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A primeira edição da Elite Cup teve lugar em Coimbra, onde os oito primeiros classificados da época 2015/2016 de Hóquei em Patins “aqueceram” os motores rumo à próxima temporada. O formato da competição (jogos a eliminar, com quatro encontros por dia, desde a passada sexta-feira até ao dia de hoje, contando com as muito elogiadas novidades da contagem do tempo de ataque[45 segundos] e do aumento dos descontos de tempo[em vez de um em cada parte, pôde usar-se um desconto de tempo de um minuto e dois de meio tempo a qualquer altura do jogo]) agradou à maior parte dos intervenientes, e contou ainda com transmissão televisiva dos principais jogos, o que demonstra, de certa forma, a credibilidade dada à prova.
No primeiro dia, imperou a lei do mais forte, com os quatro primeiros classificados a superiorizar-se aos adversários que terminaram a última temporada entre o 5º e o 8º posto na tabela classificativa da 1ª Divisão de Hóquei em Patins. O Benfica ( campeão) derrotou o Turquel (8º) por 6-1, o Porto (2º) venceu o AJ Viana (7º) por 9-2, a Oliveirense (3ª) bateu o Valongo (6º) por 2-1, e o Sporting (4º) superiorizou-se ao Óquei de Barcelos (5º) por 4-1.
Os derrotados e os vencedores do dia inaugural enfrentar-se-iam no dia seguinte. Óquei de Barcelos e Juventude de Viana garantiram a disputa do 5º e 6º lugar da Elite Cup, marcada para hoje, ao baterem, respectivamente, Turquel (6-3) e Valongo (5-4), equipas que, dadas as duas derrotas, tinham as ambições limitadas ao 7º lugar da prova. Nas meias-finais, o Porto dizimou a Oliveirense por 9-3, e o Sporting, num jogo repleto de emoções e golos, venceu o Benfica por 7-6.
Domingo abriu com a disputa do 7º lugar, conquistado pelo Turquel, depois de derrotar o Valongo por 3-2. Mais tarde, o Óquei de Barcelos garantiria o 5º posto, ao derrotar o Juventude de Viana por 5-2 e, no jogo de atribuição de 3º e 4º lugar coube à Oliveirense garantir o último lugar do pódio, depois de vencer o Benfica por 6-1. Chegávamos, pois, à final do torneio, onde FC Porto e Sporting eram intervenientes, cada um à procura da vitória e do consequente embalo moral para objectivos diferentes – os dragões para tentar derrotar o campeão nacional e europeu, Benfica, na Supertaça de Óquei, que se disputa no próximo fim-de-semana, e os leões para marcarem uma posição no panorama nacional do desporto. Nenhuma das equipas abordaria, portanto, esta final, com leviandade.
A prova da seriedade com que abordaram o jogo esteve na forma como, nos minutos iniciais, ambas equipas colocaram a defesa da sua baliza como prioridade. Não se podia correr o risco de sofrer um golo nos instantes iniciais, e demorou até que uma das equipas se soltasse do medo de perder. Foi o FC Porto que o fez, e ganhou dividendos nesse aspecto, atirando uma bola a trave e criando muito perigo junto da baliza sportinguista, não lhe permitindo, ao mesmo tempo, sair para o ataque. O problema é que, a defendê-la estava Ângelo Girão, uma autêntica muralha que colocou o ataque do Porto (sobretudo Goncalo Alves, a quem defendeu um lance livre, após falta de Tuco) à beira de um ataque de nervos, mantendo o resultado a zeros até ao intervalo.

Da primeira para a segunda parte, pouco se alterou, e o FC Porto continuava a comandar as operações, mantendo a objectividade nos seus processos, mas tinha uma autêntica montanha tapar o acesso ao golo, que permitiu aos leões crescer na partida. As defesas de Girão galvanizaram o Sporting e passou-se a acreditar na vitória. E quem acredita…vai. O Sporting teve mais bola no reduto do Porto, e o golo surgiu por André Centeno. O Porto pareceu desanimar, e um minuto depois, Goncalo Alves cometeu falta sobre Font, a décima do Porto que significou lance livre para o Sporting. Chamado à marcação, o espanhol que sofrerá a falta converteu-o e fez o 2-0 aos 9 minutos da segunda parte.
O FC Porto não conseguiu reagir, e só a 3 minutos do final foi capaz de beliscar a superioridade estratégica do Sporting, por Vitor Hugo, que fez o 2-1. A equipa portista voltou a colocar-se por cima, mas Girão e a experiência de Pedro Gil (gerindo a posse de bola e cortando linhas de passe aos portistas) atenuou a reação do adversário, que, a 30 segundos do fim abdicou do guarda-redes para criar superioridade numérica no ataque em busca do empate, mas o Sporting estava muito bem fechado, e foram os leões a ampliar a vantagem fazendo “call” ao “all-in” portista – em contra-ataque, 3-1 por Centeno.
O Sporting venceu a Elite Cup, uma prova que contou com o bicampeão nacional e europeu, Benfica e o vencedor da Taça de Portugal, FC Porto. Venceu a concorrência e marcou uma posição rumo à afirmação plena no panorama nacional quando ainda há duas épocas estava no segundo escalão. Passou de girino… a Girão, figura maior deste Sporting e que ilustra a sua ambição – foi eleito melhor jogador do torneio. Dois troféus, um individual e um colectivo, que podem significar muito para o futuro do clube no Hóquei em Patins.
Sala de Imprensa
Guillem Cabestany, treinador do FC Porto:
“É bom poder defrontar as melhores equipas do ano passado, com esta intensidade e exigência física.
A convivência entre as equipas, antes do jogo também foi muito boa e é muito positivo poder conversar com os meus colegas.”
Guillem Perez, treinador do Sporting:
“A final não foi muito bonita para os adeptos porque fisicamente as duas equipas estavam algo cansadas e porque nós ainda não temos os mecanismos defensivos e ofensivos de que precisamos.”
“Achei a implementação das regras algo positivo, sobretudo a implementação do cronómetro de 45 segundos”
“Temos muita vontade de iniciar o campeonato, mas não temos mais objectivos do que o ‘jogo-a-jogo´”
[No primeiro ano de treinador, em Portugal ]“Estou a ser bem recebido pelos meus colegas de profissão”
João Pinto, capitão do Sporting:
“É sempre bom começar a ganhar, numa prova que para nós já era a valer, e que está muito bem organizada, e cuja organização quero parabenizar. Desejo que a federação possa tirar ilações desta inicativa”
Ângelo Girão, guarda-redes do Sporting e melhor jogador do torneio:
“Todos queriam ganhar a prova. Nós também e ficamos contentes por isso. Mostrámos que o Sporting está cá para ganhar”
“É de louvar esta iniciativa, porque o Hóquei precisa. Espero que quem de direito olhe para isto”
Rui Carvalho, presidente da ANACP:
“Fazemos um balanço extremamente positivo. Os clubes aderiram e verificou-se um envolvimento muito grande, de forma a que se contribuisse para a promoção da modalidade.”
“A continuidade da prova é viável. Acredito que possa voltar a ser em Coimbra”
“Conseguimos 2326€ de receita [os preço dos bilhetes para cada dia era de 2 euros, podendo ser de 5 para os restantes], que reverterão para a Associação Integrar, na qual apostámos este ano, que também já nos ajudou”













