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Que venham mais jogos da seleção sub-21! | FC Porto

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Neste artigo vou-vos falar de três jogadores em que o impacto da recente paragem para as seleções foi francamente positivo. Não se trata de atletas internacionais pela seleção A de um país, mas sim pelos sub-21. E, se eu vos disser que são portugueses e jogam na equipa A do FC Porto, acho que já devem saber de quem eu estou a falar. Nada mais nada menos do que Diogo Leite, Fábio Vieira e Francisco Conceição. Na minha opinião, estes são os três internacionais sub-21 portistas que melhor beneficiaram da ida à seleção. Se foi um fator de confiança? Acho que é a melhor palavra chave para descrever o impacto desta pequena pausa no Olival.

Começando por falar em Diogo Leite, é um dos casos mais flagrantes de como uma ida aos sub-21 ajudou muito na confiança de um jogador que pouco jogava no FC Porto. O jovem central portista sempre foi um jogador no qual a massa associativa e a estrutura portista depositaram muitas confianças. Fazia parte da geração da defesa dos “Diogos”, venceu a UEFA Youth League e teve um percurso notável quer ao serviço da formação portista como ao nível da seleção. A chegada à equipa principal deu-se na época de 2018/2019, mas nunca houve uma afirmação absoluta do jogador como titular. No entanto, vermos a braçadeira de capitão e um número como o 4 nas costas de Diogo Leite já foram dados, apesar de tudo, positivos.

Na presente temporada, o defesa central de 22 anos participou em 22 jogos pelo FC Porto. Até à paragem para as seleções, Diogo Leite não era o defesa central que mais vezes aparecia no onze inicial portista. Muitas vezes víamos Sarr no banco e o jovem português nem convocado era. A verdade é que, mesmo depois de uma má exibição em Portimão frente ao Portimonense, a paragem das seleções permitiu a Diogo Leite ganhar confiança (por ser um dos pilares de Rui Jorge) e jogar com maior regularidade na equipa. Nos últimos dois jogos para o campeonato (CD Santa Clara e CD Tondela), Diogo Leite cumpriu os 90 minutos como titular. Podemos argumentar que Sarr é uma carta praticamente fora do baralho e que Mbemba e Pepe têm sofrido um pouco com as lesões, mas a verdade é que o número 4 está lá.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

De seguida, falo-vos de Fábio Vieira. Para mim, este é o caso em que a seleção sub-21 caiu mesmo que nem uma luva. Já não me lembrava de ver Fábio Vieira a ser uma opção fiável na equipa de Sérgio Conceição e a mostrar a qualidade que tínhamos visto nos últimos jogos da época transata. Antes da paragem, víamos quase sempre “Fora da equipa” ou “suplente não utilizado”.

Foi, sem dúvida, uma consequência daquele jogo infernal frente ao Boavista FC no Estádio do Dragão em que Sérgio Conceição deixou grandes críticas de forma indireta a Fábio Vieira e João Mário. O número 50 voltou a ganhar confiança, até pelo golo marcado pela equipa das quinas, e foi suplente utilizado nos últimos quatro jogos do FC Porto em todas as competições. Já João Mário nunca mais mereceu a confiança do técnico portista.

Por fim, falo-vos do jogador que ganhou menos com a pausa para as seleções. Por eu dizer que ganhou menos não quer dizer que tenha vindo desmotivado. Os seus índices de confiança é que já estavam tão altos que era impossível subir mais, e mesmo assim chegou a marcar pela seleção. Francisco Conceição foi um dos maiores motivos para a exclusão de João Mário e Felipe Anderson das escolhas de Sérgio Conceição. Desde aquele célebre encontro frente ao Boavista FC, Chico tornou-se numa arma secreta para entrar sempre que o jogo não estivesse favorável para os azuis e brancos.

Com paragem ou não para as seleções, tenho quase a certeza de que a aposta no jovem extremo se iria manter. Com aquele estilo matreiro sempre colado ao pé esquerdo, entrou nos últimos três jogos do FC Porto, antes da segunda mão contra o Chelsea FC, desde a chegada das seleções. Não é uma novidade, mas podemos perceber que a ida à seleção não estragou de forma alguma o índice de confiança do jovem portista. É sempre bom para um jovem com idade júnior já estar neste patamar quer ao nível do clube como da seleção.

São assim três casos que mostram como muitas vezes a paragem das seleções pode trazer mais que o cansaço e o vírus FIFA. O índice de confiança é um dado cada vez mais preponderante num atleta profissional de futebol. Que venham mais jogos da seleção sub-21!

Apresentação MOFC Racing Team: Rodas postas no futuro

QUATRO PORTUGUESES E UM ESPANHOL INTEGRAM PROJETO LUSO

No passado dia 6 de Abril, Miguel e Paulo Oliveira, juntamente com elementos da estrutura do Miguel Oliveira Fan Club, fizeram via conferência zoom a apresentação oficial da equipa que irá competir no campeonato português e espanhol de Moto4 (ESBK) e Supersport 300 em 2021. A MOFC Racing Team será composta, este ano, por quatro jovens pilotos portugueses e um espanhol, com idades compreendidas entre os 11 e 15 anos, e cujos perfis apresentamos abaixo.

Francisco “Kiko” Pires (#73), 19/12/2006 – crescendo no seio de uma família apaixonada por desportos motorizados, o paciente e metódico piloto de Oeiras conta com três épocas de experiência, e ao longo dos anos já acumulou vitórias e pódios (inclusivamente na Oliveira Cup). Este ano vai disputar o campeonato nacional de velocidade, novamente na categoria Moto4.

Fonte: Kiko Pires

Guilherme Gomes (#38, #6), 26/05/2006 – sentou-se numa RAV pela primeira vez aos 10 anos, e desde aí não mais parou de acelerar. Competiu com sucesso na Oliveira Cup (Ohvale e MiniGP) antes de subir às Supersport 300 e ao campeonato nacional de velocidade, onde compete desde o ano passado. Este ano está aos comandos de uma SS300 da MOFC Racing Team e já correu em Jerez, a sua estreia em palcos “além-fronteiras”.

Fonte: Miguel Oliveira Fan Club

Afonso Simões de Almeida (#95, #22), 27/11/2006 – tirou inspiração para o número de um famoso carro animado (Faísca McQueen), mas foram as duas rodas que o cativaram. Começou cedo na categoria MiniGP da Oliveira Cup, onde evoluiu durante três anos (2017-2019), e somou inclusivamente uma vitória antes de subir às Supersport 300 em 2020. Multifacetado, “Almeida” tem talento para o piano e para o futebol, e ainda aptidão para segurar motas a alta velocidade em condições adversas, um talento que pode vir a ser particularmente útil no futuro.

