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Vitória de Magalhães… e de Fontes

Sem o brilho de outros tempos, Bruno Magalhães venceu o Rali da Madeira de 2015. A edição 56 do mais emblemático rali de asfalto português já não tem a notoriedade de outros tempos; a crise assim ditou, e aquela por muitos considerada a melhor prova de asfalto da Europa agora conta para uma segunda competição europeia (ERT), que pouco ou nenhum interesse gera entre o público, pilotos e imprensa. A maior prova disto é a lista de inscritos. Nos dois anos em que contou para esta competição apenas um (1!) piloto estrangeiro (Robert Consani) apareceu na ilha e a “reboque” do seu colega de equipa Bruno Magalhães e, neste caso em específico, do madeirense Alexandre Camacho.

Com uma aposta grande por parte de dois dos pilotos madeirenses mais em conta neste momento – falo, claro, do campeão regional de 2014, Miguel Nunes, que apesar de estar parado este ano alugou um Fiesta R5 à equipa de João Barros, e do já mencionado Alexandre Camacho, que alugou um DS3 R5 à Delta Rallye – Bruno Magalhães aparecia no Vinho Madeira como principal favorito e a tentar entrar no lote de recordistas de vencedores da prova, que antes do seu início contava com três pilotos (Américo Nunes, Giandomenico Basso e Andrea Aghini), o que conseguiu.

Nas contas para o nacional apareciam a encabeçar a lista Ricardo Moura e José Pedro Fontes, mas com a forte companhia de Pedro Meireles e João Barros, numa prova que tinha tudo para ser decisiva nas contas do CNR devido aos 0,5 pontos dados ao vencedor de cada especial.

A prova foi sempre emotiva e nunca existiu um líder muito destacado, sendo que a diferença entre primeiro e terceiro foi de apenas 7,1 segundos. Magalhães mostrou que conhece muito bem o terreno e mereceu a vitória por ser o mais consistente, sendo que Miguel Nunes mostrou que não é preciso muito tempo com um carro para se tirar muito rendimento do mesmo. Os 5,4 segundos de diferença entre os dois levam a pensar que se o madeirense não tivesse parado este ano e com um maior conhecimento do carro teria ganhado a prova. A fechar o pódio ficou José Pedro Fontes, que deu um passo de gigante ao ser primeiro do nacional e ao vencer 18 dos 19 troços, ganhando assim 34 pontos. Alexandre Camacho terminou em quarto mas chegou a liderar a prova, mas um furo impediu-o de lutar pela vitória.

O nacional, como já escrevi, foi ganho por Fontes, e este deu um passo muito grande para o título, isto porque Ricardo Moura teve um forte acidente a duas especiais do fim, quando estava em terceiro, e saiu da Madeira apenas com 0,5 pontos, perdendo assim a liderança do CNR. Em segundo ficou João Barros, que mostrou uma boa velocidade na prova madeirense. Elias Barros foi um surpreendente terceiro classificado depois de Pedro Meireles e Carlos Martins também terem desistido.

Assim ficou o carro de Ricardo Moura Fonte: Facebook da Antena 3 Madeira
Assim ficou o carro de Ricardo Moura
Fonte: Facebook da Antena 3 Madeira

Focando agora nas contas gerais do CNR, é fácil perceber duas coisas: Moura é o melhor piloto do nacional em terra e José Pedro Fontes o melhor em asfalto. Apesar disso, ambos vão com três vitórias nas seis provas até agora disputadas. Moura ganhou as duas de terra e uma de asfalto, Fontes três em asfalto. Numa altura em que faltam duas provas, uma em terra e a outra ainda não se sabe em que superfície, Moura parte com alguma vantagem a nível de candidatura a estas provas, mas o certo é que Fontes vai com 16 pontos de vantagem e não vai ser fácil recuperá-los. Depois é ainda preciso ver os valores dos estragos do carro de Moura, pois pode condicionar o futuro do campeonato.

Concluo falando novamente da situação do Rali Vinho da Madeira. Uma prova desta qualidade e com esta história merece mais do que o que é actualmente e, como tal, poderia ser feito um acordo entre os Açores e a Madeira para as suas provas irem rodando no ERC, como existe por exemplo entre Austrália e Nova Zelândia no WRC. Sei que tal acordo é quase impossível de acontecer mas, se não se tentar, então é que ele não acontece.

Foto de capa: Facebook da Antena 3 Madeira

Olheiro BnR – Bilal Ould-Chikh

olheiro bnr

Rotulado de um dos mais promissores futebolistas da Eredivisie holandesa, Bilal Ould-Chikh é o mais recente reforço do Benfica, surgindo no Estádio da Luz como um diamante para ser calmamente lapidado pela estrutura técnica encarnada.

Tendo ascendência marroquina, a verdade é que este jovem futebolista já nasceu nos Países Baixos, em Roosendaal, a 28 de Julho de 1997, sendo inclusivamente internacional pela Holanda nos escalões de sub-15, sub-17 e sub-19.

Estreou-se profissionalmente aos 16 anos

Verdadeiro prodígio do futebol “laranja”,  Bilal Ould-Chikh estreou-se  cedo no futebol sénior, mais concretamente a 3 de Maio de 2014, numa igualdade entre o Twente e o Zwolle (2-2), isto numa altura em que contava apenas com 16 anos de idade.

Já na actual campanha, apresentando 17 anos no bilhete de identidade, o internacional sub-19 holandês ganhou mesmo algum espaço na principal equipa do Twente, somando já 18 jogos e um golo pelo emblema de Enschede.

Bilal Ould-Chikh fez todo o percurso pelas selecções jovens holandesas  Fonte: Bongarts Sportfotografie
Bilal Ould-Chikh fez todo o percurso pelas selecções jovens holandesas
Fonte: Bongarts Sportfotografie

Potencial gigantesco

Bilal Ould-Chikh é um extremo que pode actuar em qualquer um dos flancos, ainda que seja preferível colocá-lo no lado direito do ataque, uma vez que se trata de um futebolista esquerdino, mas que privilegia bastante os movimentos interiores na procura de zonas centrais. Nisso, aliás, lembra a espaços Gaitán ou Simão Sabrosa.

