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O dez a zero do FC Porto de Conceição ao Benfica de Lage

Não raras vezes vemos associado o nome do FC Porto à raça, à determinação, ao “contra tudo, contra todos”. E, clubismos à parte, considero que são características que caem bem à equipa atualmente treinada por Sérgio Conceição, não só pelo hoje, mas por todos os episódios que constituem a sua rica e centenária história.

Bom, mas os tempos são outros. No futebol, já não se ganha no grito, não basta correr mais que o adversário, não basta querer vencer.

A evolução da modalidade fez com que se profissionalizasse todas as suas esferas, desde a técnica até à estratégica e planeamento de jogo.

Algo que não mudou assim tanto, todavia, é a importância da componente mental. Os jogadores precisam de sentir que estão a correr por uma causa, que estão a suar por um objetivo, que estão a sacrificar-se por um bem maior.

E acabou mesmo por ser este o “pormaior” que atualmente coloca o FC Porto com mão e meia no título. Numa disputa onde nenhum dos dois candidatos pode orgulhar-se de ter apresentado um futebol atraente, vistoso, os dragões vencem as águias na esfera mental do jogo, na raça, como se costuma dizer.

Por um lado, Sérgio Conceição, na minha opinião, tem no aspeto mental/motivacional a sua principal qualidade; por outro lado, na Luz, Bruno Lage teve a incapacidade de gerir mentalmente uma equipa em má fase, o seu pecado capital.

O dez a zero do FC Porto de Conceição ao Benfica de Lage. Não raras vezes vemos associado o nome do FC Porto à raça, à determinação
Bruno Lage não foi capaz de segurar o grupo animicamente como Sérgio Conceição
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Outro aspeto: respaldo. Era notório que, a partir do momento em que o Benfica sai derrotado do Estádio do Dragão e não consegue rapidamente dar a volta por cima, Bruno Lage tinha os seus dias contados. Esse facto, querendo ou não, influencia diretamente o rendimento de toda a equipa: por que motivos dariam a vida por um técnico que, a qualquer momento, abandonaria o cargo? Por que motivos iriam os jogadores acreditar no “projeto Lage” quando era notório que poucos dentro do clube acreditavam?

No FC Porto, um cenário diferente. Apesar da enorme contestação que rodeava Sérgio Conceição, Pinto da Costa nunca o deixou cair, nunca deixou de demonstrar que acreditava nele. Partindo desse princípio, os jogadores do FC Porto interpretam um ciclo negativo como pouco mais que isso, enquanto que os jogadores encarnados veem a descrença no seu técnico aumentar a cada dia.

A partir daí, os deuses do futebol fazem o resto. No jogo do Benfica, a bola vai passar ao lado da baliza adversária, vai bater no poste, o guarda-redes adversário fará exibições de outro mundo. No jogo do FC Porto, com uma exibição que, provavelmente, não superará a das águias, a bola lá encontrará um caminho para as redes adversárias.

E assim se escreveu a história daquele que muito provavelmente será o novo campeão português: com pouca técnica, com pouca beleza, com pouca cabeça, mas com muito suor, com muita entrega, com muito coração.

Artigo revisto por Joana Mendes

Os 4 contratos do Belenenses SAD prestes a acabar

Jogam todos no Belenenses SAD e em comum têm o facto de em determinado momento das suas carreiras terem passado num grande de Portugal. Licá é já a terceira época nos azuis, André Santos encontra-se a cumprir a segunda temporada no clube, Marco Matias e Silvestre Varela chegaram este ano. Os contratos terminam em breve e para já é incerto o seu futuro. Pela sua experiência, e, claro, a sua qualidade, todos são peças importantes numa equipa em busca de uma identidade. O clube que jogava no Jamor e agora se mudou para a Cidade do Futebol, dispõe de vários elementos jovens nos seus quadros, o que reforça ainda mais a importância de contar com jogadores que aportam outro conhecimento do jogo.

Super Rugby Aotearoa: Chiefs, a desilusão da competição

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O derby da ilha sul voltou a Dunedin, dois anos depois. Na temporada passada, este clássico não se disputou no Forsyth Barr Stadium devido aos ataques terroristas que tiveram lugar em Christchurch.

