Pedro Gonçalves aka “Pote” tornou-se no terceiro reforço do Sporting CP e depressa um grande alvoroço formou-se em torno desta notícia. Infelizmente, não estou muito entusiasmado com a vinda do médio de 22 anos, embora reconheça a sua qualidade. Duvido, sim, dos contornos deste negócio e preocupa-me muito o modus operandi de Frederico Varandas e a sua entourage no mercado de transferências.
Basta verificar a disparidade entre o discurso de Frederico Varandas carregado de soberba sobre a preparação da época passada e o que no plano da realidade veio a acontecer. Deixar que um clube como o SC Braga, que nem o dobro do orçamento do Sporting CP, o passe à frente, é o reflexo de uma incompetência relapsa que agora já não deixa dúvidas.
O balanço negativíssimo da época passada que, sublinhe-se e bem, foi preparada única e exclusivamente pela actual Direcção, foi a confirmação da sua a total inabilidade no que diz respeito à sua actuação no mercado. Há razões muito sérias para os Sportinguistas preocuparem-se não apenas sobre o futuro imediato do Sporting CP, em concreto, no que diz respeito à próxima época que está prestes a iniciar-se, mas também sobre a estabilidade do Clube a longo prazo.
Pessoalmente, tenho poucas expectativas sobre a construção do plantel leonino para fazer face aos desafios da época 2020/21. Na verdade, a preparação da nova época já começou inquinada e tudo leva a crer que o filme de terror da época passada terá uma Parte II.
Vejamos:
A Instituição Sporting CP continua a ser apelidada de caloteira, mas parece que o novo coronavírus serve de justificação para todos os alegados incumprimentos.
Os futuros prémios a receber pelo Sporting CP em competições da UEFA estão penhorados.
O Bétis exigiu garantias bancárias e cláusulas penais ao Sporting CP no negócio de Feddal, o que é bem revelador da actual falta de credibilidade do clube leonino em honrar as suas obrigações.
O Sporting CP não conseguiu ainda a renovação do contrato de Joelson.
O Sporting CP não consegue vender o seu jogador mais “valioso”, Marcos Acuña, adquirido pela anterior Direcção.
O Sporting CP não consegue colocação para os diversos jogadores que adquiriu através da actual Direcção sem incorrer em prejuízos e no pagamento de comissões avultadas a agentes ou intermediários.
Saem da estrutura do futebol leonino Raul José, Miguel Quaresma e Beto, reputados por Frederico Varandas como “homens certos” para o futebol do Sporting CP.
No arranque dos treinos do plantel, deparamo-nos com jogadores a treinar à parte de um grupo principal o que leva a crer que se tratam de jogadores para dispensar ou vender. Se os mesmos já estavam desvalorizados, esta falta de cuidado (ou o que quiserem chamar) é um convite para outros clubes os virem buscar a preço de saldo ou a custo zero.
O regresso de Jorge Jesus ao Sport Lisboa e Benfica veio agitar a estrutura encarnada, trazendo inúmeras mudanças. Desde a mudança (radical) de abordagem ao mercado de transferências, onde se vê um Benfica muito ativo e a trazer jogadores de renome como Jan Vertonghen, Cebolinha ou Waldschmidt, como mudanças a nível interno, com Paulo Lopes e Luisão a fazerem parte da grande equipa técnica montada pelo português.
Pois bem, perspetiva-se mais uma mudança no horizonte, e envolve o jogador mais influente das “águias” nas últimas temporadas. Adaptado por Rui Vitória ao corredor direito, em 2015, é nessa posição de médio ala direito onde Pizzi tem cimentado o seu nome na história dos encarnados.
No entanto, o médio poderá ocupar terrenos mais interiores na próxima temporada, como deu a entender Jorge Jesus.
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Em entrevista à Benfica TV, o técnico afirmou que o médio é “um jogador de último passe”, sendo que, segundo Jesus, “esse tipo de jogadores não jogam nas laterais, mas sim no corredor central.” De resto, essa posição não é estranha ao médio transmontano.
