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ERC, Rali Fafe/Montelongo: Só dinheiro pode parar o russo

Em 2018, olhava para a busca por patrocínios da dupla portuguesa de Bruno e Hugo Magalhães para realizarem provas do Campeonato da Europa de Ralis (FIA ERC) e poderem sagrar-se campeões. Em 2020, a pandemia trazia um projeto muito interessante para Bruno Magalhães, que, apesar de saber que a Team Hyundai Portugal estava reduzida a um carro, iria lutar em duas frentes: o Europeu e o Campeonato de Portugal de Ralis (CPR). Infelizmente, a pandemia da COVID-19 deitou por terra o projeto europeu e Bruno focou-se apenas no CPR.

Em 2020, já com um título de campeão europeu vencido ao português em 2018, Alexey Lukyanuk encontra-se na mesma situação. O russo, que venceu duas das três rondas até agora realizadas no ERC, procura financiamento para terminar o campeonato, que promete animação, numa luta com Oliver Solberg.

Desta vez, a ronda portuguesa do europeu não foi à ilha de São Miguel, nos Açores, mas sim a Fafe, para o Rali Fafe/Montelongo. As especiais de terra vulcânica foram trocadas pelo asfalto continental, num rali extremamente difícil para todas as equipas, com as condições meteorológicas que se fizeram sentir.

A presença de Oliver Solberg atraia muita atenção, com o jovem piloto, filho do Campeão do Mundo de Rais de 2003, Peter Solberg, a trazer a Portugal o Volkswagen Polo GTI R5. Logo no shakedown, Solberg obrigou a trabalhos redobrados da equipa. Uma batida forte que danificou o carro alemão levou a noitada por parte dos mecânicos, mas, na manhã seguinte, a dupla seguia o seu caminho.

Infelizmente, não era o rali do jovem sueco. Um problema mecânico retirou-lhe da luta pela vitória. Quem mais beneficiou foi Lukyanuk, que controlou a seu belo prazer o rali.

Ainda assim, a carpete vermelha não estava completamente estendida para o russo. Um pião na penúltima especial e a luta pela vitória fazia-se a três no derradeiro troço. Numa autêntica tempestade, a chuva não deu tréguas, mas Lukyanuk, no seu estilo ‘flat out’, compensou o erro e não vacilou, vencendo mesmo o Rali Fafe/Montelongo.

São duas vitórias em três rondas em 2020. Se acho que o russo merecia estar num WRC3? Acho, mas aqui no Campeonato da Europa não está nada mal também. E só espero que quem tem o dinheiro possa ver isso, porque o russo merece continuar a sua caminhada e as lutas Lukyanuk/Solberg vão ser para se recordar daqui a um par de anos.

Nas hostes portuguesas, João Barros e Jorge Henriques foram os melhores em termos de posição à geral. A dupla do Citroën C3 R5 foi 13.º da geral, embora ainda ‘namoriscasse’ com o top 10. Já Aloísio Monteiro e Sancho Eiró (Skoda Fabia R5) terminaram o Rali de Fafe/Montelongo na 21º posição da geral. Manuel Pereira e Pedro Magalhães (Peugeot 208 R2) terminaram na 28º posição da geral.

Em termos de duas rodas motrizes, Pedro Almeida e Hugo Magalhães levaram o Peugeot 208 Rally4 ao pódio na categoria ERC3 Junior. O jovem Almeida, que este ano ‘deu um passo atrás’, está a trabalhar muito bem e acredito que vá colher os frutos brevemente.

Fonte: The Racing Factory

Em estreia no Europeu, Mário Castro e Ricardo Cunha utilizaram o Ford Fiesta R2T na categoria ERC3. Infelizmente, problemas na máquina e algumas escolhas mais conservadoras de pneus resultaram no quinto lugar nesta categoria.

Foto de Capa: FIA ERC

Artigo revisto por Mariana Plácido

Ronaldo Camará | A maior joia do Seixal

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Ronaldo Camará: nome de craque, mas os pés não ficam nada atrás. O luso-guineense é uma das maiores promessas da formação do SL Benfica.

Camará é um médio ofensivo da geração de 2003. Criatividade é a palavra que melhor define o jogo do internacional sub-17 português, e a bola nos seus pés nunca chora.

A facilidade e qualidade com que recebe a bola, de forma orientada, e a faz chegar aos seus colegas, de maneira a facilitar a receção, é impressionante. A visão de jogo que possui faz com que consiga encontrar opções de passe em zonas invisíveis para muitos, incluindo muita capacidade para colocar a bola no espaço entrelinhas.

