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Évora continua a rimar com medalhas e Muir foi mesmo a estrela

Pedro Pires · 16 min

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Decorreram, em Glasgow, do dia 1 ao 3 de Março, os Europeus de Atletismo em Pista Coberta e neste especial contamos tudo o que se passou durante esses 3 dias, minuto a minuto, prova a prova de uma competição que esteve à altura das expectativas e na qual, em colaboração com o Planeta do Atletismo, marcámos presença!

Os Portugueses

01/03: 

Manhã

A primeira manhã do evento contou com a maior concentração de atletas portugueses numa sessão da competição. Os primeiros atletas a entrar em prova foram os nossos representantes do Peso: Tsanko Arnaudov e Francisco Belo. Belo voltou a mostrar uma grande forma neste início de temporada ao conseguir o apuramento para a final, com 3 lançamentos acima dos 19.90 metros, o melhor deles (o que lhe garantiu o apuramento) a 20.31 metros, um centímetro acima do nono atleta, que já não conseguiu essa qualificação! Tsanko Arnaudov, um pouco abaixo do habitual e ressentindo-se de alguns problemas que tem tido neste início de temporada, fez 3 lançamentos abaixo dos 20 metros e ficou na 12ª posição, com 19.86 metros. 

Francisco Belo teve uma grande prestação em Glasgow
Fonte: FPA

Ao mesmo tempo já decorria a qualificação do Triplo, com Susana Costa a surpreender tudo e todos, ao saltar 14.28 metros, um novo recorde pessoal em pista coberta para a atleta portuguesa, que aumentou 15 centímetros ao seu máximo anterior, mostrando que é sempre uma aposta certa. Patrícia Mamona também mostrava confiança, ao passar à final com um salto de 14.11 metros à 3ª tentativa, confirmando mais uma presença na final do Triplo de duas atletas portuguesas, 2 anos depois do cenário se ter verificado em Belgrado. 

Nas outras provas da manhã, tivemos dois portugueses no meio-fundo, a disputarem os 1.500 metros. Emanuel Rolim teve azar ao ficar numa série rapidíssima (dominada pelo ritmo demolidor de Jakob Ingebrigtsen), terminando em 3:46.62, numa série que qualificou todos os repescados, não sendo esse o desfecho para Rolim, que terminou a série na 7ª posição. Já Paulo Rosário correu em 3:49.32, não conseguindo também a qualificação, terminando em 5º numa série mais lenta, o que terá prejudicado o atleta português que tem muito mais dentro de si neste momento. Também Cátia Azevedo começou e concluiu a sua participação na primeira manhã do evento ao correr os 400 metros em 52.43, terminando a 6ª série na 4ª posição, apesar de tentar recuperar na fase final da prova depois de um arranque bastante tímido. 

Tarde/Noite

No período da tarde, estava reservada a presença de Nelson Évora na qualificação do Triplo Salto, tendo o atleta português feito o suficiente em 16.89 metros, ao segundo salto, a melhor marca da qualificação da disciplina. Já aí o atleta mostrava confiança num melhor resultado na final, sabendo que teria que saltar mais longe para alcançar o seu grande objetivo, que era o Ouro.

O dia ficou ainda marcado pela primeira final portuguesa, com a presença de Francisco Belo no Peso. O atleta do Benfica lançou o engenho a 20.97 metros no segundo ensaio, um novo recorde pessoal absoluto, ficando na 4ª posição. O atleta português ainda teve um enorme 5º lançamento nulo que lhe daria mais um recorde pessoal, mas a verdade é que teve a mesma sorte que Tsanko há dois anos, sendo 4º com um lançamento que em outros anos daria medalha, mas como o próprio afirmara no final da prova “o nível do peso está muito alto e cada ano é diferente”. 