Fonte: Miguel Oliveira Fan Club

Afonso Duarte de Almeida (#10), 10/08/2009 – o português mais benjamim da equipa não tarda em causar impacto por onde passa. Recheou uma época de pódios na Oliveira Cup em 2019, venceu o campeonato nacional de Moto4 no ano seguinte (com apenas 10 anos), e já somou pontos no campeonato ESBK espanhol, tanto em 2020 como na primeira prova de 2021 disputada em Jerez. Mostra motivação e profissionalismo acima dos seus anos e pode vir a ser um nome de relevo no motociclismo nacional.

Fonte foto: Miguel Oliveira Fan Club

Fernando Bujosa (#69) – Também com 11 anos de idade e nascido em Palma de Maiorca, Espanha, “Fer” vem de terra de campeões e é visto em Espanha como um dos grandes talentos emergentes do país. “Captado” pela MOFC Racing Team para 2021, já retribuiu a aposta com um 6º lugar e um pódio que por pouco não acabou mesmo em vitória, nas duas corridas disputadas em Jerez. Um sinal claro de que o maiorquino tenciona juntar sucessos em Moto4 (ESBK) ao seu currículo ganhador nas categorias de iniciação.

Fonte: Miguel Oliveira Fan Club

Feitas as apresentações dos pilotos, Paulo Oliveira, pai e agente de Miguel Oliveira, e líder da MOFC Racing Team, definiu então as “traves mestras” do projecto, que envolve um staff de cerca de 20 elementos e se expande além-fronteiras. Na base do projecto está a contribuição de patrocinadores, receitas de “merchandising” e investimento pessoal das famílias e “sponsors” dos atletas, com os fundos a serem então canalizados para a preparação das motas, custos de competição e tudo o que seja necessário para a logística e que se traduza numa boa base para a performance dos pilotos nos vários campeonatos.

Os pilotos “são captados com base nas suas prestações individuais e na dedicação que mostram ao desporto motorizado”, diz Paulo Oliveira, e é a partir daí feito pela MOFC Racing Team o acompanhamento até ao nível mais alto possível, que é, neste momento, os campeonatos de Moto4 e de Supersport 300 nacionais e espanhóis.

Já para Miguel Oliveira, grande mentor do projecto e já uma figura maior do motociclismo nacional, “a equipa nasce de uma lacuna no sistema de iniciação no motociclismo em Portugal” e tem como objectivo principal “formar jovens talentos a nível profissional e pessoal”.

Para isso, a MOFC Racing Team disponibiliza ferramentas e o máximo acompanhamento humano possível, dentro das possibilidades de calendário e recursos da equipa. O piloto português comentou que já “rodou” em pista com os jovens e revelou ainda que Bruno Jorge, seu preparador físico e treinador, irá também acompanhar e aconselhar os novos talentos na vertente física do desporto, confirmando a aposta da equipa no crescimento multidisciplinar dos cinco talentos.

Com uma corrida já disputada no calendário do campeonato espanhol de ESBK, que teve lugar em Jerez de la Frontera no passado fim de semana, os sinais são animadores: pódio conquistado por “Fer” Bujosa depois de uma corrida sempre no grupo da frente, e bons desempenhos por parte de Afonso Duarte de Almeida, que terminou uma das corridas no Top 10, e Guilherme Gomes, que em SS300 acabou a corrida de domingo no 34º lugar de um longo pelotão, numa mota por enquanto menos competitiva.

O calendário completo das competições, bem como os perfis dos pilotos e outras notícias podem ser consultados no site oficial da equipa. Da nossa parte, iremos acompanhar com grande interesse a evolução daquelas que podem vir a ser as estrelas do futuro do motociclismo nacional e ibérico.

Foto de Capa: Miguel Oliveira Fan Club

«Com 39 anos pareço o pai deles todos e penso se o “velhinho” ainda devia continuar aqui» – Entrevista BnR com Mário Sérgio

Mário Sérgio é, com muito orgulho, natural da cidade de Lordelo, Paredes. Foi em Paços de Ferreira, a poucos quilómetros de casa, que deu os primeiros passos no mundo do futebol, chegando mesmo à Primeira Liga pela equipa principal. Passou pelo Sporting, jogou ao lado de Cristiano Ronaldo em Atenas e até teve de parar Messi, Neymar e Suarez na Champions League. Hoje, com 39 anos, continua aqui para as curvas, defende as cores do FC Felgueiras 1932 e enquanto o corpo deixar pretende continuar a desfrutar desta profissão que tanto lhe deu.

«Não ia ter as oportunidades que queria no Sporting CP e acabamos a rescindir por mútuo acordo»

Bola na Rede: Boa tarde, Mário! Antes de mais obrigado por teres aceite o nosso convite. Vamos tornar isto uma conversa normal entre dois apaixonados pelo futebol, utilizando a tua carreira como fio condutor. Como é tradicional começamos pelo início. Como foi a tua entrada no mundo do futebol?

Mário Sérgio: Boa tarde! Por mim tudo bem, vamos a isso. Então, eu entro cedo no mundo do futebol, tinha oito anos quando comecei a jogar no Paços de Ferreira, sou de Lordelo e fiz a minha formação toda no Paços.

Bola na Rede: Com que idade te estreias pela equipa principal?

Mário Sérgio: Estreei-me com 18 anos, estava no meu segundo ano de júnior quando fui chamado para equipa principal. Isto acontece no ano em que subimos à Primeira Liga. Começo a carreira em grande, subi pelos juniores e pelos séniores.

Bola na Rede: Preferencialmente a defesa direito, mas também jogavas a defesa esquerdo?

Mário Sérgio: Sim é verdade, mas para ser sincero não gosto muito de jogar a lateral esquerdo. Óbvio que se for preciso jogar nessa posição cumpro o meu papel sem problema nenhum, mas a minha preferência recai sob a ala direita. Nas camadas jovens joguei muitas vezes a médio, comecei a lateral direito no segundo ano de juvenil porque tínhamos muitas baixas no plantel. A partir daí viram que tinha potencial e ficou.

Bola na Rede: Três épocas na capital do móvel e chamas a atenção de um grande, o Sporting, como surge esta oportunidade?

Mário Sérgio: Acho que todos os jovens quando iniciam a sua carreira profissional ambicionam um dia poder jogar por um “grande”. Eu trabalhei muito para poder ter essa “sorte”, porque acho que é uma coisa que temos de procurar e trabalhar, não cai nada do céu. Fiquei muito contente quando aconteceu porque temos a oportunidade de jogar noutros palcos, como a Liga Europa e a Liga dos Campeões.

Bola na Rede: Apanhas um balneário recheado de craques, como João Vieira Pinto, Ricardo, Rui Jorge…

Mário Sérgio: Sim é verdade, na altura apanhei um bom plantel. Tinha o Paulo Bento, o Sá Pinto, o Liedson, o Beto… Todos grandes nomes e com grandes carreiras que representaram a nossa Seleção Nacional.

Fonte: FPF

Bola na Rede: O ano de 2004 foi um dos melhores anos da tua carreira. Assinas pelo Sporting, vais ao Europeu de Sub-21 e és chamado à seleção olímpica portuguesa que vai a Atenas.

