Início Site Página 12190

Adeus, Neville. Hoje foi o dia!

0

Cabeçalho Liga Espanhola

Já está. Gary Neville já foi despedido do Valencia C.F. Era só uma questão de tempo, como parece ser com qualquer treinador do clube nos últimos anos.

Até os técnicos que tiveram mais sucesso ao longo da última década tiveram de ouvir o cântico que os valencianistas tanto gostam de dedicar aos seus treinadores. “Quique, vete ya!”, escutou Quique Flores; “Unai, vete ya!” ouviu Unai Emery; e, claro, Nuno Espírito Santo também teve direito a ouvir o Mestalla cantar-lhe o “Nuno, vete ya!”.

E estes foram os únicos três heróis que, durante a última década, aguentaram mais de uma época completa no cargo. Os restantes nem seis meses duraram, como foi o caso de Gary Neville, contratado no início de dezembro.

Quando o ambiente em redor de Nuno já era insuportável e o seu despedimento era iminente, aproveitei uma destas crónicas  para lhe deixar uma sugestão relativamente à sua conta do Twitter: na sua descrição, onde se lia “Perfil oficial de Nuno Espírito Santo, entrenador del Valencia CF”, deveria acrescentar “Por enquanto, por enquanto…”.

Gary Neville num dos últimos treinos do Valencia Fonte: Valencia CF
Gary Neville num dos últimos treinos do Valência
Fonte: Valencia CF

Ora, a sugestão parece-me válida para quem quer que seja que treine o Valencia – estás a ouvir, Pako Ayestarán? –, mas a atitude de Gary Neville também não me parece má. No seu perfil do Twitter tinha (e tem) uma simples frase, “Attack the day”, que é a melhor maneira de encarar aquele cargo, já que nunca se sabe qual será o último dia.

Todos sabíamos como iria acabar esta aventura de Neville, mas o dia exato do desfecho acabou por ser surpreendente. É que, apesar da paragem de duas semanas para jogos das seleções, o anúncio do despedimento foi feito a apenas três dias do próximo jogo do Valência, que se desloca ao terreno do Las Palmas no próximo sábado.

Tenho um palpite sobre o que terá precipitado a decisão. Quando foi contratado pelo Valência, ficou decidido que Neville continuaria a desempenhar funções na equipa técnica da seleção inglesa. Assim, apesar de ser treinador de uma equipa que está a atravessar uma época muito difícil e em que não falta trabalho para fazer, Neville passou esta última semana com a seleção, em vez de ter aproveitado a paragem para treinar com os seus jogadores.

Há uma velha máxima segundo a qual nunca se deve faltar ao trabalho, pois é aí que o patrão se pode aperceber de que não fazemos falta. Neville aprendeu-a da pior maneira.

Foto de Capa: Valencia CF

Rui Jorge e Fernando Santos: Está nas vossas mãos

sporting cp cabeçalho 2

É certo e sabido que, desde que me entendo como gente, o Sporting Clube de Portugal sempre se apresentou como uma das melhores canteras e academias do mundo do futebol.

É certo e sabido que, nos últimos anos, os jovens que têm aparecido na ribalta de alguma forma passaram pela formação e equipa A da turma leonina…

Também é certo e sabido que alguns dos “grandes” jogadores que a equipa verde-e-branca formou só tinham talento no corpo, pois a mente em muitos momentos falhou, e não falo das “traições” de alguns jogadores. Falo do potencial futebolístico que alguns poderiam ter tido e que na prática nunca tiveram ou chegaram verdadeiramente a usar… Danis desta vida, Fábios Pains… E outros que tais…

Este é um ano de grandes competições internacionais ao nível futebolístico e Portugal, por uma das poucas vezes na história, vai estar presente em todas… E isto não se deve só aos jogadores que tem… deve-se também à competência dos treinadores actuais. Quer do “treinador olímpico” quer do treinador da Selecção A. Estas, para mim, não são as melhores gerações de sempre do futebol português, mas a verdade é que ambos os selecionadores nos têm colocado a sonhar e a acreditar que é possível… E no caso “Olímpico” acho que Rui Jorge vai conseguir um grande resultado…

