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Dois caminhos, um destino

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Com a derrota do Sporting no Dragão, o campeonato passou a ser (quase) oficialmente uma luta a dois; luta essa que, à exceção da época passada, se tornou comum nos últimos anos. Benfica ou FC Porto: um destes será, com certeza, o próximo campeão nacional. Devido ao alargamento do número de equipa na Primeira Liga, entrámos em Março com onze jornadas ainda em disputa – 33 pontos, portanto. Sendo prematuro considerar que já entrámos na reta final da competição, parece-me óbvio que o ciclo de seis jogos até ao embate dos dois colossos portugueses terá enorme relevo no desfecho final. Até ao Benfica- FC Porto, referente à 30ª jornada, estes são os caminhos que separam os eternos rivais:

Benfica – Arouca (F); Braga (C); Rio Ave (F); Nacional (C); Académica (C); Belenenses (F)

FC Porto – Braga (F); Arouca (C); Nacional (F); Estoril (C); Rio Ave (F); Académica (C)

As ilações que podemos tirar deste curto exercício são pouquíssimas e sempre demasiado teóricas. Ainda assim, ambos os clubes jogam três vezes fora e três vezes no seu estádio. As deslocações do FC Porto são, contudo, teoricamente mais difíceis, uma vez que os dragões terão uma deslocação ao reduto do SC Braga e ao do Nacional da Madeira. O Benfica, por seu turno, joga fora, frente ao Belenenses, antes da receção ao FC Porto. Certamente que os encarnados sentirão uma forte pressão para não vacilar antes de um jogo de extrema importância. No entanto, o futebol já provou, em diversos momentos, que até o mais fácil dos adversários poderá ser um grande obstáculo.

Na maioria das vezes a qualidade prevalece, evidentemente. Porém, nessa diferença – em tantas ocasiões demasiado gritante -, há sempre lugar para surpresas. Há muito que o futebol se tornou num jogo estratégico. E a estratégia, quando bem executada, cria barreiras. E quantas vezes não vimos um Arouca ou uma Académica com barreiras quase intransponíveis!?

A onda vermelha vai ser uma forte motivação no ataque ao bicampeonato Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
A onda vermelha vai ser uma forte motivação no ataque ao bicampeonato
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Com ou sem barreiras por ultrapassar, serão seis os adversários até ao jogo mais importante da época, importante e decisivo. Sim, os jogos grandes, como os clássicos e os dérbis, são altamente decisivos. Não só em termos pontuais como, também, em termos anímicos. Infelizmente, criou-se um mito sobre a irrelevância dos jogos grandes nos programas desportivos dos mais variados canais televisivos que não corresponde à verdade. É incompreensível como os últimos anos do futebol português não ajudaram a desmistificar esta enorme mentira. Não tenho qualquer dúvida de que o vencedor do Benfica – FC Porto estará muito mais próximo de se tornar o próximo campeão nacional.

Muitos dirão que o caminho até ao grande embate será calmo e seguro até ao grande embate. Custa-me a acreditar que nenhum dos dois perderá pontos nos próximos seis jogos, tendo em conta o calendário e o acumular de desgaste físico. Veremos quem vacila primeiro. E aí, caros amigos, poderá perfeitamente estar a chave do jogo mais aguardado.

Foto de Capa: Sport Lisboa e Benfica

Não há duas sem três, Mourinho

cab premier league liga inglesa

O treinador português José Mourinho já venceu a Liga dos Campeões por duas vezes na sua carreira, com o FC Porto, em 2004, e no comando técnico do Inter de Milão, no ano de 2010. Mas será que conseguirá esse feito por uma terceira vez, igualando, assim, Bob Paisley e Carlo Ancelotti nesse registo? Será este o ano em que Mourinho, finalmente, vence a Champions com o seu Chelsea?

Certamente que o técnico setubalense quer acrescentar este triunfo ao seu avolumado currículo. Esta é a sexta temporada, não consecutiva, que o português concretiza ao leme dos blues, tendo vencido com este emblema, entre outros, duas Ligas Inglesas e uma Taça de Inglaterra. Falta-lhe, assim, uma conquista europeia com o clube em que afirma sentir-se realmente feliz e em casa.

Retornou a Londres na época passada, na qual ficou no segundo posto da Liga Inglesa. Porém, é um facto conhecido que as equipas treinadas por “Mou” alcançam relativamente melhores resultados no seu segundo ano de trabalho. E tal situação é o que aparenta acontecer neste preciso ano. O Chelsea encontra-se, neste momento, no primeiro lugar da Premier League, com cinco pontos de avanço para o atual rival direto, Manchester City (os citizens têm um jogo a mais). A nível europeu, o clube da capital de Inglaterra pode, claramente, fazer uma “gracinha” aos demais e conquistar o tão ambicionado troféu.

José Mourinho conta, este ano, com um conjunto de jogadores que denotam um excelente entrosamento como equipa dentro das quatro linhas, que jogam de forma combativa, bem ao estilo do Special One, e alia a isto um estrondoso virtuosismo técnico e rapidez de processos que os jogadores da frente imprimem ao jogo dos blues.

Todos os conhecedores do futebol estarão, também, cientes de que as formações treinadas por Mourinho são conhecidas pela sua exatidão e precisão a defender. O Chelsea não foge à regra. O núcleo duro do emblema londrino inclui John Terry, fiel escudeiro do técnico português, Gary Cahill e Branislav Ivanovic, experientes defesas que juntam à capacidade defensiva uma enorme aptidão para fazer balançar as redes da baliza adversária.

Na baliza trava-se uma acérrima e rotativa batalha entre dois dos melhores guarda-redes do momento, Thibaut Courtois e Petr Cech, ambos fornecendo uma tremenda segurança a toda a equipa.

A nível do meio-campo, Matic e Fàbregas formam uma das duplas mais interessantes do momento, tanto no que concerne a equilíbrio defensivo como a construção de jogo, e o poder de explosão do brasileiro Ramires também é de elevada importância face a certos adversários.

Em caráter ofensivo, a qualidade técnica que Willian, Oscar e, especialmente, Eden Hazard (sem dúvida um futuro candidato à Bola de Ouro) oferecem, juntando a capacidade de combate e veia goleadora de Diego Costa, melhor marcador do Chelsea, dota a equipa de um tremendo arsenal atacante. Para além disso, “Mou” conseguiu ainda a tão desejada contratação do colombiano Juan Cuadrado, no mercado de inverno, que vem, assim, dar sangue novo aos blues e ajudar na caminhada, que se adivinha triunfante, dos pupilos do treinador português.