Como principais pontos fortes do jovem holandês podemos destacar a sua velocidade, explosão, técnica individual, meia-distância e capacidade de drible, características que fazem dele um jogador fortíssimo em lances de um contra um e com potencial para ser um extremo de classe mundial.

Para ter condições de atingir esse patamar, ainda assim, existem naturalmente aspectos em que terá de evoluir, nomeadamente ao nível da tomada de decisão, que nem sempre é a mais acertada, assim como no posicionamento e na excessiva confiança com que aborda alguns lances. Ainda assim, estas são lacunas perfeitamente expectáveis num jovem de apenas 17 anos e que certamente serão corrigidas com um bom acompanhamento e, também, com a maior maturidade mental e competitiva que o próprio atleta irá ganhar.

 

Foto de Capa: Facebook de Bilal Ould-Chikh

Volta a Portugal’2015: Senhora da Graça seleciona, Torre definirá?

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Cabec¦ºalho ciclismo

Passados mais três dias da Volta a Portugal em bicicleta, a dupla Gustavo Veloso e Délio Fernandez, da W52-Quinta da Lixa, cimentou ainda mais a sua posição no pódio, e a vitória está cada vez mais perto de ir para um deles.

A terceira etapa trouxe-nos uma típica chegada ao sprint mas onde todo o cuidado era pouco, visto que, ainda assim, não era um final muito fácil. Para além da vitória indiscutível do melhor sprinter nesta competição, Davide Vigano, é preciso destacar o facto de Gustavo Veloso estar a tentar aproveitar quase todas as oportunidades para conseguir as conhecidas bonificações (não vá acontecer algo menos bom na Torre). Fez 2.º lugar nesta etapa, inclusive à frente de um puro sprinter como Manuel Cardoso, que também esteve muito bem e apareceu pela primeira vez em bom plano nesta Volta a Portugal. Nota para mais um top5 por parte de José Gonçalves e a presença de alguns favoritos à geral nos melhores da jornada, visto que esta era uma etapa que se previa que fosse a um sprint compacto entre os especialistas dessa modalidade, mas a verdade é que o final não era “amigável”.

Apenas um aparte: neste dia, também houve a Clásica de San Sebastian, e há que destacar que Adam Yates a venceu de forma espetacular. Fez um grande ataque, esteve muito bem na descida e conseguiu controlar tudo da melhor forma até ao fim, sendo que, ao passar a meta, nem sabia que tinha ganhado. Incrível. Pelos vistos, houve alguma falha de comunicação, e o irmão gémeo de Simon Yates não se apercebeu de que era mesmo o primeiro a cruzar a meta. É de notar o pódio de Gilbert e Valverde em mais uma clássica. O belga volta aos grandes resultados, e o espanhol mostra que continua com a boa forma do Tour – será muito importante para a Vuelta que assim seja. Em relação ao top10, tem de haver um destaque para a presença de Alaphilippe – é realmente das maiores promessas do ciclismo (o mesmo se pode dizer do próprio Yates, que venceu, e do seu irmão gémeo, e isto só referente a esta corrida em específico, porque existem mais alguns de que já falei e que irão animar o ciclismo nos bons próximos anos – um deles, Caleb Ewan, fez ontem 2.º lugar na Volta à Polónia, apenas atrás do consagrado Marcel Kittel).

Voltando à nossa Volta, à quarta etapa chega-nos a mítica subida à Senhora da Graça, e temos, até agora, o dia mais espetacular da nossa corrida. Os ciclistas e a própria etapa não desiludiram e, não fosse a prova ser menos reconhecida do que muitas outras, poderíamos ter aqui uma das melhores vitórias deste ano por parte de Filipe Cardoso, o grande vencedor do dia (claro que para nós será uma das melhores, mas em termos internacionais provavelmente terá pouco impacto). O “Sagan português” esteve na fuga do dia, fez uma excelente descida – mostrou imensa técnica (outra semelhança para com o próprio Sagan) – e conseguiu tirar proveito disso para ganhar a vantagem suficiente para encarar a dificílima subida da melhor forma.

No quilómetro final, ainda era possível acreditar na vitória de Filipe Cardoso, apesar de os principais favoritos estarem a poucos segundos do português. Os metros finais vieram provar-se muito emocionantes, visto que, de entre os homens da geral, Joni Brandão (companheiro de Filipe) ataca – talvez mais para conseguir as bonificações e, também, caso Filipe não aguentasse, tentar a vitória na etapa. A verdade é que Filipe aguentou e deu o tudo por tudo para vencer. Muito bom, o gesto de Joni, dado que se assegurou de que não ultrapassava o seu colega e não lhe tirava uma justíssima vitória. Um sprinter/puncher a vencer na mítica subida à Senhora da Graça é algo para recordar nos “livros” do ciclismo português e, claro, para o próprio Filipe Cardoso. Esse dia serviu, igualmente, para comprovar que a W52-Quinta da Lixa (aproveitando as comparações, a “Sky portuguesa”) é mesmo a equipa mais forte da nossa Volta.

O momento final de uma vitória que Filipe Cardoso certamente nunca esquecerá Fonte: Facebook da Volta a Portugal
O momento final de uma vitória que Filipe Cardoso certamente nunca esquecerá. Fonte: Facebook da Volta a Portugal

Gustavo Veloso voltou a estar bem e manteve o seu 1.º lugar; Alejandro Marque esteve melhor; Amaro Antunes voltou a fazer uma grande etapa (achava que seria Hernâni Broco a estar melhor, mas Amaro tem mostrado ser quem está mais em forma dos dois líderes da LA Antarte); Ricardo Vilela continua na discussão por um dos melhores lugares na nossa Volta, sendo que Rui Sousa (costuma estar muito melhor na etapa da Torre) e principalmente Ricardo Mestre poderiam ter feito melhor. O português da Tavira ainda tem todas as condições para terminar no top10, mas um pódio e essencialmente uma vitória estarão praticamente fora do alcance dele – por muito bom CR que possa fazer na penúltima etapa. Além disto, não podemos esquecer o trabalho muito bom de António Carvalho em prol dos seus líderes e o facto de ainda ter conseguido terminar no top10, bem como mais uma excelente prestação do Délio Fernandez. Se Veloso se mostrar menos forte, por exemplo, na etapa da Torre, acredito que Délio não terá problemas em atacar e ficar com o 1.º lugar (a vitória estaria à mesma na equipa da W52-Quinta da Lixa; provavelmente Gustavo Veloso conseguiria na mesma um lugar no pódio, e o facto de o próprio camisola amarela ter ganhado no ano passado poderá tornar-se numa vantagem para Délio, se alguma situação menos boa ocorrer).