Não aproveitar a equipa do Sporting nas diferentes seleções é um erro que se paga caro… já no passado recente temos tido provas disso. Fonte: Sporting CP
Não aproveitar a equipa do Sporting nas diferentes seleções é um erro que se paga caro… Já no passado recente temos tido provas disso
Fonte: Sporting CP

E, aqui, acho que entra o papel de ajuda do Sporting Clube de Portugal… A quantidade de “jovens” que o Sporting tem a jogar, quer na equipa A, quer na equipa B, e que estão espalhados por diversas equipas (mas que em algum momento já jogaram juntos) podem ser os ingredientes para a poção mágica do sucesso. Não estou com isto a dizer que só devem ir os jogadores do Sporting, mas deve-se respeitar o trabalho e o desempenho de cada um.

Não gostava de ver, como já vi no passado, jogadores que pouco ou nada jogaram ou pouco ou nada fizeram, que pelo mero interesse de empresários representaram as nossas cores e tiraram o lugar a quem lá deveria estar por mérito próprio. Aproveitem bem o que o Sporting Clube de Portugal tem feito, aproveitem as sinergias entre jogadores, o entrosamento, as qualidades técnicas e o coração dos jovens leoninos.

Rui Jorge e Fernando Santos, faço-vos um pedido: está nas vossas mãos não caírem na esparrela dos empresários e dos interesses e, citando Fernando Santos, “o que me faz confusão é irmos a um Europeu e acharmos que não vamos lá fazer nada. Isso é que eu acho estranho”… Estamos fartos de ser a seleção do quase.

“Até hoje, quase marcámos, quase ganhámos, quase fizemos… Mas porquê quase?… Passemos à próxima fase.”

Foto de Capa: Seleções de Portugal

 

Top 10: Atletas do desporto (amador) português

1. Rosa Mota

rosa mota

De figura frágil, estatura pequena e corpo franzino, muitos duvidariam da sua capacidade para alcançar as marcas que viria a atingir ao longo da sua carreira. Figura incontornável da cidade do Porto – representou FC Foz (1974-1977), FC Porto (1978-1980) e Clube de Atletismo do Porto (1981-1991) – espantou o Mundo dominando, durante uma década, os mais de 40 quilómetros da maratona. Campeã mundial (Roma, 1987) e Europeia (Atenas, 1982; Estugarda, 1986; Split, 1990) da especialidade, atingiu o auge conquistando bronze (Los Angeles, 1984) e ouro (Seul, 1988) nos Jogos Olímpicos. Neste período, venceu as maratonas de Roterdão (1983), Chicago (1983 e 1984), Tóquio (1986), Boston (1987, 1988 e 1990), Osaca, (1990) e Londres (1991) e é a recordista, com seis triunfos consecutivos (entre 1981 e 1986), da conceituada S. Silvestre de S. Paulo, no Brasil, tornando-se assim uma lenda do desporto português e mundial.

“A Caminhada – Passo 7” Carnide Clube – Alverca 3-0

Cabeçalho modalidades

“O Abismo a olhar para nós!”

Numa jornada em que reconquistámos o primeiro lugar (em igualdade pontual com o CVA) é impossível não dizer que nos pusemos “a jeito”.

Este resultado põe nos na liderança do grupo e, no fim do dia, é tudo o que interessa!

Mas ….

Quando olharmos para esta época com o distanciamento necessário vamos ver que este poderia ter sido o dia em que deitámos tudo a perder e por nossa responsabilidade.

Tivemos uma semana difícil de trabalho com um problema interno, não soubemos encontrar em nós a motivação certa que este jogo requeria e por fim a entrada em jogo.

Bem sei que por muito que se diga e que se alerte os níveis de motivação não são os mesmos em todos os jogos e como se tudo isto não bastasse duas das nossas jogadoras mais influentes estavam com sintomas febris/gripais.

Tudo isto aliado a irmos jogar contra uma equipa sem a mínima pressão e com a qualidade do Alverca fazia com que tivessem reunidas as condições para um possível tropeço.

E, neste campeonato, onde lutamos pelo título qualquer derrota pode hipotecar toda uma época….

Sabíamos que de nada adiantava estar “com o ouvido” no jogo Lousã-CVA se não fizéssemos a nossa parte.

