Falcao: Comandante de uma tropa completamente nova

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Falcao vai comandar uma equipa onde o jogo já não flui como antes, como é natural. Resta saber se a teoria vence, ou se na prática teremos outro surpreendente Mónaco como na época passada, o que será muito improvável…

Falcao, dada a saída de Mbappé, assume-se como o principal jogador do Mónaco. Falando no assunto, a sua presença na equipa do principado, a meu ver, condicionou a decisão tardia de Mbappé em sair, de não ficar mais uma época. Não que tenha sido preponderante, mas pela humildade que é característica do jovem Kylian, decerto que conversas em off: como nos treinos, nos almoços, em estágio, enfim, no seio do grupo de trabalho, o jovem procurou conselhos de El Tigre, pois afinal, Falcao é uma referência. Um jogador respeitado e com aptidões bem reconhecidas pelos demais. Mas poderia ter sido uma referência maior ainda, este Falcao que hoje joga no Mónaco, nos tempos de Porto ou Atleti (principalmente ao serviço dos colchoneros) era recorrentemente referenciado para o Real Madrid, que era o ponta de lança ideal para a então equipa madrilena. E talvez também fosse essa uma grande vontade da parte do colombiano.

Porém, uma transferência do Atlético para o vizinho Real Madrid não é fácil. Seja em que circunstância for, seja qual for o montante envolvido em torno dessa possibilidade. E na altura ainda não tinham dado mais do que 100 milhões por um jogador, não se compara ao mercado que temos hoje. E isto não vai ficar por aqui.

Mas voltando a Falcao e ao seu Mónaco, o que esperar? Após a brilhante campanha realizada na temporada transata, era de esperar o que acabou por suceder: mais de metade dos jogadores que constituíam um 11 fantástico foram embora. E agora? A permanência de Mbappé ainda atenuava o abalo, pois a sua capacidade de desequilibrar, criar lances perigosos, enfim, finalizar, garantia golos à equipa, e consequentemente, vitórias. Agora essa perda será, irremediavelmente, sentida. Resta saber o quanto…

Era esperado que o percurso de Falcao tivesse sido diferente. O nível que apresentou no FC Porto e Atlético de Madrid foi muito alto, foi apelidado de melhor ponta de lança do mundo nos anos de 2011 e 2012. Melhor não sei dizer, mas era um soberbo 9. Incrível, só o imaginava num colosso mundial. E desejava que se juntasse a Cristiano Ronaldo, já que também é agenciado por Jorge Mendes, fator que achava importantíssimo num ato negocial tão laborioso.

A arrepiante lesão que, inevitavelmente, condicionou uma promissora carreira ao mais alto nível Fonte: Goal.com
A arrepiante lesão que, inevitavelmente, condicionou uma promissora carreira ao mais alto nível
Fonte: Goal.com

Não se concretizou essa tal utopia chamada de Real Madrid. E apareceu um destino improvável: o Mónaco. A equipa francesa, abonada de investimentos privados, garantiu duas grandes estrelas: James Rodriguéz e Radamel Falcao. Propostas irrecusáveis levaram as duas estrelas, que brilharam bem juntas uma da outra na Invicta, ao principado monegasco.

E no Mónaco, Falcao foi vítima de uma situação bastante delicada: rompeu o ligamento cruzado anterior da perna esquerda. Uma lesão gravíssima, que impossibilita a atividade profissional do atleta por um período muito longo de tempo. Afinal, a partida a contar para a Taça de França, frente ao Chasselay, jogou-se em Janeiro, e o colombiano falhou o Mundial de Seleções que decorreu no Verão.

Quando voltou, não voltou como o conhecíamos. Chegou ao Manchester United, sem sucesso, depois ao Chelsea, com menos sucesso ainda. O nível apresentado numa equipa de classe mundial não tinha sido como eu, ou outra pessoa qualquer, perspetivava…

Voltou ao Mónaco em 2016/17. Pensava-se que iria ser um fiasco, uma tentativa de relançar uma carreira já sem condições de se reerguer. Mas não. Antes pelo contrário! O grande Falcao voltou, e voou. Era impossível para o Mónaco ter arranjado alguém melhor para a função de ponta de lança a custo igual ou inferior. Afinal, o jogador nunca deixou de pertencer aos seus quadros. E ainda bem que o Mónaco resolveu resgatá-lo, e apostar nos seus serviços. Certamente não foi uma decisão fácil fazer volver um jogador que parecia estar, literalmente, acabado, mas ainda bem que essa decisão foi tomada.

Não vale a pena comentar a época que realizou, ao comando de Leonardo Jardim e junto de outros tantos companheiros extraordinários, uma equipa que reuniu em si todos os olhares, que atingiu patamares considerados inalcançáveis, que superou um PSG completamente hegemónico, e que rebentou com o mercado de transferências deste Verão.

Saídas de vulto como Bernardo, Bakayoko, Mendy, Germain, Mbappé, tornam qualquer equipa de nível médio alto europeu mais débil. Mas a equipa é bem orientada, as escolhas para colmatar as saídas podem não ter sido equivalentes, mas ao leme deste projeto está um homem competente e que é capaz de montar um plano de sucesso. Mesmo assim, jovens promessas como Rony Lopes deixam bons indícios de uma equipa que poderá muito bem apresentar um bom nível de jogo ofensivo. Jogo esse que caracterizou o incrível Mónaco do ano passado. Falcao está encarregue de liderar esta equipa em campo.

Esta expressão diz tudo sobre o que poderia ter feito, mas não fez na Premier. Frustrante... Fonte: EPA
Esta expressão diz tudo sobre o que poderia ter feito, mas não fez na Premier. Frustrante…
Fonte: EPA

A idade pesa. Não tanto no seu jogo, mais nas políticas de contratações das grandes equipas. Se tivesse 28 anos, e sem um histórico de paragens competitivas significativo, teria-se também facilmente transferido para um colosso, e desta vez tenho a certeza que daria certo. Mas também era injusto para o Mónaco perder, praticamente, todos os seus grandes intérpretes.

Não se sabe do que será deste Mónaco este ano, mas Falcao está para o que vier. Muitos partiram, outros vieram. A veia goleadora pode ser afetada, cortada, mas o sangue que lá corre será sempre o mesmo. O sangue de El Tigre matador.

Foto de capa: Instagram oficial de Falcao

artigo revisto por:Ana Ferreira

Diogo Fresco
Diogo Frescohttp://www.bolanarede.pt
Fã de um futebol que, julga, não voltará a ver, interessa-se por praticamente tudo o que envolve este desporto, dando larga preferência ao que ocorre dentro das quatro linhas. Vibra bastante com a Seleção Portuguesa de Futebol.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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