Esta qualidade de passe deve-se, obviamente, à sua qualidade técnica, mas pesa também muito a capacidade que tem no momento de tomar a decisão. Não é por acaso que, com 17 anos, Ronaldo Camará já está na equipa B (onde compete contra atletas com o dobro da sua idade) – e, cada vez mais, vai cimentado o seu lugar.

A maturidade e inteligência futebolística da qual dispõe numa tão tenra idade é assinalável. Ainda mais evidente fica quando vemos a forma como conjuga a qualidade e a velocidade na execução.

Ronaldo Camará é um jogador com uma técnica impressionante, não só no momento do passe, mas também no momento do drible. Tem uma qualidade absurda em espaço curto. Apesar da sua (ainda) fraca estrutura física, ultrapassa os adversários quase sem verter uma pinga de suor. A maneira como utiliza, de forma quase igual, os dois pés facilita muito a forma como progride e ultrapassa adversários no terreno.

O jovem de apenas 17 anos disse, recentemente, que precisava de ser mais agressivo e ter mais fome de golo. Isto é algo que foi ficando evidente nas suas últimas exibições. Vai procurando muito mais a baliza, ficando à vista a qualidade de remate que possui. No jogo frente ao Casa Pia A.C., no qual marcou um grandíssimo golo, ficou evidente a qualidade que tem para visar a baliza.

Para mim, o que diferencia os grandes jogadores não é a capacidade para fazer um golo a 30 metros da baliza ou ultrapassar toda a equipa adversária em drible, mas sim a facilidade e qualidade com que dominam as ações básicas do jogo: a receção, o passe e, sobretudo, a tomada de decisão. Se tudo isto estiver lá, a finalização, a capacidade de desequilíbrio individual ou as capacidades físicas podem ser sempre melhoradas.

A verdade é que Ronaldo tem tudo isto e ainda mais um pouco. O elevadíssimo índice de trabalho que demonstra dentro de campo e a humildade que mostra fora dele certamente irão ajudar o jogador a evoluir de maneira positiva. O jogador tem perfeita noção de que tem de evoluir em algumas áreas do jogo. Esta consciencialização é fundamental na sua jornada.

Aos 17 anos, Ronaldo Camará está a competir num nível impensável para alguém com a sua idade. Os duelos com jogadores mais experientes e o tempo de jogo regular serão fundamentais no desenvolvimento do ainda (não nos podemos esquecer) muito jovem prodígio encarnado.

Este não engana. Será um dos melhores jogadores portugueses num futuro próximo.

Artigo revisto por Mariana Plácido

FC Porto 78-87 Sporting CP: Leões triunfam convictamente na final da Taça de Portugal, 40 anos depois

A CRÓNICA: DEPOIS DE 41 ANOS, OS DOIS GRANDES DE PORTUGAL VOLTAM A ENCONTRAR-SE NUMA FINAL DA TAÇA DE PORTUGAL

O Sporting CP abriu o marcador com um cesto de James Ellisor, mas o FC Porto rapidamente recuperou e, depois de dois triplos sem resposta, fez um parcial de 8-0, chegando à primeira paragem técnica, pedida por Moncho Lopez, técnico do FC Porto, a liderar por 19-11.

O FC Porto abriu o jogo a procurar muito o ataque na transição rápida da defesa para o ataque, com um Sporting CP a procurar mais o ataque no meio-campo. Os leões saíram da paragem a procurar mais expressão ofensiva nos contra-ataques, abrindo com um parcial de 7-1. O Sporting CP conseguiu ganhar mais volume ofensivo, mas os portistas colmataram os erros de defesa da transição de ataque para defesa com o jogo exterior (quatro triplos no 1.º quarto) e, aliado a uma boa defesa interior no jogo de meio-campo, conseguiram entrar no 2.º quarto a ganhar 27-24.

O 2.º quarto abriu bastante competitivo, com ambas as equipas a trocarem cestos de parte a parte, mas com o FC Porto a ir mantendo a liderança, maioritariamente com lançamentos exteriores ou da linha de lance-livre. Com Landis a liderar o ataque do FC Porto, o Sporting CP teve de atuar mais agressivamente na sua defesa, e Pedro Catarino foi o homem que conseguiu “secar” Landis.

O jogo entrou numa fase mais “agressiva”, havendo faltas técnicas duplas no fim do 2.º quarto, com os ânimos algo exaltados. O Sporting CP conseguiu empatar, pela primeira vez, a partida, no último minuto do 2.º quarto, mas Landis rapidamente apagou esse empate com um lançamento de média distancia num ataque de 1×1. O Porto chegou ao intervalo a ganhar por 44-42.

