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«Sou mais conhecido em Portugal do que no próprio Brasil» – Entrevista BnR com Edmílson

Eis a história da superioridade do futebol face à contabilidade: Edmílson Pimenta Gonçalves deu um pontapé nos números e imbuiu-se no futebol. A adaptação a Portugal, para si, foi como solucionar uma equação de primeiro grau. A chegada a França, a princípio, constitui um problema para o qual não tinha resposta, mas, volvidos alguns meses, descortinou a operação aritmética, embora hoje o tivesse resolvido de forma diferente. No FC Porto, observou e contribuiu eficazmente para a geometria do Penta. No Sporting, as contas certas só foram escritas uma vez. E, no Portimonense, os números esconderam-se durante cinco longos meses. Fica – quer neste registo, quer no seu espírito – o desejo de ser o responsável matemático pela sua popularidade no país natal.

– Primeiros passos e primórdios em Portugal –

Bola na Rede [BnR]: Quando é que começaste a jogar futebol?

Edmílson [E]: A paixão pelo futebol cresceu comigo, é praticamente inerente. Comecei a jogar desde muito cedo e sempre tive de conciliar o futebol com o trabalho. Mas, chegou um momento em que tive de optar e fazer a escolha entre a contabilidade e o jogar futebol e eu escolhi a jogar futebol.

BnR: Assinaste o primeiro contrato profissional em 1991, com 19/20 anos. Nessa altura, como me disseste agora mesmo, estavas indeciso entre as duas atividades.

E: Sim, sim. Eu sou técnico de contabilidade e já trabalhava num escritório no ramo. O meu patrão só verificava e assinava. Então, eu tive que optar. Gostava muito de contabilidade, mas gostava mais de futebol. Surgiu a oportunidade do clube da minha cidade e eu assinei, a contragosto dos meus pais. Eles não queriam que eu assinasse, queriam que eu me dedicasse à contabilidade. Decidi jogar e resolvi acertadamente.

BnR: Na altura, eras muito jovem. Sentiste que podias ter sucesso?

E: Sinceramente, não tinha essa noção, não senti que podia chegar ao futebol de alto nível. Eu só gostava de jogar futebol, de estar em contacto com a bola, em marcar golos e de fazer bons jogos. Era uma emoção muito grande para mim. Mas não tinha aquela noção de que podia singrar.

BnR: Chegaste a Portugal em 1993 para vestir as cores do Nacional da Madeira. Por que razão a escolha recaiu sobre Portugal? Por que não escolher o Brasil ou outro país qualquer, dependendo das propostas?

E: Boa pergunta, boa pergunta. Quando eu jogava no Colatina, fui para Minas Gerais, no Democrático e Valadares, eu fiz uma excelente temporada no campeonato. De lá, saíam muitos jogadores para Portugal e para todo o Brasil. O Cruzeiro estava interessado, o Atlético de Mineiro também e surgiu a hipótese do Nacional. O jogador brasileiro tem sempre presente aquela ambição de jogar na Europa e, como surgiu aquela alternativa, eu tinha de escolher e optei pelo Nacional da Madeira.

BnR: Chegado ao Nacional, clube da divisão de Honra à data, conta-nos sobre a tua adaptação às tradições e à cultura portuguesa. Pergunto isto porque a primeira época não foi fácil, quatro golos em 30 jogos…

E: Considero uma boa adaptação. O clima da ilha da Madeira é parecido com o do Brasil e a comida é excelente. Foi muito fácil adaptar-me. A receção da equipa foi fantástica. Praticamente chegado, tive uma lesão no joelho. Rompi os ligamentos do joelho. Estive dois ou três meses parado. Isso condicionou-me um pouco, a mim e à minha forma de contribuir: golos.

Fonte: Facebook de Edmilson

BnR: Na época seguinte, 1994/1995, dás o salto para a divisão primodivisionária e ingressas ao serviço do SC Salgueiros. Lá, marcas 15 golos em 35 jogos e realizas uma época muito boa a nível individual, sob a orientação do técnico Mário Reis. O treinador teve um papel preponderante na tua eficácia?

E: Sim, com certeza. O Mário ajudou-me bastante. Foi no Salgueiros que aprendi a jogar de olhos postos no ataque, a finalizar de forma eficaz. Treinávamos muito a finalização. E, apesar de não ter muita liberdade no ataque, eu aprendi a jogar mais atrás e a ter em mente o assistir, o dar aos colegas. Mário Reis foi um dos grandes treinadores que me ajudaram muita na trajetória em Portugal e na Europa.