Em campo, o resultado de 20-40 a favor dos Crusaders não espelha o que se passou sob o olhar de quase 30.000 adeptos, uma vez que os tricampeões do Super Rugby apenas conseguiram dominar o jogo e garantir a vitória na reta final do mesmo.

Numa fase inicial da primeira parte, os Crusaders conseguiram garantir o controlo do jogo, culminando, esta fase, com o ensaio de Will Jordan. Não obstante, os Highlanders não tardaram em equilibrá-lo, acabando mesmo por passar para a frente do marcador, através dos ensaios de Shannon Frizell e Ngani Punivai.

Destaque para o ensaio do flanqueador dos Landers, ao fazer um carry absolutamente fantástico. Já Aaron Smith foi o líder da manobra da equipa da casa. Nota para o seu transporte de bola e para a quebra de linha que originou o ensaio do ponta Ngani Punivai.

Apesar da desvantagem de 17-14 ao intervalo, os Crusaders não tardaram em responder na segunda parte, por meio de Tom Christie. Mais tarde, os Highlanders tiveram a oportunidade de passar para a frente do marcador, mas Jona Nareki decidiu não libertar a bola numa situação de ensaio iminente, acabando por perder o controlo da oval.

Este momento foi crucial, sendo que, nos restantes minutos de jogo, sem Aaron Smith em campo, os Crusaders conseguiram dominar nos capítulos da posse e do território. Como tal, os ensaios não demoraram a surgir. Nos vinte minutos finais foram três, sendo estes da autoria de Sevu Reece, Tom Christie e Will Joardan.

Os Crusaders permanecem assim invictos na competição, recebendo, no próximo sábado, os Blues que, à semelhança da franquia de Christchurch, só somam vitórias. Os Highlanders, por seu turno, terão de melhorar o aspeto disciplinar. Foram completamente arrasados na formação ordenada e a abordagem ao breakdown não foi a melhor. Foram 13 as penalidades concedidas pelos Landers, número que contrasta com as sete dos homens de Scott Robertson.

Bruno Lage | Os 5 melhores jogos ao serviço do SL Benfica

O ciclo de Bruno Lage à frente dos destinos da equipa principal do SL Benfica chegou ao fim. O técnico colocou o lugar à disposição depois da derrota frente ao CS Marítimo, agravando (ainda mais) a crise que se vive no clube da Luz. Os encarnados somavam apenas duas vitórias nos últimos 13 jogos, deixando o FC Porto isolar-se na primeira posição do campeonato.

Bruno Lage abandona os encarnados pela porta pequena, tendo, nos últimos meses, batido inúmeros recordes negativos. No entanto, e porque nem tudo o que o técnico setubalense fez foi mau, esta semana decidimos relembrar os cinco melhores jogos de Bruno Lage ao longo do ano e meio em que esteve ao serviço das “águias”.

Frederico Silva vence segunda etapa do Circuito Sénior FPT

Lisboa recebeu a segunda etapa do Circuito Sénior FPT. A capital recebeu não só os melhores tenistas portugueses da atualidade, como também as jovens promessas do ténis nacional.

Os tenistas voltaram a ser divididos em quatro grupos. Destaque para João Sousa, Frederico Silva, Luís Faria e Duarte Vale que passaram os respetivos grupos ao contrário de Nuno Borges, que venceu a primeira etapa do circuito, Gastão Elias e Tiago Cação, que chegaram às meias-finais no circuito passado e João Monteiro.

Nas meias-finais, João Sousa e Frederico Silva confirmaram o seu favoritismo nas respetivas partidas. O número um português venceu Luís Faria por 2-0. O mesmo resultado repetiu-se no encontro entre Frederico Silva e Duarte Vale, com a vitória a sorrir ao quarto melhor tenista luso do ranking ATP.

Frederico Silva chegou à final sem ceder qualquer set
Fonte: Federação Portuguesa de Ténis

O court central do Lisboa Racket Centre acolheu a final. Frederico Silva iniciou melhor a partida, uma vez que no primeiro set conquistou duas quebras de serviço seguidas no jogo de serviço de João Sousa. O vimaranense ainda reduziu a desvantagem, mas não conseguiu evitar o triunfo de Frederico Silva no primeiro set.