A segunda parte abriu bastante competitiva com cestos de parte a parte, apesar da pobre eficácia, tendo o FC Porto ganhado esta luta das tabelas. Já os leões aproveitaram melhor as suas transições rápidas e, insistindo no seu jogo interior, conseguiram passar para a frente do marcador, com James Elissor a marcar uma bandeja aos seis minutos do 3.º quarto.

O FC Porto recuperava a liderança com um triplo de Pedro Pinto, mas rapidamente perdeu-a, depois de o Sporting CP marcar no outro lado do campo. Os leões faziam a chamada “box-and-one defense” para tentar retirar o efeito de Landis no ataque, o que resultou em bastantes lançamentos falhados por parte dos portistas.

Um jogo muito equilibrado com ambas as equipas a passarem pela liderança do marcador
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Com os lançamentos exteriores do Sporting CP a finalmente caírem, os leões fazem um parcial de 6-0 e forçam a paragem técnica por parte do Porto, com a liderança por 58-51. Este resultado foi-se mantendo quase até ao final do quarto, com bastante esforço na defesa. Landis conseguiu marcar da linha de lance livre no último minuto, mas Elissor recuperou marcando no cair da buzina, fazendo o jogo estar 60-53 para começar o último quarto.

O último quarto começa da mesma maneira que o terceiro acabou: com um cesto marcado de Elissor e com um FC Porto mais organizado ofensivamente, a marcar um triplo do lado contrário, por Gordon. Os leões entraram com mais confiança e o jogo exterior começava a fluir, mantendo a liderança no início do quarto. Do lado dos azuis e brancos, quando não aparecia Landis, aparecia Tinsley, que foi mantendo o FC Porto no jogo com triplos e lançamentos de dois com falta.

Com o jogo bastante renhido, foi a altura de Travante Williams voltar para dentro de campo (depois de ter estado limitado por faltas). O jogador fez a sua presença ser sentida no preciso momento em que entrou em jogo, mostrando agressividade no ataque ao cesto. Moncho Lopez viu os leões a ganhar por nove, 73-64, e pediu desconto de tempo, a pouco mais de cinco minutos do fim do jogo, na esperança de “acordar” a sua equipa e de a organizar ofensivamente. De pouco valeu, pois o FC Porto tinha pouca disciplina defensiva e o Sporting CP conseguiria aumentar a vantagem para 12.

O FC Porto não conseguiu encontrar um bom lançamento no ataque e não aproveitou as hipóteses na linha de lance livre, tornando-se cada vez mais difícil colmatar a diferença. Já o Sporting CP queria mais a vitória – ia ganhando a luta das tabelas e criando segundas oportunidades.

O Sporting CP foi controlando o jogo e o tempo com ataques mais longos. Apesar de o FC Porto encostar mais o jogo a sete pontos – a 50 segundos do fim -, Travante Williams pôs o último prego no caixão com uma bandeja improvisada no meio da defesa do FC Porto. Assim, o Sporting CP venceu a sua 6.ª Taça de Portugal!

Um bom jogo para inicio da época, com o Sporting CP a ganhar por 87-78 frente ao FC Porto. Os portistas entraram melhor no jogo, fazendo uma primeira parte mais controlada, mas os leões, depois do descanso, perceberam os ajustes a fazer… E assim que passaram para a frente do marcador, nunca mais olharam para trás!

 

A FIGURA

Sporting CP
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Bailey Fields – O poste dos Leões fez uma partida exímia, a lançar 7/10 de lançamentos de campo, aliando ainda 13 ressaltos com dois desarmes de lançamento. A sua prestação consistente ao longo do jogo valeu-lhe o prémio de MVP da partida.

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Ataque do FC Porto na 2.ª parte – Os leões perceberam que para fazer frente aos portistas teriam de “apagar” a maior ameaça no ataque do FC Porto, Max Landis. Por isso, entraram na segunda parte com uma defesa “box and one” muito forte. Com os azuis e brancos desorientados no ataque, os pontos que conseguiriam apontar no marcador foram fruto de jogada individual, lance livre ou até de um contra-ataque.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

O FC Porto entrou muito forte no jogo, começando com bons parciais e com um tiro exterior muito eficaz. Tirou partido de todas as transições defesa-ataque que pôde, praticamente ao longo do jogo todo. No entanto, a pouca criatividade táctica do FC Porto fez com que o seu jogo dependesse muito do talento individual dos bases Brad Tinsley e Max Landis, fazendo com que a defesa zona diluísse o seu impacto no jogo e conduzindo à derrota.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Bradley Tinsley (8)