Por fim, a quinta etapa teve um final digno da clássica Paris-Roubaix. Foram três quilómetros de piso empedrado e onde José Gonçalves pôde finalmente levantar os braços e festejar uma justa vitória, de quem tanto tem tentado animar a nossa Volta e vencer exatamente uma etapa. O português parece estar mesmo “a fazer pela vida” para ir à Vuelta (tal como o seu companheiro Ricardo Vilela) com a Caja Rural. Délio Fernandez voltou a estar perto da vitória, mas perdeu no sprint para José. Ainda assim, tanto ele como Gustavo conseguiram, novamente, segundos de bonificação.

Até agora, dá para perceber que o top5 final irá contar (além dos dois espanhóis), provavelmente, com Joni Brandão – cada vez mais parece que irá ser o melhor português desta Volta a Portugal – e Alejandro Marque (sendo que o espanhol ainda recuperará, em princípio, muito do tempo no tal contrarrelógio). O último elemento deste top5 será difícil de dizer, visto que ainda existem alguns ciclistas a lutar por isso, mas, neste momento, o já referido Amaro Antunes é o melhor colocado para tal.

Por fim, destaco mais uma entrada na fuga do espanhol Alberto Gallego e, desta vez, apesar de não ter vencido, conseguiu o prémio da combatividade. Curiosamente, amanhã poderá ser mesmo uma etapa para a fuga vingar; veremos. A verdade é que metade da Volta a Portugal já foi cumprida (o dia de descanso é na Quarta) e, na Quinta, poderemos vir a ter, no final da etapa, muito da Volta definido na subida a Seia, a mítica etapa da Torre.

Foto de capa: Facebook da Volta a Portugal

Os Iludidos

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Não importa a altura, mas é quase inevitável, numa vida humana com mais de década e meia, chegar-se a um momento em que se sente falta da idade da ingenuidade, onde os problemas se resolviam de forma simples e ainda não havia coisas complicadas como dilemas éticos. Nessa altura, tinha-se a vida pela frente, e a muitos de nós era augurado um futuro brilhante, fosse qual fosse a carreira… porque, garantiam-nos com um sorriso desafiador e um olhar indutor de sonhos, podíamos ser tudo.

Crescemos a acreditar nisso. Damos passos nesse sentido, embalados pela segurança de uma vida futura onde não se conhece a amargura… até ela aparecer e mostrar-nos que a vida não é assim. Que somos promessas, de facto, mas que podemos nem sequer passar disso. Aliás, há grandes probabilidades de isso acontecer, porque, ao mesmo tempo que sonhávamos, outros milhares de crianças sonhavam o mesmo. Uns lidam bem com o fracasso ou a falta de sorte e crescem com isso; outros não e ficam sempre aquém daquilo que se esperava deles porque não conceberam um futuro diferente daquele que, em miúdos, idealizaram.

Isto também acontece dentro dos relvados de futebol. No início de uma carreira sénior, são colocadas expectativas relativamente ao futuro do jogador; os primeiros jogos são disputados com uma entrega imensa, de olho num legado ímpar entre os grandes, pois o percurso acaba de começar e o resto da estrada da glória está por percorrer. O jogador pode ser tudo, garantem-lhe, não só os círculos próximos como as capas (ou as gordas do rescaldo do jogo de uma equipa mais pequena) dos jornais.

Depois, quando se agarra um lugar, surge um passe menos conseguido, a confiança baixa e a exibição já não tem honras de destaque. A partir daí pode-se lutar e provar que foi só um desempenho abaixo do potencial, ou simplesmente achar-se que este não era tão alto quanto se esperaria, conforme é “provado” pelo acumular de erros que se segue, caindo-se numa espiral depressiva da qual só se sai quando já não há mais a nada a “ser” para além do que se é. Aí, atinge-se a estabilidade necessária para se jogar o talento que, definitivamente, está dentro do jogador em questão.

Pato é bom exemplo de um jogador que teve a ilusão como obstáculo na sua carreira Fonte: Facebook do São Paulo
Pato é bom exemplo de um jogador que teve a ilusão como obstáculo na sua carreira
Fonte: Facebook do São Paulo

Tivemos ilustrações precisas disso mesmo durante a semana passada nas exibições de Alexandre Pato e Carlos Martins.

O primeiro foi uma promessa do futebol brasileiro, depois de impressionar ao serviço do Internacional. Foi transferido para o Milan com apenas 17 anos e era-lhe augurado um futuro enorme. Deu tudo nos primeiros tempos e conseguiu ter sucesso em Itália, mas aos poucos foi-lhe sendo retirado espaço, atiraram-no para posições menos condizentes com as suas características, e eclipsou-se. Voltou ao Brasil e tardou em mostrar todo o futebol que prometia nos tempos do Internacional. Este ano, porém, parece ter-se conformado com o facto de que o trabalho tem de estar à frente da ilusão e que não vale a pena ouvir outras pessoas para além do seu treinador, e, para ajudar, foi colocado para posições onde rende mais (seja partindo desde um flanco ou jogando ao lado, e não atrás, de outro avançado). Na semana passada marcou o golo da vitória do São Paulo diante do Cruzeiro e ainda fez o golo de honra no jogo com o Atlético de Minas Gerais.

O segundo foi uma esperança do futebol nacional. Foi formado no Sporting, nunca vingou (fosse por lesões ou por opção) e rumou ao estrangeiro, onde melhorou as suas performances, regressando, depois, ao futebol nacional pela porta de outro grande. No Benfica começou a bom nível, carregando aos ombros o peso de ser encarado por Rui Costa como um “sucessor natural” do mago português, mas foi sendo relegado para segundo plano, e assim continuou. Desceu à equipa B e só o ano passado voltou a competir “a sério”. Este ano, partindo sem ilusões e com noção do seu talento, abriu a temporada da melhor maneira. O agora “seu” Belenenses entrou a vencer na 3.ª pré-eliminatória da Liga Europa com dois golaços da sua autoria, que alimentam de esperança os azuis do Restelo rumo ao playoff.

