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O conto do Menino do Mercado

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(Hora da sesta)

No infantário, as crianças repousam nos cubículos destinados. O objetivo primordial prende-se com o facto de os fazer descansar uma ou duas horas, de modo a que as educadoras de infância possam adentrar no perímetro de amena cavaqueira.

A estratégia é um pretérito. Velhaca, por sinal. Adormecer as almas ainda vivas, contar-lhes a história da carochinha (isto engloba muita coisa, ao que parece), naquela voz pretensiosa, eloquente e com aquele tom de mistério incluído, mesmo que se busque uma maçã no cimo de uma árvore, e sair de sorrelfa pela porta, em bicos de pés.

Educadora de infância – Meninos, hoje conto-vos a história do “Menino no Mercado”! (afina a voz naquele tom que já se conhece).

“Era uma vez um menino tímido, baixo e rechonchudo. Todas as manhãs, no caminho para a escola, passava por uma mercearia e via as frutas sobre as caixas, numa banca alongada.

Ao olhar nessa direção, o seu estômago tremelicava: era pobre, vestia roupa farrapada e a primeira refeição do dia era o almoço oferecido pela cantina da escola. Os pais não conseguiam ajudar de forma alguma.

Naquele instante, o fenómeno era observado por todos os que cruzavam a rua, repentina ou absortamente. A maioria das pessoas ficava pasmada face tal situação. Com pena, com tristeza, com alguma repulsa até. Mas nunca ninguém foi capaz de ajudar. E lá ia o rapaz, de mochila às costas e cabisbaixo, tropeçando na calçada.

Até ao dia em que…”

Escuta-se o último ressonar cândido. Acontece o que já foi descrito.

O sono foi alimentado e estimulado pelo h em falta. A partir desse momento, cada alma imberbe foi guiada pelo turbilhão de pensamentos desagregados e sem um fio condutor, tão pouco. O momento discorre em perfeita harmonia com a ataraxia característica. Mas a dormir todos são alheios ao que está a acontecer no mundo. Portanto, resta interromper o sono de quem está destinado ao sofrimento.

O menino cresceu, desenvolveu uma paixão clubística e perde o apetite quando o clube a faz passar vergonhas. É hipertensa. Hoje é vítima de “mercadofobia”.

Apesar das lacunas evidentes do plantel, os leões continuam sem movimentações no mercado
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Pelos vistos, o clube segue a mesma cognominação, ainda que por razões distintas. O Sporting Clube de Portugal é mesmo o menino da história inventada à pressa, de modo quase tosco.

No mercado, ativos na inatividade. As possíveis contratações são, maioritariamente, impossibilitadas por fatores diversos. Listas e listas de reforços que estão com um pé, pé e meio ou com apenas um dedo em falta e que acabam por desaguar noutras instituições, às vezes nos tão mencionados “rivais”.

Quem é que, no seu perfeito juízo, pretende dar um passo atrás na carreira e, ainda por cima, assistir à redução salarial? Aos apupos constantes da massa adepta? À humilhação de não ser a terceira força do futebol nacional e estar em risco de perder a quarta posição brevemente? Aos corajosos, uma palavra de apreço: o mundo descreve o movimento rotativo em torno de pessoas assim.

“Não devemos acreditar em tudo o que lemos nos jornais” é a frase mais impotente dos dois séculos passados: em algum momento, nem que seja o da leitura de determinada notícia, crê-se naquilo que se lê e comprova-se, afirma-se, reitera-se. Contudo, “não devemos colocar a mão no fogo por ninguém” é, contraditoriamente, de potência excelsa.

Refiro-me – evidentemente – aos endividamentos em catadupa, aos calotes que são uma constante e ao queixume originário de dirigentes de clubes/instituições. Isto baralha os adversários: supostamente, a corda está ao pescoço e começa a sinalizar a sua marca; contudo, são feitas propostas como se fôssemos o Tio Patinhas, como se não tivéssemos um treinador para amortizar. Minto! Dois treinadores para amortizar…

Aproxima-se mais uma época de contratações cirúrgicas, porque alguma delas virá com rótulo, a prometer mundos e fundos e lesionar-se-á – época para o galheiro! – nos primeiros treinos; mais uma época de contratações que justificam o investimento pelo facto de existir um certo e compreensível receio face a um escoamento da reserva de flops (marketing puro).

