As equipas B de um clube já não é algo raro em Portugal. Desde a sua implementação na segunda liga, em 2012/2013, que se tornaram tanto um hábito como uma polémica no futebol português. Inclusive em campeonatos inferiores, como em distritais, começam a aparecer destas equipas.
No início, via a equipa B do Sporting como um estaleiro; afinal, nem todos podem jogar na equipa principal e, caso um jogador se lesionasse, era necessário um local onde ganhasse ritmo de jogo para depois atuar ao seu melhor nível. No entanto, apercebi-me que não era apenas isso. Temos muitos jogadores de qualidade na segunda equipa do Sporting Clube de Portugal.
Exemplo disso são jogadores como Paulo Oliveira, Tobias Figueiredo, Matheus Pereira (todos que já atuaram esta época pela equipa principal na primeira liga por mais de uma vez) ou Podence, Ryan Gauld, e Francisco Geraldes, atual melhor marcador dos leões, que cada dia mais dão provas firmadas que o Sporting CP tem qualidade suficiente para um futuro na competição principal.
Matheus marcou os dois golos no “derby B” e festejou com os colegas Fonte: Instagram Oficial de Matheus Pereira
Os resultados estão à vista: apesar de um modesto sétimo lugar na Ledman Liga Pro, os jovens sportinguistas (sim, jovens; a média de idades deste plantel é de 21 anos, sendo a sua esmagadora maioria portugueses!) estão na sua melhor fase esta época, sendo que não perdem há seis jogos e os últimos quatro foram vitórias.
Aliás, bateram, na última jornada, a equipa B do Benfica por 2-1, contando ainda com uma magnífica defesa de um penálti do guarda-redes Stojkovic, com ambos golos marcados por Matheus Pereira. Outro dado curioso: na equipa inicial, apenas o escocês Ryan Gauld não fazia parte da formação dos leões, outra demonstração do ótimo trabalho que se tem vindo a desempenhar nos escalões de formação do clube. Esta aposta está a dar frutos, está a dar mais-valias ao clube, mais valorização e ainda a promover possíveis soluções para quando correr alguma coisa mal na equipa principal.
A grande final four da UEFA Futsal Cup disputa-se já este fim-de-semana na cidade de Guadalajara, nos arredores de Madrid.
O representante nacional, o SL Benfica, apurou-se com todo o mérito para esta fase e vai discutir o encontro das meias-finais com os russos do Ugra Yugorzk, conforme ditou o sorteio efetuado no passado mês de Março, uma equipa estreante enquanto conjunto mas que conta com uma série de jogadores bastante experientes e internacionais pelas suas seleções, incluindo jogadores brasileiros naturalizados russos, como Eder Lima ou Robinho.
Vai ser, com toda a certeza, um encontro extremamente complicado e equilibrado, onde tudo pode acontecer. Caso os portugueses consigam contornar este obstáculo com sucesso, e caso o mesmo se verifique com o Inter Movistar na outra meia-final, com os italianos do Pescara, pode então concretizar-se a final de sonho do mágico Ricardinho. Não é que, para os adeptos de Futsal a nível nacional, seja uma final ideal, tal o poderio do gigante espanhol. Mas, antes de mais, é importante pensar no encontro das semifinais, pois é o confronto mais próximo e que merece toda a atenção da equipa benfiquista, para só depois poder pensar numa eventual final.
O troféu que o Benfica quer voltar a conquistar Fonte: UEFA
Poder repetir o êxito de 2009/2010 parece bastante complicado, mas costuma dizer-se que a esperança é a última a morrer. Até porque já não há Ricardinho para defender as aspirações dos encarnados, e, além disso, a equipa do Inter Movistar é inquestionavelmente mais forte hoje em dia do que aquela que as águias defrontaram na final da época já citada e que terminou com o único título europeu, até à data, para o Futsal português. Mas os pupilos de Joel Rocha já provaram que são capazes de tudo e que nunca deixam de acreditar, conforme se comprova pelo apuramento verdadeiramente épico para esta fase, com o golo decisivo a ser apontado a apenas dois segundos do fim do jogo.
