Início Site Página 12260

Volta a Portugal 2015: Gustavo Veloso já é líder

Cabec¦ºalho ciclismo

Três dias de Volta a Portugal e já temos algumas diferenças significativas na geral individual. Como esperado, o top10 é composto apenas por ciclistas da Península Ibérica. Dos 3 ciclistas espanhóis, 2 deles estão nos dois primeiros lugares da classificação geral.

Começando pelo prólogo, foi realmente um percurso com algumas complicações, apesar de ter sido curto. Parte era irregular, o que não ajudou certos ciclistas. Além do mais, tinha uma subida que fazia a diferença nas contas finais (alguns ciclistas que fizeram grandes tempos até ao ponto intermédio – um pouco antes dessa subida – não conseguiram continuar assim até ao final e foram perdendo alguns lugares até terminarem).

Um dos destaques antes deste contrarrelógio era o jovem ciclista Rafael Reis. O 4.º classificado do CR dos Mundiais de 2014, depois de fazer mais de metade do percurso, teve um problema com a bicicleta e acabou por ter de trocá-la. Era um daqueles de quem se esperava melhor resultado no final desta etapa, mas acabou por ter azar e foi “em modo passeio” até ao fim. De certeza que estará ansioso pelo CR na penúltima etapa para remediar este prólogo.

No final, foram os belgas que dominaram e conseguiram ter 2 ciclistas no pódio, sendo que Gaetan Bille foi mesmo o vencedor da etapa (Gustavo Veloso – vencedor da Volta a Portugal do ano passado – ficou a muito pouco de voltar a vestir a camisola amarela e teve de se contentar com o 2.º lugar).

A primeira etapa não ofereceu grande história, além da típica fuga. Alberto Gallego, contrariando a vontade e, provavelmente, as ordens da equipa, foi para a fuga e acabou por ser o último homem a ser apanhado. O espanhol desgastou-se e perdeu tempo desnecessário para o pelotão. Certamente a equipa de Rui Sousa não deverá ter ficado nada contente com esta iniciativa de um dos jovens mais promissores deste pelotão, isto porque, em princípio, Gallego poderia servir como uma espécie de plano B caso Rui Sousa não se mostrasse capaz de voltar a liderar a equipa no alto dos seus incríveis 39 anos.

Gustavo Veloso já é camisola amarela Fonte: Facebook da Volta a Portugal
Gustavo Veloso já é camisola amarela
Fonte: Facebook da Volta a Portugal

A vitória acabou por ir para o espanhol Vicente de Mateos (ciclista que foi expulso da Volta o ano passado, devido a desacatos com outro ciclista), que bateu ao sprint homens como Samuel Caldeira, Davide Vigano e Filipe Cardoso. Nota para um excelente ataque final por parte de José Gonçalves, que surpreendeu todos e quase conseguia a vitória (ainda terminou no 7.º lugar da etapa). A amarela continuava na posse do belga Gaetan Bille.

A segunda etapa foi melhor, mas só começou a “aquecer” nos quilómetros finais, onde tivemos alguns ataques. Antes disso, Bruno Silva conseguiu voltar a entrar na fuga para cimentar a sua liderança na classificação da montanha. Depois de vários ataques, a vitória foi discutida, claro está, entre um espanhol e um português. Délio Fernandez e José Gonçalves conseguiram sair na melhor altura do pelotão muito reduzido (onde estava a maioria dos favoritos, sendo que o anterior líder da geral, Gaetan Bille, perdeu o contato a poucos quilómetros do final) e decidiram ao sprint a vitória, que foi mesmo para o ciclista espanhol. José Gonçalves volta a não conseguir vencer (neste momento, é o “Peter Sagan” da nossa Volta) e Délio Fernandez mostra que, apesar de ter Gustavo Veloso como seu líder, está pronto para discutir a vitória, caso o seu líder tenha um dia menos bom e perca alguns segundos para os principais favoritos.

Na classificação geral, os 3 primeiros da etapa de hoje são igualmente os 3 primeiros da geral individual (por ordem: Gustavo Veloso, Délio Fernandez e José Gonçalves). Para amanhã, na chegada a Fafe, estará prevista uma chegada ao sprint, sendo que no Domingo teremos uma das mais míticas etapas da nossa Volta, que terminará em Mondim de Basto (no alto da Senhora da Graça).

Foto de capa: Facebook da Volta a Portugal

SCR Altach 2-1 V. Guimarães: Quem era o estreante afinal?

liga europa

A deslocação do Vitória ao Tivoli Innsbruck, casa emprestada do Altach para as provas europeias, poder-se-ia perspectivar como relativamente acessível para abrir as hostilidades no que a jogos oficiais dizia respeito. No entanto, a contabilidade final veio a demonstrar que as facilidades só no plano teórico fariam sentido, uma vez que a formação vimaranense acabou por ficar aquém das expectativas traçadas.

Armando Evangelista optou por lançar de início Arrondel na lateral direita em detrimento de Pedro Correia, uma dupla de centrais formada por João Afonso e Moreno, entregando a lateral esquerda a Luís Rocha. No meio campo, ficou-se de imediato a perceber que a vertigem ofensiva não seria a nota dominante, ao escalar uma parelha defensiva com Cafú e Bruno Alves. Montoya ficaria com o papel de condimentar o meio campo, Alex e Valente nas alas e a dianteira reservada para Tomané.

Os homens da casa rapidamente tentaram deixar vincada a sua posição, ameaçando seriamente as redes por duas vezes antes de se atingirem os cinco minutos da partida; valeu a falta de acerto de Netzer à entrada da pequena área e a boa estirada de Douglas momentos depois. Na outra baliza, Alex esteve perto de gelar a assistência com uma autêntica bomba que só a barra conseguiria suster. Iniciava-se assim o melhor período da turma portuguesa, facilmente se percebendo que o recurso à falta iria ser a mais eficaz forma de suster a maior capacidade técnica dos visitantes. Tomané dispôs de ocasião soberana com a baliza à sua mercê, mas uma intercepção in extremis evitou o golo à passagem do quarto de hora e escassos minutos depois, Lukse, com uma intervenção milagrosa, evitou um autogolo na sequência de um lance de bola parada.

Poucos preveriam o desnorte que estava prestes a suceder. Num contra-ataque muito bem conseguido, só um corte em cima da linha por intermédio de Cafú evitou o golo do Altach, aliviando pela linha de fundo; do canto, e perante alguma passividade na marcação vitoriana, Mahop cabecearia para o fundo das redes de Douglas, levando ao delírio as hostes austríacas com o primeiro golo europeu de sempre da história do clube. Antes do intervalo, e uma vez mais de bola parada, o Altach podia ter ampliado a vantagem.

O Vitória tendia nesta fase a conseguir ter durante mais tempo a posse do esférico, mas quase invariavelmente decidia de modo inconsequente. A tendência manter-se-ia no início da segunda metade, mas com uma quebra acentuada de qualidade na circulação de bola. Não obstante, e sem justificar tamanho fosso no marcador, o Altach haveria de fazer o segundo. João Afonso, algo ingénuo na abordagem a um passe longo, daria demasiado espaço a Aigner, que, na cara de Douglas, arrancaria a ferros uma grande penalidade. Bola para um lado, guarda-redes para o outro e missão bastante complicada para os comandados de Evangelista.

O Altach fez a festa frente ao V. Guimarães Fonte: Site Oficial do Altach
O Altach fez a festa frente ao V. Guimarães
Fonte: Site Oficial do Altach

Depois, e até à entrada de Henrique Dourado aos 70 minutos, quem assistiu ao jogo pôde presenciar uma quase total incapacidade do Vitória em furar a compacta muralha adversária e um Altach bastante satisfeito com o rumo dos acontecimentos. Alex, então, inventou uma assistência brilhante para Tozé (entrou para render Montoya aos 50’), que fugiu à apertada marcação e disparou cruzado para um golo que se pode vir a revelar decisivo na eliminatória. A confiança e o atrevimento que faltaram durante boa parte da contenda pareciam ter finalmente surgido e o recém entrado Henrique esteve muito perto de ter a estreia de sonho, servido com conta, peso e medida por Arrondel; valeu a segurança de Lukse uma vez mais.

