Início Site Página 12258

FC Porto 0-0 Nápoles: Que não seja apenas um prenúncio

0

dosaliadosaodragao

Tal como na época passada, novo nulo na apresentação dos dragões aos seus sócios. Em 2014/2015 diante do St. Etienne, hoje frente ao Napoli. Antes do futebol propriamente dito, uma nota prévia: Adrián Lopez não foi apresentado e está, por isso, fora do plantel do FC Porto para 2015/2016, contrariamente a José Angel ou Hernâni. A festa pré-jogo contou com dragões, espadas e Lopetegui a formular um único desejo para a nova temporada: vencer!

Pois bem. Vencer foi algo que não aconteceu na noite do Dragão. Está longe de ser o mais importante nesta fase, é certo, mas um tónico desses nunca é desprezível. Para enfrentar os italianos, Cissokho foi titular, Herrera também jogou de início, ao lado de Imbula e Rúben, e Varela ganhou a corrida a Tello por um lugar inicial. O futebol apresentado pelo FC Porto não variou muito do habitual: muita posse de bola (e pressão quando sem ela), domínio do jogo (mas nem sempre controlo), exploração dos corredores laterais mas pouca objectividade e ainda menor propensão para o remate. E quando ele surgiu, nunca veio acompanhado da devida eficácia.

Viram-se algumas (não muitas) coisas diferentes, sem dúvida. De facto, pela primeira vez no reinado de Lopetegui, assistiu-se a um lance de bola parada estudado: Varela protagonizou-o e Marcano cabeceou pouco ao lado. (A)notou-se também a pressão (alta) constante do FC Porto  exercida logo na primeira fase de construção do Napoli, algumas das vezes numa forma geométrica interessante, com o recuo de Aboubakar (tampão à construção pela zona central) e com a subida dos dois extremos para junto dos centrais adversários, formando um (momentâneo) 4-4-2 losango.

Quanto aos reforços, Cissokho foi rei e senhor do lado esquerdo nos primeiros 20’, afirmando-se como uma locomotiva no transporte de bola (acabou por sair lesionado aos 39’ numa fase em que já estava a perder rendimento); Imbula é um monstro do meio-campo, a perfeita personificação de um box-to-box com poderio físico, passada larga mas semelhantes índices de qualidade técnica; Maxi já se apresentou próximo dos seus níveis habituais, com muito envolvimento no ataque (combina bem com Varela); Casillas apenas foi chamado a ir ao chão uma vez, sendo que foi muito mais interventivo com os pés, capitulo onde esteve melhor do que o habitual; por fim, Varela apresentou-se muito bem, sem se esconder ao jogo, sempre disponível, forte no 1×1, a chegar à linha e com critério na tomada de decisão – parece, assim, o velho Silvestre.

1
Cissokho foi titular no titular no regresso ao Dragão
Fonte: fcporto.pt

A primeira parte ficou sobretudo marcada pelas lesões de Brahimi aos 15’ (entrou Tello) e de Cissokho (foi rendido por Angel) e por quatro oportunidades de golo. A primeira pertenceu a Mertens com um remate para defesa intranquila de Casillas. Todas as restantes três caíram para o lado do dragão: Herrera, completamente sozinho na área, foi docilmente servido por Maxi mas o mexicano, mesmo com espaço, limitou-se a cabecear a bola ao lado; aos 37’, foi Varela que protagonizou um grande lance individual, defeituosamente concluído por Tello; e finalmente ao cair do pano da primeira parte, na primeira vez em que teve espaço, Aboubakar sentou o central contrário mas o remate saiu muito frouxe, tudo isto depois de um belo passe de Maxi.

O intervalo trouxe consigo inúmeras substituições: saíram Casillas, Marcano, Rúben, Herrera e Varela, entrando, para os seus lugares, Helton, Indi, Danilo, André André e Bueno. O espanhol foi vítima de (mais) uma invenção do seu treinador, tendo sido colocado a jogar a partir de uma ala procurando movimentos interiores sem bola, na tentativa de dar outro tipo de soluções no último terço. A questão é que Bueno procurou sempre esses movimentos, deixando a equipa um pouco coxa com bola (mesmo descontando que Angel até foi expedito no capitulo ofensivo, ainda que nem sempre eficaz) e desequilibrada quando sem ela, uma vez que o ex-Rayo Vallecano não tem rotinas de acompanhamento do adversário. Em suma, em teoria a ideia até pode ser boa – finalmente surgir alguém a ocupar o espaço entre a linha média e defensiva contrárias mas Bueno é um jogador pouco explosivo e ágil, que deve ‘limitar-se’ a habitar sempre os espaços interiores (tem um timing de último passe fora do comum) e não esperar-se que ele vá lá chegar, tal como faz Brahimi com bola, por exemplo – mas o resultado prático bem pode ser uma versão actualizada de Ádrian Lopez, também ele mais vítima do que réu enquanto foi dragão.

A 2ª parte revelou ainda um André André com grande pulmão, enorme resiliência e espirito de luta. Aliado a isso, apresentou um enorme discernimento e capacidade técnica, com transporte de bola e saída de qualidade. Coincidência ou não, o Porto surgiu mais ligado, com um jogo mais impositivo mas sempre sem conseguir uma penetração assídua, ainda que os melhores momentos tenham sido protagonizados por Bueno e André André (sempre bem acompanhados por Aboubakar). Por outro lado, Danilo revelou-se algo lento – terá de ser mais rápido na rotação quando recebe de costas, sob pena de colocar sempre em risco a posse de bola numa zona delicada.

Aos 60’ nova tripla substituição: saíram Maxi, Imbula e Aboubakar, por troca com Ricardo, Sérgio Oliveira e Osvaldo. Nenhum dos três veio trazer nada em especial ao jogo. O primeiro tem apetências ofensivas mas continua a comprometer em termos defensivos, designadamente com um posicionamento deficiente. Osvaldo, por seu turno, está ainda muito alheado do que é o jogar deste Porto – o que é natural – e isso foi visível sobretudo no momento em que a equipa estava à espera que fosse o #10 portista a empreender a primeira fase de pressão.

2
A força de Imbula
Fonte: fcporto.pt

Certo é que o italo-argentino até poderia ter mesmo facturado caso Tello não tivesse definido mal (há coisas que não mudam …) um lance muito favorável ao ataque portista (de assinalar o grande passe de André André a lançar o espanhol). Por fim, aos 83′ acabou por sair Maicon e entrar Lichnovsky. O chileno foi o último dos dragões a ser lançado, o que significa que Evandro e André Silva não foram opções.

Em suma, tratou-se de um teste de nível considerável para o FC Porto, até porque este Napoli vai dar que falar. A equipa de Sarri (que fez um grande trabalho no Empoli) tem já uma organização defensiva de grande categoria, com excelentes coberturas e qualidade na ocupação dos espaços. Está ainda um pouco debilitada em termos ofensivos mas é de crer que o potencial que os napolitanos aparentam em breve se comece a traduzir materialmente. No Dragão o 0-0 subsistiu até final. Que, ao contrário da época passada, não seja o prenúncio para o que aí vem.

A Figura
Público do Dragão – Se dúvidas houvesse, ficaram dissipadas. Estiveram 48 mil almas no Dragão, ávidas de vitórias e com amnésia do vazio que foi a época passada. As gargantas estão renovadas mas esperançosas: Lopetegui sabe que, desta vez, nenhuma desculpa lhe vai valer.