Larry Gordon (7)

Max Landis (8)

Jonathan Augustin-Farrel (5)

Eric Anderson Jr. (6)

SUBS UTILIZADOS

João Soares (5)

Francisco Amarante (-)

Miguel Queiroz (5)

Pedro Pinto (6)

João Torrie (3)

Vladylav Vaytsa (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

O Sporting CP entrou no jogo muito calmamente, como se estivesse a “testar a profundidade” da água contra o FC Porto e a perceber onde poderia atacar. Na primeira parte, fez o suficiente para se manter em jogo. Depois de alguns descontos de tempo, conseguiu implementar uma defesa agressiva focada em Max Landis, o que acabou por ser a receita para a vitória.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Travante Williams (6)

Bailey fields (9)

Shakir Smith (3)

Joao Fernandes (7)

James Elissor (8)

SUBS UTILIZADOS

Diogo Ventura (5)

Pedro Catarino (7)

Claúdio Fonseca (5)

Francisco Amiel (6)

Diogo Araujo (5.5)

Jalen Henry (5)

Artigo revisto

Nanú, Anderson, Sarr, Grujic: As novas caras do campeão nacional

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A janela de transferências terminou terça para quarta-feira à 00h00 em Portugal com o FC Porto a ser um dos maiores agitadores da reta final do mercado. Ao que tudo indicava, não haveria muitas alterações no plantel na semana anterior, no entanto, o empréstimo de Danilo ao Paris SG (quatro milhões de euros + 16 compra obrigatória) e a venda de Alex Telles ao Manchester United (15 milhões de euros + três objetivos) deixaram os dragões desfalcados, principalmente pela saída do brasileiro, que era o jogador mais influente da equipa.

Este cenário obrigou a direção portista a dar garantias de que Sérgio Conceição se conseguisse equiparar ao maior rival e reforçar o estatuto de candidato ao título. Além disso, a derrota contra o Marítimo deixou um impasse no seio portista, e o técnico azul e branco deixou para o ar que já haviam jogadores com a cabeça fora do clube.

Mesmo que ambos tivessem a máxima vontade de vencer aquela partida e já estivessem a contar com uma transferência, há partidas menos felizes que outras e é desumano duvidar do profissionalismo destes dois senhores que muito deram ao FC Porto. Posto isto, chegariam quatro reforços para atacar troféus em 2020/2021: Nanú, Felipe Anderson, Malang Sarr e Marko Grujic.

As notícias lançadas pela comunicação social davam conta do interesse do FC Porto em inúmeros jogadores durantes os últimos dias e o clube foi negociando sem grande alarido, conseguindo adquirir três reforços nas últimas horas, embora todos por empréstimo. Também Lucas Veríssimo foi associado, contudo, não chegou a acordo total.

Ingressaram no clube dez reforços durante este mercado: Carraça, Cláudio Ramos, Zaidu, Taremi, Evanilson, Toni Martínez, Nanú, Sarr, Felipe Anderson e Grujic. Muitos destes nomes prometem fazer furor já a curto prazo e e há uma enorme expectativa para perceber como será a reinvenção da equipa a nível tático para esta temporada e quais serão as novidades no onze inicial.

Esta última investida no mercado veio garantir mais consistência ao plantel e dar mais estabilidade na gestão da equipa. Além da entrada de reforços para colmatar lacunas deixadas pelos jogadores transferidos, a direção do clube fez questão de dar mais soluções a Sérgio Conceição.

O que não foi de todo bem visto por uma parcela da nação portista foram as contratações a título de empréstimo porque na sua ótica não serão jogadores rentabilizados financeiramente. De qualquer das formas, não deixam de ser soluções viáveis e que à primeira vista parecem bem interessentes e mais do que suficientes para atuar neste campeonato.

Ainda assim, existem mais competições para ganhar e o clube vai também disputar a Liga dos Campeões, o que implicava um alargamento do plantel, que se encontra quase com 30 jogadores disponíveis. Este dado é um auxílio numa fase mais avançada quando o conjunto sentir mais o desgaste e até mesmo o problema das lesões.

Quem são então as mais recentes contratações do FC Porto? Análise disponível nas páginas seguintes.

5 clubes (extra-grandes) que surpreenderam na Europa no século XXI

Além das já habituais prestações europeias de FC Porto, SL Benfica e Sporting CP, outros clubes portugueses têm conseguido classificações interessantes no campeonato ao longo dos últimos anos, algo que lhes tem permitido diversas (e até inéditas) experiências entre os melhores clubes da Europa. Os recursos técnicos e financeiros estão longe de serem os mais equilibrados, sendo natural que esse seja um fator a impossibilitar tantas surpresas, mas a verdade é que as mesmas têm acontecido, ainda que de forma esporádica.