Os blues são um dos principais favoritos à conquista da Champions Fonte: Facebook do Chelsea
Os blues são um dos principais favoritos à conquista da Champions
Fonte: Facebook do Chelsea

Para além de contar com uma formação forte e coesa em todos os setores, a recente conquista da Taça da Liga Inglesa perante os rivais do Tottenham, em Wembley, certamente aumentou os índices de motivação dos jogadores para o que ainda está por vir da presente época. A nível interno não poderia estar a correr de melhor maneira para os azuis de Londres, podendo afirmar-se que têm, por ora, o campeonato na mão e não será fácil deixá-lo escapar.

Todos estes fatores conjugados contribuem para a afirmação do Chelsea como uma das equipas favoritas para a edição deste ano da principal prova europeia de clubes, a Liga dos Campeões. Também o facto de os principais colossos europeus e maioritariamente candidatos à conquista do ceptro, como Real Madrid ou Bayern de Munique, não estarem, atualmente, no seu melhor rendimento, pode abonar para esta situação.

Neste momento, o Chelsea FC segue em vantagem na eliminatória dos oitavos de final da Champions, ao conseguir um empate a uma bola em Paris, face ao PSG, resultado que agrada às hostes londrinas, que encaram, assim, com boa cara o jogo da segunda mão, a realizar a 11 de março em Stamford Bridge. Mourinho pode, assim, tentar definir o desfecho do segundo encontro de forma pragmática, como tanto nos tem habituado, sem cometer erros de maior e aproveitando da melhor maneira aqueles que forem executados pelo conjunto adversário.

Na caminhada para a conquista deste troféu, é claro que vai ter que contar com a “estrelinha” da sorte do seu lado. Mas, também, o que somos nós sem um pouco de sorte? Certo é que José Mourinho é um verdadeiro mestre no que toca a jogos de “mata-mata”, ou “a eliminar”, e nesta época tem as armas necessárias para fazer valer o seu estatuto a nível europeu e levar a Liga dos Campeões para o palmarés blue.

Foto de Capa: Facebook do Chelsea

Olheiro BnR – Joris Kayembe

olheiro bnr

Se num passado recente falei de Iuri Medeiros como um jogador que poderia aproveitar o empréstimo ao Arouca para depois voltar a um grande (nesse caso o Sporting) para se impor em definitivo como uma clara mais-valia, o mesmo também terá de ser dito do jovem belga Joris Kayembe.

Afinal, o puro extremo-esquerdo de quem Julen Lopetegui até parece vislumbrar um lateral ofensivo na ordem de Jordi Alba tem estado a mostrar muita qualidade no Arouca, aproveitando a cedência azul-e-branca para se assumir quase em imediato como uma das referências atacantes do conjunto nortenho, apresentando uma velocidade e uma capacidade de desequilíbrio que prometem dar muito que falar.

Promessa belga que chegou cedo ao Dragão

Joris Kayembe-Ditu nasceu a 8 de Agosto de 1994 em Bruxelas, Bélgica, e representa mesmo os “Diabos Vermelhos”, ao nível da selecção de sub-21, ainda que seja de origem congolesa. Quanto aos primeiros pontapés na bola, esses começaram por ser dados no FC Bruxelas, tendo depois o atacante passado para o Standard de Liège, que representou nas duas temporadas de júnior.

Em 2013/14, ainda assim, na transição para sénior, Kayembe mudou-se para o FC Porto, sendo imediatamente integrado na equipa secundária azul-e-branca, onde, em época e meia, somou 44 jogos e três golos. Ora, esse bom desempenho na Segunda Liga fez com que a estrutura dos dragões entendesse que estava na hora do internacional sub-21 belga dar um salto para outro patamar competitivo, algo que justificou a cedência ao Arouca no último mercado de Inverno, sendo que Kayembe já leva mais seis jogos pelo emblema orientado por Pedro Emanuel.

Um quebra-cabeças para qualquer lateral

Kayembe é um daqueles extremos à moda antiga que apresenta todas as qualidades necessárias para um jogador de linha, nomeadamente velocidade, explosividade, qualidade técnica e imprevisibilidade, conjugação que o torna num autêntico quebra-cabeças para os laterais que vai enfrentando na Liga.

Ainda assim, aos 20 anos, e com apenas ano e meio de futebol sénior, é natural que apresente ainda algumas arestas por limar, sendo que o internacional sub-21 belga deverá ainda ganhar um pouco mais de objectividade em zonas de definição/finalização, maior rigor táctico e uma maior generosidade no processo defensivo.

Quanto a uma eventual adaptação a lateral-esquerdo, como chegou a actuar várias vezes na equipa B do FC Porto, o caminho será sempre mais longo, uma vez que a maioria dos aspectos mais crus do jovem de origem congolesa surgem ao nível do processo defensivo. Ainda assim, pela tenra idade do futebolista, e havendo um trabalho afincado nesse capítulo, não é de descurar a possibilidade de Kayembe fazer uma metamorfose para um lateral de perfil ofensivo. Eu, contudo, apostaria todas as minhas fichas no seu gigantesco potencial como ala/extremo-esquerdo.

Foto de Capa: Futebol Clube de Arouca

Uma lição de vida

futebol nacional cabeçalho

Vivemos num país de 10 milhões de habitantes que se dividem pelas três grandes cores clubísticas. Todas as outras equipas têm de viver com simpatizantes ou adeptos “a prazo”. Esqueçamos Guimarães (e neste caso nem sequer falamos em bi-clubismo), Académica, Leixões ou Boavista, e “quase” todo o país é assim. “Quase”, porque há quem goste de ser diferente. “Diferente” pode mesmo ser a palavra ideal para nos descrever. Fico muitas vezes com a ideia de que tenho de justificar a escolha clubística sempre que alguém que me é estranho toma conhecimento: “Ui, do Rio Ave?! A sério?!”. Sim, do Rio Ave. Mas podia ser do Gil Vicente, do Olhanense, ou do Macedo de Cavaleiros. A malta vai ficar sempre surpreendida!

Causa imensa estranheza que alguém goste do clube da terra onde nasceu, onde vive, ou onde fez vida académica. “Vocês nunca ganharam nada” (saco logo da ironia quando se trata de um sportinguista) é uma das frases que mais ouvimos para justificarem o seu espanto. Hoje em dia as pessoas cada vez gostam mais de si mesmas e dão mais importância a elas próprias, e muitas vezes até lhes dá jeito esconder as origens, ou os gostos menos requintados… Mas nós gostamos de ser diferentes. Passamos todas estas duras batalhas, desde a escola ao trabalho, passando pelo grupo de amigos. Mas, no fundo, o que sabem eles sobre a nossa paixão?! Como nos vão eles entender, se preferimos o friozinho dos Arcos às pipocas da central?! É difícil gostar de um clube que, por vezes, passa meses sem ganhar.