Para finalizar, o título do Benfica foi conquistado na MEO Arena, por isso esperemos que este seja o ano em que o troféu é ganho em território estrangeiro. Antes de mais, penso que todos os amantes da modalidade vão rever-se no meu comentário e vamos neste fim-de-semana apoiar o representante nacional na competição. Deixemos as habituais quezílias de lado e apoiemos, então, o Sport Lisboa e Benfica na UEFA Futsal Cup, pois o valor das equipas já é demasiado forte. Por isso, cores clubísticas à parte, vamos, Benfica, traz mais este troféu para Portugal!
Caro leitor, a partir de que momento é que começou a acreditar que o Leicester pode mesmo vencer a Liga Inglesa? Em que jogo é que começou a considerar que José Mourinho é um treinador defensivo? Em que dia se apercebeu de que aquele grande Real Madrid de Ancelotti iria acabar a época de rastos?
Gerard Piqué é bom a avaliar esses pontos de viragem. Na época passada, o Real Madrid venceu todos os seus jogos entre 16 de setembro e 4 de janeiro, estabelecendo um recorde de 22 vitórias consecutivas, em que marcou 80 golos e sofreu dez, e parecia embalado para vencer o campeonato. Mas, daí até ao final da época, foi eliminado da Taça do Rei pelo Atlético de Madrid, foi eliminado da Liga dos Campeões pela Juventus e foi ultrapassado pelo Barcelona no campeonato. Qual terá sido o momento decisivo para a má época do Real? Piqué identificou-o.
Na festa de final de época, em frente às três taças então conquistadas (Campeonato, Taça e Liga dos Campeões), Piqué pegou no microfone e, depois de agradecer a todos os culés – adeptos, jogadores e dirigentes –, fez um agradecimento especial: “A Kevin Roldán, contigo empezó todo!”. Piqué referia-se ao dia 7 de fevereiro de 2015, quando o Real Madrid perdeu por 4-0 frente ao Atlético. Depois do jogo, Ronaldo foi filmado a celebrar o seu 30.º aniversário com o cantor Kevin Roldán, demasiado animado para quem acabava de ser goleado pelo grande rival da cidade. Aí começou a queda do Real Madrid, segundo Piqué, que tornou aquela frase famosa.
Piqué fala aos adeptos Fonte: FC Barcelona
Este ano, mais uma vez, Piqué pode ter identificado o momento chave da temporada. Foi o golo de Ronaldo no Camp Nou, no dia 2 de abril. Aquele golo valeu mais do que simples três pontos. O Real Madrid, em vez de ficar a 13, como aconteceria em caso de derrota, ficou a sete pontos da liderança, mas, mais importante do que isso, abalou o Barcelona. Foi um golpe inesperado que criou dúvidas na Catalunha e entusiasmou Madrid. Piqué percebeu logo a importância daquela derrota e revelou a sua preocupação na flash-interview: “Faltam dois meses de competição e estamos numa posição privilegiada. Que não caiamos num mau momento, porque estamos numa posição única e temos de seguir em frente.”
Ora, como sabemos hoje, passadas apenas três semanas, Piqué tinha razões para estar preocupado. Até àquela derrota, o Barcelona vinha de uma série de 39 jogos sem perder. Agora, soma quatro derrotas nos últimos cinco jogos, três no campeonato e uma na Liga dos Campeões. O Real Madrid já está a apenas um ponto de distância e o Atlético, sempre discreto e pensando “jogo a jogo”, como Diego Simeone repete todas as semanas, já está em igualdade pontual.
O Barcelona continua a ser o líder e tem a vantagem de já não estar na Liga dos Campeões, mas o campeonato está relançado e é caso para dizer: “Ronaldo, contigo empezó todo!”
Depois de grandes gerações de jogadores provenientes das escolas do Sport Lisboa e Benfica que foram alvo de grandes conquistas e se tornaram lendas do futebol português e do futebol internacional, como é o caso de Chalana, Humberto Coelho, Simões, Nené e, mais recentemente, Rui Costa e Paulo Sousa, houve um claro desinvestimento na formação encarnada desde os finais dos anos noventa, início do Século XXI, desinvestimento esse que foi acompanhado dos anos mais negros da história do clube da Luz.