O Fora-de-Jogo
Incapacidade portista – Já esteve pior mas o futebol portista continua a ser carente de determinados aspectos. São eles: invasão do espaço central com colocação de homens entre as linhas; criação de jogo interior fluído e objectivo (Imbula veio atenuar); tentativa de meia-distância; aproveitamento de bolas paradas ofensivas (designadamente cantos). Há espaço para melhorar – resta saber se Lopetegui já percebeu e se tem capacidade (vulgo se é a sua ideia de jogo) para tornar a sua equipa realmente mais completa.

 Foto de capa: fcporto.pt

Volta a Portugal’15: Não há quem tire Gustavo Veloso do 1.º lugar

0

Cabec¦ºalho ciclismo

Falta a última etapa (que terminará na capital do nosso país) mas, como essa é de consagração, é possível afirmar que o espanhol Gustavo Veloso é novamente o vencedor da Volta a Portugal! Depois de alguns problemas na Torre, no ano passado, este ano dominou completamente a corrida e conseguiu chegar ao contrarrelógio em posição mais do que segura para ficar no 1.º lugar. A verdade é que, não só segurou da melhor forma a camisola amarela, como ainda acabou por aumentar a vantagem, visto que venceu o próprio CR – mais à frente falarei melhor dessa etapa em específico. Uma Volta inesquecível para o espanhol da W52-Quinta da Lixa (os virtuais vencedores da classificação por equipas).

Na minha última “atualização”, tinha ficado pela quinta etapa. Portanto, avançando, a sexta etapa foi decidida ao sprint e com a vitória a sorrir, oficiosamente, a José Gonçalves. Digo oficiosamente porque o ciclista português foi desclassificado por uma irregularidade, e a vitória, oficialmente, foi para o 2.º classificado da etapa… pois claro, Gustavo Veloso. Grande ataque de José e, nos metros finais, houve uma aproximação entre ele e o líder da Volta, sendo que houve um desvio na trajetória do português e foi um pouco para cima do espanhol (de qualquer das formas, Gustavo nem protestou ao passar a meta). Não sei se terá sido a decisão mais correta, porque deveriam ter analisado todas as circunstâncias melhor. Mas a decisão foi tomada e não foi alterada. Mais bonificações nessa etapa para Délio (com o 3.º lugar), sendo que Ricardo Vilela e António Carvalho foram alguns dos homens que caíram nessa etapa mas, como a queda se deu dentro dos três quilómetros, não sofreram alterações no seu tempo na classificação geral.

Veio o dia de pausa e com isso uma boa oportunidade para descansarem do que se passou nalgumas etapas mais exigentes (como a da Senhora da Graça) e recuperarem para a etapa do dia seguinte, que seria a mítica subida à Torre na Serra.

Chegada a sétima etapa e o dia pelo qual muitos portugueses e todos os ciclistas ansiavam, era normal a tentativa de vários ciclistas serem protagonistas da jornada, mas foram os “dois do costume” a sair por cima no final da subida, sendo que Délio Fernandez voltou a vencer uma etapa e Gustavo Veloso conseguiu novamente segundos de bonificação importantes. Um dos destaques do dia foi mesmo o domínio da equipa W52-Quinta da Lixa. Chegaram a ter seis homens na subida final e conseguiram ter cinco no top12 final da etapa, incrível. Depois dos dois homens mais fortes da W52, chegaram os dois mais fortes da EfapelJoni Brandão e Alejandro Marque (pelo meio, também chegou Marcos Garcia, da equipa Louletano). O português Rui Sousa foi dos que mais tentaram vencer esta etapa – ele gosta imenso desta subida – mas desta vez não a conseguiu ganhar. As desilusões do dia (e da própria Volta a Portugal) foram os dois Ricardos: Mestre e Vilela. Perderam cedo o contacto com o pelotão e levaram da etapa cerca de nove e oito minutos, respetivamente, de perda para a frente da corrida. Acrescento que a subida é realmente desgastante, como se podia comprovar pelos ciclistas no final do dia – a maioria chegou completamente exausta. Para terminar, acho que poderia ter sido um dia mais espetacular do que o que foi. Apesar de não ter sido uma má etapa, não tenho quaisquer dúvidas em considerar que a etapa da Senhora da Graça foi a melhor desta Volta a Portugal 2015.

 

Délio Fernandez celebra com o seu colega Gustavo Veloso a vitória na Torre e a “dobradinha” da equipa nessa jornada Fonte: Facebook da Volta a Portugal
Délio Fernandez celebra com o seu colega Gustavo Veloso a vitória na Torre e a “dobradinha” da equipa nessa jornada. Fonte: Facebook da Volta a Portugal

Na oitava etapa tivemos o já mencionado contrarrelógio. Mais uma vitória para o espanhol Gustavo Veloso, virtual vencedor deste ano da Volta a Portugal! Não venceu o prólogo (esteve bem perto), mas venceu este CR mais longo de forma justa e “dizimou” a concorrência nesta penúltima etapa. A maior surpresa do dia foi mesmo o facto de Joni Brandão, não só ter-se mantido no pódio, como também ter conseguido chegar ao 2.º lugar, algo inesperado mas expectável depois do que se sucedeu com Délio Fernandez a meio do CR – avaria na bicicleta, sendo que perdeu uns 20 segundos só devido a esse momento (o resto dos segundos foram acrescentados pela possível desmotivação depois desse acontecimento). Enorme azar para o espanhol, que não merecia isto – foi responsável pela maior ajuda a Veloso e teve realmente uma grande prestação em toda esta Volta a Portugal. Beneficiou o português, que acabou por conseguir chegar, de forma imprevisível, à vice-liderança. Alejandro Marque, apesar de um CR aquém do que pode e deve fazer, também aproveitou isso e subiu ao pódio.

Destaco o enorme contrarrelógio por parte de José Gonçalves (2.º classificado na etapa), que, depois disto, acredito que tenha selado completamente a sua inscrição na Vuelta – será justíssimo que assim aconteça, já que foi o ciclista mais ativo de toda a Volta a Portugal. Rafael Reis, o 4.º classificado nos Mundiais de CR (sub23) do ano passado, foi 3.º classificado e redimiu-se do que lhe aconteceu no prólogo. Ricardo Mestre foi 4.º na etapa mas, apesar da boa imagem deixada neste CR, não consegue apagar a desilusão que foi o resto da sua Volta a Portugal. Rui Sousa, no alto dos seus 39 anos, conseguiu um muito bom 5.º lugar na etapa e, também, na classificação geral individual final. Mais uma boa Volta a Portugal para o ciclista da Rádio Popular Onda Boavista (poderá ter sido a sua última participação nesta prova).

Este domingo temos a última etapa desta nossa Volta a Portugal 2015 e a última oportunidade para os sprinters brilharem. A chegada a Lisboa proporcionará, em princípio, a luta final entre os mais rápidos deste pelotão. Resta saber quem sairá vencedor da etapa, porque a classificação geral está fechada e iremos ter Gustavo Veloso a subir ao pódio para vestir, por uma última vez, a camisola amarela – a camisola do grande vencedor da Grandíssima!