É difícil aceitar que em alguns jogos o empate corresponde a goleada. É difícil que a janela de mercado não nos encha de manchetes de ilusão. É difícil perceber que algumas das pessoas com quem partilhas a bancada quinzenalmente mudam facilmente de cachecol quando o adversário é de “maior gabarito”. É difícil estar a par das novidades, pois a comunicação social só nos guarda apenas um cantinho por dia. Isto quando temos a sorte de estar no principal escalão… Mas é isto que nos motiva!

Uma paixão inesplicável Fonte: Facebook Oficial do Rio Ave
Uma paixão inesplicável
Fonte: Facebook Oficial do Rio Ave

Quem gosta de um clube que não seja um dos três grandes não gosta só “por gostar”. Tem normalmente uma razão muito forte para isso. Aliado às dificuldades/motivações que enumerei, desenvolvemos, desde tenra idade, uma enorme capacidade para acreditar, manter o foco e nunca desistir. Algo que nos dá um enorme jeito, mesmo fora do desporto. Não nos importamos de ser gozados quando ficamos 10 jogos sem ganhar, de ouvir as críticas estapafúrdias de quem nos vê jogar duas vezes por ano e já se acha o Freitas Lobo, de ser prejudicado pelas arbitragens sem que ninguém faça referência… Nada disso importa, porque somos diferentes!

No caso do Rio Ave, só nós sabemos o que sentimos, gritámos e chorámos naquele Domingo quente de 2008 em Santa Maria da Feira, naquele golo do João Tomás em Paços de Ferreira, nas meias finais com o Braga, quando caímos nos penáltis em Aveiro, no golo do Esmael, e em tantas outras ocasiões… Ao mesmo tempo, noto que acabamos por ser um pouco embaixadores do nosso clube perante os nossos colegas. Repare que, na maioria dos casos, os seus amigos sabem mais sobre o seu clube do que sobre os outros do mesmo nível. Isso não é coincidência, tem a ver com a quantidade de informação que lhe passa, e muitas das vezes quase sem se aperceber… Por tudo isso considero que ser adepto de um clube “pequeno”, manter esta interminável paixão ao longo de tantos anos, com tudo o que de bom e mau nos traz, é muito mais do que um simples gosto… é uma lição de vida!

Foto de Capa: Rio Ave FC

Artigo realizado pelos autores da Página “Rio Ave Sempre”

Cegueira futebolística

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Perante a continuada acusação feita por sportinguistas e portistas de que o Benfica tem sido beneficiado pelas arbitragens, sinto a necessidade de, neste espaço, dar a minha opinião. Ela não é melhor nem pior do que a de ninguém, não é mais ou menos legítima em relação a outras. É apenas a minha opinião.

Quem tem estado, nas últimas semanas, atento a espaços de opinião desportiva, quer seja na internet ou na televisão, já terá certamente ouvido e interiorizado (tal é a insistência nesta ideia) que o facto de o Benfica ocupar o primeiro lugar se deve à atuação dos árbitros. Diz-se que se marcam penáltis inexistentes a favor do campeão nacional, insinua-se que em muitos jogos a equipa adversária acaba com 10 jogadores (sem que se perceba o que estas pessoas querem de facto dizer, porque depois acabam por não concretizar a acusação), fala-se de foras de jogo mal assinalados, enfim de erros que, dizem os “defensores da verdade desportiva”, mudariam o resultado final e que acabariam por levar sempre ao desfecho que mais lhe interessa: o Benfica perderia pontos.

Reduzem, de forma simples, o jogo a uma avaliação, que é tudo menos imparcial, da equipa de arbitragem. Assim, só posso concluir que não sabem ver futebol, ou ainda pior: não sabem apreciar e desfrutar ao jogo. Esquecem a dedicação dos jogadores, a sua qualidade técnica, a sua cultura tática. Ignoram tudo o que pode condicionar um jogo, como o público, as lesões, os castigos, as substituições.

Os adeptos: o verdadeiro "colo" do Benfica
Os adeptos: o verdadeiro “colo” do Benfica
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

O Benfica não ganha por causa dos árbitros, ganha porque tem sido melhor, mais consistente, mais maduro se quiserem. Ganha porque tem um treinador experiente, porque tem uma estrutura diretiva que defende os interesses do clube e não se rebaixa perante ninguém (por muito que isso incomode muita gente), porque tem jogadores talentosos e esforçados, porque tem, nos seus adeptos, uma força imensa e inesgotável que empurra a equipa para a frente. Estes sim, levam a equipa ao colo durante toda a época.

Escusam de balbuciar a meio da época o cada vez mal habitual “Entreguem já as faixas”. Isso demonstra não só que não acreditam nos vossos clubes mas também que não conseguem lidar com o facto de o Benfica estar na liderança desde a 5ª jornada e não dar, para vosso grande desgosto, sinais de quebra. É claro que, nesta temporada, assistimos a alguns lances em que o árbitro errou a favor do líder mas também outros houve em que os encarnados foram prejudicados. Quem for sincero, terá facilidade em reconhecer que erros a favor e contra atingem TODAS as equipas durante TODAS as épocas.

Os mesmos adeptos do FC Porto que fazem questão de vincar cada lance duvidoso desta temporada, em que dizem o Benfica foi beneficiado (talvez para disfarçar o nervosismo provocado pela irregularidade exibicional da sua equipa), são os mesmos que ignoram a maior vergonha de sempre do futebol português: o Apito Dourado. Bem podem dizer que é mentira. Nem vocês acreditam nisso.

Enquanto as insinuações feitas às arbitragens dos jogos do Benfica não passam disso mesmo (pois uma acusação mais fundamentada teria de ser baseada em provas, que não existem nem existirão porque na Luz se joga limpo ao contrário do que acontece noutras cidades), eu posso afirmar que o atual presidente dos dragões é um corrupto. Posso porque ouvi as gravações que demonstram claramente um aliciamento aos árbitros, aliciamento esse que o sistema judicial não teve a coragem de punir adequadamente.

Foto de Capa: Sport Lisboa e Benfica

UFC 184: O começo da lenda de Ronda Rousey

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Ronda Rousey é especial, uma lenda viva, uma dificuldade para jornalistas que, luta após luta, se vêem em dificuldades para descrever a sua genialidade. Cat Zingano vinha sendo descrita como o primeiro grande desafio de Ronda, aquela que a testaria, a levaria ao limite. Ronda ultrapassou-a em 14 segundos. Nada mais há a dizer.

