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Vieira sem fronteiras

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Luís Filipe Vieira representa o mais alto patamar da hierarquia do Sport Lisboa Benfica. A 3 de Novembro de 2003 foi eleito o presidente do clube. Desde esse dia que tomou o leme do Benfica, conquistou 116 títulos nas mais diversas modalidades, 16 dos quais no futebol profissional: 5 campeonatos nacionais, 2 taças de Portugal, 7 taças da Liga e 2 Supertaças Cândido de Oliveira. Falta agora no palmarés do presidente das águias um título europeu pelo futebol sénior. Apontou o objetivo de ir a uma final europeia durante o último mandato. Resultado? Foi a duas finais da Liga Europa ao leme de Jorge Jesus. Contudo, a equipa encarnada não levantou a taça por nenhuma das duas vezes que chegou ao derradeiro jogo. Falta assim esse troféu no histórico do atual presidente.

No dia 7 de setembro do corrente ano, Luís Filipe Vieira prestou uma entrevista, extremamente bem conseguida, à TVI. Esclareceu alguns tópicos e listou os objetivos desta época para o futebol: grande afirmação na Europa e o tetra. O tetra é óbvio que é o objetivo. Nunca um clube como o Benfica pode considerar que o objetivo não é conquistar o campeonato nacional. Porém, além desse troféu, o Benfica continua com aspirações europeias e reafirmar-se ano a ano como uma equipa de prestígio na Europa, tal como era na altura do bicampeonato europeu de 1960/1961 e 1961/62.

Assim, no dia que o Benfica vai a Nápoles jogar contra a grande equipa da cidade italiana para a segunda jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões, faço um apanhado das campanhas europeias do clube da Luz durante os mandatos de Luís Filipe Vieira.

Nos primeiros anos da geração Vieira, o clube da Luz pouco conseguiu fazer a nível europeu. Na primeira época como presidente as águias não tiveram ação europeia devido ao quarto lugar na época anterior. Nas épocas seguintes saltitaram entre a 3ª pré-eliminatória da liga dos campeões para a taça UEFA onde apenas alcançaram a 4ª ronda e (no novo formato) os 16 avos de final da competição. Até 2005, o Benfica preparava-se para o que aí vinha de sucessos europeus.

Benfica procura lutar pela Champions com mais seriedade Fonte: SL Benfica
Benfica procura lutar pela Champions com mais seriedade e competitividade
Fonte: SL Benfica 

Só em 2005/06 é que se deu uma afirmação encarnada. Venceram o Lille e o Manchester United em casa, passando aos oitavos de final da prova, onde venceram o Liverpool na Luz e em Anfield com o famoso golo acrobático de Miccoli. Contudo, saíram derrotados de Camp Nou por dois a zero, após o nulo em casa.

Seguiram-se 5 épocas consecutivas sem voltar a passar a fase de grupos da prova milionária. Apesar de falhar os milhões, os encarnados começaram a garantir presenças firmes na competição abaixo: Quartos de final em 2006/07 e 2009/10, fase de grupos em 2007/08 e 2008/09 e as meias finais mais portuguesas de sempre em 2010/11 onde perdeu para o Braga. Jorge Jesus sempre foi muito criticado por nunca ter sido bem-sucedido na Liga dos Campeões e os números confirmam uma falha do treinador português para com a competição: só alcançou os quartos de final uma vez, a única que passou da fase de grupos, em 2011/12 contra o Chelsea, em 6 temporadas. Nos restantes 5 anos obteve um muito contestado 4º lugar em 2014/15 (última época de águia ao peito) e 3 terceiros classificados em 2010/11, 2012/13 e 2013/14. Em 2009/10 qualificou-se para a Liga Europa. Apesar das más prestações na liga milionária, Jorge Jesus foi o treinador ao leme da equipa nas meias finais com três equipas portuguesas e quem levou as águias às duas finais consecutivas.

