Os Momentos do Ano de 2021 nas Modalidades

CICLISMO

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Este “Inferno do Norte” não foi para anjinhos – 903 dias depois… o “Norte” voltou a ser o palco predileto do inferno. A três de outubro de 2021, as bicicletas dos ciclistas mais valentes do pelotão internacional voltaram a experienciar o que é fazer o Paris-Roubaix, a famosa competição francesa que este ano contemplou 257 quilómetros, 31 setores de piso empedrado e lama, muita lama.

Já se previa uma 118ª edição excêntrica. O nível de dificuldade associado às características da prova e as condições climatéricas prometiam ter grande influência. Resultado final? Uma corrida memorável. Sonny Colbrelli derrotou Florian Vermeersch e Mathieu Van der Poel na linha de meta, abrilhantando uma época positiva e quebrando o enguiço italiano em Roubaix (22 anos desde que Andrea Tafi conquistou a última para os transalpinos).

Não é preciso grande ciência para descortinar como Colbrelli venceu: aliado a uma grande capacidade de sofrimento, o atleta da Bahrain Victorious procurou manter-se sempre em contacto com um alvo em específico, usufruindo das boas condições físicas para se aguentar na roda certa, poupando energias e posicionando-se onde todos gostariam de estar, ou seja, colado a Van der Poel.

Pelo meio, um nome controverso no pelotão em muito contribuiu para um clímax de suspense tremendo. Gianni Moscon (Ineos Grenadiers) terminou na quarta posição, mas foi por um triz que não ganhou, ou será melhor dizer que foi por dois?

O “Inferno do Norte” sempre foi um dos momentos de qualquer época ciclística. Este, em especial, coloca-se entre alguns dos melhores da história moderna da modalidade. Gianni Moscon faz parte dele, e de que maneira. Uma fuga épica quase deu em vitória. Esse quase ganhou vida com duas quedas em dois momentos chave para o italiano. Pressão? Azar? Incapacidade? A verdade é que Moscon viria a ser apanhado pelo trio acima descrito.

A lama foi o ingrediente que catapultou este espetáculo para outro nível. Sinal de adversidade, perigosidade e valentia, o fator extra de dificuldade hipotecou a corrida a muitos e alegrou a experiência daqueles que em casa estavam no sofá a assistir.

É estranho exaltar 257 quilómetros e seis horas de corrida como “o momento do ano”. Os ataques de Tadej Pogacar seriam um caminho, as explosões de Mathieu Van der Poel outro, no entanto, a forma entusiasmante como esta corrida se sucedeu extravasa qualquer individualidade. Que saudades que eu já tinha de um Paris-Roubaix!

André Antunes e Ricardo Rebelo

Redação BnR
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