O tenista natural de Guimarães teve longe do seu melhor na grande final
Fonte: Federação Portuguesa de Ténis

João Sousa demonstrou, por diversas vezes, sinais de descontentamento pelos vários erros que cometeu e que se revelaram decisivos para o rumo que a partida tomou. No segundo set, Frederico Silva manteve o controlo das operações e com um break garantiu uma vantagem de dois jogos que lhe permitiram levar para casa o troféu.

O torneio organizado pela Federação Portuguesa de Ténis viaja agora até à Figueira da Foz onde os tenistas portugueses lutarão, novamente, por conquistar o título.

Resultado Final: Frederico Silva 2-0 João Sousa (6-3/ 6-4)

Foto de Capa: Federação Portuguesa de Ténis

Artigo revisto por Joana Mendes

FC Porto 5-0 Belenenses SAD:  16 Seninhos de Manchester numa goleada das antigas

A CRÓNICA: CINCO GOLOS QUE MANTÉM O “DISTANCIAMENTO”

No dia em que um Dragão despido disse adeus a uma das maiores lendas do FC Porto, Seninho, os comandados de Sérgio Conceição homenagearam da melhor forma o herói de Manchester.

O FC Porto entrou para o encontro com uma paciência que era mais que necessária para enfrentar uma equipa muito competente no processo defensivo.

Não era, pois, uma noite de ativar setas no ataque azul e branco, mas sim de desmontar um belo puzzle que também se vestia de azul.

No entanto, foi o Belenenses SAD que aos 12 minutos deu um aviso muito sério à baliza de Marchesín. Marco Matias conseguiu um cruzamento perfeito que não teve a finalização esperada de Edi Semedo.

Perto da meia-hora, Sérgio Oliveira tentou explodir com as redes de Koffi, mas Ricardo Ferreira, com toda a sua experiência, pôs fim à investida do médio português.

Estávamos de facto perto da meia-hora, momento em que Marega fez uma vénia. Uma vénia a um ponta de lança que finalmente voltou a dar o gosto ao pé. Tiquinho Soares inaugurou o marcador e colocou fim a um jejum que durava desde fevereiro… O golo, claro está, foi de cabeça como manda a regra dos tentos do ponta de lança brasileiro. Estava feito o um a zero.

Matheus Uribe também se queria estrear a marcar, mas Rui Oliveira, com o auxílio do VAR, anulou aquele que seria, e chegou a ser, o dois a zero.

Chegou assim ao fim uma primeira parte que não foi de todo avassaladora pelos homens da casa, mas que conseguiu desmontar uma defesa que, embora bem constituída, não conseguiu travar o cabeceamento certeiro de Tiquinho Soares.

Rui Oliveira apitou para o início do segundo tempo, e viu-se um jogo espelho da primeira parte. Um Belenenses SAD a entregar a iniciativa de jogo ao FC Porto e a descurar um pouco o seu processo ofensivo. Aos 58 minutos, Marega mostrou aquilo em que realmente consegue ferir os adversários. Tecatito Corona fez o típico passe rasteiro em profundidade e Marega bateu Koffi para o dois a zero no encontro. As esperanças dos comandados de Petit podem ter caído por terra com este golo.

Depois de o Belenenses SAD rapidamente ter esgotado todas as substituições, o FC Porto conseguiu, com o misto de aceleração e drible do recém-entrado Luis Díaz, ganhar uma grande penalidade convertida com sucesso por Alex Telles. Estava feito o terceiro golo e era a altura de dar minutos a jovens do futuro azul e branco.

Isto deu uma vida diferente ao encontro e Fábio Silva tentou a sua sorte anulada por posição irregular depois de Nuno Pina ter atirado ao poste da baliza de Marchesín.

Chegou o momento do encontro. O momento em que a responsabilidade estava nos ombros de um miúdo. Alex Telles, contra a vontade de muitos, cedeu a marcação de um livre direto e o jovem médio português estreou-se a marcar. Momento de explosão de todos que celebraram a goleada no dragão por um jovem do Olival. O quarto golo aparecia assim no placar. Não sabíamos era por quanto tempo.

Luis Díaz ainda deu trabalho à tecnologia do placar dos golos e lá se teve de colocar uma goleada das antigas. Grande golo do extremo colombiano que marcou o quinto e fechou de forma fulminante um encontro para sorrir para uns e para esquecer para outros.