Meu querido mês de agosto

Ao longo das últimas semanas têm vindo a sair várias notícias relativamente ao regresso dos tenistas aos courts. Tendo em conta as várias datas que têm vindo a público, achei oportuno fazer um ponto de situação em relação a este tema.

Na semana passada, o circuito ATP e WTA decidiu adiar, mais uma vez, o regresso do ténis. Ora esta decisão deitou por terra a realização de vários torneios dos dois principais circuitos da modalidade entre os quais: Hamburgo, Los Cabos, Atlanta (masculino) e Bucareste e Lausana (feminino).

Vários países já iniciaram os respetivos planos de retorno do ténis. Em Portugal, os clubes receberam luz verde para abrir os seus courts, mas tendo sempre em atenção todas as recomendações de segurança, como por exemplo, o número máximo de pessoas por court é de quatro e a utilização de balneários está interdita.

Na Alemanha, realizou-se no início do mês o primeiro torneio pós-quarentena. O torneio alemão não contou com a presença de apanha-bolas, juízes de linha e público nas bancadas. O número de jogos foi reduzido para quatro em cada set.

Filip Krajinovic faz parte do cartaz do torneio de Belgrado
Fonte: ATP Tour

Ora, se em Portugal e na Alemanha estão a ser tomados todos os cuidados, o mesmo não se pode dizer da Sérvia. Um torneio em Belgrado deixou as regras fora do recinto e permitiu a entrada do público nas bancadas. Já no court, assistiu-se ao habitual cumprimento entre os jogadores e o árbitro. Os juízes e os apanha-bolas também estiveram presentes e sem qualquer tipo de proteção.

Nas próximas semanas, teremos a oportunidade de assistir a vários torneios de exibição, ainda assim, a espera para ver os melhores tenistas em ação será longa, até porque, no melhor dos cenários, só voltaremos a ver ténis a partir de 1 de agosto.

Foto de Capa: Estoril Open

Transmissões BnR: Kubok 2020 – Final: BATE Borisov 1-0 FC Dínamo Brest

Liga da Bielorrússia está no Bola na Rede e nesta semana temos a grande final da Kubok 2020. O campeão FC Dínamo Brest recebe o reconhecido BATE Borisov num jogo que coloca, frente a frente, as duas equipas que são, provavelmente, as melhores da atualidade.

Se quiseres, podes ler a antevisão, ao mesmo tempo que vês o jogo em direto e com acompanhamento ao minuto no Twitter.

LIVE – ACOMPANHAMENTO NO TWITTER

Os 5 melhores jogadores da Liga Sul Coreana

A seleção da Coreia do Sul tem presenteado o mundo do futebol com alguns bons jogadores. Atualmente, Son é o cabeça de cartaz, que continua a espalhar magia na formação de José Mourinho. Kang-in Lee, com 19 anos e atuar no Valência FC, juntamente com Hee-chan Hwang, avançado do Red Bull Salzburgo de 24 anos, são dois jovens que espreitam a ribalta do futebol europeu. Park Ji-sung e Lee Young-pyo são dois jogadores retirados que certamente nos dão boas recordações, assim como Park Chu-young que está em fim de carreira no FC Seoul, e que poderia entrar neste top.

Se fora de portas vamos encontrando atletas que nos enchem o olho, dentro de casa a Liga da Coreia do Sul tem alguns jogadores interessantes, com qualidade, numa divisão que está em crescimento e vai atraindo aos poucos uma fornada de atletas de patamares que anteriormente não era capaz. O atual treinador campeão é português.

Florentino-Paquetá ou aquilo a que os ingleses chamam uma situação de win/win

No mercado de inverno, o AC Milan acalentou pela primeira vez o interesse em Florentino Luís, médio-defensivo de 20 anos do SL Benfica. Na altura, os milaneses visavam um negócio cujos moldes não agradavam aos responsáveis encarnados: um empréstimo de ano e meio e uma cláusula de compra opcional a rondar os 40 milhões.

O negócio, como sabemos, não avançou. Entretanto, o futebol na sua vertente desportiva parou, mas, como era expectável, as novelas de transferências continuaram a ocupar jornais e jornalistas e afins. A sequela do “negócio Florentino” é uma dessas novelas.

