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Chegados os meados de Novembro, é altura de muitos adeptos de futebol colocarem de lado a sua vida pessoal, deixando-se levar por um vício que já terá destruído muitas relações e, quem sabe, algumas vidas. Os divórcios nesta altura do ano, bem como as notas final do primeiro período do ano letivo e do primeiro semestre e os resultados do último trimestre de muitas empresas, refletem-no. Há estudantes e trabalhadores mergulhados num mundo virtual onde lá são aclamados como os treinadores que admiram na vida real ou onde vêm ser legitimadas as críticas aos treinadores das suas equipas – eles, de facto, fariam melhor.

Esse vício têm um nome e chama-se Football Manager (FM), mas já se chamou Championship Manager (CM). Uma droga que começou a entrar, com especial incidência, em Portugal, no ano de 1996, quando foi lançada a primeira versão do jogo traduzida e com o campeonato português.

Essa versão não tinha tanto glamour como as atuais. O desenrolar de cada jogo estava limitado a um conjunto de frases pré-formatadas (e algo confusas), não havia cláusulas negociáveis nos contratos dos jogadores, as táticas eram muito limitadas (não havia lugar a instruções individuais, por exemplo) e as mensagens que o treinador virtual recebia apareciam no mesmo ecrã das condições das transferências ou dos resultados das outras equipas do jogo.

No fundo, o jogo era muito mais simples que os de hoje, mas não quer dizer que fosse menos viciante. Reformulando: o jogo É muito mais simples que os de hoje, o que não quer dizer que não SEJA menos viciante. É que ainda há quem o jogue, 21 anos depois do seu lançamento. O redator deste artigo, acusa-se.

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Aproveitando o lançamento do FM 18, decidimos não deixar cair no esquecimento o nascimento do vício imposto pelo cargo de treinador virtual, começando, neste artigo, uma viagem pelos primórdios deste flagelo, e que terá continuidade em edições especiais no podcast 120s de Bola.

O pontapé de saída será dado pelos 10 melhores jogadores do campeonato português que muitos dos primeiros “agarrados” tentaram adquirir para os clubes com que iniciaram esta jornada decadente… mas cuja eventual contratação fazia merecer a pena todos os minutos gastos nela.