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Sporting 0–1 Chelsea: Neste duelo de leões, venceu a experiência

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A Liga dos Campeões voltou a Alvalade num jogo em que, apesar de muito esforço e vontade, a vitória não fugiu ao Chelsea de Mourinho. Patrício fez das melhores exibições da carreira, a dupla de centrais voltou a falhar e o ataque não chegou para assustar a sério Courtois.

A primeira parte começou com Diego Costa isolado frente ao guardião leonino, que com a perna esquerda evitou o golo madrugador dos blues. À passagem dos vinte minutos, primeira oportunidade de golo para o Sporting: Slimani no meio dos centrais, após cruzamento na esquerda, cabeceia fraco para defesa do número 13 do Chelsea.

Nesta fase do encontro, os leões acusavam claramente a pressão, falhando passes fáceis, batendo bolas longas na frente e não conseguindo acertar a marcação a Diego Costa, Schürrle e Hazard. Na frente, Nani tentava mostrar serviço, mas nem sempre decidiu da melhor forma, moendo muito o jogo e não libertando a bola no melhor momento.

Aos 34 minutos, e após um livre duvidoso do lado direito da defesa do Sporting, Matic surgiu ao segundo poste para fazer  o único golo da partida. O médio fugiu à marcação de Jonathan Silva e cabeceou com a bola a passar por cima do guarda-redes da selecção nacional. Até ao final do primeiro tempo, o Chelsea recuou um pouco as linhas mas o Sporting não criou mais nenhuma oportunidade perigosa para a baliza londrina, chegando assim o intervalo com vantagem merecida para os comandados de Mourinho.

A segunda parte trouxe um Sporting mais solto, com Nani mais interventivo mas com os mesmos calafrios defensivos. Foi o próprio Nani que, aos 52 minutos, foi travado em falta mesmo em cima da linha da área; o árbitro disse que não houve nada, perdoando uma falta perigosa e o cartão a Filipe Luís. No minuto seguinte, foi Óscar quem desperdiçou na cara de Patrício; o jogador brasileiro correu sozinho desde o meio-campo, com a defensiva leonina parada à espera do fora-de-jogo, mas o número 1 do Sporting evitou o segundo golo e manteve os leões na discussão do resultado.

O Sporting vivia a melhor fase no encontro. João Mário encontrou Nani solto na esquerda, que, à saída de Courtois atirou às malhas laterais, e logo a seguir foi Carrillo que foi apenas parado em falta por Ivanovic, numa altura em que seguia com muito perigo para a baliza inglesa.

A criatividade de João Mário e a velocidade de Carrillo e Nani criavam dificuldades nas laterais, mas a bola raramente chegava redonda a Slimani que, nesta altura, pouco mais era do que um espectador da partida. Ainda assim, o argelino combinou algumas vezes com os médios do Sporting, mas nunca conseguindo rematar à baliza com perigo.

À passagem da hora de jogo Maurício lesionou-se num choque com Diego Costa e acabou por dar lugar a Paulo Oliveira, que veio dar uma maior tranquilidade do que aquela que Maurício vinha a conseguir mostrar. O  jogou tornou-se um pouco mais quezilento, com muitas faltas e quatro amarelos, dois para cada lado, não havendo nesta altura grandes oportunidades de golo.

Foi já perto do fim da partida, mais concretamente aos oitenta minutos, que Marco Silva decidiu arriscar um pouco mais, trocando Carrillo por Capel e colocando Montero no lugar de Adrien, jogando com o colombiano mais perto de Slimani. Os londrinos voltam a criar perigo numa jogada em que Costa se isolou mas Patrício, de novo ele, saiu-se aos pés do jogador hispano-brasileiro do Chelsea e cortou a bola para fora.

O Sporting não acusou o golpe e Nani passou por dois defesas contrários e rematou em arco, com a bola a passar a centímetros da baliza blue. Pouco depois foi Montero que cabeceou com muito perigo às malhas laterais. Até ao final do jogo apenas o Chelsea voltou a criar perigo, com Salah a rematar na cara de Patrício, mas o guardião português evitou com mais uma grande defesa o golo do egípcio.

A Figura:

Rui Patrício – Já tinha sido um dos elementos em evidência no jogo de sexta-feira frente ao Porto, mas hoje o guardião de Marrazes teve uma das suas melhores noites. Grandes defesas, saídas corajosas e muita segurança.

O Fora de Jogo:

Os centrais do Sporting – Não existe equipa que consiga lutar por uma qualificação para os oitavos-de-final da Champions com uma fragilidade tão gritante. Não há comunicação, há falhas de marcações gritantes e uma lentidão imensa. Foram incontáveis as vezes que os atacantes do Chelsea apareceram isolados, ficando Maurício e Sarr a pedir o (inexistente) fora-de-jogo.

Shakthar Donetsk 2-2 FC Porto: Complicar o descomplicado

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Na segunda jornada da Liga dos Campeões, o FC Porto deslocou-se a Lviv para defrontar o Shakthar Donetsk com a única certeza desta época: não há dois onzes iguais. Depois da exibição fraquíssima em Alvalade, foi com naturalidade que Quaresma ficou de fora da convocatória para o jogo na Ucrânia. Mas essa não foi a única novidade da equipa portista.