Este “Menino do Mercado” ainda não redigiu o ponto de viragem. Até ver!

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

RB Leipzig 2-1 Club Atlético de Madrid: Asas para a meia-final

A CRÓNICA: A DIFERENÇA ESTEVE NO BANCO DE SUPLENTES

O primeiro jogo de sempre entre RB Leipzig e Atlético de Madrid aconteceu nos quartos-de-final da “Champions” mais atípicos da era moderna, quiçá, de sempre.

Com Félix no banco e Werner no Chelsea FC, as duas equipas começaram os 90 minutos com falta de poder de fogo, e isso reflectiu-se no 0-0 com que fomos para a intervalo. Os primeiros dez minutos com os alemães por cima, até aos 20, foi o Atlético de Madrid melhor, e depois jogo dividido, sem grandes oportunidades de perigo para ambas as balizas. Nota ainda para o choque de cabeças tremendo entre Halstenberg e Savic, que abriu a cabeça a ambos. Foram suturados e acabaram a primeira parte a sorrir do lance, num momento bonito de desportivismo.

O divertimento estava guardado para a segunda parte. Aos 50 minutos, Dani Olmo finalizou de cabeça, no coração da área, uma excelente jogada coletiva do RB Leipzig, materializando em golo o bom início de segundo tempo. Eram boas notícias, porque obrigava os rojiblancos a abrir o jogo. E foi precisamente isso que aconteceu!

Com a entrada de João Félix, a fluidez de jogo dos espanhóis mudou radicalmente e aquele espaço entre Kampl e os três centrais dos alemães era muitas vezes aproveitado. Numa tabela que se originou nessa zona do terreno, o jovem formado no Seixal entrou na área e sofreu um penálti claro, que o próprio converteu. Fixava-se o 1-1 no marcador e caminhávamos para a fase decisiva do jogo.

Até ao fim, parecia que ninguém queria arriscar o resultado, mas eu tenho de dar o mérito a Nagelsmann. Nunca desiste e as substituições que faz são um exemplo claro disso. Adams, entrado na segunda parte, com alguma sorte de meia-distância, atirou a contar e qualificou o RB Leipzig para a merecida meia-final da “Champions”. Ganhou o futebol bonito, contra alguém que só quis reagir depois de estar a perder.

A FIGURA

Upamecano – Estive muito tempo a pensar, porque seria igualmente justo colocar Nagelsmann como figura deste jogo, mas fiquei de facto estupefacto com o jogo monstruoso deste jovem francês. Anulou quase por completo aquela que é a principal arma do Atlético de Madrid: o jogo aéreo. Para além disso, saiu sempre a jogar como gente grande. Fantástico.

O FORA DE JOGO

Fonte: Club Atlético de Madrid

Diego Simeone – O jogo que devia marcar o fim de linha do argentino ao comando dos colchoneros. Jogou assim contra o Liverpool FC e resultou, mas são mais as vezes em que esta mentalidade de defender – exclusivamente – com tudo e todos, não dá frutos. O “se” não existe, mas “se” tivesse colocado Morata e Félix de início, se calhar as coisas eram diferentes. Meter Felipe a ponta de lança no final do jogo é um reflexo daquilo em que Simeone se tornou: um treinador que até para atacar precisa de meter defesas. Espero que tenha a capacidade de se reinventar, no futuro.