Uma data impossível de esquecer será então o dia 22 de setembro de 2006, em que se inaugurou o projeto mais emblemático da era Vieira, o Caixa Futebol Campus. Desde então, a aposta na formação tem vindo a melhorar significativamente, assim como os jogadores que figuram nas seleções nacionais.
Foi neste contexto que decidi elaborar uma lista daqueles que são, para mim, os dez melhores jogadores que saem das camadas jovens da formação do Seixal ou que continuam a figurar nelas. Note-se que a não inclusão de jogadores como André Gomes, Lindelof ou Oblak se deve ao facto de apenas terem figurado um ano na formação do Sport Lisboa e Benfica, tendo apenas feito parte da equipa de Juniores.
10.º Rochinha
Fonte: Standard Liège
Um dos jogadores em evidência pelos encarnados, no brilhante percurso da UEFA Youth League em 2013/14, foi Diogo Rocha, mais conhecido como Rochinha. Com uma finta curta e visão de jogo bastante interessantes, chegou inclusive a ser equiparado a Bernardo Silva, dada a sua influência no plantel de Juniores do Sport Lisboa e Benfica. Porém, o fraco físico que apresenta (1,72 metros e 63 quilos) e certos problemas com empresários não lhe permitiram ainda dar o salto para outro patamar. Com apenas 20 anos, ainda é justo que possua grandes aspirações na longa carreira que o espera.
No momento em que a noite caía sob a substituição de Rafa, já o jogo levava um bom avanço para o conjunto arsenalista. 3-0 sem resposta dos visitantes. Jornada feliz para o Braga. Que bom regresso às vitórias, diga-se! Sem burocracias, bem seguro na caminhada. Assim se vai cimentando o 4º lugar. O mais depressa possível, espera-se, para com as taças podermos sonhar.
Com olfacto e visão de vitória, foi aos 5 minutos de jogo, depois de um excelente cruzamento de Josué para Hassan, que o paladar fez parte dos sentidos bracarenses. 1-0 para o Braga. Hassan I. Início Faraónico, digo eu!
Apesar de algumas tentativas por parte dos pupilos de Petit na busca do golo, em algumas de franco demérito bracarense, não foi desta que o Tondela leu “bolanarede”. Esbarrou em Marafona.
Embalado na vitória, o Braga colocava-se no meio-campo do Tondela em busca do segundo, mas estava difícil bater Cláudio Ramos. A correspondente audiência puxava pelo guarda-redes visitante. Duas oportunidades para o Tondela, quatro para o Braga. 1-0 em jogo espelhado pela justiça de futebol no marcador.
Hassan voltou aos golos Fonte: SC Braga
Começa a segunda parte de bom tom para os vermelhos. Ainda Petit estava a tirar as mãos dos bolsos, e já Stojilikovic tirava o segundo da cartola. Jogada fantástica conduzida por Rafa, que deixa para Djavan, este, cruzando, coloca no centro da área onde o mais perspicaz foi o sérvio bracarense. 2-0 e a pedreira aplaude este Braga.
Ainda com as mãos nos bolsos, Petit é expulso para descontentamento da turma do Tondela. Lance estranho onde a paragem era obrigatória. Mas não ali… Enfim Petit… Continuava o Braga com vontade de marcar, e depois de tantas tentativas, Stojilikovic deixa para Crislan, e este, na cara do Golo aquece o pé e fura a rede. Num rasgo de Super-Homem, tirou a camisola. Cartão mostrado. Tarde noite amarelada e bastante marcada no estádio municipal de Braga.
Ambas as equipas estiveram bem, cada uma com suas armas. Mas o Braga conseguiu ser superior. Jogo que podia ter ditado mais qualquer coisa nos 90 minutos jogados. A verdade é que assim não foi. O Braga agarra os três pontos, e o Tondela larga a mão da Académica. «Agora atravessa sozinho!» – disseram do outro lado. Vamos ver como tudo terminará.