A entrada na equipa titular de Maicon (após expulsão frente ao Boavista), Óliver e Tello e a mudança de funções de Marcano para médio defensivo faziam antever um FC Porto com uma abordagem diferente em relação ao último jogo.

Após 5 minutos inicias de equilíbrio, o Shakthar instalou-se no meio-campo do Porto, impedindo a transição em posse de bola por parte da equipa portista, mais uma vez confirmando-se a tendência para a dificuldade de circulação de bola na zona do meio-campo. Marcano deu musculo e segurança defensiva mas a ligação entre os laterais e os médios, e destes com os extremos, foi muitas vezes deficiente. Óliver jogou mais adiantado no terreno e a bola passou quase sempre por Herrera – e aqui começaram os problemas do Porto. O mexicano é bem dotado tecnicamente mas teima em acumular erros durante os jogos – tanto faz um drible fantástico e um passe a rasgar como no minuto a seguir perde a bola de forma infantil ou faz um passe disparatado. Esta inconstância, a juntar ao facto de não ser suficientemente possante para se assumir como o box-to-box que a equipa precisa, faz com que os dragões mastiguem muito o jogo na sua zona defensiva. Outro pecado portista é o espaço que há entre os médios e os extremos – a bola chega poucas vezes aos alas e só quando isso acontece é que há alguma velocidade e fantasia no jogo. Lopetegui tenta minimizar este espaço obrigando os médios a fazer par com os extremos (quando há mudança de lado por parte dos extremos tambem os médios mudam de lado) mas parece não ser suficiente, até porque Brahimi e Tello nem sempre recuam o suficiente no terreno para tarefas defensivas.

Mesmo com estes (grandes) pormenores o Porto é uma equipa superior ao Shakthar Donetsk e foi com naturalidade que acabou a primeira parte com ligeiro ascendente sobre os ucranianos. Bastou que para isso os adversários abrandassem o ímpeto.

A exibição de Óliver ficou marcada por um erro infantil  Fonte: UEFA
A exibição de Óliver ficou marcada por um erro infantil
Fonte: UEFA

Na segunda metade do jogo, os dragões demonstraram vontade de comandar o jogo mas mais uma vez houve uma irresponsabilidade que caiu como um balde de água fria nas intensões portistas. Desde a entrada imprudente de Maicon frente ao Boavista até ao passe irresponsável de Ruben Neves frente aos Leões, desta vez a fava saiu a Óliver, que não aguentou a pressão do adversário após um drible infantil em zona proíbida. A época ainda agora começou mas os erros portistas acumulam-se, são constantes e tremendamente parecidos jogo após jogo. Como equipa jovem e fantasista que é, há muitas vezes a tendência de complicar e de facilitar na altura de recepção de bola ou de fazer passes transversais em zonas sensíveis.

Restava então correr atrás do resultado e foi isso que o Porto fez. Instalou-se no meio-campo ucraniano e, com mais coração do que cabeça, foi empurrando o Shakthar, que só através do contra-ataque tentava incomodar os portistas. O miolo do meio-campo portista não resolvia bem, Tello e Brahimi insistiam em jogadas individuas inócuas, Aboubakar queria mostrar serviço mas a falta de entrosamento com os companheiros era demaisado visivel para que conseguisse criar perigo e Lopetegui viu-se obrigado a mexer na equipa. Saiu Aboubakar e Brahimi, entraram Quintero e Jackson. A diferença fez-se sentir – Quintero é um número 10 puro, de toque curto e rápido, rasga a defesa adversária e é atrevido; já Jackson conseguiu guardar a bola e fazer de pivô, distribuindo o jogo e dando seguimento às jogadas que se iam construindo.

A jogar no meio-campo, Marcano rubricou uma exibição consistente  Fonte: UEFA
A jogar no meio-campo, Marcano rubricou uma exibição consistente
Fonte: UEFA

Mas mais uma vez, quando parecia que o F. C. Porto estava perto do empate, num contra-ataque e após uma má recepção de Maicon, o Shakthar marcou o segundo golo, ditando o que parecia ser a sentença do jogo. E só não ficou sentenciado porque o Porto de Lopetegui não desiste e, mesmo atabalhoadamente, vai sempre tentando o golo. Num lance pela extrema esquerda surgiu uma mão na bola (mais uma, já tinha havido um lance deste género na primeira parte) e desta vez Jackson converteu o golo, fazendo o 2-1 aos 88’. Com 4 minutos de compensação ainda havia tempo para mais um e eis que surgiu Tello, que tantas vezes decide mal apesar do seu talento, em mais uma jogada pela esquerda concluída com uma boa antecipação de Jackson. Estava feita alguma justiça no jogo. O empate aceita-se mas fica a sensação de que o Porto podia ter vindo de Lviv com os 3 pontos. Este Porto é a melhor equipa do grupo mas é ainda muito irresponsável para fazer frente aos tubarões europeus. Ver-se-á como a equipa irá crescer nos próximos meses.

 

A Figura

Jackson Martinez – marcou 2 golos e deu cabimento aos lances de ataque. Pode não ser um matador mas é sem dúvida um avançado de grandes valias técnicas.

