As últimas exibições do Porto mostram uma clara subida de produção em relação há dois ou três meses. O conjunto de individualidades que forma o plantel portista parece assimilar melhor as ideias de Lopetegui e isso traduz-se em exibições mais conseguidas e num tipo de jogo diferente ao praticado outrora.
Os dragões atacam e defendem em conjunto, criando um bloco coeso que atenua até as dificuldades individuais que os jogadores sentem no decorrer do jogo. A circulação de bola é mais consequente embora nem sempre se traduza em golos; aliás, apesar da quantidade de golos na Liga, o Porto não me parece uma equipa muito concretizadora.
A face mais visível da evolução azul e branca é a forma como ataca continuadamente e como tenta asfixiar o adversário assim que a bola chega ao seu principal construtor de jogo. Isto faz com que os adversários não pensem tanto o jogo e mascara alguma inépcia defensiva dos nossos extremos e a falta de pujança física de Herrera ou Oliver. Com posse, os jogadores formam um bloco no ataque em que a bola vai passando por todos até haver um desequilíbrio no adversário. Conseguimos, também, aproveitar melhor alguns jogadores – jogando em profundidade para Tello e, em alguns momentos, subindo Herrera no terreno.
A subida de rendimento de Casemiro também tem influenciado a nossa construção de jogo. A título de exemplo, no jogo contra o Sporting, nos primeiros 15 minutos, a bola circulou irremediavelmente entre os nossos centrais, já que Casemiro não recuou no terreno para a receber. Teve de ser Danilo a desbloquear o jogo e garantir que o Porto fosse construindo ataques até ganhar confiança suficiente para a bola deixar de queimar. O lateral direito portista, que está em grande forma, tem sido um dos motores da equipa, correndo quilómetros e possibilitando ao Porto apresentar uma intensidade de jogo que não tinha no início da época. Há quem pense até que Danilo seria melhor a extremo ou médio interior. Confesso que era uma ideia com a qual discordava mas, hoje em dia, seria interessante ver como se comportaria o brasileiro a médio interior box-to-box.
Lopetegui está a ganhar pontos junto dos adeptos: a equipa está bem mas continua a revelar algumas dificuldades na transição defesa-ataque. Parece-me que não é o grande culpado, pois Maicon e Marcano não são propriamente centrais construtores e corajosos para romper com o adversário. Existe fio de jogo, nota-se que os treinos fazem efeito. Resta a todos os portistas esperar que o nível exibicional se mantenha para passar aos quartos-de-final da Liga dos Campeões e para nos mantermos na perseguição ao Benfica pelo 1º lugar.
No início desta semana, o Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) atribuiu os prémios de melhor jogadora e melhor guarda-redes relativamente à primeira fase do campeonato nacional de futebol. As grandes vencedoras pertencem às duas equipas que têm praticado o melhor futebol ao longo da época – Joana Marchão do Clube Atlético Ouriense (melhor jogadora) e Elsa Santos do Clube Futebol Benfica (melhor guarda-redes).
Por trás de uma grande equipa há sempre um grande guarda-redes
Com apenas nove golos sofridos em dezasseis jornadas, Elsa Santos foi a guarda-redes menos batida da primeira fase do campeonato nacional. A jogadora de 27 anos encontra-se ao serviço do Fófó há várias épocas e tem sido uma peça fundamental para o sucesso da equipa.
Em entrevista ao SJPF, a guardiã da formação de Benfica mostrou-se satisfeita com o reconhecimento que lhe foi atribuído e falou ainda de um ponto que, na minha opinião, é bastante importante no que diz respeito ao crescimento do futebol feminino – a formação. De facto, se já são poucos os clubes que apostam na criação da vertente feminina da modalidade, menos ainda são aqueles que procuram formar as atletas. Este é um passo que tem de ser necessariamente dado para que a qualidade do jogo feminino possa melhorar e para que o futebol feminino português consiga atingir patamares mais elevados.
Elsa Santos, a melhor guarda-redes da primeira fase do campeonato nacional feminino
Afinal o pé esquerdo sabe jogar
Joana Marchão é uma das esperanças portuguesas do futebol feminino. A esquerdina de 18 anos (!) já conta com um campeonato nacional, várias presenças na Selecção Nacional e esta época já tinha sido eleita a melhor jogadora da primeira volta do campeonato.
Depois da atribuição do prémio, fez um apelo aos adeptos do desporto rei: “O futebol não é um desporto só para rapazes. As pessoas devem abrir mentalidades e olhar para o futebol feminino de outra forma”. Nada mais a acrescentar a esta afirmação da jogadora do actual campeão português.
