandes momentos do jogo protagonizado ao minuto 55´. Na última meia hora de jogo e com a subida de linhas de ambas as equipas, o jogo tornou-se mais partido e o golo poderia pender para qualquer uma das formações.
Ambos os treinadores procuraram serenizar o encontro fazendo as primeiras alterações na equipa. Corona no lado dos Dragões e Arnold no lado sadino foram as primeiras apostas vindas do banco. Mesmo com as substituições, o jogo continuou partido e o Vitória FC ameaçou a baliza de Iker Casillas em algumas ocasiões, mas sempre sem muito perigo. Nos últimos quinze minutos o jogo foi de sentido único. A equipa sadina conseguiu manter a baliza defendida por Bruno Varela inviolável devido a um enorme espírito de compromisso e a muita concentração por parte dos seus defesas. Destaque para a grande penalidade não assinalada a favor da equipa azul e branca aos 83´. Vasco Fernandes provocou a queda de Otávio mas o árbitro João Pinheiro considerou que o brasileiro simulou. Os Dragões não tiveram a sorte nem o pragmatismo para marcar o golo que lhes garantiria a vitória e terminam esta jornada a cinco pontos do líder, SL Benfica. É obrigatória uma vitória no Dragão.
“Tenho um orgulho enorme em ter jogado no FC Porto”
Bola na Rede (BnR): O futebol sempre foi uma ambição na sua vida?
Domingos Paciência (DP): A minha história é simples, era uma criança de bairro que passava o tempo a jogar futebol, num meio sem grandes condições. Foi ai que cresci e sempre sonhei que podia ser jogador de futebol, na altura ouvia falar no que uma carreira dessas podia dar. Comecei na Académica do Leça, em Futsal e depois tive oportunidade de treinar no Porto e ai começa o sonho.
(BnR): Falar do FC Porto é falar de grande parte da sua carreira. O que significa o clube para si?
(DP): Significa muito. Quando somos crianças, vamos seguindo os exemplos que nos ajudam no futuro. Entrar no Porto foi uma mudança radical no meu crescimento. Além do gosto que se ganha e da família que se constrói, pelos amigos que temos, estou agradecido por tudo o que o Porto me deu e bastante orgulhoso por ter feito parte daquele clube.
Fonte: SVPN
(BnR): Partilhou também o balneário com Mario Jardel. Chegou a conhecer a outra faceta que Jardel mostrou mais tarde ou na altura só existia o craque?
(DP): Eu conheci o Jardel bem. Chegou no ano em que tinha sido o melhor marcador do campeonato e tive uma lesão na primeira jornada e ele aproveitou essa oportunidade. É uma pessoa fantástica, infelizmente não teve o acompanhamento certo para poder crescer como homem, é uma pessoa demasiado boa, não vê maldade em nada e acabou por ter o caminho que todos sabem. Mas como jogador, principalmente de cabeça era fantástico, até dizia que ele não cabeceava, ele rematava com a cabeça.
(BnR): Para além do FC Porto, o outro único clube que conheceu foi o Tenerife. Que memórias guarda da passagem pelo clube espanhol?
(DP): Não são as melhores. Foi um clube que queria subir de patamar mas não conseguiu. É muito difícil em Espanha, por muito que se queira, meter uma equipa assim a lutar pelo título, acaba sempre para os mesmos. Mas fiz várias amizades, gostei de estar lá, apesar de em termos desportivos não serem os melhores anos. Não me arrependo de ter ido, aliás, a única coisa de que me arrependo é o facto de não ter ido para o estrangeiro mais cedo, poderia ter tido outro tipo de carreira a nível internacional.
(BnR): Quais as diferenças entre ser jogador de futebol na sua altura e ser jogador de futebol actualmente?
(DP): São muitas. Eu apanhei 3 gerações no futebol, aquela que foi campeã europeia, depois a minha, com Baia, Jorge Costa, Fernando Couto e depois os jovens a seguir à minha. O que digo é que o futebol hoje é diferente. As pessoas antes assistiam a um jogo aberto, com muitas mais hipóteses de o golo acontecer. As equipas eram tecnicamente mais evoluídas e os jogadores eram escolhidos pela sua qualidade técnica. Hoje o jogador está formatizado, entra mais numa ideia de colectivo e de equilíbrio de sectores. Hoje para aparecer um jogador que faça a diferença é preciso contar pelos dedos, enquanto o no passado víamos jogadores como Futre ou Chalana.
(BnR): Quando voltou do Tenerife, falou-se que o Sporting esteve muito perto de o contratar, mas quando o Porto mostrou interesse, nem pensou duas vezes em voltar. Foi o amor ao clube que o fez regressar ao Porto?
(DP): Sim. Não foi só o Sporting, também estive perto de assinar pelo Benfica. Há uma questão que é evidente. Temos dois tipos de profissionais, o que o faz por amor à profissão e o que o faz por amor ao clube. Eu tive de distinguir isso a partir de certo momento. Se as pessoas não estão interessadas nos meus serviços, mesmo sendo pessoas que estão à frente do clube de que adoro, tenho de seguir a minha carreira. Ia fazendo como jogador e fiz como treinador. Mas a partir do momento em que existiam propostas de outros clubes mas as pessoas do Porto disseram que precisavam de mim, eu assinei, pois sentia-me em casa. Como treinador foi o mesmo. Só optei por outros clubes porque o Porto nunca mostrou interesse.