O Fora-de-jogo

Óliver Torres – depois do erro infantil que cometeu, comprometeu a equipa e podia ter deitado tudo a perder. Tem um talento enorme mas, claro, tem erros que são frutos da idade e irreverência.

Casava-me já com o teu pé esquerdo…

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Terceiro Anel

Daqui te fala João Miguel Henriques Rodrigues, rapaz gaeirense de 25 anos, doente pelo Sport Lisboa e Benfica. Mas acima de tudo, e neste início de Outono, tenho notado que estou apaixonado por ti, pé esquerdo do Nico Gaitán. E isso porque tu és inigualável, perfeito, o pé mais eficaz deste país à beira-mar plantado. Não vivo sem ti, todos os fins-de-semana fico embasbacado a contemplar-te, em cada fim-de-semana dás-me alegrias. Qual é mesmo o teu segredo?

Chegaste até nós no Verão de 2010, vindo de Buenos Aires, e já vinhas rotulado de craque. Porém, e apesar das tuas inegáveis potencialidades, não te afirmaste de imediato. Aliás, durante muito tempo até pairou a ideia de que tu, pé esquerdo de sonho, apenas funcionavas da forma devida nas provas europeias, quiçá porque querias emigrar, ir para mais altos voos, ser visto por mais gente. Contudo, a páginas tantas, penso que o teu “dono” começou a perceber a dimensão do Benfica, o seu nível estratosférico, a forma como o clube arrasta multidões até num beco de Kinshasa. É muita responsabilidade, não é? Sim, é muita responsabilidade! Mas tu, pé esquerdo que tem de ser protegido a todo o custo, não tens desiludido. Bem pelo contrário! É remates, é passes, é fintas…ufa! Como é que consegues? Assume, vá! Tens olhos? Tens mais do que cinco dedos? Tens poderes especiais?

Minha Nossa Senhora, pé dos deuses!  Fonte: bleacherreport.com
Minha Nossa Senhora, pé dos deuses!
Fonte: bleacherreport.com

Ainda no passado sábado eu me deleitei completamente ao ver-te em acção, meu pé esquerdo adorado. Fazes sorrir milhões, fazes chorar os adeptos adversários, levas-me à loucura. Tu és uma colher, uma máquina de teletransporte, tu tens algum comando aí introduzido, eu sei lá. Desde o Pablo Aimar que eu não me sentia assim! E isso não tem preço, meu pé esquerdo arrasador. Peço-te, quase que te exijo: apenas tens ordens para passar pelo Aeroporto da Portela aquando de jogos do Benfica fora do país. Não vais para outros clubes! Ainda bem que não foste para o Mónaco neste último defeso! Diz-me, o que ias para lá fazer? Era para o teu “dono” ganhar mais ao fim do mês? Lá terias uma massa adepta mínima para te elogiar, lá não há emoção, lá tudo soa a artificial. Aqui não! Aqui tens os olhos todos em cima de ti, és um pé famoso a toda a escala, tens aqui um rapaz demente a dedicar-te um artigo.

Por isso, e como o casamento é para a vida (pronto, eu sei que cada vez há mais divórcios), peço-te: queres casar comigo, pé esquerdo do Nico? Ficas cá comigo, continuas a deixar-me pasmado em frente ao televisor, terás sempre o meu amor incondicional. Porque tu és do melhor que há no meu clube, e quem faz bem ao meu clube…faz-me bem a mim.

Sem compromisso, espero por uma resposta tua. Sem qualquer tipo de pressão. Mas para terminar, um último pedido: arrasa em Leverkusen, aterroriza o conjunto alemão. Enquanto isso, eu vou comprando as alianças…

Bayer Leverkusen: Atacar é a palavra de ordem!

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bundesliga

O Bayer encontra-se no terceiro lugar da tabela classificativa e os resultados têm sido um tanto ou quanto irregulares. A equipa ainda se está a encontrar e o futebol dos farmacêuticos vai sendo dividido entre massacres ofensivos e golos sofridos em catadupa. As estatísticas não enganam e demonstram que existem processos a necessitar de um maior entrosamento e rotinas.

A equipa é o reflexo do seu treinador. Roger Schmidt é o comandante do navio e um nome que ficou na memória de todos, devido à grande época à frente do Red Bull Salzburg. Os austríacos mostraram um futebol de processos simples e rápidos mas a principal característica era a pressão supersónica que exerciam em toda a largura do terreno.

Os alemães jogam, por norma, num 4x2x3x1 e, na Luz, o onze não deverá fugir àquele que tem sido apresentado no campeonato interno. Leno, jovem de vinte e dois anos com enorme potencial, será o guarda-redes. Na direita teremos uma das surpresas da equipa, Jedvaj – o jogador checo de dezoito anos emprestado pela Roma, que preferencialmente actua no centro da defesa, vai-se destacando na lateral e já marcou dois golos. No centro teremos Spahic, experiente central bósnio, que certamente será acompanhado por Ömer Toprak. À esquerda é o assertivo Boesnich que terá a responsabilidade de marcar Salvio.