O jogo terminaria sem mais ocasiões de relevo, mas com uma certeza: a equipa portuguesa, apesar da derrota e da pálida imagem deixada em Innsbruck, tem outros pergaminhos para levar a melhor na eliminatória e seguir para o playoff de acesso à fase de grupos. Porém, a organização e a determinação evidenciadas na região do Tirol pelos homens da casa prometem uma segunda mão bastante intensa e sem vencedores antecipados. O jogo de hoje foi a prova cabal de que ter algum calo em provas europeias de nada vale se for desacompanhado de eficácia.

A Figura: Lukse – O guarda-redes austríaco esteve bastante seguro e transmitiu essa confiança ao sector mais recuado. Com algumas excelentes intervenções segurou o triunfo histórico do Altach no jogo de estreia em provas da UEFA.

O Fora de Jogo: Armando Evangelista – A opção pela dupla Cafú-Bruno Alves no meio campo mais defensivo foi a face mais visível do excessivo respeito perante um imberbe adversário nestas andanças. Tardou em mexer nas peças, mesmo quando esteve perto do descalabro. Tozé revigorou o meio-campo, Henrique entrou demasiado tarde e Licá foi chamado já nos descontos. Seguramente uma estreia para esquecer à frente da equipa principal.

Belenenses 2-1 IFK Gotemburgo: A experiência ainda é um posto

liga europa

O Belenenses deu, esta quinta feira, um passo importante rumo ao playoff de acesso à fase de grupos da Liga Europa depois da vitória por 2-1, no Estádio do Restelo, frente ao Gotemburgo. Eram duas equipas com rotação diferente as que entravam no relvado do Restelo: do lado do Belenenses, este era apenas o primeiro jogo oficial da temporada; na equipa sueca, o duelo frente aos lisboetas era “apenas” mais um numa época que já contempla dezassete jogos disputados no campeonato do seu país. A liderança após 17 jornadas disputadas fazia deste Gotemburgo o claro favorito frente a um Belenenses que desde 2007 que não anda nas lides europeias. A última vez da equipa do Restelo na Liga Europa havia sido há oito épocas, com Jorge Jesus no comando técnico, numa eliminatória frente ao Bayern vencida pelos alemães.

No jogo desta noite, Ricardo Sá Pinto – técnico que já havia disputado a competição como treinador no Sporting – surpreendeu no onze inicial. Apesar de ter lançado o 4x4x2 expectável em termos táticos, o ex-jogador surpreendeu ao colocar o reforço André Sousa – proveniente do Académico de Viseu – junto ao outro reforço Rúben Pinto – emprestado pelo Benfica – no duplo pivot da equipa do Restelo. À frente destes dois médios, Sá Pinto colocou o tridente que já vinha da época passada, com Sturgeon, Miguel Rosa e Carlos Martins no apoio ao ponta de lança Abel Camará. De destacar que neste onze, o Belenenses tinha apenas quatro repetentes em relação ao último jogo oficial da época passada: Ventura, Gonçalo Brandão, Carlos Martins e Fábio Sturgeon. Do lado sueco, o 4x4x2 foi também o esquema tático utilizado, com o treinador Jorgen Lennartsson a optar preencher o meio campo com Svensson, Eriksson, Dalence e Rieks. Na frente do ataque, os suecos contavam com  Engvall e Bovan para explorarem a falta de velocidade dos centrais do Belém.

Ainda assim, é caso para dizer que a primeira parte do Belenenses foi de luxo. A jogar com grande inteligência tática – sobretudo pela organização defensiva demonstrada – a equipa de Sá Pinto mostrou uma qualidade invulgar para uma fase tão embrionária da temporada. Para que isso tivesse acontecido, em muito contribuiu a maturidade que a equipa demonstrou. Sabendo da maior rotação competitiva do adversário, os lisboetas optaram por dar o controlo da bola ao Gotemburgo no primeiro tempo, procurando depois explorar o espaço entre linhas na defensiva contrária, com a ajuda do tridente Sturgeon, Rosa e Carlos Martins. Foi aliás do experiente médio que surgiram os dois (grandes) golos da equipa do Restelo. O internacional português de 33 anos, muito experimentado nas andanças europeias, foi o destaque da equipa do Belenenses, utilizando a sua experiência em prol do equilíbrio da equipa.

Apoiados por um estádio do Restelo com uma casa digna de registo, os jogadores de Sá Pinto foram mostrando excelentes pormenores na primeira parte. Aos 7 minutos, Miguel Rosa foi o primeiro a mostrar as intenções do Belenenses, com um forte remate que passou por cima da baliza de Alvbage. A equipa do Gotemburgo entrou assertiva no jogo, jogando com um bloco médio alto a procurar tirar partido da maior intensidade que parecia demonstrar. O problema surgiu na verdadeira barreira que encontrou no último terço do terreno, onde a coesão defensiva do Belenenses foi sempre uma constante. Recuperando constantemente bolas, a equipa de Sá Pinto foi saindo com grande facilidade para as transições, com Carlos Martins a funcionar como um verdadeiro playmaker. Ora jogando no meio ora descaindo para as faixas, o médio foi o grande responsável pela superioridade azul durante a primeira parte. Por isso, não foi de estranhar que tenha saído do seu pé direito os dois golos da vitória da equipa do Restelo. O primeiro surgiu aos 22 minutos, após uma bela assistência de Sturgeon que acabou por resultar numa verdadeira bomba de Martins à baliza sueca. O Belenenses estava bem na partida e a vantagem era consequência natural de uma exibição agradável da equipa da casa. A velocidade imprimida pelos flancos era evidente e as dificuldades da equipa sueca em controlar a maior intensidade em zonas de pressão do Belenenses foi uma constante. Depois do remate ao poste num livre superiormente batido por André Sousa, aos 40 minutos Carlos Martins bisou na partida, após mais uma assistência de Sturgeon e mais um belo remate de pé esquerdo à baliza do Gotemburgo.

transferir
Carlos Martins foi a figura da partida
Fonte: desporto.sapo.pt

À saída para os balneários, a ovação que os milhares de adeptos do Belenenses deram à sua equipa era totalmente justa. Apesar do favoritismo adversário, a equipa portuguesa havia feito quarenta e cinco minutos de grande qualidade perante o líder do campeonato sueco. Ainda assim, e como seria de prever, a toada da segunda parte foi ligeiramente diferente. E diferente não tanto na forma mas mais no conteúdo. Apesar do Belenenses continuar a dominar o jogo e a estar sempre mais perto da baliza contrária, a verdade é que o intervalo trouxe um Gotemburgo mais inteligente no relvado do Estádio do Restelo. Ao contrário do que havia surgido no primeiro tempo, em que os suecos tinham entrado mandões no encontro, a segunda parte trouxe uma equipa mais lançada para aproveitar as transições. Por isso, a equipa de Lennartsson acabou por entregar o controlo da partida ao Belenenses, o que acabou por não deixar totalmente confortável a equipa de Sá Pinto. Tal como havia surgido em diversos jogos na última época, as caraterísticas dos jogadores do Belém fazem desta uma equipa nitidamente talhada para jogar em transições. Essa tinha sido a receita que tão bons resultados havia dado no primeiro tempo e que agora, por fruto da estratégia contrária, já não era mais uma realidade. Os suecos souberam corrigir os desequilíbrios nas laterais e o Belenenses acabou por nunca mais causar grande perigo na defensiva contrária.

