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Vitória sem espinhas rumo à final do Mundial

Cabeçalho modalidadesNas meias-finais do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins feminino, a decorrer na região de Iquique, Chile, a seleção portuguesa teve pela frente a vice-campeã mundial, França, conjunto que chegou até esta fase da competição ao ter eliminado, na véspera, as anfitriãs Marcianitas, nome pelo qual é designada a seleção Chilena. Por sua vez, Portugal derrotou a Alemanha por 5-4 no golo de ouro. Foi um jogo que quase ia deitando por terra as aspirações lusas de vencer pela primeira vez um mundial. Foi Marlene Sousa quem se encarregou de marcar e de levar Portugal para as meias.

As jogadoras portuguesas entraram no encontro decididas a assumir as despesas da partida, tanto que o jogo apenas tinha um sentido, que era o da baliza de França. Portugal dominava o jogo sem qualquer tipo de dificuldade, trocando bem a bola e procurando entrar no quadrado azul, que apesar de compacto nem sempre tapava os caminhos das redes de Flora Michoud-Godard. A pragmática vice-campeã mundial, tal como tinha feito no dia anterior com o Chile, limitava-se a procurar saídas rápidas em contra-ataque ou então lances de meia-distância.

Os minutos passavam e o conjunto nacional não conseguia marcar. No entanto, já perto do final do primeiro tempo, numa fase em que o jogo estava mais equilibrado, Portugal faz o 1-0. Através de uma jogada de insistência, onde Marlene Sousa colocou a bola no interior da área à procura de servir Maria Sofia Silva, o esférico acabou por embater em Fréderique Denest, que a introduziu no fundo da baliza francesa.

Neste lance Rute Lopes fica muito perto do golo Fonte: Mundial de Hockey Patín Iquique 2016
Neste lance Rute Lopes fica muito perto do golo
Fonte: Mundial de Hockey Patín Iquique 2016

Chegado o intervalo, a seleção portuguesa vencia por 1-0, vantagem escassa para o volume de oportunidades que o conjunto luso tinha criado na primeira parte. A segunda metade do encontro começou da melhor maneira para as cores nacionais: logo ao minuto e meio Portugal beneficiou de uma grande penalidade, que Renata Balonas não desperdiçou, e atirou para o 2-0.

O coletivo comandado por Carlos Pires continuava com o comando do jogo, mas tal como tinha acontecido no primeiro tempo o golo voltava a ficar difícil para as portuguesas. Contudo, com o tempo a passar França começava a procurar construir mais jogo ofensivo, situação que Portugal aproveitava para sair em contra-ataque. Depois de várias tentativas, o 3-0 surge. Rute Lopes recupera uma bola a meio campo e, numa situação de dois para um, serve Marlene Sousa, que sem dificuldades atira a contar.

França tentava, a todo o custo, inverter a tendência da partida mas a seleção portuguesa conseguia controlar o jogo, tendo a posse de bola e esgotando os 45 segundos de ataque, não deixando de procurar, sempre que possível, a baliza de Les Bleus. Exemplo disto é o quarto golo de Portugal. Bela movimentação das jogadoras portuguesas, que terminou com a conclusão de Rute Lopes à boca da baliza. A tão desejada final estava quase garantida.

Para acabar com todas as dúvidas, Portugal ainda fez o 5-0, num golo assinado pela capitã Marlene Sousa. Foi um lance em que a guarda-redes francesa aparenta ter culpas no cartório. Esta vitória de Portugal faz com que a seleção regresse a uma final do mundial feminino, algo que já não acontecia desde o ano de 2008.

Na final, Portugal defronta Espanha, que bateu na passada madrugada a Argentina por 2-1 com um golo de ouro. É de recordar que em duas das três finais que o conjunto português alcançou teve pela frente a La Roja, seleção que conquistou metade dos seus mundiais contra as cores nacionais.

O jogo da final está marcado para as 00:00 e tem transmissão em direto no site Firs TV.