Duas mãos não chegam para contar as equipas extra-grandes que já foram às competições europeias no presente século. Foram 15! Desde presenças na Intertoto e participações inéditas em eliminatórias e fases de grupo da Liga Europa… a eliminatórias históricas em fases mais adiantadas das competições e jogos a contar para a Liga dos Campeões.

  • CD Santa Clara, UD Leiria, GD Estoril Praia, Rio Ave FC e FC Arouca tiveram as suas primeiras aventuras diante de clubes europeus.
  • CS Marítimo, CF Belenenses, Leixões SC, CD Nacional, Vitória FC e Académica OAF voltaram a pisar grandes palcos da Europa, dando continuidade ao histórico já alcançado no século anterior.
  • Boavista FC, Vitória SC, SC Braga e FC Paços de Ferreira, além do percurso na Liga Europa, chegaram mesmo a entrar em campo a ouvir o hino da Champions.

Nesse sentido, apresentamos uma lista das cinco equipas que mais surpreenderam com as suas prestações europeias.

Nota: Os cinco clubes da lista não foram selecionados e ordenados de acordo com o número de presenças europeias no século XXI, mas sim tendo em conta o grau de “surpresa” das respetivas prestações perante as circunstâncias do momento.

O mercado da desinformação

Fechado mais um mercado de verão – que de normalidade pouco teve – a altura é de balanços. Quando se analisam as lacunas que ainda ficam por preencher, quando se discute qual o plantel que mais evoluiu, eu prefiro olhar para o papel a que o jornalismo desportivo se prestou.

Desde os primeiros rumores ficou no ar a ideia que, afinal, não há crise pandémica que afete os cofres dos clubes portugueses e que a tendência seria contratar sem fim. Na verdade, apercebemo-nos disso todos os anos, mas este ano esse facto ganha maior relevância, dado que os valores do mercado também sofreram com a longa pausa.

Assim que o primeiro rumor a tresandar a mentira surgiu, comprometi-me a apontar todos os rumores até ao fecho do mercado. A sério, apontei mesmo. Pode ter passado algum, admito. Tudo o que fosse noticiado por um órgão de comunicação social e que visasse SL Benfica, FC Porto ou Sporting CP teria repordução no meu bloco de notas e entra neste artigo.

Os leões foram os menos visados na dança de nomes a que já nos habituamos. A SL Benfica e FC Porto foram apontados plantéis inteiros, com as águias a terem até direito a novelas para o comando técnico. Passo, então, a apresentar os nomes apontados a cada clube, sem qualquer ordem específica.

SL Benfica – treinadores: Laurent Blanc, Mauricio Pochettino, Jorge Jesus, José Mourinho. Jogadores: James Rodríguez, Gelson Martins, Luca Waldschmidt, Cavani, Bruno Henrique, Gerson, Slimani, Rafinha, Everton Cebolinha, Rúben Semedo, Robin Koch, Rodrigo Moreno, Mario Mandžukić, Lucas Veríssimo, Garay, Mehdi Taremi, Leandro Cabrera, João Mário, Ángel Di María, Gilberto, Zlatan Ibrahimović, Jan Vertonghen, Darwin Núñez, Diego Costa, Otamendi, Todibo e Nathaniel Clyne (27).


FC Porto – jogadores: Rúben Semedo, Pedro Gonçalves, Toni Martínez, Uroš Račić, Fábio Martins, Centelles, Luca Waldschmidt, Zaidu, Mateo Retegui, Mehdi Taremi, Hulk, Evander, Brahimi, Nuno Santos, Cláudio Ramos, Danny Loader, Ignacio Ramírez, Renê Santos, Olivier Ntcham, Radamel Falcao, Thomas Lemar, Markus Henriksen, Rúben Vinagre, Alfredo Morelos, Santiago Arias, Evanilson, Otamendi, Majid Hosseini, Matías Vargas, Marcus Edwards, Pepê, Matheus Reis, Álex Collado, Riqui Puig, Nanu, Malang Sarr, Lucas Veríssimo, Todibo, Rafinha Alcântara, Felipe Anderson, Héctor Herrera, Dany Rose, Miguel Layún, Jesse Lingard e Sami Khedira (45).