Um dia prometeram muito, mas não corresponderam às expectativas que tanto eles como os outros tinham neles depositadas. Vários anos das respectivas carreiras foram passados a lamentar aquilo que achavam que iam ser mas não eram… Até se aperceberem de que, fossem o que fossem, deviam jogar sem se preocuparem em ser o que era “suposto” serem. Nunca esteve escrito nas estrelas, só nos seus pés. É uma questão de os pôr no chão e olhar, como gente humilde, para baixo.

 Foto de capa: Facebook oficial do Benfica

Di María: o Mr. Millions

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Ángel Di María é, como todos sabemos, um astro do futebol mundial. Detentor de um virtuoso pé esquerdo, faz as delícias dos amantes de futebol com os seus dribles diabólicos e arrancadas poderosas. É, sem dúvida, um dos nomes mais sonantes da história recente do futebol internacional.

Quando Di María chegou ao Benfica, era um menino com um enormíssimo talento mas pouco ritmo. Pouco trabalho de equipa. Pouco “um por todos e todos por um”. Talvez tenha sido isso que lhe garantiu aquele histórico primeiro hat-trick frente ao Leixões; fez capa de todos os diários desportivos e foi apelidado de “Tri” María. Quando saiu, era um jogador completo: jogava junto à linha mas puxava ao meio para trazer o lateral adversário consigo, tinha uma visão de jogo invejável, raramente falhava o passe e era o melhor braço-direito de um ponta-de-lança. Ainda assim, mantinha a rebeldia nos pés irrequietos que o fazia ganhar todas as situações de “um para um”.

O argentino custou 8 milhões ao Benfica. 36 ao Real Madrid. E foi no clube espanhol que viveu o ponto alto da sua carreira (so far). Mourinho fê-lo trabalhar bastante para melhorar o seu aspecto defensivo. Ancelotti fez dele um playmaker criativo, explosivo, ágil e perigoso. Di María carregou a equipa às costas na final da Champions que viria a ganhar, em 2014, e mostrava-se numa forma física galopante. Mas os desentendimentos contratuais precipitaram a saída e o consequente término do que poderia ter sido uma ligação mais longa, mais bonita e com mais frutos.

A dupla Di María/Falcao defraudou todas as expectativas  Fonte: Facebook do Manchester United
A dupla Di María/Falcao defraudou todas as expectativas
Fonte: Facebook do Manchester United

Mais um clube, mais milhões. 75, rumo ao Manchester United. Valor record na Premier League. E se a dupla Di María/Falcao fez muitos red devils sonhar, a história depressa se incumbiu de os decepcionar. A última época foi um deserto de concretizações para o argentino, o colombiano e o próprio United. O futebol é realmente um desporto ímpar: em duas épocas, separadas apenas pelos meses de Verão, Di María passou rapidamente de bestial a besta. Se no ano 2013/2014 havia sido um dos jogadores mais elogiados pela crítica, pretendido pelos gigantes europeus e responsável pelas melhores jogadas do defeso, no ano seguinte seria o “flop da época”, “uma das piores contratações do United”, “dinheiro atirado à rua”. Quem o disse foram os jornais britânicos, que depressa se apressaram a fazer artigos e mais artigos sobre a desilusão que foi o argentino.

Já nesta pré-época, Di María falhou a partida da equipa de Manchester para o estágio nos Estados Unidos. Louis Van Gaal respondeu que não sabia o porquê de o argentino não ter embarcado. Muito se especulou a partir daí e, segundo asseguram as notícias, Di María fará exames médicos no PSG nas próximas 24 horas. E, claro, com a transferência, mais milhões. Estima-se que o Manchester United terá aceitado uma proposta de mais de 63 milhões de euros pelo avançado.

Ángel Di María é um dos jogadores que mais dinheiro tem movimentado nos últimos anos. Com apenas 27 anos, o argentino já mexeu uma soma que ronda os 182 milhões de euros. Acho que todos sabemos que este homem dotado de um talento imensurável merece tanto aparato; se é digno, ou não, de tanto dinheiro, estamos aqui para ver. Anseio por ver Di María na equipa de Paris.

Foto de Capa: Football Daily

Don Fabio e os Petrodólares – Os Carrascos do Futebol Russo

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«Tudo o que existe no mundo tem algo a ver com dinheiro» – Graham Greene

Sete milhões de euros anuais eram e foram durante algum tempo o vínculo afectivo de Fabio Capello com a selecção russa. O galardoado e tremendamente experiente treinador italiano chegou a seleccionador da equipa russa em Julho de 2012 como uma espécie de Messias que trazia luz a uma equipa que alegadamente havia perdido o norte e saiu em Julho passado, da mesma forma que o Onzeneiro de Gil Vicente chega à barca do Diabo no Auto da Barca do Inferno com um saco de dinheiro às costas, que representa não só a forma como actualmente vive a sua profissão, mas também a especulação financeira e a ganância que se vive no mundo do futebol nos dias de hoje.

O colapso oficial da União Soviética em Dezembro de 1991, precipitado pelas tendências pseudo-democráticas de Boris Yeltsin e por uma Perestroika e uma Glasnost tardias de Mikhail Gorbachev, marcaram um ponto de viragem, de certa forma negativo, para o desporto em geral e para o futebol em particular, não apenas na Rússia, mas também em todas as outras repúblicas que compunham à data a então maior nação mundial. Depois de uma prestação absolutamente medíocre no Mundial de Itália em 1990, ainda sob a forma de URSS, durante a qual os pupilos de Valeriy Lobanovskyi não foram além da fase de grupos (ficando-se pelo mais que modesto 17º lugar), a União Soviética apareceu sob um novo “formato” no Europeu de futebol de 1992. A CEI (Comunidade de Estados Independentes), comandada por Anatoliy Byshovets, o homem que havia levado a equipa da URSS ao título olímpico em 1988 e que teve uma passagem fugaz pelo CS Marítimo há mais de uma década atrás, contava com excelentes jogadores, como por exemplo Igor Shalimov, Andrej Kanchelskis e Igor Dobrovolski, entre outros, mas voltou a desiludir e não foi além da fase de grupos. Um empate contra a super Alemanha e outro contra a poderosa Holanda criaram fortes expectativas em relação a esta recém formada equipa, mas uma surpreendente derrota contra a Escócia por 3-0 no último jogo do grupo deitou tudo a perder.