A Figura:
Rafa – Jogou, deu a jogar, e só não marcou pois preferiu dar a marcar.
O Fora de jogo:
Lima – Escusado o teatro final, que culmina com a expulsão…
Este jogo era muito importante. Pela terceira vez jogámos depois do Sporting, e mais uma vez fomos postos à prova. Os ‘verdes e brancos’ eram líderes à condição até à noite de hoje, e o Benfica, mais uma vez, tinha de mostrar que não se vergaria perante a pressão, ou perante os comentários incendiários da estrutura técnica e directiva de outros clubes. Era necessário vencer e convencer. A primeira aconteceu; a outra só durante 25 minutos.
O Vitória de Setúbal deu o pontapé de saída e Eliseu, quase se esquecendo de que estava em campo, abriu a ala direita a Gourpec. Ora, o croata não se fez rogado e cruzou rasteiro para a finalização de André Claro, o matador a serviço dos sadinos. A restante defesa do Benfica também não ficou muito bem na fotografia. Foi um relâmpago de velocidade e um de desatenção. Num segundo se perde, num segundo se ganha.
Pedia-se uma resposta imediata do Benfica. Tinha de ser. Uma equipa depois de uma exibição irreprimível diante do Bayern não podia deixar-se ficar. E começou o bombardeamento. Ricardo esteve à altura enquanto conseguiu, mas as bolas vinham de todo o lado, Mitroglou e Jonas partilhavam entre si uma série de oportunidades desperdiçadas. Foi uma questão de tempo até um golo entrar. O marcador? Quem mais poderia ser que não o suspeito do costume, Jonas? Mas o Benfica não parou e continuou a pressionar de forma esplêndida, baralhando as marcações a um Setúbal que se apresentou num sistema táctico com três defesas, muito diferente do habitual. Os sadinos não estavam a conseguir raciocinar e o Benfica obrigava-os a defender cada vez mais em cima da grande área. Mais uma vez: era uma questão de tempo. Desta vez foi de canto: Jardel marcou de cabeça um grande golo. E estava feito. O Benfica tinha dado a volta ao resultado em 25 minutos, num futebol fantástico, directo, rápido e criativo. Se o Benfica fosse exímio na finalização poderia ter marcado sete ou oito golos. Foram minutos soberbos que valeram o preço de qualquer bilhete.
A intensidade foi muita e a velocidade inacreditável. O Benfica acalmou o jogo e apostou mais na posse de bola e numa troca menos fluida. Os encarnados geriam e o Setúbal tentava encaixar as marcações e responder. E a verdade é que não ficaram muito longe do empate. A defesa da Luz contrastou muito com o ataque na primeira parte. Um demolidor, outro desconcentrado. No segundo tempo não seria assim.
Jardel marcou o golo da vitória e foi o patrão da defesa Fonte: SL Benfica
A segunda parte começou igual à primeira: o Benfica tranquilo com bola e o Setúbal, já organizado, a procurar o golo. A verdade é que, apesar da reviravolta a um ritmo alucinante, nada estava ganho. 2-1 é um resultado que deixa o adversário entrar na disputa do jogo; e a equipa da margem sul do Tejo precisava de pontos. À medida que o cronómetro avançava Gaitán e Jonas iam desaparecendo (o ataque dos encarnados foi uma miragem na segunda parte), por oposição a Arnold, avançado sadino, que incomodava o quarteto defensivo encarnado. O Benfica não parecia o mesmo; errava passes, estava desatento… Se não fosse Fejsa, implacável no meio-campo, assim como a dupla de centrais… Não sei o que teria acontecido.
Desta vez nem as substituições alegraram o jogo. A equipa da casa ficou apática e prolongou o sofrimento da vantagem mínima até ao fim do jogo, desnecessariamente. O Setúbal esteve muito bem a aproveitar a queda de rendimento do Benfica e ainda ousou sonhar quando Pizzi teve o atrevimento de fazer um atraso para o guarda-redes completamente despropositado: a bola acabou por ir ter com Arnold, que ficou um a um com Ederson, só que o guarda-redes levou a melhor; gigante, mais uma vez. Foi o susto merecido para um bicampeão, que não o foi durante a segunda parte.