De lembrar que na época 2014/15, Pizzi, que na altura regressava de um empréstimo ao RCD Espanyol, ocupou o lugar de médio centro, a denominada “posição 8”, durante a segunda volta do campeonato, após a saída de Enzo Pérez, em janeiro. Jorge Jesus era o treinador, e, após rodar alguns jogadores na posição, decidiu que o português era a melhor alternativa.
De resto, é conhecido que Pizzi fez parelha com Weigl no meio campo no jogo de treino contra a equipa B das “águias”, que acabou com uma vitória expressiva por quatro bolas a zero.
Numa altura em que Gabriel é apontado como dispensável para Jesus e com nenhum “8” à vista para reforçar o plantel, o transmontano poderá mesmo voltar ao miolo do terreno, assumindo a batuta no centro da orquestra encarnada na próxima temporada.
O FC Bayern de Munique venceu esta noite o Lyon e carimbou o passaporte para a final da Liga dos Campeões. Na meia-final, jogada no Estádio de Alvalade, Gnabry (2) e Lewandowski fizeram os golos da equipa alemã e confirmaram a superioridade da equipa de Hans-Dieter Flick.
A primeira parte foi dominada pelo Bayern, que ainda assim não se livrou de uma entrada forte do Lyon e de um susto quando Ekambi disparou ao poste à passagem do minuto 17. A partir daí o jogo pendeu mais para o lado dos alemães, que confirmaram a sua superioridade com dois golos de Gnabry, aos 18’ e aos 33’.
Na segunda parte, os alemães souberam controlar o jogo e gerir a vantagem, e contaram ainda com a desinspiração do ataque do Lyon. A equipa francesa dispôs de algumas ocasiões de perigo mas faltou acerto na finalização. Já com o jogo a encaminhar-se para o final, Lewandowski fechou as contas com um cabeceamento colocado após livre de Kimmich.
Ultrapassados os franceses do Lyon, o Bayern vai agora medir forças com o Paris SG na final a disputar no próximo Domingo.
Poderio do Bayern – Mais uma exibição dominadora dos alemães, onde a sua superioridade nunca esteve em causa. É fantástica a abundância e o equilíbrio de qualidade entre todos os setores, assim como a capacidade física inesgotável do plantel. Todos atacam, todos defendem, e os adversários foram caindo um por um. É muito difícil derrotar este Bayern.
Ineficácia do Lyon – A equipa francesa desperdiçou ocasiões flagrantes num jogo em que todos os detalhes contam. A história do jogo poderia ter sido outra se tivesse havido maior acerto na finalização.
ANÁLISE TÁTICA – OLYMPIQUE LYONNAIS
O Lyon apresentou-se em 3-5-2, passando a 5-3-2 no momento defensivo. Rudi Garcia tentou dificultar a versatilidade das movimentações do ataque do adversário ao povoar o último terço defensivo, com os franceses a apresentar uma muralha compacta à frente da baliza de Anthony Lopes. Na primeira parte, a equipa atacou com poucas unidades, tentando surpreender o Bayern através de transições ofensivas rápidas e procurando o espaço nas costas da defesa alemã, que jogou quase sempre bastante subida.
Na segunda parte, e com a saída de Depay, o Lyon passou a jogar com apenas um homem na frente.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Anthony Lopes (5)
Denayer (6)
Marcelo (5)
Marçal (6)
Dubois (5)
Caqueret (6)
Bruno Guimarães (5)
Aouar (7)
Cornet (5)
Ekambi (6)
Depay (5)
SUBS UTILIZADOS
Thiago Mendes (5)
Dembélé (4)
Reine-Adelaide (3)
Tete (3)
Cherki (2)
ANÁLISE TÁTICA – FC BAYERN MUNIQUE
Hans-Dieter Flick escalou a sua equipa no habitual 4-2-3-1, com a equipa sempre muito virada para o ataque e colocando muitos homens no momento ofensivo. Kimmich e Alphonso Davies chegaram muitas vezes à frente, permitindo aos extremos aparecer em zonas interiores e criando espaço entre a povoada linha defensiva do Lyon. Esta dinâmica ofensiva permitiu ao Bayern colocar várias unidades em zonas de finalização, quer em cruzamentos pelos corredores, quer por movimentos interiores.