O UFC 184 era para ter como evento principal o combate entre o campeão de peso médio Chris Weidman e Vitor Belfort, no entanto o primeiro lesionou-se, o que levou a que Ronda Rousey e Cat Zingano assumissem o protagonismo. Este foi o primeiro evento da UFC cujo evento principal e co-evento principal tinham como protagonistas lutas femininas. Se questões se levantaram acerca da viabilidade de atribuir a maior responsabilidade ao sexo feminino, essas estão agora desfeitas. UFC 184 foi um sucesso e abriu portas para mais eventos protagonizados pelas divisões femininas de lutadores.

Tony Ferguson e Gleison Tibau abriram a noite no Staples Center, em Los Angeles, com um combate da divisão de pesos leves. Ferguson, vencedor da décima terceira temporada do The Ultimate Fighter, entrou com uma sequência de quatro vitórias e estatuto de favorito, apesar de Tibau ostentar um impressionante recorde de 33-10, com 16 vitórias na divisão. Ferguson, no entanto, confirmou o estatuto que lhe fora atribuído. Um gancho de direita aos dois minutos de combate deixou Tibau grogue, demonstrando-o com uma tentativa de derrube bastante disparatada, levando Ferguson a dominá-lo no chão, passar (facilmente) para as costas e finalizar com um mata-leão, aos dois minutos e 37 segundos da primeira ronda. Através desta vitória Ferguson aumenta a sua sequência de vitórias e o seu recorde para 5 e 18-3, respectivamente, e começa a fazer nome na divisão.

Após um bom começo de noite, Richard Walsh e Alan Jouban, ambos vindos de derrota e na sua terceira luta na UFC, tentaram rectificar o seu nome no octógono. Durante dois minutos trocaram algumas sequências e diversos pontapés, testando-se. Jouban, no entanto, após a esgrima, viu uma abertura no lado esquerdo da cabeça de Walsh e lançou uma cotovelada, que atordoou o seu adversário, finalizando com socos.

A terceira luta da noite viu uma luta com contornos semelhantes à anterior. Koscheck, um veterano da UFC, opôs-se a Ellenberger, número 11 do ranking de peso meio-médio, onde ambos procuraram redimir-se das três derrotas seguidas de que vinham. Ambos entraram bem, com boas trocas iniciais. Koscheck conseguiu uma projecção cedo, mas tudo o que conseguiu fazer foi encostar Ellenberger à rede e desferir algumas joelhadas e outras tantas pisadelas no pé, algo que se prolongou quase até ao final da ronda. Na segunda, Koscheck adoptou a mesma táctica, mas desta vez o árbitro separou-os por falta de acção. Imediatamente a seguir, Ellenberger encaixou um gancho de direita, que visivelmente afectou Koscheck. Talvez por isso este tenha tentado, pela terceira vez, uma projecção, que acabou na rede como todas as outras. No entanto, desta vez Ellenberger decidiu surpreender e apanhou o seu adversário numa guilhotina em pé, que rapidamente tentou ir para o chão para se soltar, apenas para acabar num estrangulamento na posição Norte-Sul e, eventualmente, desistir. Ellenberger vence por submissão e deixa Koscheck, com 37 anos e quatro derrotas seguidas, no fim da linha.

Apesar da vitória, Holly Holm (à esquerda) não correspondeu às expectativas e mostrou que ainda tem muito trabalho pela frente se quiser chegar ao topo da divisão Fonte: UFC
Apesar da vitória, Holly Holm (Esq.) não correspondeu às expectativas e mostrou que ainda tem muito trabalho pela frente se quiser chegar ao topo da divisão
Fonte: UFC

A estreia de Holly Holm deu-se na quarta luta da noite, contra uma reconhecidamente dura Raquel Pennington. A expectativa em torno de Holm, antiga campeã mundial de boxe e detentora de vistosos K.O’s em organizações de MMA independentes, era elevada, chegando mesmo a dizer-se que poderia vir a ser uma forte candidata ao título detido por Ronda Rousey. Todos esperavam um knockout rápido e devastador de Holm devido à sua grande habilidade de striking. De facto, Holm mostrou ter bastante qualidade nesse e noutros prismas, mas a ida do combate a decisão do júri deixou fãs e adeptos com um gosto amargo. Holm nunca se mostrou marcadamente superior a Pennington, que, com um recorde de lutas de 5-5 na altura do combate, não estava propriamente na elite da divisão feminina de Bantamweight.

Aliás, foi Pennington quem mais perigo criou e mais perto esteve de vencer no decorrer do combate, ao desferir uma direita que levou Holm ao chão. Infelizmente para Pennington, esta não se conseguiu superiorizar a Holm, que ganhou pontos através de vários strikes bem-sucedidos, nas primeiras duas rondas. A antiga campeã de boxe acabou por ser a vencedora por decisão dividida, mostrando que ainda está a passos largos da qualidade que promete ter.

O último combate da noite prometia ser o duelo de uma vida para ambas as lutadoras. Esta premissa levanta, agora, muitas questões. Ronda venceu a sua teoricamente mais forte adversária até então em apenas 14 segundos, através de uma chave de braço, numa posição improvável. Cat Zingano procurou levar a luta até Ronda, chegando mesmo a conseguir a projecção, mas o trabalho de Ronda no chão provou ser, mais uma vez, letal. Ronda tem agora nove vitórias por chave de braço em 11 lutas profissionais. Todas têm conhecimento desta sua arma, mas todas caem na mesma armadilha.

Ronda Rousey prepara a chave de braço que lhe deu a vitória sob Cat Zingano Fonte: UFC
Ronda Rousey prepara a chave de braço que lhe deu a vitória sobre Cat Zingano
Fonte: UFC

Dana White brincou, há cerca de duas semanas, ao dizer que Ronda teria de começar a lutar contra homens caso dominasse Cat Zingano. E agora, Dana? Por esta altura, que mais há para Ronda? Quem mais? Bethe Correia e “Cyborg” Justino são possibilidades, mas a primeira não mostra ter qualidade evidente necessária para destronar Rousey, e a segunda está noutra companhia e apresenta grandes dificuldades em perder peso até chegar à divisão de Rousey. Miesha Tate tem sido apontada como uma possível candidata por ter sido aquela que mais tempo durou numa luta contra Rousey, sendo a única a levá-la para além da primeira ronda. A aura de invencibilidade de Ronda é tal que se equacionam adversários consoante o tempo que aguentam contra ela no octógono… Por esta altura, Ronda Rousey está no patamar de grandes como Anderson Silva, Jon Jones, Fedor Emelianenko. É uma lenda. É a melhor. É, literalmente, a mulher mais poderosa do mundo.