Foto de Capa: Mundial de Hockey Patín Iquique 2016

As 6 jovens panteras para manter debaixo de olho

Cabeçalho Futebol Nacional

A procissão ainda vai no adro, mas a vistosa montra axadrezada já é suficientemente apelativa e poderá suscitar o interesse de alguns emblemas.

Com um plantel perfeitamente balanceado entre jogadores jovens e experientes, alguns elementos despertaram a atenção de Erwin Sánchez, que os lançou com relativa regularidade na temporada transacta e decidiu operar da mesma forma para a época 2016/2017. Debrucemo-nos, então, sobre cada uma dessas caras.

Paco Jémez demitido: Os erros do treinador e do Granada CF

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Cabeçalho Liga Espanhola

Paco Jémez foi demitido do Granada. Durou apenas seis jornadas esta sua experiência, em que somou dois empates e quatro derrotas, deixando o clube no último lugar do campeonato, em igualdade com o Osasuna. Há decisões incompreensíveis por parte da direção do Granada, mas também há muito que questionar em relação a Jémez, que é um estranho caso de popularidade, apesar dos seus maus resultados.

Consideremos o último ano da carreira de Paco Jémez. Desceu de divisão com o Rayo Vallecano e, agora, deixa o Granada em último lugar da Liga Espanhola. Descrito assim (que é redutor, claro), este último ano de Jémez não está muito longe daquela célebre época em que Luís Campos treinou Vitória de Setúbal e Varzim e ambos acabaram por descer de divisão. Passados mais de dez anos, Luís Campos ainda não se livrou da má fama que essa época lhe trouxe. No entanto, Paco Jémez parece manter uma boa imagem junto de muitos adeptos.

O segredo da popularidade de Jémez deve-se a dois fatores: fidelidade extrema às suas ideias de jogo e declarações bombásticas nas conferências de imprensa. Inicialmente, fiquei, como quase toda a gente fica, impressionado por ambos. Hoje, parece-me que servem mais à carreira pessoal de Jémez do que aos clubes que treina. Nunca abdica da sua forma de jogar, saindo através de passes curtos desde a defesa, ao melhor estilo tiki-taka. O problema é que os intérpretes desse estilo no Granada e no Rayo não têm a mesma qualidade dos do Barcelona. E se a isso somarmos os problemas defensivos, o saldo entre os prós e os contras dessa forma de jogar foi claramente negativo para as equipas de Paco Jémez no último ano. No entanto, mantendo-se fiel a esse estilo, mesmo quando joga com 9 jogadores em casa do Real Madrid, Jémez consegue destacar-se dos outros treinadores. O Rayo, nesse dia, perdeu 10-2, mas não faltou quem, como eu, elogiasse a coragem do seu treinador. Assim, Jémez consegue destacar-se, mesmo enquanto a sua equipa se afunda.

Jémez não teve muito tempo para passar as suas ideias aos jogadores Fonte: Granada CF
Jémez não teve muito tempo para passar as suas ideias aos jogadores
Fonte: Granada CF

As suas declarações bombásticas nas conferências de imprensa também contribuem para o seu destaque. No ano passado, chegou a dizer que, se fosse Presidente do Rayo demitiria o treinador, que era… ele próprio. Esta época, depois de ser goleado pelo Las Palmas, à segunda jornada, disparou: “o clube tem de pensar se a pessoa adequada para seguir no banco sou eu, porque hoje fui o melhor jogador do Las Palmas”. Ainda há dois dias, depois da derrota com o Alavés disse que “com estes erros não há possibilidade de competir na primeira liga”. Ouvidas pela primeira vez, este tipo de frases causa admiração por fugir à conversa habitual dos treinadores derrotados. Vemos ali um treinador exigente, auto-crítico e que assume a responsabilidade. O problema surge quando este discurso é repetido semana sim, semana não, sem ser acompanhado de nenhuma consequência prática. Assim, tratam-se apenas de declarações para impressionar, enquanto a equipa continua a perder jogos cometendo os mesmos erros.