Sporting CP – jogadores: Zouhair Feddal, Pedro Porro, Mehdi Taremi, Antonio Adán, Antunes, Nuno Santos, Wanderson, Lautaro Gianetti, Lyanco, Slimani, João Mário, Pedro Gonçalves, Paulinho e Luis Suárez – o do Granada CF (14).

A questão que se coloca depois de tão extensa e cansativa liste é a seguinte; seriam mesmo todos alvos reais? Quantos destes nomes são simples “balas para canhão”? E sim, já estamos habituados, mas faz disto um problema menor ou que não se deva discutir?

Que papel presta o jornalismo desportivo à sociedade quando não respeita os valores que lhe são exigidos? Falamos de verdade, de consulta e cruzamento de fontes, seriedade, rigor… Como ficam vistos os prórpios jornalistas quando se concretizam apenas 27 das 90 transferências anunciadas, muitas delas dadas como garantidas?

É verdade que nem todos os rumores podem ser confirmados, mas será normal que mais de dois terços do que vem anunciado é rumor e falha a contratação por pouco? É certo que o rumor faz parte do mercado de transferências, mas os casos de interesses claramente inventados nas redes sociais e que chegam a programas dedicados ao mercado acumulam-se e isso é preocupante.

É que para isso bastava que todos seguissem as mesmas contas no Twitter e o trabalho do jornalismo seria dispensável. A verdade é que o bom jornalismo, aquele que beneficia de boas fontes de informação e consegue anunciar quando há certezas, é raro, mas fundamental. Seria esse tipo de jornalismo que anunciaria Grujic no FC Porto ou Tabata no Sporting CP.

Cada vez mais assistimos a novelas longas, a jogadores que estão indecisos entre o clube A e B, algo que não me lembro de ver. Este ano tivemos, inclusive, diretos televisivos a seguir aviões privados que iam transportar uma estrela dos relvados. Estrela, essa, que estava tão garantida em Portugal que acaba a jogar em Inglaterra. A dignidade do jornalismo desportivo portugês, essa, pode ser que chegue no mercado de inverno.

Sporting CP | João Mário: o regresso há muito tempo anunciado

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João Mário foi a contratação mais sonante do Sporting Clube de Portugal, para a época 2020/2021. O campeão da Europa chega a Alvalade por empréstimo de uma temporada, sem opção de compra, proveniente do FC Internazionale Milano. O Sporting irá suportar um terço do vencimento do atleta que, em 2016, rumou ao futebol italiano, numa transferência a rondar os 40 milhões. 

O número 17 dos leões regressa ao Sporting, passados quatro anos da sua saída. João Mário vestiu de verde e branco durante 13 anos, sendo um dos talentos formados na Academia de Alcochete. Ao serviço da equipa principal leonina somou 93 jogos e 14 golos, tendo vencido uma Taça de Portugal e uma Supertaça. 

No Internazionale Milano apenas na primeira temporada, jogou com maior regularidade. Por duas ocasiões, rumou a outros clubes por empréstimo – o West Ham e o Lokomotiv. Nos nerazzuri disputou 69 partidas, nas quais apontou quatro golos. Na última época, representou os russos do Lokomotiv, contabilizando 22 jogos e um golo. 

O regresso de João Mário ao Sporting Clube de Portugal poderá levar o número 17 a regressar à seleção das “Quinas”, sendo esse um dos seus objetivos em ano de Europeu. João Mário foi um dos heróis do Euro 2016, contando já com 45 internacionalizações e dois golos.

Para o Sporting CP, a chegada de João Mário representa um grande reforço, um jogador experiente e com um enorme talento. No esquema de 3X4X3 de Ruben Amorim, João Mário poderá fazer dupla no meio-campo com outro jogador que regressou, João Palhinha (ex-SC Braga). 

João Mário destaca-se pela sua inteligência na forma como vê o jogo, a sua qualidade de passe, tecnicamente muito evoluído, com boa meia distância e, sobretudo, por ser uma enorme referência, para o restante plantel leonino.  

O campeão da Europa será um grande reforço para o Sporting CP, um acréscimo de qualidade e talento. Que o João Mário possa voltar a ser feliz na casa que o formou, vestindo o leão rampante com Esforço, Dedicação e Devoção, para ajudar o Sporting Clube de Portugal a conquistar a Glória das vitórias e dos títulos. 

Bem-vindo a casa!

Académico de Viseu FC 0-0 Académica OAF: Jogo pobre para o público ver

A CRÓNICA – EMPATE JUSTO RESULTADO DA APATIA TANTO DO ACADÉMICO COMO DA ACADÉMICA

O encontro em atraso da primeira jornada da Liga Pro entre Académico de Viseu FC e Académica OAF foi um dos escolhidos pela Liga Portugal como “jogo-teste” à presença de público nos estádios portugueses, com o Estádio do Fontelo a ser autorizado a receber 409 espectadores.