 

A FIGURA

 Coesão ofensiva do FC Porto – É quase impossível distinguir um jogador neste encontro. Dessa forma, o que verdadeiramente se destacou foi a coesão ofensiva do FC Porto. Uma equipa eficaz em que todos os jogadores mostraram qualidades que muitas vezes não se viam. Com o desenrolar do encontro, a qualidade de jogo com bola ainda era melhor, mas o adversário não ficou nada isento de culpas.

 

O FORA DE JOGO

 11 escolhido por Petit – Longe de mim querer criticar as escolhas sempre legítimas de um treinador de futebol. Contudo, creio que a estratégia montada por Petit saiu completamente ao lado. A mudança revolucionária do onze inicial (algo que já aconteceu noutras alturas) não surtiu qualquer efeito. A única vantagem pode ser a poupança física de jogadores fulcrais como, por exemplo, Licá. O que seria este encontro com a presença do avançado português?

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

O FC Porto apresentou-se com uma alteração relativamente ao jogo em Paços de Ferreira. Sérgio Conceição substituiu Sérgio Oliveira por Danilo e o médio português procurou dar aquela capacidade de meia distância e distribuição de jogo que falta ao capitão portista.

O 4-4-2 com dois pesos pesados na frente foi a solução encontrada para ferir uma linha de três (que ia até cinco pela participação dos laterais) dos azuis. Marega teve a função de tentar destabilizar o posicionamento dos centrais do Belenenses SAD e Tiquinho Soares foi o verdadeiro ponta de lança do encontro.

O FC Porto teve sempre uma posse de bola paciente e aguerrida, o que favorece a que muitas vezes se note aquela falta de ideias e mobilidade no ataque. Nesse sentido, é necessário um avançado que não desperdice oportunidades servidas pelas deambulações de Corona e Otávio. Marega foi um dos jogadores que demonstrou algumas lacunas técnicas na hora da decisão durante o primeiro tempo.

Quando o jogo já estava resolvido, e depois de algumas substituições, viu-se a força da juventude no FC Porto. A irreverência e a troca de bola relaxada tomaram conta de uma equipa com índices de confiança muito acima da média. As transições também começaram e a goleada estava feita.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marchesín (5)

Alex Telles (7)

Pepe (6)

Mbemba (6)

Manafá (6)

Otávio (7)

Sérgio Oliveira (7)

Matheus Uribe (7)

Tecatito Corona (7)

Marega (7)

Soares (8)

 

SUBS UTILIZADOS

Fábio Vieira (8)

Danilo Pereira (6)

Luis Díaz (8)

Fábio Silva (7)

Vitinha (7)

 

ANÁLISE TÁTICA – BELENENSES SAD

O Belenenses SAD apresentou-se no Estádio do Dragão de forma muito surpreendente. Petit fez bastantes alterações na equipa, e jogadores como Licá e Nilton Varela não constaram sequer na ficha de jogo. Por outro lado, os azuis não tiveram guarda-redes suplente, o que se tornou um risco caso Koffi se lesionasse. André Moreira, habitual guardião da equipa de Petit, pode ter testado positivo à Covid-19 e desfalcou assim a equipa.

Com estreias absolutas de Ricardo Ferreira e Edi Semedo, o Belenenses SAD mostrou uma defesa aguerrida que apenas pretendia pôr fim às investidas do FC Porto. Tratava-se assim de uma muralha de três centrais com forte vigilância de dois laterais.

O início do encontro acabou por mostrar um Belenenses SAD mais pressionante, que tinha em Keita aquele que era o primeiro defesa da equipa ao baixar para ajudar os companheiros mais recuados do terreno. Dessa forma, sentiu uma grande falta de fulgor ofensivo, o que é resultado da ausência de jogadores fulcrais para este tipo de encontros: Licá.

A queda tornou-se estrondosa e ninguém conseguiu travar qualquer jogador que entrasse no encontro. Estratégia completamente falhada e isso refletiu-se completamente no resultado.