No entanto, após a troca de Jesus por Vitória como treinador da equipa principal e da conquista do tricampeonato, pode surgir uma nova era europeia para o Benfica. Se realmente o plano de futuro que o presidente falou na recente entrevista for realmente forte e em consistência com o treinador, podemos ver o Benfica mais focado em enfrentar a Liga dos Campeões como um sonho possível. Vimos Rui Vitória a enfrentar olhos nos olhos o Bayern Munique nos quartos de final da competição e a arriscar-se a passar à fase das 4 melhores equipas da Europa.

Embora o sucesso da época passada, o empate em casa com o Besiktas e um grupo equilibrado e perigoso podem mandar o atual treinador e os seus jogadores para mais uma época de Liga Europa e continuar o legado da tentativa-erro de alcançar a terceira liga dos campeões ou pelo menos encaixar-se no top 8 com mais frequência. Resta-nos esperar e torcer para que Vitória nos traga vitórias, começando por hoje, quem sabe? Juntos em Nápoles. Seja onde for.

Saudações Benfiquistas!

O perigo napolitano sempre à espreita

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Cabeçalho Futebol InternacionalA primeira coisa que um turista diz quando ouve o nome do nosso país, é, em 80% das vezes, Ronaldo. Claro que aqui podemos colocar a questão: Como é que um desportista se tornou sinónimo de um país? É uma coisa cultural que herdámos do século XX, por exemplo, Maradona é sinónimo de Nápoles.

O grande ídolo, o ícone, o melhor jogador de todos os tempos, são imensas as alcunhas que alguém com o estatuto de Diego Armando Maradona, mas boa parte desse estatuto foi conquistado em Nápoles. Entre 1985 e 1990, o astro argentino viveu o melhor período da sua carreira. Sem contar com a conquista do Mundial em 1986 ao serviço da Argentina, Maradona conquistou ao serviço do Nápoles duas Serie A, uma taça de Itália, uma supertaça, e uma Taça Uefa. Se na altura tudo isso valeu a Maradona o estatuto de “melhor do mundo”, ao Nápoles valeu-lhe o estatuto e a magia que ainda hoje têm.

É certo e sabido que a equipa que vai defrontar o Benfica nesta edição da Liga dos Campeões vai ser bem diferente do Nápoles de há 22 anos, ainda por cima, se tivermos em conta que o sucessor do príncipe mudou-se este defeso para o maior rival ao título. Falo claro está de Higuaín. Aquela que era a figura maior do clube napolitano rumou a Turim pela módica quantia de 98 milhões de euros, e, para já, a segurança de que é suplente utilizado, mas isso são águas passadas.

A partida do homem que falhou o penalty decisivo na final da Copa América, abriu espaço para a entrada daquele que promete ser a nova figura do clube, Arkadiusz Milik, O ponta-de-lança polaco, proveniente do Ajax, deixou a sua marca logo no jogo de estreia ao marcar dois golos na vitória caseira por 4-2 frente ao AC Milan, mas as dores de cabeça para o Benfica não acabam em Milik. Lá na frente com ele, estão jogadores como Callejón, Mertens, e Insigne, que para além de criarem desequilíbrios são os principais “mordomos” do atacante polaco.

Callejón é um talento à solta no ataque italiano Fonte: Napoli
Callejón é um talento à solta no ataque italiano
Fonte: Napoli

Para além de uma equipa com uma boa qualidade ofensiva, o Nápoles tem uma estrutura de meio-campo, e uma defesa, que fazem com que o vice-campeão italiano seja o principal rival dos encarnados nesta fase de grupos da Champions. Um miolo de jogo que tem em Hamsik e Allan os seus principais intervenientes, e que apresenta um quarteto defensivo com Koulibaly, Albiol, Ghoulam, e Hysaj, pelo menos estes foram os figurinos nestes dois últimos jogos. Lembrar ainda que no banco estão talentos como Strinic, Maggio, e Giaccherini, fazendo que tenha qualidade dentro e fora das 4 linhas, e que conta ainda com a experiência do guarda-redes Pepe Reina.

O clube italiano vai para a sua sexta presença na principal prova de clubes da Uefa, tendo no seu registo 10 vitórias em 22 jogos oficiais, sendo que na época 2011/2012 foi a vez em que foram mais longe na prova chegando aos oitavos-de-final.