À medida que os minutos iam passando, percebia-se que o Gotemburgo, ao ter procurado diminuir o ritmo de jogo, estava claramente à procura de uma transição ou uma bola parada para chegar a um golo que poderia ser decisivo no rumo da eliminatória. O golo acabou mesmo por acontecer para o Gotemburgo aos 58′, num remate de Aleesami fruto de um contra ataque mortífero onde a defensiva belenense ficou mal na fotografia. Até ao final do encontro, a toada não mudou: as substituições não trouxeram grande novidade e apesar do Belenenses ter tido mais um ou outro lance de perigo, a verdade é que o guarda redes sueco nunca mais teve grandes problemas na sua baliza. O Gotemburgo foi mais pragmático e apesar de nem sequer ter ido à procura do empate, a verdade é que sai do Estádio do Restelo com a eliminatória totalmente em aberto para o jogo da segunda mão. Ainda assim, e apesar do 1×0 ser suficiente para o Gotemburgo, ficaram excelentes indicações de uma equipa do Belenenses que mostrou atributos capazes de levar a equipa ao playoff da Liga Europa. Para isso, será preciso repetir a exibição da primeira parte e fazer da inteligência tática a principal arma na Suécia. E claro, mais uma ou outra bomba de Carlos Martins também dariam jeito.

 

Figura do Jogo: Primeira parte Belenenses – Os primeiros quarenta e cinco minutos da equipa de Sá Pinto roçaram a perfeição. A estratégia era clara e o aproveitamento dos espaços entre a defesa e o meio campo do Gotemburgo foram o principal alvo de Sturgeon, Carlos Martins e companhia durante a primeira parte. A vantagem de dois golos ao intervalo era elucidativa da exibição de qualidade feita pelo Belenenses.

Fora de Jogo: Golo do Gotemburgo – A coesão defensiva da equipa do Restelo havia sido uma constante durante a primeira parte. A equipa do Gotemburgo, apesar do maior ritmo trazido nos seus jogadores, não havia criado perigo junto da baliza de Ventura. Tudo isso mudou aos 58 minutos, quando Aleesami, numa recarga a um remate igualmente seu, reduziu para a equipa sueca e deu uma esperança renovada para a equipa do Gotemburgo. Depois da exibição desta noite, o Belenenses não merecia um golpe tão duro como o feito por Aleesami.

Lopetegui a jogar FM

hic sunt dracones

Começo este artigo relembrando o afamado Felipão. As comparações nunca são justas. Dificilmente se pode dizer que este ou aquele jogador são iguais quando o contexto é completamente diferente. E tal acontece, também, em relação aos treinadores. Mas… porquê comparar Lopetegui ao Scolari? Vamos por partes.

Tenho acompanhado o FC Porto ao longo desta pré-temporada. Tenho visto os jogos e analisado ao pormenor os princípios e o estilo de jogo que Lopetegui pretende para os dragões. E, pelo que tenho visto, 90% do que se via no ano passado também se continua a ver este ano. Aquele futebol triste, lento, sem chama… Quero esperar para ver porque acho que vamos ter novidades em relação à forma de jogar do FC Porto mas, até ao momento, não posso deixar de me lembrar de Scolari ao pensar em Lopetegui.

Scolari conta com 20 títulos ao longo de uma carreira (como treinador) iniciada em 1982. Ganhou, inclusive, um Mundial e uma Taça das Confederações. Troféus de causar inveja a qualquer treinador. Mas, quando vejo e analiso o trabalho de Scolari, reconheço pouco mérito no trabalho desenvolvido.

Uma equipa não pode ser um conjunto de individualidades lançadas para o campo à espera de que tudo corra pelo melhor. Tem de se treinar como é que elas vão funcionar entre si, perante um adversário e perante a imprevisibilidade do jogo. É necessário que exista uma ideia comum pela qual os onze jogadores se regem.

Scolari, tal como Lopetegui, um selecionador competente Fonte: conmebol.com
Scolari, tal como Lopetegui, um selecionador competente
Fonte: conmebol.com

São extremamente competentes nas seleções onde o trabalho realizado com os jogadores é menor e jogam em competições a eliminar. Nas seleções, os selecionadores tendem, regra geral, a aproveitar o trabalho que se realiza ao nível do clube. Daí ser normal que as melhores seleções sejam aquelas que aproveitam as espinhas dorsais de um clube em específico. Geralmente, quem costuma orientar as selecções e ter sucesso à frente delas são pessoas com um grande caráter de liderança capazes de criar um grupo unido e bastante focado num objetivo comum.

Ora, voltando a Lopetegui. O espanhol parece ser incapaz de recriar a forma de jogar que tanto aprecia e que tem trazido vários títulos ao futebol do país vizinho. Incapaz de pôr a equipa a jogar como quer, Lopetegui tem jogado Football Manager na vida real e optado por um caminho bem menos sinuoso. Quando não se é competente no trabalho que se realiza, compram-se os melhores jogadores. Tendo os melhores jogadores estamos sempre mais perto de vencer. Sempre. Mesmo o pior treinador da história dos treinadores pode ser campeão tendo as melhores individualidades. E reparem que não digo a melhor equipa. Depois de contratar Iker Casillas ou de gastar uma quantia enorme em Imbula, qual será a próxima surpresa do FC Porto?

A minha pergunta é só uma… Será Lopetegui capaz de repetir a proeza do ano passado? Ou vai (finalmente) conseguir alguma coisa da equipa?

Foto de capa: Facebook do FC Porto

Real Madrid 0-0 AC Milan (10-9 após g.p.): Muitos artistas, pouco espectáculo

0

internacional cabeçalho

Depois de ter ganho a International Champions Cup australiana, o Real de Benítez apresentou-se na partida decisiva desta competição, agora na China, com Navas na baliza, Danilo, Arbeloa, Varane e Pepe (capitão) na defesa, Casemiro e Modric no meio campo e Ronaldo, Bale e Lucas Vázquez no apoio ao avançado Benzema. O seu adversário, o Milan de Mihajlović, optou por fazer alinhar um onze constituído por Diego López, De Sciglio, Antonelli, Ely e Alex no quarteto defensivo, Poli, De Jong (capitão) e Bertolacci no meio campo e um tridente atacante composto por Suso, Niang e Cerci.

Em teoria a partida prometia, pois tínhamos frente-a-frente dois dos maiores nomes do futebol europeu, e, apesar de o Milan já ter visto melhores dias e estar em fase de reconstrução, a adição de jogadores como Bacca (30 milhões), Luiz Adriano (8 milhões) ou Bertolacci (20 milhões) é prova de que o clube quer sair da poça de mediocridade onde mergulhou nos últimos anos. Infelizmente, rapidamente se percebeu que estávamos mesmo perante um jogo de pré-temporada, e de um particularmente desapontante.

O Milan começou melhor o jogo, tendo-se superiorizado ao Real no primeiro tempo, entrando mais agressivo e disponibilizando, de forma surpreendente, muitos jogadores na frente, o que obrigou o Real a jogar mais na expectativa e em contra-ataque.

A superioridade do Milan deveu-se muito à sua vantagem numérica na zona de construção e recuperação de bola, evidenciada pelo não participação de Ronaldo, Bale e Benzema no processo defensivo da equipa, o que obrigou a tripla Modric-Casemiro-Vásquez a cobrir não só os médios da equipa italiana mas também a tentar conter a subida dos laterais. Antonelli, principalmente, esteve bastante interventivo e teve sempre espaço para subir na primeira parte.

Tirando alguns pormenores técnicos mais interessantes de jogadores como Niang, Vásquez ou Modric, a primeira parte foi um deserto de ideias. O Real Madrid foi uma nulidade no ataque e o Milan, depois da sua boa entrada, rapidamente acalmou, o que baixou consideravelmente a já baixa intensidade de jogo e diminuiu ainda mais a qualidade da partida.