 11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Koffi (3)

 Ruben Lima (4)

Nuno Coelho (4)

Danny Henriques (4)

Ricardo Ferreira (5)

Diogo Calila (5)

André Santos (4)

Nuno Pina (4)

Marco Matias (5)

Edi Semedo (5)

Keita (5)

 

SUBS UTILIZADOS

Show (5)

Mateo Cassierra (4)

Cafú Phete (4)

Dieguinho (4)

Tiago Esgaio (4)

Artigo revisto por Joana Mendes

GP Áustria: Assim valeu a pena esperar

Depois de 217 dias sem os carros de Fórmula 1 se alinharem na grelha de partida; depois de quatro meses em que dúvida da existência de uma temporada e um regresso continuava no ar; e depois de a COVID-19 ter virado o mundo de pantanas e os fãs do desporto ressacarem pelo cheiro a gasolina e borracha queimada, hoje, em pleno Red Bull Ring na Áustria, o mundo voltou a ser um pouco mais normal. E, meus amigos, que corrida que tivemos como recompensa pela demora.

A CORRIDA: UMA AVARIA PARA TI, OUTRA AVARIA PARA TI E TOMA LÁ MAIS UMA TAMBÉM PARA TI

Vamos cortar gordura nesta primeira parte: Valtteri Bottas (Mercedes-AMG) venceu, após sair de pole position, e nem com um Lewis Hamilton (Mercedes-AMG) esfomeado em perseguição cometeu um único erro, com um fantástico controlo e gestão da liderança. A partir do segundo lugar, foi uma autêntica selva de peças partidas, motores fumegantes, penalizações discutíveis e ultrapassagens fantásticas. Charles Leclerc (Ferrari) foi surpreendentemente o segundo classificado, e, para quem não percebe o porquê de ser surpresa, digamos que os cavalinhos italianos em performance parecem ser a quinta equipa mais rápida.

Apesar dos óbvios defeitos do carro, Leclerc fez uma excelente corrida, aproveitando os erros e problemas dos adversários e executando duas ultrapassagens essenciais a Lando Norris (McLaren) e Sergio Perez (Racing Point), que o colocaram no pódio. O pequeno Lando foi a estrela do dia, com uma corrida extremamente madura que lhe permitiu obter o seu primeiro pódio da carreira e o segundo da McLaren em seis anos.

Lewis Hamilton, a certo ponto, parecia ter a corrida prestes a entrar no bolso, mas os Mercedes estavam a lidar mal com os agrestes limites da pista austríaca, e a equipa pediu para tanto ele e Bottas se acalmarem e manter posições. Mas o que o britânico da Mercedes não esperava era que Alexander Albon (Red Bull) aproveitasse a vantagem dos seus pneus macios para também ir à luta.

Como se de um Déja Vu para a corrida do Brasil 2019 se tratasse, Albon tentou ultrapassar Hamilton – houve um toque que forçou o despiste do Red Bull. Instalou-se a polémica, porque Hamilton recebeu uma penalização de cinco segundos por causar uma colisão. Esta é uma situação difícil de analisar. Albon está de tal forma à frente que a roda dianteira do piloto da Mercedes embate na roda traseira do piloto da Red Bull. Contudo, Hamilton não tem muito para onde ir porque já está com o volante totalmente virado, sendo a única opção travar. Vendo que o único que naquele preciso momento tinha uma opção era Hamilton, acredito que a penalização é justa, mas não ficaria revoltado se fosse considerado um incidente de corrida.

Outro alguém que cheirou o prometido pódio toda a corrida e acabou desiludido foi Sergio Perez (Racing Point). O mexicano esteve no sítio certo e no momento certo em toda a corrida, tirando nas últimas voltas, onde algumas decisões estratégicas duvidosas e uma penalização por excesso de velocidade na pit lane o atiraram para fora do top 5. Apesar de tudo, e mesmo vendo o carro de Lance Stroll a ser um dos que não aguentaram a dureza do circuito, os sinais são positivos para a Racing Point, que, em velocidade pura, mostra ser a terceira melhor equipa neste momento.

A nova Alpha Tauri (antiga Toro Rosso) faz parte do leque de equipas em que apenas um homem terminou a corrida. Pierre Gasly, com uma corrida silenciosa, mas certinha, conseguiu um sétimo lugar bem útil para a equipa. Danill Kvyat viu a sua suspensão traseira desintegrar-se devido às lombas exteriores da pista.