Apesar de um curto historial na Liga dos Campeões, a história do clube, mais a qualidade da equipa nos dias que correm, fazem do Nápoles um forte candidato a chegar à próxima fase, resta saber se em primeiro ou em segundo, mas aí a palavra pertence às restantes equipa do grupo, entre elas o cabeça-de-série, SL Benfica.

Sporting CP 2-0 Legia Warszawa: Mais uma Dost de leão

Alvalade foi mais uma vez palco da Liga dos Campeões para o encontro entre Sporting e Légia Varsóvia. As duas equipas que se defrontaram hoje vinham de uma derrota na jornada inaugural da competição e queriam conquistar os primeiros pontos. Recorde-se que o Légia de Varsóvia tinha sofrido uma derrota pesada frente ao Borussia Dortmund, sofrendo meia dúzia de golos, enquanto o Sporting CP perdeu na casa do campeão europeu por 1-2.

A pressão estava elevada para a equipa leonina que tinha de ganhar os 3 pontos para puder sonhar com os oitavos-de-final da Liga milionária. O jogo começou com um leão um pouco introvertido, dando espaço para o Légia atacar a baliza de Patrício com algum perigo.  No entanto os pupilos de Jorge Jesus, hoje orientados por Raul José, começaram a pressionar a equipa polaca , obrigando-a a baixar as linhas e a adotar um estilo de contra-ataque rápido. A equipa da casa foi provocando algumas ameaças à baliza de Arkadiusz Malarz , sendo que o ataque mais perigoso veio pelos pés de Gelson Martins, que, depois de ganhar o ressalto, atingiu a trave da baliza com grande violência. O Sporting iria acabar por marcar ao minuto 27 , atráves de um canto em que Bryan Ruiz, atento, ganhou a bola e rematou para dentro da baliza não dando hipótese ao guarda-redes polaco.

Bryan Ruiz e Bas Dost foram os goleadores da noite Fonte: Sporting CP
Bryan Ruiz e Bas Dost foram os goleadores da noite
Fonte: Sporting CP

Após o golo de Ruiz, a equipa visitante sentiu (e muito) o golo e deixou o Sporting CP controlar o rumo do jogo, o que permitiu aos leões marcarem novamente, desta vez por Bas Dost, que apontou o quinto golo pelo clube verde e branco. Realce ainda para a fabulosa assistência de Adrien Silva para o goleador holandês. A primeira parte terminou com uma notável supremacia dos “leões”.

A segunda parte começou com um Sporting bastante feroz e pressionante, perante um Légia incapaz de respirar.  Os polacos tiveram imensa dificuldade em construir jogo, apenas tiveram algum sucesso em transições rápidas mas nunca com grande perigo. O único jogador que foi brilhando foi o guarda-redes Malarz, que demonstrou ter reflexos capazes de fazer inveja a muitos  guarda-redes de renome. Com exibições algo apagadas dos jogadores polacos  o Sporting teve inúmeras oportunidades de ampliar o marcador, mas a finalização não esteve propriamente afinada. No entanto, foi notório que nos últimos 20 minutos de jogo, o Sporting desceu um pouco de ritmo (muito por causa da vantagem de dois golos sobre o Légia de Varsóvia), falhando alguns passes fáceis , o que permitiu que os polacos chegassem perto da baliza de Rui Patrício. O jogo terminou com uma vitória confortável de 2-0, o que permite ao Sporting estar a um ponto dos líderes do grupo, Borussia Dortmund e Real Madrid, que empataram a duas bolas na Alemanha.

É notório na equipa polaca a entrada de um novo treinador, falta muito trabalho nesta equipa. Os maus resultados falam por si. Quanto ao Sporting Clube de Portugal, a sua caminhada na liga milionária continua positiva e promissora. Depois de uma inglória, mas excelente exibição contra os “merengues”, os leões saem da segunda jornada com 3 pontos importantes.

Pergunta BNR a Jorge Jesus:  – Considera que o facto de os jogos da Liga dos Campeões serem bastante exigentes a nível físico e psicológico, poderá ter repercussões para o jogo de sábado, em Guimarães?