02/03:

Manhã

No segundo dia foi a vez da velocidade tomar conta do pavilhão e os portugueses não faltaram à chamada. Tudo começou com Ancuiam Lopes e Carlos Nascimento nos 60 metros, ambos em 3º das suas séries, cumprindo o primeiro e principal objetivo de estarem presentes na sessão da tarde, qualificando-se para as semifinais. Ancuiam correu em 6.74 e Carlos Nascimento em 6.72, com ambos os atletas a afirmarem que esperavam correr mais rápido durante o período da tarde. No feminino, Lorene Bazolo terminou em 7.33 segundos, reconhecendo no final que o importante nestas eliminatórias era apurar-se diretamente nas 3 primeiras, tendo cumprido o seu objetivo. 

Nas barreiras, Rasul Dabó e Olímpia Barbosa estiveram abaixo do que já demonstraram nesta temporada, ficando os dois distantes da qualificação, tendo o atleta masculino corrido em 8.03 e Olímpia em 8.40 segundos, encerrando ambos a participação nos Europeus de Glasgow. 

Tarde/Noite

A tarde do segundo dia, a nível nacional, estava reservada para as semifinais dos nossos representantes nos 60 metros. A primeira a entrar em pista foi Lorene Bazolo. Lorene correu em 7.35 na 3ª série, sendo 5ª e não conseguindo melhorar a marca da manhã. Lorene não conseguiu melhorar o seu melhor do ano que era um dos objetivos, mas cumpriu outro, como viria a revelar, pois terminou bem acima do que na última edição, sendo 13ª na classificação geral do evento. 

Depois seria a vez dos homens. Carlos Nascimento correu em 6.71 na primeira série e até chegou a estar num “hot seat”, aguardando uma possibilidade de repescagem. Infelizmente, tal não se viria a suceder e Nascimento acabou por fechar os campeonatos também na 13ª posição da classificação geral, mostrando-se no final insatisfeito pela marca, mas satisfeito por estar entre os 15 melhores europeus, o que é um ótimo sinal. Ancuiam Lopes correu na série 2, desta feita mais lento, em 6.79, o que não chegou para o apuramento, fechando os campeonatos na 20ª posição. No final, também afirmou que queria mais, mas que estar presente nestes campeonatos já tinha sido algo positivo. 

03/03:

Manhã

Para o período da manhã do último dia, a missão portuguesa tinha uma dupla presença numa final. Patrícia Mamona – que entrava como recordista nacional em pista coberta e ao ar livre – e Susana Costa que entrava como a 2ª melhor da qualificação com um grande recorde pessoal em pista coberta. Patrícia logo ao primeiro salto fez 14.43 metros, a um centímetro do recorde nacional debaixo do teto. Mas também já aí se percebia que o nível ia ser altíssimo, pois a grega Paraskevi Papahrístou saltou 14.50 metros no primeiro salto do concurso. Ao segundo ensaio, Olha Saladukha saltava 14.47 metros – marca que viria a repetir mais duas vezes no concurso! Susana Costa saltaria aí a 14.43 metros, também ela a 1cm do recorde nacional indoor e um novo recorde pessoal para a atleta. Em Pista Coberta, aumentou 44 centímetros desde que o ano começou (começou com um melhor pessoal de 13.99) e mesmo ao ar livre o seu melhor era de 14.35 em Londres, há 2 anos, aumentando agora 8cm também a essa marca. 

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Por essa altura, Susana estava no pódio, mas Patrícia viria a ultrapassar Susana ao fazer um 2º (mais tarde 3º) salto melhor, tendo feito no total 4 saltos válidos, todos acima dos 14.20. O que ninguém contava é que Ana Peleteiro – colega de Nelson Évora – que era uma das favoritas, mas que tinha feito dois nulos inicialmente, tivesse um dia para ficar na história. Respondeu fantasticamente a esses dois nulos – talvez lhe tenha ajudado que fosse uma final direta com 8 participantes, com 6 tentativas asseguradas – com uma marca de 14.56 metros que a colocava na frente do concurso, mas na 4ª tentativa viria mesmo a “arrumar” com o concurso, com um salto de 14.73 metros, que é a marca líder europeia do ano e um novo recorde nacional espanhol absoluto.