Faltam quatro finais e estamos na frente. Esta já passou, mas nem por isso devemos esquecer o que aqui aconteceu. Muitas das referências do Benfica estão cansadas, física e psicologicamente, e isso reflecte-se no jogo. A postura e a concentração da defesa tem de durar os 90 minutos e as linhas não podem subir tanto quando se joga contra uma equipa com um avançado possante e denominador como Arnold e outro matador como André Claro. Há lições a tirar e num campeão deve residir a humildade, temos de saber reconhecer, em cada jogo, aquilo que fizemos de bem e de mal. Este não foi o nosso melhor jogo, de longe, mas são destes jogos, sofridos, que se fazem campeões. São estes os jogos que decidem o campeonato. O Sporting já os teve, o Benfica já os teve… É por isso que este ano se resume a estes dois. Agora há que mostrar quem quer mais. Que gritemos! Que voemos no dorso da nossa águia. Que ganhemos todas as finais que se atravessarem na nossa frente, seja em que minuto for. Sejam grandes, humildes e saibam a sorte que têm por utilizarem essa camisola. É difícil, mas no início ninguém diria que aqui chegávamos. Voem com os pés no chão.
A Figura:
Fejsa – Não marcou? Não. Não assistiu? Não. Segurou o meio-campo durante o tempo em que esteve em jogo, provavelmente o arquitecto desta vitória. Nas sombras o médio sérvio distribuiu e recuperou bolas. Acima de tudo: pouco ou nada errou.
O Fora de Jogo:
Pizzi – Cruzamentos, passes, golos e uma oferta escandalosa mesmo ao cair do pano… O que lhe dessem ele errava ou fazia mal. Um jogo que contrasta muito com a grande época que o internacional português tem vindo a fazer.
A partir do momento em que aquilo que dávamos por garantido começa a escassar, entramos numa nova realidade, quase catastrófica, de procura incessante por aquilo que julgávamos nunca vir a perder. O nosso cérebro parece dar o dobro do real valor àquilo que perdemos.
Daí a desorientação e, às vezes, por inerência, a auto-estima. Demos a rapariga perfeita por garantida, achámos que ela nos perdoaria um momento de fraqueza… mas quando ela disse que estaria lá sempre, não incluia faltas de respeito. Depois disto, de a perdermos, posando a cabeça sobre os braços cruzados nos joelhos numa escadaria qualquer, vemos tudo desabar, sentimo-nos imundos e incapazes de ser amados, requisitados outra vez.
O talento é como essa rapariga perfeita, que nos dá um propósito para viver, que nos relembra do quão bons podemos ser, ao qual podemos recorrer, sempre. Mas esse sempre, lá está, não inclui faltas de respeito. E o talento tem um jeito engraçado de se (não) expressar quando mais dele precisamos.
Que o digam os principais jogadores daquela que era, para muitos, a campeã europeia antecipada, senhores de pés mágicos, encantadores de plateias que tinham (e têm, sejamos justos) a capacidade de, individualmente, decidir um jogo. Que o digam Messi, Neymar, Suarez, Rakitic e Iniesta… que o diga o Barcelona.
A vida começou a correr demasiado bem, o talento fluia naturalmente, sem muito esforço, sem muito trabalho, e as coisas apareciam. Quase nem era preciso correr e tudo estava encaminhado para que esta fosse mais uma época só de conquistas. Afinal, às 16h00 de 20 de Março de 2016, os oitavos-de-final da Liga dos Campeões tinham sido ultrapassados com relativa facilidade, a presença na Taça do Rei estava garantida, a distância para o 2º classificado era de 12 pontos e a equipa encontrava-se a vencer, no El Madrigal, ante o Villareal, na deslocação mais difícil (em termos teóricos e olhando apenas para a classificação do campeonato) por dois golos de diferença. Tudo bem encaminhado, tudo demasiado fácil.