Quanto ao jogo… Entramos mal, bastante irregulares no S/O e sem energia. O segundo tempo foi pedido aos 7-17!!!

Se é verdade que estivemos muito mal para chegar a esse placard também é verdade que soubemos reunir, ver que tínhamos que mudar a disposição mental e foco (acima de tudo), jogar um ponto de cada vez e usar da nossa experiência e maior qualidade. Estivemos muito bem na recuperação no nosso sistema defensivo e o nosso serviço esteve a níveis muito elevados. O Alverca tremeu com o aproximar no marcador e fechamos o set 27-25!

O segundo set foi mais tranquilo. Estivemos melhor desde o início e o Alverca sentiu o peso da derrota naquelas circunstâncias no 1º set. Fechamos com naturalidade 25-21.

2-0 Susto contornado (pensávamos nós) e voltamos a entrar apáticos e sem energia máxima no 3º set. Mais uma vez estivemos a perder por grande margem e ao nível do 1º set tivemos que fazer algo mais para ir buscar o set 25-23.

Resumindo por vários motivos estivemos abaixo, fica o aviso mas também a nota de que num jogo menos conseguido (acontece a todas as equipas) soubemos ter a calma e acima de tudo a qualidade colectiva de conquistar os 3 pontos.

Com o desaire do nosso adversário mais directo na Lousã a tabela classificativa encontra-se assim em vésperas do Aveiro-CC:

carnide

Impossível estar mais empatado!

O jogo do próximo domingo decidirá tudo! É um luxo que entrando no 8º mês da época estejamos em 1º com tudo na mão para sermos campeões!

É cruel que uma destas equipas tenha que ficar para trás mas não é altura para mexer com a história! Esta época terá tons de azul e amarelo e para a semana olharemos com emoção para esta crónica que relatará, certamente, um jogo emocionante e de grande qualidade.

O vencedor será o CARNIDE. Elas merecem! Até para a semana!

Renato Sanches: da estreia à parvoíce

0

sl benfica cabeçalho 1

Há muitos anos que um jovem jogador não gerava tanto falatório como Renato Sanches. O último? Talvez CR7, já há mais de dez anos, aquando da saída para Manchester. A prova de que Sanches é um centro magnético de atenções, como há muito não se via, foi o facto de termos um puto a correr para o relvado na estreia do jovem craque do Benfica pela selecção somente para o abraçar. Já antes, havia sido uma ovação a abrir o apetite. E até ao embate búlgaro foram incontáveis capas de jornal, artigos na net e Hosanas ou indiferença verbalizada e aziaga em relação ao rapaz.

Mas comecemos, como tudo na vida, pelo início. A chegada de Rui Vitória à Luz prometia mais oportunidades para a miudagem. O reinado de JJ foi de trevas para os jovens. A perda de gente como João Cancelo, Bernardo Silva ou Danilo Pereira é irreparável. Mas o novo timoneiro prometia mais: Nélson Semedo e Gonçalo Guedes foram os primeiros de uma série de testes, uns com mais e outros com menos sucesso. Mas sempre com o novel treinador à procura de uma fórmula que conjugasse a sua apetência pela formação com as ambições legítimas de um bicampeão.

E, à medida que algumas apostas iniciais iam perdendo fulgor (Guedes) e outras fracassavam em redondo (Clésio), a equipa não apresentava consistência e qualidade. Aliás, o futebol era mesmo mauzinho. E o golo só mesmo caído aos trambolhões, num rasgo individual de Gaitán aliado ao faro de Jonas. O resto…? Confrangedor. Alarmante, com o tribunal da Luz a coçar a cabeça, interrogando-se sobre o que se passava. E quando o meio campo persistia em ser uma manta com retalhos como Almeida, Talisca e Samaris, que entravam e saíam consoante calhava, apareceu, quase em desespero, o miúdo das rastas. Um tal de Renato Sanches, em quem muitos viam qualidade mas que tinha só 18 anos e dificilmente resolveria tudo. Soava a desespero. A atirar o barro à parede a ver se colava, tipo Victor Andrade!