Na primeira fase de construção, o Bayern apresentou uma linha de três, permitindo a um dos laterais dar uma linha de passe mais adiantada. No momento defensivo, a equipa jogou com a linha da defesa quase sempre alta, e os extremos a defender por dentro, consoante o movimento da bola no momento atacante do Lyon.
O conjunto italiano já viveu melhores dias. A passar pelas ruelas dos campeonatos transalpinos, o USC Palermo liderou em 2019/2020 aquela que podemos considerar a quarta divisão de Itália – Série D. Sem um palmarés vistoso, os rosanero são, contudo, uma formação com uma tradição reconhecida nos amantes italianos da bola.
Se a nível coletivo o USC Palermo nunca conquistou algo vistoso, no plano individual a formação assume-se como uma rampa de lançamento de grandes nomes para a ribalta do futebol europeu. Sem lugar para todos no onze dado a seguir, que nomes alteravas, ou recordas algum que tenha espaço e não tenha sido mencionado?
O CD Tondela substituiu espanhóis no comando técnico dos beirões: saiu Natxo González e entrou Pako Ayestarán, na segunda época seguida com treinadores do país vizinho na Primeira Liga.
Com o sotaque castelhano a manter-se no campeonato, o Bola na Rede mostra-lhe os 10 treinadores espanhóis que mais se destacaram no futebol português.
O Hóquei em Patins vive uma bipolarização ibérica há muitos anos. Portugal e Espanha venceram 30 das 32 edições do Campeonato Europeu, desde que se separou do torneio Mundial.
No Mundial só a Argentina por quatro e a Itália por duas conseguiram ganhar para além das seleções dos países da Península Ibérica em 33 edições desde a separação de competições. Assim, mais de 80% dos torneios foram ganhos por Portugal e Espanha.
Já quanto à mais importante competição europeia de clubes, a Liga Europeia, o cenário não é muito diferente. Desde a época 1996/97, na qual a Taça dos Campeões Europeus se fundiu com a Taça das Taças para formar a Liga dos Campeões Europeus (antiga designação da Liga Europeia), apenas o Follonica de Itália em 2006 se intrometeu no domínio ibérico da competição mais importante de clubes na Europa.
— Federação de Patinagem de Portugal (@OficialFPP) July 14, 2019
Mesmo com o alargamento da fase de grupos do torneio de oito para 16 equipas em 2008/09, todos os finalistas foram clubes portugueses e espanhóis, com os nuestros hermanos a vencer oito das 11 edições.
Já na segunda competição europeia mais importante de Hóquei em Patins, a Taça World Skate Europe de 2019–20 (anteriormente denominada Taça CERS), apenas a Itália equilibra um pouco as contas. Os transalpinos contam com cinco equipas finalistas no atual formato de final four, que conta com 12 edições, uma das quais vencedora, o Hockey Bassano, em 2011/12.
O Hockey Bassano foi a última equipa sem ser ibérica a ganhar a Taça CERS Fonte: Hockey Bassano
Será esta bipolarização positiva para o desenvolvimento da modalidade? Por que razões os países europeus fora Portugal, Espanha e Itália não se intrometem nas principais competições de clubes e seleções? Falta de divulgação da modalidade por parte das federações aos mais jovens ou falta de investimento financeiro?
A separação atual do mundial numa divisão A e B não poderá agravar o desequilíbrio entre as seleções mais fracas e mais fortes por não se defrontarem entre si oficialmente?
Veremos como evolui o Hóquei em Patins a nível europeu e financeiro nos próximos anos, mas, a não ser que hajam alterações de fundo, o domínio ibérico deverá continuar…
Aproxima-se uma nova época e o mercado de transferências do Dragão está no seu auge. Nem só de contratações “novas” se faz o futebol, e o FC Porto de Sérgio Conceição tem mostrado que tem capacidade para rentabilizar jogadores que estiveram emprestados e que podem render muito no regresso.
Vou apresentar-vos um top de cinco jogadores que podem voltar ao Dragão e afirmar-se definitivamente de azul e branco. Não será nada fácil entrar no plantel do Campeão Nacional, mas as vantagens em termos financeiros também não devem ser postas de lado. Pese embora não tenham feito épocas excecionais, vamos ficar a conhecer esses cinco possíveis reforços.