ANÁLISE TÁTICA: RB LEIPZIG

Como já estamos habituados, Nagelsmann optou por encarar este jogo da forma que encara a maior parte dos desafios: 5-2-2-1, com uma aparente anarquia tática que se corrige a si própria. São três centrais, dos quais dois – Klostermann e Halstenberg – fizeram carreira como laterais, um ala (Laimer ou Nkunku) que não é ala de raiz e ainda um quadrado no meio-campo fortíssimo na pressão e na criação de lances para o solitário ponta-de-lança. Onze onde faltou o melhor jogador, entretanto contratado pelo Chelsea FC: Timo Werner.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Gulacsi (6)

Angeliño (7)

Klostermann (6)

Halstenberg (6)

Upamecano (8)

Laimer (5)

Kampl (7)

Sabitzer (6)

Nkunku (6)

Olmo (7)

Poulsen (5)

SUBS UTILIZADOS

Adams (7)

Schick (6)

Haidara (5)

Mukiele (-)

ANÁLISE TÁTICA: CLUB ATLÉTICO MADRID

Os colchoneros entraram em campo como é hábito, com mais jogadores de cariz defensivo do que atacante. Numa eliminatória decisiva para que possam conseguir a glória que nunca antes alcançaram: a “orelhuda” da Liga dos Campeões.

Uma tática de “El Cholo” Simeone, muito similar há que começou em Liverpool (4-4-2), com apenas Diego Costa e Ferreira-Carrasco com olhos na baliza adversária. O segundo avançado (Llorente), na minha opinião é muito mais médio defensivo que outra coisa qualquer. Confesso, fiquei surpreendido com o facto de Félix, Morata e Felipe não começarem de início, porque considero-os opções mais válidas que aqueles que entraram para estes lugares.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Oblak (6)

Renan Lodi (6)

Savic (6)

Gimenez (5)

Trippier (6)

Koke (5)

Saul (5)

Herrera (5)

Ferreira-Carrasco (6)

Llorente (6)

Diego Costa (5)

SUBS UTILIZADOS

João Félix (7)

Morata (6)

Felipe (-)

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Preparem-se, que este FC Famalicão chegou para ficar

O FC Famalicão regressou à Primeira Liga nesta última época 25 anos depois da última presença e mostrou que não veio para brincadeiras. Ao contrário de muitas equipas que se qualificam para o principal escalão do futebol português depois de anos de ausência, o emblema de Vila Nova de Famalicão não começou a temporada com o objetivo de apenas tentar garantir a manutenção através de um futebol muitas vezes medíocre baseado no “salve-se quem puder” e na estratégia já muito refinada por algumas equipas portuguesas de jogar com o cronómetro, porque um empate é sempre melhor que uma derrota e pode ser que chegue para as contas no final da época.

Este Famalicão é diferente. Encarou cada jornada com um pensamento de “equipa grande”, sempre com o objetivo de encarar o adversário e disputar cada jogo como se o seu destino dependesse daquela vitória. Os primeiros jogos do campeonato denotaram isso mesmo e a cada três pontos conquistados, os famalicenses ganhavam força para fazer história no final da época.

Claro que trabalhar em cima de vitórias é teoricamente mais favorável a qualquer equipa, porque o fator motivação está mais do que garantido. Mas esta sequência positiva só foi possível devido a uma inteligente gestão do plantel, cimentada num notável trabalho realizado por João Pedro Sousa e a sua equipa técnica e por uma grande resposta em campo dos jogadores.

Não foi tudo um mar de rosas e, na segunda metade da primeira volta do campeonato, já assistimos a um Famalicão a perder o seu nível exibicional e a sua consistência em campo, refletindo-se esta quebra nos resultados. Aqui, a paragem forçada devido ao novo coronavírus poderá ter sido crucial para ajudar a equipa a redefinir estratégias e reorientar o foco, já que melhorou as suas exibições aquando a retoma da competição, coroada logo com uma vitória no primeiro jogo de regresso frente ao clube que viria a ser o campeão nacional, o FC Porto.

Os bons resultados começaram, naturalmente, a alimentar o sonho europeu em Famalicão que via o quinto lugar no final da época cada vez mais possível e, com ele, um lugar na qualificação para a Liga Europa, algo nunca conseguido no clube nortenho. Não sabemos se este foi um objetivo definido por Sousa e os seus adjuntos logo no início da época, mas com certeza tornou-se o alvo dos famalicenses na reta final do campeonato que quase viam este desígnio tornar-se realidade.