À frente da defesa deverá estar o capitão Lars Bender, o homem mais defensivo do meio-campo e o principal recuperador de bolas. A seu lado, perfazendo um duplo pivot, Reinartz ou Castro deverão assumir a titularidade. Continuamos a subir no campo e encontramos os fantasistas da equipa. Son e Bellarabi jogam a extremos e são os principais municiadores do ataque. O coreano é um virtuoso e junta uma capacidade técnica assinalável ao faro pelo golo; o alemão, que regressou de empréstimo, parece ter refinado as suas melhores qualidades e é neste momento o atleta com mais assistências e golos.

Lars Bender é o esteio do meio-campo do Leverkusen  Fonte: bundesliga.com
Lars Bender é o esteio do meio-campo do Leverkusen
Fonte: bundesliga.com

Hakan Çalhanoğlu joga nas costas do avançado e é o jogador a ter mais em conta desta equipa. O jovem turco, que se destacou na última época ao serviço do Hamburgo, é um exímio marcador de bolas paradas e destaca-se também ao nível do passe e remate. Isolado na frente joga o goleador de serviço Stefan Kiessling. O ponta-de-lança será uma dor de cabeça para Luisão e Jardel, pois é um jogador que desgasta bastante a defesa adversária com as suas investidas.

A juventude impõe-se neste conjunto e Schmidt conseguiu implementar uma mentalidade vencedora, à imagem do que tinha feito na Áustria. Os encarnados terão de aproveitar as debilidades defensivas do Leverkusen. A equipa ainda não está devidamente familiarizada com o estilo de jogo e a pressão de que falei acima deixa-a demasiado exposta a transições rápidas, algo que o Benfica deve tentar aproveitar da melhor forma.

Jorge Jesus sabe da importância deste jogo e terá tomado todas as cautelas. O primeiro encontro europeu não correu como era suposto e este jogo assume preponderância na continuidade dos encarnados na mais importante competição do Velho Continente. Schmidt também não pode falhar pois vacilou frente ao Mónaco. O duelo promete e o futebol ofensivo das duas equipas proporcionará certamente um fantástico espectáculo.

Sensacional Southampton II – O Gestor de Crises

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O conceito de “gestão de crise” tem surgido muito nos meios de comunicação social desde que “estoirou” a grande crise financeira de 2008. Segundo os livros, é algo que visa a redução de prejuízos ou situações que prejudiquem o normal processo de tomada de decisões de uma determinada organização provocado por uma circunstância anormal e inesperada no seu meio (interno ou externo). Para que a gestão de crise seja bem sucedida, dizem os mesmos livros, deve seguir-se um plano assente em cinco pontos: cálculo do risco; diagnóstico de ameaças; reinvenção dos processos; a forma de implementação dos mesmos; manutenção.

Todo este conjunto de medidas levar-nos-à, supostamente, a conseguir, no curto prazo, devolver a normalidade à vida da organização… ou da nossa. Sim, porque o conceito de gestão de crise não precisa de ser estudado por um chefe de família ou por um estudante sem dinheiro para ser posto em prática. Cada um de nós pode gerir as suas crises seguindo aquele ou outro método, e ser bem sucedido. E há exemplos em todo o mundo, desde desempregados que reinventam a sua vida com investimentos que lhe dão um futuro sustentável, passando por marcas que caem na penumbra e se levantam… a treinadores que se vêem, de repente, sem as referências com que contavam para a época e não vêem entrar substitutos à altura das perdas. Como Ronald Koeman. Mas já lá vamos.

O Southampton do ano passado foi uma das surpresas da Premier League, jogando um futebol competitivo, pressionante na primeira zona de construção contrária, exercida por avançados extremamente “chatos” (Jay Rodríguez e Lallanna eram importantes neste processo, mas Rickie Lambert era o que mais se destacava) que eram uma autêntica barreira anti-jogadas de perigo [conforme, aliás, mencionara anteriormente] e que esteve na génese da boa campanha de uma equipa que, para além dos seus avançados, contava com jogadores competentes nas suas zonas mais recuadas, como Schneiderlin e Jack Corck no meio campo e José Fonte, Lovren, Shaw e Clyne na defesa. Um conjunto liderado por um treinador idolatrado pelos adeptos, o argentino Mauricio Pochettino .

Do onze mencionado, apenas três jogadores ainda militam na equipa principal. De resto, saiu tudo por preços, claro, avolumados. Os tubarões do mercado atacaram ferozmente os Saints, que ainda viram “fugir” o seu líder, Maurício Pochettino.

A manuenteção de Morgan Schneiderlin foi fundamental para o fantástico início de época do Southampton  Fonte: BBC / Getty Images
A manuenteção de Schneiderlin foi fundamental para o fantástico início de época do Southampton
Fonte: BBC / Getty Images

Entrou Ronald Koeman, e perante a indefinição do plantel que acompanhou o defeso (e que até levou a manifestações de desagrado por parte do holandês), soube reinventar Wanyama, dando-lhe um papel de maior destaque do que aquele que tinha no ano passado, reforçou os poderes do capitão José Fonte enquanto líder do balneário e ainda convenceu Clyne e Schneiderlin a ficar no clube perante tanto assédio.

Os reforços foram chegando a conta-gotas, mas chegaram. Alderweireld e Bertrand (por empréstimo) reforçaram a defesa, e o ataque foi reinventado por Mané, Tadic e o goleador Graziano Pellè.