Foto de capa: Facebook da Volta a Portugal

A estratégia das contratações

0

tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

A análise a erros cometidos no passado é crucial em qualquer equipa mas perceber o que correu mal e ajustar o plantel não é tão fácil quanto possa parecer. O Porto apresenta uma estratégia de contratações diferente da do passado, apostando em jogadores emprestados e contratando jogadores experientes com provas dadas. É a busca pelo imediato, pela vitória urgente que teima em não chegar.

Contratações como Casillas, Maxi, Osvaldo, Cissokho revelam que a o clube procura jogadores com experiência que não precisem de tempo para crescer na Europa. Mesmo Imbula e Danilo Pereira – ainda bastante jovens – já têm experiência suficiente para entrar a titulares (como provavelmente o farão) na equipa portista. Parece-me então que buscamos algo que faltou nas épocas anteriores e que fui referindo várias vezes – responsabilidade. A responsabilidade passa por perceber as consequências da falta de resultados, por ter sentido de jogo sabendo quando e o que fazer e, acima de tudo, não claudicar nos momentos-chave, tal como fizemos na Madeira e em Lisboa na época transata.

Espero ver então um Porto mais matreiro, sem a ingenuidade que muitas vezes demonstrou. Até ver, parece que vamos ter uma equipa sólida, faltando ainda um criativo para encontrar espaços em estádios onde as defesas serão muralhas. Não vai ser um campeonato fácil e, até final de Agosto, vão fazer-se ainda muitos negócios – principalmente os nossos adversários directos. Mais uma vez apela-se à responsabilidade dos jogadores para encarar todos os jogos como cruciais – os campeonatos ganham-se em Agosto e Setembro quando a perda de pontos parece inconsequente.

O lado negativo destes negócios tem que ver com o balneário e o retorno financeiro que o Porto poderá ter. Não é fácil lidar com egos grandes; cabe a Lopetegui e aos mais maduros gerir a topo do balneário e apontar para o grande objectivo – vitória jogo a jogo (a curto prazo) e vitória do campeonato (a longo prazo).

Jogadores na casa dos 30 ou jogadores emprestados não garantem encaixe financeiro como jogadores ainda “por fazer”. Mas a estratégia passa agora pelo sucesso desportivo primeiro e financeiro depois. De resto, ainda há jóias que podem evoluir e mais tarde ser vendidas para garantir os indispensáveis euros. A única dúvida que fica é a percentagem dos passes de alguns jogadores possuída pelos Dragões, já que se tem valido da Doyen para fazer alguns negócios mais dispendiosos. Mas isso são contas para outra altura.

Os dados estão lançados, a tolerância é zero. Com grande poder vem uma grande responsabilidade e os olhos estão postos em Julen Lopetegui. Os portistas perdoaram uma, certamente não irão perdoar duas!

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

Supertaça: Quando um dérbi é um mini-campeonato

0

futebol nacional cabeçalho

Já quase ninguém se lembrará das anteriores edições da Supertaça em quem SL Benfica e Sporting CP se encontraram. Tal ocorreu apenas duas vezes e já na há muito ida década de 80 do século passado. É verdade: apenas em 1980 e em 1987 os dois grandes rivais de Lisboa disputaram o troféu que tem o nome de Cândido de Oliveira, competição que foi instituída em 1979. Ora, este facto histórico vem acentuar ainda mais a importância e a atenção que se dedicará ao jogo deste fim-de-semana, que, sendo um dérbi, é também um jogo que valerá um título. Mas, como é óbvio, é a mudança de Jorge Jesus para o banco do lado oposto, após seis anos de banco a vermelho e branco, que está a potenciar ainda mais o carácter especialíssimo que os jogos entre os vizinhos e rivais sempre têm. É a partir daí que tudo o que aconteceu na chamada pré-época ganhou importância capital, sendo cada decisão, jogo e palavras escalpelizado ao detalhe.

Uma das análises mais recorrentes na antecâmara deste jogo tem sido a tentativa de determinar qual das equipas detém vantagem sobre a adversária, em função dos jogos realizados, contabilizando-se os resultados e a respectivas exibições. Ora, se atendermos à disparidade do que foram quer o número de jogos quer o dos adversários, depressa se conclui que chegar a uma conclusão pode ser pelo menos precipitado. Há, porém, dois dados que se podem retirar, acima de qualquer contestação: que  o SL Benfica não conseguiu estar à altura da responsabilidade e exigência que os adversários que defrontou lhe colocaram, e que é de duvidar as opções tomadas de forma quase transversal – as aquisições e as dispensas, o próprio modelo de pré-época, até lançar a pior das dúvidas: foi o treinador a escolha certa? Convenhamos que tal está longe de ser o espírito ideal para se enfrentar um dérbi e até mesmo iniciar uma época.

Jesus_464771417
Jorge Jesus vai reencontrar a sua antiga equipa
Fonte: vavel.com

O Sporting encontra-se num momento oposto. Há ainda no ar muita da euforia que, justificadamente, se viveu desde o momento em que se confirmou a chegada de Jorge Jesus. Os resultados da pré-época, que, pela qualidade e número dos adversários, não justificam alguns optimismos excessivos, deram indicações positivas e permitem vislumbrar uma melhoria competitiva significativa face até mesmo ao passado recente. Aqui, sim, parece clara uma supremacia evidente de estados de ânimo. Porém, esta só permanecerá até ao início do jogo. No decurso dele, esta vantagem só prevalecerá se os acontecimentos tiverem um rumo favorável, sendo rapidamente anulada se o oposto suceder.

É por isso que se dedica tanta importância ao título em disputa: além da elevada carga emocional e sentimentos exacerbados que um dérbi carrega, há, de forma muito evidente, um carácter de derradeiro teste de aferição de valor de cada uma das equipas. Neste dirimir de forças colectivo sobressairá certamente uma disputa muito particular, que, por razões óbvias, concitará todas as atenções: a que envolverá os dois treinadores. Ingredientes não faltam para tornar este próximo dérbi no jogo de todos os jogos. Porque é claro para todos que não se joga apenas um título e a possibilidade de ficar bonito na fotografia a erguer um troféu. Está em causa, como em todas as disputas directas, a possibilidade de ganhar vantagem sobre um rival, deixando-o entregue à dolorosa tarefa de lamber as feridas.

Um Pablo ou um Dani no Dragão?

0

cabeçalho fc porto

Osvaldo foi confirmado esta semana como reforço do FC Porto. O substituto direto de Jackson Martínez não passa por Aboubakar, nem tão pouco por Kléber, como havia sugerido no início do período de transferências. O brasileiro já foi, inclusive, transferido para a China. Agora, fica a certeza de que as despesas goleadoras dos azuis brancos vão ficar maioritariamente entregues ao irreverente italo-argentino.

O passado de Pablo Osvaldo é sobejamente conhecido. Ao longo de uma carreira iniciada no Huracán, da Argentina, o ponta-de-lança representou onze clubes. Foram raros os casos em que não surgiram problemas: o último dos quais, no Boca Juniors, chamando “burro” a um adversário e atirando-lhe relva à cara.

No entanto, Osvaldo é garantia de qualidade. Antes do regresso ao país das pampas, cumpriu meia época de empréstimo no Inter, onde não raras vezes foi titular, criando empatia com a massa adepta nerazzurri. A etapa mais feliz da sua carreira foi mesmo em Itália, quando representou a AS Roma. Na capital, alcançou um registo de 28 golos em 57 partidas; uma marca interessante, se tivermos em conta que disputou a frente de ataque com o eterno Totti, Borriello e Borini, a título de exemplo.