Porém, à medida que Sanches se foi incorporando no 11, e foi um processo rápido (ao 2.º jogo era tudo dele), o Benfica cresceu como que por magia. O futebol não era tão rendilhado. Tão aborrecido. Com bola para o lado e para trás. A equipa ganhou verticalidade. Deixámos de demorar tanto tempo a chegar à área contrária e passámos a ter mais iniciativa. É isso que Sanches traz à equipa. Futebol em linha recta, que faz avançar as linhas a cada passada elefantina. Um verdadeiro Simplex futebolístico! Com metros e adversários galgados por corrida em posse.

Portugal 2-1 Bélgica: Este Portugal vai ter uma palavra a dizer

cab seleçao nacional portugal

Numa noite fresca em Leiria, dois dos seis ou sete principais candidatos ao Euro defrontaram-se, num dos derradeiros jogos de preparação para o Europeu na França a disputar neste próximo Verão de 2016.

Num jogo que se julgava equilibrado, fez-se esquecer os atentados que abalaram Bruxelas na semana passada e puseram-se à prova, duas seleções que apresentam boas individualidades e que têm condições para surpreender na próxima edição europeia, a seleção das Quinas apresentou-se com um 4-1-3-2 em situações ofensivas e num 4-4-2 defensivamente, ou seja, a encarar este jogo de maneira diferente à que se verificou na passada sexta-feira, onde Danilo, Cédric, Raphael Guerreiro, José Fonte e André Gomes voltaram ao onze inicial português, frente a uma Bélgica que jogou no 4-3-3 ao qual nos tem habituado.

Num início de jogo equilibrado com ambas as defesas altas, os Diabos Vermelhos até começaram por entrar melhor no jogo, com um estilo de jogo largo a beneficiar o futebol pelas alas, nomeadamente por Chadli e Mertens mas sem grande perigo. Entretanto, Portugal apresentava um jogo mais fluido, afunilado e sem pressão alta tentado aproveitar a velocidade dos seus jogadores para lançar rápidos contra-ataques a um e dois toques desconcertando a pressão alta que a turma belga exercia.

Os contra-ataques rápidos da nossa seleção, contavam com pouca gente no ataque mas com qualidade e facilidade de criar oportunidades de golo. Destaca-se a jogada entre Nani, Ronaldo e João Mário que acaba com este último numa situação isolada frente ao guarda-redes adversário e ainda com um excelente cruzamento de João Mário que merecia melhor resposta por parte de André Gomes.

Contudo, foi com meio-campo instalado que Portugal apareceu com mais perigo e chegou aos seus dois primeiros golos. Com um jogo de posse, Portugal teve dois remates perigosos à passagem do minuto 10 do encontro e, com Ronaldo e Nani a jogarem soltos e a aparecem sistematicamente nas alas, aparece o primeiro golo do encontro aos 19 minutos com uma boa combinação entre Ronaldo, André Gomes e Nani entre o espaço, diga-se enorme, possibilitado por Denayer e Gillet, permitindo ao Nani aparecer isolado e decidir com qualidade.

Com esta tática e movimentações de Ronaldo e Nani, exige-se mais atenção das defesas contrárias e Portugal coloca mais intensidade nas suas disputas de Homem a Homem, potenciado a intensidade que os seus jogadores colocam no jogo.

Mais uma vez de meio-campo instalado, bom cruzamento de João Mário descobre uma excelente motivação de Ronaldo que não facilita.

Primeira parte de grande nível de Portugal, bem diferente do que se viu com a Bulgária em que, com uma tática diferente exponenciando a velocidade dos seus jogadores, confirma que é um dos 7 candidatos a ter em conta neste Europeu. Menção honrosa para João Mário, o maestro desta seleção e para Raphael Guerreiro que encaixa que nem uma luva nesta tática com futebol mais direto e de transições rápidas.

Ronaldo voltou a marcar Fonte: Federação Portuguesa de Futebol
Ronaldo voltou a marcar
Fonte: Federação Portuguesa de Futebol

Segunda parte, Bélgica estabiliza e mostra o seu futebol com golo protagonizado entre os irmãos Lukaku, passado um quarto de hora do segundo tempo, com o mais velho a mostrar o seu jogo aéreo e a bater a defensiva portuguesa. Lukaku é sempre um jogador mais, dadas as suas movimentações e ao seu físico imponente.