– Essa pergunta só poderá ser respondida com mais certeza depois do jogo de Guimarães, como é óbvio. Mas pela experiência que nós temos, com jogo à terça e ao sábado, há jogadores que ficam mais fatigados física e psicologicamente. A responsabilidade e a qualidade que a equipa apresenta em termos táticos obriga também a algum desgaste psicológico. Existem jogadores que necessitam de um maior tempo de recuperação, mas temos a certeza que teremos de mexer na equipa e no trabalho dos jogadores para lhes dar alguma recuperação em termos de intensidade para o jogo de Guimarães.

Leicester City 1-0 FC Porto: Em vez de ativo, reativo

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É sabido das dificuldades que o Porto enfrenta quando se desloca a terras de Sua Majestade e este jogo não iria ser excepção. Por um lado, um Leicester motivadíssimo pelo primeiro jogo de Champions no King Power Stadium e com uma vitória convincente em casa do Brugge por claros 0x3. Por outro lado, a dificuldade do Futebol Clube do Porto jogar em Inglaterra e a instabilidade de resultados que tem vindo a sofrer com um empate comprometedor no Estádio do Dragão por 1×1 contra o Copenhaga.

O treinador dizia que “O FC Porto nunca ganhou em Inglaterra, mas queremos acabar com essa situação, quebrar esse recorde”. O mote estava lançado para um jogo fulcral nas aspirações europeias do Porto. Destaque para a continuação no onze de Adrián Lopez, apostando assim na mobilidade e versatilidade do espanhol.

O jogo começou com o Porto muito pressionante, querendo retirar a bola dos jogadores do Leicester nos primeiros minutos, e tendo esta fase ficado marcada pela oportunidade de André Silva a explorar a lentidão dos centrais Morgan e Huth após recuperação de bola a meio-campo de Otávio. Com o desenrolar da partida, o Leicester foi equilibrando as forças e começando a fazer o seu tipo de jogo com lançamentos longos tanto de linha lateral como feitos pelos centrais e pelo seu médio centro Drinkwater apelando também a um jogo mais físico que só beneficiaria os Foxes.

O jogo começou a ficar muito físico a partir dos 10/15 minutos de jogo com um jogo de choque dos seus avançados Vardy e Slimani tanto no jogo aéreo como na pressão aos defesas e também com a turma de Ranieri a conseguir ganhar, praticamente, as segundas bolas. Isto culminou na passagem do minuto 25 no golo de Slimani, com o argelino a antecipar-se a Felipe após um cruzamento de Mahrez. Desde este momento, o Porto desencontrou-se e intranquilizou-se permitindo que a equipa inglesa tenha maior posse de bola na primeira parte e detendo as melhores oportunidades de alvejar a baliza adversária. O Porto pouco agressivo na primeira parte na disputa da bola e a não conseguir colocar a bola no relvado, muito causado pela pressão intensa de Slimani e Vardy.

O FC Porto na segunda parte entrou com intenções de ter mais posse de bola e privilegiar a técnica dos seus jogadores no setor intermediário do terreno para conseguir sair de Inglaterra com um resultado mais risonho. O meio-campo tentou assumir mais o jogo com um Otávio mais endiabrado e a assumir o jogo e NES a retirar Adrian Lopez, desinspirado assim como André André que não conseguiu emprestar toda a sua intensidade e capacidade de jogo sem bola em campo. Entraram Herrera e Diogo Jota para os seus lugares com o 4x4x2 a ser mantido e o Porto a conseguir maior equilíbrio no jogo, com Oliver a adiantar-se no terreno e o Porto a acalmar as hostes tentando chegar à baliza defendida por Schmeichel com passes curtos e progressão com bola, fazendo-a chegar aos homens mais adiantados do Porto com mais critério permitindo a subida no terreno do meio campo azul e branco.

O Porto, nos últimos vinte minutos de jogo a conseguir pressionar a equipa do Leicester, obrigada a recuar com a mudança para o 4x3x3 com a entrada de Corona por Oliver assumindo 3 homens na frente. A melhor oportunidade do Porto aconteceu aos 83’ com uma bomba de Corona ao poste direito da baliza do Leicester a coroar uma melhor segunda parte dos dragões, com o árbitro Çekir a ser muito perdulário com Amartey, por uma entrada violentíssima a Otávio.