Agora, falta saber qual será a face de Osvaldo que prevalecerá na Invicta. Imaginemos que cada um dos dois primeiros nomes do avançado corresponde a um alter-ego: Pablo para o rebelde e provocador com sangue alviceleste e Daniel (ou, abreviado Dani) para o jogador de classe que Osvaldo, efetivamente, é.

A chave, e também um desafio para Julen Lopetegui, é encontrar um equilíbrio entre as duas facetas. Admito que, aos 29 anos, a contratação do internacional italiano me agradou: boa oportunidade de negócio, e a certeza de maturidade desportiva. Isso sim, era algo necessário para suprir a saída de Jackson – a necessidade de ganhar é urgente, e só com golos isso pode acontecer. Em suma, julgo que o mais acertado será dar o benefício da dúvida ao atleta. O nome da camisola será “Dani Osvaldo”, que terá estampado por baixo o número 10. Pode ser um bom prenúncio.

Foto de capa: Página do Facebook do FC Porto

Liga Inglesa: Começa o melhor campeonato do mundo!

cab premier league liga inglesa

Está de volta, finalmente, o melhor campeonato de futebol do mundo. Milhares de famílias inteiras por toda a Grã-Bretanha rumarão aos estádios do clube do coração para o apoiar no jogo de estreia da época 2015/2016. Mais tarde, os adultos rumarão aos pubs e qualquer resultado servirá para beber – esquecer uma derrota, celebrar uma vitória ou simplesmente saudar o regresso do campeonato em caso de empate. De qualquer forma, todos ganham, seja na Grã-Bretanha, na China, em Portugal ou em qualquer outro país em que a Premier League seja difundida. Pois, aconteça o que acontecer, o espectáculo está garantido. Seja em jogos de equipas de topo, em encontros de equipas que lutam para se manter no principal escalão inglês ou na sempre incandescente luta pela Europa. Há disputas para todos os gostos.

Com a qualidade que têm as equipas da Premier League, e tendo em conta os reforços que chegaram à competição, é sempre difícil apontar candidatos à descida, porém, os últimos a chegar costumam ser os primeiros a sair, e Bournemouth, Norwich e Watford serão sempre olhados como membros mais frágeis por mudarem de patamar competitivo, sobretudo os dois primeiros – o primeiro porque se estreia na Premier League e porque fez uma autêntica revolução ao plantel, apesar de ter ficado a ganhar (entraram Boruc, Atsu e ainda Tyrone Mings), o segundo por se ter revelado uma equipa bastante permeável, algo que, para além da chegada de Wisdom, não atenuou no período de transferências. O Watford parece-me menos candidato à descida relativamente aos outros dois, pois reforçou-se muito bem ao longo do defeso, não perdendo, ao mesmo tempo, a estrutura do plantel da época passada, ao qual foram acrescentadas mais valias como Behrami, Jose Holebas, Sebastian Prodl, Jose Manuel Jurado, Miguel Britos ou Allan Nyom, lateral direito que era muito cobiçado pela Europa fora mas que aterrou em Watford. O lugar do clube, caso a equipa consiga fazer valer o investimento feito pela família Pozzi (detentora do clube), poderá ser ocupado por Sunderland ou Leicester. Os primeiros já no ano passado estiveram na luta pela manutenção até ao fim e o mesmo pode acontecer este ano,  pese embora as chegadas de Coates, Lens ou Kaboul; já os segundos tiveram uma época que surpreendeu pela positiva, e a chegada de Fuchs ou Huth vem trazer experiência a uma equipa que precisava dela, porém, isso pode não suprimir a eventual falta de talento em comparação com outras equipas da Premier League…

Jurado pode ajudar o Watford a ser uma das surpresas da Premier League 2015/16 Fonte: Facebook do Watford FC
Jurado pode ajudar o Watford a ser uma das surpresas da Premier League 2015/16
Fonte: Facebook do Watford FC

…o que só comprova a sua competitividade, atestada, no ano passado, com o facto de uma equipa como o Newcastle ter ficado na cauda da tabela, disputando a manutenção quase até ao final. Uma equipa recheada de bons jogadores mas sem reflexos nos resultados, pois a competição é feroz e a “classe média” da primeira liga inglesa vai subindo cada vez mais, sendo cada vez menos notório o fosso para os big five ou para a zona de relegação. A escolha de jogadores pretendidos por meia Europa, como Deulofeu (Everton), Aleksandr Mitrovic (Newcastle), Andre Ayew (Swansea) , Clasie (Southampton), Affelay (Stoke), Yoahn Cabaye (Crystal Palace), Payet (West Ham), Idrissa Gueye (Aston Villa) ou Rickie Lambert (West Bromwich Albion) em actuar nesta “classe média” é sintomático disso mesmo e vem trazer mais apetite aos jogos disputados pelas respectivas equipas. Entre estas, destaque para o Stoke, que se reforçou em quantidade e qualidade – van Ginkel tentará relançar a carreira de médio brilhante que lhe foi “diagnosticada” acompanhado de um compatriota, Affelay, que procura o mesmo propósito, tendo, como suporte “emocional”, jogadores experientes e com qualidade, como Shay Given ou Glen Johnson, que também poderão ajudar outros reforços talentosos, como é o caso de Joselu. No que toca ao bom reforço do plantel, há ainda a destacar: o Newcastle, que conseguiu o concurso de Aleksandr Mitrovic, um excelente ponta-de-lança com tudo para dar certo na Premier League (disponibilidade física e instinto matador) e de Georginio Wijnaldum, um talentoso ex-PSV muitíssimo desejado; e o Southampton, que assegurou os serviços de Jordi Classie e Juanmi, o primeiro para suprir a saída de Schneiderlin, o segundo para reforçar um sector ofensivo, já de si, forte. Qualquer uma das equipas referidas poderá disputar um lugar na zona europeia. Talento não faltará. Mas tudo se resumirá à luta entre elas e àquilo que farão em sua casa contra os chamados grandes, que disputam o trono, habitualmente ocupado pelo Chelsea de José Mourinho…

…e o português manteve-se fiel ao jargão bem luso – “em equipa que ganha não se mexe” – mantendo praticamente toda a estrutura da equipa da época passada, que venceu o campeonato, entrando apenas jogadores como Falcao e Begovic para suprimir as saídas de Drogba e Petr Cech. Faltará um reforço do lado esquerdo da defesa, pela saída de Filipe Luís, mas Cesar Azpilicueta dará bem conta do recado enquanto isso não acontecer. A aposta do Arsenal, curiosamente, foi no mesmo sentido, mantendo a estrutura base da equipa do ano passado, entrando apenas Petr Cech, um bom reforço para a baliza e que já deu frutos aos gunners, contribuindo para a conquista da Community Shield. O primeiro duelo entre Wenger e Mourinho foi ganho pelo francês e não foi disputado a feijões, o que faz prometer acesas “conversas” de imprensa ao longo da época, na qual se deverão intrometer os rivais de Manchester, Pellegrini e Van Gaal. O primeiro não poderá falar assim tanto, pois conseguiu as tão desejadas aquisições de Fabian Delph e Raheem Sterling, mantendo todos os seus jogadores de topo que perfazem um ataque temível à semelhança do que já vinha acontecendo até então; o segundo também não poderá queixar-se da falta de apoio da estrutura do United, que obedeceu aos seus desejos e reforçou os red devils com quantidade e qualidade – Schneiderlin e Schweinsteiger estabilizarão o meio-campo, Depay vai provando que pode ser um caso muito sério juntamente com Rooney, com quem vai revelando excelente entendimento, e Darmian é o lateral direito que Van Gaal pediu. Faltará reforçar o sector mais recuado, mas as saídas de Di Maria, Falcao e Robbie Van Persie não serão sentidas no que toca à forma de jogar do United do ano passado relativamente a este ano…