Dito tudo isto, o planeamento feito pela direção do Granada também foi péssimo. Dia 11 de agosto, a uma semana do início da Liga, fiz uma antevisão do que poderia ser o Granada de Paco Jémez. 20 dias depois, o artigo já estava completamente desatualizado. É que chegaram 9 (!) jogadores depois disso.

Também não se entende como é que se demite um treinador à sexta jornada, depois de lhe dar um contrato de três anos. Por vezes há erros, apostas arriscadas e treinadores que não correspondem às expectativas, mas nesse aspeto, não há nada a apontar a Paco Jémez, que sempre se manteve fiel às suas ideias e tentou, no Granada, fazer o mesmo que havia feito no Rayo: com um plantel abaixo da média, tentar jogar como um grande. Os dirigentes do Granada já saberiam, com certeza, que era isso que estavam a contratar em junho. Aliás, com todas as mudanças de última hora que houve no plantel, uma das únicas coisas que “acertei” na minha antevisão do Granada de Paco Jémez foi o estilo de jogo que seria adotado. Nunca muda.

Ah! Houve outra previsão que acertei na altura: “Não se espera uma temporada nada fácil para o Granada de Paco Jémez”.

Foto de capa: Granada CF

Que desastre!

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sl benfica cabeçalho 1Que pesadelo, que noite para esquecer. Na segunda partida que o Sport Lisboa e Benfica disputou esta temporada na Liga dos Campeões, os encarnados brindaram os seus adeptos com uma exibição a roçar o medíocre.

Numa competição onde alinham as melhores equipas da Europa é muito importante não errar, pois os erros a este nível saem caros. Em partidas como esta, quem não marca sofre, coisa que aconteceu à turma de Rui Vitória: o grego Kostas Mitroglou teve nos seus pés duas grandes oportunidades de pôr o Benfica na frente do marcador quando o jogo ainda se encontrava a zeros, coisa que não concretizou.

A jogar em Itália, a equipa vermelha e branca passou uma imagem que em nada se assemelha ao futebol a que habituou os seus adeptos. Com duas alterações no onze inicial esperava-se um Benfica mais equilibrado a meio campo e mais desiquilibrador nas alas, coisa que não aconteceu.

Com um jogo horrível no “miolo”, o Nápoles foi subindo no terreno e, consequentemente, desequilibrando a equipa orientada por Rui Vitória, desequilíbrio este que se materializou em golos.

Não me lembro de ver um jogo tão fraco do Benfica há muito tempo. Muitos erros e muita instabilidade foram as diretrizes que pautaram esta partida.

Na quarta-feira notou-se a falta de caule e experiência no meio-campo. Apesar de achar André Horta um bom jogador, o mesmo ainda não tem “perfil” para estes voos. A sua falta de experiência e a sua tenra idade vieram ao de cima, o que fez com que o mesmo passasse ao lado do jogo.

O novo e difícil mundo do ‘Bulo’

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Cabeçalho Futebol InternacionalRecuemos a Setembro de 2015: na equipa B do Benfica e na Youth League despontava um miúdo de tranças que prometia vir a dar que falar, o ‘Bulo’ Renato Sanches. Marcava alguns golos, mas essencialmente empolgava pela pujança que colocava em cada lance disputado. Rui Vitória, habituado a promover jovens por onde vinha passando, não o deixou fugir mais de vista e, numa altura em que a equipa principal vivia tempos algo atribulados, chamou o miúdo e lançou-o às feras.

O resto da história já é conhecido. Ele foi o dínamo da equipa encarnada para a conquista do tricampeonato, foi chamado por Fernando Santos para o Euro’2016, onde se sagrou campeão europeu e foi contratado pelo colosso Bayern de Munique por 35 milhões de euros, numa das transferências mais caras de sempre do futebol português.

Renato Sanches foi transformado quase em herói nacional e as grandes potências do futebol europeu só falavam desta pérola negra. A Federação Portuguesa de Futebol via nele um jogador com carisma, capaz de suceder a Ronaldo no mediatismo além-fronteiras. Mas importava não esquecer algo relevante: o menino tinha apenas 19 anos. É neste contexto que chega a Munique, com tenra idade, mas já com o peso dos 35 milhões que fez os bávaros desembolsarem.