Com o público a ocupar os seus lugares de forma ordeira e cumprindo as regras estabelecidas pela Direção Geral da Saúde (DGS), o jogo iniciou-se com as duas equipas muito estáticas e sem grandes oportunidades ou jogadas de brilho. Se o Académico foi demonstrando muitas dificuldades em sair a jogar desde trás, a Académica até conseguia passar o meio-campo, mas não mais se acercava da baliza.

O primeiro lance de verdadeiro perigo para um dos guarda-redes só surgiu ao minuto 33, quando Fabinho executou um livre direto com precisão a mais e acertou no poste da baliza de Ricardo Janota. A ameaça da formação de Coimbra foi o único lance de interesse na primeira parte, que mais pobre não poderia ter sido.

No início do segundo tempo, o Académico de Viseu apareceu mais organizado a atacar e gozou de mais tempo no controlo da posse de bola. Todavia, grandes oportunidades só surgiram ao minuto 74, quando Joel Monteiro atirou com estrondo à barra da baliza de Mika, mas o lance foi anulado por fora de jogo. Em resposta, Rafael Furtado inseriu a bola na baliza do Académico, mas o árbitro assinalou falta sobre um defesa adversário.

O jogo acabou mesmo sem golos e pode dizer-se que com justiça, uma vez que nenhuma equipa pareceu querer vencer. Duas formações com ambições distintas, muito terão que melhorar, caso queiram atingir os respetivos objetivos.

 

A FIGURA

Fonte: Alexandre Candeias / Bola na Rede

Presença de público nas bancadas – Apesar de não ter sido um bom jogo para o adepto ver e apreciar, a presença de espectadores no Estádio do Fontelo é um sinal de retoma no país e no desporto. Sempre cumprindo todas as indicações, os adeptos mostraram que são parte fundamental deste espetáculo.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Alexandre Candeias / Bola na Rede

Primeira parte – Num jogo muito pobre durante todos os 90 minutos, de parte a parte, a primeira parte foi de muito fraca qualidade. Com um par de lances de interesse, o jogo foi muito apático e sem que qualquer formação intimidasse o adversário.

 

ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICO DE VISEU FC

Dispostos em 4-2-3-1, os homens de Sérgio Boris formavam uma linha recuada de três homens quando tentavam iniciar o processo de construção. Com o lateral direito a juntar-se a Kelvin Medina no meio, os alas eram projetados para tentar ganhar as costas da defesa adversária. Contudo, esta interiorização de Joel abria grandes buracos na defesa viseense, que teve dificuldades em travar os ataques rápidos da “Briosa”.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ricardo Janota (6)

Joel Monteiro (5)

João Pica (5)

Félix Mathaus (5)

Jorge Miguel (6)

Diogo Santos (5)

Kelvin Medina (6)

Fernando Ferreira (5)

Luisinho (6)

Yuri Araújo (6)

João Vasco (5)

SUBS UTILIZADOS

André Carvalhas (5)

Anthony Carter (5)

Bruno Loureiro (-)

Bruninho (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICA OAF

Alinhados em 4-3-3, os pupilos de Rui Borges faziam-se valer dos dois centrais e do médio mais defensivo (no caso, Ricardo Dias) para iniciar o processo ofensivo. A projeção dos extremos conferiu profundidade à equipa que, no entanto, teve o ponta de lança Mohamed Bouldini muito isolado na frente. A defender, mérito para a sólida linha recuada da “Briosa”, que não deu muito espaço ao ataque adversário (sobretudo na primeira parte).

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Mika (6)

Fábio Vianna (6)

Rafael Vieira (6)

Silvério Júnio (6)

Bruno Teles (6)

Ricardo Dias (5)

Fabinho (5)

Mimito Biai (6)

João Traquina (6)

Mohamed Bouldini (5)

Zourdine Thior (6)

SUBS UTILIZADOS

Rafael Furtado (5)

Pedro Pinto (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Académica OAF

Bola na Rede – A Académica amealhou oito pontos nos cinco jogos que já disputou. Com o mercado já fechado e plantel definido, até onde pode chegar a “Briosa” na Liga Pro?

Rui Borges – Aqui é jogo a jogo. Há equipas que gastam de forma surreal, nós não o podemos fazer. O plantel é o melhor e, com as qualidades que temos, tenho a certeza de que vamos fazer um bom campeonato e muito competitivo.