O fim do Europeu de 1992 marcou o início de uma nova, longa e penosa etapa para o futebol russo, durante a qual tudo estava por fazer e era necessário reorganizar todos os aspectos que à modalidade diziam respeito, num país que estava a ser fustigado por uma violenta crise social, económica e de valores.

A falta de organização que se vivia na estrutura do futebol e também na federação contrastava, e de que forma, com a qualidade dos jogadores e das equipas técnicas que compunham a selecção russa. No primeiro jogo oficial como Rússia, a potência mundial de outrora venceu o México por 2-0 em Moscovo e saiu-se muito bem na fase de apuramento para o Mundial de 1994, que terminou com seis vitórias e dois empates. Liderada pelo lendário Pavel Sadyrin, o homem que havia levado o FC Zenit (na altura Zenit Leningrad) à sua única vitória da Liga de futebol Soviética em 1984, a equipa russa embarcou na aventura do Mundial dos Estados Unidos, mas viria mais tarde a ser considerada como mais um rotundo falhanço, da qual apenas se destacava o memorável feito de Oleg Salenko, que apontou, nada mais nada menos, que 5 golos no jogo contra os Camarões.

Oleg Salenko, o artilheiro russo no Mundial de 94, acompanhado por Valery Karpin e Ilya Tsymbalar Fonte: tribuna.ru
Oleg Salenko, o artilheiro russo no Mundial de 94, acompanhado por Valery Karpin e Ilya Tsymbalar
Fonte: tribuna.ru

Essa excelente geração de jogadores teve mais um teste de fogo: desta vez, no Campeonato Europeu de 1996 pela mão do mestre das tácticas Oleg Romantsev, mas mais uma vez, após uma fase de apuramento quase imaculada, a equipa russa não conseguiu dar boa conta de si no torneio que teve lugar em Inglaterra, ficando-se novamente pela fase de grupos.

De 1997 a 2004, pouco ou muito pouco há a destacar no que respeita à selecção russa, a não ser uma presença vergonhosa no Mundial de 2002 e outra a roçar a banalidade no Euro 2004 em Portugal. Foi um período negro no futebol russo, um período de desnorte total, onde os interesses financeiros faziam rolar cabeças e durante o qual nada de bom resultou para a modalidade.

Em 2006, no entanto, uma luz ao fundo de um longo túnel fez renascer a esperança nos amantes do futebol espalhados por aquela vasta nação. Após falhar a qualificação para o Mundial de 2006, o experiente Yuri Semin abandonou a equipa e entrou para o seu lugar um homem que mostrou por A + B quão simples era colocar uma velha máquina que respirava futebol a carburar sem solavancos novamente, o eloquente treinador holandês Guus Hiddink.

Hiddink rapidamente captou a essência do futebol russo, em tudo muito semelhante ao mecanizado jogo holandês das décadas de 1970 e 1980, e conseguiu levar a selecção russa às meias-finais do Euro 2008, vergando apenas perante a poderosa armada espanhola, que viria a sagrar-se campeã europeia nesse torneio. A Hiddink sucedeu o também holandês Dick Advocaat, que, embora com resultados não tão impressionantes, deu de certa forma continuidade ao trabalho realizado pelo seu conterrâneo.

A Rússia de Guus Hiddink no Euro 2008 Fonte: UEFA
A Rússia de Guus Hiddink no Euro’2008
Fonte: UEFA

Em 2012, a técnica e a ousadia táctica holandesas deram lugar ao conservadorismo italiano e, se tal à partida não tem nada de negativo, na aplicação específica ao futebol russo, o resultado foi desastroso. Depois de não poucas vezes ter deixado os nervos em franja aos exigentes adeptos ingleses aquando da sua passagem pela selecção daquele país, Don Fabio foi anunciado com popa e circunstância pela federação de futebol russa, que via no antigo aluno da Coverciano a capacidade de ganhar títulos internacionais com a selecção russa e, ao mesmo tempo, de a colocar entre as melhores de todo o mundo.

Fabio Capello, que nesta fase da sua carreira demonstra mais interesse por arte do que por futebol, conseguiu levar a Rússia ao Mundial de 2014, mas, e num grupo aparentemente acessível, não conseguiu uma única vitória e somou apenas dois miseráveis pontos, fruto de empates contra a Coreia do Sul e a Argélia.

Ao contrário dos seus antecessores, que de certa forma ressuscitaram o futebol de ataque rendilhado pelo qual os russos sempre foram conhecidos, Capello tentou, sem sucesso, implementar na equipa vários esquemas tácticos conservadores, baseados em contra-ataque, algo que era altamente contrário ao ADN do futebol russo.

Não obstante tantas trapalhadas e incoexistências, Don Fabio já se havia tornado o seleccionador mais bem pago do mundo e, a avaliar por aquilo que as suas atitudes deixam transparecer, tudo o resto pouco ou nada parecia interessar. O experiente treinador italiano queixou-se por diversas ocasiões da falta de jovens talentosos no futebol russo, algo que não deixa de ser estranho se olharmos, por exemplo, para os resultados recentes dos Sub-17 e Sub-19 daquele país.

Capello – o treinador que o “tempo” mudou Fonte: aif.ru
Capello – o treinador que o “tempo” mudou
Fonte: aif.ru

Este Fabio Capello que estava ao leme da selecção russa já não era aquele que liderou com mestria o AC Milan na primeira metade da década de 1990, mas a federação demorou tempo demais a perceber isso e apoiou-o até ao último momento, fosse por pura ignorância ou provavelmente apenas por não ter capital para financiar a sua saída. Por fim, após algumas intrigas palacianas dignas de um romance russo de final de século, Fabio Capello deixou a selecção russa, deixando para trás um vazio de ideias e de valores que só poderá ser colmatado com muito trabalho e alguma genialidade à mistura, independentemente de quem poderá vir a tornar-se o seu sucessor (Leonid Slutsky e Aleksandr Borodyuk lideram a corrida ao posto de seleccionador, de acordo com a imprensa).