Mário Sérgio: Foi um ano muito bom, estava a começar a minha carreira profissional da melhor maneira. Tanto nos sub-21 como nos jogos olímpicos tínhamos uma grande seleção, com Cristiano Ronaldo, Raul Meireles, Bruno Alves, Bosingwa, e a prova é que todos eles acabaram por fazer grandes carreiras.

Bola na Rede: Como foi representar o nosso país no europeu sub-21?

Mário Sérgio: Comecei a representar a seleção desde os Sub-20 treinado pelo Agostinho Oliveira e depois subi aos Sub-21 com o mister José Romão e fomos, salvo erro, à Alemanha disputar o Europeu. Ganhamos à anfitriã, que tinha estrelas como Schweinesteiger e Podolski e acabamos por ficar em terceiro lugar, o que nos permitiu estar presentes nos Jogos Olímpicos de Atenas.

Bola na Rede: Fala-nos dessa experiência em Atenas, outra vez pela mão do mister José Romão.

Mário Sérgio: É daquelas experiências que qualquer jogador gosta de ter no currículo, foi pena não conseguirmos ter um melhor desempenho na prova. Éramos um grupo jovem mas com talento e alguma experiência, porque podia-se chamar três jogadores mais velhos e se a memória não me falha, veio o Frechaut, o Fernando Meira e o Luís Boa Morte…

Bola na Rede: Jogas com o Cristiano Ronaldo…

Mário Sérgio: Sim, mas não foi a primeira vez. Quando assinei pelo Sporting ele ainda lá estava e fez a pré-época connosco. Depois fizemos o jogo de inauguração do estádio contra o Manchester United e foi quando eles o contrataram. Não é preciso dizer que era e é um jogador de grande qualidade, pela sua carreira acho que está à vista de todos. Assim como ele também apanhei o Quaresma, outro jogador que a carreira fala por si.

Bola na Rede: Faltou a seleção principal?

Mário Sérgio: Faltou jogar, porque cheguei a ser chamado (risos). Foi num jogo amigável no antigo estádio do Braga contra a Escócia. Trabalhei com eles, conheci o ambiente e só foi pena não ter entrado se não tinha somado uma internacionalização A. Mas pronto, o futebol é assim.

Bola na Rede: Depois de dois anos de leão ao peito surge empréstimo para o Vitória de Guimarães?

Mário Sérgio: Estive dois anos no Sporting, no primeiro ainda joguei, mas no segundo fui perdendo espaço. Como o meu foco sempre foi jogar com regularidade aceitei a oportunidade de representar o Vitória. Infelizmente esse ano acabou por não correr bem a nível coletivo, mesmo com uma boa equipa, descemos de divisão.

Bola na Rede: No fim da época a Naval resgata-te a título definitivo ao Sporting, sentiste que não ias jogar em Alvalade tanto quanto querias?

Mário Sérgio: Em conversa com os dirigentes percebi que não ia ter as oportunidades que queria e como ainda tinha mais um ano de contrato com o Sporting acabamos a rescindir por mútuo acordo. A Naval demonstrou interesse, tinha um bom projeto e contratou-me a custo zero.

Bola na Rede: Alguma vez pensaste que essa decisão era um retrocesso na tua carreira?

Mário Sérgio: Não vou mentir, claro que me passou pela cabeça, são equipas completamente diferentes e que lutam por objetivos distintos. Contudo, acabaram por ser dois anos muito importantes na minha carreira, precisava de jogar com regularidade, de me sentir útil e lá encontrei tudo isso.

Diversas lutas que prometem animar a Segunda Liga até final

Um líder a levar a cabo um passeio higiénico, mantendo o distanciamento social para os adversários; três novos intrusos numa frenética luta pela subida; uma salganhada total na batalha pela manutenção. Eis a Segunda Liga portuguesa a seis jornadas do fim do campeonato.

Começando pelo topo. O GD Estoril Praia está a passear na Segunda Liga. Joga um futebol que encanta, sofre menos e marca mais golos do que todos os adversários. Com uma diferença pontual significativa, dificilmente a turma estorilista não marcará presença na próxima edição da Primeira Liga. Destacar ainda que, apesar de toda a equipa ter enorme qualidade, Miguel Crespo tem sido um dos craques que mais tem impressionado.

Vamos descer já para a parte inferior da tabela, onde encontramos uma confusão total. Entre o ultimo classificado, o FC Porto B, e o 12º, o SC Covilhã, distam apenas seis pontos. Até ao fim, vai ser uma incerteza total quanto a quem poderá descer de divisão. A necessidade de pontos tem incitado muitas das equipas que lutam pela manutenção a provocarem surpresas no campeonato, e é isso que se espera até ao fim da época. Para seguir atentamente.

Antes de analisarmos a luta pela subida, vamos a umas menções honrosas. Leixões SC e SL Benfica B iniciaram o campeonato menos bem, mas com mudanças de treinador conseguiram alcançar uma grande tranquilidade. Talvez não passem por aí os objetivos das duas equipas, principalmente do Leixões, contudo assinala-se a melhoria. Já o CD Mafra começou a época em grande forma e acaba numa posição, apesar de tranquila também, algo aquém daquilo que se previu inicialmente. Importa destacar ainda o Casa Pia AC, que alcançou uma posição muito confortável na tabela, algo surpreendente tendo em conta a época passada.

Chegamos à luta pela subida. Ao longo de todo o campeonato, CD Feirense e Académica OAF lutaram titanicamente pela subida de divisão. Contudo, sucessivos deslizes dos dois emblemas levaram à chegada de três novas equipas a esta incrível luta pelo acesso à Primeira Liga: o GD Chaves, que tem vindo a alcançar bons resultados com o novo treinador Vítor Campelos, e os recém-promovidos FC Vizela e FC Arouca, que têm levado a cabo duas campanhas brilhantes na prova. Entre o sexto e o segundo classificados distam apenas 2 pontos, o que faz com que esta luta pelo acesso à Primeira Liga vá ser uma luta de gladiadores bastante interessante de acompanhar até final.

Darwin | A emoção de quem sente o peso da camisola

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Darwin Nuñez foi apresentado no SL Benfica a 4 de setembro de 2020. O avançado, de apenas 21 anos, custou à equipa encarnada 24 milhões de euros e tornou-se a contratação mais cara da história do clube – e do futebol português. Na cerimónia de apresentação, Rui Costa afirmou que o uruguaio, ex-jogador do UD Almería, era um reforço de peso e que será um dos grandes avançados da década, no futebol mundial.

Darwin prometeu dar o melhor de si, marcar golos e ajudar a equipa o máximo que conseguisse. Com estas declarações, e com uma cláusula de rescisão no valor de 150 milhões de euros, é impossível não sentir uma responsabilidade acrescida. Apesar do jogador ter assegurado que estes dados monetários não eram um peso, a verdade é que nunca deixam de o ser. Com este peso e responsabilidade vem também outro sentimento – a emoção. E de facto, Darwin e os sentimentos fortes parecem andar de mãos dadas.

