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A estrutura perdeu o olfacto

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cabeçalho benfica

Guardo até hoje na memória um passatempo de infância: na velha casa dos meus avós, colhia pétalas de rosas e mergulhava-as em frascos antigos cheios de água, que deixava a repousar, durante dias, no parapeito de um tanque de pedra. Por essa altura, convencia-me a mim mesmo ter criado um verdadeiro perfume, de fragrâncias suaves e odorosas, que poderia, na prática, ser utilizado por qualquer pessoa. Essa ilusão confundia-se, de facto, com a realidade e era apenas o reflexo da ingenuidade e de uma (poderosa) vontade, próprias e naturais nas crianças. Aquela mistura tornava-se, obviamente, em nada mais do que flores apodrecidas e água suja; jamais seria capaz de desenvolver um perfume – faltavam-me os princípios e, sobretudo, os elementos essenciais.

Ao tornarmo-nos adultos, a brincadeira perde a piada: ninguém gosta de ser borrifado com zurrapa. Para o comum benfiquista – aquele que enche os estádios pelo país –, as derrotas na Supertaça (com Sporting) e no campeonato (com Arouca) foram como o advento da razão ou, simplificando, a perda da idade da inocência. Com a saída de Jorge Jesus – o principal responsável pelos sucessos alcançados nos últimos anos –, seria de esperar que a estrutura (como orgulhosamente lhe chamam) reunisse, de forma célere e efectiva, as condições necessárias para que Rui Vitória entrasse na nova época a ganhar. Porém, os erros acumularam-se desde a casa de partida e foram demasiado óbvios para serem ignorados: a pré-época e a ausência, por esta altura, dos indispensáveis (e já pedidos) reforços – nada disto tem cheiro de flores e de mar; neste Verão, alguém do Benfica tentou fazer perfume de rosas com a minha receita.

A pré-época na América do Norte contribuiu, decisivamente, para este mau início do Benfica Fonte: Facebook do Benfica
A pré-época na América do Norte contribuiu, decisivamente, para este mau início do Benfica
Fonte: Facebook do Benfica

O périplo pela América do Norte – um acto de gestão da estrutura –, retirou tempo e espaço ao novo treinador (ainda refém de uma herança de sucesso) para desenvolver a sua ideia de jogo. A pré-época saldou-se negativamente, nas palavras em jeito de balanço do próprio Rui Vitória, não permitindo consolidar processos, nem os dois aspectos essenciais antes do início do futebol a doer: o físico e o anímico. Os mais optimistas podem, por outro lado, alegar que o lucro compensou o sacrifício. Porém, mesmo aceitando a “venda” de um título (a um rival) por 3,5 milhões, dificilmente se compreenderá que essa verba não contribua para a indispensável aquisição de dois/três reforços que aumentem, no imediato, a qualidade individual e colectiva do grupo. Para mais, recorrer à retórica da formação para evitar uma ida ao mercado resultará, apenas, na confirmação da incapacidade financeira e desportiva do Benfica, versão 2015/2016 – com todo o respeito que me merecem Victor Andrade e Renato Sanches e outros talentos do Seixal.

Concluindo: em três jogos, o Benfica perdeu uma Supertaça (moralizando um adversário directo), empatou durante 75 minutos com o Estoril e perdeu com o Arouca (em campo neutro e pela primeira vez na sua história) – factos que não configuram uma causa, mas a consequência daquilo que foi, neste período, a inabilidade e a inércia de quem mais ordena no Benfica. Diante da estratégia escolhida, Rui Vitória – inadaptado na forma e, no fundo, com menos recursos do que o seu antecessor – torna-se vítima do momento actual.

PS: no meu texto anterior, escrevi que Rui Vitória necessitava de começar a falar como treinador de clube grande. As (minhas) razões para a derrota com o Arouca estão supracitadas. No entanto, não compreendo a falta de referências ao anti-jogo do adversário, muito menos a leveza fugidia com que se tratam os erros de arbitragem. Com tanta polidez, no gesto e no discurso, começa a ser fácil errar contra o Benfica. A sua boa formação e educação são, para já, os únicos defeitos que tenho a apontar a Rui Vitória.

Foto de capa: Facebook do Benfica

Ténis: Masters 1000 Cincinnati – Federer campeão pela sétima vez

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O último torneio de preparação para o US Open teve um fim familiar, com Roger Federer a levantar o troféu pela sétima vez em onze anos, derrotando Djokovic na final pela terceira vez. Federer teve uma semana verdadeiramente impressionante, não perdendo um único jogo de serviço no torneio (tal como em 2012) e enfrentando apenas 3 pontos de break, todos nos quartos-de-final contra Lopez.

Federer surpreendeu também com a sua arrojada táctica de responder a segundos serviços bem dentro do court, às vezez mesmo em half-volley. Graças ao seu incrível timing, esta táctica deu frutos mesmo em pontos importantes contra jogadores como Murray e Djokovic. A facilidade com que Federer venceu este torneio deixará decerto os seus fãs optimistas para o US Open – especialmente sabendo que o Suiço será cabeça de série #2 em Nova Iorque -, mas a superfície mais lenta e o formato de 5 sets significarão vida muito mais complicada para Federer.

Federer alcança mais um Masters Fonte: Facebook de Roger Federer
Federer alcança mais um Masters
Fonte: Facebook de Roger Federer

Quanto a Djokovic, não esteve de novo no seu melhor, necessitando de muita sorte e falta de força mental dos seus adversários para vencer Goffin e Dolgopolov no caminho para a final e sendo de novo derrotado por Federer na final deste torneio – que continua a ser o único Masters 1000 que ainda não conquistou apesar de ter atingido a final 5 vezes. O sérvio continua, porém, a demonstrar o porquê de ser o melhor jogador do mundo, tendo agora atingido a final de todos os 3 Grand Slams e todos os 6 Masters 1000 que disputou esta temporada. Apesar de ter perdido as finais no Canada e Cincinnati contra Murray e Federer, Djokovic começará o US Open como o claro favorito ao título.

Outros destaques:

-Dolgopolov veio do qualifying e teve a sorte de ocupar o lugar do quadro que pertencia originalmente ao #4 do mundo Nishikori, que teve de desistir do torneio devido a lesão. O talentoso ucraniano tirou vantagem desta situação para atingir as meias-finais e esteve à beira de atingir a final, mas vacilou nos momentos decisivos como é seu apanágio;

-Nadal continua a sua travessia no deserto, desta vez perdeu contra Lopez nos oitavos de final apesar de ter vencido o primeiro set. Chegará a Nova Iorque como número 8 do mundo;

-Dimitrov esteve perto de relançar a sua temporada, mas a sua confiança estará agora ainda mais baixa após ter desperdiçado a vantagem de um set e dois breaks contra Andy Murray.