O novo Milan ainda tem muito que melhorar Fonte: Facebook do AC Milan
O novo Milan ainda tem muito que melhorar
Fonte: Facebook do AC Milan

A única ocorrência digna de registo na primeira parte foi mesmo a pausa para as equipas se refrescarem aos 30 minutos de jogo. Muito pouco futebol, muitos passes e cruzamentos falhados. Apesar de estarmos na pré-época, parecia que estávamos perante o primeiro jogo de preparação das duas equipas, quando era já o quarto para ambas. Curiosamente, para a semana voltam a participar num torneio de pré-época juntas, desta vez a Audi Cup, que tem também o Bayern e o Tottenham.

A segunda parte trouxe bastantes alterações. Do lado dos espanhóis entraram o guarda-redes Casilla, Jesé, Ramos, Isco e Kroos para os lugares de Navas, Benzema, Varane, Vásquez e Modric, enquanto que nos italianos Bacca, Honda, Luiz Adriano, Mauri, Montolivo, Mexès e Zapata substituíram Niang, Suso, Cerci, Bertolacci, Poli, Alex e Ely.

Os treinadores tentaram agitar o jogo e evitar que o público adormecesse e logo aos 51 minutos Kroos vê o seu remate, que ia direitinho para o fundo da baliza. ser desviado por Zapata para canto. Tínhamos, então, a primeira grande oportunidade de golo do jogo e o primeiro ataque “a sério” do Real.

Aos 57 minutos, Isco brinda-nos com um pouco da sua magia. Depois de uma recepção deliciosa, senta o defesa adversário e cruza perfeitamente para Ronaldo, que cabeceia com perigo para boa defesa de López. O Real estava finalmente a aparecer e a começar a tomar conta do jogo, como se esperava desde início. Aos 60 minutos temos o primeiro sinal de vida do Milan nesta segunda parte, com um remate quase perfeito e de difícil execução de Bacca com a bola no ar, que resulta numa excelente defesa de Casilla. Aos 62 minutos, Ronaldo aparece finalmente numa jogada individual, deixando o seu marcador directo para trás e cruzando com perigo para Bale, que não consegue chegar à bola, acabando por sobrar para Isco, que desperdiça uma oportunidade clara de golo.

Cumpre referir que Ronaldo passou a primeira parte toda a jogar na direita e Bale na esquerda, tendo trocado de posição na segunda parte. O português tornou-se mais interventivo mas o galês manteve a sua anonimidade no jogo, não conseguindo ter qualquer tipo de influência no movimento ofensivo dos espanhóis.

Fomos premiados com mais uma onda de substituições por volta dos 70 minutos, antes da segunda pausa para os jogadores se refrescarem, aos 75, com a entrada de Marcelo, Carvajal, James, Nacho e Cheryshev para os lugares de Arbeloa, Danilo, Ronaldo, Pepe e Bale do lado do Real; no Milan, Paletta, Donnarumma e Calabria substituíram Antonelli, Diego López e De Sciglio. Até ao fim do tempo regulamentar pouco ou nada se passou, sendo apenas de registar a entrada de Matri aos 93 minutos, apenas para a marcação das grandes penalidades.

Nos penaltis, James, Marcelo, Casemiro, Ramos, Carvajal, Nacho, Cheryschev, Isco, Jesé e Casilla marcaram e Kroos falhou para o Real; no Milan, De Jong, Matri, Honda, Luiz Adriano, Montolivo, Zapata, Mauri, Calabria e Paletta marcaram e Bacca e o guarda redes de 16 anos Donnarumma acabaram por falhar, ganhando o Real por 10-9.

Depois de o Milan ter controlado a primeira parte, foi a vez do Real fazer o mesmo na segunda, mas mais uma vez esperava-se mais. Não sei se foi da elevada temperatura e humidade, da irregularidade do relvado ou da ainda notória falta de ritmo, mas o espectáculo deixou muito a desejar, e depois de um frustrante empate a zero o jogo acabou por ser resolvido apenas na marcação de grandes penalidades, onde o Real Madrid triunfou por 10-9, tendo levantado também a International Champions Cup chinesa, juntando-a assim à australiana (a norte-americana foi conquistada pelo PSG). Pouco ritmo e ainda menos ideias de ambos os lados. Felizmente as respectivas ligas só recomeçam em finais de Agosto, havendo ainda muito trabalho para ser feito.

Foto de Capa: Facebook do Real Madrid

Volta a Portugal’15: Portugal vs Espanha, again?

0

Cabec¦ºalho ciclismo

Está aí a Volta a Portugal em bicicleta! O momento alto do calendário do ciclismo português (apesar de a Volta ao Algarve, tendo em conta a altura em que é feita, ter ciclistas de maior renome – mas isso são conversas para outras alturas) e, mesmo para muitos portugueses, a única altura do ano em que gostam de ver ou que podem ver as bicicletas a rolar na estrada. Depois do Tour e antes da Vuelta, a Grandíssima toma o seu lugar no calendário (de 29 de Julho até 9 de Agosto).

Este ano temos um percurso equilibrado e que oferece algumas oportunidades aos sprinters, às fugas, aos puros trepadores e aos especialistas em contrarrelógio. Ou seja, iremos ter um pouco de tudo o que o ciclismo nos dá, ainda que com um ascendente para aqueles que se dão melhor na montanha, como é normal (apesar de o CR na penúltima etapa ser de ajuda para aqueles que são especialistas nessa vertente e que se defenderam bem na montanha).

Como nos últimos anos, a prólogo começará em Viseu e a última etapa terminará em Lisboa, mais propriamente na Avenida da Liberdade. O prólogo em Viseu terá 6 kms e a camisola amarela irá ficar, muito provavelmente, no corpo de um especialista em CR que saiba fazer um grande tempo em esforços curtos ou até mesmo para um sprinter (alguém com certas caraterísticas parecidas com as do Sagan, com as devidas diferenças, claro, mas, geralmente, o recente vencedor da camisola verde do Tour, neste tipo de prólogos, costuma ser dos melhores, mesmo não sendo um contrarrelogista, daí a minha comparação). As principais figuras tentarão, aqui, marcar já diferenças (ainda assim, pequenas) perante os seus rivais – sendo que também é uma hipótese o facto de virmos a ter um dos favoritos à vitória final já com a camisola amarela depois deste início.

A primeira etapa da prova irá terminar em Bragança (um regresso a essa terra). Na teoria, será uma etapa que irá terminar ao sprint, portanto, prevê-se que as equipas dos homens mais rápidos controlem a corrida. Ainda assim, será uma etapa “rompe pernas”. A segunda etapa irá levar-nos à primeira chegada em alto da Volta a Portugal. Repete-se, então, a chegada à Serra do Larouco e esta subida final irá certamente marcar as primeiras grandes diferenças entre os principais favoritos. Quem estiver bem, não só irá ter a vantagem no tempo, como também irá ter a vantagem em termos de moral.

As etapas 3 e 4 repetem um pouco a história das duas anteriores: a terceira etapa voltará a dar uma oportunidade aos sprinters de vencerem nesta Volta (será uma chegada a Fafe) e à quarta etapa teremos a mítica subida à Sr.ª da Graça. A etapa mais bonita da Volta a Portugal (por tudo o que está envolvido: por ser a um Domingo – irá levar mais pessoas às estradas – e por ser uma etapa que todos querem vencer); e quem por lá anda diz que ao passar Mondim o sentimento é realmente único. Os trepadores e os favoritos para a geral terão, sem dúvida, esta etapa marcada.