Desta feita, os moldes são diferentes. Cientes do interesse das águias em Lucas Paquetá, os administradores do histórico emblema de Milão parecem mostrar-se dispostos a avançar para a aquisição em definitivo de Florentino oferecendo aos homólogos encarnados uma proposta que inclui o passe do médio-ofensivo brasileiro e uma verba monetária.

De acordo com a imprensa italiana, com eco na nacional, a administração benfiquista já terá uma posição bem definida: 15 milhões de euros a juntar ao passe de Paquetá e negócio feito. Será a posição mais acertada? Resposta curta: sim.

Há um ano atrás, a minha resposta seria, desprovida de hesitações, “não”. Há um ano atrás, via em Florentino o potencial para se afirmar na época agora prestes a reiniciar-se como titular indiscutível e adivinhava no jovem formado no Seixal a próxima grande transferência das águias.

Não correram de feição as tentativas de Florentino mostrar serviço. Nunca pareceu encaixar na equipa e não apresentou em campo a confiança e, consequentemente, a qualidade que lhe conhecíamos do ano anterior e dos anos de formação. Ainda assim, a qualidade do jovem luso-angolano é inegável. Como tal, a sua eventual saída tem que estar bem alicerçada.

É o caso. Aliás, será o caso, se se materializar a intenção milanesa. Num cenário em que a proposta de 15 milhões de euros mais o passe de Paquetá é apresentada ao SL Benfica e é aceite pelo clube da Luz, todas as partes envolvidas ficam a ganhar. O médio brasileiro de 22 anos terá, por certo, mais espaço nos encarnados do que nos rossoneri e o médio português terá, eventualmente, mais oportunidades em Itália do que em Lisboa.

Rui Costa: “Acompanhei o Paquetá no Brasil e conheço-o bem. Queria levá-lo para o Benfica, mas não o contratei. É um jogador demasiado caro para o futebol português” (Entrevista à “Gazzetta dello Sport”, março de 2019)

Os heptacampeões europeus adquirem um jovem futebolista que aparenta agradar bastante à estrutura italiana; em contrapartida, desembolsam 15 milhões de euros – sendo que dinheiro não se tem mostrado um problema para os lados rubro-negros de Milão – e veem partir um ativo pouco ativo, uma saída que os dirigentes do AC Milan, acredito, enfrentarão como uma solução e não como uma perda, uma vez que creio ser difícil o clube italiano recuperar os 35 milhões de euros investidos no brasileiro.

Chegamos, então, à perspetiva benfiquista do negócio. Ao contrário do que acontece na relação Milan-Paquetá, a saída de Florentino não será encarada como uma solução. Será sempre uma perda. No entanto, num mundo sem certezas, tudo é um jogo de probabilidades. Se elas estiverem a nosso favor, devemos arriscar. Ora, neste negócio, os encarnados têm algo a perder, mas têm mais a ganhar.

As águias ganhariam um jogador com pinta de craque e com maior maturidade competitiva do que (o atual) Florentino Luís. Lucas Paquetá soma duas épocas de grande nível ao serviço do CR Flamengo, clube onde fez a sua formação, e duas épocas de nível não tão elevado ao serviço dos rossoneri. A isto, junta 11 internacionalizações e dois golos pela canarinha.

Pisando terrenos mais ofensivos, poderá encaixar mais facilmente no onze, como médio-ofensivo num 4-2-3-1, como segundo avançado num 4-4-2 ou como médio interior num 4-3-3 com o miolo em 1+2, do que Florentino. Bruno Lage pretende que os seus médios ofereçam ao jogo, ofensivamente, características que Florentino, por natureza, não pode dar.

No que diz respeito ao passe (curto ou longo, desde que com o intuito de queimar linhas), o médio internacional jovem português apresenta demasiadas limitações para ser aposta recorrente num futuro próximo. Por seu turno, Paquetá, pela sua classe, tem tudo para agarrar desde início a titularidade, dadas as necessidades ofensivas reveladas pelo SL Benfica nos últimos jogos antes da paragem.

Com Paquetá, Pedrinho, Dantas e Gonçalo Ramos, as águias teriam quatro opções distintas entre si para cumprir a mesma missão: ser o mais importante apoio do ponta-de-lança. Desportivamente, o campeão português saía a ganhar a curto/médio prazo. E financeiramente?