Desde o Verão passado, assistimos ao ressurgir de uma rivalidade muito antiga. Porquê? Jorge Jesus, que se havia sagrado poucas semanas antes bicampeão nacional pelo Benfica, passou de um lado para o outro da 2.ª circular. Estava aberta uma guerra entre Sporting e Benfica. Contudo, já lá vai o tempo em que essa mesma rivalidade era saudável. Hoje, ultrapassaram-se os limites de qualquer decência. Quando acontecer uma tragédia, e estou certo de que não estamos longe de tal acontecer, não haverá inocentes: dirigentes, treinadores, comentadores, adeptos e até os jornalistas, serão todos culpados.
Permitam-me que puxe o filme um pouco atrás. Em Maio de 2015 o Benfica tinha conquistado um bicampeonato que lhe fugia há mais de 30 anos. Por sua vez, o Sporting acabava de conquistar a Taça de Portugal e estava de volta aos títulos. Levando em conta o passado recente de ambos os clubes, a pergunta que se tem de fazer é simples: porque é que Sporting e Benfica trocaram de treinador? A resposta seria complexa e, provavelmente, pouco unânime. Mas não é isso que quero discutir.
Luís Filipe Vieira prefere delega tarefas noutros elementos do Benfica Fonte: SL Benfica
Após a euforia dos títulos conquistados, começam as habituais movimentações de bastidores. Bruno de Carvalho, após rescindir contrato com Marco Silva, consegue trazer Jesus para Alvalade. O mesmo Jorge Jesus que, e segundo o próprio tem deixado nas entrelinhas, sentiu que não era desejado no Benfica. Mas também não são estes pormenores que me interessam.
Em qualquer país do mundo que se considere desenvolvido isto seria encarado como normal. É certo que Jorge Jesus estava a passar diretamente de um rival para o outro, mas, vejamos, é futebol. Na última vez que tive oportunidade de verificar, vivemos numa sociedade livre em que cada pessoa tem a liberdade de escolher o seu destino. O mesmo se aplica a Marco Silva.
Todavia, talvez Portugal, por falta de formação ou algo que o valha, gosta de ser diferente. Os meios de comunicação fizeram emissões de horas e horas quando pouco mais havia a dizer. Os dirigentes, de ambas as partes, teceram declarações incendiárias. No meio de tudo isto, convém ressalvar o papel que as redes sociais tiveram no desenrolar dos acontecimentos. É hoje mais do que incontestável que Sporting e Benfica pagam a, digamos, colaboradores, para criarem blogues incendiários onde se propaguem as mensagens definidas pelas chefias. Este tipo de ferramentas, que no passado não existiam, são autênticos catalisadores de rivalidades pouco saudáveis e que vão para além do razoável.
Para além destas guerras nos novos media, temos duas estratégias de comunicação bem diferentes, mas com objetivos semelhantes. No Sporting, o presidente Bruno de Carvalho, principalmente através da sua página oficial de Facebook, vai lançando mais “achas para a fogueira”. A juntar a isto temos Otávio Machado, que ficou parado no século XX. O Benfica, por sua vez, faz-se ouvir principalmente pela voz do diretor de comunicação: João Gabriel. Depois, temos ainda uma série de comentadores “encarnados” com o discurso quase sempre alinhado. Na hierarquia está, para quem não se quiser fazer de parvo ou pouco inteligente, Pedro Guerra.
O Presidente do Sporting é bastante ativo na sua página oficial de Facebook Fonte: Sporting Clube de Portugal
Os meios de comunicação têm, sem margem para dúvidas, uma grande quota-parte de culpa. Exceção feita talvez à RTP e à SIC, parece valer tudo na luta por audiências. Qual a máquina de comunicação mais eficaz? Não sei e pouco me interessa. A verdade é que ambas estão a contaminar o futebol português.
