O Futebol Português não lida bem com trocas de jogadores entre clubes rivais (muitas vezes rotuladas de traições). Ao contrário do que historicamente se foi verificando em campeonatos como Itália ou Inglaterra, um jogador que em Portugal troca o seu clube por um rival direto, fica quase que imediatamente riscado pela massa adepta do anterior clube, normalmente rotulado de vendido ou traidor.
Se a lista da semana passada foi interessante, chegam agora os nomes que funcionaram como verdadeiros barris de pólvora para adeptos e comunicação social.
O cancelamento da Segunda Liga do futebol português, no início deste mês – e a consequente decisão de atribuição dos lugares de subida e descida pela classificação à altura do seu término -, trouxe consigo um grande mal-estar entre os clubes que nela militam, principalmente aqueles que acreditavam ter uma hipótese de discutir uma eventual subida de divisão e os que consideravam ter argumentos para evitar uma descida agora dada como certa.
A revolta por esta decisão ganhou outros contornos quando foi anunciada a realização das restantes dez jornadas da Primeira Liga, deixando lugar para especulações quanto à natureza e à justiça desta escolha.
Ainda assim, polémicas à parte, o fim da Segunda Liga permite-nos fazer agora uma avaliação da mesma, como o desempenho de cada equipa ou jogador. Neste artigo, definimos aquele que considerámos ser o top de cinco de jogadores a atuar no segundo escalão até ao seu cancelamento.
Num jogo à porta fechada, mas com milhares de fotografias de adeptos espalhadas pelas bancadas, o Bayer 04 Leverkusen foi ao reduto do Borussia VfL Mönchengladbach vencer por 1-3, resultado que não só valeu uma ultrapassagem, como permitiu aos farmacêuticos chegar ao pódio da Liga Alemã, ainda que à condição.
Foi precisamente a equipa de Peter Bosz a entrar melhor no encontro. Depois de uma ameaça madrugadora de Demirbay, seria mesmo Kai Havertz a inaugurar o marcador numa excelente transição da sua equipa. A pressão e a intensidade mantiveram-se elevadas e isso foi dificultando a tarefa da formação da casa em chegar à baliza contrária, tendo apenas conseguido ameaçar por Neuhaus à beira do intervalo, minutos antes de Havertz atirar à barra e de Demirbay, na recarga, falhar de forma escandalosa.
Os primeiros minutos do segundo tempo não poderiam ter sido mais frenéticos. Em três minutos, Thuram restabeleceu a igualdade ao aproveitar uma desconcentração do adversário, teve ainda a oportunidade de fazer a reviravolta e, do outro lado, Elvedi cometeria uma grande penalidade, permitindo a Kai Havertz bisar no encontro. Sucederam-se lances de perigo de um lado e do outro e, nos últimos dez minutos do encontro, o central Sven Bender trataria de colocar um ponto final nas dúvidas, ao cabecear para o 1-3. Animam-se as contam na luta pelos lugares de Champions e, quem sabe, por algo mais…
A FIGURA
Kai Havertz has now been directly involved in 17 goals in his last 10 games for the Werkself. 💎 pic.twitter.com/RedZPNNkFD
Kai Havertz – Muita atenção para este médio de origem que tem sido opção regular de Peter Bosz na frente de ataque da sua equipa. Décimo golo no campeonato alemão, quatro jogos seguidos a marcar e…o segundo bis consecutivo. O jovem de 20 anos voltou a rubricar uma boa exibição, revelou ser novamente decisivo para a equipa de Leverkusen e, além dos dois golos, ainda atirou à barra num dos últimos lances dos primeiros 45 minutos.
Primeira parte do Borussia Mönchengladbach – A equipa da casa praticamente não existiu no primeiro tempo. Entrou mal, reagiu ainda pior ao golo madrugador do adversário e só não foi para o intervalo com uma desvantagem superior a um golo porque…não calhou. Além de alguns problemas defensivos, as dificuldades em chegar à baliza contrária foram por demais evidentes, de tal modo que a primeira e única ameaça chegou apenas ao minuto 40’, num lance de Nauhaus a obrigar Hrádecky a uma defesa incompleta.