O defesa-central, Zouhair Feddal, é o mais recente reforço do Sporting Clube de Portugal, para a época 2020/2021. O internacional marroquino chega a Alvalade proveniente do Real Betis Balompié, numa transferência avaliada em dois milhões de euros, rubricando um contrato válido por duas temporadas com mais duas de opção, com uma cláusula de rescisão de 45 M€.
O novo defesa leonino iniciou a sua formação no escalões jovens do AS Monaco, tendo passado por vários clubes secundários em Espanha. Ao nível sénior passou pelo seu país, ao serviço do FUS Rabat, tendo somado 29 jogos e um golo. Na temporada 2013/2014 regressou ao continente europeu, rumo ao futebol italiano, tendo vestido as camisolas do SSR Siena, USC Palermo e Parma FC.
Na época 2015/2016 voltou ao futebol espanhol, onde esteve nas últimas cinco temporadas, tendo representado o Deportivo Alavés, Levante UD e o Real Bétis Balompié. Nesta sua passagem pelo futebol espanhol, somou mais de 100 jogos no campeonato espanhol.
Feddal é assim um jogador com experiência de Liga italiana e espanhola, que chega ao Sporting CP para alinhar como defesa-central pela esquerda, no modelo de 3X4X3. O defesa-central canhoto é um jogador forte fisicamente, com boa qualidade de passe na primeira fase de construção, imponente nos duelos aéreos e com bom sentido de posicionamento. No que diz respeito à sua evolução, deverá melhorar nas bolas paradas ofensivas, explorando a capacidade no jogo aéreo e, ainda, a sua virilidade, sendo um atleta que recorre frequentemente às faltas, para parar os adversários.
🛬 De 🇲🇦, mais uma peça “central” para a defensiva Leonina!
Assim, Feddal poderá ser alternativa a Borja, tendo ainda a oposição de Ivanildo Fernandes e Gonçalo Inácio – dois jovens que irão realizar a pré-época com a equipa principal. Aos 30 anos, trata-se de um jogador experiente e que poderá acrescentar qualidade ao futebol leonino.
Zou Feddal poderá assim tornar-se um jogador influente no plantel leonino, conhecendo bem o modelo de 3X4X3. Que vista de leão ao peito com Esforço, Dedicação e Devoção, para ajudar a equipa a conquistar a Glória da vitória a cada jogo.
Podes consultar a primeira parte da entrevista AQUI
– Primeiros passos como treinador –
Bola na Rede [BnR]: Nessa mesma temporada de 2012/2013, primeiro ano como adjunto, ficaste logo treinador principal da equipa de sub-20?
Nuno Manarte [NM]: Sim nesse ano fiquei como treinador de sub-20, na altura a equipa sénior tinha seis jogadores que só treinavam na equipa sénior. Foi um ano de mudança, sem estrangeiros, o único estrangeiro que tínhamos era o Sergi, que era praticamente de Ovar. Havia muitos jogadores de sub-20, tínhamos um treino por semana em que subíamos alguns juniores (para sub-20), e jogávamos à quarta feira. A minha primeira experiência como treinador foi treinar os sub-20, basicamente uma equipa dos seniores, mas com alguma malta mais nova a treinar só a parte, não é com um treino e um jogo. O meu primeiro jogo em Fides, Gondomar, estava mais nervoso do que provavelmente a primeira vez em que joguei.
BnR: Nesse ano chegaste ainda a fase final Nacional de sub-20.
NM: Tínhamos uma boa equipa nesse ano, com muito mérito do Carlos Pinto, um plantel português e a equipa nesse ano atingiu um nível bastante superior ao esperado. A equipa era muito boa, tínhamos o Manú, o Júlio, o Pedro Costa, Pedro Soares, o Fião, jogadores que depois de uma forma ou outra já ajudavam na equipa sénior. Também haviam outras equipas interessantes como o Porto, o Benfica e conseguimos ir à fase final em Lisboa com o Porto, o Algés e o Benfica, o que já foi interessante para o primeiro ano.