Para os lados da Renault, também só um homem passou a bandeira axadrezada, e foi Esteban Ocon, que se pode dar por feliz pelo oitavo lugar conseguido. Isto tendo em conta que tinha estado bem abaixo das expectativas e do ritmo demonstrado pelo seu colega de equipa (Daniel Ricciardo) durante todas as sessões, que deixou a corrida ainda nas primeiras voltas, com falhas no motor Renault.

No que diz respeito à Alfa Romeo, os dois pontos de Antonio Giovinazzi foram um consolo pelo desastre que foi a falha das rodas de Kimi Raikkonen, sendo que o italiano ainda batalhou com Sebastian Vettel pelo nono lugar, saindo por cima!

Para a Haas e para a Williams, foi uma corrida praticamente invisível, sendo apenas a imagem colocada neles quando decidiam experimentar rally (Romain Grosjean) ou o carro falhava como tantos outros (George Russel e Kevin Magnussen).

Foi uma excelente corrida para os fãs, uma merecida compensação pela espera a que a COVID-19 nos sujeitou. Parece ser mais um ano de domínio da Mercedes, mas a batalha do segundo pelotão está tão interessante que nem importa. Para a semana estamos de volta ao mesmo circuito. Que seja tão bom, ou melhor, e as equipas que tragam mais peças.

FPF eSports Masters: RastaArtur e TiagoAraujo10 estão na final

Chegou o último dia da Masters de FIFA 2020. Previa-se um dia com muitos golos e emoções, e não ficamos desiludidos. “RastaArtur” e “TiagoAraujo10” qualificaram-se para a grande final da FPF eSports Masters, que se vai realizar no próximo dia 12.

OITAVOS DE FINAL

Nos dezasseis melhores jogadores de FIFA portugueses, tínhamos grandes nomes como “RastaArtur”, “Tuga810”, “JPeres99”, “MarQzou”, entre outros. O jogo mais aguardado desta fase era, sem dúvida, entre dois colegas de equipa na TS Warrior, “RastaArtur” e “Tuga810”. Num agregado de 3-2, “RastaArtur” levou a melhor e seguiu em frente na prova. Já “Tuga810”, que não esteve na forma habitual durante todo o torneio, ficava pelo caminho.

Também “JPeres99” manteve o bom nível e cilindrou “afonsodantas0707” por 3-0. Iria defrontar “RafaMonteiro09” nos quartos de final. O jogador da SoccerSouleSports derrotou “Darkley11” num jogo frenético com um agregado de 4-3. Também “tcosta”, “TiagoAraujo10”, “Hug0B0ss52_”, “Bernasfigue5” e “Balmeida96” avançaram para a próxima fase.

QUARTOS DE FINAL

Com apenas oito jogadores a lutar pelo título de «melhor jogador português da atualidade», o ambiente aqueceu e houve bastantes golos nos jogos da Masters. “RastaArtur” passou às meias finais depois de uma vitória sobre “tcosta1126”, com um agregado de 5-4. O segundo jogo deste embate acabou 3-3, mas só porque o poste da baliza de “RastaArtur” evitou o pior já durante o período de descontos. Também “RafaMonteiro09” continuou a sua caminhada de sonho até à final depois de bater “Jperes99” por 4-2 num conjunto de jogos emocionante.

O terceiro confirmado para as meias finais foi “TiagoAraujo10”, que bateu “BAlmeida96” por 5-3. Numa eliminatória com oito golos, o jogador da FTW Esports ganhou o primeiro jogo pela margem mínima, num jogo com sete golos, e triunfou na segunda mão por 2-0. O último «passaporte» para as meias-finais foi garantido por “Bernasfigue5”, que manteve o favoritismo frente a “Hug0B0ss52_” e venceu por 4-1.

5 jogadores que passaram pelo Tottenham Hotspur FC e Everton FC

A Primeira Liga Inglesa já está decidida quanto ao campeão, mas não é por isso que deixa de nos aguardar grandes jogos e emoções. A qualidade está cada vez maior e mais espalhada, e todos os jogos acabam por se tornar grandes focos de atenção por parte dos adeptos.

A jornada 33 está quase encerrada, mas para último ficou, talvez, o jogo da jornada, que coloca frente a frente os conjuntos do Tottenham Hotspur FC e do Everton FC, dois nomes grandes do futebol inglês. Não foi propriamente uma época de sucesso para ambas as partes, e, por esta altura, já não haverá grandes objetivos a cumprir. Ora, não é por isso que deixa de ser um ótimo jogo de futebol que vale a pena acompanhar.