Com a entrada de Éder e Quaresma, Portugal volta ao habitual 4-3-3 privilegiando um futebol mais de posse e menos direto, Portugal só chegaria com perigo à área adversária através de um livre direto convertido por Raphael Guerreiro.

Mais tarde, com a entrada de William Carvalho, Fernando Santos testou um 4-2-3-1 em que, com mais homens no meio-campo e com um Renato sem tantas preocupações defensivas, consegue estabilizar e desaparece o fio de jogo que a Bélgica encontrou nos momentos iniciais da segunda parte.

Um jogo que Portugal confirma o seu estatuto de seleção a ter em conta neste próximo Campeonato da Europa e a derrotar sem contestação, aquela que pode vir a ser uma das seleções a surpreender, a Bélgica.

A Figura:

Cristiano Ronaldo – Habituado a jogar mais livre em termos posicionais, Cristiano Ronaldo é isto, um jogador acima da média sem bola e que, estando sempre no sítio certo, potencializa a sua qualidade técnica a nível da sua finalização e do jogo a um e dois toques. Embora nem sempre decida da melhor forma, quando marca ou dá a marcar, resolve jogos e hoje foi o caso disso mesmo em que, num jogo sem erros, marcou e foi preponderante no domínio portugués, especialmente no primeiro tempo.

O Fora-de-jogo:

Éder – Carecendo de ponta-de-lança com qualidade, Éder tem sido a única escolha de Fernando Santos nas últimas convocatórias. Apesar de ser um jogador aguerrido e com bastante estatura, limita e muito o estilo de jogo da nossa seleção, dada a qualidade técnica medíocre e, por isso mesmo, a dificuldade que tem em jogar de costas para a baliza. Mais uma vez, dada a sua entrada, o jogo de Portugal perdeu qualidade nos momentos com bola e deixaram de ser criadas oportunidades de golo para as Quinas.

Falta “apenas” confirmar em casa

0

Cabeçalho modalidadesDepois do importante triunfo já abordado num artigo anterior em Belgrado, ficámos indiscutivelmente mais perto do Mundial, e agora fica a faltar apenas o jogo em nossa casa, dia 12 de Abril, no pavilhão multiusos de Odivelas, para selar este apuramento.

Torneado que está este primeiro obstáculo, creio que é mais ou menos seguro dizer que o mais complicado já passou, embora não seja conveniente menosprezar a equipa da Sérvia, sob pena de podermos sofrer um enorme dissabor. Vou fazer uma menção também ao ambiente verificado nas bancadas da arena de Belgrado, bem mais calmas e menos fervorosas no apoio aos jogadores da casa do que no jogo do Euro’2016, no passado mês de Fevereiro.

Confesso que este ambiente mais “morno” me espantou bastante, pois esperava bem mais do público, na medida em que contava que fosse o sexto jogador e apoiasse bastante mais vivamente os seus jogadores. É verdade que a “febre” do Europeu já passou, e além disso bem sabemos do carinho que o público sérvio tem para com o melhor do mundo, o mágico Ricardinho, aplaudido aquando da sua entrada em campo.

Ricardinho até parecia um jogador sérvio, pela maneira como foi aplaudido  Fonte: Seleções de Portugal
Ricardinho até parecia um jogador sérvio, pela maneira como foi aplaudido
Fonte: Seleções de Portugal

Sobretudo estes dois fatores poderão explicar o menor contributo dos adeptos para a exibição da equipa centro-europeia, sempre habituada a canalizar o apoio dos seus compatriotas para conseguir bons jogos e tornar-se assim uma das equipas mais temidas no seu reduto na Europa inteira. Agora, temos a segunda mão em casa, e cabe-nos a nós criar um verdadeiro inferno, dentro do fair-play que historicamente nos caracterizou, mas incansavelmente no apoio aos nossos heróis, mostrando que o europeu menos conseguido já está ultrapassado e que é nestes momentos que a seleção tem a oportunidade de se redimir perante os seus adeptos, não apenas porque ganhámos lá, mas porque é essencial a equipa nacional sentir que tem os adeptos ao seu lado para tentar chegar até à Colômbia. Porque, para dizer a verdade, e parafraseando Ricardinho na conferência de imprensa de antecipação ao jogo na Sérvia, “Não consigo imaginar um mundial sem Portugal”.