BnR: Ficaste então a conciliar o trabalho de treinador das camadas jovens de Sub-20, seguiu-se os sub-16 B e depois ficaste ainda a treinar sub-18. Como foi conciliar o trabalho de treinar equipas jovens e ao mesmo tempo ser adjunto de uma equipa sénior?
NM: Não vejo grandes problemas, o que custou foi começar. Isto porque competi muitos anos. Vejo o basquetebol de uma forma muito profissional e competitiva. Para mim basquetebol é sinónimo de competir. Tinha claro que, como treinador de formação, o teu objetivo tem de ser outro. Não acho que o objetivo não seja competir, competir é importante. Mas há que ensinar porque é que é importante competir, ninguém ensina os jovens a perder. Acho que é importante ensinar aos jovens os valores de competir, os valores do basquetebol e os valores da vida, os valores de equipa, os valores individuais, quer pessoais quer em termos técnicos e tácticos, os valores de crescimento de cada um deles. Mas não podes pôr de parte o valor da competição, que é algo natural no ser humano. Tu desde miúdo que já competes porque queres ser o melhor, competes com o teu irmão. Agora, temos que pôr as coisas em patamares diferentes e essa foi a minha dificuldade, pois eu vinha de muitos anos a competir ao mais alto nível, em que ganhar era o mais importante. A treinar sub-20 podes pôr as coisas da mesma maneira, mas quando fui treinar sub-16 B esse foi o primeiro impacto. Aí treinei, talvez possa dizer miúdos em que alguns deles hoje jogam comigo, pela Ovarense, como é o caso do Francisco Oliveira. Tinham, portanto 14 ou 15 anos, e tive esse impacto de sub-16 B em que não competem, os jogos são fracos pois não há competições de sub-16 B e a ideia era mais que eles crescessem e evoluíssem para que no ano a seguir fosse um ano forte para eles. Tentar ter esta visão quase nada competitiva, isso é que foi desafiante. Íamos para os jogos jogar com o “campinho C”, é uma brincadeira claro, mas nos jogos o importante era eles jogarem todos e ter experiências em que construíssemos algo. O que numa primeira fase foi muito aborrecido para mim porque faltava-me a competição, ter impacto no jogo e não havia nada disso, era quase como se fossemos treinar.
BnR: E foi isso que mais custou?
NM: Custou-me no início, mesmo nos treinos mudar o chip lidar com a falta de competitividade. A verdade é que ao longo dos tempos me fui ajustando e, apesar de eu saber que era a forma correta de estar com essa equipa nesse ano, depois era uma revolução interna. Pensava “Se calhar não é isto que eu quero, eu quero é competição, quero poder trazer miúdos e colocá-los a jogar e a jogar para ganhar”, mas sabia que não era isso que era suposto fazer. Mas tinha momentos de revolta interior, que me faltava a competição e aquilo não me servia, queria algo mais. Mas depois também era pacifico, entrava no treino, identificava-me, mudava o chip e era a dificuldade de vir dos seniores para treinar sub-16 B, imagina a mudança.
BnR: Era uma mudança drástica.
NM: É praticamente o oposto, mas pronto lá me adaptei, pois era meramente ensinar o Basquetebol. A verdade é que nem toda a gente que joga basquetebol depois sabe ensinar e essa também foi a dificuldade para mim. Eu pedia um passe e corte e partia da ideia que toda a gente sabe o que é e depois ficava chateado com estas coisas e dizia “Então disse-te para tu cortares e tu não cortaste?” e era “Mas o que é cortar?”. Isso é que era ensinar o jogo. Era tu perderes tempo para que os jogadores aprendam aquilo que estás a dizer e aquilo que queres fazer. O que é diferente do que jogar, uma coisa que para mim é certo, nem para toda a gente é certo. Tu tens de ensinar tudo aquilo que vais fazer. Para mim é a grande dificuldade de seres treinador, ainda para mais ser treinador de formação. É muito, muito difícil, percebi que jogar ao mais alto nível não era o suficiente para treinar uma equipa de sub-16 B. Tinha de me formar, continuar a estudar, a ver coisas e a pedir informações. Na altura uma pessoa que me ensinou muito foi o João Candeias (treinador sub-14), sentei me muitas vezes com ele a perguntar o que ele fazia. E ele explicava-me todas as especificidades dos miúdos daquela idade. “Atenção que os gajos um dia vão te chegar super desconcentrados. Não te zangues com eles, às tantas é porque tiveram um mau dia na escola ou receberam uma nota má”, “Aquele rapaz é assim e assim”. Havia uma série de especificidades muito interessantes, mesmo o tipo de jogo, jogar por conceitos em vez de jogadas. Na altura aprendi muito com ele. Foi uma transição grande passar de sub-20 praticamente seniores para sub-16 onde tinha de ensinar o jogo. A verdade é que eles ao longo da época cresceram bastante e a malta dizia “Como é possível? Eles já estão com um nível!”, o que foi bom e gratificante.