Joana Marchão, a melhor jogadora da primeira fase do campeonato nacional feminino
Bem-vindos a mais um Coração Encarnado. Sei que não escrevo há já umas semanas, as saudades já apertavam. A verdade é que os passados sete dias foram suaves, como uma pena que passeia por Lisboa. Aquela vitória frente ao Estoril deixa qualquer amante de futebol com um sorriso no rosto. Uma exibição de gala para congratular os milhares de corações encarnados espalhados por este mundo. E bem que merecemos. Todos. E fico descansado quando eles correm mais do que eu correria. Isso para mim é que é o Benfica. Uma vitória, uma certeza, um sorriso. Quase tudo na vida acaba com um sorriso, o nosso benfiquismo não foge à regra.
Tenho lido muita coisa sobre o clássico. No último fim-de-semana de abril. Há melhor altura para um clássico do que a Primavera? Provavelmente até há, mas esta há-de ser a altura perfeita para vencer o Porto. Como não gosto de passar sete jornadas à frente, digo apenas que o meu bilhete para Lisboa nesse fim-de-semana já está comprado. De resto, só me preocupa o Arouca amanhã.
E por falar em amanhã, esta será das poucas vezes em que Jorge Jesus tem o plantel todo à disposição. O tempo também cumprirá o seu papel, oferecendo céu limpo, Sol desperto e temperaturas amenas. Melhores condições não poderia haver. São onze jornadas até ao fim desta viagem – quero trazer os três pontos em cada jogo. Não sou exigente, só benfiquista.
Faltam 11 finais para isto se repetir Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica/ Francisco Rocha
Daqui a pouco joga-se mais um clássico na Luz. Benfica-Porto, a contar para a primeira-mão dos quartos-de-final da Liga Europeia. O jogo dos jogos. Aquela partida em que todos querem estar. Não há milagres? Vejam um benfiquista doente a ficar sem febre e com forças para tudo antes dum clássico. Que este fim-de-semana seja coberto de encarnado, do Sábado ao Domingo – a equipa de voleibol já tratou de lançar o mote, após a vitória que deu a passagem às meias-finais da Taça de Portugal. Nada mais se pode pedir.
Mudando o assunto, gostaria de brevemente comentar as palavras do Director de Comunicação do Benfica, o Dr. João Gabriel. Que estupidez. Não entendo a razão de, mais uma vez, este senhor vir a público dizer nada mais do que puras barbaridades, completamente fora de contexto. Desta vez, o assunto foram as arbitragens e o Futebol Clube do Porto. Devo assumir que tentei entender o objectivo por detrás de tais palavras, mas acabei por ser mal sucedido. Adorava que o meu clube não viesse para a rua mandar bitaites para o ar. Primeiro porque odeio bitaites. Segundo porque bitaites é coisa de pequenos. O Sport Lisboa e Benfica é muito mais que isso.
Acabo este texto despedindo-me de todos vocês e esperando que este seja mais um fim-de-semana à Benfica! Um caloroso abraço, não deixem que o vosso Coração Encarnado arrefeça.
PS: parece que o Imperador Júlio César vai voltar aos relvados. Pois que sejas muito bem-vindo, guardião!
Antes de começar este texto, devo alertar para o facto de que o mesmo será bastante curto, não por preguiça ou por não ter vontade de escrever, mas porque tenho de filtrar emoções, sentimentos e até palavras menos próprias que me assolam neste momento.
Não sou pessoa de ver o copo meio vazio, prefiro sempre ver o lado positivo de cada situação, procurar algo a que me possa agarrar para acreditar que vale a pena o esforço e a dedicação que se coloca em tudo o que fazemos diariamente. Ainda assim, após ver o jogo de ontem na Madeira, sinto que aos poucos o entusiasmo e a injecção de adrenalina que a chegada de Bruno de Carvalho trouxe ao Sporting estão aos poucos em declínio, situação esta que está indissociavelmente ligada à falta de títulos da equipa principal.
No meu último texto, falei sobre a importância capital que teria o jogo realizado ontem na Choupana, frisando que o jogo frente ao Porto seria importante e para vencer; realcei, também, no entanto, que a verdadeira competição da época seria a Taça de Portugal e a não conquista da mesma significaria uma época fracassada.