Liga Espanhola: O UD Las Palmas de Valerón, Turu Flores e Sergio Araujo

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cab la liga espanha

A ilha de Gran Canaria serve de quartel-general de um clube histórico do futebol espanhol que esta época está de regresso àquela que muitos consideram ser a melhor liga do mundo, a Liga BBVA.

O UD Las Palmas sobreviveu às agruras do playoff de subida da Liga Adelante, batendo numa final a dois jogos o Real Zaragoza graças a um golo marcado em La Romareda num jogo que perdeu por 3-1. Uma vitória por 2-0 no Estadio de Gran Canaria, quatro dias mais tarde, viria a confirmar o regresso dos insulares ao convívio dos grandes treze anos após a sua última passagem pela liga principal do futebol espanhol.

Os Amarillos são um clube singular, com uma história fantástica e que, apesar de poucos o saberem, esteve prestes a sagrar-se campeão espanhol na longínqua temporada de 1968-69, quando, pela mão de Luis Molowny, terminou no segundo posto da tabela atrás do poderoso Real Madrid, mas à frente de equipas como o FC Barcelona e o Valencia CF.

A realidade actual da equipa insular é bem diferente desses tempo de glória. Contudo, a crença, a vontade e aquele inexplicável sentimento mágico que torna este clube tão especial continua lá e esteve presente naquela final intensa do passado dia 21 de Junho, quando o endiabrado Sergio Araujo marcou o 2-0 a cinco minutos do final do jogo.

Mais de 3000 adeptos saudaram o regresso de Valerón ao UD Las Palmas em 2013  Fonte: www.laopinioncoruna.es
Mais de 3000 adeptos saudaram o regresso de Valerón ao UD Las Palmas em 2013
Fonte: www.laopinioncoruna.es

Neste seu regresso à primeira divisão do futebol espanhol, o UD Las Palmas apresenta no seu plantel jogadores de enorme qualidade, como o prodígio argentino Sergio Araujo ou como os canteranos Javi Castellano e Hérnan, mas o nome que mais salta à vista na equipa insular é provavelmente um homem que celebrou 40 primaveras no passado mês de Junho: o inconfundível Juan Carlos Valerón.

Há jogadores que marcam uma década ou até mesmo uma geração e aquele jovem franzino que, de acordo com o treinador que o lançou para o futebol, não pesava mais de 50kg com a roupa vestida e bem molhada, foi seguramente um dos melhores futebolistas espanhóis do último quarto de século e um dos mais respeitados em todos os estádios do país vizinho. Natural da Gran Canaria, foi no UD Las Palmas que Valerón cresceu para o futebol mas foi provavelmente nos 13 anos que cumpriu ao serviço do Deportivo La Coruña que mais se notabilizou. A sua forma tranquila e bem disposta de estar na vida têm-no ajudado a ultrapassar todos os desafios da sua carreira, nomeadamente as lesões no joelho que o mantiveram afastado do terreno de jogo durante algum tempo e que muitos consideraram que seria o canto do cisne da sua carreira.

Hoje, com 40 anos, a disponibilidade física não será certamente a mesma, mas a inteligência, a magia e o saber estar em campo ainda lá continuam e permitiram-lhe realizar 27 jogos oficiais na temporada passada. O homem que os colegas de equipa afirmam nunca terem visto aborrecido com coisa nenhuma (“Nunca lo he visto enfadado. Lo he llegado a ver… distinto, pero nunca enfadado. Con su cara siempre expresa calma”, nas palavras dos próprios colegas) é o braço direito do experiente treinador Paco Herrera e tem sido uma mais-valia no excelente trabalho que ele tem vindo a realizar desde que assumiu a liderança do clube insular em 2014.

Sergio Araujo – O prodígio argentino do UD Las Palmas Fonte:todo-boca.com.ar
Sergio Araujo – O prodígio argentino do UD Las Palmas
Fonte:todo-boca.com.ar

Neste regresso à Liga BBVA, há um jogador que compõe o plantel do UD Las Palmas que tem despertado muitas atenções, tendo sido inclusivamente alvo de diversas alegadas propostas neste defeso. Sergio Araujo, o jovem argentino de 23 anos, optou por manter-se na equipa insular, assinando um contrato válido para as próximas cinco temporadas e quebrando definitivamente o seu vinculo com o Boca Juniors, clube do qual fazia parte desde 2009, mas que o fez sair em vários empréstimos consecutivos nos últimos anos. Para além de ter sido o herói da subida de divisão do UD Las Palmas, Sergio Araujo apontou 25 golos em 43 jogos na temporada passada, tendo-se tornado no segundo melhor marcador da Liga Adelante.

Os Amarillos podem gabar-se de ter contado, ao longo dos anos e no seu plantel, com avançados argentinos dotados de uma veia goleadora invejável, tal e qual como a de Sergio Araujo. Regressando atrás no tempo cerca de 20 anos, o UD Las Palmas aparece na minha memória muito graças a um possante avançado argentino chamado José “Turu” Flores, que marcava golos como ninguém naquelas tardes de Verão que passava com o meu primo em frente a um velho Pentium 120 a jogar um simulador de futebol espanhol que dava pelo nome de PC Fútbol. El Turu Flores era, no entanto, mais do que o boneco de 8bits com um pontapé violentíssimo e que espalhava terror nas balizas adversárias.

Legenda – El Turu Flores – O homem golo da UD Las Palmas no final da década de 1990 Fonte:www.laprovincia.es
Legenda – El Turu Flores – O homem golo da UD Las Palmas no final da década de 1990
Fonte:www.laprovincia.es

O avançado argentino, que foi na altura a contratação mais cara do segundo escalão do futebol espanhol (custou aos insulares 550 milhões de pesetas, cerca de 3 milhões de Euros) marcou 35 golos em 68 jogos cumpridos pelo UD Las Palmas e foi por muito pouco que não fez com que a equipa insular regressasse à primeira divisão na época 1997-98, onde foi a equipa eliminada pelo Real Oviedo no playoff de subida. Será interessante realçar que, durante a sua passagem na formação insular, El Turu Flores também jogou ao lado daquele que hoje é considerado o abuelo da Liga BBVA: nada mais, nada menos, que Juan Carlos Valerón.

Das glórias do passado à realidade do presente, o UD Las Palmas teve no Atlético de Madrid o seu primeiro adversário neste regresso à Liga BBVA, mas, apesar de terem dado boa conta de si, os insulares não conseguiram levar qualquer ponto do Vicente Calderón, acabando derrotados por 1-0 graças a um golo do inconfundível Antoine Griezmann.