No entanto, insuficiente para conseguir levar de vencida o Leicester e prolongando a besta negra de jogar em Inglaterra em que o Futebol Clube do Porto continua sem ganhar.

Foto de capa: Leicester City

Um novo Igor Shalimov do outro lado da barricada

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Chegou a Itália em 1991 para alinhar pelo US Foggia do lendário Zdeněk Zeman e rapidamente se converteu num dos melhores jogadores dos Satanelli e da própria Serie A. Igor Shalimov, um génio errático oriundo da escola de futebol soviética, terá sido porventura um dos melhores médios da sua geração, mas a sua carreira altamente atribulada tanto a nível de clubes, como ao serviço das três selecções que representou, custou-lhe um final prematuro, uma vez que pendurou as botas em definitivo com apenas 30 anos de idade.

Pedra basilar na Zemanlandia do US Foggia ao lado de jogadores, na altura poucos conhecidos, como Guiseppe Signori, Roberto Rambaudi e Francesco Baiano, Shalimov encantou rapidamente os adeptos italianos, quer pela sua qualidade técnica, quer pelo seu posicionamento táctico e forma como conseguia ler o jogo. O jovem Igor tinha, no entanto, o seu lado negro e a sua aversão a treinos altamente rigorosos, exactamente como eram aqueles levados a cabo por Zdeněk Zeman, fizeram com que em 1992 se mudasse para o  FC Internazionale Milano, onde, tal como havia acontecido ao serviço dos Satanelli, desfrutou de alguns dos melhores anos da sua carreira.

Igor Shalimov ao serviço do US Foggia, em 1991 Fonte: forzaitalianfootball.com
Igor Shalimov ao serviço do US Foggia, em 1991
Fonte: forzaitalianfootball.com

Os seus problemas com as metodologias de treino mais rígidas (algo que havia feito parte  dos primeiros anos da sua carreira como futebolista no FC Spartak Moscovo de Oleg Romantsev) levaram a que Igor Shalimov juntasse o seu nome à infame “carta dos 14” que se recusaram a integrar a selecção da Rússia no Mundial de Futebol de 1994 em protesto contra a metodologia de treino e tácticas do icónico Pavel Sadyrin.

Não deixa de ser curioso que um jogador que tanto batalhou contra os treinos longos e altamente cansativos esteja agora do outro lado da barricada e tenha assumido, quase do dia para a noite, o comando técnico do FC Krasnodar da Liga Russa. Igor Shalimov, que estava já na estrutura do clube desde 2015, assumiu o comando técnico do emblema de Krasnodar a 13 de Setembro de 2016 após a saída algo intempestiva do experiente Oleg Kononov, que acumulava uma série de maus resultados nas semanas que antecederam o seu adeus aos Byki.

CF “Os Belenenses” 1-1 FC Arouca: A traição segundo Kuca

Cabeçalho Futebol NacionalNuma noite amena de Outono, o jogo que marcou o encerramento da sexta jornada da Primeira Liga teve um início quente e agradável. Começou por cima o Arouca, assustando por mais de uma vez Ventura e até reclamando uma grande penalidade perante a qual Rui Costa, peremptório, mandou prosseguir a partida.

A resposta do Belenenses fez-se imediatamente sentir, com Gerso e Abel Camará a colocarem em sentido a defesa arouquense. A equipa de Lito Vidigal não pressionava a construção de jogo da equipa do Restelo, e tanto João Palhinha como Rosell tinham liberdade para correr com bola e organizar o jogo “azul”. Aos 15′, e após mais uma jogada de Rosell, a bola é cruzada do lado esquerdo e Camará cabeceia sem qualquer hipóteses para Bracali.

O golo caseiro obrigou os visitantes a subir linhas e a pressionar mais alto, começando Walter e Zequinha a incomodar os médios emprestados pelo Sporting CP à equipa do Belenenses. Até ao final do primeiro tempo, há a salientar apenas mais duas jogadas de algum perigo por parte de Abel Camará.