Contudo, o jogo de domingo foi o que toda a gente viu: uma equipa sem identidade, sem chama, com falta de garra e acima de tudo com pouca vontade de orgulhar a camisola que vestiam em campo. Foi um desastre a toda a linha e uma exibição saída da mente de Franky Vercauteren indesculpável e revoltante.
Depois desta decepção, acreditei realmente que o jogo de ontem seria de redenção; uma exibição como a que onze leões tiveram na passada quinta-feira em Alvalade frente ao poderoso Wolfsburgo, transformando o segundo classificado da Bundesliga num clube banal. Não poderia estar mais errado…
Ontem voltei a ver uma equipa amorfa. Em certos momentos, pareciam puros mercenários, mimados e com tiques de vedetismo e sem respeito por uma equipa organizada e difícil como o Nacional, de Manuel Machado. Não digo que o Sporting não fez por merecer o empate; o que afirmo é que o Sporting tinha a obrigação de vencer o jogo, algo para o qual nunca mostrou realmente vontade.
Carlos Mané conseguiu amenizar os estragos de mais uma exibição displicente Fonte: FPF
Falar em intranquilidade, em erros individuais ou em má arbitragem é neste momento fait divers, uma vez que o essencial será perguntar onde está a equipa que jogou frente ao Wolfsburgo ou frente ao Schalke e Chelsea em Alvalade, ou frente ao Porto no jogo da Taça de Portugal. Muito do sucesso de uma equipa passa pela motivação, pelo psicológico – algo em que, por exemplo, Mourinho é fenomenal. Neste momento creio que Marco Silva, um dos melhores treinadores que passaram pelo clube nos últimos anos, precisa de ser um motivador para além de um treinador, e BdC deverá ser um agregador em vez de um desestabilizador.
Que estes dois últimos jogos sirvam como lição, que alguém bata com a mão na mesa e diga “chega”, para terminar esta espiral negativa que me faz lembrar em parte a semana de Maio de 2005.
Enough is enough.
Foto de capa: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal
No passado fim-de-semana, o Sporting venceu a equipa do Póvoa Futsal por 2-4, num jogo extremamente difícil para os leões. O Sporting começou pessimamente mal o jogo, sofrendo um golo logo nos primeiros dois minutos do encontro. Com este golo, a equipa da Póvoa de Varzim jogou a restante primeira parte de forma mais defensiva, de modo a tentar manter este resultado positivo o maior tempo possível. O bicampeão nacional fez uma primeira parte muito aquém das expetativas: jogou de forma lenta, causou poucas oportunidades de golo, falhou muitos passes, faltou alguma concentração, falhou no um para um, tendo faltado também muita garra.
Sporting alcança uma suada vitória no terreno do Póvoa Futsal Fonte: Sporting Clube de Portugal
No segundo tempo, a equipa leonina entrou em campo de forma muitíssimo diferente, diferença essa visível no golo de Fábio Lima logo aos 26 segundos. Através deste golo e consequente empate na partida, o Sporting melhorou, mas num lance infeliz do guardião leonino, André Sousa, a equipa da casa voltou a adiantar-se no marcador por intermédio de Márcio Moreira. Faltavam cerca de 10 minutos para o final do jogo e, caso os rapazes de verde e branco quisessem conquistar os tão importantes três pontos, teriam de arriscar tudo. Nuno Dias arriscou, apostando no 5 para 4 com Alex a desempenhar a habitual tarefa de guarda-redes avançado.
O Sporting castigou e controlou o adversário até chegar ao seu principal objectivo – a vitória. Diogo empatou o encontro aos 35 minutos, Pedro Carry colocou os leões na frente pela primeira vez no encontro, e Paulinho dilatou a vantagem para 2-4 a apenas um minuto do final. O último classificado da Liga Sport Zone não teve a capacidade de alterar o poderio do visitante, contudo fica na retina a boa exibição efetuada, fazendo com que uma das melhores equipas da prova tivesse muitas dificuldades em vencer. Mérito para o Póvoa Futsal e muito demérito para o Sporting.
O Benfica venceu o Belenenses por 5-2 no Pavilhão da Luz, num jogo que dominou de forma clara. As equipas foram para o intervalo com o Benfica a vencer por 2-0, golos do ala Bruno Pinto e do pivot Alessandro Patias. Este resultado espelhava uma exibição tranquila e consistente dos encarnados, que aproveitaram as inúmeras oportunidades de que dispuseram para se adiantarem no marcador.