A história do futebol espanhol não se resume aos feitos do Real Madrid e do FC Barcelona e, por muito que nos queiram vender essa ideia, não devemos deixar que o contributo que equipas como o UD Las Palmas deram à modalidade sejam apagados da nossa memória colectiva.

 

Fonte da imagem de capa – www.gradacurva.com

Académica 0-4 Vitória de Setubal: Hino coreano ao futebol ensurdeceu a Briosa

futebol nacional cabeçalho

Depois de uma primeira jornada em que ambas as equipas desiludiram, Académica e Setúbal entraram para o último jogo da ronda 2 da Liga NOS com vontade de mudar o rumo dos acontecimentos. O Setúbal apostado em limpar a pobre imagem deixada no Bonfim, onde deixou fugir uma vantagem de dois golos frente a um adversário em inferioridade numérica, e a Académica em começar a vencer em casa, algo que já não acontece desde Abril deste ano.

Os estudantes até começaram melhor, impondo a sua presença no meio-campo, impulsionados, sobretudo, pelo estreante Leandro Silva, muito pressionante na primeira fase de construção do Vitória de Setúbal, que só se conseguiu libertar desta por volta dos 10 minutos, altura em que a velocidade dos atacantes sadinos começou a aparecer, com um cruzamento para a área num lance em que Trigueira ficou zonzo depois de chocar com um jogador do Vitória de Setúbal. O guarda-redes da Académica continuou em campo, mas não melhorou a sua condição, algo que não espanta quem viu o jogo e o golo de Suk, num golaço de dar a volta a cabeça a qualquer guarda-redes e que valeu elogios dos dois treinadores – “candidato a um dos melhores do campeonato” (disse Viterbo, na conferência de imprensa) e “um golo daqueles que só se costumam ver na Premier League” (Quim Machado).

José Viterbo compreendeu a frustração dos adeptos mas afirmou que o resultado foi demasiado pesado para aquilo que se passou em campo Fonte: Facebook da Académica de Coimbra
José Viterbo compreendeu a frustração dos adeptos mas afirmou que o resultado foi demasiado pesado para aquilo que se passou em campo
Fonte: Facebook da Académica de Coimbra

A Académica reagiu bem a este percalço (ao contrário de Trigueira, que saiu, seguiu para o Hospital da Universidade de Coimbra e a quem, segundo nos foi comunicado, foi diagnosticado  “prognóstico reservado” pela perda momentânea de consciência), circulando a bola no meio-campo contrário, onde chegava por meio do seu principal “motor” – Ivanildo (ganhou muitas faltas) –, algo que, porém, não se manifestou em lances de maior perigo de bola corrida. Só de bola parada, os estudantes criaram perigo, com Bouadia, na marcação de um livre, a ficar a centímetros do golo.

Rúben Semedo entrou para o lugar de Ruca, no Vitória de Setúbal, e as coisas começaram a mudar drasticamente. O jogador vinculado ao Sporting deu maior impermeabilidade ao sector defensivo dos sadinos e permitiu que a frente de ataque se soltasse, procurando espaços nas costas dos laterais da Briosa. Conseguiu-o, por várias vezes, com Suk e Costinha em evidência neste particular. Fruto disto mesmo, o coreano chegou mesmo a bisar depois de grande jogada individual. A Académica pareceu ir abaixo e revelou-se bastante permeável e completamente embrulhada na táctica que José Viterbo trouxe a jogo e chegaram, sem surpresa, mais oportunidades de perigo para os sadinos e, consequentemente, golos. O terceiro foi da autoria de André Claro, assistido por William Alves, lançado por… Suk!

O avançado português voltaria a beneficiar da passividade conimbricense para se isolar, mas na cara de Lee atirou à figura. Gonçalo Paciência reagiu (fugindo ao “vedetismo” que o assombrou grande parte do jogo, levando-o, não raras vezes, ao egoísmo e a futebol com brilho mas pouco objectivo), com um remate que obrigou Raeder a aplicar-se; pensou-se que a Briosa estava de volta ao jogo, sobretudo depois da expulsão de Fábio Pacheco (78 minutos), mas o Setúbal não se fez rogado – saiu André Horta, entrou Dani, e continuou a explorar as costas dos laterais da Académica com sucesso. Costinha ganhou espaço a Emídio Rafael, isolou-se e não vacilou perante Lee.

Estava feito o 0-4 final, um resultado “exagerado” (disse Viterbo e nós concordamos), mas que chama a atenção para uma desorganização e uma permeabilidade defensiva que não podem existir em equipas de Primeira Divisão, quanto mais como um histórico como o da Académica.

Desta vez, o Setúbal soube dar continuidade ao que fez de bem na primeira parte, respondendo da melhor forma às críticas apontadas após o primeiro jogo. Desta vez os jogadores souberam dar a resposta emocional adequada (conforme disse Quim Machado ao Bola na Rede) e construíram um resultado histórico para os sadinos, que há 34 anos não venciam por quatro ou mais golos fora de portas.

Figura do jogo:

Suk – O primeiro golo é fantástico, partido da esquerda para o meio e disferindo um pontapé que só acaba ao ângulo superior esquerdo da baliza da Académica. Mais tarde viria a bisar num excelente lance individual e ainda arranjou maneira de intervir no terceiro golo. Mas não fica por aqui a exibição do homem da partida, que foi sempre uma seta apontada à baliza da Briosa e uma peça importante no momento de construção ofensiva, deslocando marcações ou encontrando aberturas.

Fora-de-jogo:

Emídio Rafael – Esteve ligado a três golos dos sadinos. É certo que em dois deles se podem alegar irregularidades (há, de facto, foras-de-jogo), mas não é isso que iliba uma exibição pálida e apática – imagem gritante da sua equipa.

 

Foto de capa: Facebook da Académica de Coimbra

Liga Inglesa: O génio da lâmpada dos elogios

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cab premier league liga inglesa

Quando, finalmente, se conquista aquilo que há muito parecia alcançável mas, inexplicavelmente (ou não), não se conseguia, a satisfação é enorme. Muito maior do que se o tivéssemos conseguido pela primeira vez. O facto de se ter falhado várias vezes dá um gostinho especial a uma conquista que pode parecer normal ou irrelevante aos olhos dos outros, mas que para nós tem um grande significado. Pode acontecer com aquela cadeira acessível que não conseguimos fazer no primeiro ou no segundo ano da faculdade por termos facilitado, com aquele café que foi sendo adiado pela indisponibilidade de ambas as partes ou… com aquela vitória que arranjava sempre maneira de fugir.