Peleteiro confirmou aquilo que antecipáramos há uma semana
Fonte: European Athletics

Sendo assim, Patrícia (4ª) e Susana (5ª), que não melhoraram, ficaram fora do pódio, com uma marca que há dois anos teria dado Ouro em Belgrado. O 5º lugar de Susana Costa foi também o 5º lugar mais valioso da história da competição, pois nunca se saltou tanto nessa posição. 

Tarde/Noite

À tarde tínhamos Nelson Évora na final do Triplo Salto, com expectativas de Ouro. Foi uma prova estranha, muito estranha. Para o comprovar basta dizer que houve 44 tentativas de salto, das quais 24 foram nulas! Apenas 20 saltos válidos e poucas marcas de valor entre os mesmos, mas curiosamente as 3 marcas de pódio não envergonham ninguém! E esteve tudo muito contido até ao final da 3ª ronda. Nazim Babayev, jovem de 21 anos do Azerbaijão, dominava, mas abaixo dos 17 metros, bem ao alcance de Évora. No quarto ensaio, Nelson Évora saltou 17.11 metros e assumiu o comando da prova, sendo o primeiro dos participantes a passar dos 17 metros este ano. 

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Durou pouco. Logo a seguir Babayev saltou 17.28 metros, um incrível recorde pessoal para o atleta e assumia a liderança que não mais largou. O alemão Max Hess ainda assustou Évora e ficou apenas a 1cm de lhe roubar a Prata, mas as posições não se alteraram mais e Évora ficou com a Prata, sendo esta a 11ª medalha do atleta português em Europeus, Mundiais e Jogos Olímpicos, uma carreira verdadeiramente impressionante e que ainda ganha um peso maior, se analisarmos o tempo que Nelson esteve ausente ou condicionado por lesões graves. No final, o atleta confessou que tentou coisas diferentes, mas que acredita plenamente que esse é o caminho para obter diferentes resultados e para chegar onde muitos já não esperam. Em Doha, Nelson voltará a querer subir ao pódio. 

Mais um pódio de Évora, já são 11!
Fonte: European Athletics

Internacional 

01/03

Com apenas 3 finais no primeiro dia, existiram quatro medalhas, incluindo dois Ouros, para atletas britânicas, começando da melhor forma os campeonatos para a nação organizadora. Katarina Johnson-Thompson foi dominadora no Pentatlo, aliando o título europeu ao mundial alcançado no ano passado em Birmingham, ao terminar com 4983 pontos, o quarto melhor pentatlo da história. Caso a atleta tivesse feito um Comprimento ao seu nível poderia ter saído de Glasgow com um recorde mundial… Na segunda posição, grande surpresa com a jovem britânica Niamh Emerson a fazer 4731 pontos (um novo recorde pessoal). Também grande marca de Solene Ndama, da França, com 4723 pontos, igualando o recorde nacional. Niamh Emerson tem 19 e Solene Ndama tem 20.

Katarina Johnson-Thompson é campeã mundial e europeia
Fonte: European Athletics

No Lançamento do Peso masculino, a vitória foi para o polaco Michal Haratyk, que já havia sido campeão ao ar livre, ao lançar 21.65, a marca líder europeia nesta temporada. Próximo, a 11 centímetros, o germânico David Storl teve o melhor lançamento  da temporada, com 21.54 metros, e, no Bronze, o checo Tomas Stanek lançou 21.25 metros, também o seu melhor da temporada. 

Para o final da noite estava reservada uma final muito esperada pela plateia local: os 3.000 metros com a presença de Laura Muir, estrela escocesa. Sem vacilar, a atleta até deixou a alemã Konstanze Klosterhalfen controlar até tarde a prova, mas acabou por ultrapassá-la a 200 metros do final, com uma volta final demolidora, num novo recorde dos campeonatos, em 8:30.61. No segundo lugar, Klosterhalfen terminou em 8:34.06 e o Bronze foi para outra britânica, Melissa Courtney, num novo recorde pessoal (3:38.22), fechando com chave de ouro uma incrível noite para as hostes britânicas, com 4 medalhas (duas delas de Ouro). 