Tudo começou nesse dia 4 de setembro. Depois de ter recebido a camisola do clube com o número nove, número que enverga, das mãos de Rui Costa, o jogador beijou o símbolo do clube e mostrou estar emocionado. Mas a história não ficava por aqui.

O uruguaio foi aposta de Jorge Jesus logo na primeira jornada da Liga NOS, frente ao FC Famalicão, fez as assistências para o primeiro e quinto golos da partida, mas não marcou nenhum golo. Mais jogos se passavam e os golos teimavam em não aparecer. Até que esse jejum terminou. Ao minuto 42 do jogo frente ao KKS Lech Poznań, a contar para a fase de grupos da UEFA Europa League, um cabeceamento fulgurante do jogador permitiu que as “águias” se adiantassem no marcador. Escusado será dizer que o uruguaio não conseguiu esconder a raiva que sentia até ao momento, por não conseguir faturar ao serviço da equipa.

Darwin Núñez tem tido uma época irregular
Darwin Núñez é a contratação mais cara da história do SL Benfica
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

A partir desse momento a tempestade parecia ter chegado ao fim, e o jogo frente ao Rangers FC demonstrou que Darwin sabia qual era o verdadeiro peso de vestir o Manto Sagrado. O jogador entrou aos 60 minutos e alterou o rumo do jogo. A equipa lisboeta perdia por 3-1, mas o jovem avançado decidiu que esse não era o resultado justo. Aos 77 minutos assistiu Rafa e aos 91′ marcou o golo do empate. Mais uma contribuição fulcral que permitiu que a equipa continuasse na competição.

Competições europeias à parte, na Primeira Liga o panorama não é o mais desejado pelo jogador. Até ao momento, tem cinco golos marcados e sete assistências, em 22 jogos, sendo que foi titular em 18 e suplente utilizado em quatro. Psicológico afetado, falta de confiança e exibições que ficavam aquém do esperado, a questão do peso da camisola parecia assombrar o jogador, visto que já não marcava desde fevereiro. No entanto, é importante referir que foi um dos muitos jogadores afetados pela COVID-19 e, a juntar a isso, sofreu uma lesão em março que, segundo Jorge Jesus, ainda o “incomoda um pouco em alguns movimentos de velocidade e travagem”.

Como se costuma dizer “depois da tempestade vem a bonança”. No último jogo, frente ao FC Paços de Ferreira o jejum foi novamente quebrado. Seferovic assistiu o “menino” do SL Benfica, que fez o 5-0 aos 89 minutos de jogo.  E se no início se podia falar de emoção, agora este tema ganhou ainda mais destaque. Nos festejos, Darwin não conteve a emoção e, abraçado pelos colegas de equipa, desfez-se em lágrimas.

No final do jogo, o treinador elogiou-o e confessou que a qualidade que o avançado outrora tinha demonstrado em campo vai voltar. E assim esperam os adeptos. Não só pelo investimento que SL Benfica fez para o contratar, mas também porque pode ser uma peça fundamental para ajudar a equipa na reta final da Primeira Liga. Exibições menos positivas à parte, o mais importante a reter é que só quem passa por situações como estas é que sabe e sente o verdadeiro peso de vestir esta camisola. Darwin não é exceção.

CD Mafra 0-4 Casa Pia AC: Chuva desfaz defesa de papel

A CRÓNICA: EFICÁCIA DO CASA PIA PENALIZA EM DEMASIA A EQUIPA DA CASA

O jogo da 28.ª jornada da Segunda Liga, entre CD Mafra e Casa Pia AC, era um desafio entre duas equipas do meio da tabela que necessitavam de vitórias para saciar a sede de vitórias no campeonato.

Apresentando os sistemas táticos habituais, e presenteados pela chuva, os primeiros minutos de jogo foram de equilíbrio a meio-campo e de muito estudo por parte das equipas. Com o passar dos primeiros dez minutos, o Mafra começou a subir no terreno, pressionando alto e obrigando a dupla de pivots do Casa Pia a falhar passes. Aproveitou, neste momento, o ala Gui Ferreira para se destacar, somando três oportunidades claras de golo e dando imenso trabalho ao veterano Ricardo Batista.

Fonte: Sebastião Rôxo / Bola na Rede

Aos 26 minutos e contra a corrente do jogo, a equipa visitante acabou por inaugurar o marcador numa jogada individual do nigeriano Saviour Godwin. O extremo tirou facilmente do caminho Cuca e rematou por baixo das pernas de Filipe Neves. A equipa da casa sentiu o toque e acabou por esmorecer na pressão que vinha – e bem – a fazer junto de Zolotic e Vítor Gonçalves.

Já perto do final do primeiro tempo, e através jogada de equipa entre Diego Medeiros e o lateral-direito Marvin Martins, o Casa Pia chegou ao segundo; o internacional luxemburguês soube subir no terreno e fazer uma combinação perfeita com o brasileiro para marcar e dar ainda maiores contornos de injustiça ao marcador.

Na segunda parte, a “receita” foi a mesma: o Mafra entrou melhor, muito dinamizado pelo suplente Lee, porém quem marcou foi o Casa Pia. Jogada interessante de Godwin pela esquerda e a finalização de Diego Medeiros que marcou à ex-equipa e fez o 3-0.

Acusando o golpe, a equipa da casa acabou por se conformar e, mesmo com as entradas de jogadores de cariz ofensivo, pouco foi o perigo que criou para a baliza de Ricardo Batista acabando por sofrer o último golo, que deu contornos de goleada, por intermédio de Camilo Triana.

Um resultado injusto para o que se passou em campo, mas que mostra as enormes fragilidades defensivas do Mafra e que prolonga a série negra de derrotas da equipa mafrense e afunda a mesma na classificação.

 

A FIGURA

Fonte: Sebastião Rôxo / Bola na Rede

Godwin – O extremo nigeriano esteve presente nos lances capitais do jogo e acabou por ser o jogador em maior destaque em campo.

O FORA DE JOGO


Estado anímico do CD Mafra – O Mafra está mal em termos desportivos e psicológicos. O resultado foi pesado e o primeiro golo, numa altura em que a equipa estava por cima acabou por dar início a uma goleada injusta

 

ANÁLISE TÁTICA – CD MAFRA

Filipe Cândido fez cinco alterações para este jogo, comparativamente ao jogo com o UD Vilafranquense. Já o sistema de jogo manteve-se intacto, num 5-4-1 com Abel Camará sozinho na frente de ataque. Os primeiros minutos foram de domínio a meio-campo com boas indicações, mas os golos do Casa Pia acabaram por destruir a ideia de jogo e os jogadores do Mafra nunca mais se encontraram. A equipa da casa terminou o jogo quase num 4-2-4, com Lee e Moura nas alas, mas não conseguiu criar perigo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Filipe Neves (5)

Campos (6)

João Cunha (4)

João Miguel (5)

Rodrigo Martins (5)

Gui Ferreira (C) (8)

Cuca (4)

Carlos Daniel (6)