A antevisão desse aspeto da questão é mais difícil. Todavia, acredito que também nesse parâmetro os encarnados ficariam a ganhar com este negócio. Além dos 15 milhões imediatos, importantes nesta fase pós-pandemia e que poderiam dar uma ajuda na urgente aquisição de um central, o SL Benfica ainda poderá perspetivar uma venda de Paquetá por uma verba elevada.

Dada a idade e a qualidade do “39” do AC Milan, não será descabido conjeturar uma venda após duas ou três épocas de águia ao peito por valores a rondar os 65/70 milhões de euros. Nesse cenário, e somando as verbas diretas e indiretas referentes à venda de Florentino, as águias encaixariam 80 a 85 milhões de euros.

Pese embora a cláusula de Florentino se cifre nos 120 milhões de euros, não me parece razoável que o “61” encarnado seja vendido por um valor superior a 80 milhões de euros. Como tal, o Sport Lisboa e Benfica sairia desportiva e financeiramente beneficiado deste negócio, cujo “único” ponto negativo seria a perda de um dos melhores produtos do Benfica Futebol Campus.

Contudo, ao contrário do que acontece em posições como a de ponta-de-lança, a posição de médio-defensivo está a ser bem trabalhada nos escalões de formação do clube lisboeta. Dessa forma, essa posição assemelha-se de momento àquele famoso e básico truque de magia em que o mágico retira de um bolso ou de uma das mangas um lenço e depois outro e depois outro e por aí adiante.

Retira-se Florentino e surge Rafael Brito. Retira-se Rafael Brito e surge Henrique Jocú. Existindo essa salvaguarda, o impacto da saída de Tino é minimizado. Com a entrada de Paquetá e a manutenção de Rafael Brito e de Henrique Jocú, o SL Benfica salvaguardaria o presente e o futuro do seu meio-campo (do qual farão também parte jovens como Dantas e Paulo Bernardo, naturalmente), apesar da perda de Tino.

E nada mais se pede a quem está ao leme do clube: salvaguardem o imediato e o futuro do Sport Lisboa e Benfica, ainda que algumas decisões sejam difíceis e ainda que se tenha que ver partir alguém que ingressou na família do Seixal com dez tenros anos de idade.

O 11 do século XXI da Juventus FC

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O presente século tem sido marcante para a história da Vecchia Signora. Desde o crescimento gradual, passando pela despromoção na secretaria, à hegemonia recuperada. Tanto acontecimento importante em menos de 20 anos.

Os onzes do século são sempre ingratos para alguns e meritórios para outros. Há espaço para discussões saudáveis em torno das preferências pessoais e respetivos sistemas de jogo. Ainda assim, escolhi estes onze bianconeri com base em fatores como a longevidade, palmarés, lealdade… e claro, qualidade.

Reportagem BnR – Outra mentalidade, outro espetáculo: um(a) Fortuna no Futebol

Imagina que estás em Portugal e o teu clube está abaixo da chamada «linha de água», quantos adeptos estariam no estádio? Eu digo-te o atual cenário das últimas equipas da Primeira Liga Portuguesa nos seus últimos jogos. O Portimonense SC teve 2.522 espetadores e o CD Aves teve 1.779 (e a média total da Liga Portuguesa é de 11.692, em 2019). Digamos que, para além da falta de cultura desportiva, temos o problema de a maioria ser de um dos ditos «três grandes», mas com uma certa tentativa de mudança à vista.

Agora imagina estares na Alemanha e o teu clube estar nessa mesma posição? Com uma média de audiência de 43.441 espetadores (2019), a 1. Bundesliga, principal Liga Alemã, conhece um clube que luta ferozmente pela permanência na mesma. Uma liga onde o difícil não é subir, mas sim ficar e se não existir um bom investidor a sua estadia na elite do Futebol alemão será efémera.

Ora, pois bem, estamos a dia 15 de fevereiro de 2020 e a situação do Fortuna Düsseldorf 1895 é entre o lugar do play-off de descida e os lugares que dão bilhete direto para a 2. Bundesliga. O adversário desta jornada é o Borussia VfL Mönchengladbach, um «rival» da cidade que para muitos devido à sua boa relação não o consideram como um. Mas, ainda assim, era um jogo com essa envolvência de dérbi.

Neste artigo, vou tentar demonstrar, através de palavras, a enorme cultura desportiva que este país tem e também o ambiente completamente diferente daquele que é vivido no nosso país. Talvez, tenhamos muito que aprender com o Futebol por estes lados da Europa (Talvez não. Temos mesmo). Sejam bem-vindos a Düsseldorf e ao Merkur Spielarena.