Rooney e Schweinsteiger podem ser duas pedras basilares num eventual sucesso do United, este ano Fonte: Facebook do Manchester United
Rooney e Schweinsteiger podem ser duas pedras basilares num eventual sucesso do United, este ano
Fonte: Facebook do Manchester United

… algo que poderemos ver já no próximo sábado, frente a uma equipa que também não mudou muito. O Tottenham também manteve a sua estrutura da época passada, sendo a única saída relevante a de Paulinho face ao onze habitual do ano passado. Com a continuidade de Pocchetino e o facto de não terem saído jogadores importantes para além do brasileiro, fica mais propícia ao sucesso a campanha dos Spurs na Premier League deste ano, dado que se focaram no reforço da defesa neste período de transferências, com as entradas de Wimmer e Alderweireld a comprová-lo. É previsível que os Spurs se superiorizem aos rivais da “classe média” inglesa, porém, será difícil estimar se há qualidade e estabilidade para a equipa se intrometer na luta dos Big Four acima citados, algo que já é mais fácil de descortinar ao analisar o Liverpool, que, apesar de perder Sterling e Gerrard, duas peças importantes na estrutura da equipa, sobretudo a nível ofensivo, conta agora com Roberto Firmino e Chris Benteke (custaram perto de 70 milhões de euros, só os dois) para o ataque, mantendo nos seus quadros Phillipe Coutinho e uma possível revelação, Jonathan Ibe, que ganhou espaço para se afirmar com a saída do jogador nascido na Jamaica. Também a defesa foi bem forçada, com a entrada de Nathaniel Clyne, do Southampton, um dos melhores laterais a actuar no futebol inglês no ano passado. James Milner acrescenta músculo e experiência aos reds, e isso pode ser fulcral para que voltem a intrometer-se na luta pelo título, no primeiro ano após-Gerrard.

Definitivamente, motivos não faltam para se acompanhar a edição 2015/2015 da Premier League. O espectáculo do costume está garantido, com o bónus de se acrescentarem novos intervenientes.

Promete.

Foto de capa: Facebook da Premier League

Vem aí o campeonato! – Parte I

futebol nacional cabeçalho

Falta uma semana para começar a Primeira Liga e as equipas já vão tendo os seus planteis compostos. Sem mover os mesmos milhões que os “3 grandes”, os outros 15 clubes também se movimentam no mercado, por isso, vamos a um balanço do que foi feito até agora.

Esta análise vai ser dividida em duas partes: neste texto ficam os 7 clubes que lutaram pela Europa na época passada e que poderão fazê-lo esta época outra vez, mais tarde virão as outras 8 equipas, que deverão lutar mais arduamente pela manutenção.

Começo pelos rivais minhotos, mais precisamente pelo Sporting de Braga. Com um novo treinador, Paulo Fonseca, os “Guerreiros do Minho” procuram este ano repetir o quarto lugar da época passada, ou até melhor, caso algum dos “grandes” surpreenda pela negativa. Contudo, os bracarenses parecem mais fracos do que na temporada anterior. Saíram elementos importantes, como os avançados Éder e Zé Luís, o patrão do meio campo (Danilo) ou o “velocista” Felipe Pardo, sem que os reforços assegurados até ao momento possam dar, desde já, as mesmas garantias. Rodrigo Pinho e Rui Fonte deverão ser os “homens golo”, ao passo que Vukcevic e Battaglia poderão tentar suprir a baixa de Danilo. Destaco também a subida de Fábio Martins à equipa principal. O jovem formado no FC Porto poderá ser uma das surpresas da época.

Em Guimarães, o Vitória local tem o plantel definido. A equipa até já fez dois jogos oficiais (derrotas com o Altach para a Liga Europa), por isso, poucas novidades deverão ocorrer até 31 de agosto. As entradas de Tozé, Santiago Montoya e do goleador Henrique Dourado deverão ser diretas para o onze, tendo ainda Licá como boa novidade no banco. Apesar das permanências de elementos importantes como João Afonso, Ricardo Valente ou Alex, as saídas de André André e Bernard deverão ter um peso muito grande no início da época, dificultando a tarefa a Armando Evangelista, que tomou o lugar que era de Rui Vitória no banco vimaranense.

André André, um dos “motores” do Vitória na época passada, saiu para o Dragão Fonte: Facebook oficial do Futebol Clube do Porto
André André, um dos “motores” do Vitória na época passada, saiu para o Dragão
Fonte: Facebook oficial do Futebol Clube do Porto

Em situação semelhante ao Vitória está o Belenenses. Os “azuis” do Restelo já jogaram para a Liga Europa, eliminando o IFK Gotemburgo, e apresentam um plantel quase totalmente português, o que é sempre de salientar e elogiar. O novo treinador, Ricardo Sá Pinto, tem qualidade, e terá ao seu dispor um plantel capaz de oferecer garantias de boa época. As chegadas de Tonel, André Geraldes, Ruben Pinto e Ricardo Ribeiro vêm acrescentar valor, apesar de saídas que deixam sempre mossa, como por exemplo Pelé, Deyverson ou Rui Fonte. Na minha opinião, a possível vinda de Diego Rubio seria a chave para o fecho deste plantel, ainda órfão de um goleador.

Passando para a Madeira, os dois grandes rivais desta região parecem-me menos consistentes do que na temporada anterior. No Marítimo, saíram elementos fulcrais na estratégia da equipa, como eram Danilo Pereira, Patrick Bauer ou Bruno Gallo, sem que tivessem chegado grandes alternativas para os seus lugares. De entre todos os reforços, os mais promissores serão o arménio Gevorg Ghazaryan, médio ofensivo internacional pelo seu país e o nosso bem conhecido Tiago Rodrigues, médio do FC Porto, que na época passada foi um dos elementos mais importantes do Nacional e agora vai representar os rivais verde-rubros. Outra curiosidade prende-se com a baliza. Será que é desta que Ivo Vieira “senta” Salin, dando a titularidade a José Sá?

O Nacional também “chora” a saída de alguns dos elementos preponderantes na temporada transata, como Marco Matias, Lucas João (ambos para o Sheffield Wednesday, de Carlos Carvalhal), Saleh Gomaa, Marçal ou o supracitado Tiago Rodrigues. Até ao momento, o médio brasileiro Nené Bonilha é o reforço mais em foco, após a saída esquisita de Cas Peters, avançado holandês que estava a mostrar-se goleador nesta pré-época e abandonou a Madeira nos últimos dias. Até ao fim do mercado, ainda deverão chegar mais jogadores.