BnR: Começares a treinar miúdos também deve ter sido algo impactante para eles porque de repente viram-se a treinar com um ícone de Basquetebol em Ovar. Sentias essa parte a influenciá-los como treinador?
NM: Sentia as duas fases. A fase inicial do encantamento de treinares com o teu ídolo, porque eu também já fui treinado por um dos meus ídolos, o Mário Leite em mini-basquete. Mas também existe a desilusão. Ao fim de dois ou três meses a treinar e eu também tive disso. Porque por ter esta visão tão competitiva lembro-me que no caminho também fiz asneiradas, tomei decisões ou tratei pessoas de uma forma que, se calhar, pode ser o calor do momento, mas sei que não o deveria ter feito. Mas é um processo e faz parte de todo esse processo de aprendizagem e sei que no caminho também desiludi pessoas. Também tive pessoas que me escreveram cartas a dizer que saíam por não lhes dar oportunidades porque eu também não podia dar oportunidades a todos. Quando falamos de juniores já não é mini-basquete e não podemos dar oportunidades a todos. Já é o último escalão competitivo e tens muitos dissabores no caminho. A verdade é que esses ficam mais que os outros, as tuas intenções são as melhores possíveis, provavelmente nem sempre as exprimi da melhor maneira. Também precisava de uma aprendizagem, que só se faz com erros. Também não tive problemas em pedir desculpa quando achei que errei, não vejo um treinador estando num pedestal acima das outras pessoas, mesmo treinando malta mais nova. A verdade é que achei que tinha esse impacto quando treinava malta mais nova e que me tinha visto a jogar, que é uma responsabilidade muito grande já que não podes desiludir essas pessoas que te vêm de uma forma especial. Mas depois tem outra vertente que é que tu não podes errar, tu és especial e tu não podes errar porque já jogaste 20 anos e não podes errar, o que é mentira. Estás num patamar diferente, são coisas diferente e num período de aprendizagem diferente. Isso foi marcante para mim, no meu percurso como treinador, viver todas essas experiências, umas boas outras menos boas, tentar aprender com isso.
BnR: Mais coisas boas ou más?
É óbvio que houve muito mais coisas positivas, mas marcam mais as menos boas, porque sentes que tiveste um impacto negativo na vida das pessoas mesmo quando não querias fazê-lo. O processo de chegares ao início da época e teres 24 jogadores a querer integrar a equipa e teres de dizer a cinco ou seis que eles não podem continuar, numa situação que é uma questão social, mas a verdade é que um treinador não pode treinar 24 jogadores. Havia 18 e desses 18 uns treinavam à segunda e outros à terça e depois a vida trata de que as coisas se resolvam de uma forma natural. Os que não correspondem às expectativas saem, os que se sentem incapazes acabam por sair, mas também há os casos pontuais em que as pessoas não compreendem. Sempre tive o cuidado de explicar as coisas às pessoas e como é que iria ser, a verdade é que as pessoas sempre tiveram oportunidades. Agora chega uma altura em que se afunila um pouco as decisões. Mas pronto, foi um período muito bonito em que aprendi muito e cresci muito também. Treinar formação é diferente de treinar seniores, e o Sona (adjunto de Seniores a certo ponto), disse-me uma vez “Eu achei que os problemas aqui com gente crescida nos seniores fossem completamente diferentes dos problemas que eu tive na formação, mas olha, são muito parecidos“. Se pensares bem somos todos humanos e os problemas acabam por ser os mesmos. Talvez quando és mais jovem exponencias um pouco mais, mas é egoísmo, a má postura ou a má educação sabes? Os egos existem quando tu tens 16 ou 25 anos, mas é exponencial, alguns problemas são mais ou menos toleradas, mas acabam por ser os mesmos. E não deixou de ser tudo de ser uma aprendizagem, seja lidar com os juniores ou com os seniores não deixa de ser lidar com pessoas e lidar com pessoas é das coisas mais complicadas e complexas da vida. São 15 pessoas com personalidades totalmente diferentes. Num ano conseguia corrigir imensas coisas para o ano a seguir e não voltar a cometer o mesmo erro no ano a seguir e essa é a capacidade que existe de crescimento.