Por isso, para lá podermos chegar, é necessário criar uma ótima atmosfera em Odivelas, de “colinho” incondicional e de muita ajuda vinda das bancadas, pois só assim os jogadores poderão ter forças para contornar este obstáculo e fazer-nos chegar por conseguinte até ao Mundial da modalidade, que já não tem a mesma piada sem uma seleção de topo e que, por mérito próprio, já alcançou um lugar no lote de candidatas a vencer a competição; se lá chegar, é claro.

Foto de Capa: Seleções de Portugal

O regresso de David Vidal aos palcos do futebol

0

Cabeçalho Liga Espanhola

Estadio Pedro Escartín, 24 de Março, Guadalajara, região autónoma de Castilla-La Mancha, Espanha.

Uma tarde de sol no Estadio Pedro Escartín, em Guadalajara, serviu de mote ao tão desejado regresso ao futebol de um nomes mais marcantes da modalidade nos últimos 30 anos. David Vidal, 65 anos, um currículo invejável, regressa ao activo após uma ausência de quase três anos para tentar salvar o CD Guadalajara, que se encontra perigosamente perto dos lugares de descida à terceira divisão do futebol espanhol. O jogo é contra o CF Rayo Majadahonda, outro emblema a precisar desesperadamente de pontos, pelo mesmo motivo que move os donos da casa, e por isso a vitória é da maior importância para ambas as equipas.

A David Vidal foi-lhe incumbida a tarefa de conseguir a vitória para um CD Guadalajara que já não ganha há quatro jogos e que só havia somado os três pontos uma vez nos últimos nove jogos. David Vidal pisou o relvado do Estadio Pedro Escartín enquanto contemplava os cerca de mil adeptos que ocupavam a bancada central e que o procuravam saudar. Uma vez que não se pôde sentar no banco de suplentes por questões federativas, o experiente técnico ocupou um lugar nessa mesma bancada, bem perto do banco e do terreno de jogo, enquanto transmitia ao seu adjunto as indicações necessárias à medida que o jogo corria. Não precisou, no entanto, de esperar muito para ver o seu trabalho de cerca de uma semana começar a dar frutos, uma vez que, logo aos dois minutos de jogo, Miguélez apontou o primeiro golo para a equipa da casa. O domínio do CD Guadalajara foi total e foi sem surpresa que chegaram ao intervalo a vencer por três bolas a zero. A segunda metade, já numa toada mais lenta, serviu apenas para os donos da casa cimentarem a vantagem e apontarem mais um golo por intermédio de José Vega, o que colocaria o resultado final em 4-0.

Foi só e apenas a nona vitória do CD Guadalajara em 31 jogos na Segunda División B espanhola esta temporada, mas a resposta positiva dada pelos jogadores após a chegada David Vidal deixa antever um percurso mais tranquilo para aquilo que falta jogar esta época.

David Vidal à conversa com os guarda-redes no primeiro treino à frente do CD Guadalajara Fonte: A Marca
David Vidal à conversa com os guarda-redes no primeiro treino à frente do CD Guadalajara
Fonte: A Marca

Um motor chamado Danilo

0

fc porto cabeçalho

Fim de semana calmo nas hostes portistas. Calmo até de mais, pois o FC Porto não pode contar com 13 jogadores internacionais que estão ausentes, derivado aos compromissos que têm com as suas respetivas seleções. Os dragões são o clube que mais jogadores dispensou para as seleções em Portugal, são eles Danilo, Ruben Neves, André Silva, José Sá (Portugal), Layún, Corona, Herrera (México), Casillas (Espanha), Maxi (Uruguai), Aboubakar (Camarões), Suk (Coreia do Sul), Brahimi (Argélia) e Marega (Mali). Apesar de ser um grande motivo de orgulho para todos os adeptos ver que os seus artistas são cada vez mais valorizados, não se pode esquecer, que sem eles no Olival não se constrói uma equipa mais forte, nem rotinas de trabalho de equipa.