No Norte moram mais duas equipas que tentaram ir à Europa, mas não foram bem sucedidas: Paços de Ferreira e Rio Ave. Os vilacondenses pagaram a fatura de demasiados jogos efetuados na época passada e que serviram de montra para os seus melhores valores: Ederson , Diego Lopes  foram contratados pelo Benfica, Del Valle foi saiu para a Turquia por empréstimo e Tiago Pinto também deverá abandonar o Estádio dos Arcos. Não estão ainda garantidas as permanências de jogadores importantes como Ukra ou Hassan. Contudo, Pedro Martins já foi reforçando o seu plantel com elementos experientes como Pedrinho, lateral direito que esteve em França nos últimos anos, e ainda Aníbal Capela, Yazalde ou Guedes, elementos já com alguma experiência no campeonato nacional. Aqui também não é de excluir a chegada de mais um ou dois reforços. Acho que Iuri Medeiros ou Nuno Santos, por exemplo, encaixariam na perfeição neste Rio Ave. Os jovens esquerdinos têm muito potencial mas não têm grandes perspetivas de jogar esta época no Sporting e Benfica, respetivamente. Serão dois dos jogadores mais cobiçados pelas equipas da Primeira Liga até 31 de agosto.

Para terminar a análise às equipas que deverão lutar pela Europa, o Paços de Ferreira. Os “castores” perderam o seu técnico, Paulo Fonseca, para o Braga, foram recrutar Jorge Simão e uma série de jogadores para o seu plantel. Perante as saídas de habituais titulares como António Filipe, Seri, Sérgio Oliveira ou Ruben Pinto, chegaram vários portugueses como o guarda-redes Marafona, ex- Moreirense, João Góis, que vem de Chaves, ou Miguel Vieira, que vem da Vila das Aves. Os reforços Christian, Pelé e Roniel, assim como os jovens Fábio Cardoso e Diogo Jota, podem ser figuras de proa na época da equipa da Capital do Móvel.

Foto de capa: Facebook oficial do Paços de Ferreira

Liga Francesa: Le Championnat est de retour!

0

cab ligue 1 liga francesa

Quando falta ainda quase um mês para o fecho do mercado no Velho Continente, a Ligue 1 está de volta com muitas indefinições nos planteis dos principais favoritos mas com uma certeza: o Paris Saint-Germain volta a estar na pole-position. Algo recorrente desde que o clube foi comprado pela “Qatar Investment Authority”. Já são três campeonatos consecutivos, ganhos com maior ou menor dificuldade. Contudo convém referir que no primeiro ano do forte investimento vindo do Catar foi o modesto Montpellier a vencer o primeiro campeonato da sua história, conseguindo, assim, fazer frente ao novo-rico da capital. E é aqui que reside a magia do Championnat: não existem vencedores antecipados. Então, o que esperar do campeonato francês na época 2015/16? O tetra do PSG ou uma surpresa de um outsider?

O FAVORITO

O Paris Saint-Germain, actual tri-campeão, é o natural favorito para arrecadar o seu quarto título consecutivo. A grande dúvida, nesta altura, reside na sua principal figura, que é também a figura do campeonato, Zlatan Ibrahimovic. O sueco tem deixado pistas de que poderá deixar a capital gaulesa ainda antes do término do seu contracto que entra no último ano. Autor de 75 golos e 32 assistências em 91 partidas da Ligue 1, Ibrahimovic é a principal referência do ataque parisiense e a sua saída seria sempre difícil de colmatar. Independentemente do poderio financeiro do PSG. Também Thiago Motta está na iminência de abandonar os campeões franceses, juntando-se deste modo ao já transferido Cabaye. Estas duas saídas obrigam Laurent Blanc a ir ao mercado para reforçar o seu meio-campo mais defensivo, pois Stambouli, contratado neste mercado ao Tottenham, constitui mais dúvida do que certeza. Um nome sonante juntar-se-á a Verratti, Matuidi e Rabiot, isso é certo.

Do lado das entradas temos ainda os nomes de Aurier, lateral direito costa-marfinense que foi comprado ao Toulouse depois de uma época de empréstimo no clube; Trapp, guarda-redes alemão que promete dificultar muito a vida do titular Sirigu e… Di Maria. O astro argentino procura relançar a carreira depois de uma época menos positiva em Inglaterra e poderá encontrar, em Paris, o local ideal para recuperar toda a qualidade que demonstrou em Madrid e no Mundial de 2014. Mais uma estrela a juntar à constelação já existente na capital francesa, onde se destacam nomes como Thiago Silva, Cavani, Pastore ou os já citados Verratti e Matuidi.

Di María é o reforço mais importante do PSG e da Liga Francesa
Di María – o principal reforço da Ligue 1 
Fonte: AFP/Getty Images

E outra poderá estar a nascer: Jean-Kévin Augustin. O jovem de apenas 18 anos, oriundo das camadas jovens do PSG, brilhou a grande nível na pré-época, nomeadamente na International Champions Cup, que os parisienses venceram, e garantiu o seu bilhete para fazer parte do plantel nesta temporada que se inicia. Um nome a acompanhar. Portanto, com algumas duvidas mas muitas certezas, o PSG parte como o grande candidato na conquista do Championnat – algo que deixou bem claro logo no primeiro jogo oficial ao bater facilmente o Lyon na Supertaça, por dois golos sem resposta. Terá um teste muito interessante naquele que é o jogo de abertura do campeonato, deslocando-se ao terreno do Lille e podendo, assim, definir o tom desta Ligue 1.

OS OUTSIDERS

Lyon, Mónaco e Marselha são as equipas que prometem dificultar a vida aos tri-campeões franceses.

Em Lyon, casa dos vice-campeões, vivem-se tempos conturbados. A uma pré-época desastrosa (4 derrotas em 5 jogos, com destaque para a goleada sofrida ante o Arsenal por escandalosos 6-0) e à paupérrima exibição na supertaça francesa junta-se a certeza de que só um milagre conseguirá segurar Lacazette, melhor marcador do último campeonato com 27 golos. Além disso, Gourcuff já terminou contrato com o Olympique Lyonnais. Como do lado das entradas ainda não se registou nenhum nome sonante, tirando o do lateral brasileiro Rafael da Silva vindo do Manchester United, é com natural apreensão que os adeptos da equipa orientada por Fournier encaram a nova época. Continuam peças importantes como o português Anthony Lopes, dono e senhor das balizas do Lyon, Jallet, Malbranque, o fantástico Gonallons e a estrela emergente Nabil Fekir, uma das grandes revelações de 2015 (foi mesmo chamado à selecção francesa), mas muito trabalho ainda terá de ser feito dentro do clube até ao dia 31 de Agosto se quiserem ser considerados como reais candidatos ao trono.

No principado do Mónaco, depois de uma grande época protagonizada pelos pupilos de Leonardo Jardim no seu ano de estreia, quando foi vítima de um forte desinvestimento, vive-se um clima de grande expectativa. Saíram algumas peças importantes como Kondogbia, Carrasco, Ocampos ou Berbatov mas os monegascos não se deixaram adormecer e reagiram rapidamente atacando o mercado com critério de modo a suprir as baixas. Contrataram Guido Carrillo, que será garantia de golos, apesar da forte concorrência, e conseguiram o empréstimo do estonteante El Shaarawy, que promete polvilhar os relvados franceses com o toque da sua magia e irreverência. Se juntarmos ainda Pasalic, Traoré, Cavaleiro ou Wallace aos habitués Subasic, Ricardo Carvalho, Moutinho e Bernardo Silva (em quem são depositadas grandes esperanças depois da época que protagonizou no ano passado e no Europeu Sub-21) poderemos ter na equipa do AS Monaco o principal rival do dominante PSG.