Lito Vidigal, descontente com a exibição do conjunto visitante durante a primeira parte, decidiu mexer com a sua equipa e com o jogo, lançando Kuca – antigo jogador do Belenenses – e retirando do terreno de jogo um apagado Walter. O rapidíssimo avançado cabo-verdiano fez logo sentir o seu impacto no desafio e, com cinco minutos volvidos da segunda parte, correspondeu da melhor maneira a um cruzamento da direita e colocou o resultado em 1-1.

À medida que o relógio se aproximava do meio da segunda parte, a qualidade da partida ia diminuindo, com a equipa visitante, apesar do ascendente, a optar por queimar algum tempo na reposição da bola em jogo. Os adeptos dos azuis do Restelo, em bom número e apoiando a sua equipa, faziam-se ouvir e demonstravam o desagrado.

Já no terreno de jogo, o “efeito Kuca” tinha sido atenuado pela defesa do Belenenses, derivando o número 17 do Arouca para as laterais à procura de mais bola. Lito Vidigal ainda tentou mexer com a equipa, colocando em campo Marlon, mas até ao final do encontro as equipas, e principalmente o Arouca, preocuparam-se mais em garantir um ponto do que em procurar a vitória.

Empate justo, com uma parte a pertencer a cada uma das equipas; o Belenenses foi a melhor equipa em campo durante a primeira parte, merecendo a vantagem com que foi para os balneários. No segundo tempo, o Arouca respondeu e alcançou rapidamente o empate, mas deixou-se levar pela garantia de um empate que o coloca fora da zona de despromoção.

Pouco Oleada

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fc porto cabeçalhoEis que, ao completar os primeiros novos jogos desta nova época, os Dragões apresentam um saldo de cinco vitórias, três empates e uma derrota. No momento da partida para Inglaterra, com o intuito de alcançar um resultado positivo no reduto do campeão inglês, é certo que o FC Porto de Nuno Espírito Santo necessita de trabalhar. E muito!

As debilidades azuis e brancas foram mais nítidas no jogo em Alvalade. Arbitragens à parte, a verdade é que o Sporting CP destruiu a equipa da Invicta na segunda parte. Se compararmos a qualidade de jogo apresentado pelos rivais lisboetas, a equipa azul e branca ainda está três passos atrás de ambos. Desde o clássico, os resultados negativos contra o Copenhagen e em Tondela fizeram soar os alarmes no Dragão. É crucial que o ex-guarda redes e agora líder desta equipa consiga manter-se perto da liderança enquanto trabalha as novas dinâmicas que implantou num sistema de jogo pobre, herdado de Julen Lopetegui.

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É no Olival que Nuno Espírito Santo tem de trabalhar muito nas novas ideias
Fonte: FC Porto

Ao contrário das últimas duas épocas, o eixo central da defesa tem mostrado menos debilidades defensivas. Talvez seja fruto da liderança de Felipe ou da maturidade de Marcano mas a verdade é que os erros defensivos já não são tantos e a equipa sente mais segurança e confiança nos seus centrais. O próprio central espanhol é um dos jogadores que mais vezes envergaram a braçadeira de capitão nestes primeiros jogos, o que prova já uma certa maturidade e confiança no jogador. Apesar desta melhoria significativa, é visível que Felipe ainda tem de se adaptar ao futebol europeu e não “entrar a matar” em cada lance. Poderá colocar a equipa em inferioridade numérica num momento importante caso não seja treinado para se conter.

O meio-campo é a zona do terreno onde há mais qualidade. Infelizmente também é o miolo que precisa de mais trabalho. Nuno Espírito Santo está a tentar jogar com mais jogadores na frente mas a realidade é que os Dragões encontram muitas dificuldades em ligar os jogadores do meio-campo ao ataque. Herrera, André André ou Oliver assumem-se como os portadores da bola nessa transição, mas é natural este sentimento de apreensão, uma vez que ainda não há muitas rotinas imprimidas nessas transições.

