Francisco Neto é selecionador feminino há uma década e o rosto mais visível do crescimento de uma seleção que tornou as qualificações para as fases finais uma mera nota de rodapé.
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Trabalhamos a médio-longo prazo para um dia lutar por títulos– Entrevista Bola na Rede a Francisco Neto
Francisco Neto é selecionador feminino há uma década e o rosto mais visível do crescimento de uma seleção que tornou as qualificações para as fases finais uma mera nota de rodapé.
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Primeiro que tudo, é preciso lá chegar. Se é verdade que a seleção está muito perto de carimbar o seu bilhete para a América do Norte, também é evidente que a qualificação não tem tido o brilho que se poderia esperar ao ler a lista de convocados. Com um lote de jogadores que inclui vários dos melhores do mundo, Portugal deveria demonstrar uma superioridade evidente frente a adversários como Irlanda e Arménia, e mesmo contra a Hungria, formação ligeiramente mais forte. Tal como quando estava ao serviço da Bélgica, Roberto Martinez continua a ter dificuldades para retirar o melhor de um plantel de luxo. Várias decisões discutíveis relacionadas com uma má leitura do que se passa em campo têm dificultado encontros que podiam ser resolvidos muito mais cedo. Portugal tem jogado de forma “excessivamente paciente”, com pouco rasgo e “poucas” oportunidades, tendo em conta a domínio da posse de bola que é frequentemente avassalador.
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A fase de apuramento para o Mundial 2026 está a ser um importante abre olhos para Portugal e, esperemos nós, para Roberto Martínez. Em quatro jogos, só um deles, na Arménia, se traduziu numa vitória confortável. Todos os outros foram ganhos já para lá dos 80, com a competência de uma jogada de João Cancelo, um cruzamento bem medido de Francisco Trincão ou o aparecimento matreiro de Rúben Neves no espaço entre centrais. O empate diante da Hungria, uma das seleções mais interessantes do panorama europeu, mas de classe média, expôs a nu algumas das fragilidades portuguesas. A Hungria tem alguns intérpretes de luxo e uma identidade bem consolidada pelo relacional Marco Rossi, que foi capaz de oferecer aos húngaros condições para jogar à bola e com a bola. Não há, nesta análise, qualquer tipo de demérito ou desvalorização à seleção que se bateu contra Portugal e que, apesar da décalage de recursos, conseguiu resgatar um empate em Alvalade. Mesmo em termos individuais, com as estrelas Dominik Szoboszlai e Milos Kerkez à cabeça, mas também com o perfume de Callum Styles, a capacidade de agredir espaços e de remate de Rolland Sallai ou a estampa física de Barnabás Varga, há qualidade de sobra na Hungria. O centro da questão é a qualidade em termos absolutamente superiores dos jogadores portugueses.
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Contra uma selecção com mais argumentos, recursos e qualidade nas suas transições ofensivas, Portugal tinha seguramente perdido.