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O futuro do Sporting Clube de Portugal começou a ser preparado assim que Rúben Amorim pisou o Estádio José de Alvalade. Desde a sua apresentação que ficou claro que existia um projeto a longo prazo, que passava por potenciar e valorizar jogadores. E foi isso que aconteceu desde o primeiro momento.
Há nomes em Alcochete que ainda levarão algum tempo até ser elementos-chave da formação principal, mas que aos poucos irão integrar a equipa. Neste artigo não vou dar asas aos sonhos que os sportinguistas possam ter, vou sim mais realisticamente olhar para aquilo que poderá ser o onze leonino na próxima época.
Guarda-redes – António Adán

Parece-me que uma passagem de testemunho não se espera na próxima temporada. O empréstimo de João Virgínia não está a ser aquilo que se esperava, tendo menos minutos do que o que se previa. Nem o homem das taças foi. Diego Callai é ainda muito jovem, e por mais qualidade que tenha não vejo o lugar do espanhol em risco.
Quando Adán chegou a Alvalade, Luís Maximiano detinha o lugar da baliza dos leões. E o que muitos pensaram foi que o experiente guardião viria ajudar o jovem português a assumir-se como o futuro da baliza verde e branca. A verdade é que depois de uma pré-época que o mesmo deu a entender, a partir da 1ª jornada do campeonato o espanhol assumiu o posto.
A contratação de António Adán foi sem dúvida nenhuma fundamental para o sucesso que os leões tiveram. Sempre muito forte entre os postes. Ofereceu a segurança de que o clube de Alvalade mais necessitava.
Defesa – Inácio, Coates e Matheus Reis
Fonte: Carlos Silva / Bola na RedeSebastián Coates ou El Patrón é o líder da formação comandada por Rúben Amorim. Coates que aceitou uma redução de salário na renovação do contrato mostra bem a sua entrega para com o clube.
É um favorito dos adeptos e foi com a defesa a cinco de Amorim que o uruguaio atingiu o seu melhor. Como central do meio é muito seguro e faz as compensações aos seus companheiros como ninguém. É imperial. É a voz de comando da equipa, e enquanto puder será ele e mais dez.
Com o salto qualitativo de Matheus Reis, Gonçalo Inácio não poderá assumir a posição que lhe seria naturalmente entregue, a de central pela esquerda. Mas olhando para as opções que Rúben Amorim tem agora à disposição, Matheus Reis e Inácio são as melhores para acompanhar Coates.
Meio-campo – Porro, Bragança, Ugarte e Vinagre

Creio que Pedro Porro jogará pelo menos mais uma temporada de leão ao peito. O Sporting CP vai adquirir o passe do lateral espanhol. Não se sabe ainda ao certo como decorrerá o negócio dado o interesse do clube inglês em Matheus Nunes. O Sporting tem opção de compra por Porro, mas o City procura incluí-lo no negócio de Matheus. O que é certo é que Porro passará a ser detido pelo atual campeão português.
Daniel Bragança terá finalmente a sua hipótese? O talentoso médio viu Matheus agarrar o seu lugar com garras e dentes, e agora tem os tubarões à perna. Caso o City o leve, Bragança terá a melhor oportunidade desde que foi integrado no plantel principal. Os sportinguistas esperam que a agarre. Ao seu lado, Manuel Ugarte. O uruguaio tem surpreendido tudo e todos, e aos 20 anos joga com maturidade de 30. Evoluído com bola, um poço de força, com pulmões que não cedem. Interseta, desarma, é um todo o terreno.
Do lado esquerdo e por força dos milhões, Rúben Vinagre vai ser a aposta para a lateral esquerda na temporada 22/23. Emprestado pelo Wolverhampton Wanderers FC, Vinagre não tem tido uma estadia feliz em Alvalade. Além de a sua condição física não ser a melhor, desde o pesadelo Antony que a sua época ficou condicionada. Perdeu confiança e espaço. Mas acredito que na próxima época será o condimento que vamos precisar para o corredor esquerdo.
Ataque – Pote / Slimani, Paulinho e Edwards

Pode não ser o melhor jogador argelino de sempre, mas o melhor marcador de sempre do seu país é. E é de golos que o futebol vive, e é dos golos, sobretudo aos maiores rivais, que Slimani marcou, que os sportinguistas recordam a sua primeira passagem com tanto carinho. Mas não só. Chegou por 300 mil, saiu por 30 milhões. Se não tivesse corrido o que correu, lutado o que lutou, muito provavelmente não seria tão amado.
A idade pode não lhe permitir ser titular na maioria dos jogos, mas com Slimani como homem de área, Paulinho parece sentir-se mais confortável. A responsabilidade de marcar dissipa-se e os golos acabam por aparecer naturalmente. Mais liberto é mais útil e mais oferece à equipa. Complementam-se, e por isso diria que são uma dupla de sucesso.
Pedro Gonçalves tem tido uma época conturbada, mas os sportinguistas esperam que a próxima temporada volte a marcar como fez na época de estreia. Pote já valorizou e já desvalorizou. Uma primeira época arrebatadora. A segunda tem sido mais tímida. Acredito que por isso ficará mais um ano, pelo menos.
Com a muito provável saída de Sarabia, Marcus Edwards é o nome para colmatar o espaço que o espanhol deixará. O experiente e talentoso avançado emprestado pelo Paris Saint-Germain FC veio para Portugal para relançar a carreira. Já proporcionou momentos felizes ao Sporting e aos sportinguistas, momentos esses que certamente também o feliz fizeram e que sem dúvida o irão catapultar para outros destinos, caso assim deseje.
Uma base sólida

Mantendo muitos dos jogadores que atualmente integram o plantel é fundamental para manter o sucesso. E pelo que me parece, o Sporting tem neste momento condições para segurar um núcleo duro de jogadores, sobretudo se garantir a entrada direta na Liga dos Campeões. À exceção de Matheus, Sarabia e talvez de Palhinha, os restantes parecem estar assegurados para a próxima temporada.
Uma base sólida aliada à contratação de jogadores que possam vir a acrescentar qualidade e à subida de jovens jogadores da formação que mais motivados é impossível encontrar é a receita a seguir para continuar a evoluir.