Deste grupo extenso de internacionais o que nos salta mais à vista é o incansável Danilo Pereira. O médio defensivo nascido na Guiné-Bissau, tem sido um dos rostos mais afirmados no que diz respeito à pobre época que o FC Porto está a protagonizar. A sua atitude determinada e lutadora faz com que os aficionados se identifiquem com as as suas exibições, muitas vezes, faz recordar jogadores como Fernando, Guarin ou até mesmo Costinha.

Alto, fugaz e forte tanto no jogo aéreo como na qualidade de passe, aponta nesta primeira época de dragão ao peito 4 golos em 37 jogos. É um dos indiscutíveis de José Peseiro, e leva já 2879 minutos jogados em todas as competições com os azuis e brancos. Danilo tem-se tornado no motor dos dragões, se ainda existe qualquer tipo de esperança na conquista do campeonato, muito se deve a este empenhado atleta, que nunca atira a toalha ao chão e disputa cada lance como se fosse o último. É caso para dizer, se todos os jogadores do FC Porto tivessem metade da determinação e da excelência de Danilo, a equipa não estava no lugar onde está e não sofria tantas chicotadas psicológicas.

Aos poucos vai convencendo o selecionador nacional Fernando Santos, com a sua presença no Europeu deste ano quase garantida, apenas lhe falta confirmar de forma inequívoca um lugar no onze de Portugal. Finalista vencido em 2011 do mundial de sub-20, estreou-se na seleção AA pela mão de Fernando Santos num amigável frente a Cabo Verde. A partir daí, tem mais 7 jogos, sendo que nos 3 jogos oficiais que disputou foi sempre titular e a nossa seleção saiu sempre vitoriosa. Há que ter em conta este tipo de fatores se realmente queremos ir longe neste campeonato da Europa.

Danilo é presença assídua na seleção Fonte: Instagram Oficial de Danilo Pereira
Danilo é presença assídua na seleção
Fonte: Instagram Oficial de Danilo Pereira

Danilo projecta-se como um jogador polivalente, pois tanto pode servir a equipa das quinas, actuando como defesa central ou médio defensivo. Habituado a terrenos mais recuados, também se projeta bem no ataque graças à sua larga dimensão física e ao seu bom remate. Para concluir é provavelmente o jogador mais completo no meio campo português. Com a concorrência feroz com William Carvalho, o portista tem levado a melhor no que toca à opinião pública, não menosprezando o médio do Sporting, Danilo encontra-se na plenitude das suas capacidades físicas e exibicionais e apresenta um muito melhor rendimento que o seu concorrente.

A expectativa é grande para ver quais são os últimos 23 escolhidos pelo selecionador nacional. A decisão nunca agrada a todos, mas o que inquestionável é a presença de Danilo Pereira no lote final. Acarinhado pelos benfiquistas, respeito por sportinguistas e venerado pelos portistas, o senhor quarenta milhões idealiza-se como o verdadeiro titular da posição 6 no miolo da seleção portuguesa.

 Foto de capa: FC Porto

Sub-23, Portugal 4-0 México: Quem precisa de um CR7 quando tem um 11?

cab seleçao nacional portugal

Convidado a falar sobre a filosofia de jogo de Pep Guardiola, enquanto treinador do Barcelona, Thierry Henry expôs, num programa televisivo, de forma simples, a ideia do técnico espanhol: posse atrás, e total liberdade no último terço. Aliás, chegou a citá-lo: “Tudo o que se faz até aos últimos 30 metros é da minha responsabilidade; depois disso, é da vossa”.

É oportuno lembrar Guardiola e o seu Barcelona na análise a este jogo, sobretudo por aquilo que a Selecção Olímpica Nacional fez, praticando um futebol associativo, com compromisso por parte de todos os elementos do jogo em todos os seus momentos, compactando-se, quando em posse, sem que isso deixasse de ser lindo de se ver, com trocas de bola eficazes, visando toda a largura do terreno, com o foco na linha da frente, e aí toda a responsabilidade estava nos fantasistas… Que não desiludiram, fosse na primeira ou na segunda parte, encantando o “competente” público açoriano e fazendo crescer legítimas ambições do povo português rumo àquela que poderá ser primeira medalha olímpica da história. Afinal, derrotou-se o actual detentor da medalha de ouro… Embora este muito tenha mudado em quatro anos, como ficou bem patenteado no resultado, que foi espelho fiel do que se passou em campo.