O intervalo, ou não fez bem à equipa de Joel Rocha, ou fez demasiado bem aos azuis, que entraram determinados em reentrar no jogo empatando o encontro aos 29 minutos por intermédio de Tiago e Pauleta. Estes dois golos demonstram um adormecimento da equipa da casa, perda de concentração e um elevado decréscimo na intensidade apresentada. O antigo goleador dos Leões de Porto Salvo, Ré, bisou e sentenciou o encontro, aumentando a vantagem para 4-2. Aos 36 minutos, Jefferson dilatou o resultado em 5-2, resultado esse que não se alteraria até ao final do tempo regulamentar.
Ré foi preponderante na vitória encarnada diante do Belenenses por 5-2 Fonte: Sport Lisboa e Benfica
Com esta vitória, os encarnados alcançam 62 pontos, mantendo a vantagem de sete para o rival Sporting. Faltando apenas quatro jornadas para o final da Fase Regular, muito dificilmente o Benfica não a conquistará, bastando apenas manter a regularidade até ao momento apresentada. Para o Benfica não terminar a provar na dianteira seria necessário acontecer algo que até agora ainda não se sucedeu: perder um jogo. Joel Queiroz está a fazer uma excelente temporada, tendo até ao momento conquistado a vitória em 20 dos 22 jogos e empatado nos restantes encontros.
O Braga venceu no terreno do Modicus por 2-3, num jogo extremamente intenso e complicado, mantendo assim acesa a luta pelo segundo lugar da Fase Regular. A primeira parte foi frenética, visto que quatro dos cinco golos ocorreram neste período. A equipa da casa entrou de forma muito agressiva no encontro, chegando aos dois golos de vantagem, contudo a equipa bracarense conseguiu empatar antes do fim da primeira metade. Grande primeira parte e boa atitude de ambas as equipas!
O jogo estava aberto porque ambas as equipas estavam à procura do golo. Fábio Cecílio acabou por marcar, resolvendo o encontro a favor da equipa do Braga, um golo muito importante para as aspirações da equipa e para continuar na luta pelo segundo lugar.
Com esta vitória, e a faltarem apenas quatro jornadas para o final da prova, sendo que uma dessas jornadas é disputada em casa do Sporting (jornada 25), a luta pelo segundo lugar está ao rubro. Mais uma temporada muito consistente da equipa comandada por Paulo Tavares.
No regresso à Pedreira, depois do jogo a contar para a Taça da Liga, Lopetegui foi grato aos onze principais responsáveis pela inequívoca vitória diante do Sporting, e, por isso, repetiu a equipa titular do último Domingo. Do outro lado, um Braga com o plantel na máxima força e que vinha de cinco vitórias consecutivas no campeonato (apenas sofrendo um golo nessas mesmas partidas).
O quarto-de-hora inicial foi bastante repartido, ainda que o Braga se tenha apresentado corajoso e ameaçando chegar à baliza de Fabiano, mormente através das bolas paradas – foi, aliás, na conversão de um destes lances que dispôs da melhor oportunidade em todo o jogo, com um remate de Zé Luís salvo em cima da linha por Danilo. Do lado dos dragões, Herrera e Evandro assumiram o meio-campo mas não conseguiram fazer com que o jogo portista assentasse, muito por culpa de maus arranques de Brahimi (já lá vamos) e Tello. A partir dos 20’, os dragões tomaram conta da partida – nesta fase, o Braga sobrevivia na dúvida entre fazer alguma contenção e jogar na expectativa ou tentar uma pressão mais efectiva, a campo inteiro. Mesmo perante esta indecisão, o FC Porto não soube ser suficientemente inteligente: em dois pares de lances, havendo espaço, os dragões soltaram-se bem da pressão inicial minhota mas a definição dos lances nunca ocorreu da forma desejada, ora por timings errados, ora por movimentos desarticulados. Tello foi vítima e réu nesta fase; mas soube também ser protagonista, assinando os três lances mais perigosos da primeira parte dos portistas, aos 19’, 44’ e 45’.
Se, com bola, o FC Porto não soube escolher os melhores caminhos para a baliza – a ausência de suficiente jogo interior e a baixa taxa de sucesso nos cruzamentos foram evidências nos primeiros 45’ –, a verdade é que a equipa de Lopetegui também não deu qualquer hipótese aos Guerreiros do Minho de aplicar a sua mais forte arma: a transição ofensiva rápida e agressiva. Os dragões, apesar de se exporem em determinados momentos da partida, recuperaram sempre a bola com alguma tranquilidade – a equipa tem evoluído neste prisma e os louros terão de ser colhidos por Lopetegui – e, em consequência disso, terminaram a primeira parte com 71% de posse de bola. Mesmo que, muitas vezes, não lhe tenham dado o melhor dos tratamentos.