Mas as coisas, felizmente para aqueles que as procuram, acabam por acontecer. E até sabem melhor assim. José Mourinho, no momento em que escrevo estas linhas, deve estar a deliciar-se mais do que alguma vez julgaria, juntamente com os jogadores (principalmente os mais antigos), com os primeiros três pontos da temporada, olhando para a tarefa aparentemente acessível (pelo favoritismo e dinheiro gasto), mas nunca conseguida nos últimos quatro anos – vencer o West Bromwich Albion (WBA) no The Hawthornes. Depois do 3-1 conseguido em 2011, nunca mais o Chelsea foi capaz de capitalizar o seu favoritismo, perdendo pontos de forma sucessiva – 1-0 e 2-1 nos primeiros dois anos, 1-1 no terceiro (já com Mourinho ao leme) e 3-0 no quarto.

Esta vitória, porém, tem um significado que vai além de um ponto final numa malapata para os blues: o seu treinador não vencia o treinador do adversário, Tony Pulis, há dois jogos consecutivos, perdendo mesmo ambas as partidas frente a equipas contra as quais teria obrigação de vencer (Crystal Palace e, claro, WBA); as “novelas” criadas (ou amplificadas?) pelos media  à volta da equipa terão menos potencial de venda e, por isso, baixarão de tom; conquistaram-se pontos a, pelo menos, um rival directo – o Manchester United…

A primeira vitória da época do Chelsea foi... Pedro Rodríguez Fonte: Facebook do Chelsea FC
A primeira vitória da época do Chelsea foi… Pedro Rodríguez
Fonte: Facebook do Chelsea FC

… embora não tenham sido os primeiros da época. Em termos classificativos, foram os primeiros dois conseguidos sobre os red devils, mas fora de campo, o Chelsea ganhou uma batalha importantíssima aos rivais, durante esta semana – a contratação de Pedro Rodríguez.

José Mourinho, ao ler, e bem, o moral da equipa, e perante a ausência de Óscar, não hesitou em colocar o espanhol no onze inicial para esta partida, dando correspondência às suas palavras, antes do encontro, vangloriando-se, quase excessivamente, pela chegada do ex-Barcelona. Aliás, na flash interview de antevisão do encontro (os ingleses têm esse bom hábito), divulgado o onze inicial, retirou-lhe a pressão ao dizer que não se deveria colocar sobre ele toda a responsabilidade e até confessou que não esperava que os colegas o entendessem…

… mas, como dizem os ingleses, “it takes one to know one”, e um génio como Hazard estabeleceu logo afinidade com um semelhante seu, combinando, na perfeição, com o espanhol para “rasgar” a defesa do West Bromwich no golo inaugural, da autoria do ex-Barcelona. 10 minutos mais tarde, Pedro descobria Diego Costa na área e este assinava o 0-2.

O West Bromwich deu muito trabalho  até final. O Chelsea teve de suar para manter a vantagem (Terry foi expulso, o WBA reduziu a vantagem, por duas vezes, para 1-2 [vale a pena ser visto e revisto!] e 2-3), mas conseguiu quebrar o enguiço.

Mourinho esfregou a lâmpada com elogios e de lá saiu o génio, Pedro, que lhe concedeu o desejo de quebrar as suas malapatas e, finalmente!, somar três pontos na Premier League, iniciando, muito provavelmente, um ponto de viragem no rumo do Chelsea para os próximos tempos.

Foto de capa: Facebook do Chelsea

Liga Francesa: E de repente… Marselha

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cab ligue 1 liga francesa

Foi mais uma jornada tranquila para o PSG, que continua a sua caminhada rumo ao tetra. Viu, novamente, alguns dos rivais mais diretos perderem pontos onde não deviam mas também assistiu ao renascimento do Olympique de Marselha, autor da proeza da jornada. Será que ainda vai a tempo?

Montpellier 0-1 Paris Saint-Germain (Matuidi 61’) – Mesmo sofrendo, o PSG não vacila.

O PSG tem tido um início de época perfeito. Quatro jogos oficiais corresponderam a quatro vitórias sem sofrer um único golo. As ausências de Ibrahimovic, Di María, Verratti e mesmo Pastore, que saiu logo aos 10 minutos de jogo com o Montpellier, têm retirado alguma criatividade ao tricampeão mas não lhe retiram consistência.

É verdade que passou por alguns momentos de aflição na primeira parte, sofrendo vários contra-ataques do Montpellier, e aí valeu Trapp, um dos grandes reforços do mercado, mas na segunda acertaram agulhas e aí voltou a aparecer Matuidi, o melhor jogador do PSG neste início de época. De facto, o internacional francês está a um nível muito elevado e foi de sua autoria o golo da vitória, aos 61 minutos, selando com chave de ouro a sua atuação. Para além de compensar a seca de golos dos avançados (Cavani à cabeça, neste que foi o seu 100.º jogo por Paris), também camuflou os erros dos parceiros de meio-campo, Rabiot e Motta, que proporcionaram os lances de perigo do Montpellier.

O PSG vai com 12 vitórias consecutivas na Ligue 1, melhor série da história do clube, a duas vitórias do recorde da liga alcançado pelo Bordéus, em 2009, então orientado por… Laurent Blanc. Nesta edição do Championnat são 3 vitórias sem sofrer golos, enquanto o Montpellier ainda procura festejar o primeiro.

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Matuidi novamente decisivo no PSG
Fonte: Facebook do PSG

Lyon 1-2 Rennes (Nabil Fekir 12’; Pedro Henrique 8’, Mehdi Zeffane 56’ ) – Lyon volta a baquear em casa.

Aproveitando um erro de Yanga-Mbiwa, o Rennes rapidamente se colocou em vantagem, com Pedro Henrique a corresponder da melhor maneira a um passe de Zeffane, antigo jogador do Lyon. E mesmo que Nabil Fekir, com o seu primeiro golo esta época, tenha reposto logo a igualdade, cedo se percebeu que seria uma tarde negra para os vice-campeões franceses.

Desastrosos defensivamente e pouco inspirados ofensivamente (o golo de Fekir terá sido a exceção), o Lyon esteve em tarde não. E foi com naturalidade que Zeffane fez o golo decisivo, aos 56 minutos, depois de passar por Rafael… o jogador que veio substituí-lo em Lyon. Pouco depois o jogador seria substituído sob os aplausos do seu antigo público, reconhecedor da sua exibição.

Na tabela, o Rennes ultrapassou o Lyon, que continua sem vencer no Gerland nesta edição do Championnat.

Ajaccio 0-2 Angers (N’Doye 2’, 20’) – Angers confirma que faz parte da elite.

A Ligue 1 está habituada a que um dos novos primodivisionários se destaque durante as primeiras semanas do campeonato. E este ano parece que o papel coube ao sensacional Angers, que, à terceira jornada, ainda não encaixou qualquer golo e já vai com 7 pontos em três jogos. No duelo de recém promovidos foi N’Doye, contratado este verão mas já capitão de equipa, a resolver a partida. O médio senegalês foi o autor dos dois golos madrugadores que deixam o SCO num brilhante terceiro lugar. Os corsos, esses, terão de fazer muito mais para fugir aos lugares de despromoção, que já ocupam neste momento.