BnR TV: Os 5 melhores jovens da Primeira Liga

O tema do BnR TV é sobre os 5 melhores jovens da Primeira Liga! Como estão os teus dotes de olheiro? Junta-te a nós e diz-nos o teu top5!
Com Carolina Neto, João Filipe Brandão, Jorge Faria de Sousa e Nuno Oliveira.

 

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Regresso a Casa: Que universo paralelo é este?

O Regresso a Casa é uma rubrica onde os antigos redatores voltam a um lugar que bem conhecem e recordam os seus tempos antigos escrevendo sobre assuntos atuais.

Lembro-me do primeiro artigo que escrevi. Intitulava-se “um Sporting de todos” (título engraçado que não descreve de todo o que se passa neste momento no universo verde e branco). Sei que contei que sou do Sporting CP porque o meu avô me dizia que olhos verdes eram olhos de sportinguista e eu lá fui na cantiga. Correu bem inicialmente, admito, que obriguei um benfiquista a levar-me na caravana que celebrava um campeão que nunca mais o viria a ser nas décadas seguintes.

Lembro-me de descrever que no meu primeiro jogo dei por mim a discutir futebol com um senhor com uma idade um pouco mais avançada, procurando talvez nele o que nunca consegui concretizar com o meu próprio avô.

Engraçado que o que nos unia, muito devido à estupefação de ver uma rapariga discutir mais tática do que aparência, que sabia os nomes e que não trocava o William Carvalho com o João Mário, era o Sporting CP. Estávamos ali por isso, celebrámos os golos juntos, discutíamos jogadas e criámos uma ligação em função do verde e branco. Como estas histórias tive algumas mais, como mais tiveram milhares de outras pessoas que se sentaram naquelas cadeiras coloridas.

Alvalade vai ter de aguardar vazio pelo regresso do futebol
Fonte: Sporting CP

E agora? Agora, neste universo, assistimos a guerras, guerrinhas e divisões porque sim. Esqueceu-se o verde e branco, esqueceu-se “O Mundo Sabe Que”, esqueceram-se os cachecóis ao alto e o bater no peito por um clube, esqueceu-se tudo e mais alguma coisa. O que antes eram bancadas inteiras, cheias, a cantar incessantemente durante os 90 minutos, fazendo de Alvalade um ambiente difícil, são agora bancadas que se preocupam mais a apupar uma figura do que apoiar o que as move até lá. Pelos vistos, é melhor discutir e insultar in loco, pagar centenas de euros para dizer o que bem querem e apetece do que fazê-lo grátis num tasco qualquer por aí. É triste este novo paradigma. Parece um universo paralelo onde, de repente, se discute tudo menos futebol, onde não se festejam golos com o “vizinho do lado”, onde não se diz um “até ao próximo”, onde já não se estranha a ausência desse habitual vizinho.

Tanto que se criticaram as claques, mas certo é que sem elas, não há emoção, não há nada que motive as pessoas, por elas próprias, a apoiar o clube. Metem-se as mãos à cabeça e perguntam-se como é que será Alvalade sem a emoção dos adeptos, mas não é para isso que andam a treinar os jogadores desde a época passada? Neste momento, jogar com ou sem adeptos é exatamente a mesma coisa em Alvalade. O Reino do Leão ficou vazio e deu lugar a tudo menos ao amor em comum.

Não há um culpado. Há vários. Não é só o novo presidente, o antigo presidente, aqueles que foram para a Academia dar início a um furacão que ainda hoje tem consequências. Não são só aqueles que ficaram em casa e os que foram sempre à bola, como se este fosse um motivo de grande superioridade ou de medir quem é mais e melhor sportinguista. A culpa é de todos os que não remam para o mesmo lado. Isto não é o Sporting CP que conheci, que amei, e que me fazia sentir todo o tipo de emoções inicialmente e, de certeza, não é o Sporting CP daqueles que estão ainda a ler isto. Mas só depende de nós mudar isso, de apontar menos o dedo para os outros e mais para nós.

Escrevia em 2015 que o Sporting CP era irracionalidade, emoção e integração. Que eram novos e velhos, homens e mulheres. Era união. Era, porque já não é. Não sei que tipo de universo paralelo é este, mas de certeza que não quero estar nele.