Uma infelicidade do destino atirou o Famalicão para o sexto lugar na derradeira jornada, já no período de descontos: Rúben Lameira marca aos 91 minutos o golo que parecia colocar definitivamente a equipa na Europa, mas, aos 95 minutos, Erivaldo “atira um balde de água fria” às pretensões famalicenses, ao marcar o golo do empate que sentenciou o destino do Famalicão, empurrando-o para a sexta posição e fora das competições europeias.

Apesar deste fracasso que marcou o final da época, o emblema orientado por João Pedro Sousa – que, ao que tudo indica, vai continuar no leme da equipa – fez uma época surpreendentemente positiva e que irá, certamente, servir de exemplo na preparação da nova temporada. Entretanto, o “Fama” – como é carinhosamente tratado pelos seus incansáveis adeptos –  já se viu órfão de uma das suas principais estrelas na temporada passada, Fábio Martins, que anunciou na sua despedida do clube ter vivido uma “história incrível” e afirmando que o plantel conseguiu “algo ímpar em Portugal, acima de tudo porque jogamos sempre com alegria e com prazer”.

Em sentido contrário chegaram já ao clube alguns reforços que, muito possivelmente, vão fazer a diferença no plantel: o médio de 25 anos Andrija Lukovic, proveniente dos polacos RKS Rakow; Alexandre Penetra, defesa central de apenas 18 anos que se transferiu da formação do SL Benfica e inicia agora o seu percurso no futebol sénior; Fernando Valenzuela, extremo de 23 anos internacional pela seleção sub-23 da Argentina, Diego Batista, chegado também do Seixal, com 20 anos e Abdul Ibrahim, o ganês de 21 anos que vem do GD Chaves e que atua como defesa esquerdo.

Tudo indica que o Famalicão tem todos os ingredientes necessários para replicar ou ultrapassar na próxima época o sucesso alcançado em 2019/20. Quem sabe se não será já daqui a dois anos que vemos os famalicenses a representar o futebol português na Europa?

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

FC Porto: A importância da continuidade da espinha dorsal

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Os troféus do FC Porto foram apenas conquistados com um trabalho consistente ao longo da época, embora a recuperação pontual tenha iniciado em fevereiro e a partir daí começou o melhor período da equipa, com destaque para vitórias com clara superioridade em dois jogos de elevada dificuldadeSL Benfica no Dragão e Vitória SC em Guimarães – e exibições de excelência no pós-Covid.

É certo que foi durante este período que a qualidade de vários atletas se emancipou, no entanto, houve um grupo de jogadores que apresentou uma consistência formidável durante toda a temporada e seguramente não foi graças a eles que os resultados iniciais deixaram a desejar. Falo, portanto, de Marchesín, Alex Telles, Otávio e Corona, pois foram estes que se aproximaram mais da construção de uma espinha dorsal da época 2019/2020 do FC Porto.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Além de terem sido os que mais se destacaram ao longo do ano, continuaram a ser os mais influentes no melhor momento dos dragões no campeonato, especialmente os três jogadores de campo.

Tecatito Corona foi, a meu ver, o melhor jogador desta edição do campeonato pela influência no futebol do FC Porto, mediante a quantidade de oportunidades criadas e na forma como desbloqueava facilmente a defesa contrária. Foi, sem sombra de dúvidas, o seu ano de explosão e a melhor época da carreira até à data.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

O drible desconcertante, a rapidez na execução e a magia para tirar os adversários da frente são as suas maiores armas, mas há um fator que tornou Corona o jogador mais importante da manobra ofensiva azul e branca. E com isto falo da sua evolução como criador de jogo, através dos passes a rasgar, desmarcações a isolar colegas e uma inteligência nunca antes vista. Prova disso foram as 21 assistências realizadas em todas as competições – 14 delas no campeonato. Não esquecer também que Corona atuou várias vezes a lateral direito, incluindo nas partidas frente ao Benfica. O que certamente ninguém se esquecerá é o túnel deslumbrante a Rafa Silva.

Os 5 títulos europeus mais marcantes do Sporting CP na última década

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O Sporting CP é um dos clubes mais ecléticos do mundo, e consequentemente, o mais eclético de Portugal. Aliás, é essa característica que torna o Sporting CP um dos clubes mais titulados mundialmente.