(BnR): Que treinador o marcou mais enquanto jogador?
(DP): Falo sempre de um treinador que tive em Espanha e que serve de referência também ao Guardiola. Hoje percebo essa admiração do Guardiola. É o Juanma Lillo. Tinha uma forma de trabalhar e de comunicar diferente. Mas também seria injusto dizer que outros treinadores não foram importantes, como o Bobby Robson, como o Ivic, Carlos Alberto Silva, Fernando Santos. Com todos eles aprendi aspectos que valorizo enquanto treinador mas também aspectos que não devo seguir.
Bela, dinâmica, guerreira e vencedora. Começam a faltar adjetivos para descrever a nova coqueluche do desporto português. Com uma habilidade e uma inteligência acima da média para lidar com pressões e elogios, a nossa melhor atleta olímpica de sempre no triplo salto não se fica por aqui. Como uma perfeita personificação da força, da garra e da ambição feminina, ela quer mais. Mais para si, mais para os seus e mais para o desporto nacional.
Na passada quinta-feira, no Estádio 1.º de Maio, em Lisboa, o Bola na Rede esteve à conversa com a menina bonita do atletismo nacional, Patrícia Mamona.
Bola na Rede (BnR): Não há dúvidas de que está a ser um ano brilhante para ti. Em Julho, foste medalha de ouro no Campeonato Europeu em Amesterdão, estabelecendo um novo recorde nacional. Um mês depois, nos Jogos Olímpicos do Rio, obtiveste o 6.º lugar, conseguindo o melhor resultado nacional de sempre no triplo salto feminino e superando a tua marca no Europeu. És nomeada Comendadora da Ordem de Mérito e, recentemente, viste o teu trabalho premiado com a renovação de contrato com o Sporting. O que é que te falta? Quais são as metas que ainda desejas atingir?
Patrícia Mamona (PM): Tenho campeonatos do mundo para fazer e tenho uns Jogos Olímpicos em que quero participar de certeza, que são os de Tóquio. Tudo isso são objetivos traçados.
Este ano tenho o Campeonato da Europa de Pista Coberta, e, agora com os resultados do verão, quero continuar a estar em boa forma e a lutar pelas medalhas. Embora seja um bocadinho mais cedo na época, não deixa de ser importante estar presente e lutar por esse título, que acabaria por completar o quadro de títulos de Campeã da Europa.
Depois tenho os Campeonatos do Mundo, que são a competição mais importante deste ano, onde vão estar todas as raparigas que estiveram nos Jogos Olímpicos. Vai ser uma oportunidade para fazer melhor que o 6.º lugar. É focada nisso que eu estou neste momento, e, se continuar a trabalhar e tudo correr bem, sei que daqui a quatro anos, em Tóquio, também vou estar em grande forma.
Patrícia Mamona em entrevista ao Bola na Rede Fonte: Filipe Gonçalves
BnR: A comitiva nacional presente nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, apesar de numerosa, acabou por trazer para casa apenas uma medalha: o bronze da judoca Telma Monteiro. Que balanço fazes da prestação portuguesa nestes Jogos Olímpicos? E, se tivesses de o fazer, como descreverias o estado atual do atletismo português?
PM: Está entre o razoável e o positivo. Acho que precisamos de um pouco mais de incentivo a nível da alta competição. Senti um grande apoio nos últimos anos, não só do Comité Olímpico como também da Federação Portuguesa de Atletismo, e isto permitiu aos atletas estarem mais seguros e conseguirem alcançar resultados positivos nestes Jogos Olímpicos. O público estava à espera de medalhas mas não é uma coisa muito fácil… É uma coisa que dá trabalho. Não é fácil conseguires chegar lá. Só o facto de termos muitos atletas qualificados para os Jogos Olímpicos já foi uma grande vitória para nós. Espero que o estado do atletismo continue a evoluir; estou contente porque as notas de Educação Física agora contam para a média, e os professores se calhar vão puxar um bocado mais pelos alunos, não só pela parte lúdica mas também pela parte competitiva. Esse também é um caminho para fazer evoluir o desporto no geral.
Finalizada a fase de grupos da 50.ª edição do Campeonato Europeu Sub-20 de Hóquei em Patins, a realizar-se na cidade de Pully, na Suíça, tiveram início as eliminatórias que vão encontrar o futuro rei da Europa.
Nos quartos-de-final, Portugal defrontou a seleção da casa, ou seja, a Suíça, que goleou por 8-0. Os primeiros 20 minutos demonstraram um Portugal com total controlo do encontro, embora isso não tenha tido efeitos diretos no marcador.
O conjunto luso fez o 1-0 aos cinco minutos, por intermédio de Gonçalo Nunes, que ao ver o mau posicionamento de Nicola Tommasi aproveitou para atirar a contar. Cerca de quatro minutos depois, do lado direito do rinque, o mesmo Gonçalo Nunes tirou partido da sua velocidade para disparar para o 2-0 no encontro. No entanto, o guarda-redes suíço deveria ter feito mais, visto que a bola entra numa zona dita proibida, como é o primeiro poste.