ANÁLISE TÁTICA – Borussia VfL Mönchengladbach
Marco Rose decidiu lançar exatamente os mesmos onze jogadores (em 4-2-3-1) que derrotaram o Eintracht Frankfurt por 1-3 na jornada de retoma da Liga Alemã, mas não se pode dizer que a formação de Mönchengladbach tenha entrado bem na partida, num primeiro tempo em que raras vezes conseguiu estancar o poderio ofensivo adversário. Tais dificuldades levaram a uns reajustes táticos e isso até foi surtindo efeitos na forma de jogar da equipa ao longo da segunda parte. Contudo, as mexidas foram tardias e o terceiro golo do Bayer Leverkusen deitaria por terra qualquer aspiração da formação caseira.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Yann Sommer (6)
Ramy Bensebaini (7)
Nico Elvedi (5)
Matthias Ginter (5)
Stefan Lainer (5)
Tobias Strobl (6)
Florian Neuhaus (7)
Marcus Thuram (8)
Jonas Hofmann (6)
Breel Embolo (-)
Alassane Pléa (5)
SUBS UTILIZADOS
Lars Stindl (6)
László Bénes (6)
Oscar Wendt (5)
ANÁLISE TÁTICA – Bayer 04 Leverkusen
Tal como se tem vindo a assistir nos jogos mais exigentes, Peter Bosz decidiu regressar ao esquema de três centrais, tendo procedido a duas alterações em relação ao jogo que resultou no triunfo por 1-4 diante do SV Werder Bremen: colocando Dragovic no eixo central e lançando Bellarabi para a frente de ataque. As coisas não poderiam ter corrido melhor para os farmacêuticos na primeira parte, com boas dinâmicas ofensivas, que entrariam depois no segundo tempo com maiores dificuldades, mas rapidamente contrariadas após o penálti convertido por Havertz. E a verdade é que, desde a chegada de Edmond Tapsoba ao clube alemão, a formação de Leverkusen continua sem perder.
Quando o mercado de transferências abre, as equipas procuram adquirir reforços para melhorar a qualidade dos seus plantéis.
Ainda assim, nem todos os jogadores contratados se conseguem afirmar num novo clube, sendo por vezes considerados flops. Há ainda aqueles que são diamantes em bruto na formação, mas não são lapidados para a equipa principal.
Bem, no artigo de hoje vou falar de cinco jogadores que tiveram uma passagem apagada pela Luz, mas que acabaram por brilhar, uns mais que outros, noutro clube.
Uns foram autênticos flops em Lisboa, outros apenas não tiveram a sua oportunidade, mas todos demonstraram o seu valor no após a sua saída do SL Benfica.
Mais um negócio confirmado de um jogador carismático e lendário na história do SL Benfica (Bruno Coelho) para o ACCS Futsal Club de França, atual primeiro classificado no seu campeonato e por isso qualificado para a próxima edição da Liga dos Campeões de Futsal da UEFA, em virtude da COVID-19 e correspondente cancelamento do campeonato gaulês.
ACCS Futsal Club e o seu futuro risonho
Com o plantel que está a ser construído no seio do emblema parisiense, arrisco-me a dizer que será um dos fortes candidatos a conquistar a edição 2020/21 da principal prova europeia de clubes. Ao apostar em Bruno Coelho, tira das quadras nacionais uma das maiores lendas do Futsal encarnado e da seleção nacional.
O ACCS Futsal Club garante assim um reforço de peso para o seu plantel com muita experiência e idade, mas ainda com muito para dar ao desporto, ao seu novo clube e também a seleção. Não nos esqueçamos que Bruno Coelho foi o grande herói no EURO 2018, ao marcar o golo da vitória no prolongamento da final, assim como o tento que levou o encontro para o tempo extra.
Um projeto que é muito ambicioso e que para já conta com vários ex-jogadores do Inter Movistar FS: o espanhol Carlos Ortiz; o brasileiro Humberto e o português Ricardinho. Mas também o técnico vindo do gigante espanhol Jesus Velasco, técnico que até 2018/19 representou a equipa interista. Portanto, o treinador espanhol tem a vantagem de conhecer bem alguns dos jogadores com quem irá partilhar o balneário a partir da próxima temporada.
É importante referir que o ACCS Futsal Club apenas foi criado em 2014, pelo que ainda é um emblema relativamente jovem e a presença na próxima edição da Liga dos Campeões é uma estreia absoluta em competições europeias. Daí a importância da contratação de elementos com muita experiência na conquista de troféus não só nacionais mas também europeus. Vendo as coisas por este prisma é muito bem pensada a recruta junto do clube mais titulado na antiga UEFA Futsal Cup.
Les lions sont officiellement en route pour 𝐥𝐚 𝐋𝐢𝐠𝐮𝐞 𝐝𝐞𝐬 𝐜𝐡𝐚𝐦𝐩𝐢𝐨𝐧𝐬🦁⭐
Attention à la concurrence ACCS arrive avec la féroce intention de dominer l’Europe !
Selon vous qui sera le roi de la jungle européenne ?