Seria de esperar que as ideias do holandês fossem sendo lentamente apreendidas pelos seus novos pupilos e que os resultados apresentados fossem mais “normais” que os da época anterior. Afinal, renovava-se uma zona (ataque) que havia sido fundamental para todo o processo de jogo do Southampton… mas Koeman acabou por ser paciente e avançou com as suas ideias (reinvenção de processos), mesmo tendo a noção de que seria arriscado trabalhá-las com poucos jogadores (cálculo do risco) e que teria de enfrentar a impaciência e pessimismo dos adeptos enquanto não surgissem novos jogadores e lidar com o cepticismo de uma equipa que via partir muitas das suas referências (diagnóstico de ameaças), mas foi avante com o plano inicialmente traçado, criando união entre os “resistentes”, como José Fonte ou o próprio Schneiderlin, de forma a que quem quer que entrasse tivesse a noção da importância da celeridade de assimilação de processos de jogo (forma de implementação de processos), para que fosse possível criar uma identidade (manutenção).

Koeman foi um autêntico gestor de crise. Colocou a equipa a pressionar mais atrás (até porque Pellè, por exemplo, é um jogador de referência na àrea, e não tanto um avançado móvel), “encolhendo” o 4x3x3 em 4x5x1 quando não está em posse, para que Tadic e Mané sejam um auxílio a um trio incansável composto por Steven Davis, Schneiderlin e Wanyama. Os dois, principalmente, saem a jogar com critério e qualidade sem comprometer o equilíbrio da equipa, defendendo com a mesma eficácia, o que torna mais fácil a tarefa das linhas recuada e avançada. Paradoxalmente, o recuo de linhas que Koeman trouxe ao jogo do Southampton dá menos problemas para a defesa solucionar e mais bola ao ataque.

A “reinvenção” de Victor Wanyama foi outro dos trunfos jogados por Koeman  Fonte: Daily Mail
A “reinvenção” de Victor Wanyama foi outro dos trunfos jogados por Koeman
Fonte: Daily Mail

O sucesso desta “fórmula” já tinha começado a aparecer contra o Liverpool, no primeiro jogo oficial [também mencionado anteriormente], mas ficaram ainda mais evidentes com o desenrolar do início do campeonato, e, após uma série de 5 jogos sem perder, com quatro vitórias consecutivas (entre elas um 4-0 ao Newcastle), a equipa está agora no 2.º lugar da Premier League com 13 pontos somados (em 18 possíveis), apenas atrás do todo-poderoso Chelsea e à frente de equipas como Manchester City, Manchester United, Arsenal ou Liverpool, que ou não sofreram revoluções tão violentas no aspecto desportivo… ou tiveram dinheiro para as suportar.

Caso Schneiderlin e Wanyama aguentem um campeonato inteiro com esta intensidade (algo que não seria de descurar, pois o plantel pediu para se treinar em dia de folga… e quem corre por gosto, não cansa) ou seja encontrada uma solução para um possível desgaste de ambos ou de um dos dois, temos, muito provavelmente, um candidato à Europa em perspectiva e a continuação de um filme que parecia não ter sequela (após a época fantástica da equipa).

Há coisas que nunca mudam… e outras que evoluem

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cab futsal

Atingida a terceira jornada do campeonato nacional, podemos desde já constatar alguns factos que me parecem capazes de resumir aquilo que podemos esperar das equipas esta época.

Atrevo-me a dizer, primeiramente, que há coisas que nunca mudam (pelo menos por enquanto): a segunda circular continua a dominar o futsal português com exibições de encher o olho e que deixam qualquer adepto orgulhoso por se dirigir ao pavilhão para ver o espetáculo do futsal. Ao apostarem na formação e também no aperfeiçoamento táctico e técnico dos jogadores que contratam, Sporting e Benfica apresentam-se, cada vez mais, como o expoente máximo desta modalidade. Em três jogos, três vitórias para os eternos rivais com dezasseis (!) golos marcados para cada lado. Não é fácil…

A par destes resultados “invejados” pelos demais clubes portugueses, fico também bastante feliz por poder afirmar que estas duas equipas têm dado cartas além-fronteiras, com participações positivas na Europa, quando chamadas a representar Portugal na Futsal Cup. Mas calma… é necessário muito trabalho para que ambas as equipas se consigam afirmar perante colossos como o Barcelona ou o Dynamo Moskva. Por agora, é essencial manter os pés bem assentes na terra e subir o nível com passos cuidadosos.

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A AD Fundão foi finalista do último campeonato e continua forte
Fonte: adfundao.com

Ainda assim, apesar de a modalidade estar automaticamente associada a estas duas formações lisboetas, temos assistido ao crescimento de outras equipas que se começam a querer afirmar. Posso referir os Leões de Porto Salvo, que têm sempre a capacidade de discutir o jogo seja contra quem for e causar estragos às águias e aos leões de Alvalade; o SC Braga, que terminou a época passada em terceiro lugar, a sete pontos dos líderes; ou até o AD Fundão, que conseguiu mesmo eliminar o Benfica nas meias-finais da Final Four. Este é um alerta que lanço, pois estes clubes podem causar a reviravolta no campeonato a médio prazo.