Tello voltou a ser decisivo na vitória portista Fonte: Página de Facebook do FC Porto
O segundo tempo arrancou na mesma toada: Aderlan Santos salvou o golo do FC Porto, com um corte providencial, e, quando não foi necessário nenhuma intervenção milagrosa, eram os próprios dragões que, na hora do remate, não eram suficientemente expeditos. Além do mais, Jackson apareceu sempre muito sozinho por entre a muralha construída por Aderlan, André Pinto e Danilo (o do Braga, claro).
Perante um cenário que não interessava, de todo, aos portistas, a dança das substituições arrancou com a saída de Evandro por troca com Quaresma (Brahimi derivou para o meio). Antes que qualquer ideia de Lopetegui tivesse materialização, o coração do jogo do dragão sofreu a verdadeira taquicardia – ver Jackson Martinez aparecer caído no chão, agarrado à coxa, é como ver traída e violentada a maior das presunções: a do golo. Perder-me em considerações sobre a importância do colombiano na manobra ofensiva (e não só) dos portistas será sempre redutor e, portanto, fiquemo-nos pela constatação de que, a partir de então, era menos provável e possível que o FC Porto vencesse a partida. Só que (também) há Aboubakar … e Tello.
Ainda que perdendo o seu farol, a equipa continuou lúcida e a carregar em cima de um Braga que fez jus ao epíteto de “Arsenal do Minho” – à boa maneira do outro Arsenal, foi sempre inconsequente, limitando-se a tentar fechar os espaços para a baliza de Matheus tão competentemente quanto possível. Aos 77’, Aboubakar mostrou que os treinos no Olival têm sido uma boa aprendizagem: à boa maneira de ‘Cha Cha Cha’, soube recuar ligeiramente, rodar sobre si mesmo e endossar a bola a Tello, descobrindo uma avenida na defesa minhota, tal como Jackson diante do Sporting. O espanhol voltou a fazer a diferença e, mais uma vez, redimiu-se das inúmeras vezes em que não toma a melhor das decisões.
Com a chegada a vantagem, Lopetegui tratou, de imediato, de trancar o meio-campo, retirando Brahimi e colocando em jogo Rúben Neves, um simplificador de processos. A equipa portista baixou as linhas (e talvez em demasia), abdicando da pressão a todo o terreno, o que teve como consequência alguns lançamentos longos a apelar ao jogo aéreo dos homens mais adiantados do Braga (sobretudo Éder) – e que foram quase sempre bem travados pela retaguarda portista (Marcano esteve imperial!). Nesta fase, com outro discernimento, os dragões poderiam ter aproveitado o espaço concedido pelo Braga para matar a partida, aproveitando o bom entendimento do momento e contexto do jogo por parte, essencialmente, de Herrera e Aboubakar (excelente o pontapé de bicicleta que ensaiou naquele que foi o último remate dos dragões).
O domínio portista expresso em números
Mesmo sem a desejada tranquilidade, os dragões preservaram a vantagem mínima e souberam sofrer o indispensável (Fabiano não fez uma única defesa) para levar da Pedreira três preciosos pontos na luta por um campeonato que se adivinha disputado ao milímetro. Mas que se tornará tão mais duro quanto mais tempo esteja Jackson de fora. Segue-se o Basileia, naquela que é a última etapa do ciclo infernal de jogos que os dragões têm tudo para ultrapassar de forma incontestável.
A Figura Tello – Não fez uma exibição brilhante mas esteve em todos os lances de perigo do FC Porto e voltou a ser decisivo, não falhando no momento em que lhe surgiu Matheus pela frente. Tem condições físicas e técnicas para ser um elemento decisivo nos dragões, assim queira (continuar a) evoluir no entendimento do jogo.
O Fora-de-Jogo Brahimi – Quem o viu e quem o vê! A magia está lá mas agora anda sempre acompanhada de complicação, individualismo e ausência de discernimento. Agarra-se em demasia a bola e prejudica todo o jogo da equipa. Querer resolver sozinho os problemas colectivos nunca será uma boa solução. Nem para um pequeno geniozinho, como já provou ser o argelino.