Resultados do cartaz principal:

Ronda Rousey derrotou Cat Zingano via submissão (chave de braço) na primeira ronda (0:14)
Holly Holm derrotou Raquel Pennington via decisão dividida (29-28, 28-29, 30-27)
Jake Ellenberger derrotou Josh Koscheck via submissão (estrangulamento em posição norte-sul) na segunda ronda (4:20)
Alan Jouban derrotou Rich Walsh via knockout (cotovelada e socos) na primeira ronda (2:19)
Tony Ferguson derrotou Gleison Tibau via submissão (Mata-leão) na primeira ronda (2:37)

Foto de Capa: UFC

O Passado Também Chuta: Jorge Mendonça

o passado tambem chuta

No fim da década de 50 do século passado chegaram a Espanha dois génios de fala portuguesa. Um deles foi o célebre guarda-redes Carlos Gomes e o outro foi um jogador que apareceu no Braga e era natural de Angola (Luanda). Chamava-se Jorge Mendonça. Sendo quase um imberbe, o Deportivo da Corunha incorpora-o para jogar na difícil e guerreira segunda divisão espanhola.

No fim da época, o poderoso Atlético de Madrid contrata-o para deliciar os adeptos no velho Metropolitano. O futebol espanhol era poderosíssimo: contava com o Real Madrid que devorava a Taça da Europa e o Barcelona de Kubala e Luís Suárez não era menos assustador. O poder da Liga Espanhola não diferia muito do poder atual. Hoje, o Atlético de Madrid também está presente no triunvirato dos clubes poderosos da velha Espanha. As estrelas eram tantas ou tão poucas como agora e a Europa tremia tanto como treme hoje.

Jorge Mendonça chega a uma equipa onde brilhavam jogadores como o extremo-esquerdo Collar – grande rival e sombra de Paco Gento –, o central argentino Griffa, o lateral Calleja, ou, mais tarde, o pulmão Abelardo. Os dérbis por excelência jogavam-se em Madrid e entre os grandes da Capital. Jorge Mendonça fez-se rapidamente como o terror da defesa do Real Madrid. Era um avançado com muita figura e estilo; era um virtuoso da bola. Em Portugal, conta-se uma anedota que aconteceu num rife-rafe entre o Benfica e o Braga, nos tempos do grande Eusébio. Alguém ligado ao Benfica falou da excelência do Pantera Negra. Teve imediatamente resposta de Braga: “Grande é o Jorge Mendonça!” E era, e foi e deveria ser uma das grandes figuras referenciadas no futebol português. Antes do Futre, Figo, Rui Costa, Paulo Sousa ou do supersónico Ronaldo existiu um senhor que triunfou em Espanha e na Europa. Acontece que temos, muitas vezes, uma memória vesga.

Mendonça foi uma figura do Atlético de Madrid Fonte: colchonero.com
Mendonça foi uma figura do Atlético de Madrid
Fonte: colchonero.com

Triunfou como triunfam os grandes: ganhou várias Taças de Espanha com o Atlético de Madrid, outra com o Barcelona e triunfou na Europa ao vencer com o Atlético de Madrid a sua primeira Taça das Taças. Maradona triunfou em Itália e na Europa ganhando dois campeonatos italianos e uma Taça da UEFA com o Nápoles. Mendonça, além dos troféus mencionados, foi também campeão da Liga Espanhola com o seu “Atleti”. Outra das suas façanhas inscreve-se dentro da grande rivalidade. O Real Madrid da época levava oito anos sem sair derrotado do seu Estádio. Jogar em Chamartin era sinónimo de derrota. Chegou então o Atlético de Madrid de Jorge Mendonça. O Real Madrid perdeu e um dos fuzileiros que determinou a vitória Atlética chamava-se Jorge Mendonça.

Depois de nove anos a representar o Atlético deu com os ossos no Barcelona. Esteve dois anos e ganhou uma Taça de Espanha. No entanto, talvez por se sentir no fim ou porque se sentia predisposto para outras causas (religiosas), forçou a saída da cidade Condal e aterrou em Maiorca. Na bela ilha do Mediterrâneo, dedicou-se mais à causa de repartir Bíblias do que a jogar. Para seu azar (neste caso divino), enquanto distribuía Bíblias a domicílio tropeçou e caiu pelas escadas. Lesionou-se nos ligamentos. No ano posterior, quando entrou a década dos 70 do século passado, retirou-se do futebol. Foi um grande que em Portugal parece que não existiu.

Foto de Capa: colchonero.com

Estudar e jogar é possível nos Estados Unidos

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A competição universitária de basquetebol da NCAA tem crescido de popularidade em todo o mundo. O canal  ESPN América foi um dos principais  responsáveis pela sua divulgação, até ter deixado de transmitir para a  Europa, por razões económicas. Atualmente, são as plataformas  Livestream que permitem seguir a prova. Outra razão para tal destaque tem a ver com o aumento do número de jogadores de todos os continentes que optam pelo sonho americano.

Na Europa, a grande maioria  dos jovens talentos não consegue garantir contratos significativos porque as  equipas perderam os sponsors e têm muito menos financiamento. Sem futuro, a melhor oportunidade para progredirem  é na NCAA, onde conseguem não só garantir educação gratuita, como continuam a fazer o que mais gostam  que é jogar basquetebol.

Segundo Hawkins, autor do livro  “The New Plantation: Black Athletes, College Sports, and Predominantly”, os jovens atletas estrangeiros trazem para a competição norte americana uma nova mentalidade:

Eles trazem  ética ao trabalho. Não foram contagiados pelo sistema da American Athletic Union (AAU ), ficam  gratos pela educação adquirida e por terem oportunidade de  jogar basquetebol. Os atletas estrangeiros entendem o valor e a importância da  educação. Têm um nível de maturidade que não vejo nos nossos atletas“.

Em todas as Conferências tem aumentado o número de atletas estrangeiros, muitos deles internacionais. Quando o conceituado técnico John Calipari chegou a Kentucky (2009-2010), na Southeastern Conference (SEC), apenas 6  universidades tinham atletas estrangeiros, num total de 10 internacionais. Em 2013-2014, a realidade era outra e 12 das 14 equipas já tinham estrangeiros totalizando 27 internacionais. Atualmente, dezoito países diferentes estão representados na SEC, mais da metade são da  Europa. Há também jogadores das Bahamas, Venezuela e Austrália.