Por fim, é também de louvar o aparecimento de clubes que dão os primeiros passos no futsal. De facto, à medida que os anos passam, torna-se uma modalidade cada vez mais apelativa. O jogo em si aperfeiçoa-se, os jogadores desenvolvem as suas capacidades e os adeptos enchem pavilhões. Atrevo-me a dizer, até, que esta situação é transversal a todos os escalões, seja em masculino ou feminino.

É bom para Portugal.

Andebol: Leões e Dragões já comandam

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O Nacional de Andebol vai na terceira jornada e já temos os dois principais candidatos ao título – Porto e Sporting – na frente, sendo as únicas equipas que contam por vitórias os jogos já realizados.

Tive a oportunidade de ir ver o jogo do Sporting desta terceira jornada, que decorreu na casa do Passos Manuel. Apesar de ser um jogo em que se esperava uma vitória do Sporting, ainda estava na memória de quase todos a vitória da equipa da casa num torneio de pré-época, isto quando também na pré-temporada os leões já tinham ganhado na sua apresentação aos sócios. Foi um jogo equilibrado na primeira parte, mas na segunda os leões mostraram porque são considerados um dos principais candidatos ao título e venceram o jogo por 34-24. Esta partida contou com um pavilhão muito bem composto, e entre o público esteve o presidente do Sporting, assim como Vicente Moura, vice-presidente para as modalidades. O Porto, por seu lado, foi aos Açores jogar com o Sporting da Horta, na ilha do Faial. Os Dragões não tiveram grande dificuldade neste jogo e venceram por 27-19.

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A defesa do Sporting melhorou muito na segunda parte

No campeonato já se pode ver que as principais equipas continuam a ser as mais fortes, com ABC, Benfica, Madeira SAD e Águas Santas a estarem nos seis primeiros lugares. Com isto já se consegue perceber que a nova temporada não trará nada de novo no que toca aos principais clubes. Como tal, será sempre importante ter em conta o ABC, que, sendo um histórico da modalidade, recomeça a ser uma equipa que dá muitas dores de cabeça aos principais clubes, principalmente em casa. O Benfica fez mais uma vez um investimento forte, mas, para já, os resultados não parecem acompanhar esse investimento, uma vez que os encarnados perderam os dois jogos que já fizeram com o Sporting.

Esta temporada apresenta uma grande alteração na competição: em vez da divisão em dois grupos, como até agora acontecia, haverá um play-off. Esta opção permitirá que aconteçam mais surpresas e com isso haja mais emoção.

O campeão versão 2014/15

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Topo Sul
Seis jornadas de campeonato podem não ser suficientes para fazer uma análise profunda ao novo Benfica versão 2014/2015, mas esta parece-me ser a altura indicada para retirar as primeiras ilações sobre o desempenho da equipa encarnada neste início de época. No fundo, apontar os defeitos e as virtudes de um Benfica renovado mas não tão diferente do da temporada passada.

Comecemos pelas semelhanças: mentalidade vencedora. O que realmente importa e o que define os campeões. Mesmo sem encantar, pois engana-se quem pense que o vamos fazer regularmente esta temporada, o Benfica continua a ganhar os seus jogos, a encontrar a fórmula certa para o fazer, e as cinco vitórias em seis jogos do campeonato apenas vêm provar que as águias não estão dispostas a entregar de bandeja o título de campeão aos seus rivais, como muitos afirmavam ainda antes do começo da competição. Para além do espírito de vitória, que continua enraizado no plantel, Jorge Jesus e a direcção do Benfica parecem ter conseguido, mais uma vez, reconstruir a equipa de uma forma equilibrada, depois de terem saído mais metade dos titulares obreiros do triplete. Através de alguns acertos tácticos, Jesus conseguiu formular um onze-tipo capaz de superar os maiores desafios nacionais – nas competições europeias o caso muda de figura. Mas, como a prioridade é o campeonato, os homens do plantel encarnado têm capacidade para lutar até ao fim para revalidar o título nacional. Isso já deu para ver apenas com seis jornadas decorridas.

Em função de tantas entradas e saídas durante o defeso, este Benfica molda-se por uma estrutura ligeiramente diferente do que a do ano passado. Sem esquecer que ainda estamos numa fase muito precoce da época e que normalmente as equipas de Jorge Jesus explodem na segunda metade da temporada, a equipa encarnada está mais vulnerável em alguns sectores, principalmente na posição de avançado, e isso tem repercussões evidentes no estilo de jogo da equipa. Apesar de Talisca estar a mostrar a sua veia goleadora neste início de temporada, continuo reticente quanto ao seu papel de segundo avançado no sistema de Jesus. Como já se percebeu, a sua posição não é aquela e, com Enzo e Samaris instalados no onze, o médio brasileiro vai ter dificuldades no seu posto de titular. Obviamente que se trata de uma boa dor de cabeça para Jorge Jesus, mas, a meu ver, a equipa encarnada é mais dinâmica e perigosa se Lima tiver a companhia de Derley ou Jonás ao seu lado. Para além desta nuance, Ola John, em forma e com vontade de mostrar o seu talento, pode perfeitamente preencher o lado esquerdo do ataque encarnado, encostando o 10 Nico Gaitán para o centro e deixando o pé esquerdo do argentino ser a segunda fase da construção de jogo da equipa. Jesus tem usado esta estratégia como plano B e, como se viu nas últimas jornadas, parece resultar na perfeição. Este aspecto do jogo encarnado é o que poderá fazer a diferença na qualidade de jogo da equipa daqui para frente. Não é o único, pois Jardel parece não lidar bem com o estatuto de titular, mas para já é o que pretendo destacar nesta primeira impressão da nova águia. Durante a temporada, todas estas arestas serão limadas por Jorge Jesus, que semanalmente fará a gestão dos jogadores a seu bel-prazer, já que tem à sua disposição um grupo com qualidade e margem de progressão capazes de dar alegrias aos adeptos encarnados.