RasenballSport Leipzig e Paris Saint-Germain são adversários pela primeira vez nas suas histórias e tinham com encontro marcado para a noite de hoje no Estádio da Luz, . A fasquia, como sabe, não podia estar mais elevada. Franceses e alemães discutiram o acesso à final da Liga dos Campeões um confronto que, por si só, explica a inegável qualidade dos dois emblemas. À partida, o Paris Saint-Germain já tinha igualado a sua melhor prestação de sempre na Liga milionária – também foram semifinalistas da prova em 1995. Por sua vez, os alemães nunca tinham passado dos oitavos-de-final da melhor prova de clubes do mundo e tinha à sua mercê uma inédita hipótese de chegar à final.
Foi Mbappé quem deu o pontapé de saída para uma noite promissora de futebol. Enquanto as equipas ainda se estudavam, o RB Leipzig foi autor do primeiro remate da partida logo aos 2 minutos de jogos. O PSG não perdeu pela demora. Volvia o sexto minuto quando Neymar recebeu um passe brilhante, de Kylian Mbappé, e estatelou a bola no poste da baliza defendida por Gulásci. Nem um minuto depois, aparece novamente Neymar a ganhar a bola ao guarda-redes hungáro e Mbappé até coloca a bola no fundo das redes. Para infelicidade dos franceses, o veterano juíz da partida, Bjorn Kuipers, assinala mão na bola do internacional brasileiro. A decisão foi acertada. Muito quente o início da partida.
Decorria o minuto 12 quando Neymar foi rasteirado pelo defesa austríaco, Laimer. Na sequência do livre lateral originado por esta falta, Di María cruza de régua e esquadro para a cabeça de Marquinhos que finaliza à matador. Estava desfeito o nulo e consumado o 1-0 do Paris.
Depois do golo parisiense o RB Leipzig tentou reagir. Quase conseguiram o golo do empate na mais bem ilustrada jogada ofensiva dos alemães em toda a 1.º parte. Dani Olmo cozinha um passe mágico a 40 metros de distância para a desmarcação de Laimer que encontra Poulsen. O avançado rematou ao lado mas ainda assustou os franceses. O Paris Saint-Germain voltou a testar o guarda-redes hungáro com um livre supersónico de Neymar a mais de 35 metros de distância que acaba a bater no poste. Foi a segunda bola do Neymar ao ferro na partida.
Aos 42 minutos um passe completamente disparatado de Gulásci conhece um infeliz desfecho para a equipa de Leipzig. Ander Herrera interceta a bola, Leandro Paredes lança Neymar que assiste Di María com um calcanhar aéreo. Estava finalmente feito o 2-0, resultado que o marcador ditava quando o holandês Bjorn Kuipers apitou para o descanso.
No início da segunda parte a bola saiu do Leipzig, que parecia subir ao relvado da Luz completamente diferente. O técnico dos alemães Julian Nagelsmann fez sair Olmo e Nkunku para dar a vez a Forsberg e Patrick Schick. O upgrade à criatividade dos die roten bullen era evidente.
Não obstante os primeiros 10 minutos dominantes do Leipzig no início do segundo tempo, há um lance caricato na área dos alemães onde Gulásci volta a deixar algo a desejar. Uma defesa muito incompleta do húngaro deixa uma jogada fácil de controlar muito viva, e Di María usufrui duma interceção feita por Ander Herrera ao defesa francês Mukiele. Enquanto Mukiele e os restantes jogadores do Leipzig reclamam falta do espanhol, Di María faz a segunda assistência da noite para Juan Bernat que assina o 3-0 de cabeça e sem qualquer tipo de contestação. O lance ainda foi revisto pelo VAR, que deu razão ao árbitro e, consequentemente, aos parisienses.