Renato carrega em si o peso dos 35 milhões que custou Fonte: Bayern de Munique
Renato carrega em si o peso dos 35 milhões que custou
Fonte: Bayern de Munique

Chega a um Bayern que, depois de conquistar um inédito tetracampeonato, quer ir a todo o gás para o penta. E o grande rival, Dortmund, em boa forma, não deixa espaço para deslizes. Carlo Ancelotti, treinador experiente, sabe disso. Os adeptos bávaros esperam que o ‘Bulo’ pegue na bola, cavalgue metros e adversários e desfira o potente remate de que é senhor. Era exatamente isto que fazia muitas vezes no Benfica.

FK Shakhtar 2-0 SC Braga: Olha um avião!

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Cabeçalho Futebol Nacional

Na segunda jornada da fase de grupos da Liga Europa 2016/2017, os bracarenses averbaram a primeira derrota nesta competição. A margem começa a ser reduzida e a obrigatoriedade de vencer é cada vez mais real. Os ucranianos foram superiores e conseguiram finalizar as duas oportunidades que obtiveram durante o encontro. Quanto ao Braga, se tivesse tido alguma oportunidade era bom que soubesse finalizar… Com ou sem elas jogámos muito pouco. As muitas lesões condicionaram a partida para os bracarenses, mas a falta de ideias durante o encontro é visível, não se justificando só com o lote de lesionados. Hoje, houve jogo europeu para o Braga, mas muitos ficaram com a cabeça em casa.

Ao quinto encontro entre Braga e Shakhtar, os minhotos somam mais uma derrota, elevando para cinco as várias pancadas sem resposta… Não é maldição, nem azar. Noutros tempos, na Champions, foi azar. Agora não é. Que é verdade que os ucranianos têm mais milhões, um bom grupo e um bom treinador (os bracarenses bem o sabem), é; que são superiores relativamente às individualidades, também, agora jogando contra dez desde o início da segunda parte, com dois avançados e um meio-campo que no ano anterior foi fundamental, entristece-me ver que nem uma oportunidade de golo conseguimos criar durante noventa minutos. Ate criámos. Mas eu falo de uma coisa a sério.

Fiquei um pouco desiludido com o que o Braga fez hoje. A ausência de jogadas, a falta de eficácia a trocar a bola e a não existência de uma oportunidade passível de golo fizeram-me estar à beira de um ataque de nervos. Sem que haja muito para falar, os ucranianos cedo marcaram num lance com alguma sorte à mistura. Livre para o Shakhtar, a bola ressaltou na defesa do Braga (Olha um avião! Olha a bola!) e de frente para a baliza foi só fuzilar. Um zero e novamente o Braga atrás do prejuízo, como tem sido costume nos últimos jogos… Sem que nada fizéssemos durante quarenta minutos, a parte final ditou algum movimento por parte dos arsenalistas. Jogadas simples e algo imprevisíveis criaram uma comichão ao Shakhtar. Quase, quase a terminar o primeiro tempo, Ricardo Horta caiu na grande área e podia ter sido penálti. Não foi e sinceramente também não era… Valeu pela tentativa de furar e saber cair. Ao intervalo os da casa venciam e Paulo Fonseca já nem sabia com quem estava a jogar. Se seria a equipa que orientou com vários jogadores do ano passado, ou uma outra onde não conhecia ninguém. Provavelmente a segunda parte da ideia parece ser a mais verdadeira. Pois é, Paulo, também foi um Shakhtar atípico, mas pelos vistos um Shakhtar atípico sabe ganhar…