Depois de perder com o Zenit, uma vitória em Leverkusen é crucial para a qualificação do Benfica na Liga dos Campeões. Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Depois de perder com o Zenit, uma vitória em Leverkusen é crucial para a qualificação do Benfica na Liga dos Campeões.
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Este meu tom confiante e optimista é, de facto, genuíno, mas não disfarça algumas preocupações que naturalmente me apoquentam, não fosse eu adepto encarnado. De entre essas preocupações, destaco a apatia do Benfica perante a Liga dos Campeões. Já que estamos a entrar em mais uma jornada europeia, gostaria de alertar o plantel para, de uma vez por todas, não se amedrontar perante a mais conceituada competição de clubes europeus, mas mostrar ao mundo do futebol que a águia pode voar alto nos grandes palcos. E por grandes palcos refiro-me aos da Liga milionária. Consciente de que o Benfica realizou exibições astronómicas nas passadas edições da Liga Europa, confesso também que a equipa poderia e deveria ter feito muito mais na Liga dos Campeões, pois teve fortes possibilidades de passar a frase de grupos nas duas épocas anteriores – o mínimo que se exige a um clube como o Benfica – e tal não aconteceu. Esta temporada, a competição não começou da melhor forma para as águias, mas pela frente ainda estão mais seis batalhas para a equipa provar que não é inferior a qualquer uma das restantes equipas que compõem o grupo C da Champions League.

Votos de uma exibição ao nosso nível na Alemanha, meu Benfica!

Precisamos de uma reviravolta

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amarazul

Golos. Vitórias. Gritos. Festejos. O Futebol Clube do Porto está a menos de vinte e quatro horas de regressar ao campo e precisa urgentemente de voltar ao que o torna feliz. Uma vez mais: golos, vitórias, gritos, festejos. Os motivos pelos quais nos últimos jogos tal não foi possível são muitos, sim, mas o que hoje me interessa é a urgência de um triunfo.

Como o Pedro Maia apontou ontem, “não é normal que de uma goleada na Champions para um jogo no campeonato se mudem seis jogadores”; também não o é que tenhamos sido forçados a testemunhar diversas decisões – às quais somos completamente alheios – nos últimos embates. Mas são Passado e, como tal, não me interessa neste momento reflectir sobre isso. Adiante: perdidos aqueles pontos, e agora numa outra competição, é essencial regressar aos triunfos.

Entrámos na Champions não com um mas sim vários ‘pés-direitos’; entrámos como nunca. Vencemos mas, ainda mais, goleámos! Fechámos o jogo de forma histórica, corremos a Europa e saímos do Dragão orgulhosos. Amanhã, nada disso pode ser deitado a perder. De nada serve vencer por 6-0 se no embate seguinte forem cometidos erros básicos como nos últimos encontros. Não na Europa.

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Inspiração mas, sobretudo, concretização. Golos são fundamentais no jogo de amanhã
Fonte: sicnoticias.sapo.pt

A Champions League é a nossa casa. É lá que gostamos de arrendar um apartamento, é estando lá que gostamos de convidar amigos para verem o Porto jogar. É a nossa casa e, como tal, lá temos de saber jogar. Amanhã, a Arena Lviv não será casa de ninguém. O Shakhtar está afastado de Donetsk pela situação que a Ucrânia atravessa. São 1176 os km que o separam da verdadeira casa da equipa e, como tal, temos de aproveitar. Estádio sem casa é estádio à procura de um dono, de alguém que lá faça história e domine. E a essa oferta o Porto tem de saber corresponder.

A abordagem que aqui trago pode ser, admito, algo dramática. Pode até levar muitos a discordar do que digo. No entanto, não é descabida. Não numa fase inicial da época em que é importantíssimo regressarmos aos triunfos. Não o digo por querer que se faça esquecer o registo de pior começo dos últimos cinco anos. Esse só a mim me diz alguma coisa – nenhum jogador precisa de pensar no que os seus antigos colegas fizeram ou não nos anos anteriores para melhorar as suas exibições. Ou pelo menos não devia. Amanhã, precisamos de uma vitória para a equipa sentir que pode dominar qualquer adversário e sair vencedora; precisamos de uma vitória para dar mais um (grande) passo rumo ao apuramento para os oitavos-de-final. Os três pontos são necessários e terão influência na forma como os comandados de Lopetegui conseguirão enfrentar um embate duplo com o Athletic.