FC Porto 3-0 Stoke City: Tudo é mais fácil quando se acerta

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eternamocidade

Segundo jogo em dois dias e segunda vitória na Colónia Cup para o FC Porto. Este domingo, a equipa de Lopetegui fez mais uma boa exibição e conseguiu uma vitória convincente por 3-0 perante o Stoke City, 9.º classificado na última Premier League. Para o jogo desta tarde, o técnico portista fez uma autêntica revolução no onze: da equipa que havia começado o duelo frente ao Valência, apenas Tello e Aboubakar repetiram a titularidade. A intenção do treinador espanhol era óbvia: com uma distância temporal tão curta entre os dois desafios, era natural que frente aos ingleses houvesse tão grande rotatividade no plantel portista.

Ao contrário daquilo que se poderia considerar – tendo em conta que o onze titular foi composto por quase todas as segundas linhas do plantel (com exceção de Imbula, Tello e Aboubakar) -, o FC Porto acabou por conseguir uma exibição extremamente interessante. Para que isso tivesse acontecido, em muito contribuiu a boa primeira parte que o meio-campo portista teve. Em particular destaque estiveram Imbula e Bueno: o primeiro numa clara dimensão de número 8 rotativo no meio campo; o ex-jogador do Rayo Vallecano tenco como função ocupar a zona entre a defesa e o meio-campo do Stoke. A ligação entre estes dois elementos, ajudados pela solidez dada por Rúben Neves, deu ao FC Porto um jogo interligado entre setores e com uma capacidade de posse em progressão assinalável. De facto, essa foi mesmo a grande diferença da exibição deste jogo para os outros nesta pré-época: o FC Porto foi uma equipa muito mais intensa e rápida em campo, em virtude das movimentações constantes e da dinâmica imposta pelo seu meio-campo.

Nas alas, a ação de Tello e Varela foi fundamental na criação de espaços, enquanto Aboubakar foi sempre o farol ofensivo da equipa, jogando de forma positiva em apoios com o meio-campo e os extremos portistas. Por tudo isso, não foi de estranhar que o jogo tenha sido quase todo disputado no meio-campo defensivo do Stoke, tal foi a diferença de atitude e qualidade evidenciadas pelas duas equipas. Os lances perigosos junto da baliza inglesa foram-se acumulando e o golo acabou por surgir aos 33 minutos por Aboubakar, num desvio perfeito à boca da baliza após cruzamento de Cristian Tello. Depois do desperdício no jogo contra o Valência, o avançado camaronês acabava finalmente por colocar no resultado aquilo que o FC Porto já demonstrava em campo: uma superioridade total. Apenas cinco minutos após o 1-0, a equipa azul e branca acabou por chegar a mais um golo, com a mesma receita. Outra vez pela direita, agora com Ricardo Pereira no cruzamento, foi a vez de Alberto Bueno (boa primeira parte do espanhol) desviar de forma irrepreensível de cabeça. A vantagem era agora dupla para o FC Porto, que seguia para o intervalo com dois golos de avanço e uma bela exibição.

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Bueno fez o primeiro golo com a camisola do FC Porto
Fonte: Facebook FC Porto

A segunda parte acabou por demonstrar a face menos interessante dos jogos de pré-época: muitas substituições e paragens, resultando num ritmo de jogo mais baixo. Ainda assim, destaque sobretudo para os primeiros dez minutos portistas, em que Sérgio Oliveira (livre direto) e Varela (isolado perante o guarda redes do Stoke) podiam ter feito o terceiro golo para o FC Porto. Depois desse assomo inicial, Lopetegui e Hughes foram alterando totalmente as peças e com isso a imagem de ambas as equipas. Do lado portista, depois de todas as alterações, destaque para as boas entradas de Sérgio Oliveira e Brahimi, claramente os mais inconformados durante a segunda parte desta partida. Foi mesmo do extremo argelino que chegou o terceiro golo portista, apontado numa grande penalidade superiormente cobrada aos 70 minutos.

É verdade que o troféu da Colónia Cup não vem com a equipa portista no avião de regresso a Portugal, mas o que mais importa após esta competição são as boas indicações que a equipa deu nos desafios frente a Valência e Stoke City. É certo que os resultados na pré-temporada valem o que valem, mas a consistência defensiva que a equipa demonstrou nestes dois desafios é porventura a maior virtude que se pode tirar do desempenho do FC Porto. No ataque, apesar dos dois bons jogos de Aboubakar, fica claramente a ideia que ainda falta mais um ponta-de-lança com outro “instinto” e que possa trazer mais golo à equipa. No meio-campo, falta ainda aquela peça decisiva para resolver jogos e que tanta importância pode ter no jogo ofensivo portista: o tal médio ofensivo rotativo cujo último passe possa fazer toda a diferença na época da equipa de Julen Lopetegui.

 

A Figura
A 1.ª parte do FC Porto –
Solidez defensiva, dinâmica no meio-campo e agressividade no ataque foram a receita para uma primeira parte de bom nível portista. Em plano de destaque estiveram claramente Imbula, Bueno e Aboubakar, os três elementos que mais contribuíram para que a vantagem de dois golos fosse uma realidade ao intervalo.

O Fora-de-Jogo
A exibição Stoke City –
Mark Hughes tem razões para ficar claramente preocupado depois do que viu da sua equipa nesta competição. A uma semana do início da Premier League, exigia-se mais a uma formação que tão bons valores tem e que na época passada esteve tão perto de alcançar um lugar que lhe poderia dar acesso à Liga Europa.

Foto de Capa: Facebook do FC Porto

Arsenal 1-0 Chelsea: Wenger atira os foguetes-1ª vitória sobre Mourinho!

 

O Arsenal venceu esta tarde o Chelsea por 1-0 na Community Shield, a Supertaça inglesa. Pela primeira vez na carreira e perante mais de 85 mil pessoas nas bancadas de Wembley, o francês Arsène Wenger conseguiu derrotar o Chelsea orientado pelo Special One português.