Camará (5)

Miguel Lourenço (5)

Rúben Ramos(5)

SUBS UTILIZADOS

Carlos Henriques (-)

Pedro Barcelos (-)

Bruno (-)

Okitokandjo (4)

Kaká (4)

Lee (6)

João Graça (4)

Tomás Domingos (-)

Moura (4)

 

ANÁLISE TÁTICA – CASA PIA AC

O treinador do Casa Pia não mexeu tanto como o seu colega, mas ainda assim, fez três alterações no onze inicial, saindo Bruno Sousa, João Teixeira e Bachi e entrando para o seu lugar Marvin Martins, Diego Medeiro e o bósnio Zolotic. O sistema tático escolhido no início da partida foi um 4-4-2. O início de partida foi de sofrimento, contudo os golos trouxeram a tranquilidade e o resultado ao intervalo fez com que o Casa Pia gerisse a partida sem surpresas.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ricardo Batista (8)

Jefferson (7)

Diego Medeiros (7)

Kelechi (6)

Vitó (6)

Zolotic (6)

 Matheus Dantas (7)

 Martins (7)

 Malik (6)

Vitor Gonçalves (C) (6)

 Saviour Godwin (8)

SUBS UTILIZADOS

 Lucas Paes (-)

Sousa (-)

Jota (5)

Christian (4)

Camilo (7)

Fati (-)

Zach (4)

Banjaqui (5)

Djoussé (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

CD MAFRA

BnR: Foi um resultado injusto, que até o treinador adversário mencionou que um 4-2 ou 4-3 seria mais adequado. Estando a equipa a perder por 2-0 ao intervalo e com o terceiro golo a ser marcado logo no início da segunda parte, não acredita que mexeu demasiado tarde no sistema de jogo?

Filipe Cândido: Tentámos criar uma linha de pressão com Lee e Camara. As maiores oportunidades até foram através de variações de jogo e ter mais presença na área com o Okitokandjo e o Camara. Temos que olhar para o copo meio vazio e meio cheio e pensar que talvez conseguíssemos fazer algo com o sistema que tínhamos. O 3-0 foi demasiado cedo e acabou com o jogo.

CASA PIA AC

BnR: O jogo tem duas partes distintas, até ao primeiro golo?

Filipe Martins: Neste campeonato é muito importante sair na frente. Na jornada passada perdemos um jogo em 30 segundos e neste jogo sabíamos que iamos apanhar uma equipa fragilizada e teríamos que aproveitar. Ainda assim, foi um jogo cruel para o Mafra.

Rescaldo da autoria de Hugo Rodrigues e Vítor Miguel Gonçalves

Paris Saint-Germain FC 0-1 FC Bayern Munchen: Uma eliminatória com nota artística

A CRÓNICA: “JOGÃO” EM FRANÇA E PARIS SAINT-GERMAIN FC ESTÁ NAS “MEIAS”

Segunda mão de um grande jogo. Segundo capítulo de um festival de golos que esperávamos ver pelo menos repetido, entre os franceses do Paris Saint-Germain FC e os alemães do FC Bayern Munchen. A partida que iria decidir quem passava às meias-finais da melhor competição de clubes do mundo.

Ponto prévio: Não é possível resumir esta partida e ao mesmo tempo transmitir o que se passou neste “show de bola”. Leiam, claro, mas se não viram, mais tarde tentem rever estes fantásticos 90 minutos.

Os primeiros minutos decorreram num ritmo alto, mas com a tendência que se verificou durante a primeira-mão a notar-se também no Parque dos Príncipes: PSG mais cauteloso a sair em transição rápida, enquanto o Bayern mais em ataque posicional, instalado no meio-campo dos parisienses. Entre os 25 minutos, duas grandes oportunidades para os bávaros, de meia-distância, e outra para Neymar, que permitiu a Neuer demonstrar porque é que é um dos melhores guarda-redes do mundo.

Dribles sucessivos, remates ao poste, grandes cortes, defesas estrondosas… Uma primeira parte fantástica condizente com a dimensão dos artistas em campo. O PSG fazia por merecer estar a vencer, mas foi o Bayern que abriu a contagem, depois de uma bola de insistência na área finalizada de cabeça por Maxim Choupo-Moting. Chegava o intervalo e, honestamente, nem dei pelo tempo passar. Resultado injusto, depois do que vimos o PSG criar nas chegadas à baliza dos alemães.

Estava, portanto, à espera de mais 45 minutos deste nível e não me desiludi. Oportunidades nas duas balizas, com os jogadores de ambos os lados inspiradíssimos. Nos primeiros 10 minutos, Neymar subiu ainda mais a fasquia: cada vez que pegava na bola, originava uma jogada de perigo.

O jogo aproximava-se do fim, os craques continuavam a recrear-se e eu confesso: há muito tempo que não via uma partida com esta qualidade. Os intérpretes estavam todos a um nível altíssimo, mas a bola parecia não querer entrar mais na baliza, apesar das oportunidades se sucederem a um ritmo impressionante.

Até ao fim, prevaleceu a vantagem com os golos fora do PSG e terminou um dos melhores jogos de sempre desta competição, com os franceses a passarem com inteira justiça.

A equipa que sai vencedora de um jogo destes, para mim, é a principal candidata a vencer esta competição. Pelo menos, é por essa que eu vou torcer até ao final.

 

A FIGURA

A eliminatória – Tudo certo, esta partida foi possivelmente uma das melhores desta época, pelo menos das que eu tive oportunidade de ver. No entanto, há que valorizar o somatório dos dois jogos. Tanto na primeira mão como na segunda, vimos duas equipas – cada uma à sua maneira – a dar espectáculo. Muitas oportunidades de golo (podia ter terminado 6-6, à vontade), grandes pormenores… É destes jogos que se faz a história do futebol.

 

O FORA DE JOGO

Eficácia ofensiva do Paris Saint-Germain FC – Não poderia ser de outra forma. Acabar esta partida com zero golos depois do que criaram Neymar e Di Maria (principalmente), mas também Mbappé, quase que devia dar uma multa qualquer. A minha ideia era que a multa fosse um terceiro jogo, acho que saíamos todos a ganhar. Fica a proposta.

 

ANÁLISE TÁTICA – PARIS SAINT-GERMAIN FC

Depois da excelente vitória na neve alemã, Pochettino optou por utilizar a mesma tática (4-2-3-1) que, apesar de não ter sido brilhante, causou grandes problemas ao Bayern. A principal alteração teve a ver com a saída do capitão Marquinhos, por lesão, e a entrada de Paredes para o onze titular, recuando Danilo Pereira para central. A receita foi essencialmente a mesma, mas com a tentativa de serem mais sólidos defensivamente. Mais letais ofensivamente era difícil, claro.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Navas (7)

Dagba (6)

Kimpembe (7)

Danilo (7)

Diallo (6)

Paredes (6)

Gueye (7)

Di Maria (9)

Draxler (7)

Neymar (8)

Mbappe (7)

SUBS UTILIZADOS

Bakker (6)

Kean (5)

Herrera (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC BAYERN MUNCHEN

Para tentar uma remontada que entrava directamente para a história, Hansi Flick optou pelo figurino com que terminou a partida em Munique, há quase uma semana atrás, disposto em 4-2-3-1. Porque através das alterações – forçadas ou não – a equipa ficou melhor em campo e porque tem muitos lesionados, apresentando aqui um banco bastante desfalcado.