02/03

Foi uma sessão com 7 finais, com algumas das estrelas europeias a ganhar protagonismo. A primeira final a iniciar foi a do Salto em Altura masculino e Gianmarco Tamberi (ITA) foi a estrela dentro e fora da competição. Sempre muito mobilizador do público presente, Tamberi foi o único atleta que chegou aos 2.29 metros e fê-lo sem qualquer falha até essa fase do concurso. O italiano que já espalhava alegria e classe pelo recinto, ainda fez explodir o pavilhão ao saltar a 2.32 metros, igualando a melhor marca europeia do ano. Na segunda posição, a repartir a Prata, Andrii Protsenko (UKR) e Konstadinos Baniotis (GRE) a 2.26 metros, num concurso que esteve longe do nível que já se viu em competições do género e que valeu pelo “Tamberi show”. 

No Salto com Vara, alguma surpresa, com o polaco Piotr Lisek a dominar grande parte da competição, tendo feito 5.85 metros sem falhas. Não esperava, no entanto, que outro polaco, Pawel Wojciechowski, saltasse 5.90 metros à última tentativa, num novo recorde pessoal em pista coberta. Lisek ficou sem resposta. A Suécia, mesmo sem trazer aqui o seu melhor saltador (Duplantis cumpre a temporada universitária norte-americana), conseguiu alcançar uma medalha de Bronze, através de Svard Jacobsoon, com o melhor salto a ser conseguido a 5.75m. 

O norueguês, de apenas 18 anos, Jakob Ingebrigtsen, venceu totalmente dominador nos 3.000 metros, mostrando mais uma vez que o  jovem é não só o futuro europeu como o presente do atletismo, na primeira de duas finais disputadas. Deixou o seu irmão Henrik assumir parte da prova, mas a uma volta do final disparou e nunca mais ninguém chegou perto, terminando bastante confortável em 7:56.15. A mais de um segundo e com uma chegada apertadíssima, Chris O’Hare deu uma grande medalha de Prata aos britânicos, de pouco servindo a Henrik Ingebrigtsen o mergulho na meta. Ambos terminaram a 7:57.19, decidindo-se tudo nas milésimas de segundo!

Jakob é o mais novo campeão de sempre
Fonte: European Athletics

Os 400 metros femininos tiveram mais uma chegada ao limite decidida por uma milésima de segundo. Léa Sprunger, da Suíça, provou também ser especialista sem barreiras (ela é a campeã europeia ao ar livre, com barreiras) e terminou em 51.61 segundos, nova marca líder mundial. Bem colada a ela, a belga Bolingo Mbongo em 51.62, um novo recorde nacional da Bélgica. Distante, na luta pelo Bronze, a holandesa Lisanne de Witte levou a melhor, terminando em 52.34 segundos. 

Já na prova masculina, grande exibição do norueguês Karsten Warholm, provando que também sem barreiras é uma estrela e destacando-se com um dos maiores nomes da velocidade mais longa europeia. Warholm teve, provavelmente, a prestação individual dos campeonatos, ao correr os 400 metros em 45.05, igualando um recorde europeu que dura há 31 anos. Na Prata, Oscar Husillos (ESP), muito forte (mas não tanto como no ano passado em Birmingham) em 45.66 , novo recorde nacional espanhol e com o Bronze ficou Tony van Diepen com 46.13, recorde nacional holandês.

https://www.youtube.com/watch?v=Vt6m4CTvEJQ

Já para o final do dia, estavam reservadas as duas finais da velocidade curta, em que os britânicos tinham esperanças em ambas. Na final feminina, vitória para a polaca Ewa Swoboda, sem surpresas, coroando uma grande época indoor da atleta polaca, em 7.09. Com a Prata ficou a holandesa Dafne Schippers, depois de uma temporada indoor e semana muito complicadas, com um tempo de 7.14. Já a britânica, campeã em 2017, Asha Philip teve que se contentar com o Bronze em 7.15. Tudo fechou com a final masculina, onde Jan Volko (SVK) foi campeão com 6.60 segundos (o tempo mais lento a vencer desde…1996!), Emre Zafer Barnes (TUR) Prata com 6.61 e Joris van Gool (NED) fechou em 6.62 no Bronze. 