Uma pequena nota para o Futebol Clube do Porto. Começou por perder a hegemonia para o Benfica. Desde que Bruno de Carvalho tomou as rédeas do clube de Alvalade, Pinto da Costa não conquistou qualquer título de campeão nacional. Será que, no que diz respeito a títulos conquistados, o melhor dirigente da história do futebol português está acabado?
Termino exatamente da mesma forma como comecei. Hoje, ultrapassam-se os limites de qualquer decência. Hoje, os pais têm medo de levar os filhos ao futebol porque é perigoso. Hoje, perdeu-se a noção daquilo que é razoável. A assistir a tudo isto de cadeirão, está a Liga Portuguesa de Futebol Profissional e a Federação Portuguesa de Futebol.
A liga milionária terminou para nós. Como já foi dito por muita gente, a vitória moral não deve alimentar o ego dos Benfiquistas; o que deve alimentar-nos é o conjunto das nossas vitórias dentro das quatro linhas, mas reconheço que os dois jogos com o Bayern me deixaram orgulhoso desta equipa. A forma como encarou as duas partidas da eliminatória, sem medo e a jogar de igual para igual, diz muito do carácter desta equipa.
Apesar de a equipa bávara ter um plantel fortíssimo e bastante superior ao do Benfica, a equipa de Rui Vitória conseguiu colmatar as suas lacunas, realizando assim dois jogos bastante interessantes do ponto de vista táctico.
Com um encaixe financeiro recorde, a turma de Rui Vitória agora tem de se focar outra vez no campeonato. A poder contar com Jonas e Mitroglou para o embate de segunda-feira, a turma da luz realiza de novo mais uma final em busca do seu principal objectivo. Como adversário os jogadores vermelhos e brancos terão o Vitória de Setúbal. Apesar de ter realizado uma grande primeira volta, neste momento a equipa sadina é a pior equipa da segunda volta.
Mais um jogo, mais uma enchente de apoio à equipa encarnada Fonte: SL Benfica
Depois de ter perdido dois jogadores importantes na sua estratégia, a turma de Setúbal tem tido muitas dificuldades em pontuar nesta segunda volta. Com a confiança em alta, os pupilos da luz vão assim enfrentar uma equipa debilitada a nível de confiança. Para melhorar a situação, o Benfica joga em casa, perante o seu público. Com previsão de casa cheia, os jogadores vermelhos e brancos não se poderão queixar de falta de apoio. Mas, apesar de ter muitos factores a seu favor, a turma da luz não irá ter um jogo fácil pela frente.
Como todos vimos com a Académica, não existem adversários fracos, e as equipas aflitas fazem de tudo para somar pontos nesta fase do campeonato. Com a obrigação de conseguir os três pontos, a equipa do Benfica terá de se impor durante todo o jogo. Terá de fazer do seu estádio uma fortaleza e mostrar que na Luz manda a equipa de Rui Vitória. Espero ver uma equipa com dinâmica de jogo, a trocar bem a bola e acima de tudo com rapidez, de forma a descompensar o Vitória de Setúbal.
A vontade demonstrada nos dois jogos contra o Bayern terá de voltar a estar presente nos jogadores encarnados, porque neste momento todas as partidas que realizam são decisivas para os seus objectivos.
Espero que mostrem que o “Benfica europeu” é para continuar também no Campeonato Nacional e que todos os jogos devem ser encarados com a mesma “gana” e a mesma atitude com que são encarados os jogos da liga milionária. Apesar de o Vitória de Setúbal não ser um colosso, deve ser encarado com respeito, pois não é apenas nos jogos com os grandes que se ganham campeonatos; é também nos jogos com os pequenos, pois esta prova é uma prova de regularidade e não de vitórias do ego.
O FC Porto recebeu o CD Nacional com o objetivo de tentar pôr fim a uma série de resultados negativos. O campeonato já acabou para os azuis e brancos, mas a dignidade ainda tem de ser salva. Foi com o espírito de mostrar serviço para a próxima época que os Dragões entraram em campo. José Peseiro mostrou algumas surpresas no seu onze ao empurrar Danilo para o eixo central da defesa e ao apostar nos jovens Rúben Neves e André Silva. Destaque ainda para a inclusão de José Ángel em detrimento de Layún. Já Manuel Machado manteve a equipa inicial que na última jornada goleou o GD Estoril Praia.