O 1.º dia da eliminatória entre Portugal e Marrocos não poderia ter sido mais favorável às cores nacionais. João Sousa e Rui Machado cumpriram aquilo que lhes era pedido e vencerem sem qualquer contestação os seus adversários. Contando com o forte apoio vindo das bancadas do centro de alto rendimento do Jamor, a seleção Portuguesa deu assim um importante passo rumo à vitória.
O primeiro a entrar em ação foi João Sousa; Tendo pela frente um adversário muito menos cotado, Yassine Idmbarek (759º do ranking ATP), o vimaranense rubricou uma excelente exibição.
Sousa quis tomar as rédeas do encontro logo desde o seu início; Atuando em cima da linha de fundo, o Português dominou a grande maioria dos pontos e Yassine Idmbarek parecia conformado. Foi por isso, sem grande surpresa, que venceu os dois primeiros sets por 6-0. No terceiro parcial o marroquino ainda tentou esboçar uma pequena reação, mas João Sousa mostrou-se imperturbável e, mesmo apesar de ter sentido algumas dificuldades para fechar o encontro, foi com a maior naturalidade que o fez.
Portugal colocava-se assim na liderança da eliminatória; Era agora a vez de Rui Machado entrar em campo para tentar ampliar a vantagem. O adversário, Lamine Quahab (330.º do ranking ATP), era, pelo menos em teoria, mais complicado, como de resto se veio a demonstrar em campo.
Rui Machado entrou forte e arrecadou o primeiro set com o parcial de 6-2. O marroquino reagiu e a segunda e terceira partida foram bastante equilibradas. No entanto, em ambas as situações, e contando com um forte impulso do público presente no Jamor, o português conseguiu fazer o break nos momentos decisivos. De realçar ainda alguns momentos de tensão entre a equipa de arbitragem e a seleção marroquina, talvez tentando perturbar a clara superioridade da seleção portuguesa.
Em conferência de imprensa, Nuno Marques realçou a importância dos resultados conseguidos no dia de hoje: “Estou muito contente com a forma como o dia correu”. João Sousa afirmou estar contente com o nível a que se exibiu reforçou a importância que o apoio do público teve no desenrolar do encontro: “Em casa é mais fácil, o público provoca isso”.
Portugal dava assim um passo de gigante em direção à vitória nesta eliminatória. João Sousa e Rui Machado estiveram à altura dos acontecimentos! Amanha, Frederico Silva e João Sousa jogam o par frente a Lamine Quahab e Younes Rachidi que pode decidir a eliminatória. O Bola na Rede vai lá estar, venha ao Jamor apoiar a seleção nacional!
Agradecimentos à Federação Portuguesa de ténis pela atribuição da credencial.
O ano de 2002 marca a minha entrada no mundo do basquetebol; até aí, pouco ou nada sabia sobre a modalidade. Quando comprei o meu primeiro equipamento de treino, era azul escuro e azul claro. A minha curiosidade fez-me ir procurar se havia alguma equipa na NBA com estas cores e foi assim que fiquei a conhecer os Dallas Mavericks. Nesta equipa, jogava – e joga – um alemão que me marcou. Falo, claro, de Dirk Nowitzki, provavelmente o melhor jogador europeu da História. O gigante alemão é neste momento o sétimo melhor marcador da história da NBA (joga desde 1998 na competição, sempre por Dallas) e o melhor marcador estrangeiro. Levou os Mavs ao seu único título da competição, e aos seus dois únicos títulos de conferência.
Passado uns anos, enquanto jogadores, começamo-nos a focar numa ou duas posições de campo. Nessa altura, Nowitzki começou a ser uma referência para mim: um jogador de posição 4 (Extremo/Poste), que consegue fazer 5 (Poste), tal como eu era nos iniciados e cadetes.
Numa competição tão dominada pelos americanos, ver um europeu vingar é sempre positivo – pelo menos para nós europeus. Portanto, ver um europeu ser considerado o melhor jogador do campeonato é algo inédito até agora na história desta competição, e foi algo que já aconteceu por duas vezes – uma delas das finais da competição quando guiou Dallas ao seu único título.
Dirk Nowitzki em acção Fonte: Facebook Oficial de Dirk Nowitzki
Nowitzki é talvez a maior razão de serem os Mavs a minha equipa favorita no maior espetáculo de basket do mundo. Ansiava ser como ele enquanto jogador de basket, apesar de nunca ter chegado a sequer poder comparar-me, ou não estaria aqui a escrever. O lançamento é a sua imagem de marca, e todos a reconhecem através do característico salto, no qual, em vez de se aproximar, se afasta do cesto, tendo já sido considerado, por alguns especialistas, o melhor lançamento da NBA.