Não é de estranhar que alguns desses jovens com mais talento apareçam com regularidade no draft da NBA. Na lista de  2013, cinco jogadores estrangeiros que jogaram basquetebol universitário foram escolhidos na primeira ronda.

Europa ensina melhor

1 março
O jovem Kobe Bryant

“Acho  que os jogadores europeus são mais habilidosos“, disse Bryant à ESPN. “Na Europa ensinam bem o jogo aos jovens que são mais habilidosos. É algo que nós  americanos realmente temos de corrigir. Para isso, temos de nos livrar da cultura da AAU, que é gananciosa e horrívelÉ estúpido, mas é verdade, os nossos jovens são só grandes e pouco sabem fazer. Não conhecem os fundamentos do jogo“, disse ele.

Os jovens devem aprender a jogar em todas as posições, vejam como jogam os irmãos Gasol. Porque razão é que 90 por cento do plantel dos Spurs é constituído por jogadores europeus ?”.

Bryant, que cresceu na Itália, nunca jogou nas Competições da AAU. Provavelmente, se o tivesse feito seria outro jogador .

Eu, provavelmente, não seria capaz de driblar e lançar com a esquerda e de ter  bom jogo de pernas”, disse Bryant.”

As Associações Americanas

O  basquetebol Universitário está dividido em três associações nacionais : NCAA, NAIA e NJCAA. A NCAA não é só Duke, North Carolina ou  Kentucky , onde os nossos atletas não têm lugar. Há centenas de escolas onde podem jogar

O número de bolsas de estudo é limitado e depende da Divisão a que pertence a escola. Assim:

 Competição Numero equipas Bolsas Masculinas por Universidade
NCAA D1 348 13
NCAA D2 302 10
NCAA D3 425 0
NAIA D1 116 11
NAIA D2 123 6
NJCAA 435 15

 

Na NCAA, teoricamente, os  jogadores são estudantes e amadores, mas a realidade é bem diversa e os escândalos são uma constante.

O debate relativamente ao pagamento aos atletas está novamente lançado e a divergência é grande entre os que  defendem que só devem alinhar atletas estudantes amadores e os quem aceitam que a prova se transforme numa liga menor com pagamentos aos jogadores. Claro que quem tem sucesso segue para a NBA ou para a Europa. O pior são os outros: a maioria fica sem opções , sem educação e sem emprego.

Não seguiram os pioneiros

No passado recente, João Santos (Nevada Reno  NCAA D1) em 2001, Seco Camara (George Washington NCAA D1) em 1999, Carlos Andrade (Queens NCAA D2) em 2003 e João Paulo Coelho (Miami  NCAA D1) em 2003, foram os pioneiros e mostraram  aos jogadores nacionais que existia, cruzando o oceano , um mundo novo chamado NCAA .

2 março
Pena foi que tivéssemos nessa altura perdido a oportunidade de enviar também o gigante Armando Mota (2.10m) que certamente teria feito uma carreira bem diferente no basquetebol nacional

As  anteriores experiências foram bem sucedidas  e seria  suposto que, depois destes atletas terem aberto o caminho, outros fizessem a sua formação académica e desportiva na gigantesca competição norte-americana. Infelizmente, tal não se sucedeu. Os nossos jovens talentos optaram por ficar em casa: uns no CAR, outros a disputarem um campeonato sem o mínimo de interesse de Sub-20 e alguns a jogarem alguns minutos nas divisões seniores  inferiores .

Não se entende a opção, já que todos  sabemos que entre nós, é muito complicado estudar numa Universidade e participar  num  desporto de elite mais ou menos profissional .

Por outro lado, ao  contrário dos nossos vizinhos espanhóis nunca conseguimos criar competições secundárias de qualidade. As agora denominadas Ligas de Ouro e Ligas de Prata permitiram aos espanhóis mais jovens competirem de forma ativa .

Em Portugal, as  competições criadas primam pelo amadorismo o que traz  consequências nefastas para a modalidade.Continuamos com o escalão de Sub-20 que não faz qualquer sentido. O  nível formativo nos clubes é baixo e os resultados dos CARs não são visíveis . Não conseguimos formar jogadores de elite . Na atualidade os melhores continuam a ser os “trintões”  (João Santos, Marçal, Minhava e companhia).

Nesta  altura de crise, aparece como uma  boa alternativa para os nossos atletas: a NCAA, uma prova que respeita e consegue a compatibilidade entre os estudos e o desporto.

O pior que pode acontecer a um jogador que passe pelo basquetebol universitário é que  fique durante quatro anos e, mesmo que não tenha sucesso no basquetebol, consiga acabar uma carreira universitária e tenha um diploma que lhe possibilite entrar no mercado de trabalho

Na atualidade, a realidade nacional no setor masculino continua bastante conservadora, ao contrário do setor feminino onde se assiste a uma fuga maciça de talentos .

Quanto a atletas nacionais a jogarem presentemente nos Estados Unidos, conseguimos localizar os seguintes:

Daniel Relvão Mountain Mission High School
Ruben Silva South Dakota State NCAA D1
Óscar Pedroso Chaminade NCAA D2
Cândido Sá San Jacinto College Central NJCAA
Luís Câmara 22FT Academy Prep School
Gonçalo Stringfellow Northwood University (FL) Junior Varsity Team/NAIA
Tiago  Mascarenhas IMG Academy High School

 

O facto dos nossos escalões de formação  não conseguirem bons resultados nas competições da FIBA e, obviamente,  não  disputarem a Divisão A de nenhum Campeonato Europeu, é demonstrativo do nível do basquetebol masculino e também impede que os “scourters“ das Universidades avaliem os atletas.

Gigante de Coimbra vive sonho americano

3 março
Daniel Relvão, a maior esperança do basquetebol nacional, atua nos EUA

O jovem  gigante Daniel Relvão, 2.08 m , a atuar  na  Mountain Mission,  High School, nos EUA , é o atleta em que se deposita maior esperança no basquetebol nacional. Com pouco tempo de prática – 2 anos apenas – o jovem de Coimbra, que anteriormente praticava natação, tem tido uma evolução acelerada e é hoje figura de destaque na competição escolar local .

Internacional Sub 18 , Divisão B, o extremo-poste alinhou no  passado Verão em representação de Portugal em todos os nove encontros com médias de 8.2 pontos,  5.2 ressaltos e 3 desarmes de lançamento.

O jovem está referenciado no  High School , ocupando o lugar 385 no ranking do site 247 Sports , com direito a duas estrelas.