Nantes 1-0 Reims (Lenjani 77’) – Reims desce à terra

Carrasco de dois grandes (Marselha e Bordéus) nas duas primeiras jornadas, o Reims perdeu contra uma equipa que, à partida, parecia mais ao seu alcance. Mas o Nantes tem aparecido muito consistente neste início de Championnat e, depois de ter batido contra o muro do Reims, que pareceu apresentar-se no La Beaujoire, na primeira parte, para defender o nulo, chegou naturalmente ao golo pelo albanês Lenjani, já no quarto de hora final. Os Canaris continuam no lote dos invictos neste campeonato, enquanto o Reims perdeu os primeiros pontos e caiu para o sexto posto da classificação.

Nice 2-1 Caen (Ben Arfa 66’, Pléa 77’; Delort 67’)Ben Arfa e Pléa, os suspeitos do costume.

Ben Arfa e Alassane Pléa têm constituído o duo dinâmico do Nice nestas primeiras jornadas de Ligue 1, mesmo tendo em conta que os homens de Puel ainda não tinham logrado uma vitória esta época. Depois de uma primeira parte repartida, com várias oportunidades de golo para cada lado, mas onde os guarda-redes se mostraram decisivos, Ben Arfa inaugurou o marcador num dos seus característicos slaloms, onde eliminou quatro defesas para bater de seguida Vercoutre, que encaixou os primeiros golos esta época. A vantagem durou poucos segundos pois, logo na saída de bola, o Caen empatou por intermédio de Delort, depois de um passe em profundidade de Bessat. Mas seria Pléa, já brilhante e decisivo na jornada anterior, a garantir a primeira vitória do Nice, com um remate cruzado aos 77 minutos sem hipóteses para o guardião do Caen.

Bastia 3-0 Guingamp (Palmieri 5’, Maxime Baca 39’ [a.g], Coulibaly 91’)O Dia e a Noite encontraram-se na Córsega.

Mesmo que no final dos 90 minutos se possa considerar que o resultado de 3-0 constitui um desfecho pesado para o Guingamp, nomeadamente por aquilo que produziu na segunda parte, dificilmente alguém contestará a justiça do vencedor. Foi um Bastia muito mais realista aquele que se apresentou diante dos seus adeptos. À imagem de Palmieri, que, depois de abrir o marcador logo no começo da partida, também foi decisivo para o autogolo de Baca à passagem do minuto 40. O Guingamp bem tentava marcar o seu primeiro golo esta época, mas as coisas raramente saíram bem e, mesmo dominando toda a segunda parte, viria mesmo a sofrer o terceiro por Coulibaly, já para lá dos noventa minutos. O Guingamp continua em último, ainda sem pontos e sem golos, enquanto o Bastia continua o seu brilhante caminho sem conhecer o sabor da derrota, estando agora nos lugares do pódio.

Toulouse 1-1 Mónaco (Doumbia 22’; Lemar 65’) – Toulouse pode arrepender-se de não sentenciar um Mónaco com a cabeça na Liga dos Campeões.

O Toulouse já tinha saído frustrado do seu jogo anterior, com a derrota em Caen. Dominadores durante todo o encontro, teriam de se inclinar devido à sua falta de eficácia. Depois do empate frente ao Mónaco, os homens de Arribagé poderão alimentar mais alguns remorsos. Sobretudo Martin Braithwaite, que ainda se deve estar a perguntar como, aos 58 minutos, falhou o golo a dois metros da baliza escancarada. E bem tentou o avançado do Toulouse, com remates aos 8’, 58’, 64’, 66’, 68’ e 91’, mas sempre travados ou por um excelente Subasic ou por inépcia própria.

Com oito mudanças em relação ao jogo com o Valência, Leonardo Jardim passou a mensagem aos seus jogadores de que a prioridade era o jogo da segunda mão do play-off da Champions, e estes tiveram muitas dificuldades para encontrar as suas marcas. Foi por isso com naturalidade que Doumbia conferiu justiça ao jogo, inaugurando o marcador correspondendo a um livre de Yedder (curiosamente os três golos do Toulouse esta época foram na marcação de livres).

O Mónaco, pelo menos, teve o mérito de não desistir, e o recém-entrado Lemare repôs a igualdade, que não convém a nenhuma das equipas. O Toulouse, em três jornadas, experimentou os três desfechos possíveis, enquanto o Mónaco já vê o PSG a quatro pontos e vai encarar o seu decisivo jogo na terça-feira com mais dúvidas do que certezas.

Lille 0-0 Bordéus – Os nulos por vezes também são grandes jogos.

Com as duas equipas a entrarem procurando, ainda, alcançar a primeira vitória nesta edição da Ligue 1, assistiu-se a um jogo muito disputado no Pierre-Mauroy. O Lille esbarrou por três vezes contra os postes da baliza à guarda de Prior e poderia ter beneficiado de um penálti a que o árbitro fez vista grossa. Mas o Bordéus, com bastantes mudanças a pensar na Liga Europa, não defraudou, com várias oportunidades claras de golo e com Crivelli, também ele, a acertar no poste da baliza de Enyeama. Lille e Bordéus continuam, surpreendentemente, na segunda metade da tabela e ainda não foi desta que conseguiram o primeiro sucesso no Championnat.

Lorient 0-1 S.Étienne (Hamouma 87’) – Justiça chegou ao cair do pano.

Uma partida de muito sofrimento para o Lorient, que se viu reduzido a dez elementos… logo aos 39 segundos! Lecomte entrou com o pé muito alto sobre Hamouma, à entrada da grande área, e viu, naturalmente, a cartolina vermelha. Curiosamente seria o seu substituto, Chaigneau, a adiar o inevitável até quase ao final da partida, com diversas paradas heroicas, nomeadamente na primeira parte. Na segunda, o Lorient tentou equilibrar, mas Hamouma, que esteve envolvido em todos os golos dos Verts neste campeonato, conferiu justiça ao marcador, aos 87 minutos. O Saint-Étienne alcança a sua primeira vitória, enquanto o Lorient continua sem vencer.

Marseille 6-0 Troyes (Barrada 19’, Diarra 47’, Batshuayi 56’ 90’, Ocampos 63’, Alessandrini 88’) Atenção: Marseille chegou ao Championnat.

Finalmente o Marselha lançou o seu campeonato. E com estrondo. Na estreia de Michel nos comandos do Olympique, e com três novidades (Diarra, Cabella e Manquillo), o Marselha entrou transfigurado no Vélodrome.