Hoje, vou apenas debruçar-me sobre os títulos internacionais dos últimos dez anos. Pensei ainda alargar o espaço temporal desta análise para os últimos 20 anos, mas entre 2000 e 2010 conseguimos conquistar “apenas” uma Taça dos Campeões Europeus de Atletismo em Pista, disputado em Vila Real de Santo António no ano de 2000, e em 2010 uma Taça Challenge de Andebol na Polónia.

Este meu aparente desprezo pelo intervalo cronológico 2000-2010 deve-se essencialmente pelo número de títulos internacionais que as nossas modalidades conseguiram juntar às vitrinas do Museu Sporting na década seguinte. No total foram 12 e destes vou tentar escolher as 5 mais marcantes. Como se fosse possível catalogar qualquer destas conquistas como “A melhor”.

TJ Warren: Uma das superestrelas da “bolha”

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Com o recomeço da NBA, e com os fãs a marcarem a sua presença de forma virtual, bastantes são os jogadores que se despertaram e andam a mostrar ao mundo o seu verdadeiro talento. Um deles é TJ Warren, shooting-guard dos Indiana Pacers.

O norte-americano, que representou os Phoenix Suns desde 2014, enverga o equipamento dos Indiana Pacers desde o início da época, mas só desde o retorno da competição após a suspensão da mesma é que TJ Warren tem vindo a ser focado pelos holofotes.

Nos três primeiros jogos na “bolha”, TJ Warren concretizou 53, 34 e 32 pontos respetivamente. Antes da suspensão da NBA, o norte-americano marcava, em média, 18.7 pontos por jogo e nunca marcou mais de 30 pontos em jogos consecutivos nas mais de cinco épocas que já leva na competição.

Nada do que temos visto ultimamente por parte de TJ Warren é novo. Aquando caloiro de NC State, tinha uma média de 24.9 pontos por jogo e venceu o prémio de Jogador do Ano na temporada de 2013/14. Mas, mesmo nessa altura, o número máximo de pontos concretizados por Warren em três jogos era 107, quando, na “bolha”, já ultrapassou a marca dos 119 pontos.

Pontos à parte, todas as oportunidades contam e TJ Warren tem aproveitado cada uma delas. O shooting-guard dos Indiana Pacers adiciona novos elementos ao jogo, tanto em equipa como a nível particular. Neste momento, Warren é um dos melhores atiradores a médio alcance da equipa, e, esse ponto forte a nível pessoal, eleva também a vertente geral. Ao estar confortável em lançar da linha de três pontos, Warren consegue criar mais espaços para os seus companheiros de equipa, potenciando outras possíveis jogadas de concretização.

Enquanto a sua destreza ofensiva ganha destaque, a estratégia defensiva do norte-americano nunca pareceu ser algo excecional. Nos três primeiros jogos na “bolha” de Orlando, Warren demonstrou a sua capacidade defensiva ao arrecadar sete bloqueios e seis roubos de bola – algo que nunca conseguiu fazer antes num conjunto de três jogos.

TJ Warren consumou a sua mudança para os Indiana Pacers após considerações financeiras da parte dos Phoenix Suns, e é atualmente uma das grandes estrelas da equipa e da “bolha” de Orlando.

Os Indiana Pacers precisam de estrelas e jogadores de elevado nível para marcarem uma posição relativamente ao campeonato ou a um nível avançado dos play-offs. Às estrelas de Indiana que são Victor Oladipo, Malcolm Brogdon e Domantas Sabonis, junta-se nitidamente TJ Warren. E, desta equipa, se continuar com o nível que demonstra ou se existirem mais surpresas como a que está a ser TJ Warren, pode-se esperar uma bela campanha dos Indiana Pacers nos próximos tempos.

Foto de capa: NBA

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Paris Saint-Germain FC 2-1 Atalanta BC: Reviravolta épica nos descontos coloca PSG nas meias

A CRÓNICA: A REVOLUÇÃO FRANCESA EM TRÊS MINUTOS

Chegou o tão aguardado dia. A inédita final 8 da Liga dos Campeões em solo português arrancou hoje, no Estádio da Luz, num duelo que colocou frente a frente Paris Saint-Germain FC e Atalanta Bergamasca Calcio.