Até ao final do primeiro tempo, a Suíça ainda assustou Portugal por algumas vezes, mas Tiago Rodrigues segurou a vantagem de 2-0, resultado com que se chegou ao intervalo.
A entrada para o segundo tempo não foi diferente e a Suíça continuou à procura de marcar, mas Diogo Brandão, guarda-redes que substituiu Tiago Rodrigues ao intervalo, manteve as redes nacionais invioláveis.
Ultrapassada a fase de maior ímpeto da Suíça na partida, Portugal voltou a pegar no jogo e, finalmente, começou a acertar com a finalização. Nos últimos dez minutos foram seis os golos marcados pela seleção portuguesa. Rafael Lourenço (3), Gonçalo Conceição (2) e António Trabulo assinaram os restantes golos que permitiram o 8-0 final.
A fazer cumprir a regra dos jogos de um dos grandes, o Sporting entrou forte na Choupana para revirar a tendência da jornada anterior. Com o onze expectável, sem Elias e com Bruno César ao lado de William, a área madeirense sofreu o cerco inicial que sugeria a imposição leonina no terreno.
Reflectindo este fluxo, a grande penalidade assinalada correctamente aos nove minutos num lance faltoso com Coates parecia a chave para a primeira porta do jogo – que tantas vezes é a mais complicada de abrir. Mas a história foi sendo outra após o insucesso da conversão de William Carvalho. Assim, os minutos iniciais do Sporting, com propulsão ofensiva e dinâmica constante, deram lugar a um futebol superficial, sem intensidade e, à primeira análise, com dois factores tácticos de determinado relevo: Bryan Ruiz, um pouco devido à recaída do meio-campo do Sporting nos últimos jogos, esteve pouco presente na zona central, tal como Jorge Jesus foi gesticulando durante o jogo; soma-se ainda o desaparecimento de Markovic, que embora sem o toque de mágica do passado, foi condicionado pelo trabalho de Aly Ghazal no bloqueio, nas transições entre linhas.
Via-se então uma partida a ser moldada ao gosto do Nacional, dando o controlo da bola em maioria ao Sporting, mas sabendo actuar nos momentos certos, apoiando-se de uma defesa assertiva que teve como principal representante o lateral Victor Garcia, que, com o campeonato em fase primária, já terá feito um dos melhores jogos da sua época. Esteve aqui, durante toda a primeira parte, a equação que explica o que aconteceu em campo: um Sporting com pouca qualidade, onde nem o brilhantismo de Gelson Martins se insinuou, em choque com a inteligência dos madeirenses para perceber o que o jogo ia pedindo, convidando o adversário a perder espaço nas costas. Um primeiro tempo com apenas quatro remates, já contando com a penalidade de William Carvalho, que foi igualmente uma das poucas chances que o Sporting teve para abrir o activo. Muito se tem falado na ausência de Slimani e na qualidade do seu trabalho táctico. É certo que Bas Dost não é igual ao argelino, e que não se pode pedir aquilo que não pertence à nossa natureza. Porém, parte da ineficácia do holandês deve-se, também, à falta de jogo que potencie o ponta-de-lança com que o Sporting conta. E pertence à teoria mais elementar do futebol a tese de que, tendo um avançado muito sólido posicionalmente, a criatividade nas alas ou a exploração das bolas directas têm de ser prementes. E não foram.
Houve apenas uma jogada clara deste género durante os noventa minutos, não tendo Bas Dost o espaço e o tempo para finalizar da melhor forma. Talvez seja este o melhor mote para ilustrar uma segunda parte que voltou a reforçar o sucesso da estratégia de Manuel Machado, que voltou no segundo tempo a ser sustentada por uma grande qualidade defensiva, que possibilitou algumas vezes o contra-golpe com perigo até à baliza de Rui Patrício, à imagem do sucedido no lance da bola que embateu na barra aos 63 minutos, após defesa do guardião verde e branco. Embora seja clara a existência de outra falta para grande penalidade após a infracção sobre Bruno César, o final da partida aproximou-se trazendo os antípodas daquilo que se registou no começo do jogo. Um Nacional que se habitou a estar mais perto da baliza contrária do que propriamente a concentrar-se na tarefa defensiva foi, em suma, o sintoma final de um Sporting sem brilho e desorientado em muitos momentos, tendo a bola mas não sabendo o que com ela fazer, ansiando a qualquer altura por uma ruptura individual que provocasse uma oportunidade. As próprias substituições, exceptuando Campbell, que agitou a zona ofensiva com alguns movimentos, não expressaram qualquer alteração substancial, voltando a ser necessário frisar o trabalho do meio-campo madeirense no terreno entrelinhas, impossibilitando sempre a permanência da posse do Sporting na zona central com Alan Ruiz. Analisando as estatísticas e pensado naquilo que resultou do jogo, embora seja óbvio o mérito de Manuel Machado, a culpa, desta vez, voltou a vestir-se de verde e branco.