Para além de tudo isto, Nowitzki é um dos únicos sete jogadores que já acabaram uma época (06-07) com mais de 50% de eficácia de lançamento de campo, 40% de eficácia de lançamento de 3 pontos e 90% da linha de lance livre. Este feito foi ainda alcançado o ano passado, embora não tenha sido contabilizado, uma vez que para tal acontecer seria preciso arredondar as percentagens – esteve há beira de o conseguir em 10-11, quando acabou com 39% e 89%, sem possível arredondamento, nos triplos e nos lances livres. O jogador alemão foi ainda vencedor do concurso de triplos do All Star em 2006, tendo participado no jogo principal do fim de semana por 13 vezes, e ocupando o 9º lugar na lista que contemplava os jogadores com mais participações no jogo, na qual apareceu pela primeira vez em 2002 e apenas falhou em 2013.
Estamos certamente perante um futuro Hall of Fame da NBA, que apesar dos seus 36 anos continua a ser uma referência na modalidade, e o meu jogador preferido da liga, mesmo com os Lebrons e Durants desta vida.
Sporting e Nacional têm um historial muito diferente nesta competição. Se do lado leonino se registam 15 Taças de Portugal do lado da formação insular não se regista qualquer presença numa final desta competição. Oposto é também o momento de forma que cada equipa vive: o Nacional vinha de uma série de bons resultados ao passo que o Sporting, depois da eliminação da Liga Europa, vinha de uma pesada derrota no Dragão.
Talvez à conta da péssima exibição dos leões na última jornada do campeonato, Marco Silva operou cinco mexidas no onze inicial. O facto de ser um jogo a meio da semana e de haver baixas forçadas também podem ter levado o técnico leonino a fazer uma gestão da equipa.
O jogo começou algo indefinido, com muitas perdas de bola e com as equipas algo desconcentradas. A partir dos 15 minutos de jogo, as duas formações começaram a criar oportunidades de perigo e o jogo chegou ao intervalo com bons indicadores de parte a parte. De destacar um remate de Carrillo, à passagem do minuto 33, que foi intercetado quase em cima da linha de golo e um tiro de Tiago Rodrigues a fechar a primeira parte que esbarrou no ferro da baliza de Rui Patrício.
Os bons indicadores traduziram-se num bom recomeço do encontro. As equipas começaram a criar mais espaços, a correr mais riscos e a forçar o erro do adversário. O primeiro – do Nacional – golo surge num lance de bola parada: Tiago Rodrigues cobra um livre em direcção à baliza, o guarda-redes do Sporting não agarra uma bola que parecia fácil e permite que Luís Aurélio se antecipe e coloque os insulares em vantagem.
O Sporting reagiu bem, e três minutos depois respondia na mesma moeda: livre cobrado por Jefferson e cabeceamento de Tobias Figueiredo, que restabeleceu assim a igualdade no marcador. O jogo continuou animado e aos 59 minutos de jogo o Nacional voltava a colocar-se na frente do marcador através de Lucas João, que respondeu da melhor forma a um centro que partiu do lado esquerdo da formação da Madeira.
Os leões estavam obrigados a reagir, tendo de lidar com a pressão psicológica crescente de não poderem perder mais encontros para poderem reverter o mau ciclo de resultados nas últimas semanas. E reagiram bem, sobretudo desde que Slimani e Adrien saltaram do banco para mexer com o jogo da equipa. O Sporting começou a crescer e a jogar bem e o sangue fresco só fez bem aos pupilos de Marco Silva. Pena esta qualidade não se ter verificado mais cedo, pois o Sporting podia ter saído da Choupana com um resultado mais positivo. Curiosamente, após a expulsão de Miguel Lopes a equipa de Alvalade subiu de rendimento.
Foi com naturalidade que os leões acabaram por chegar à igualdade através dum bom lance de ataque que Mané finalizou com a frieza e a inteligência necessárias a oito minutos do fim do tempo regulamentar.
O encontro chegou ao fim com o Sporting por cima. Ficou a sensação de que os jogadores leoninos ainda não se recompuseram do afastamento da Liga Europa, do mau resultado no Dragão e do afastamento da luta pelo título. Esperemos que Marco Silva possa encontrar uma solução para pegar nos pontos positivos que se verificaram hoje e estimulá-los para a equipa voltar à boa série de jogos que se verificaram antes do chocante jogo com o Benfica em Alvalade, que foi o início duma onda de irregularidade que destabilizou a equipa.