Dispostos num 4-3-3, o Marselha beneficiou e muito do apoio proporcionado pelos laterais. Nomeadamente Mendy, omnipresente no lado esquerdo. A abertura do marcador, por Barrada, logo aos 19 minutos, validou o domínio caseiro mas foi sobretudo na entrada para o segundo tempo que os marselheses elevaram o ritmo. Lassana Diarra, primeiro, assinalou o seu regresso à competição com um portentoso remate depois de um canto. Seguiu-se Basthuayi, assistido por Cabella, antes de Ocampos, que substituíra um excelente Barrada, fazer o golo da noite num fantástico pontapé de bicicleta. Alessandrini e Batshuayi, com dois golos em dois minutos, acabaram de embalar o Vélodrome, que esqueceu por completo os fantasmas das primeiras jornadas.

O mínimo que se pode dizer é que Michel entra com o pé direito e a sua estreia auspiciosa entusiasma. Contudo, o Marseille já vai com 6 pontos de atraso sobre o PSG e muito trabalho terá de ser feito para recuperar essa desvantagem. O Troyes acabou o jogo a tentar perceber que comboio o atropelou e procura, ainda, a primeira vitória esta época.

Batshuayi
Batshuayi marcou dois na goleada do Marselha
Fonte: Facebook do Marselha

A Figura da Jornada:

Mehdi Zeffane (Rennes) – Como acontece muitas vezes no futebol, foi um ex-jogador do Lyon a brilhar frente à sua anterior equipa. O habitualmente lateral-direito foi colocado como médio-esquerdo por Montanier. Uma aposta ganha, já que o jovem argelino foi o autor do passe decisivo no primeiro golo do Rennes e marcou mais tarde o golo da vitória na surpresa em casa do Lyon.

O Momento da Jornada:

Ocampos a fazer magia – Entrado há apenas quatro minutos na partida frente ao Troyes, Ocampos recebe um cruzamento vindo da direita, por parte de Alessandrini, e, sem pensar, executa um movimento perfeito em pontapé de bicicleta que deixa Petric, guardião adversário, colado ao chão. Um golo sublime, a colocar a cereja no topo do bolo que foi a goleada do Marselha. Para ver e rever.

Foto de Capa: Site oficial do Marselha

GP da Bélgica: depois das férias, Hamilton volta igual a si mesmo

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Mais um domingo, mais uma dobradinha para a Mercedes. Depois da pausa de Verão, Hamilton transformou mais uma pole-position numa vitória, num circuito que nem lhe costuma ser muito favorável: Spa-Francorchamps, na Bélgica.

Os treinos de sexta-feira ainda levantaram algumas dúvidas: os Mercedes não estavam no seu melhor, Rosberg protagonizou um acidente perigoso e os Force India mostravam-se os reis da velocidade. Ainda assim, quando começou “a contar”, Hamilton e Rosberg não vacilaram e garantiram os dois primeiros lugares da grelha. Bottas (Williams) completou o pódio e Sergio Perez (Force India) beneficiou da penalização de Grosjean (Lotus) para sair de quarto. Os Ferrari desiludiram, tendo Vettel saído de 8º e Raikkonen de 16º.

Mais uma vez, o carro da Mercedes deixou muito a desejar quanto ao arranque. Se Lewis Hamilton conseguiu segurar a liderança da corrida (até ao fim), já Rosberg não resistiu ao arranque canhão de Sergio Perez, que só não conseguiu passar o inglês e se posicionou em segundo. Também Bottas não teve um arranque brilhante e à terceira volta era já sexto. À décima volta, Rosberg sai favorecido das paragens dos oponentes directos e volta a subir a segundo. E é por volta desta altura que se dá um erro surpreendente: a equipa da Williams coloca pneus diferentes no veículo de Bottas, três macios e um médio. Depois de ciente da penalização de drive-through, a equipa transmite-lhe, via rádio, que não vale a pena perder tempo a trocar de pneus: agora que já foram penalizados, pode continuar o resto da corrida assim.

E, como já nos temos habituado, a partir do momento em que os dois Mercedes estão na frente da corrida, o entusiasmo transita para os lugares abaixo de Hamilton e Rosberg. Grosjean, com a preciosa ajuda do DRS, ultrapassou Perez e chegou ao último lugar do pódio, sem que o mexicano tenha tido argumentos para se defender. Ricciardo viu-se, mais uma vez, traído pelo seu Red Bull; o veículo teve uma avaria mecânica quando o piloto australiano tentava uma ultrapassagem e ficou parado na curva da recta da meta. Foi activado o safety-car virtual e Vettel aproveitou para se colocar no pódio, passando Grosjean.

A Ferrari fez o seu GP número 900 Fonte: Facebook da Scuderia Ferrari
A Ferrari fez o seu GP número 900
Fonte: Facebook da Scuderia Ferrari

A segunda metade do GP ficou marcada pela subida vertiginosa de Daniil Kvyat (Red Bull) na classificação. O russo fez uma corrida de trás para a frente, com verdadeiras ultrapassagens de campeão, que lhe valeram o quarto lugar.

A duas voltas do final, os pneus de trinta voltas de Vettel não aguentaram mais e o pneu traseiro direito rebentou na recta Kemmel. Foram duas voltas agonizantes para o piloto alemão, que acabou por ficar fora dos pontos. Aproveitou Grosjean, que efectivou um importante pódio para a Lotus, num dia em que Pastor Maldonado abandonou numa fase ainda embrionária da corrida.

Nota negativa para Hulkenberg, que, depois de ter provocado uma partida abortada, acabou por desistir devido a falhas no motor do Force India. Já o jovem Max Verstappen (Toro Rosso) terminou uma corrida bastante bem sucedida, à frente, inclusive, do Williams de Valtteri Bottas. O holandês ainda tentou a ultrapassagem a Raikkonen, mas travou demasiado tarde e acabou por sair para a escapatória.

Excelente recomeço de Campeonato do Mundo, depois da pausa de Verão. Lewis Hamilton prossegue imbatível e está já a 28 pontos de diferença de Rosberg na classificação geral: o alemão continua sem argumentos para dar luta ao inglês. A F1 volta no fim-de-semana de 5 e 6 de Setembro, em Monza, Itália. Se Spa-Francorchamps testou a potência dos motores no que diz respeito à velocidade, o circuito italiano continuará esta saga; os carros Mercedes partem com uma enorme vantagem virtual. É o último GP dos ditos “tradicionais” europeus, antes de o Mundial partir para uma segunda fase asiática.