Depois das saídas e Ferreira-Carrasco e Ocampos, El Shaarawy promete impôr-se no Mónaco  Fonte: Facebook do AS Monaco
Depois das saídas e Ferreira-Carrasco e Ocampos, El Shaarawy promete impôr-se no Mónaco
Fonte: Facebook do AS Monaco

Finalmente, em Marselha, Bielsa vive uma época de tudo ou nada. Depois de uma época em que prometeu muito – chegou a liderar grande parte da prova, mas acabaria por nem sequer garantir uma vaga na Champions -, fica a certeza de que a margem de manobra será muito reduzida para o extravagante treinador argentino. Mas, à semelhança do outro Olympique, também o de Marselha viveu um mercado muito conturbado. Perdeu Payet, rei das assistências na ligue 1 transacta; Imbula, o motor do meio-campo marselhês; e como se isso não chegasse viu sair os seus dois goleadores principais: Ayew e Gignac, ambos em final de contracto. As entradas de Diaby, Diarra, Manquillo ou Ocampos parecem muito curtas para compensar saídas de tamanha importância e muitas das esperanças do Marselha residirão em Batshuayi e Barrada.

OS CANDIDATOS À EUROPA

Várias serão as equipas que procurarão alcançar a vaga sobrante que, à partida, os clubes supracitados deixarão em aberto. O Saint-Étienne, que foi o clube que conseguiu tal feito no ano passado, procura repetir essa brilhante temporada em que nunca abandonou os lugares cimeiros e até ameaçou a supremacia dos favoritos.

O Bordeaux ainda vive um período de indefinição no que ao mercado diz respeito, tendo visto algumas peças importantes saírem. Mas quem tem Willy Sagnol, um dos treinadores mais promissores da nova geração, pode sempre sonhar.

O Lille também perdeu vários elementos fundamentais na época passada, com Traoré e Kjaer à cabeça, mas contratou diversos nomes interessantes, como Obbadi, Guillaume ou Tallo perspectivando-se um ano muito forte dos homens de Renard Hervé.

Finalmente o Montpellier deverá ser o último candidato a um lugar na Europa. Roland Courbis terá a base principal da equipa que orientou no ano passado para atacar esta nova temporada e isso constitui sempre um elemento preponderante.

Depois do 6.º lugar no ano passado, Sagnol quer levar o Bordéus à Europa Fonte: Panoramic
Depois do 6.º lugar no ano passado, Sagnol quer levar o Bordéus à Europa
Fonte: Panoramic

A SEGUNDA METADE DA TABELA

Entre os que procuram fugir à despromoção e aqueles que anseiam por um campeonato mais tranquilo, também na parte de baixo da tabela se espera muita imprevisibilidade e animação. Troyes, Ajaccio e Angers são os novos primodivisionários e tudo farão para que a subida não se transforme numa efémera passagem de apenas um ano entre os grandes. Com o já citado Ajaccio e o já residente Bastia, teremos agora duas equipas da maravilhosa ilha da Córsega no principal escalão francês, o que constitui mais um motivo de interesse para este campeonato que se avizinha. Equipas como o Stade de Reims, Rennes ou Caen deverão procurar fugir aos três últimos lugares, enquanto que os conjuntos do Nantes, de Toulouse e do Nice (que compensou a saída do surpreendente Carlos Eduardo com o experiente Ben Arfa) e do Lorient, do português Raphaël Guerreiro, tudo farão para recuperar alguma da sua glória passada – já lutaram por lugares mais cimeiros – e quererão imiscuir-se na luta europeia, fugindo rapidamente à exasperante luta pela manutenção.

Resumindo, espera-nos mais uma emocionante Liga Francesa, onde em cada jogo há incerteza quanto ao resultado final e onde um favorito pode perder pontos em qualquer terreno, à imagem dos campeonatos recentes. Trata-se, sem dúvida alguma, de um dos campeonatos mais emocionantes e competitivos do Velho Continente, mesmo não tendo a notoriedade de outros, e fica a certeza de que nenhuma posição está garantida… independentemente do maior ou menor poderio financeiro.

Raphael Guerreiro é um dos muitos portugueses que actuam no Championnat Fonte: Panoramic
Raphael Guerreiro é um dos muitos portugueses que actuam no Championnat
Fonte: Panoramic

PREVISÕES 

Campeão: Paris Saint-Germain

Melhor Jogador: Di Maria (Paris Saint-Germain)

Melhor Marcador: Guido Carrillo (AS Monaco)

Melhor Assistente: Di Maria (Paris Saint-Germain)

Jogador Revelação: Jean-Kévin Augustin (Paris Saint-Germain)

Foto de Capa: Panoramic

Vitória de Guimarães 1–4 SCR Altach: Sem Rui não houve Vitória…

liga europa

O Vitória de Guimarães sofreu hoje uma humilhante derrota em casa perante o SCR Altach, uma modesta equipa austríaca, que esta época se estreia nas competições europeias. Os vitorianos jogaram mal, de forma atabalhoada, e foram assim afastados prematuramente da Liga Europa.

Armando Evangelista montou uma equipa que me surpreendeu, em virtude de algumas das suas escolhas. A opção de Bruno Alves ao lado de Cafú, com Tozé no apoio a Henrique Dourado, mostrou falta de coragem num encontro em que o Vitória jogava perante os seus adeptos e em que precisava obrigatoriamente de marcar golos. Na minha opinião, teria muito mais lógica ter recuado Tozé, colocando, por exemplo, Santiago Montoya na posição atrás do ponta de lança. A entrada de Licá para o onze também me causou alguma estranheza, tendo em conta que no banco estava Ricardo Valente, um avançado que fez exibições de encher o olho na época passada e que é sempre um dos elementos mais mexidos, mais inconformados em campo.

Durante todo o jogo, poucas vezes o Vitória conseguiu desenvolver jogadas com início, meio e fim apropriados. Muitos passes falhados no início da construção, muito nervosismo dentro da equipa e ninguém que agarrasse no jogo e fizesse mexer o coletivo, como André André fazia na época passada. Os austríacos vieram com a estratégia bem montada, com uma equipa fechada, a procurar sempre o contra ataque e os lances de bola parada para tentar atingir a nau vimaranense. Num jogo em que o árbitro francês Antony Gautier também esteve mal, sendo muito “amigo” dos forasteiros, o Altach chegou ao 1-0 à passagem da meia hora de jogo. Após canto batido por Lienhart, Netzer aproveitou a passividade da defesa vimaranense e a péssima abordagem de Douglas ao lance, cabeceando à vontade para o primeiro da partida.

Sem Título
A defesa do Vitória esteve constantemente mal na partida.
Fonte: Facebook do SCR Altach

Ao intervalo, Armando Evangelista tentou corrigir o erro na constituição da equipa, colocando Otávio no lugar de Bruno Alves. Ainda assim, as esperanças dos minhotos esfumaram-se em três minutos: aos 59, Mahop aproveitou uma fífia de Alex e cruzou para um autogolo de Pedro Correia; pouco depois, Mahop voltou a causar estragos e assistiu Prokopic para o 3-0. Um resultado pesado e que causou a debandada de vários adeptos do estádio. Os que ficaram nas bancadas assobiaram e mostraram lenços brancos como se não houvesse amanhã.