O TOTTENHAM DE JOSÉ MOURINHO ESTÁ OBRIGADO A VENCER PARA MANTER A MIRA NOS LUGARES EUROPEUS. DEPOIS DA DERROTA COM O SHEFFIELD UNITED, SERÁ QUE VOLTA A VENCER? APOSTA JÁ NA BET.PT!

As equipas estão separadas por apenas um ponto, com a equipa da casa mais à frente, e uma vitória dos “Toffees” inverte a classificação atual. O futuro próximo é pouco relevante, porque os lugares europeus estão já fora de alcance. Importa agora começar já a afinar os pormenores para a época que se avizinha.

Esquecendo um pouco o futuro, será interessante lembrar o passado e conhecer um pouco da história destes dois símbolos. Assim, fazemos uma lista de cinco jogadores que passaram pelo Tottenham Hotspur FC e pelo Everton FC durante as suas carreiras, e que estão marcados na vida de ambos os clubes.

«Apareceu o FC Porto, não deu. Apareceu o Sporting, não deu. Só faltava o Benfica e esse era gigante» – Entrevista BnR com Manduca

Jogou na formação do Grêmio com Ronaldinho Gaúcho. Foi para a Finlândia e estreou-se na Liga dos Campeões aos 17 anos. Chegou à Segunda Liga portuguesa em 2000 e em seis anos estava no Benfica, mas o regresso de Rui Costa “atirou-o” para a Grécia. Aos 30 anos foi para o Chipre, onde se tornou herói e, talvez, no único campeão como jogador, treinador e diretor… na mesma época. Tudo isto, na mesma hora em que Marítimo e Benfica, dois dos clubes em que se destacou em Portugal, jogavam para a Primeira Liga. Eis Gustavo Manduca, em exclusivo, em entrevista ao Bola na Rede.

 – Do calor brasileiro à neve finlandesa –

Bola na Rede (BnR): Quando é que começaste a jogar futebol?

Gustavo Manduca (GM): Ui, pergunta difícil…

BnR: Então e em clubes, já mais organizado?

GM: Ah assim fica mais fácil [risos]. Fui para o Grêmio com 13 anos. Antes, dos 11 aos 13, estive no Criciúma, mas ainda era escolinha e no Grêmio já foi um passo maior. Ia à seleção, era um clube maior…

BnR: Ficaste três anos no Grêmio, mas muito cedo foste para a Finlândia. Como apareceu essa oportunidade?

GM: Eu tinha saído do Grêmio. A equipa era fortíssima, tinha Ronaldinho Gaúcho, Anderson Polga, Gavião e eu não jogava. O grupo era muito forte, fomos campeões brasileiros e tudo, mas é engraçado: saí porque não tinha espaço na equipa, mas de todos os 40 miúdos que jogavam ali só demos certo o Ronaldinho, eu e o Polga. O resto jogou em clubes menores, acabaram a carreira logo, muitos não chegaram a profissionais… Coisas do futebol. Então vi-me forçado a arranjar um novo desafio e surgiu a possibilidade de fazer um teste na Finlândia, nem tinha nada acertado. Era um clube grande na Finlândia, o Helsínquia, e eu ia ficar duas semanas à experiência, numa residência, até ver se me davam contrato profissional. Foi difícil porque naquela altura não se sabia nada do futebol finlandês, sem cultura de futebol e uma diferença de clima gigantesca: saí do Brasil com 32 graus e quando cheguei lá estavam 20 graus negativos. Nunca tinha visto neve na vida, cheguei ao aeroporto estava tudo branco e pensei: «Meu Deus, que vim aqui fazer».

BnR: Como era o futebol na Finlândia?

GM: Era um futebol duro, forte fisicamente, pouca técnica, muito contacto e por causa destas transições verão-inverno, joga-se muito em campos fechados, aquecidos e sintéticos. Hoje qualquer um joga em sintéticos, de certeza que quando jogas uma peladinha aí em Portugal com amigos é num campo sintético, mas naquela época de 1997… Aqui no Brasil não existiam sintéticos, nunca tinha pisado um. Ou era pelado ou era relvado… ou estrada! Então quando cheguei nos sintéticos a bola travava imenso, era muito difícil. Mas eu era novo, 17 anos e correu bem. Destaquei-me logo e eles ficaram comigo.