Foto de capa:  Facebook da Mercedes AMG Petronas

Arouca 1-0 Benfica: Bracali vale liderança

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Sabia-se de antemão, e sobretudo após a derrota do União no derby com o Nacional, que pelo menos um dos intervenientes deste encontro iria integrar a liderança, de forma isolada ou não, da tabela classificativa da Liga NOS.

Mas a imprensa só falava na possibilidade de um o conseguir. Dizia-se que o Benfica podia chegar à liderança isolada, ganhando, cedo, pontos aos rivais. Algo que até se compreende, pela história (nos últimos sete jogos entre ambas as equipas, o Benfica vencera seis e empatara um), pelo facto de os encarnados disporem de uma massa associativa maior que os arouquenses (mais de 90% das 25 mil almas presentes no Estádio Municipal de Aveiro seria benfiquista) que os fazia jogar praticamente em casa, e ainda pelo maior investimento feito na sua equipa.

Apostados em contrariar o barulho dos media e dos adeptos encarnados, os jogadores às ordens de Lito Vidigal mostraram logo que não se deviam ter esquecido deles na batalha pela liderança e aos 3 minutos adiantavam-se no marcador, por intermédio de Roberto, que aproveitou uma dessincronização da defesa encarnada (Luisão estava a colocá-lo em jogo e Nélson Semedo não o acompanhou devidamente) para ter a sua estreia a marcar na Liga.

A demonstração de força do Arouca não se ficou por aqui e aos 9 minutos Roberto esteve perto de bisar, isolado, perante Julio César, mas este evitou males maiores para as suas cores…

… que só impulsionadas por rasgos de génio de Gaitán conseguiram reagir, com o argentino a rematar, perigoso, para fora. O Arouca voltaria a criar perigo, e a desperdiçá-lo (Roberto, outra vez), mas Bracali já tinha feito questão de começar o “one man show” que garantiu três pontos e a liderança isolada para a sua equipa: depois de Jonas ver as suas intenções de golo serem negadas pelo brasileiro, foi a vez de Pizzi (duas vezes) e Mitroglou começarem a rogar pragas ao ex-FC Porto, que se opôs com brio às tentativas dos encarnados. Quando não era ele, era um jogador sobre a linha de baliza (Mitroglou cabeceou para a baliza deserta de guarda-redes, mas estava lá Jaílson a substitui-lo) ou o desacerto encarnado (Nélson Semedo, após excelente incursão na direita, rematou por cima, e Ola John, pela mesma via, rematou às malhas laterais).

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Jonas foi dos que mais correu atrás de um prejuízo que Bracali carimbou
Fonte: Facebook do Benfica

A equipa encarnada demonstrava intensidade e vontade de dar a volta aos acontecimentos. Ao intervalo, entrou Victor Andrade para o lugar de Ola John e o brasileiro conseguiu mexer com o jogo, contagiando os colegas com a sua irreverência, embora tardasse em fazer efeito – só à hora de jogo o Benfica voltaria a criar perigo digno de registo, por Jonas, mas a barreira não saiu da baliza do Arouca. Bracali, outra vez. O Arouca não se encolhia com o perigo e respondeu através de Nuno Valente, que obrigou Júlio César a aplicar-se.

O Benfica continuou a carregar e esteve perto de conseguir os seus intentos , mas ou Bracali se opunha ou o desacerto falava mais alto. Gaitán e Victor Andrade tentaram, mas a bola não levou a direcção da baliza, Luisão e Lisandro tiveram a mira do cabeceamento alta demais e Jonas continuou a rogar pragas a Bracali. Ele, os seus colegas… e uns quantos milhões de adeptos.

A Figura:

Bracali – O Benfica fez 29 remates, 9 deles à baliza. Não entrou nenhum. Apenas um deles não foi defendido pelo guarda-redes brasileiro que, ao longo do encontro, agarrou todas as balas a ele disparadas, dando alento a uma equipa de quem pouco se falou durante a semana, mas que agora assume a liderança isolada da liga, muito graças ao seu guarda-redes.

O Fora-de-jogo:

Nicolás Gaitán – Luisão e Lisandro López revelaram desacerto? Sim. Ola John foi lento a decidir? Também. Carcela esteve apagado? Claramente. De qualquer um deles se exige um décimo do que se exige a um jogador com o talento e a experiência de Nico Gaitán? Não! O argentino cedo revelou frustração e, inicialmente, isso revelou-se como algo positivo, mas com o passar do tempo, a paciência, como não deve acontecer, foi-se esgotando, e numa fase em que a equipa necessitava de calma como de pão para boca, barafustou com alguns dos seus colegas.

Esta atitude de “diva” talvez tenha estado na base das tentativas frustradas de resolver o encontro sozinho e nas inúmeras oportunidades de golo que não saíram dos seus pés quando muito deles se esperava. Nico não foi o jogador com pior prestação em campo, mas foi aquele que mais desiludiu.

Foto de Capa: Facebook do Benfica

Basquetebol: Faltou calma e eficácia para ser perfeito

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Portugal perdeu com a República Checa por 79-55 e ficou assim em segundo lugar do Europeu. Um resultado inesperado, já que o objetivo era a manutenção, mas o factor casa foi importante para empolgar as nossas jogadoras.

Matosinhos foi palco, pelo terceiro ano seguido, de um Europeu de basquetebol. Há dois anos, Portugal perdeu a final do Europeu sub16 Divisão B, com a Sérvia. No ano passado, as sub18 ficaram em nono na Divisão A do Europeu da categoria. Este ano, as sub16 voltaram à final, desta vez da Divisão A, e voltaram a perder.

O Europeu começou com uma derrota contra a Rússia, por 14 pontos. As russas, que eram uma das equipas favoritas mas que acabaram apenas em oitavo, foram melhores e umas justas vencedoras. No segundo jogo, uma vitória clara por 20 pontos contra a Eslováquia, e no terceiro jogo mais uma vitória, desta feita contra a Croácia, por apenas um ponto num jogo muito equilibrado. Estes resultados permitiram o segundo lugar no grupo logo atrás da Rússia.

A equipa que defendeu as cores de Portugal
A equipa que defendeu as cores de Portugal

Na segunda fase de grupos, Portugal estreou-se com nova derrota, desta feita contra a República Checa, por 15 pontos. Um jogo muito mais equilibrado do que a final, mas o terceiro quarto foi fatal para Portugal, onde se verificou um score de 22-7. O segundo jogo deste grupo trouxe nova derrota, desta vez contra a Itália. As italianas foram mais fortes durante 30 minutos, mas nos últimos 10 Portugal reagiu, apenas conseguindo reduzir para oito. O terceiro jogo era decisivo e só uma vitória interessava para garantir a passagem aos quartos. O adversário era a Turquia, e a vitória foi por 21 pontos numa grande exibição da nossa seleção, que não deixou qualquer dúvida sobre a justiça da vitória.