Figura
Adrien Silva – com a entrada do médio luso-francês o Sporting começou a ter uma ideia de jogo mais definida e a organização nas transições foi claramente melhorada. Seria bom ver Adrien a voltar à sua melhor forma.
Fora-de-jogo
Miguel Lopes – embora a expulsão seja injusta (não me parece que o segundo amarelo seja justificado), o lateral direito ainda não me convence e acaba por ser imprudente na forma como aborda o lance que fez com que Carlos Xistra o expulsasse.
Cristian Tello facturou três golos neste último clássico entre o Futebol Clube do Porto e o Sporting Clube de Portugal. O resultado do jogo tem a sua assinatura exclusiva, numa exibição pautada por uma eficácia tremenda em frente ao guardião sportinguista Rui Patrício.
Já por algumas vezes critiquei negativamente este velocista espanhol recém-chegado do Barcelona. Em inúmeros jogos anteriores, este extremo denotou, na minha óptica, erros de interpretação de jogo. Quando confrontado com mais do que uma opção para concluir uma jogada, escolhia erradamente, perdendo assim oportunidades clamorosas para chegar ao golo. Em vários lances, quando deveria temporizar para passar, acelerava; quando deveria assistir ao lado, rematava; quando tinha de atirar para o golo, fazia uma finta desnecessária.
Na fantástica partida de domingo frente aos ferozes leões, o que sobressaiu mais no jogo de Tello foram os seus movimentos verticais pelo corredor central. Também já anteriormente dissertei sobre a sua pouca vocação para jogar aberto, junto à linha lateral. O seu potencial futebolístico não se manifesta tão exemplarmente quando procura movimentos em largura, numa ocupação espacial de dentro para fora (fugindo da grande área). É perceptível a ideia do treinador portista, Julen Lopetegui, quando “algema” o explosivo na faixa. Com Tello dando largura, o treinador pretende criar dinâmicas para a subida do lateral, com o intuito de empreender combinações entre este e o extremo, possibilitando desta forma espaço suficiente para a descida de Jackson em troca posicional com os médios interiores (que invadem, em forma de pinça, o espaço do ponta-de-lança para finalizar).
Foi interessante observar que trinta segundos antes do terceiro golo de Tello (em nova invasão do espaço central), o treinador Lopetegui estava a pedir ao extremo para abrir na linha (fazendo o jogador, logo depois, exactamente o oposto). O técnico deve apostar mais noutras nuances estratégicas que Tello possibilita (tendo como base analítica e representativa os três golos ao Sporting). Insistir nos seus movimentos pelo corredor central parece-me o treino diário mais acertado e a ser explorado com mais vigor – julgo que estão a ser bem trabalhados em termos técnicos mas quantitativamente pouco aplicados. Tello pode, como vimos no jogo com o Sporting, trocar de espaço de ocupação com o avançado-centro aparecendo para finalizar, e também, embora não tão visível nesta última peleja, executar movimentos de fora para dentro para assistir Jackson ou os médios que apareçam em movimentos verticais de ruptura.
Inúmeros analistas viram no brilhante jogo que Cristian Tello fez contra o Sporting uma prova da sua evolução positiva e de uma melhoria substancial ao serviço dos dragões. Que este espanhol é um craque, com técnica apurada aliada a uma velocidade estonteante, não é difícil descortinar. No entanto, não creio que este jogo seja a prova de que o atacante tenha debelado por completo as lacunas que tinha quando confrontado com as diversas opções no último terço do terreno: passo ou temporizo? Acelero ou remato? É neste aspecto que os espanhóis (treinador e atleta) devem laborar e aprimorar com mais afinco e minudência. Tello, no jogo com o Sporting, decidiu eximiamente: em cada momento, escolheu a opção correcta – neste caso, remate para golo. Mas é importante não escamotear que o jogador decidiu bem porque Jackson e Herrera (os assistentes) o “coagiram” a atirar à baliza; não havia qualquer dúvida (a inquietar o jogador naquele instante), tinha de chutar para golo. É relevante tentar ajudar o jogador a perceber qual a correspondência perfeita entre momentos/decisões, ou seja, para determinada situação de jogo, qual a acção adequada a tomar. Lopetegui ou faz o seu atleta maturar neste aspecto, ou trabalha colectivamente a equipa para o colocar na cara do golo. Assim, o avançado irá escolher sempre a opção correcta para aquele momento. No entanto, uma coisa é certa: com apenas uma opção Tello decide bem… escolhendo o golo.