O super PSG tem um dos mais competitivos plantéis da Europa e uma montra de jogadores que faz inveja aos maiores emblemas do mundo. É o tudo por tudo dos parisienses que tentam chegar às meias-finais da UEFA Champions League pela segunda vez na sua história, e a primeira desde 1995. Os franceses têm pela frente a sensacional Atalanta orientada por Gian Piero Gasperini, que nos últimos anos tem surpreendido o velho continente com performances irrefutavelmente memoráveis. À semelhança dos franceses, em caso de vitória, a equipa bergamasca chega às meias-finais pela segunda vez na sua história.

A entrada forte do PSG desvendou ao que íamos ter um jogo animado, em que não dava para tirar os olhos da televisão, nem por um segundo. O avassalador domínio inicial dos parisienses culminou com uma berrante ocasião de golo ao quarto minuto de jogo, por intermédio de Neymar, que isolado na cara do guardião bergamasco, Marco Sportiello, falhou escandalosamente o alvo.

A tendência inverteu-se aos 10 minutos, altura em que a roda dentada da Atalanta começou a engrenar. Ao minuto 13, o bem oleado futebol ofensivo dos nerazzurri obrigou Keylor Navas a trabalhos redobrados. O passe teleguiado de Papu Goméz encontrou Hateboer, que cabeceou com força, e só uma super intervenção do costa-riquenho é que manteve o nulo entre os italianos e os franceses. Um minuto depois, Mattia Caldara testou outra vez Navas, que voltou a fazer uma defesa fantasmagórica, mas a jogada já estava interrompida por fora-de-jogo.

O caudal da Atalanta deu o derradeiro fruto ao minuto 27. Depois dum ressalto felizardo entre Duvan Zapata e Kimpembe, Mario Pasalic vê-se sozinho na cara de Navas e fuzilou o costa-riquenho. Estava desfeito o nulo, e o underdog italiano ficava a vencer por 1-0.

Bastou um minuto para a reação dos franceses, que quiseram rapidamente retomar posse da tocha. Neymar fintou três jogadores da formação italiana e voltou a falhar o alvo. O remate da estrela brasileira tirou tinta ao poste da baliza da Atalanta, depois duma boa jogada individual.

No final da 1.ª parte era de realçar a vantagem dos italianos e a desinspiração do Paris Saint-Germain, à exceção de Neymar e Navas, que eram os únicos que pareciam ter argumentos para fazer frente a esta surpreendente Atalanta.

O segundo tempo arrancou de forma mais lenta que a primeira metade do encontro. As tentativas de incursão atacante dos italianos eram menos recorrentes e o PSG não conseguia criar uma boa oportunidade. Thomas Tuchel percebeu que tinha de mexer no banco para animar o jogo, e à passagem do minuto 60 fez all-in: entrava Kylian Mbappé, que acabava de regressar duma lesão.

O desespero parisiense para chegar ao empate ficou mais óbvio nos últimos vinte minutos, momento a partir do qual a posse era praticamente toda do PSG e as tentativas de golo nasciam quase a cada dois minutos. À passagem do minuto 73, Mbappé fez um sprint com a bola pela ala esquerda, chegou até à área e rematou para uma boa defesa com o pé de Sportiello. Aos 76, foi Neymar a testar a concentração do italiano, que disse presente. Ao minuto 80, volta a aparecer Mbappé que correu em direção à baliza e, desta vez, valeu a heróica intervenção do defesa Palomino a evitar o golo do francês.

Com o minuto 90 chegou o início da revolução francesa. O esforço do Paris Saint-Germain finalmente dá lucro. Numa jogada de insistência, Choupo-Moting cruzou para Neymar, que assistiu o compatriota Marquinhos para fazer o tão desejado empate. Um momento bonito. À “Costinha”, em 2004.

