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Etapas que marcam: Aguenta, Rui!

José Baptista · 4 min

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O Tour de Suisse 2018 terminou este fim-de-semana com um pouco surpreendente regresso do australiano Richie Porte às vitórias. Numa prova usada como preparação por vários candidatos à vitória no Tour de France, a escalada a Arosa voltou a ser uma das etapas chave, com Nairo Quintana a testar os adversários com um ataque de longe que lhe valeu o triunfo na jornada. 

Com isso em mente, decidimos reviver, numa rubrica certamente a repetir, a etapa de Arosa de 2012, um dia importante para o “nosso” Rui Costa que, tal como Porte, resistiu aos avanços adversários para se manter de camisola amarela envergada.

Após o prólogo inaugural, o Tour de Suisse 2012 teve logo uma chegada em alto, ao Verbier e foi Rui Costa que surpreendeu e venceu a etapa, batendo o campeão luxemburguês Frank Schleck e passando a envergar a camisola amarela. A etapa decisiva seguinte foi o contrarrelógio da sexta etapa, em que o português foi oitavo e aumentou a vantagem para os adversários. Assim, e com um dia final que não deveria ser duro o suficiente para grandes diferenças, restava a sétima etapa, de montanha e chegada em alto a Arosa, para tentar destronar Rui Costa.

Na luta pela vitória da etapa, uma fuga de quatro elementos constitui-se cedo na jornada. Michael Albasini, o homem da casa, arrancou na subida a Castiel e só Peter Velits o conseguiu acompanhar. Ainda não se subia a Arosa e Albasini voltou a atacar, seguindo desta vez a solo. Com uma vantagem de três minutos para gerir sobre o pelotão, conesuiu gerir até final e somar a única vitória suíça na prova nesse ano, consumando a excelente época de estreia da Orica – GreenEDGE. 

Albasini, homem da casa, foi o vencedor da etapa
Fonte: Mitchelton-Scott

Já no grupo dos homens da Geral, a corrida também começou a aquecer ainda em Castiel, com a Rabobank de Robert Gesink (terceiro a 55 segundos) a colocar um forte ritmo que encurtou o grupo para somente à volta de 20 unidades. Na descida haveria lugar a um reagrupamento, mas estava dado o mote para o que aí vinha.

Assim que se começou de novo a subir, desta vez já em Arosa, a Rabobank voltou a assumir o comando e o trabalho de Laurens Ten Dam começou a dar frutos com ciclistas a descolar à medida que os metros passavam. Rui Costa, o camisola amarela, já não dava as melhores indicações e, ainda seguindo no seio do grupo, já estava longe da frente, posto onde um líder forte sempre gosta de se mostrar.

À falta de seis quilómetros para a meta, também a RadioShack de Schleck se chega à frente para endurecer a corrida. Jakob Fuglsang é o homem que toma a dianteira do grupo e acelera, deixando ciclistas em dificuldades por todo o lado. Pouco depois da entrada ao serviço do dinamarquês, alcançam Velits, assegurando que mais uns segundinhos de bonificação estarão em disputa.

Rui Costa finalmente cede e começa a ver os adversários recuperarem-lhe tempo. Frank Schleck não perde a deixa e rapidamente reage, atacando. Na roda leva Mikel Nieve e a eles junta-se Levi Leipheimer. É um grupo de elite, este que se destaca, e que, em Schleck e Leipheimer, conta com os dois vencedores anteriores desta prova.

A corrida passa a fazer-se a dois tempos: na frente, Schleck é o motor do grupo, fazendo tudo para roubar uns segundos extra a Costa, que, por seu lado, coloca o seu ritmo e tenta manter-se na luta pela Geral, contando para isso com o apoio de Alejandro Valverde. O seu mais consagrado colega de equipa parece com melhores pernas que o português, mas não se inibe de fazer um papel secundário e servir de gregário para tentar levar Rui Costa à vitória final.

Schleck e Leipheimer foram os principais perigos ao ataque em Arosa
Fonte: Quick-Step Floors

A dois quilómetros do fim, a diferença entre grupos já é de um minuto e dezoito segundos e Schleck o líder virtual, pelo que o luxemburguês faz uma última aceleração nos metros finais. Quem sai a ganhar são os seus colegas de ataque, que o ultrapassam no final para serem eles os beneficiados pelas bonificações de segundo e terceiro da jornada.

Começa a espera pelo líder e, entretanto, vão aparecendo outros ciclistas, entre eles Gesink que não é capaz de rematar o trabalho da sua equipa, mas, ainda assim, é dos que mais perto da frente termina. Finalmente, Rui Costa é o 14.º a cruzar a meta, a mais de dois minutos do vencedor Albasini, mas a menos de um minuto do grupo de Schleck e, por isso, conseguia o hercúleo feito de se manter de amarelo.

À entrada da última jornada, teria para se defender 14 segundos sobre Schleck e 21 sobre Leipheimer. Num dia acidentado, mas com muito menos dureza, não passaria dificuldades de maior e confirmaria uma das maiores vitórias da história do ciclismo português. Uma vitória cujas bases foram construídas com uma exibição combativa e de sofrimento em Arosa. 

Foto de Capa: Movistar Team

José Baptista

Redação Bola na Rede · ver artigos