Ambas as equipas entraram em campo com um elemento móvel como homem mais adiantado no terreno (Rémy no Chelsea, Walcott nos gunners) e com uma ausência de peso nas opções (Alexis Sánchez foi baixa no Arsenal, Diego Costa também ficou na bancada a ver a exibição dos blues).

Os primeiros 20 minutos foram muito equilibrados, com um jogo disputado a bom ritmo, tendo em conta a altura da época em que estamos. O Arsenal trocava melhor a bola, com um futebol mais apoiado, de posse, e dando primazia aos passes curtos, enquanto o Chelsea tentava colocar a bola mais direta na frente. Ocasiões de golo, só mais à frente na partida. Aos 24 minutos, e já depois de um cabeceamento de Walcott para as mãos de Courtois, veio o único golo do encontro. O mesmo Theo Walcott, no centro do meio-campo adversário, tocou para a direita, onde Alex Oxlade-Chamberlain, já dentro da área, trabalhou bem sobre Azpilicueta e rematou de pé esquerdo para um golaço que iria valer o primeiro troféu da época para a equipa do Arsenal.

 

: Santi Cazorla felicita o autor do único golo da tarde em Wembley. Fonte: Facebook oficial do Arsenal
Santi Cazorla felicita o autor do único golo da tarde em Wembley.
Fonte: Facebook oficial do Arsenal

O Chelsea parecia ter acordado para a vida com o golo sofrido, mas Ramires, por duas vezes, não conseguiu acertar com o alvo, defendido hoje por Petr Cech, que enfrentou pela primeira vez o clube onde foi figura nas últimas temporadas. O guardião checo esteve sempre muito seguro e foi um dos melhores em campo nesta partida.

À entrada para a segunda parte, Mourinho fez entrar Radamel Falcao para o lugar de Rémy, mas não se notaram melhorias nessa posição específica. O colombiano continua a parecer uma sombra do grande ponta de lança que brilhou no FC Porto e no Atlético de Madrid, deixando os adeptos blues a suspirar pelo regresso de Diego Costa. Apenas no final do primeiro quarto de hora do segundo tempo chegou uma verdadeira ocasião de golo para o Chelsea. Já com Oscar em campo, Fábregas assistiu Hazard e o belga, em grande posição para alvejar a baliza de Cech, rematou para as nuvens. Um grande falhanço do astro belga, que hoje também esteve alguns furos abaixo do que sabe fazer. Alías, toda a equipa do Chelsea terá de fazer melhor se quiser continuar a ganhar títulos em Inglaterra.

Poucos minutos depois, mais uma grande chance para os comandados de Mourinho. Após falta de Coquelin sobre Hazard à entrada da área, Oscar bateu o livre por cima da barreira mas Petr Cech fez uma defesa fantástica que deve ter levado as lágrimas aos olhos dos seus antigos adeptos. Arsène Wenger acertou em cheio no resgate deste experiente guarda-redes, e a prova disso é que hoje conseguiu uma das vitórias mais saborosas da sua vida, ao ter desfeiteado um dos seus maiores rivais no futebol, José Mourinho.

O português ainda arriscou nos últimos minutos, com a entrada de Moses por troca com John Terry, mas, até ao fim, o Chelsea continuou inofensivo e foi o Arsenal quem esteve mais perto de marcar. Thibaut Courtois não quis ficar atrás do seu antigo colega de equipa e foi gigante ao negar o golo a Santi Cazorla e depois a Kieran Gibbs.

Para a história ficam o resultado, a vitória dos gunners no primeiro troféu da época e a promessa de que este ano o campeonato deverá dar mais trabalho para ser conquistado pelos “blues” do que na época passada. O Arsenal e o Manchester United parecem mais consistentes e prometem dar mais luta a um Chelsea que ainda parece um pouco preso de movimentos. Na minha opinião, serão estes os três principais candidatos à Premier deste ano.

Pode ser esquisito isto que eu vou escrever, mas é a verdade: foi Wenger quem venceu o primeiro “round” em 2015/16.

A Figura

Oxlade-Chamberlain – O atacante inglês esteve muito bem no jogo, teve algumas arrancadas estonteantes pelo flanco direito (Azpilicueta foi “obrigado” a ver o amarelo por causa dele) e marcou o golaço que decidiu o encontro. Jogo em cheio para o inglês, muito bem acompanhado pelo seu guardião Petr Cech, que fez a defesa da tarde.

O Fora-de-Jogo

Rémy/Falcao – Cada um jogou uma parte, mas apenas retiro um apontamento positivo: um cruzamento de Rémy na primeira parte para uma cabeçada perigosa de Ramires. Notou-se muito a falta de Diego Costa e isso é principalmente culpa dos homens que o substituíram. Ver Falcao jogar assim até dá pena…

Foto de capa: Facebook oficial do Arsenal

PSG 2-0 Lyon: Mais um caneco para Paris em ritmo de passeio!

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O PSG venceu a sua 5.ª Supertaça da história, a 3.ª consecutiva, desta feita em Montreal, no Canadá, frente a um frágil Lyon, num jogo de sentido único e que ficou resolvido nos primeiros 17 minutos.

O tricampeão francês até nem entrou da melhor forma na partida, sem conseguir ter a posse de bola, mas da primeira vez que foi à área adversária inaugurou o marcador, aos 11 minutos. Lucas cobrou um livre, a meio do seu meio-campo ofensivo, descaído para a direita, e colocou o esférico perto da zona de penálti, onde Aurier surgiu a falhar o cabeceamento, acertando com as costas na bola, fazendo-a sair da zona de perigo. David Luiz vai recuperá-la perto da linha de fundo, do lado direito, e cruza para a pequena área, onde Aurier mergulha e faz mesmo o golo.

O Lyon perdeu a organização tática que teve nos 10 minutos iniciais com este golo e seis minutos mais tarde sofreu o segundo, que, praticamente, sentenciou a partida devido à diferença de qualidade dos dois conjuntos. Rabiot iniciou a jogada, deu em Aurier na direita, que fez um passe em profundidade, soltando Ibrahimovic dentro da área. O sueco rematou e proporcionou a Anthony Lopes uma boa intervenção, mas na recarga surgiu Cavani a fuzilar autenticamente o guarda-redes português. Demasiado fácil para os parisienses!