Os segundos quarenta cinco minutos em Lviv chegaram com o resultado ainda por disputar e com onze para cada lado. Mas desde logo passariam a ser onze contra dez. Fred fintou um, dois, (olha um avião!), três e caiu. Baiano intrometeu-se mas não me pareceu ser penálti. Tanto um como outro lance são casos passíveis de grande penalidade. Mas na verdade, não terem sido trouxe mais justiça ao encontro. A meu ver, ambos foram bem ajuizados. Posto isto, esperava-se um Braga pressionante e a carregar o adversário. Pois, mas nem tudo o que parece é e num outro lance de bola parada (Olha um avião! Olha a bola!) Golo para o Shakhtar. Dois zero e o jogo estava complicado para o Braga. A jogar contra dez mas com pouca crença no resultado não vamos lá. Não fosse a grande exibição de Artur Jorge que se estreou na Europa e também de Rosic, o resultado poderia ter sido pior. Até final, o Braga tentou segurar a bola e construir a partir de trás. Não conseguiu e o Shakhtar em contra-ataque criava algum perigo. Só faltava mesmo Marafona tremer. (Olha um avião!) e quase era o terceiro do Shakhtar.

Terminou o jogo na Ucrânia com uma derrota para o Braga. Temos muito trabalho pela frente! Vamos lá correr e começar a disputar os jogos, que esta época parece ser jogo sim jogo não… Não pode ser. Vamos lá Braga!

Da próxima vez, gostava de dizer ao Paulo Fonseca porque é que ele não deveria ter saído. (Olha nós no avião!) Xii… o Paulo Fonseca ficou em terra…

Eu sou um burro velho

sporting cp cabeçalho 1Do alto das minhas três décadas, sou velho. Sou, aliás, um burro velho. É esta a conclusão a que chego depois de ler o que benfiquistas (ou “benfiquenses”) dizem por aí. Sou velho porque me identifico com um jogador que representou durante três anos tudo aquilo que é o meu Sporting Clube de Portugal. Aquilo que via em anos em que, tal como agora, raramente se ganhavam troféus mas nunca se deixava uma “casa” vazia, nunca se deixava de se apoiar aquilo em que mais se acreditava, o amor pelo Sporting Clube de Portugal.

Slimani não chegou “craque”, não custou duas dezenas de milhões de euros, não veio dum finalista da Liga dos Campeões e, acima de tudo, não veio com nome. Slimani veio, sim, trabalhador. Soube esperar o momento de menor fulgor de Montero e soube mostrar o que melhor sabe fazer; soube lutar e soube marcar.

Eu sou burro, um burro velho, dirão. Festejei o golo de Slimani na passada terça-feira, gritei alto e em bom som o nome dele. Admito-o alto e em bom som porque não sou hipócrita. Slimani encanta-me, o jeito desengonçado com que vai a cada bola entusiasma-me, a maneira como pressiona os defesas – algo que aprendeu com Marco Silva e Jesus – personifica o Esforço, a Dedicação e a Devoção do meu clube. Poderia ter atingido a Glória, poderia, sim, mas não tenho por hábito desculpar os maus momentos e as derrotas dizendo “Quem diz é quem é” e acusando os tais burros de algo que os hipócritas também fazem. Exemplo desses momentos? Bastava ter Internet ontem e procurar um pouco, talvez até nas mesmas páginas onde se viram os festejos do golo de Slimani frente ao FC Porto. Sou um burro velho porque gosto mais de Slimani do que do FC Porto? É verdade, mas ao menos não sou hipócrita.

Não preciso de contar os troféus – poucos, infelizmente – que ganhei nos últimos anos. Mas também não preciso de me desculpar com SMS ou com cotoveladas para justificar derrotas.

Carta Aberta a: Elias

Caro Elias,

Venho, através desta carta dar-te as boas vindas ao Sporting. Sei que já venho tarde, mas só agora me apercebi que gostava de te transmitir umas ideias minhas.

Na primeira vez que cá estiveste, não tiveste grande sucesso, mas sempre achei que tinhas potencial, boa técnica, e foste prejudicado pelo mau momento do clube, como alguns outros jogadores que por cá passaram nessa época. Ao ver-te sair para o Brasil, achei que poderias ter ficado mais algum tempo, mas quando te ouvi desrespeitar o clube e o presidente, passaste a ser só um daqueles que teve uma oportunidade e não a aproveitou.