Kimmich fez dupla desta vez com Alaba, ao passo que Boateng e Hernandez assumiram o centro da defesa. O rapidíssimo Davies ficou na lateral esquerda e o resto da equipa manteve-se inalterada, ainda com a ausência mais sonante (Lewandowski) a ser substituído por Choupo-Moting. Alaba dá muito critério com bola, mas não desguarnece a equipa do ponto de vista defensivo, o que foi uma tremenda vantagem no “miolo”. Nota ainda para Hernandez, que voltou à posição de central, onde – na minha opinião – é um jogador de classe mundial.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Neuer (9)

Davies (6)

Hernandez (7)

Boateng (6)

Pavard (6)

Alaba (6)

Kimmich (7)

Coman (8)

Muller (7)

Sané (6)

Choupo-Moting (7)

SUBS UTILIZADOS

Musiala (6)

Chelsea FC 0-1 FC Porto: Vitória inglória afasta Dragões das meias

A CRÓNICA: NOVA EXIBIÇÃO SUPERIOR NÃO CHEGA PARA DRAGÕES

Os quartos de final da Liga dos Campeões são apenas disputados pelas melhores equipas europeias. E apesar do campeonato não estar a correr de feição ao FC Porto, temos todos que apreciar o caminho que o clube está a percorrer na maior competição de clubes do mundo. A primeira mão, contra o Chelsea FC, mostrou isso mesmo. Um jogo em que os Dragões foram superiores, mesmo tendo em conta as grandes diferenças na qualidade individual do plantel.

Mas vitórias morais pouco contam, e o clube da Invicta partia agora para a segunda mão da eliminatória a perseguir uma desvantagem de dois golos, com a dificuldade acrescida de estes contarem como golos fora. As duas equipas regressam a Sevilha depois de vitórias no campeonato no fim-de-semana, para decidir qual será, a par de Bayern Munique ou Paris Saint-Germain, a primeira equipa a garantir o lugar nas meias-finais da Champions League.

O jogo não começou de forma demasiado diferente do que vimos há uma semana. O FC Porto a pressionar muito, de forma bastante eficaz, e com ainda mais gente na frente. Com uma posse de bola superior à dos ingleses nos primeiros minutos, faltava uma melhor definição do último passe. O Chelsea ia sentindo bastantes dificuldades em sair com a bola controlada, obrigado muitas vezes a despejar na frente.

Apesar do encontro ter começado de forma animada, nem o FC Porto conseguia aproveitar o asfixiar do adversário, nem o Chelsea FC capitalizar o espaço deixado nas costas dos médios e defesas portistas para criar grandes oportunidades de golo. As únicas vezes que as equipas criavam algum perigo era no seguimento de erros individuais da própria formação.

A principal chegada à área dos Dragões surgiu apenas aos 33′, com Corona a ganhar o duelo com Chilwell na direita do ataque portista, mas, com Mendy pela frente, o mexicano não consegue pegar bem na bola e atira muito acima da baliza adversária. A boa agressividade portista foi, naturalmente, esvanecendo. Com o fim da primeira parte, pedia-se uma maior criatividade ofensiva para os segundos 45′, com a necessidade de marcar, no mínimo, dois golos.

Sérgio Conceição não fez mudanças ao intervalo, e o encontro continuou a desenrolar da mesma forma – FC Porto muito pressionante, mas a falhar no último passe; já o Chelsea FC mantinha as dificuldades ofensivas, mas dado à pressão tão alta e arriscada dos Dragões, quando conseguia sair criava perigo. Depois de cerca de 10 minutos em que os portistas estavam por cima, os blues chegaram mais vezes à área de Marchesín nos minutos seguintes.

Com o passar do minuto 60, Sérgio Conceição introduziu Taremi por Grujic, passando para um 4-4-2 mais atacante. Pouco depois, aos 65′, no seguimento de mais uma combinação entre Corona e Otávio pela meia-direita, o iraniano teve a sua primeira oportunidade, mas o cruzamento do mexicano veio pouco tenso, e o cabeceamento saiu com pouca força.

Com as dificuldades em criar situações de golo a persistirem, o treinador português colocou Evanilson por Marega, Luis Díaz por Corona e Nanú por Manafá, numa tentativa de dar mais frescura, velocidade e golo ao ataque azul e branco.

Com cada vez menos energia, algo natural devido à natureza da estratégia portista, os minutos iam passando e as esperanças de uma chegada à meia-finais. Taremi ainda deu ao FC Porto um golo merecido, com um fantástico golo de “triciclo”. O iraniano fez um dos melhores golos desta edição da Liga dos Campeões, e os Dragões saem de Sevilha com pelo menos uma vitória numa eliminatória em que foi superior.

Para a posterioridade, fica a qualidade e a coragem do FC Porto em busca de nova conquista europeia.

A FIGURA

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Pressão e reação à perda do FC Porto – o FC Porto conseguiu dominar esta partida, tal como fez na primeira mão, muito devido à elevadíssima pressão. Não deixou o Chelsea FC respirar nos 180 minutos da eliminatória, e forçou Tuchel a ter que abandonar o seu estilo de jogo preferido. Acabou por não ter materializações em termos de passagem às meias-finais, mas há que dar o devido destaque.

O FORA DE JOGO

Definição do último passe dos Dragões – custa-me um bocado ter destacar pela negativa algo relacionado com o FC Porto. Os Dragões fizeram uma partida praticamente irrepreensível, desta vez sem grandes erros defensivos, mas não foi capaz de causar o perigo necessário para dar a volta à partida. Muito mérito também para o setor defensivo inglês, que foi capaz de travar o ataque portista, que pecou muito, principalmente, na definição do último passe.

ANÁLISE TÁTICA – CHELSEA FC

Thomas Tuchel manteve, de forma geral, o mesmo sistema da primeira mão. Apesar de algumas mudanças individuais – Pulisic por Werner, Kanté por Kovacic e Thiago Silva por Christensen -, a formação alinhou no habitual 3-4-2-1, com Havertz como falso 9. Mas o jogo praticado pelos ingleses foi longe de ser aquilo que o treinador alemão mais gosta. Jorginho e Kanté tiveram muitas dificuldades para segurar o jogo com bola, e especialmente para ligar com Pulisic, Mount e Havertz.

Dessa forma, os três da frente ficavam algo isolados, ainda que a pressão super alta dos Dragões fizesse com que o espaço existisse. Quando este foi explorado, o Chelsea FC conseguiu criar as poucas situações ofensivas que teve.