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Cavani fez o golo da noite e sentenciou a partida
Fonte: Facebook de Trophée des Champions

A equipa mais forte chegou à vantagem na partida e a partir dali o seu meio-campo segurou a bola, guardou-a e fez o Lyon correr atrás dela. Rabiot, Verrati e Matuidi foram donos e senhores do jogo e contaram sempre com a ajuda de Ibra, que baixava no terreno para ajudar a construir jogo. Lucas dava a profundidade pela direita e Cavani fazia de falso extremo-esquerdo, ocupando muito as zonas centrais. Na defesa, Thiago Silva e David Luiz nunca foram postos à prova, tal como o guarda-redes Trapp, em estreia oficial, que relegou Sirigu para o banco. Na lateral-esquerda, Maxwell fez um jogo discreto, ao contrário do lateral-direito costa-marfinense, Serge Aurier, que foi o melhor em campo. Incansável naquele lado direito, sempre no apoio ao ataque, a aparecer em zonas de finalização e a servir com qualidade os seus colegas. Será, sem dúvida, um excelente reforço para Laurent Blanc, numa posição onde Van der Wiel nunca se conseguiu afirmar.

No Lyon, nota negativa para toda gente, à exceção de Anthony Lopes, que evitou que o resultado fosse mais avolumado. Nem a estrela Lacazette deu um ar da sua graça, nem Gonalons conseguiu ser um pêndulo no miolo, acabando expulso ao minuto 63, por acumulação de amarelos. Foi o guarda-redes português o melhor do Lyon, e ao minuto 43 evitou mesmo que Ibra marcasse mais um grande golo na sua carreira. Lucas Moura cruzou e, na pequena-área, o sueco de calcanhar atirou para a baliza. Valeu a enorme defesa do guardião. Na recarga, Matuidi atirou por cima.

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Anthony Lopes fez uma exibição excelente, mas insuficiente
Fonte: Facebook Olympique Lyonnais

A toada do jogo foi sempre lenta e nem parecia que se estava a disputar um troféu. O PSG foi gerindo como quis, o cronómetro foi correndo e sempre que os parisienses aceleravam surgia um lance de perigo, que, invariavelmente, Anthony Lopes foi anulando. Cavani, Ibra, Lucas, Aurier e novamente Ibra desperdiçaram oportunidades, enquanto Trapp nem sequer trabalho, digno desse nome, teve. No final, Thiago Silva levantou a 5ª supertaça da história dos parisienses, numa vitória justa da melhor equipa francesa da atualidade, que hoje em dia já se torna bem maior que o campeonato francês. Não há nenhuma equipa que, qualitativamente, se aproxime do PSG, e esta vitória é só o início de mais uma caminhada que em França deve ser calma e culminar no tetracampeonato, a não ser que algo inesperado e inacreditável aconteça. E com Di Maria este PSG pode ser temível!

 

Figura do Jogo: Serge Aurier – o lateral costa-marfinense, após um ano de empréstimo, apresentou-se em grande nível, marcou um golo, esteve no lance do outro e foi um dos grandes impulsionadores do ataque do PSG, que usou muito a asa direita para chegar à área adversária. Uma boa aquisição para uma posição que nunca teve um dono e senhor do lugar.

Fora de Jogo: os 10 jogadores de campo do Lyon – uma nulidade, o jogo do Lyon, com a exceção do guarda-redes português, que foi evitando o dilatar do resultado. O ataque não deu trabalho a Trapp e a defesa nunca acertou com as marcações e nunca conseguiu juntar as linhas para impedir que Ibra passeasse classe entre os centrais e os médios. Há muito para corrigir para o início de campeonato.

Sporting 2–0 AS Roma: O imperador foi o leão

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O Sporting recebeu e venceu este sábado a equipa Romana, conquistando assim mais uma vez o Troféu 5 Violinos. A equipa de Alvalade demonstrou grandes melhorias relativamente aos jogos anteriores, e, apesar de ainda faltarem limar algumas arestas, penso que os sportinguistas podem estar confiantes relativamente ao desfecho do encontro da Supertaça frente ao Benfica.

Jorge Jesus fez alinhar um 11 com algumas surpresas: a dupla de centrais, ao contrário daquilo que tinha acontecido na África do Sul, foi composta por Paulo Oliveira e Naldo; Bryan Ruiz, que foi substituído ao intervalo devido à falta de ritmo que ainda denota, alinhou na ala esquerda; e Teo Gutierrez fez dupla na frente de ataque com Slimani. Realço pela positiva a excelente prestação da dupla de centrais. Parece que estava errado no que a Naldo diz respeito e, ainda, mesmo tendo em conta o pouco tempo de jogo, a prestação de Bryan Ruiz, que deixou excelentes indicações. No entanto, como disse, ainda estão algumas arestas por limar, e o colombiano Teo Gutierrez está nitidamente em fase de adaptação.

No capitulo tático, realço o posicionamento de ambos os extremos da equipa leonina – sempre colocados em zonas muito interiores – e ainda a rápida reação à perda da bola, que só é possível devido à linha defensiva se encontrar bastante subida. Confesso-me bastante surpreendido com a rapidez com que a equipa já conseguiu interiorizar todos estes conhecimentos que, diga-se, não são nada fáceis de pôr em prática.

Bryan Ruiz deixou boas indicações Fonte: Facebook do Sporting
Bryan Ruiz deixou boas indicações
Fonte: Facebook do Sporting Clube de Portugal

No capítulo individual, destaque mais do que merecido para Slimani e ainda  para Jefferson. O argelino voltou a realizar uma excelente exibição coroada com um golo, após canto executado precisamente pelo brasileiro. Pela negativa, e numa altura em que tanto se fala da renovação do peruano, André Carrillo tem de fazer bastante melhor do que mostrou hoje em Alvalade.

Como sportinguista, penso que a nação verde e branca pode e deve estar bastante confiante para os difíceis desafios que o quente mês de agosto nos reserva.

Foto de capa: Facebook do Sporting Clube de Portugal