Entretanto, aos 67 minutos, Tomané, com uma excelente cabeçada após cruzamento de Alex, reduziu a diferença e alimentou algumas (ténues) esperanças. Contudo, poucos minutos depois, Pedro Correia entrou “a varrer” sobre um adversário e foi expulso com vermelho direto. O que se seguiu (mais 20 minutos de jogo) foi penoso de ver, com o Vitória a tentar despejar bolas para a área austríaca, mas sem grandes efeitos práticos.

Para terminar, mais um golo do Altach, já no período de descontos, apontado por Lienhart na cara de Douglas. Este foi o toque final de uma noite horrível no D.Afonso Henriques.

O Vitória entrou mal e saiu apupado da Liga Europa, naquele que foi um péssimo começo de Armando Evangelista ao leme dos vitorianos.

A Figura:

Tomané – Escolho o avançado vimaranense porque foi o menos mau da equipa. Entrou bem, com garra, e tentando mexer com o jogo. Apontou um excelente golo de cabeça e esteve ainda perto de marcar outro. Ricardo Valente também merece destaque pela boa entrada no encontro. Ambos deveriam ter entrado mais cedo.

O Fora de Jogo:

Armando Evangelista – Tenho de colocar aqui o treinador do Vit.Guimarães, pela sua falta de engenho na abordagem a este encontro. O técnico devia ter arriscado mais no início do jogo. Além disso, preferiu Licá e Bruno Alves a Ricardo Valente e Montoya em decisões completamente incompreesíveis.

Foto de capa: Facebook do SCR Altach

IFK Gotemburgo 0-0 Belenenses: a maturidade superou a teoria

liga europa

O Belenenses está no playoff da Liga Europa. A equipa comandada por Sá Pinto foi à Suécia garantir a passagem para a próxima fase da competição, depois do empate sem golos frente ao IFK Gotemburgo. Com a vitória alcançada na semana passada por 2-1 no Estádio do Restelo, a equipa lisboeta consegue um importante apuramento.

A sabedoria futebolística diz-nos que “em equipa que ganha não se mexe”. Assim foi o pensamento de Sá Pinto, que não promoveu qualquer alteração no onze inicial que havia disputado a primeira mão desta 3.ª pré-eliminatória. O 4X2X3x1 continuou a ser o esquema tático preferencial, com André Sousa e Rúben Pinto a funcionarem sempre como verdadeiros tampões do jogo ofensivo sueco. No último terço do terreno, a função de Carlos Martins em procurar espaços para Sturgeon e Miguel Rosa era evidente, com Abel Camará a tentar explorar o jogo em profundidade. A estratégia de Sá Pinto era clara: sabia que o Gotemburgo ia entrar forte na partida e por isso não deixou de ordenar à sua equipa que baixasse linhas e procurasse uma proximidade entre os três setores. Desta forma, e apesar de a equipa sueca ter feito um primeiro quarto de hora de qualidade, a verdade é que o Belenenses nunca esteve verdadeiramente desconfortável em campo, tal era a solidez defensiva.

Para que isso tenha acontecido, em muito contribuiu a ação do bloco central da equipa do Restelo: para além da ação de contenção de André Sousa e Rúben Pinto, a experiência dos centrais Tonel e Gonçalo Brandão foi fulcral para que Ventura não tenha passado por grandes momentos de perigo junto da sua baliza. Aliás, na primeira parte, a melhor oportunidade acabou por ser da equipa portuguesa, com Sturgeon, aos 10 minutos, a aproveitar uma excelente assistência de Camará para provocar uma boa defesa ao guarda redes Alvbage. Até ao final do primeiro tempo, e apesar de o Gotemburgo ter tido mais bola e mais domínio territorial, foi mesmo o Belenenses a ter mais um lance de perigo, com André Sousa a rematar por cima da baliza contrária.

11796403_10153468099930132_4278397796816644698_n
O Gotemburgo desiludiu nos dois encontros
Fonte: Facebook IFK Gotemburg

O bom jogo posicional do Belenenses acabou por se estender na segunda parte. Ao contrário do que seria expectável, a equipa sueca não entrou de forma pressionante, o que fez com que o ritmo baixo com que a segunda parte se iniciou tenha sido perfeito para a estratégia belenense. Aliás, voltou a pertencer à equipa de Sá Pinto a primeira oportunidade de golo da segunda parte, com Miguel Rosa, de cabeça, a desperdiçar um excelente cruzamento do lateral direito João Amorim. Esse acabou por ser o lance que acordou a equipa do Gotemburgo, que a partir dos 60 minutos cresceu no encontro. Mais forte, mais pressionante e mais rápida sobre a bola, a equipa sueca empurrou completamente o Belenenses para a sua zona defensiva no último terço do encontro. Apesar de apenas Ankersen, aos 60 minutos, ter estado perto de fazer o golo para o Gotemburgo (o remate foi defendido por Ventura para o poste), a verdade é que a equipa portuguesa passou por alguns sustos fruto da forte pressão que sofria da equipa que lidera o campeonato sueco.

Nesse momento, o técnico português acabou por ter um papel determinante, pois teve uma visão perfeita do que estava a acontecer em campo. Fruto do balanceamento ofensivo adversário, o ex-internacional português decidiu lançar Dálcio para o lugar de Miguel Rosa, procurando com isso ganhar mais velocidade nas saídas para os contra ataques. É caso para dizer que a substituição deu um tremendo resultado, tendo em conta a influência que o jovem jogador teve na segunda parte. De quando em vez, o Belenenses foi saindo em transição, e, com isso, a equipa do Gotemburgo acabou por ficar algo receosa. Os últimos minutos do encontro trouxeram um Belenenses inteligente em campo, fazendo da gestão dos ritmos de jogo uma toada que procurou manter até ao final do encontro. O empate a zero foi mais do que suficiente e, fruto de uma estratégia sólida e eficaz, a equipa portuguesa acaba por se apurar com toda a justiça para o playoff da Liga Europa. Defrontando um adversário mais rodado nesta fase da temporada e cujo favoritismo era claro à partida para a eliminatória, o Belenenses usou das suas armas e fez da inteligência tática a chave decisiva para abrir o cofre de acesso à segunda prova mais importante de clubes na Europa. Agora, falta apenas o playoff para que o sonho se torne realidade e o Belém volte ao convívio com os grandes da Europa. Pelo que se viu frente ao Gotemburgo, é caso para dizer que o Belenenses tem tudo para ser feliz. Basta usar a inteligência tática para que o apuramento seja uma realidade.

 

Figura do Jogo: Inteligência tática do Belenenses – Apesar da maior rodagem competitiva do adversário, a verdade é que foi pela inteligência que esta eliminatória se resolveu. Conhecendo as suas fragilidades, o Belenenses acaba por fazer dois excelentes encontros e passar de forma justíssima ao playoff da Liga Europa.

Fora do Jogo: Previsibilidade do Gotemburgo – Se a primeira mão tinha demonstrado uma equipa sueca bastante limitada, então o segundo encontro da eliminatória ainda foi pior. Mesmo atuando em sua casa, a verdade é que a equipa sueca raramente incomodou Ventura, demonstrando uma previsibilidade incompreensível a nível ofensivo. A eliminação é natural tendo em conta dois jogos tão fracos.