Enquanto a Atalanta se preparava para o prolongamento, Neymar cozinhou uma nova transição rápida, desmarcou Mbappé na área que, sem qualquer egoísmo, passou a bola para a finalização fácil de Choupo-Moting. Aos 93 minutos, o balde de água fria assolava os italianos que deitavam tudo a perder no período de descontos.

No final, conta-se a história duma grande noite europeia no Estádio da Luz. Duas grandes equipas, das melhores da Europa, e a sorte que sorriu a um Paris Saint-Germain que nunca baixou os braços.

A FIGURA

Neymar – O brasileiro sente que está mais perto do que nunca de ganhar a Liga dos Campeões, e a motivação que sente foi evidente no jogo de hoje. Quem viu os quase 100 longos minutos de futebol nesta noite de futebol, não fica com qualquer dúvida. Neymar foi o melhor em todos os momentos da partida. Se durante a semana foi noticiado que recebe, sozinho, mais do que a equipa inteira da Atalanta hoje evidenciou o porquê.

O FORA DE JOGO

Mattia Caldara – Passou muitas dificuldades em acompanhar o elevadíssimo ritmo dos quartos de final da Liga dos Campeões. Foi o jogador que mais dribles sofreu (sete) em toda a partida, perdeu 13 em 16 dos duelos individuais e foi o culpado direto por quatro perdas de posse de bola. Caldara não foi um desastre completo, mas foi o elo mais fraco da equipa que sai hoje derrotada do Estádio da Luz.

 

ANÁLISE TÁTICA – PARIS SAINT-GERMAIN FC

Taticamente, um jogo algo desinteressante dos franceses. Thomas Tuchel não inventou uma tática personalizada para defrontar os italianos. Um 4-3-3 simples, com passes rápidos e fé na superioridade técnica. O alemão admite indiretamente o intuito de fazer sobressair as qualidades individuais da turma parisiense diante da Atalanta. O início foi forte, mas a verdade é que o Paris Saint-Germain se viu com muitas dificuldades para se superiorizar ao grande coletivo da Atalanta. Tuchel não estava errado. A individualidade acabou por ganhar a partida e garantir as ‘meias’ da Champions. 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Navas (8)

Kehrer (6)

Thiago Silva (7)

Kimpembe (6)

Bernat (6)

Herrera (6)

Marquinhos (7)

Gana Gueye (6)

Sarabia (5)

Neymar (9)

Icardi (5)

SUBS UTILIZADOS

Mbappé (7)

Draxler (6)

Paredes (6)

Choupo-Moting (7)

Sérgio Rico (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – ATALANTA BC

Uma Atalanta muito igual a si mesma. São três defesas, dois alas, dois trincos, dois construtores e um ponta de lança. Está feito o 3-4-2-1 dos italianos que tem dado cartas na Serie A e hoje quase levou de vencido o Paris Saint-Germain. O golo aos 27 minutos nasce com muito esforço e mérito da turma de Gian Piero Gasperini e o cair do pano acabou por ser um desastre completo para a Atalanta que, por pouco, falha a meia-final da Liga dos Campeões. Perdeu na qualidade individual, mas há que ressalvar a luta sobrehumana do coletivo. Quase brilhantes! Para o ano há mais Atalanta, e cá estaremos para acompanhar.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Sportiello (6)

Tolói (7)

Caldara (4)

Djimsiti (6)

Hateboer (5)

de Roon (6)

Freuler (6)

Gosens (6)

Pasalic (7)

Goméz (7)

Zapata (5)

SUBS UTILIZADOS

Malinovskiy (6)

Palomino (6)

Muriel (5)

Da Riva (-)

Castagne (-)

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Luisão e Paulo Lopes | Reforços de peso para o balneário

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O ano de 2018 foi duro para as “águias”. Além de não terem conseguido conquistar o pentacampeonato, os encarnados viram algumas figuras de peso abandonar o balneário.

Paulo Lopes, o “eterno terceiro guarda redes” encarnado, anunciou que iria pendurar as luvas, aos 40 anos, sendo que iria prosseguir a sua carreira na Luz como treinador de guarda-redes da equipa sub-23 do Benfica.

Também Shéu Han, após cerca de 20 anos a desempenhar a função de secretário técnico, anunciou, por motivos pessoais, que iria assumir outros cargos na Luz.