A mítica etapa à Sr.ª da Graça continua a ser uma das principais atrações da Volta a Portugal Fonte: Site oficial da CM de Mondim de Basto
A mítica etapa à Sr.ª da Graça continua a ser uma das principais atrações da Volta a Portugal
Fonte: Site oficial da CM de Mondim de Basto

As quinta e sexta etapas tanto poderão dar para vingar um sprinter como uma fuga. Ainda assim, a 5.ª etapa (chegada a Viana) estará mais talhada para os designados “punchers” (homens rápidos, mas que conseguem também aguentar certas subidas), ou seja, alguém que seja capaz de, em 3 kms, subir ao miradouro de St.ª Luzia e bater os restantes em velocidade. A principal caraterística do vencedor também terá de estar relacionada com o facto de ser “explosivo” (um pouco como o que o Purito Rodriguez fez no Mur de Huy na Volta à França deste ano). A 6.ª etapa terminará em Oliveira de Azeméis e poderemos vir a ter a maior hipótese de uma fuga vingar (antes da etapa da Torre e depois do desgaste que foi na Sr.ª da Graça, o pelotão quererá recuperar do esforço). Mesmo assim, não é de descartar uma chegada ao sprint.

À 7.ª etapa temos a tão esperada chegada à Torre. Poderá decidir-se a Volta no fim desta jornada. A subida pelo lado da Covilhã é a segunda mais dura em Portugal (são cerca de 20 kms de subida contínua). Nesta etapa poderemos ter duas hipóteses em termos de vencedor: ou alguém que perdeu tempo na Sr.ª da Graça e não é perigoso para os favoritos ou então um dos principais candidatos irá mesmo vencer na Torre. É, portanto, um dia para marcar a diferença. Na 8.ª etapa, com chegada a Castelo Branco, teremos uma situação de corrida atípica. Metade será feita a descer e a outra metade numa espécie de “rompe pernas”. Dificilmente quem esteve mal na Torre conseguirá recuperar nesta etapa. Portanto, ou uma fuga irá vingar ou voltaremos a ter um sprint compacto.

Por fim, as duas últimas etapas desta Volta a Portugal: na penúltima etapa teremos um CR individual com cerca de 35 kms (situado em Leiria). Será difícil recuperar as diferenças que se fizeram na etapa da Torre, mas não é impossível. Irá ser uma etapa muito boa para os puros contrarrelogistas. É, também, nesta etapa que os espanhóis costumam fazer as maiores diferenças para os portugueses. Veremos se acontecerá o mesmo este ano… Chegada a última etapa da Volta, é altura de consagrar os vencedores e esperar que tenha sido uma Volta a Portugal com motivos para se elogiar das mais variadas formas e em relação aos diversos acontecimentos. Espera-se, como de costume, um sprint na chegada à Avenida da Liberdade, em Lisboa.

Em relação aos favoritos, há que destacar novamente a “luta” entre portugueses e espanhóis. Apesar de um ou outro ciclista de outra nacionalidade que se poderá intrometer, dificilmente não voltaremos a ter a disputa pela camisola amarela entre os nossos portugueses e “nuestros hermanos”. O pelotão conta apenas com uma equipa ProContinental, a também espanhola Caja Rural. A qualidade das equipas presentes não é muita, mas as equipas portuguesas (não só, mas principalmente estas) tudo farão para dignificar esta Volta a Portugal (costumam ter uma grande entrega e empenho).

Temos três vencedores da Volta a Portugal presentes neste elenco (dois espanhóis e um português), que certamente serão, novamente, dos principais agitadores desta competição. Refiro-me a Gustavo Veloso (da equipa W52 – Quinta da Lixa), o último vencedor da prova; Alejandro Marque (Efapel), o vencedor de 2013; e Ricardo Mestre (Tavira), campeão em 2011. O português poderá ser o ciclista que mais se aproxima das vantagens que os dois espanhóis têm: são excelentes no CR, são bons na montanha (sabem defender-se da melhor forma) e têm consigo três das equipas mais fortes da prova.

Ricardo Mestre está de regresso à nossa volta e pronto para voltar a lutar pela vitória Fonte: Cyclingfans.net
Ricardo Mestre está de regresso à nossa volta e pronto para voltar a lutar pela vitória
Fonte: Cyclingfans.net

Duas duplas que estarão na luta talvez mais por um lugar no top10/top5 do que pela vitória são: Rui Sousa e Frederico Figueiredo (ambos da Rádio Popular ONDA Boavista) e Hernâni Broco e Amaro Antunes (ambos da LA Alumínios – Antarte). Rui Sousa é já um experiente ciclista e, tal como Cândido Barbosa até se retirar, tem procurado por várias vezes vencer a Volta a Portugal, mas não tem tido, até agora, tal felicidade. No ano passado, fez 2.º na classificação geral, mas este ano o pódio será mais difícil, não só pela maior concorrência, mas também pela idade que já tem (o ano passado provavelmente a “história” era a mesma e acabou por ser o vice-campeão, portanto, ainda assim, não se pode descartar este ciclista dessa luta). Frederico Figueiredo é ainda um jovem ciclista e que este ano já foi, por exemplo, 9.º classificado na Route du Sud (prova ganha por Alberto Contador e onde o 2.º lugar foi para Nairo Quintana). Será um dos mais fortes candidatos a vencer a classificação da juventude, e poderá mesmo ter a liberdade para conseguir uma camisola como a da montanha. Broco e Antunes são ciclistas já com algumas participações na Volta a Portugal, principalmente o primeiro mencionado (alguns top10 na classificação geral final). Amaro Antunes fez top10 o ano passado e os dois provavelmente quererão, desta vez, estar nos 10 melhores (ou até mais) desta Volta.

Outros nomes para discutir a corrida estarão ao cargo de: Alberto Gallego, jovem ciclista da Rádio Popular ONDA Boavista, que teve boas prestações, este ano, em provas como a já mencionada Route du Sud (foi 7.º classificado), a Volta a Madrid, entre outras; Délio Fernandez e Joaquim Carvalho, ambos da W52 – Quinta da Lixa  serão boas alternativas ao seu colega Gustavo Veloso para a classificação geral; Sandro Silva e Hugo Sabido (Louletano – Ray Just Energy); Joni Brandão (Efapel); Evgeny Shalunov (Lokosphink); Byron Guama (Team Equador); Gaetan Bille e Dimitri Claeys (Verandas Willems Cycling Team) e, por fim, Ricardo Vilela (Caja Rural – Seguros RGA).

Em termos de sprints, os ciclistas que mais se destacam são: Manuel Cardoso (Tavira), Filipe Cardoso (Efapel), Samuel Caldeira (W52 – Quinta da Lixa), Marco Zanotti (Parkhotel Valkenburg CT) e, por fim, o vencedor da camisola verde dos pontos da Volta a Portugal 2014, Davide Vigano (Team Idea 2010 ASD).

Está assim tudo pronto para o começo de mais uma Volta a Portugal. Se conseguirem, tentem apoiar os ciclistas na estrada e mostrar que os portugueses também apreciam muito uma modalidade como o ciclismo. É preciso não deixar desvanecer o sentimento que uma corrida como a Volta a Portugal ainda transmite a muitos portugueses por esse país fora. Que comece a festa, que comecem as bicicletas a rolar e que comece a nossa volta, a Grandíssima!

Foto de capa: Facebook da Volta a Portugal

Top 10 – Lutadores Actualmente na UFC

0

cabeçalho ufc

10 – Fabricio Werdum

UFC-188-EVENT-SELECTS-157

O recém campeão de pesos pesados tem feito uma carreira de vitórias improváveis – a vitória contra Fedor Emelianenko, provavelmente o melhor lutador de MMA de sempre, foi algo de espetacular -, pelo que merece um lugar nesta lista. Para além do óbvio poder característico de um peso pesado, Werdum é dotado de um jiu jitsu acima da média, o qual usou para derrotar nomes como “Minotauro” Nogueira, ambos os irmãos Emelianenko, Alistair Overeem e, mais recentemente, Cain Velasquez. Para além de ter derrotado um dos mais temíveis campeões da UFC, fê-lo com uma classe que era característica de (precisamente) Velasquez. Merece, por isso, um lugar nesta lista.