De resto, as ligações que as equipas de Tuchel fazem normalmente na primeira fase de construção – com os centrais a abrirem nos laterais, que voltam a colocar num dos dois médios de frente para o jogo, abrindo o campo de visão para colocar num dos jogadores mais avançados -, bem como a paciência que é comum, não foram vistas.

ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES

Edouard Mendy (6)

Azpilicueta (6)

Thiago Silva (6)

Rudiger (6)

Reece James (5)

Jorginho (5)

N’Golo Kanté (6)

Chillwell (6)

Mason Mount (5)

Christian Pulisic (7)

Kai Havertz (5) 

SUBS UTILIZADOS

Hakim Ziyech (6)

Olivier Giroud (6)

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

Sérgio Conceição sabia que este jogo era de tudo ou nada. Mas, contrariamente ao pensamento, muitas vezes, popular, não decidiu pôr a carne toda no assador, com, por exemplo, Taremi e Luis Díaz, e optou sim por reforçar o meio-campo para poder controlar a partida. Grujic como âncora, Sérgio Oliveira e Uribe como interiores tinham a função de, sem bola, pressionar muito alto e não deixar o Chelsea FC sair, enquanto que com bola qualquer um dos mais ofensivos tinha liberdade para chegar à área. Desta forma, Conceição conseguia colocar ainda assim vários jogadores na frente no momento ofensivo, ainda que apenas com um avançado.

Avançado esse, Moussa Marega, que tinha muitas vezes a função de segurar um bocado o jogo, para os extremos e médios poderem atacar o espaço nas suas costas. Otávio e Corona eram os homens dos flancos, ainda que o brasileiro passasse muito pouco tempo na esquerda. Estes dois juntavam-se com frequência no centro ou até na direita, onde podiam combinar com Manafá. E com este maior pendor ofensivo para o lado direito, a estratégia do FC Porto passava também por deixar o veloz Zaidu com espaço na esquerda, para ser alvo de variações que podiam causar perigo.

Com a intensa e alta pressão que os Dragões impunham, com os laterais a subirem também eles muito para encaixarem nos defesas-alas ingleses, Pepe e Mbemba tinham também uma enorme responsabilidade. Deixados muitas vezes em situações de 1v1, a margem de erro dos centrais era extremamente reduzida. O facto do Chelsea FC jogar sem uma referência no ataque (Havertz como falso 9), forçava também os jogadores a terem que entrar para o meio-campo defensivo para antecipar as ações dos mais avançados elementos da equipa de Thomas Tuchel.

ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES 

Marchesín (6)

Wilson Manafá (6)

Pepe (7)

Chancel Mbemba (7)

Zaidu Sanusi (5)

Marko Grujic (6)

Matheus Uribe (7)

Sérgio Oliveira (7)

Otávio (6)

Jesus Corona (6)

Moussa Marega (5)

SUBS UTILIZADOS

Mehdi Taremi (6)

Nanú (5)

Evanilson (5)

Luis Díaz (6)

Fábio Vieira (6)

Rússia 0-0 Portugal: O sonho destruído por um erro

A CRÓNICA: UMA FASE DE APURAMENTO DOS SE’S…

«Não há estrelas no céu», já dizia Rui Veloso, mas em Moscovo não havia neve. Estranha combinação, certo? Os cristais de gelo normalmente caraterizam a capital russa, mas, desta vez, havia muito sol e talvez era um presságio para se «dourar o caminho» da nossa seleção feminina portuguesa (Rui, are you proud?). A situação da missão Rússia para Portugal era complicada para as nossas guerreiras, todavia, tinha de se acreditar.

Os primeiros minutos mostram uma seleção portuguesa inspiradas com a exibição que já tinha acontecido em Lisboa, mas cedo essa inspiração esfumou-se e embateu contra um muro russo difícil de penetrar. Foram poucos os momentos em que podemos dizer que Portugal criou muito perigo para a baliza da minha antiga médica de família, ou seja a de Elvira Todua. Já do lado russo, Korovkina continuava muito perigosa e com vontade de aumentar o seu registo de golos.

O nulo foi um resultado justo para aquilo que aconteceu nos primeiros 45 minutos em Moscovo. Era tempo de olhar para um dos extremos do Sapsan Arena, em Moscovo, e sentir as vibes Éderianas vindas do estádio do FK Lokomotiv para que se pudesse resolver este play-off.

Depois de tanto tempo sem ir à baliza portuguesa, Abdullina ia gelando todas as possíveis aspirações de se ir ao Europeu. Porém, Inês Pereira, com uma ajuda da barra, salvou e deixou um país a sonhar ainda. Aos 69 minutos, Dolores quase era a heroína que Portugal precisava e a minha antiga médica de família voltou a dizer que «não»…

Pouco mais, se criou perigo, porque as portuguesas não conseguiam rematar muito à baliza russa e as russas não quiseram fazer muito mais do que isso. A Rússia conseguiu assim o apuramento para o Campeonato da Europa de 2022, enquanto que Portugal não vai renovar a ida a um Europeu, depois de ter ido em 2017. Um resultado combinado com sabor a injustiça por tudo aquilo que as portuguesas fizeram em campo. Mas o Futebol é assim: injusto. Como dizia Rui Veloso, «o Mundo [do Futebol] inteiro uniu para [nos] tramar»…

 

A FIGURA

Fonte: Sebastião Roxo/Bola na Rede

Elvira Todua – Podemos dizer que é a grande figura de todo o play-off. A guarda-redes russa, apelidada nestes dois jogos com o rescaldo de “a minha antiga médica de família”, não trouxe de todo boas notícias. A defesa que faz ao remate de Dolores Silva foi meio caminho andado e peça-chave para conseguir meter a Rússia no Campeonato da Europa de 2022. Uma autêntica parede e nada a apontar. Alsu Abdullina também foi uma das jogadoras que esteve muito bem neste jogo.

O FORA DE JOGO

Ataque de Portugal – Houve falhas que não podem acontecer a este nível e também numa decisão tão importante como foi este play-off. Francisco Neto já tinha falado deste pequeno pormenor e neste jogo faltou criar ainda mais perigo – aquele que teve mais relevante foi o remate de Dolores Silva. Precisávamos de alguém que tivesse uma presença mais sólida na grande área, mas falhámos redondamente neste aspeto.

 

ANÁLISE TÁTICA – RÚSSIA

Yuri Krasnozhan a voltar a apostar num 4-2-3-1 e apenas a efetuar uma alteração com a entrada de Margarita Chernomyrdina, que ficou encarregue do lado esquerdo do ataque da Rússia. Porém, sem bola e em missão defensiva as russas apresentavam-se num sistema tática de 4-4-2 com Nadezhda Smirnova a subir e a fazer companhia a Nelli Korovkina na primeira pressão à construção de Portugal com as centrais.