4 março

A posição é modesta mas já lhe garantiu uma bolsa de estudo para a época de 2015-16, em Valparaíso. É o primeiro atleta de Mountaineers Mission a receber  tal distinção da 1 Divisão  da NCAA.

As opiniões dos Scouters e o filme não enganam :

Relvão tem  um bom lançamento e domina alguns dos fundamentos do jogo, mas necessita de ser mais agressivo, o que acontecerá quando ficar mais familiarizado com o seu corpo e quando ganhar mais experiência. Vai ter de  trabalhar muito para melhorar a  compreensão do jogo e a tomada de decisões. Na defesa é preguiçoso e toma opções erradas. Ganha bem posições interiores mas tem de melhorar o jogo a poste baixo. Com apenas uma época nos Estados Unidos tem feito grandes progressos. Tem boa mobilidade e sabe jogar com as duas mãos.

Parece bem encaminhada a aventura americana deste jovem português, que começa claramente a justificar o convite para ingressar nas competições escolares, feito pelos responsáveis da NBA, aquando da realização em Almada, no passado verão, do “Basketball Without Borders” e a merecer a atenção do selecionador nacional.

FC Porto 3-0 Sporting: Santa Aliança perfeita

eternamocidade

Depois de um jogo destes – em que é por demais evidente o destaque de Cristian Tello, que fez os três golos -, o mais fácil seria dar todos os louvores da vitória portista ao extremo espanhol. Contudo, e como tive o prazer de assistir ao clássico desta noite em pleno Estádio do Dragão, permita-me, caro leitor, que destaque uma exibição que para mim foi maior do que todas as outras – falo de Jackson Martinez. As assistências para os dois primeiros golos portistas poderiam ser motivo suficiente para este destaque ao avançado colombiano; mas, mais do que esses dois momentos, a exibição de Jackson teve diversos momentos de luxo que nos fazem perceber o porquê de ser atualmente um dos melhores avançados do futebol europeu.

Mas vamos por partes: o jogo desta noite era completamente determinante para FC Porto e Sporting. Por um lado, tínhamos uma equipa portista que havia visto, na véspera, o Benfica “despachar” o Estoril Praia com um cabaz dos antigas. Por essa razão, e para manter intactas as esperanças em ainda chegar ao título, a vitória era o único resultado possível para a equipa de Lopetegui. Do lado leonino – e depois de uma eliminação precoce da Liga Europa, frente ao Wolfsburgo -, o jogo desta noite podia funcionar como um verdadeiro catalisador para que a época sportinguista tivesse ainda motivos para sorrir esta época. Por isso, não foi de estranhar, ao contrário do que já se viu noutros clássicos esta temporada, a postura ofensiva de ambas as equipas. A primeira meia hora da partida foi um verdadeiro “jogo de sombras” no meio campo, com o Sporting a levar a melhor nos primeiros duelos nessa zona do terreno. Durante os primeiros 30 minutos, William, Adrien Silva e João Mário foram conseguindo superiorizar-se ao trio portista composto por Casemiro, Herrera e Evandro, que tiveram inúmeras dificuldades para construir jogo ofensivo.

Nesse primeiro terço da partida, apenas dois remates perigosos de Jackson e Herrera foram as exceções ao duelo tático que FC Porto e Sporting protagonizam. Contudo, e como acontece frequentemente em clássicos, um momento de génio fez pender de forma decisiva os pratos da balança. Com uma disputa de bola ganha por Herrera no meio campo, um domínio de peito e um passe de calcanhar de Jackson Martinez que permitiu isolar Cristian Tello, o FC Porto conseguiu chegar à vantagem no marcador. O golo do extremo espanhol acabou por alterar de forma decisiva a partida, levando a que o jogo se tenha tornado mais intenso e agitado. A vantagem no marcador fez o FC Porto crescer na partida até ao final do primeiro tempo – aproximando-se diversas vezes com perigo da baliza de Rui Patrício -, sendo que o Sporting acabou por acusar bastante o golo sofrido, nunca conseguindo reagir à desvantagem.

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Uma noite para Tello jamais esquecer
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

A segunda parte começou como havia terminado a primeira: com o FC Porto completamente por cima do Sporting. A equipa de Marco Silva entrou completamente irreconhecível, com os setores muito afastados entre si e com o trio ofensivo sem bola e sem ideias para criar perigo junto da baliza de Fabiano Freitas. Ao contrário do que havia acontecido no primeiro tempo, em que a equipa de Lopetegui havia entrado apática, o segundo tempo portista foi de uma classe como há já algum tempo não se via no Estádio do Dragão. Por isso, não foi de estranhar o acumular de situações perigosas junto da baliza de Rui Patrício, que acabou por ser o menor culpado do completo desacerto defensivo da equipa leonina.

O segundo golo portista acabou por surgir com toda a naturalidade e com um desenho em tudo semelhante ao do primeiro tento azul e branco. Após ter feito o passe que isolou o extremo espanhol no lance do primeiro golo, a aliança Jackson/Tello voltou a funcionar de forma perfeita, com o colombiano a fazer um passe que rasgou a defesa leonina e que permitiu a Tello voltar a encarar Rui Patrício. Tal como havia acontecido no primeiro tempo, o espanhol ganhou o duelo ao português e o FC Porto dava assim a estocada decisiva no clássico.

O 2-0 foi um duro golpe para o Sporting, até porque, quando o golo surgiu, Marco Silva preparava-se para lançar Slimani e Capel no jogo. As substituições mantiveram-se mas o objetivo que se pretendia com as mesmas não foi conseguido. Do lado portista, a entrada de Quaresma para o lugar de Brahimi deu estabilidade ao jogo ofensivo dos dragões, que nunca mais deixaram de controlar a partida a seu bel-prazer. Com a gestão do resultado, o FC Porto foi conseguindo estar cada vez mais à vontade no clássico. Com Herrera e Evandro a secarem completamente o meio campo sportinguista e com Jackson Martinez a banalizar os centrais sportinguistas, a última meia hora portista teve rasgos de génio que, somente por mera infelicidade e eficácia, não levaram a um resultado completamente histórico esta noite.

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O Dragão engalanou-se para assistir um clássico português
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Ainda assim, no meio do domínio portista, ainda houve tempo para que Tello escrevesse o seu terceiro capítulo dourado neste jogo. Desta vez, o passe não foi de Jackson, mas sim de Herrera. Contudo, o resultado foi o mesmo: Tello isolado perante um desemparado Patrício que se limitou a ir buscar a bola pela terceira vez ao fundo das suas redes.