9 – Donald Cerrone

ufc187_09_Cerrone_Makdessi_009

Cerrone está nesta lista ao invés de Dos Anjos, o campeão da sua categoria, por uma simples razão: luta quando quiserem, como quiserem, com quem quiserem. Essa característica permitiu-lhe ser o dono de uma das ondas vitoriosas mais escaldantes da UFC. É, também por isso, o lutador mais popular da sua divisão e um favorito dos fãs. Cerrone será o próximo adversário de Dos Anjos, um combate que deverá acontecer para o final do ano… Isto se Cerrone não decidir que lhe apetece lutar antes.

8 – Joanna Jedrzejczyk

UFC Berlin: Jedrzejczyk v Penne

Joanna “Champion” rapidamente ascendeu na UFC: a antiga campeã de mundial de Muay-Thai chegou em Julho de 2014 à UFC e em menos de um ano já era campeã, feito que atingiu ao derrotar a campeã inaugural da divisão de Peso Palha, Carla Esparza, na sua primeira defesa de título. Dois meses foi a vez de Joanna fazer a sua primeira defesa e não desiludiu: derrotou Jessica Penne de forma contundente e afirmou-se, graças ao seu sentido de humor fora do octógono e dominância dentro dele, como uma das figuras mais interessantes dos últimos tempos na UFC.

7 – Daniel Cormier

ufc187_11_Johnson_Cormier_013

Na história mais recente da UFC não há ninguém que tenha aproveitado uma segunda oportunidade tão bem quanto o antigo olímpico: após ter perdido pela primeira vez na sua carreira, contra Jon Jones, na sua primeira disputa pelo título, no que foi um combate bastante unidirecional, Cormier sabia que iria ter de recolher um considerável número de vitórias para que lhe fosse dada outra chance de ser campeão. Quando foi retirado o título e atribuída uma suspensão indefinida a Jones, que iria defender o seu título contra Anthony Johnson (derrotou Gustafsson para lá chegar), por um envolvimento num acidente rodoviário do qual fugiu, Cormier foi chamado ao palco e não desiludiu: tornou-se campeão e mostrou que, enquanto Jones estiver longe, ele é o patrão da divisão de Peso Meio Pesado.

6 – Robbie Lawler

ufc189_10_lawler_vs_macdonald_017

Poucos tiveram uma ressurgência na sua carreira como Lawler. O agora campeão de Peso Médio voltou à UFC depois de uma passagem pouco impressionante pela Strikeforce (cinco derrotas e três vitórias) e, desde o regresso, tem sido uma força a temer, perdendo apenas uma vez, contra Johny Hendricks. Sou sincero: era ligeiramente cético em relação a Lawler enquanto campeão. Venceu o título na desforra contra Hendricks via decisão separada, num combate que, conforme indica a decisão, poderia ter dado para qualquer lado. Posto isto, faltava a Lawler um combate de afirmação, o qual ele fez favor de dar no início deste mês: a vitória sobre Rory MacDonald foi fantástica, naquela que será certamente a luta do ano, senão a do século, milénio, por aí adiante. Foi uma verdadeira guerra, a qual Lawler venceu via KO técnico, depois de ter estado a perder durante grande parte do combate. Merece, por esta vitória “à Rocky”, o 6.º lugar desta lista.

5 – Demetrious Johnson

ufc186_12_Johnson_Horiguchi_030

O “Mighty Mouse” é o 5.º desta lista puramente devido à sua capacidade enquanto lutador. É certo que não é o mais carismático fora do octógono, mas isso tem uma razão de ser: o campeão prefere falar dentro da arena, através da sua linguagem. Alguém cujas vitórias são tão dominantes deveria ter esse direito sem que lhe fosse dito vezes e vezes sem conta que é um campeão “sem sal”. A luta contra Kyoji Horiguchi é um excelente portefólio para quem não conhece o campeão, que é, na minha opinião, o mais versátil e frenético de todos os campeões na UFC.

4 – José Aldo

10409110_929828993736526_2374825246393752768_n

Aldo não perde há 10 anos e, ao ver qualquer uma das suas lutas, percebe-se porquê: o brasileiro é assustador, bestial, a força inamovível da categoria de Peso Pena. Vejam o combate contra Urijah Faber na WEC e quase conseguem sentir os golpes do brasileiro, no conforto das vossas casas (sem exagero…). Está classificado como o número um do ranking “pound-for-pound” da UFC e com razão. Desde que existe categoria de Peso Pena na UFC que Aldo é campeão, vencendo nomes como Chad Mendes e Frankie Edgar. No entanto, Aldo já não é o rei da sua categoria, pelo que arrecada apenas o 4.º lugar da lista.

3 – Chris Weidman

ufc187_10_Weidman_Belfort_020

Weidman começou a sua carreira de lutador em 2009. Passados quatro anos derrotou Anderson Silva, um dos melhores de todos os tempos, e venceu o título de Peso Médio. Cinco meses depois fê-lo de novo. Pouco mais é necessário para descrever o “All American”, que, combate após combate, vitória após vitória, se mostra cada vez mais dominante e dá cada vez mais a acreditar que poderá terminar a sua carreira invicto e escrever uma página de história no MMA. Abre, assim, o pódio deste top 10.

2 – Conor McGregor

ufc189_11_mcgregor_vs_mendes_026

O que há a dizer de Conor McGregor que o próprio não possa dizer? É, inegavelmente, o ativo mais valioso da UFC desde Brock Lesnar. Vale milhões. Desde que chegou à organização que a varreu como uma tempestade, mostrando ser o melhor no microfone e correspondendo dentro do octógono. Não há uma conferência de imprensa de McGregor que não seja genial, assim como não há um combate que não o seja. O campeão interino de Peso Pena (venceu Chad Mendes, que substituiu o campeão Aldo no evento principal do UFC 189) trata até de prever os desfechos dos seus combates e, estupidamente, acerta a maioria das vezes. É o lutador que todos adoram odiar, mas uma coisa é certa: McGregor previu o começo da “Era McGregor” e, depois de ter encabeçado um pay-per-view que vendeu um milhão de subscrições, é correto dizer que mais uma previsão se concretizou, a la “Mystic Mac”.

1 – Ronda Rousey

ufc184_11_rousey_zingano_011

O primeiro lugar desta lista não poderia ser ocupado por mais ninguém que não Ronda Rousey. A campeã de Peso Galo nunca perdeu na sua carreira e, de todos os 11 combates que já fez, apenas por uma vez a levaram para além da primeira ronda. Os seus últimos dois combates têm um tempo acumulado de 30 segundos… Os últimos três de um minuto e 36 segundos. É, sem dúvida, a mais dominante de todos os campeões da UFC. Ainda está para chegar uma mulher que faça verdadeiramente frente a Ronda Rousey, pelo que muitas vezes se fala, em tom de brincadeira, da (impossível) possibilidade de combater contra homens. Rousey é não só a rainha do MMA feminino, que não estaria onde está hoje não fosse ela, mas também do MMA no geral. E esta é uma verdade que, como Ronda, é incontornável.

Lima, o homem-sombra de que a Luz terá saudade

0

cabeçalho benfica

O sucesso tem o seu preço e o do Benfica tem sido a enorme cobiça aos seus principais ativos, que têm tornado cada defeso numa autêntica novela e debandada no plantel principal, sobretudo no onze base. Basta recuarmos dois anos para perceber que tudo está diferente e que quase todos os protagonistas já mudaram de ares. Oblak e Siqueira foram para Madrid, Garay está na Rússia, Maxi foi para Norte, Matic é peça fundamental no esquema de Mourinho, Enzo rumou a Valencia para ser companheiro de Rodrigo e André Gomes, Markovic representa o Liverpool, Cardozo está na Turquia para onde Artur foi este ano e, por último, Lima rumou ao Dubai para ganhar a sua reforma dourada. Luisão, Salvio e Gaitán são exceções, embora El Zurdo esteja sempre nas bocas do mundo para uma eventual trasnferência, mas a saída nunca foi consumada. Será este ano?