Depois deste golo o Leipzig, que até parecia ter ganho uma segunda vida, deixou-se bater animicamente. O jogo arrefeceu e o que restou jogar pouco mais serviu do que para um espécie de ensaio-geral do Paris Saint-Germain, que ficou a afinar a defesa e treinar o ataque para a final.
De destacar, na segunda parte e depois do golo, um contra-ataque francês aos 78 minutos, em que o defesa cedido pelo Manchester City, Angeliño, se viu sozinho a defender um 1 para 2 diante de Neymar e Mbappé. O francês e o brasileiro não se entenderam na perfeição e Neymar acaba por escorregar. Coletivamente, fica por marcar o 4-0 e, individualmente, Neymar não consegue marcar o golo que tanto procura.
No fim do jogo, fica para contar o 3-0 histórico para o Paris Saint-Germain que, liderado por Ángel Di María, chega pela primeira vez à final da Liga dos Campeões.
A FIGURA
C’EST FAIT MESSIEURS-DAMES 🤩
NOUS SOMMES EN FINALE !
NOUS SOMMES EN FINALE !
NOUS SOMMES EN FINALE DE @ChampionsLeague !
Ángel Di María – A nota 10 reflete a perfeição. São muitos os motivos que me fizeram desejar estar hoje Estádio da Luz. Entre eles está, sem dúvida, o forte desejo que tive de aplaudir a saída de Di María que hoje tornou a ser, num tapete que tão bem conhece, Di Magia.
Péter Gulácsi – O destaque pelos maus motivos é dado pela falta de concentração. Com culpas diretas no segundo golo, e algumas no terceiro, Gulásci nem é o culpado pela derrota. Hoje, fizesse chuva ou sol, o Paris SG iria sempre vencer os touros e chegar à final da Liga dos Campeões. O húngaro apenas sai mal na fotografia, diante dum adversário fortíssimo.
ANÁLISE TÁTICA – RB LEIPZIG
A turma de Julian Nagelsmann subiu ao relvado do Estádio do SL Benfica desenhando um 3-4-2-1 declaradamente defensivo. Os alemães nunca tiveram medo de impôr a sua estatura mais forte e praticaram, ao longo de toda a noite, um futebol muito físico e faltoso. No final da primeira parte, já tinham feito 15 faltas e acabaram a partida com 24. Nagelsmann mostrou que também é humano, porque errou ao deixar de fora Forsberg, um dos mais perigosos jogadores do Leipzig esta noite. O Paris SG foi superior e tinha essa obrigação. O Leipzig cai de pé e com muita honra. Pode regressar a casa orgulhoso da melhor temporada da história do clube.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Gulásci (4)
Klostermann (5)
Upamecano (6)
Mukiele (5)
Laimer (4)
Kampl (5)
Sabitzer (6)
Angeliño (7)
Olmo (6)
Nkunku (6)
Poulsen (6)
SUBS UTILIZADOS
Forsberg (7)
Schick (5)
Halstenberg (5)
Adams (6)
Orban (-)
ANÁLISE TÁTICA – PARIS SAINT-GERMAIN FC
Thomas Tuchel volta a apresentar o corriqueiro 4-3-3 que tem deslumbrado milhões de adeptos em todo o mundo. Hoje já pôde contar com Mbappé a titular e alinhou com Di María ao invés de Sarabia. Ora, com Neymar, Mbappé e Di María, o Paris Saint-Germain conta, muito provavelmente, com o mais luxuoso tridente ofensivo do mundo. Isso ficou evidente no jogo de hoje. O PSG sai com qualidade a partir do meio e das alas. Aplicou uma pressão altíssima, que intimidou os alemães no momento de construção e destruiu grande parte do seu jogo. Praticou futebol a um toque, aparentando muita descontração. Simples, bom e bonito. A eficácia alemã na turma francesa, ao leme do grão-mestre Thomas Tuchel.