https://www.youtube.com/watch?v=rY8AdI7_TiA

03/03

Nos 800 metros masculinos, Álvaro de Arriba (ESP) conquistou o Ouro com 1:46.83, aproveitando um ritmo lento inicial, num tipo de prova que estava mesmo com a cara do atleta espanhol. Jamie Webb (GBR) conquistou uma surpreendente medalha de Prata em recorde pessoal de 1:47.13 e o Bronze foi para Mark English, da Irlanda, em 1:47.39, que havia sido repescado! A grande surpresa foi mesmo o favorito Andreas Kramer (SWE) ter decidido pessimamente taticamente, não conseguindo espaço para escapar da rede montada e terminando na última posição!

Nos 800 metros femininos, vitória de Shelayna Oskan-Clarke, britânica, em 2:02.58, mostrando mais uma vez que em pista coberta é uma atleta muito difícil de bater, tal a sua agressividade no controlo e defesa da posição na frente da corrida. No segundo lugar, Renelle Lamote, da França, foi Prata com 2:03.00, deixando tudo em pista, e o Bronze foi para Olha Lyakhova, da Ucrânia, com 2:03.24. ⠀

Algo surpreendente o Ouro do polaco Marcin Lewandowski nos 1.500 metros, defendendo com sucesso o título de há 2 anos e finalizando em 3:42.85. E foi surpreendente porque havia um tal de Jakob Ingebrigtsen em prova! O ritmo lento e tático terá definitivamente favorecido Lewandowski, muito mais experiente nestas andanças, e o jovem Jakob não conseguiu reagir ao ataque final do polaco, fechando em 3:43.23 e provando a todo o mundo que afinal também é humano e tem rival na Europa. A completar o pódio, Jesús Gómez, em 3:44.39, a dar mais uma medalha para a Espanha. 

https://www.youtube.com/watch?v=qhTk4zkcQhs

Na prova feminina dos 1.500, Laura Muir (GBR) era a grande favorita e não dececionou os locais. Conquistou mais um Ouro, disparando a 400 metros do final e terminando em 4:05.92, a uma distância enorme de todas as outras. Na Prata ficou a polaca Sofia Ennaoui, em 4:09.30 e no Bronze Ciara Mageean, da Irlanda, com 4:09.43, naquela que foi uma batalha épica até à meta, com os últimos 200 metros a terem várias alternâncias entre o lugar das medalhadas. 

https://www.youtube.com/watch?v=XuJWi-AwZp0

Na primeira final da noite, Milan Trajkovic deu o primeiro Ouro da história ao Chipre ao correr os 60 metros com barreiras em 7.60 segundos. Não se pode dizer que Trajkovic não estivesse no lote de favoritos, mas não era um dos dois principais e por isso surpreende. Com a Prata ficou Martinot-Lagarde, com mais uma medalha na carreira, próximo de Milan, em 7.61. O Bronze também para a França com Aurel Manga em 7.63. O grande choque foi mesmo ver Orlando Ortega (ESP) fora do pódio numa prova em que era o favorito, voltando a falhar num momento chave. 

https://www.youtube.com/watch?v=tT540y2cJlc

A medalhada de Bronze dos Mundiais, Nadine Visser (NED), alcançou o Ouro na prova feminina das barreiras, em 7.87, nova marca líder europeia do ano, aproveitando também a ausência de Pamela Dutkiewicz (GER) que se lesionou na semana dos Campeonatos e não participou. Na Prata, a ex-campeã, Cindy Roleder, também alemã, com 7.97 segundos e Elvira Herman, da Bielorrússia, que é a campeã ao ar livre, fechou o pódio em exatos 8 segundos.