Com tantas mudanças e alterações no onze base era normal que qualquer equipa se ressentisse, mas o Benfica tem dado provas de uma estrutura forte que não abala com a saída de ninguém e está sempre pronta a responder às adversidades. Esse é um dos méritos de Luís Filipe Vieira, a construção de um clube sólido e estável, e era também um dos méritos de Jorge Jesus, de preparar todos os jogadores para responderem positivamente sempre que chamados a intervir, sendo mais ou menos utilizados. Apesar de todas as épocas existir um 11 base, JJ conseguiu incutir as dinâmicas coletivas em todos os elementos que passaram pelo Seixal e reduzir assim o impacto de saídas de jogadores preponderantes. Saiu Javi e Witsel e muitos anunciaram o fim do Benfica, mas mal sabiam que no laboratório já Matic estava super afinado e pronto a brilhar e que Enzo Perez podia ser um 8 de grande qualidade, em vez de extremo. Os dois saíram e Fejsa, Samaris e Pizzi deram conta do recado. Garay saiu, Jardel afirmou-se e ninguém se queixou. Idas perspicazes ao mercado supriram outras ausências, tendo como maior exemplo a aquisição de Jonas. Alguém se lembra de Rodrigo?

Por fim, dou o exemplo de André Almeida, que, a meu ver, é um exemplo claro de que as dinâmicas coletivas estavam bem incutidas. O internacional português fazia de defesa-direito, esquerdo e a posição 6 (lembram-se do jogo em Alvalade?) de forma satisfatória, sem nunca ser brilhante, mas sem comprometer.

"Vou guardar o Benfica no meu coração! Estou contente pelo trabalho que fiz no Clube. Agradeço ao Presidente, aos meus colegas e o carinho dos adeptos que carregam a mística Benfiquista" - Lima
“Vou guardar o Benfica no meu coração! Estou contente pelo trabalho que fiz no Clube. Agradeço ao Presidente, aos meus colegas e o carinho dos adeptos que carregam a mística Benfiquista” – Lima

Podia continuar a enumerar algumas destas trocas, mas elas estão bem presentes na memória de todos e, hoje, são poucos os benfiquistas que choram e que fazem de uma transferência o fim de uma equipa. É fruto da estabilidade e da solidez que o clube vive, e Rui Vitória só dará continuidade a este facto, também ele habituado, embora num clube de nomeada mais baixa, a dar resposta a muitas ausências e saídas do plantel. É um treinador que valoriza as dinâmicas coletivas e as põe acima de tudo e acima das individualidades.

Ora, este ponto a favor de Rui Vitória e a forma bastante positiva como, num passado recente, o Benfica tem saído dos defesos deixam-me mais tranquilo em relação à saída de Lima, uma peça essencial nos últimos anos na Luz.

O brasileiro nunca foi uma figura de proa, uma estrela, nunca foi o ídolo do Terceiro Anel e foi até criticado várias vezes, inclusive no início da temporada que findou, por escassez de golos e erros gritantes de finalização. Lima sai agora da Luz, sem o “barulho” que outros fizeram, sem o “choro” da maior parte dos adeptos, mas o camisola 11 fará tanta ou mais falta que todos os outros. Não digo com isto que Lima é insubstituível porque não o é, aliás, o Benfica não tem jogadores com esse estatuto, mas o goleador será um dos mais difíceis de substituir por parte da estrutura.

É certo que muitas vezes Lima nos pôs os nervos em franja com os seus falhanços, desacertos ou faltas de inspiração, mas foram muitas mais as vezes em que nos fez levantar da cadeira e vibrar. Como gritamos com aquela bomba frente à Juventus que nos pôs na final de Turim! Alguém se esqueceu? E aquele hábito natural de marcar no Dragão? Foram dois tentos no ano passado quando, para todos, iríamos ser goleados. As saudades que vamos ter tuas quando lá voltarmos…

 70 golos de águia ao peito em 3 anos, com uma média de 23,33 tentos por época

70 golos de águia ao peito em três anos, com uma média de 23,33 tentos por época

Existem poucos jogadores com as características de Lima: trabalhadores, possantes, que conseguem viver na sombra de outra referência sem serem afetados por isso e mesmo assim fazerem golos atrás de golos. São 70 os golos que Lima fez em três épocas de águia ao peito, um número bastante interessante para um avançado que, como tantas vezes ouvi dizer, “se esforça muito mas não marca golos”. Lima marcava, dava a marcar e também salvava golos! Era o primeiro elemento a defender e era fundamental na transição ataque-defesa de Jorge Jesus.

Lima foi quase sempre o homem-sombra do ataque benfiquista, ora com Cardozo, ora com Rodrigo e por fim com Jonas. Os golos, esses, foram sempre partilhados e nunca os números do seu parceiro foram muito superiores aos seus. Tacuara fez 33 golos em 2012/13 contra 30 de Lima, Rodrigo fez 18 em 2013/14, tendo Lima feito 21 e, por último, Jonas fez 31 com o camisola 11 a fazer 19.

O avançado brasileiro é um daqueles jogadores com quem é fácil fazer parelha e que ajuda a sobressair o colega de forma imediata, com a sua tamanha humildade e sacrifício de equipa. Que o diga Jonas, que chegou, viu e venceu!

 Formou com Jonas uma das melhores duplas atacantes dos últimos anos

Formou com Jonas uma das melhores duplas atacantes dos últimos anos

O ex-Valencia foi o jogador que mais brilhou ao lado de Lima e o que melhor interpretou as suas movimentações. Jogavam quase de olhos fechados e basta analisar as estatísticas e perceber que, esta época, o Benfica começou a melhorar quando os dois coabitaram no mesmo onze e se começaram a entender. A partir daí, os golos de ambos não mais pararam.

Jonas formará, agora, uma dupla com outro jogador ou atuará sozinho na frente de ataque, num dilema que Rui Vitória terá de resolver. Jonathan é uma estrela a precisar de ser lançada para a pista e está na linha da frente da sucessão, já que Nelson Oliveira não parece a melhor alternativa. Uma ida ao mercado para trazer um avançado é uma solução bem real, mas confesso que preferia ver o uruguaio como o eleito, tal como escrevi há algumas semanas. É um talento e não pode ser desperdiçado! Para além disso tem características que assentam perfeitamente no 4-4-2 e que deverão combinar bem com Jonas (se este não sair).

Seja o que for que Rui Vitória escolher, Lima deixará sempre saudades para os benfiquistas que gostam verdadeiramente de futebol e do jogo, ao contrário daqueles que apenas querem saber quem empurra a bola lá para dentro. E até desses Lima devia receber um aplauso, ou melhor, 70 aplausos!

Todas as imagens são do Facebook do Benfica

Tour de France 2015: Froome no topo do Olimpo

0

C’est fini! Mais um ano, mais uma Volta à França e mais um sentimento de querer que tudo volte atrás para termos o privilégio de voltarmos a assistir a três semanas como estas, do melhor que o ciclismo mundial pode dar. De entre os “Fantastic Four” presentes nesta prova, Chris Froome mostrou ser o mais fantástico de todos e garantiu a sua segunda vitória no Tour de France!