Numa noite em que Tello e Jackson foram as figuras maiores do clássico, o FC Porto conseguiu um resultado importantíssimo para a sua luta pelo título. Faltam 11 batalhas e só com a atitude desta noite será possível sonhar até ao último minuto deste campeonato. O futuro não será fácil mas, pelo que se viu neste clássico, penso que é óbvio que os adeptos portistas saíram do Dragão com confiança reforçada no futuro desta equipa. Uma equipa que tem crescido de forma sustentada e que se apresenta na fase decisiva da época no seu melhor momento. Agora, resta continuar a mostrar isso em campo. Só assim poderemos sonhar.

 

A Figura
Jackson/Tello – A santa aliança entre colombiano e espanhol decidiu o clássico. Relativamente ao avançado colombiano, a assistência para o primeiro golo portista é um momento de génio só possível pela capacidade enorme de Jackson e que ilustra bem o momento que o ponta de lança portista vive. Para Tello, este clássico foi um verdadeiro jogo de sonho, com o hat-trick a Rui Patrício a ser decisivo para a vitória portista.

O Fora-de-Jogo
Montero – A nacionalidade até é a mesma de Jackson Martinez, mas a exibição de Montero foi uma completa nulidade comparativamente à do seu adversário de setor. O avançado leonino nunca conseguiu criar perigo para a defesa contrária e não foi de estranhar ter sido substituído por Slimani. Exibição medíocre do colombiano.

Foto de capa: Página de Facebook de Tello

FC Porto 3-0 Sporting: Quando se deixa a ideia de jogo, deixa-se tudo

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O Sporting de Marco Silva ainda não tinha perdido qualquer clássico. Empatou por duas vezes com o Benfica, sendo que numa merecia claramente a vitória, também empatou em Alvalade com o Porto e ganhou no Dragão, a contar para a Taça de Portugal. Hoje perdeu e muitíssimo bem. Por um lado, porque o Porto é hoje melhor equipa do que era quando defrontou os leões nas duas vezes anteriores, mas sobretudo porque o Sporting se descaracterizou em relação àquilo que havia sido até aqui. Uma comparação feita com o encontro a contar para a Taça é perfeitamente elucidativa.

Nesse jogo, a equipa leonina apresentou-se pressionante como foi sempre, principalmente na primeira volta. Hoje, esperou pelo erro, que nos primeiros 10/15 minutos até apareceu algumas vezes. Foi, aliás, a única altura em que o Sporting pareceu melhor do que o seu rival. Mas sempre mais por demérito da equipa da casa do que por mérito do visitante. Ao não pressionar alto, o Sporting deixa de explorar a maior fragilidade do Porto: a (in)capacidade de sair desde trás, devido à falta de qualidade para tal dos seus centrais e do seu trinco (Casemiro). Lopetegui terá agradecido. Seria curioso entender se Marco Silva assim optou devido ao maior desgaste do jogo de quinta-feira ou se por entender realmente que este seria o melhor caminho.

A partir do ponto em que o Sporting abdica da pressão sujeita-se automaticamente a passar a maior parte do tempo sem bola porque o Porto é um conjunto que privilegia a posse e, se não for forçado a isso, não divide o controlo do jogo com o seu adversário. Aí, ao ter pouca bola, a equipa de Marco Silva joga o único jogo que faz com que a defesa do Porto pareça muito boa. A linha defensiva de Lopetegui não cometeu erros porque não defendeu muito. Mais uma vez, o Sporting optou mal na abordagem ao jogo. E esta opção é ainda mais grave porque vai contra o que a equipa tem sido ao longo do ano. Montero, por exemplo, é menos um num jogo em que a equipa tem pouca bola. O colombiano é um belíssimo jogador mas só num contexto de ataque continuado em que a sua participação seja solicitada o mais possível. Assim, zero.

Pelo contrário, o Porto teve o mérito de saber pressionar, reagir bem à perda e manter a sua ideia de jogo durante os 90′, seja qual fosse a situação do jogo. Aqui, o maior problema ofensivo da equipa: estancando William com uma marcação mais próxima, Adrien é perfeitamente incapaz de se mostrar como uma opção para a saída desde trás. O médio luso-francês faz, aliás, uma das piores exibições individuais de que há memória nesta época. Na primeira parte, faz uma acção individual com sucesso. Em todas as outras esteve mal. To-das. E se no primeiro tempo Tobias Figueiredo foi mostrando personalidade de central de equipa grande, ao sair a jogar várias vezes com qualidade quando pressionado, no segundo, com o nervosismo de alguns erros, essa saída tornou-se inviável e mais nenhuma apareceu. Não deixa de ser revelador que um central de 20 anos seja o principal responsável pela primeira saída de jogo de uma equipa como o Sporting no Estádio do Dragão. A propósito, sobre esta insistência do jovem central a sair a jogar sem procurar o despejo da bola longa sem critério, um vídeo de Thierry Henry e Carragher a discutir este mesmo assunto, mas com outro interveniente. Para mim, Tobias tem o primeiro requisito para ser central de equipa grande. Pensa como tal.

De resto, o Porto fez o Sporting sofrer naquele que continua a ser o seu ponto mais fraco – o controlo da profundidade. Já há uns tempos escrevi sobre isso. O que mudou entre Novembro e o dia de hoje foi que a equipa deixou de defender tão alto e passou a haver menos profundidade para cobrir. Mas quando há continua a cobrir-se muito mal. Lopetegui, talvez consciente disso mesmo, fez Jackson recuar mais do que o normal e atraiu assim a defesa leonina para terrenos mais altos, que depois proporcionassem à velocidade e verticalidade de Tello o espaço necessário para marcar. Se era essa a ideia, e parece-me que sim, resultou em cheio.

O treinador espanhol mantém-se assim na luta pelo título e ao Sporting restará apenas segurar o 3º lugar e procurar vencer a Taça de Portugal.

A Figura

Jackson Martínez – Bem sei que Tello faz três golos, mas Jackson é quem desbloqueia todo o encontro. Fantástico como consegue ser um ponta-de-lança fixo e um avançado móvel assim necessite o contexto. A primeira assistência é magistral e a segunda não deixa de ser muito boa. Hoje, o melhor jogador a actuar em Portugal.

O Fora de Jogo 

Estratégia de Marco Silva – O Sporting, em Guimarães, já tinha passado um dia muito mau. Acontece a todas as equipas. Mas hoje, pela primeira vez, esqueceu aquilo que tem sido o seu fio condutor e o modelo por que se tem regido. E quando assim é… não sobra nada.

Foto de Capa: FPF