Sem surpresa, a russa Mariya Lasitskene conquistou o Ouro na Altura ao saltar 2.01 metros, ainda sem poder equipar ou ouvir o hino russo, devido ao castigo à RUSAF. Ainda tentou a 2.05 metros, mas o barulho estridente no pavilhão (decorriam as finais das estafetas…) não terá ajudado nada. Com a Prata ficou a ucraniana Yuliya Levchenko, ao saltar 1.99 metros e na medalha de Bronze Airine Palsyte, da Lituânia, com um salto de 1.97m.

Na Vara, a vitória sorriu à líder mundial e favorita Anzhelika Sidorova, atleta neutral autorizada, da Rússia, com 4.85 metros. Na Prata, a britânica Holly Bradshaw, que há poucos meses perdeu o seu patrocínio, a mostrar mais uma vez que essa não terá sido a melhor decisão de uma conhecida marca desportiva. Depois 5 atletas igualadas a 4.65, com o Bronze a ir para Nikoléta Kiriakopoúlou, da Grécia. Sim, a Grécia teve uma medalha na Vara e não foi Katerina Stefanidi…que saltou 4.65, mas só à terceira tentativa e nada mais conseguiu saltar. 

Destaque grande para os 8.38 metros que deram a vitória a Miltiádis Tentoglou (GRE) no Comprimento, somando o título indoor ao outdoor, no maior salto de um europeu em pista coberta nos últimos 10 anos. Na Prata, recorde pessoal para Nilsson Montler (SWE) com 8.17m. O Bronze foi para Strahinja Jovancevic (SRB) com 8.03 metros.

Ivana Spanovic (SRB) assumiu o favoritismo no Comprimento e saltou 6.99 metros, marca líder mundial do ano, renovando o seu título e provando que teria tido argumentos para vencer em Berlim, não fosse a lesão. Na Prata, surpreendentemente, Myronchyk-Ivanova, da Bielorrússia, com um salto de 6.93 e com o Bronze ficou a ucraniana Maryna Bekh-Romanchuk com 6.84 metros. Uma das grandes favoritas, a alemã, campeã europeia ao ar livre, Malaika Mihambo ficou fora do pódio nuns campeonatos dececionantes para a Alemanha…

No Peso feminino, vitória para Radoslava Mavrodieva (BUL), com 19.12 metros, novo recorde pessoal. A Prata ficou com, a que era a favorita, Christina Schwanitz (GER) ao fazer 19.11. Já o Bronze foi para Anita Márton (HUN) com 19 metros, mostrando que afinal já está num nível melhor que até aqui tinha mostrado.⠀

Jorge Ureña (ESP), numa grande prestação, conquistou o Ouro no Heptatlo, com 6218 pontos no total, muito próximo do seu recorde pessoal. A Prata foi para o atleta da casa Tim Duckworth ao fazer 6156 e o Bronze para Ilya Shkurenyov a apenas 11 pontos. ⠀

Por fim, nas estafetas, a Bélgica provou o que antecipámos, fechando em 3:06.27 no Ouro, mas a Espanha surpreendeu, com 3:06.32, novo recorde nacional, na Prata. Já o Bronze ficou para a França com 3:07.71, deixando a Polónia fora do pódio, num desfecho totalmente surpreendente, um ano depois do recorde mundial em Birmingham. 

Desta vez, a prova feminina fechou os campeonatos e confirmou-se o domínio habitual polaco, embora menos acentuado do que o esperado, fechando em 3:28.77. A Grã-Bretanha ficou com a Prata em 3:29.55, com um grande percurso final e a Itália levou o Bronze, num tempo de 3:31.90.

Geral: A Polónia teve mais Ouros (5), mas a Grã Bretanha, com apenas menos um Ouro, teve mais medalhas (12 face às 7 polacas). No 3º lugar (em ambas as contagens) ficou a Espanha com 6 medalhas, 3 delas de Ouro. 

Os Campeonatos Europeus em Pista Coberta regressam em 2021 em Tórun, na Polónia. Agora venha o ar livre! 

Foto de Capa: FPA

Artigo em colaboração com Planeta Atletismo

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Pedro Pires

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