Nos quartos de final, mais um teste de fogo, desta vez contra a França. No jogo, Portugal foi mais eficaz e mereceu a vitória por completo. Esta vitória, além de garantir a passagem às meias finais, ou seja o melhor lugar de sempre de uma seleção portuguesa num Europeu, garantiu ainda a presença no Mundial de sub17, que se vai realizar no próximo ano, em Espanha.

Espanha foi precisamente a adversária das meias finais e foi neste jogo que Portugal fez a sua melhor exibição na prova. Uma entrada demolidora, com vitória por 12-4 no primeiro quarto, e um segundo quarto mais equilibrado mas sempre com Portugal por cima deram uma vantagem de 15 pontos ao intervalo. O terceiro quarto foi diferente dos dois anteriores, e a Espanha reagiu bem, chegando a assustar, mas a ponta final deste quarto voltou a ter Portugal por cima e, no quarto tempo, Portugal voltou a dominar e a consolidar a vitória; o resultado final foi de 64-44. Neste jogo, os triplos e a poste Beatriz Jordão foram os fatores decisivos.

São estas as checas que se sagraram campeãs da Europa
São estas as checas que se sagraram campeãs da Europa

Falei na jogadora e nos triplos porque a final foi precisamente o oposto do jogo das meias finais. Portugal entrou nervoso, com muita ineficácia nos triplos, um jogo interior ainda pior, como mostram os 20 pontos sofridos contra 4 marcados na primeira parte, e os ressaltos também não foram positivos, 26 contra 16; ao intervalo, o resultado era de 39-21. Outra semelhança com o jogo contra a Espanha é que no terceiro tempo Portugal entrou melhor e chegou a reduzir para 10 pontos, mas depois as checas voltaram a superiorizar-se e até ao final e alargaram a vantagem até aos 79-55. Um resultado pesado, mas que não se pode dizer que seja injusto.

Fora do campo, Portugal saiu claramente vencedor. Meter 4 mil pessoas a ver jogos de formação é raro em qualquer país da Europa. Pena que depois, nas várias competições que existem em Portugal durante a época, não apareça nem 1/4 destas pessoas a ver os jogos.

Imagens retiradas do site da FIBA Europa

Estoril 2-0 Moreirense: Gerso faz esquecer Sebá

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Gerso foi o grande protagonista da primeira vitória do Estoril no campeonato. O extremo marcou um golo e fez uma assistência no triunfo por 2-0 sobre o Moreirense, num jogo em que a equipa de Miguel Leal roçou o medíocre, fazendo apenas 2 remates à baliza (o primeiro deles aos 72 minutos). Depois de uma primeira parte sofrível, a turma de Fabiano Soares veio com outra cara para a segunda parte e resolveu o encontro com facilidade. Ninguém se lembrou de Sebá no António Coimbra da Mota.

Quando o dado mais relevante de uma primeira parte são as impressionantes 7 (!) vezes que os médicos entraram no relvado para assistir os jogadores, dá para perceber o fraco nível do encontro. Não houve inspiração de parte a parte, mas com tantas paragens seria impossível mostrar alguma qualidade. Só através das iniciativas individuais de Gerso é que o Estoril conseguiu chegar perto da área de Nilson (esse mesmo, o que esteve no Vitória de Guimarães e que agora tem 39 anos), embora sem estar verdadeiramente perto do golo. Já o Moreirense, que terminou o primeiro tempo sem rematar à baliza, foi uma nulidade no ataque. Dos primeiros 45 minutos fica um momento raro de fair-play entre as duas claques. Numa fase em que o jogo estava adormecido, os adeptos do Estoril começaram a gritar pelo Moreirense e o mesmo aconteceu do outro lado. Não é habitual no futebol português.

A segunda parte começou de maneira diferente, com o Estoril a entrar com uma atitude mais pressionante e a ficar perto do golo (cabeceamento de Diego Carlos ao poste). A equipa de Fabiano Soares assumiu o controlo do jogo, sobretudo devido às trocas de bola entre os criativos Chaparro e Bruno César, que subiu de rendimento na segunda metade, e à capacidade de desequilíbrio de Gerso. O Moreirense demonstrou muita passividade a meio campo e sofreu com a velocidade dos homens do ataque canarinho, especialmente do extremo guineense, que foi o dínamo necessário para estilhaçar a defesa contrária. Foi o responsável por marcar o primeiro golo, aproveitando uma defesa para a frente de Nilson, e assistiu Bonatini no segundo.

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O Estoril conquistou os primeiros pontos no campeonato
Fonte: Facebook do Moreirense

Depois de uma primeira parte bastante fraca, o Estoril mostrou a qualidade que fez tremer a Luz, apesar do resultado desnivelado, e foi um vencedor justo. A defesa praticamente não foi testada, o meio campo subiu de produção na segunda metade (Taira mostrou qualidade no passe, Babanco e Chaparro são muito interessantes tecnicamente) e no ataque, para além de Gerso, Bruno César e Bonatini também apresentaram um rendimento totalmente diferente. O “chuta-chuta”, ainda assim, está longe da melhor forma e deverá ganhar preponderância nos próximos jogos.

Pela amostra deixada no António Coimbra da Mota, o Moreirense vai ter de lutar pela manutenção na primeira liga. A equipa até esteve organizada na primeira parte, embora a manta tenha ficado curta na altura de sair para o ataque, mas na etapa complementar foi completamente dominada pelo Estoril. Os visitantes acabaram por viver de infrutíferas iniciativas individuais. Sagna foi o jogador que mais trabalho deu, tendo somado algumas incursões que meteram em sentido a defesa do Estoril, mas Miguel Leal foi obrigado a recuá-lo para lateral depois da substituição forçada de Coronas. Má sorte para o técnico do Moreirense, que também perdeu João Palhinha, provável titular, por doença. No final, o treinador justificou a derrota com a falta de recursos e deu a entender que é preciso reforçar urgentemente a equipa.

A Figura:

Gerso – Com a saída de Sebá para o Olympiacos, o extremo tem tudo para se assumir como a grande figura do ataque estorilista. Rápido e bastante dotado tecnicamente, foi o único a desequilibrar no marasmo da primeira parte e na segunda metade decidiu com um golo e uma assistência.

O Fora-de-jogo:

Nilson – De volta ao campeonato português, o guarda-redes brasileiro não fez uso da sua experiência para transmitir tranquilidade à equipa de Miguel Leal. A insegurança entre os postes foi fatal para o conjunto de Moreira de Cónegos, já que o guardião, para além de ter ficado ligado ao primeiro golo, teve uma série de abordagens infelizes, especialmente nas saídas a cruzamentos.

Artigo de Alexandre Ribeiro e Tomás da Cunha