BnR: Foi por causa desses obstáculos que acabaste por ser emprestado?

GM: Não. O que aconteceu é que eu era um jovem de 17 anos numa equipa profissional, que lutava todos os anos para ser campeã no campeonato finlandês e não tinha muito espaço para jogar. A ideia foi emprestar-me a uma equipa de segunda para ganhar experiência e ritmo, só que eu fui para esse clube – que era o Atlantis – e era horrível a estrutura deles: tinha de levar a roupa para lavar em casa, os campos eram maus, eles eram muito ruins a jogar à bola. Passado duas semanas voltei, chamei o Luiz Antônio, meu colega que era mais experiente e traduzia, e disse-lhe «olha, quero falar com o treinador. Fazes a tradução?» ele respondeu: «Vamos lá». Cheguei ao pé do treinador, o Antti Muurinen, que ficou muito conceituado depois daquele trabalho e veio a ser selecionador finlandês, e disse «professor, qual foi a sua intenção de me emprestar ao Atlantis?». Ele falou: «A minha intenção é que você cresça». E eu disse-lhe «então deixe-me treinar com vocês porque ali estou a desaprender a jogar futebol» [risos].

BnR: E quando voltas para o Helsínquia, estreias-te na Liga dos Campeões com 18 anos.

GM: O que aconteceu, João, é que eu voltei e era o mais jovem do clube juntamente com o Mikael Forssell, que deves conhecer porque passou pelo Chelsea, Wolfsburgo, fez uma bonita carreira e foi um dos jogadores finlandeses com maior destaque da história. Como éramos os mais jovens, acabava o treino e eu e o Forssell pedíamos ao treinador para ficar a treinar mais e todos os dias ficávamos mais uma hora a treinar, passávamos a bola, um cruzava e o outro rematava, fazer remates de longe no campo todo e divertíamo-nos. E o Antti Muurinen ficava a ver-nos das escadas, mas nunca dizia nada, até que chegou o dia em que qualificámo-nos para a Liga dos Campeões e ele tinha de fazer a lista de 25 jogadores – o nosso clube tinha 30 profissionais e mais nós os dois jovens – e ele reuniu toda a gente e disse: «Pessoal, foi difícil fazer esta lista, mas eu não posso deixar o Gustavo e o Mikael fora da lista. O que eles fazem é um exemplo para todos. Eles querem crescer e eu vou ajudá-los a crescer». Acabámos por ser os mais novos da Liga dos Campeões, num ano em que calhou-nos o Benfica, PSV Eindhoven e Kaiserslautern.

BnR: Era mesmo isso que te ia perguntar. Três meses antes de vires para Portugal, ficas no banco no estádio da Luz frente ao Benfica. Que te lembras desse jogo?

GM: Exatamente. Lembro-me que ficou 3-3 ou 2-2, mas lá na Finlândia tínhamos ganho. Era o antigo estádio da Luz e a equipa era forte, com João Pinto, Calado, Preud’Homme. Fizemos um excelente jogo e empatámos, o que para a nossa equipa, na única vez que uma equipa finlandesa chega à Champions, era um feito histórico. E para mim, menino, estar ali presente – ainda por cima com destaque na imprensa porque eu e o Mikael éramos os mais jovens – mesmo sem jogar era uma festa. Mesmo que levássemos cinco estava tudo bem mas vamos lá e empatámos… Para nós foi gozar o momento.

BnR: Acreditavas na altura que podias chegar a um clube como o Benfica?

GM: Eu vou ser sincero… acreditava. Com os meus amigos, já dizia «eu vou jogar num grande» e eles riam-se de mim. Uma vez fui ver um jogo do FC Porto em Madrid. Demorei três horas de carro para ir de Chaves a Madrid. Fomos ver o jogo da Liga dos Campeões e disse para eles «eu ainda vou jogar aqui um dia» e eles riam-se de mim: «estás maluco? Tu jogas no Chaves, na Segunda Liga de Portugal. Jogar aqui no Bernabéu?». Depois joguei lá e até marquei um golo. Eu sempre tive o foco de jogar num grande.