Já na frente de ataque, o FC Porto é muito dependente do rendimento de Otávio e de André Silva. Quando estes dois jogadores estão num nível mais abaixo do que o normal, a equipa ressente-se e encontra muitas dificuldades em encontrar o caminho para o golo. Uma equipa que quer ser campeã não pode depender exclusivamente da veia goleadora de André Silva e da criatividade de Otávio. Sobretudo quando pode contar com Brahimi, Diogo Jota, Corona e o renascido Adrián para desequilibrar.

Leicester é o próximo adversário a ser superado e uma derrota em terras de sua majestade pode complicar as contas azuis e brancas nesta fase de grupos da liga milionária. Até lá são mais alguns dias de trabalho para “olear” melhor a máquina e a expectativa é sempre a melhor.

 

Foto de Capa: FC Porto

WWE Clash Of Champions: O cimentar do novo Rollins

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The New Day (c) vs The Club (Raw Tag Team Championship)

Fonte: WWE
Fonte: WWE

Nada melhor do que começar um PPV com os New Day, que dia após dia se reinventam e conseguem ser uma das atracções da WWE. O combate foi bom para abrir as hostes e mostrou um Gallows e um Anderson muito mais violentos do que o habitual. E deveria ter sido assim a sua construção durante a “feud”, em vez de andarem a brincar aos doutores e terem segmentos com os Old Day. Quando muitos pensavam que o reinado dos New Day ia chegar ao fim, os campeões continuam com o título. Xavier Woods aproveitou uma distracção do árbitro para atacar Anderson com o trombone e os New Day venceram. O Club parecia estar destinado a vencer este combate e poderia ser a melhor decisão, até porque AJ é o campeão na Smackdown, mas após a vitória dos New Day, fica a pergunta sobre quem irá derrotar os campeões. Só vejo Enzo e Big Cass como os próximos adversários.

O verdadeiro artista

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Andámos décadas a receber dádivas de José Saramago – nunca suficientes por mais que fossem –, obras de arte imensas e intemporais, produzidas, segundo o próprio, como quem pinta uma parede, para agora ouvir pintores de parede afirmarem que produzem algo parecido a uma obra de arte. Neste caso, imensa e intemporal só a falta de noção do ridículo. A arte, a magia, ou qualquer outro termo figurativo do género aplicado ao futebol, exige sempre bola no pé, acontece no interior das quatro linhas; cá fora, simples bastidor para figurantes, a conversa é outra, existe prazo de validade, e quem define se estamos nos oito, nos oitenta ou nos oitenta e oito são somente os resultados.

Existe, no entanto, um actor secundário que, por estes dias, tem feito por merecer as luzes do palco principal: Rui Vitória. O treinador do Benfica, tricampeão, recordista de pontos no campeonato (oitenta e oito), é o principal responsável pela sequência de resultados positivos que valem a liderança no campeonato à 6.ª jornada. Rui Vitória tem sido bem mais que um pintor de paredes, mas uma equipa completa de construção civil – do engenheiro ao servente –, capaz de manter de pé uma casa a necessitar de remendos urgentes, com bons alicerces, é certo, mas ainda de paredes tortas e telhado a descoberto. Perante as dificuldades, Rui Vitória tem encontrado soluções, algumas delas bem originais, engenhosas e corajosas, sem nunca abdicar, todavia, do registo elevado que o caracteriza como treinador e como homem.

Os encarnados têm resistido com sucesso à onda de lesões do plantel Fonte: SL Benfica
Os encarnados têm resistido com sucesso à onda de lesões do plantel
Fonte: SL Benfica

A sua gestão passa por unir o plantel, dar-lhe moderadas doses de tranquilidade e confiança, capacitá-lo de todas as dificuldades, e, muito mais importante, consciencializar todo o grupo daquilo que, neste momento, ela pode verdadeiramente ser – o suficiente que tem de ser –, sem falsas pretensões, usando e abusando do pragmatismo com que se fazem (e mantêm) os campeões. O edifício tem fissuras, mas antes de concluída a requalificação, antes do “onze” ideal surgir à tona, é indispensável vê-lo suportar mais uma ou outra sacudidela – Rui Vitória trabalha nisso, sem lamentos, com eficácia, aguardando pacientemente pelas ferramentas indispensáveis que permitirão a qualidade da habitação.