A goleada começou a desenhar-se numa altura em que ainda não se tinham criado oportunidades de golo e as equipas se estudavam uma à outra. Porém, logo aí ficou bem evidenciada a capacidade deste colectivo, que, ao pressionar a defesa mexicana, aproveitou um erro do seu capitão, Salcedo, que, apertado por Ricardo Pereira, se viu obrigado a atrasar para o seu guarda-redes, não contando com a sagacidade de Diogo Jota, oportuno a destruir a linha de passe e a ultrapassar Gudiño para inaugurar o marcador.

A selecção nacional cresceu a partir daqui. Guiada pelo tal futebol associativo e pela batuta de um maestro chamado Iuri Medeiros, partiu para cima dos mexicanos, que se viram incapazes de contrariar o pendor ofensivo português e de sair com eficácia da primeira fase de construção, sempre condicionada por uma pressão incessante dos jogadores da frente e/ou pela superior organização defensiva do trio do meio-campo (Francisco Ramos, Ruben Neves e Bruno Fernandes), com um entendimento que permitiu dar folga à defesa nacional.

A Seleção Olímpica deixou boas indicações Fonte: FPF
A Seleção Olímpica deixou boas indicações
Fonte: FPF

Foi com base nestes pressupostos que se chegou ao segundo golo. Primeiro, a bola circulou no campo todo. Depois chegou a Nélson Semedo (já antes tinha avisado, num remate perigoso) que cruzou tenso, depois de ganhar em velocidade, à procura de um desvio, que surgiu, mas não para dentro da baliza, por parte de Salcedo. Na sequência do canto, abtido por Iuri Medeirosm Rúben Neves, na recarga a um primeiro cabeceamento, fez o segundo, encerrando as contas da primeira parte.

Para a segunda metade, Rui Jorge tirou Francisco Ramos e colocou João Carlos Teixeira e alterou a frente de ataque, entrando Gelson Martins, Gonçalo Guedes e Ricardo Horta para os lugares de Iuri Medeiros, Ricardo Pereira e Diogo Jota. Não se notou quebra de rendimento, e os homens da frente foram dignos sucessores dos que encantaram na primeira parte, com jogadas carregadas de qualidade técnica mas com objectividade, não deslustrando a encantadora personalidade desta equipa. Aliás, o terceiro golo passa por todos os substitutos – é concluido por Gelson.

Com o decorrer do jogo, Rui Jorge experimentou passar do 4x4x2 losângo para o 4x3x3, com a entrada de Lucas João, e o recuou de Ricardo Horta para o centro do terreno, mas a equipa ficou mais permeável no meio-campo, e ter uma unidade isolada no centro do ataque acabou por tirar

fluidez ao ataque. Ainda assim, a selecção nacional, pese embora dois sustos, aos quais Miguel Silva (substituiu José Sá) soube dar resposta, ampliou a vantagem, de grande penalidade, ganha por Gelson Martins e convertida por Ricardo Horta.

Ficou sentenciado o encontro, e alimentada a esperança. Este foi o primeiro jogo da selecção olímpica, que ainda sofrerá alterações, nomeadamente com a entrada de três jogadores com mais de 23 anos, mas perante este colectivo, apetece perguntar: é preciso mais alguém? Para quê um CR7 se temos um 11?

A Figura:

Iuri Medeiros (Portugal Sub-23) – É difícil destacar um só jogador numa exibição colectiva encantadora, mas Iuri Medeiros conseguiu destacar-se, trazendo ao jogo o melhor do seu repentismo e qualidade técnica, guiando a equipa na avalanche ofensiva que tornou claustrofóbico o jogo mexicano.

O Fora-de-Jogo:

Salcedo (México Sub-23) – O defesa-central e capitão de equipa não teve a tarde mais feliz da sua vida. No primeiro golo, deixou-se “sufocar” por Ricardo e não contou com a possibilidade de Jota “roubar” a linha de passe no seu atraso para o guarda-redes. No quarto, comete grande penalidade excusada sobre Gelson Martins. É certo que foi feito refém, incapaz e impotente, do assalto português, mas foi quem mais responsabilidades teve, no lado mexicano, pela goleada.

Foto de Capa: FPF