Com as bancadas do Dragão mais compostas do que nas últimas jornadas, a equipa azul e branca precisou de apenas dez minutos para marcar dois golos. O FC Porto entrou muito forte no jogo ao promover triangulações e uma troca de bola rápida. Foi dos pés de Silvestre Varela que surgiu o primeiro golo da equipa da casa. Grande remate em arco de fora de área a inaugurar o marcador aos dois minutos de jogo. Os Dragões não tiraram o pé do acelerador e, depois de uma oportunidade falhada por André Silva, Herrera recebeu um cruzamento de Corona e finalizou da melhor forma. Jogada mexicana a criar o segundo golo dos Dragões aos 9′. O CD Nacional não conseguia construir jogo uma vez que a equipa liderada por José Peseiro fazia pressão alta no seu meio campo defensivo.
André Silva teve uma grande oportunidade aos vinte minutos para se estrear a marcar pela equipa principal ao responder com um cabeceamento forte a um bom cruzamento de José Ángel. Grande defesa de Rui Silva, que ainda negou, minutos depois, outro golo ao jovem português e dois remates de Corona. O FC Porto esteve por cima do jogo durante a primeira parte inteira e a prova disso é que o CD Nacional só conseguiu criar perigo com remates de longe. Num desses remates, Ali Ghazal testou a atenção de Casillas, permitindo que o guarda-redes da roja fizesse uma grande intervenção. Num dos únicos lances em que a equipa da madeira chegou à grande área dos Dragões, Tiquinho Soares quase marcava o primeiro golo da equipa, ao aparecer solto na grande área adversária e a cabecear para fora um cruzamento de Salvador Agra.
Silvestre Varela foi o jogador que inaugurou o marcador Fonte: FC Porto
Manuel Machado, numa tentativa de mudar o jogo do CD Nacional, promoveu uma alteração ao intervalo, colocando Luís Aurélio no lugar de Ali Ghazal. Foi dos pés do recém-entrado que saiu o primeiro remate da segunda parte. Os primeiros dez minutos não causaram nenhum sobressalto a nenhuma das equipas, mas bastou o FC Porto imprimir um pouco de velocidade para criar uma grande oportunidade aos 55′. Outro bom cruzamento de José Angel deu oportunidade a uma grande combinação entre Corona e Herrera, com este último a rematar com força e a proporcionar outra grande intervenção de Rui Silva. André Silva, novamente muito esforçado, teve outra oportunidade para se estrear a marcar aos 66′, mas o guarda-redes da equipa da madeira ganhou outra vez o duelo contra o jovem português. Rui Silva foi evitando os remates do FC Porto, mas não conseguiu evitar o cabeceamento de Danilo Pereira. Foi de cabeça que o internacional português respondeu a um cruzamento de Corona e inaugurou o marcador na segunda parte.
O FC Porto conseguiu manter o perigo fora da sua baliza, e nos minutos finais deu oportunidade a Rui Silva de brilhar novamente, após duas oportunidades desperdiçadas por Herrera e Aboubakar. O camaronês, que entrara no lugar de André Silva, não desperdiçou a segunda oportunidade e fez um chapéu sobre Rui Silva, estabelecendo o resultado final.
Grande exibição de “pré-época” do FC Porto. José Peseiro conseguiu colocar a equipa a jogar à sua imagem e impôs a melhor vitória enquanto treinador dos Dragões para o campeonato. A equipa de arbitragem esteve bem no jogo menos ao validar o golo de Aboubakar, uma vez que o camaronês estava em posição irregular no momento do passe.
A Figura:
Hector Herrera – O mexicano foi dono e senhor do jogo. Conseguiu marcar um golo e criar sucessivas oportunidades para a equipa marcar. Honrou a braçadeira de capitão.
O Fora-de-Jogo:
Manuel Machado – O treinador da equipa da madeira não conseguiu aproveitar o momento frágil dos azuis e brancos.