O Benfica chega ao lugar que lhe pertence, numa fase algo surpreendente, não só pelo flagelo das lesões (que, semanalmente, afasta do jogo parte significativa da equipa titula), mas também pelo fulgor patenteado pelo seu principal concorrente – comprovado, sobretudo, no jogo de Madrid. Como tal, a naturalidade da ocorrência – feita tanto de mérito próprio, como de demérito alheio (e não é esta a fórmula habitual?) –, permite-nos, por esta altura, reforçar a confiança num novo desfecho positivo. A toada denota assertividade; e a margem para fazer mais e melhor é praticamente uma certeza, embora, por agora, seja impossível de calcular – a recuperação de jogadores como Jonas, Jardel, Samaris ou Raúl Jiéenez, bem como a evolução física e táctica de outros, permitirá, certamente, alavancar o nível exibicional da equipa, garantindo as condições necessárias para alcançar os objectivos desta temporada.

Um leão embruxado

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Estamos muito próximos de mais um encontro europeu do Sporting, desta feita diante do Legia de Varsóvia, e ainda no rescaldo da traumatizante derrota da primeira jornada, diante do Real Madrid, isto num jogo em que os verde-e-brancos estiveram a ganhar por 1-0 até ao minuto 88, mas que acabariam por perder por 2-1, fruto dos golos tardios de Cristiano Ronaldo e Morata.

É certo que, no futebol, não são raras as vezes em que um clube sofre reviravoltas ou perde nos momentos finais de um jogo, mas é igualmente verdade que, na história mais ou menos recente do Sporting, esta tem sido uma sina quase constante. Para tentarem contrapor este desígnio, é certo que muitos se lembrarão do tardio golo de Miguel Garcia, em Alkmaar, que valeu o apuramento para uma final da Taça UEFA; do autogolo de Wisgerhof, que valeu um dramático apuramento diante do Twente; ou mesmo do espectacular chapéu de Yannick Djaló, num histórico triunfo e consequente apuramento no recinto do Brondby (3-0).

A verdade, contudo, é que esses são escassos momentos de felicidade para contraporem todas as desilusões que os adeptos verde-e-brancos têm sofrido, na Europa, em momentos em que tudo já parecia terminado. Rectas finais de pesadelo que quase fazem acreditar que o leão está embruxado quando joga em provas da UEFA.

Prolongamentos que raramente correm bem

Comecei a seguir futebol com maior atenção na longínqua época de 1989/90, quando Fernando Gomes, Luisinho, Douglas e Oceano eram algumas das principais figuras do Sporting, sendo que fiquei logo “avisado” de que jogos do Sporting que seguem para prolongamento acabam quase invariavelmente por redundar na eliminação dos verde-e-brancos.

Miguel Garcia foi o protagonista de um raro prolongamento risonho Fonte: Sporting CP
Miguel Garcia foi o protagonista de um raro prolongamento risonho
Fonte: Sporting CP

Nessa época, e logo na primeira eliminatória da Taça UEFA, foi o Nápoles a afastar o Sporting, isto no seguimento de dois jogos disputadíssimos e que terminaram sem golos, sendo que a eliminação verde-e-branca se deu nas grandes penalidades, isto apesar de Tomislav Ivkovic ter conseguido defender o disparo daquele que seria o melhor jogador do Mundo da altura, o argentino Diego Maradona.

Desde essa data, e mesmo que exista o tal histórico apuramento de Alkmaar para contrapor, são incontáveis os jogos que o Sporting perdeu no tempo extra e tantas vezes com equipas que, à partida, seriam presa fácil para o leão, nomeadamente o Dínamo Bucareste (1991/92), Grasshoppers (1992/93), Casino Salzburgo (1993/94), Rapid Viena (1995/96), Partizan (2002/03), Halmstads (2005/06). Ou seja, desde 1989/90, o Sporting foi oito vezes a prolongamento em jogos europeus e apenas por uma vez seguiu em frente.