Quando ouvi a notícia de que irias voltar, fiquei contente pela qualidade que te reconhecia, mas preocupado por seres alguém que não valoriza quem te paga os teus honorários. Como já te disse, reconheço-te valor, mas agora tens que te mentalizar que voltaste para o mesmo clube de onde saíste, no entanto já não há quase nada igual ao momento em que cá estiveste. Talvez só o nome do clube seja o mesmo.

Hoje o clube é muito mais exigente, tem jogadores que dão tudo em campo. Lutam até ao último minuto por cada bola, em qualquer metro quadrado de relvado, e por isso terás que lutar também por um lugar. Sempre que entraste em campo, foste substituir o jogador mais importante tacticamente da nossa equipa, e isso dá-te uma responsabilidade extra. Porque aquele jogador é que condiciona o jogo do adversário, e se for preciso ainda constroi jogo para a sua equipa.

Elias tem de ganhar intensidade para ser opção válida para JJ Fonte: Sporting CP
Elias tem de ganhar intensidade para ser opção válida para JJ
Fonte: Sporting CP

Muita gente te culpou pelos vários golos que sofremos após as tuas entradas em campo. Acho, no entanto, que o problema não foi a tua entrada, mas a saída do jogador que substituíste. Mas já que o treinador acha que és concorrente à posição do nosso capitão, quando entrares terás que correr muito mais, pressionar muito mais, terás que ter mais atitude em campo. Acredito que te chateie entrar nos minutos finais e ter que correr, mas qualidade tu tens, tendo que juntar mais garra ao teu jogo.

Eu até considero que tu nunca serás um substituto de Adrien, porque deves jogar mais à frente, e não tens a capacidade torácica do capitão, que é quase um box-to-box, mas o treinador tomou essa decisão, e quando te for dada a chance de jogar, só tens que dar o teu máximo pelo clube que te deu uma segunda oportunidade. Porque tu és profissional, e jogues noventa ou vinte minutos, terás que dar tudo pela tua equipa, pelos teus colegas, e por ti.

Elias, aquele abraço, e não te esqueças que com esta equipa, e este treinador, a atitude e a garra valem muito. Não corres e não pressionas,  então não jogas, ou jogas menos.

Regresso à normalidade (depois de Nápoles)

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sl benfica cabeçalho 2A dimensão futebolística do Benfica, a real, determinada pela experiência, pela história, construída em campo – e não a tão apregoada (e simplesmente fictícia) pelas redes sociais –, exige da equipa capacidade competitiva para discutir o resultado em qualquer estádio do mundo; para ambicionar conquistar cada momento, cada jogo e competição. Assim tem sido a regra, nestes últimos anos: o Benfica não se fica pela conversa fiada, pela arrogância que precede a partida. O Benfica joga, fá-lo de peito aberto e, normalmente, ganha. É tricampeão, venceu nove das últimas 12 provas nacionais, detém recordes de invencibilidade, e é o líder isolado do campeonato – este é o presente do Benfica.

O que se passou em Nápoles foi, na verdade, o inverso da nossa lógica. No entanto, algo que se explica facilmente à luz das incidências da própria modalidade, fértil em momentos como este, localizados nos extremos, capazes de fazer naufragar todo o colectivo e de o despromover de excelente a péssimo num piscar de olhos. A equipa perdeu momentaneamente o pé, algo que acontece (e que já aconteceu) aos melhores. Não me parece, por isso, haver motivos para dramatizar. O adversário é bom, foi melhor, e existem factores públicos atenuantes da nossa exibição, nomeadamente as ausências por lesão de jogadores fundamentais. Logo, a viagem ao San Paolo resume-se a uma excepção que deverá ser (e certamente será) contrariada num futuro próximo. Nem mais, nem menos.

A vitória do Nápoles foi muito festejada no nosso país – tal como foi o golo de Slimani (tal como já havia sido, por exemplo, o golo de Kelvin). É algo que não espanta. Se é difícil ensinar línguas a um só burro velho, imaginem, então, fazê-lo a tantos milhares. Estes festejos são tão naturais como são, a cada ano, certos desfechos da nossa época desportiva. Por isso, a resposta a esta derrota terá de ser dada com a habitual naturalidade, e o mais rapidamente possível: à hora e no local habituais. A prioridade, agora, é vencer os próximos jogos, permitindo-nos, por um lado, manter a liderança no campeonato e, por outro, reentrar na discussão do apuramento para a próxima fase da Champions; apenas numa segunda linha importa recuperar os níveis exibicionais.