O britânico da Sky (curiosamente, tal como em 2013, depois de vencer o Dauphiné venceu também o Tour) teve uma prestação muito boa, visto que foi dos poucos favoritos a não perder tempo na 1.ª semana (tal como disse, o essencial dela era mesmo o não perder tempo mais do que ganhá-lo, e isso veio a revelar-se decisivo), dominou e conquistou na 2.ª e controlou as perdas na 3.ª semana – tivesse ele estado ao lado de Quintana nas últimas etapas de montanha e teria sido mesmo um Tour a roçar o perfeito. Aliás, nesta última semana há que destacar a capacidade de sofrimento, a coragem e o esforço de Chris Froome, que teve um tratamento injusto por parte do público (devido a meros rumores e a coisas que ninguém, neste momento, consegue provar; até parece que, por uma melhor prestação de alguém ou por um certo domínio, o tema “doping” tem de vir logo ao de cima, é inacreditável) – assobios, cuspidelas, receio por ter aquela sensação de que a qualquer momento alguém lhe fosse empurrar e, por fim, até mesmo teve que levar com urina em cima… atitudes reprováveis de certas pessoas que só mancham esta grande modalidade e a própria Volta à França. Posto isto, será que terá Froome vontade de voltar para o próximo ano ou noutro ano qualquer? Veremos, mas é algo a refletir.

Respondendo à minha pergunta aquando da “previsão” deste Tour de France 2015, não, não foi um dos melhores de sempre. Primeiramente, desde cedo começou a tornar-se numa luta a dois homens – Quintana e o próprio Froome – e o britânico de origem queniana até a poucas etapas do fim estava a mostrar uma grande superioridade perante todos, tal como a sua equipa, a Sky, que fez uma corrida excelente e mostrou estar sempre presente para Chris Froome (quer nas etapas planas, quer na montanha, quer no pavé; quer nos bons, quer nos menos bons momentos, realmente foi um merecido triunfo também para esta excelente equipa).

Chris Froome festeja a vitória com a sua equipa Sky  Fonte: sapo.pt
Chris Froome festeja a vitória com a sua equipa Sky
Fonte: sapo.pt

Depois, tivemos a classificação dos pontos a voltar a não ter muita história. Apesar das quatro vitórias de André Greipel (o único que ainda “ameaçou” o 1.º lugar desta classificação, a par do vencedor), o carismático Peter Sagan continua sem dar hipóteses à concorrência e voltou a levar a camisola verde para casa – o novo sistema de pontos até acabou por beneficiá-lo mais, quando se previa que fosse ocorrer o contrário (nem Degenkolb – o favorito a lutar com Sagan pela camisola – conseguiu contrariar o domínio do ciclista da Tinkoff; aliás, o ciclista da Giant não conseguiu dar uma vitória à sua equipa, foi Geschke a fazê-lo brilhantemente numa fuga). A classificação da juventude também ficou decidida a partir do momento em que Quintana conquistou a 2.ª posição da classificação geral e nunca mais saiu de lá. Só mesmo a classificação da montanha teve alguma emoção, sendo que o novo sistema de pontuação beneficiou os homens que lutam pela vitória na geral e, portanto, Chris Froome levou também esta camisola para casa, que só ficou decidida no último dia e com vários ciclistas a poderem vencer até ao final (Romain Bardet provavelmente teria vencido, não fossem as alterações em termos de pontuação para esta classificação).

Schalke 04 0-0 FC Porto: Sem criatividade

0

tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

No quarto jogo da pré-época portista, os dragões encontraram o velho conhecido Schalke 04. Desta vez não estava em causa a passagem aos quartos-de-final da Liga dos Campeões mas mais um jogo de preparação que serviu para testar a equipa de Lopetegui. O onze titular portista apresentado foi Iker Casillas; Ricardo Pereira, Lichnovsky, Marcano e Alex Sandro; Evandro, Rúben Neves e Sérgio Oliveira; Varela, Aboubakar e Brahimi. Havia portanto que testar alguém novo no centro da defesa, já que, com as indefinições da pré-época, não se saberá se Lichnovsky não terá que ser chamado ao longo da época 2015/2016.

O jogo começou repartido, com o Porto a tentar manter a posse de bola e o Schalke 04 a aproveitar bem os espaços deixados no meio-campo para fazer o contra-ataque rápido. Por isso mesmo, a primeira grande oportunidade foi alemã – um grande remate de primeira de Huntelaar para uma excelente defesa de Iker Casillas. Os extremos Varela e Brahimi (principalmente o argelino) viram-se muitas vezes obrigados a recuar  no terreno para receber a bola, já que houve dificuldade do meio-campo em transportar a bola para o ataque. Aos 20 minutos, houve um lance perigoso a favor do Porto, com Alex Sandro (capitão) a adiantar-se na lateral e a acertar no poste com um remate cruzado.

Oportunidades para o Porto foram escassas, registando-se apenas alguns rasgos individuais que deram cor ao futebol portista. Varela quer mostrar-se a Lopetegui e pareceu bastante envolvido no jogo e com arranques rápidos, mas a falta de rotinas ainda é visível na equipa portista. Ricardo não é lateral (ainda), Sérgio Oliveira não é médio de transição de combate e Evandro não é certamente um 10 – os últimos dois parecem ter as posições trocadas. Notou-se um atraso na preparação em relação aos alemães. que conseguiram criar mais perigo resultante do jogo colectivo e do grande talento de Draxler. Aos 44’, defesa de improviso de Casillas depois de um cruzamento (não parece ter tocado em ninguém) traiçoeiro do Schalke. E assim fechou a primeira parte do jogo.

11224322_10153151217474037_2683113480947169771_n
O Schalke teve as melhores oportunidades de golo
Fonte: Facebook Schalke 04

Na segunda parte entraram Helton, Maxi, Maicon, André André e Cristian Tello (o Schalke que apresentou o mesmo onze). O Porto entrou mais enérgico, pressionando o adversário na saída de bola e demonstrando vontade de fazer o golo, mas a primeira oportunidade foi alemã – aos 58’, Helton, numa saída rápida, cobriu a baliza e evitou o primeiro tento do jogo. Aos 61’, entrou Danilo Pereira para o lugar de Ruben Neves, que voltou a apresentar apontamentos de classe nos passes e visão de jogo. Aos 63’, entrou Bueno para o lugar de Evandro, mais uma vez reforçando a ideia de que foi contratado para a posição de médio ofensivo e não de avançado.

Não houve grandes oportunidades de parte a parte durante o segundo tempo e nem a entrada de Adrian e André Silva mexeram muito com a equipa, que se mostrou mais equilibrada a jogar em 4-2-3-1. Continua a faltar posse de bola ofensiva, isto é, ter a bola no meio-campo do adversário e perto da área. Ou realmente é um problema de metodologia ou, apesar dos inúmeros médios que temos, falta um médio criativo que consiga ter bola – um Óliver! De resto, confesso que gosto do toque de bola de Bueno e estou curioso para ver o que sai deste jogador.

Outro pormenor importante é o ponta-de-lança; temos que encontrar um pivot ofensivo, sob risco de virmos a ter dificuldades em produzir jogadas de perigo, coisa que aliás já vem acontecendo nestes jogos. A SAD certamente está a trabalhar nesse dossier. Faltou Imbula neste jogo e, se tivesse que arriscar, o meio-campo será entregue a Danilo Pereira, Imbula e a um terceiro médio, que é alguém que está para vir ou será o nosso velho conhecido Herrera, que jogará mais adiantado no terreno. Ruben Neves e André André estão bem e têm qualidade a nível da primeira fase de construção – aí parece um problema resolvido! Falta então a criatividade do último passe.  Vamos ver que evolução e que novidades nos traz o nosso Porto, numa altura em que já não estamos longe do inicio do campeonato.

Figura do Jogo: Brahimi – Sem fazer um jogo brilhante, foi quem segurou mais a bola e de quem veio mais fantasia.

Fora-de-jogo: Aboubakar – Muito apagado no jogo, a bola não lhe chegou mas também não a soube procurar.