E como não há duas sem três, também Luisão anunciou que, ao fim de 15 anos ao serviço das “águias”, iria colocar um ponto final na sua carreira de jogador profissional, passando a desempenhar um cargo nas relações internacionais do clube.

Em suma, num ano, perderam-se três referências no balneário encarnado. Três “monstros sagrados” cuja capacidade para passar a mística e o poder do Benfica quer aos jogadores estrangeiros, como aos mais novos, valeram dezenas de títulos para o palmarés vermelho e branco.

Fonte: SL Benfica

No entanto, a situação parece que vai mudar na época 2020/21. Com o regresso de Jorge Jesus ao comando técnico dos encarnados, voltam dois nomes de peso ao balneário. Luisão e Paulo Lopes vão ingressar na equipa técnica do treinador português, ocupando os cargos de secretário técnico e treinador de guarda redes, respetivamente.

Numa altura em que se perspetivam várias mudanças no plantel, com o próprio Jorge Jesus a admitir, em entrevista à Benfica TV, que “muitos ainda não chegaram e muitos não vão ficar”, ter dois pesos pesados da história das “águias” no balneário será muito importante para receber e integrar os novos jogadores à realidade encarnada.

A presença do antigo guarda redes e do antigo capitão também serve para controlar melhor o balneário encarnado, numa altura em que se suspeita, especialmente devido a toda a situação que levou ao despedimento de Bruno Lage, que poderá haver algumas maçãs podres que desestabilizam o plantel.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

O melhor onze sub-23 da Liga dos Campeões

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A Liga dos Campeões, sendo a maior competição de clubes à escala global, é também uma montra para os jogadores mostrarem todo o seu talento e qualidade. Qualquer futebolista sonha em atuar na prova milionária, tanto pelas sensações que a participação na mesma provoca, como pela busca de melhores clubes ou até contratos desportivos mais avultados, principalmente para os jovens atletas que procuram dar os saltos nas suas carreiras.

Posto isto, e com a edição 2019/2020 da competição nos quartos de final e a aproximar-se do fim, na seguinte lista apresento um onze, disposto num 4-3-3, composto pelos maiores talentos com 23 anos ou menos das equipas que ainda se encontram em prova.

MotoGP: 5 factos sobre o GP de Portugal

Ah! Quem não tinha saudades de ver Portugal nas bocas do Mundo? Para os adeptos de automobilismo este ano de 2020, para além de ficar marcado pela pandemia de COVID-19, ficará certamente na memória por trazer a Portugal o mundial de Fórmula 1, mas também o de MotoGP! É verdade. O Autódromo Internacional do Algarve (AIA) já era uma possibilidade para a Dorna Sports, organizadora do mundial, e estava em “banho maria” à espera de ser chamado para que as duas rodas do MotoGP viessem novamente a terras lusas.

Oito anos depois, os maiores nomes do MotoGP voltam-se a reunir em Portugal e a possibilidade de haver fãs nas bancadas (tal como na Fórmula 1) voltou a criar o “pânico” no site do AIA. No primeiro dia de vendas, houve locais ao longo da pista que esgotaram, inclusive. O público português terá assim a oportunidade de mostrar a sua paixão pelo Desporto Motorizado, mais uma vez.

Quem também está contente é Miguel Oliveira e não é para mais. O piloto português da KTM Tech 3 está de volta a Portugal e logo para correr na categoria rainha. É o “sonho tornado realidade”, não só para o piloto, mas para os adeptos portugueses que esperam por este momento há algum tempo. Contudo, não esqueceu de relembrar a todos que é, na sua opinião, “um dos traçados mais desafiantes do mundo”.

Portimão receberá, pela primeira vez, o mundial de MotoGP, de 20 a 22 de novembro deste ano. Porém, a história do Mundial em duas rodas em terras portuguesas já existe desde 2000. Por isso, vamos agora reavivar a memória para alguns momentos interessantes que aconteceram no circuito do Estoril, o único circuito até 2020 a receber as provas de MotoGP, e olhar para factos que vão ainda acontecer.