Manchester United: Os Problemas Centrais

premier league

Se procurarmos por equilíbrio no dicionário temos a certeza de que não vemos lá escrito ‘Manchester United’. A equipa de Louis van Gaal contrasta um ataque de uma qualidade tremenda com uma defesa que treme por todos os lados.

Nos últimos dias de mercado o técnico holandês deu-se ao luxo de dispensar os serviços de Chicharito, emprestando-o ao Real Madrid, e vendendo ainda Welbeck por uns (ainda assim surpreendentes) 20M€ ao Arsenal. Com a confirmada chegada de Falcao, era óbvio que os dois jovens iriam ter menos oportunidades de jogar e de continuar a sua progressão como jogadores de futebol, tornando assim natural a sua partida. Neste caso, é evidente que os números de Falcao serão melhores do que os destes dois, mas na outra ponta do campo a sucessão de Vidic e Rio Ferdinand está tudo menos trabalhada.

É certo que van Gaal é já um treinador experiente e com ideias de jogo bem fundamentadas, mas aquilo que fez quando tomou o leme dos vermelhos de Manchester não confirmou, de todo, a sua experiência e qualidade. Se havia zona do terreno em que seria necessário um investimento era na posição de defesa central, mas em vez disso os responsáveis dos red devils preferiram gastar 173,6M€ em jogadores que NÃO SÃO defesas centrais, continuando assim um enorme buraco no centro da defesa.

Marcos Rojo foi o único que reforçou o centro da defesa e custou... 20M€  Fonte: talksport.com
Marcos Rojo foi o único que reforçou o centro da defesa e custou… 20M€
Fonte: talksport.com

Não estou com isto a dizer que a compra de Di María, Ander Herrera ou Luke Shaw não tenha sido boa para a equipa – são jogadores que podem desempenhar um papel fulcral no Manchester United. Di María é neste momento um dos melhores jogadores do mundo, Ander Herrera chega para tentar ser o Scholes que Fellaini nunca conseguiu ser, e Luke Shaw vai ter a difícil tarefa de fazer esquecer Patrice Evra. Mas se nos lembrarmos de que só nestes jogadores o United gastou uns exageradíssimos 150M€ já pensamos duas vezes se o dinheiro terá sido assim tão bem gasto.

Na minha opinião, por estes valores, o Manchester United poderia ter construído um plantel muito mais equilibrado e com mais jogadores. No centro da defesa tanto Hummels como Boateng seriam compra obrigatória. Qualquer um deste par alemão equilibrava uma defesa que quando alinha com Smalling, Jones, Rojo ou Evans é tudo menos segura. E mais, para além de terem uma qualidade defensiva infinitamente melhor, jogam e saem a jogar como poucos no actual futebol mundial. Nos últimos dias surgiu ainda o boato de que Gerard Piqué estaria de volta a Old Trafford já na próxima reabertura do mercado. Ainda assim, qualquer um dos três (se é que conseguem algum), trará consigo uma qualidade muito maior do que qualquer um dos actuais, sendo sempre uma mais-valia.

Mas não é só no centro defensivo que van Gaal tem problemas. O miolo é muito lento. Carrick e Fletcher já não são jogadores de aguentar a maior parte dos jogos da Premier League; os 32,6M€ mal gastos em Fellaini não ajudam a aceitar as compras também completamente inflacionadas de Ander Herrera (36M€) e de Blind (20M€). Desde que Scholes deixou de ser Scholes que o Manchester procura o seu substituto. Esta procura já vem desde a compra de Anderson ao FC Porto, mas não foi só o brasileiro a não ter sorte. Gibson, Cleverley, Nick Powell e Fellaini são apenas alguns nomes no meio de imensos centro-campistas que falharam na tentativa de sucessão a Paul Scholes. Aquele que talvez reunia mais qualidades acabou dispensado… Pogba. Será este o ano de Ander Herrera assumir a posição?

Substituir Scholes é muito difícil, mas esta pode ser uma das chaves do futuro do Manchester United  Fonte: Daily Mail
Substituir Scholes é muito difícil, mas esta pode ser uma das chaves do futuro do Manchester United
Fonte: Daily Mail

As debilidades no centro do terreno não ficam por aqui. Mas no ataque o problema é daquelas boas dores de cabeça que qualquer treinador gostaria de ter – demasiada qualidade. Como é que van Gaal vai encaixar Falcao, Rooney, van Persie, Mata e Di María? Os pontas de lança certos serão van Persie e Falcao (van Gaal é um treinador atacante, apostar em dois pontas não será surpresa), mas isso relega Rooney para a posição 10… encostando Mata a uma ala, onde não tem o mesmo rendimento. Di María fez também uma época brutal a jogar em campos mais interiores no Real da época passada mas será certamente colocado na faixa esquerda.

Os jogadores são muitos, a qualidade também não é pouca e mais ainda são as diferentes opiniões que têm os treinadores de bancada. A verdade é que, jogue como jogar e aconteça o que acontecer daqui para a frente, os primeiros tempos de van Gaal têm sido terríveis e os adeptos não estão satisfeitos. Agora, sabendo que o United segurou Alex Ferguson anos a fio sem ganhar nada e apostando na continuidade e num trabalho a longo prazo, considero que que van Gaal tem tudo para ser feliz em Old Trafford. Só não o será nesta época.