As russas estavam a voltar ao grande trabalho que fizeram no Restelo com um bom controlo das ações ofensivas de Portugal e depois a sair rápido para o ataque. A seleção russa apostava na construção através do corredor lateral em que as laterais combinavam com as extremos para que depois conseguissem explorar o jogo entrelinhas com Smirnova ou Korovkina. Além deste recurso, era frequente existir um passe longo para Korovkina, que recebia e distribuía para o lado onde acabava por descair, aproveitando algum buraco que aparecia na defensiva portuguesa.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Elvira Todua (7)

Kristina Mashkova (5)

Anna Belomyttseva (5)

Anna Kozhnikova (5)

Alsu Abdullina (7)

Elina Samoylova (5)

Viktoriya Kozlova (5)

Marina Fedorova (6)

Nadezhda Smirnova (6)

Margarita Chernomyrdina (5)

Nelli Korovkina (6)

SUBS UTILIZADAS

Yana Sheina (5)

Kurochkina (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Francisco Neto voltou a apostar num 4-4-2, contudo, alterou duas jogadoras e também um pequeno pormenor a nível tático. Inês Pereira ficou com a responsabilidade de defender a baliza portuguesa e também Jéssica Silva fez companhia a Francisca Nazareth no ataque. A troca tática foi no meio-campo com Tatiana Pinto a ficar mais em linha com Dolores Silva, situação que se foi alterando com o baixar de Andreia Norton. O grande objetivo era conseguir controlar as incursões russas como aconteceu na 1.ª mão no Restelo.

Não sabendo qual a intenção do selecionador português, provavelmente explorar alguma dificuldade das centrais russas, a equipa portuguesa apostava muito nos cruzamentos e, especialmente, construía a partir do lado direito de Ana Borges. Portugal teve muitas dificuldades em conseguir estar no último terço e principalmente porque não havia qualquer tipo de figura ofensiva portuguesa na área russa.

Com as substituições de Telma Encarnação, Fátima Pinto e Andreia Jacinto, houve uma troca para algo semelhante a um 4-3-3. Ao invés de ser Telma a jogadora referência no ataque era Cláudia Neto, enquanto que a jogadora do CS Marítimo ia procurando o jogo pelas alas. Fátima Pinto e Andreia Jacinto ficavam mais à frente de Dolores Silva, consolidando o meio-campo luso. Portugal ainda no final ficou a construir com três jogadoras (Carole Costa, Joana Marchão e Dolores Silva) com um sistema tático que mais parecia um 3-5-2, mas não resultou para conseguir, pelo menos, um golo que levaria tudo para prolongamento.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Inês Pereira (6)

Joana Marchão (5)

Sílvia Rebelo (5)

Carole Costa (5)

Ana Borges (6)

Dolores Silva (5)

Cláudia Neto (5)

Tatiana Pinto (4)

Andreia Norton (4)

Francisca Nazareth (5)

Jéssica Silva (5)

SUBS UTILIZADAS

Fátima Pinto (6)

Andreia Jacinto (5)

Telma Encarnação (5)

Ana Capeta (5)

Catarina Amado (-)

Chelsea FC x FC Porto | É difícil, mas os Dragões conseguem

Liga dos Campeões, 2.ª mão dos 1/4 de final: terça-feira, 20h00, 13 de abril de 2021
ANTEVISÃO: JOGA-SE O TUDO POR TUDO PELAS MEIAS-FINAIS

O FC Porto desloca-se até a Sevilha para tentar dar a volta ao resultado inglório da primeira volta. No último jogo, apesar do domínio dos dragões em grande parte da partida, o Chelsea FC aproveitou dois erros da defesa portista para ficar a eliminatória na “mão”, aquando do apito final os ingleses venciam por duas bolas a zero.

É UM DESAFIO MUITO COMPLICADO PARA O FC PORTO, MAS A EQUIPA AZUL E BRANCA ACREDITA QUE É POSSÍVEL SEGUIR EM FRENTE! EM QUEM APOSTAS? SEGUE JÁ PARA A BET.PT!

O favoritismo está do lado inglês, além de uma vantagem confortável, contam ainda com um elenco milionário incompatível com os valores que são realizados em terras lusas. Mas o conjunto do FC Porto conta com a vontade de vencer, o apoio na nacional e a possibilidade de fazer história e juntar mais um troféu para o museu.

Há uma grande expectativa para o jogo de hoje, junto às televisões vão estar todos os portistas a torcer pelo onze azul e branco. Ao elenco em jogo, resta fazer os tão famosos “90 minutos à Porto” e manter a concentração ao máximo.

10 DADOS RÁPIDOS

  1. Nos nove jogos realizados o FC Porto conta apenas com duas vitórias, contra as seis vitórias dos blues.
  2. O Chelsea ainda não perdeu nesta edição da Liga dos Campeões.
  3. Contra os londrinos o FC Porto tem 7 golos marcados.
  4. Os Dragões nunca venceram o Chelsea em casa.
  5. Sérgio Oliveira é o melhor marcador dos portistas na competição com cinco golos.
  6. Todos os confrontos entre as equipas contam com pelo menos um golo.
  7. Esta é a segunda vez que estas equipas se defrontam na fase a eliminar, aconteceu em 2006/07 com o triunfo do Chelsea.
  8. O FC Porto só não pode contar com Diogo Costa (impedido pela Covid-19).
  9. Em caso de vitória o FC Porto pode somar a 116.ª vitória na competição.
  10. FC Porto nunca deu a volta a um resultado negativo na primeira mão.

JOGADORES A TER EM CONTA

N’Golo Kanté (Chelsea FC) – Em caso de ir a jogo, será o jogador por onde passa todo o jogo ofensivo e defensivo do Chelsea, o pequenino Kanté é quase um jogador invisível, faz pressão no portador da bola, descobre espaços abertos em campo que permite aos avançados criar perigo ofensivamente.

Top peças fundamentais no clássico
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Sérgio Oliveira (FC Porto) – O médio portista está a fazer uma época incrível, a juntar às prestações está-se a descobrir uma veia goleadora que até agora estava escondida. Além disso, neste jogo será essencial para o FC Porto fazer pressão na saída de bola e o aproveitamento das bolas paradas, que pode ser essencial para a reviravolta portista.

XI’S PROVÁVEIS

Chelsea FC: Mendy, Thiago Silva, Azpilicueta, Rudiger, James, Kanté, Jorginho, Chilwell, Hakim Ziyech, Christian Pulisic e Timo Werner

Treinador: Thomas Tuchel

“Não podemos perder tempo com sonhos, discursos ou seja o que for. Temos de lutar na segunda mão dos quartos de final.”

FC Porto: Marchesín, Manafá, Pepe, Mbemba, Zaidu, Sérgio Oliveira, Matheus Uribe, Otávio, Corona, Taremi e Marega.

Treinador: Sérgio Conceição

“Fazer golo. Sendo equilibrado nos diferentes momentos de jogo para não sermos surpreendidos também. Esta forma de pensar tranquila da equipa pode ser uma mais-valia sem entrar em ansiedade, porque será prejudicial se assim for.”

PREVISÃO DE RESULTADO: CHELSEA FC 1-3 FC PORTO