FC Bayern München 5-2 Eintracht Frankfurt: Bávaros mostram estofo de campeão

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A CRÓNICA: AVALANCHE OFENSIVA NO ALLIANZ ARENA

O Eintracht Frankfurt visitou o Allianz Arena para defrontar o FC Bayern München, numa partida a contar para a 27ª jornada da liga alemã, após o recomeço da competição. O jogo deixou água na boca dos adeptos aquando da sua antevisão e, apesar das bancadas despidas, o espetáculo dado dentro das quatros linhas em nada gorou as expetativas.

Depois da vitória do BVB Borussia Dortmund em casa do VfL Wolfsburgo e com a consequente aproximação dos auri negros ao primeiro lugar da tabela classificativa, o Bayern só tinha um caminho: vencer o Frankfurt. E assim foi.

Numa primeira parte de sentido único e dominada por completo pela equipa da casa, o marcador mexeu pela primeira vez ao minuto 17, com Goretzka a colocar a bola no fundo das redes defendidas por Kevin Trapp, depois de um grande lance ofensivo contruído pelos bávaros. Com o Frankfurt encostado às cordas e com pouco poder de resposta, Thomas Müller ampliou a vantagem dos caseiros ao minuto 40, após um lance de insistência da turma de Munique.

No segundo tempo ambas as formações entraram a todo o gás, com um golo de Lewandowski logo no recomeço do encontro. O Frankfurt reduziu a desvantagem por intermédio de Hinteragger após a conversão de um canto. O defesa austríaco bisou na partida três minutos depois novamente através de um pontapé de canto. O Bayern voltou a pressionar, ampliando a vantagem ao minuto 60 com um tento de Alphonso Davies e deu a machada final na partida ao minuto 73, numa jogada de insistência do recém-entrado Gnabry, que provocou o autogolo de Hinteragger.

Com este triunfo, os bávaros mantém-se no topo da tabela da primeira liga alemã, levando uma importante vantagem de quatro pontos na visita ao terreno do Dortmund, na próxima terça-feira, dia 26 de maio. Por sua vez, o Frankfurt volta a marcar passo, mantendo-se na 13ª posição.

 A FIGURA


Thomas Müller – O médio alemão foi, na minha opinião, o melhor jogador em campo, tanto pelo registo de um golo e uma assistência no encontro, como pela dor de cabeça constante que foi para a defesa do Frankfurt.

O FORA DE JOGO


Stefan Ilsanker – O defesa austríaco foi, porventura, o elo mais fraco da equipa do Eintracht Frankfurt, a par do médio suíço Gelson Fernandes. Ainda que o Bayern tenha demostrado uma grande capacidade ofensiva, pouco ou nada Ilsanker conseguiu fazer para a conter. 

ANÁLISE TÁTICA – FC BAYERN MÜNCHEN

Hans-Dieter Flick apresentou a sua formação a jogar num sistema base de 4-3-3, com os alas Davies e Pavard a apoiarem regularmente no ataque como é hábito no Bayern. Os bávaros pressionaram bastante a primeira linha de construção do Frankfurt, encostando-os às e impedindo-os de progredir no terreno. As dinâmicas de jogo pouco mudaram, com a equipa a apostar na troca de bola rápida, normalmente passando por todos – ou quase todos – os jogadores no processo ofensivo.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Neuer (6)

Pavard (7)

Boateng (6)

Alaba (7)

Davies (8)

Muller (8)

Kimmich (8)

Goretzka (7)

Coman (7)

Lewandowski (7)

Perisic (6)

SUBS UTILIZADOS

 Gnabry (6)

Hernandéz (6)

Cuisance (-)

Zirkzee (-)

 

 

ANÁLISE TÁTICA – EINTRACHT FRANKFURT

Die Adler apresentou-se num sistema base de 4-2-3-1, com o português André Silva a ser a principal referência atacante, face à lesão de Gonçalo Paciência.  A equipa orientada por Adi Hutter apostou muito no contra-ataque face à pressão exercida pelo Bayern, tentando explorar o fator surpresa, principalmente na primeira parte. No segundo tempo mostrou-se mais atrevida ofensivamente, mas pagou caro pelos erros cometidos na defesa.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Trapp (6)

Toure (6)

Ilsanker (5)

Hinteregger (8)

N’Dicka (6)

Fernandes (5)

Rode (7)

Da Costa (6)

Gacinovic (6)

Kostic (6)

Silva (6)

SUBS UTILIZADOS

 Chandler (6)

Sow (6)

Kamada (-)

Durm (-)

Bas Dost (-)