Académico de Viseu

Não foi possível fazer perguntas ao treinador, Sérgio Boris

BnR TV Live: Pós-Derbi Ibérico

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Depois do duelo ibérico, é hora de analisar o jogo grande desta quarta-feira! Com João Filipe Brandão na moderação e João Apolinário, Jorge Faria de Sousa e Rui Pedro Ciprino nos comentários, focámos as nossas atenções no jogo entre Portugal e Espanha, que terminou empatado a zero.

Este foi o quadragésimo embate hispânico e aquele que antecipa um bom encontro frente à França no domingo. Junta-te a nós para mais este debate!

SL Benfica 3-2 Sporting CP: Negra resolve meia-final da Supertaça

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A CRÓNICA: ENCARNADOS NA FINAL POR UMA UNHA

O voleibol português está de volta e foi o dérbi entre o SL Benfica e o Sporting CP, no Pavilhão Municipal de Óbidos, que fez as honras. O encontro, que teve de ser adiado devido a um surto de COVID-19 que infetou cinco elementos integrantes da equipa dos leões, terminou numa vitória por 3-2 a favor do SL Benfica.

O encontro demonstrou aquilo que já se teve oportunidade de ver na época passada em relação a ambas as equipas. A época mudou, mas o espírito vencedor permaneceu, tanto nas águias, como nos leões.

O primeiro set foi equilibrado durante os pontos iniciais, mas o Sporting CP ficou confortável muito cedo na partida e conseguiu mesmo um parcial de 6-0, que acabou por culminar numa vitória do set para os leões, terminando este num parcial de 25-15.

No segundo set, o SL Benfica conseguiu superar a exibição que demonstrou no primeiro, mas uma boa entrada do Sporting no set foi crucial para continuarem na frente do marcador num set que acabou a ser mais tenso e equilibrado entre as equipas que acabou num 25-22, favorável aos leões.

O SL Benfica não quis virar a cara à luta e fez por isso no terceiro parcial. A quebra de eficácia no serviço dos leões foi fundamental para um melhorar no jogo feito pelas águias, que acabaram por se aproveitar disso para conseguir uma vantagem que culminou na vitória dos encarnados do terceiro parcial por 25-19.

Para além disso, o SL Benfica não desistiu e levou mesmo o encontro à negra depois de uma vitória no quarto set por 25-13. A negra foi mais um embate equilibradíssimo entre ambas as equipas, mas o SL Benfica terminou o jogo da mesma maneira que o começou: decidido a vencer. E assim foi. O SL Benfica venceu no quinto set por 15-11 e chega, assim, à final da Supertaça.

 

A FIGURA

Determinação do SL Benfica – A equipa de Marcel Matz cedeu um pouco no início, mas não se desviou do objetivo principal que tinha traçado. Apesar dos percalços iniciais e dos “dois sets de avanço” dados aos leões, os encarnados lutaram até ao final e chegam à final da Supertaça por “uma unha negra”.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Federação Portuguesa de Voleibol 

Jogo de emoções, sem emoções – Infelizmente, já se tornou um hábito, mas é nestes jogos que se sente. Não há fumo sem fogo, e jogos sem público vão dar ao mesmo. Em tempo “normal”, é de conhecimento comum que os adeptos de ambas as equipas que se defrontaram não desvalorizam esta modalidade e este encontro seria um prémio para esses mesmos adeptos que vibram.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Marcel Matz e os seus comandados jogaram sempre pela intensidade do encontro. Algo que lhes deu o boost necessário para chegar à vitória foram igualmente as recuperações de pontos.

FORMAÇÃO DO SL BENFICA

Marc Honoré (6)

Tiago Violas (6)

Raphael Oliveira (7)

Peter Wohlfahrtsttater (6)

Hugo Gaspar (6)

André Aleixo (7)

SUBS UTILIZADOS

Ivo Casas (5)

Theo Lopes (7)

André Lopes (5)

Nuno Pinheiro (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP 

O Sporting CP abordou o jogo conforme a sua eficácia nos serviços e foi esse o fator determinante para o decorrer do jogo dos leões.

FORMAÇÃO DO SPORTING CP

Robinson Dvoranen (7)

Hélio Sanches (6)

Bruno Alves (5)

Renan (6)

Victor Hugo (6)

Paulo Victor (7)

SUBS UTILIZADOS

José Rojas (-)

Eder Levi (5)

André Saliba (5)

Miguel Maia (-)

Gil Meireles (-)

João Fidalgo (5)

 

Foto de capa: Federação Portuguesa de Voleibol

Artigo revisto por Diogo Teixeira