Raphael Guerreiro – benefícios e desvantagens do novo papel no Dortmund

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Cabeçalho Liga Alemã

Raphael Guerreiro, o jovem de 22 anos, campeão europeu por Portugal e uma das melhores e grandes surpresas no Europeu, ex-Lorient, abraçou um novo projecto ao assinar este Verão pelo Borussia Dortmund. Num mercado completamente inflacionado, custou apenas 12 milhões de euros. Um grande negócio para o Dortmund! E se muitos achavam ser um passo gigante para o pequeno jovem, as exibições até hoje quer na selecção, quer no Dortmund, têm demonstrado que Raphael Guerreiro tem capacidade e potencial para jogar em qualquer clube do mundo.

Inicialmente se pensaríamos que teria sido contratado para substituir Schmelzer na lateral esquerda, a confirmação da permanencia de Schmelzer no Dortmund e também de Erik Durm, fez com que surgissem algumas duvidas. Mas então onde irá encaixar Raphael Guerreiro neste Dortmund? É certo que na sua antiga equipa tinha efetuado alguns jogos como médio esquerdo, mas tendo em conta também as soluções atacantes que o Dortmund tem no plantel mais os seus reforços, também não deixariam muito espaço para o jovem, se afirmar ali.

Raphael Guerreiro tem tido um início promissor no BVB Dortmund Fonte: BVB Dortmund
Raphael Guerreiro tem tido um início promissor no BVB Dortmund
Fonte: BVB Dortmund

Recentemente o seu treinador, Tomas Tuchel afirmou que Raphael Guerreiro é um jogador demasiado bom para jogar apenas numa posição. É certo então que Tuchel vê em Guerreiro não apenas um defesa lateral ou médio. Vê como um um jogador de futebol completo. Raphael Guerreiro já demonstrou ter uma excelente capacidade técnica, ser um jogador bastante inteligente, bom nas bolas paradas, bastante talentoso e versatil, tendo também uma excelente capacidade física. Com isto, Tuchel viu no seu jogador, capacidade para jogar onde? No meio-campo. Sim! Como médio-centro. Se antes ninguém esperava que ele jogasse naquela posição, após as suas exibições já ninguém quer que ele saía de lá.

Tem demonstrado um enorme dinamismo no meio-campo, oferecendo mais verticalidade ao jogo do Dortmund  na sua posse de bola e uma enorme capacidade para se posicionar sempre bem em campo, sendo também importante no processo defensivo. As primeiras jornadas do campeonato com uma vitoria tremida por 2-1 frente ao Mainz e uma derrota por 1-0 frente ao Leipzig revelaram um problema que o Dortmund tinha no meio-campo: a falta de Gundogan ou de alguém com capacidades similares. Passes a rasgar a defesa, facilidade a progredir a bola desde o meio-campo defensivo até ao ofensivo e por último ser capaz de cumprir com as exigencias de um número oito box-to-box. Se Rode demonstrou ser muito conservador, Castro demonstrou ser pouco consistente. Guerreiro foi a solução ideal para Tuchel. Vitórias expressivas frente ao Legia Varsovia, Darmstadt e Wolfsburgo. 6-0 nos primeiros dois e 5-1 no último. O português conta com desde então com 3 golos e 4 assistências.

Em suma, Raphael Guerreiro tem estado em grande destaque e com grande mérito ganhou o prémio de melhor jogador da semana da Bundesliga. Se já era uma certeza como defesa-esquerdo, podemos certamente contar agora com um numero 8 por lapidar. Há que dar mérito a Tuchel e sobretudo ao jovem Português por estar a demonstrar toda a sua qualidade.

Foto de capa: Facebook Oficial de Raphael Guerreiro