#Futurisnow#LionsSpiritpic.twitter.com/DJwvv9CEOa
— ACCS FC – ASNIÈRES 92 (@ACCSFutsal) May 20, 2020
Esta maior aposta do clube francês acontece numa altura em que a Federação Francesa de Futebol (FPF) tem apostado cada vez mais na modalidade. Depois de um Europeu 2018 em que foi uma das seleções qualificadas de forma surpreendente, é a vez de começar a crescer a sua liga nacional. Apostar em clubes que possam lançar jovens jogadores franceses, que certamente vão vigorar pelos Les Blues num futuro próximo.
Mas pode não ser um mar de rosas aquilo que o ACCS Futsal Club pode atravessar neste caminho pela afirmação europeia na modalidade.
Se, por um lado, o clube francês se torna automaticamente um dos clubes mais fortes e poderosos, logo com maiores aspirações na UEFA Futsal Champions League, o certo é que poderá acontecer o mesmo que no campeonato principal de futebol desse país. Uma certa “falta de competitividade” na sua liga nacional que poderá minar as suas aspirações, um pouco à imagem do que se tem verificado com o Paris Saint-Germain FC, que tem feito um investimento brutal nestes últimos anos, graças ao seu principal investidor saudita.
Além da pouco (ou nenhuma) competitividade que pode encontrar a nível nacional, o clube francês terá as chamadas «dores de crescimento», como qualquer outro clube. Os maiores clubes europeus, onde figuram claro o Sporting CP e o SL Benfica, já têm as suas estruturas definidas há algum tempo, por isso, torna-se um pouco complicado acreditar que possam já estar neste nível. Temos de compreender que por vezes não são só estrelas que compõem o sistema solar, fazendo uma analogia astrológica.
Mas de futurologia temos pouco e resta deixar que o ACCS fale dentro de quadra. Por isso, é esperar mais algum tempo para ver o que acontece por terrenos franceses e europeus!
A vida de todos nós mudou neste 2020 e, para a maioria dos desportos, isso significou uma paragem total em termos competitivos. Alguns desportos profissionais já regressaram em algumas zonas do globo, adaptados às exigências dos tempos, com menos brilho, sem público, mas a fazer as delícias do que agora mais tempo em casa passam. E o Atletismo?
Num mundo que funciona, cada vez mais, a diferentes velocidades, é natural que estejamos em fases diferentes do reatamento também no que ao desporto diz respeito. Na Noruega, nesta última quarta-feira, um tal de Jakob Ingebrigtsen – quem mais? – bateu o recorde nacional norueguês de 5km em estrada, ao percorrer a distância em 13:28 segundos. A corrida, disputada em Stavanger, teve apenas cinco participantes (entre eles, o irmão Filip) e foi possível graças ao aliviamento de algumas medidas mais rígidas que marcaram o início da fase de confinamento no país escandinavo.
Por cá, ainda não existem corridas de qualquer tipo, não existindo ainda sinal verde para tal. Em inúmeros pontos do globo, durante várias semanas, não foi sequer permitida a utilização de instalações desportivas a atletas profissionais, o que levou a que muitos tivessem que improvisar em suas casas ou nos arredores, com o auxílio dos seus técnicos via videochamada.
No que diz respeito a este 2020, é já sabido que é um ano terrível para o Atletismo e de quem dele depende. Enquanto em Portugal ainda aguardamos mais esclarecimentos quanto aos passos seguintes, calendarização e moldes em que as provas – sejam elas quais forem – serão disputadas; a World Athletics chegou-se à frente e anunciou um novo calendário da Diamond League, que este ano, excepcionalmente, não contará com pontos, finais ou diamantes.
As provas de cada evento serão anunciadas oportunamente por cada organizador e serão esses mesmos organizadores que terão a missão de adaptar os eventos às restrições que cada país tem adotado a nível de distanciamento social e proteção de todos os envolvidos. Fica por esclarecer a questão das viagens de atletas, mas é bastante provável que a maioria dos países optem por meetings regionais, compostos maioritariamente, ou exclusivamente, por atletas nacionais. Vejam abaixo o novo calendário da prova.
14.08: Mónaco
16.08: Gateshead
23.08: Estocolmo
02.09: Lausanne
04.09: Bruxelas
06.09: Paris
17.09: Roma/Nápoles
19.09: Xangai
04.10: Eugene
09.10: Doha
17.10: 2.° meeting na China (cidade a confirmar)
Conforme se pode constatar, a época de pista terminaria assim em Outubro, facto que também vai ao encontro do desejo de várias Associações Nacionais Europeias, que já levantaram a hipótese de disputarem os Campeonatos Nacionais entre Setembro e Outubro.
Este ponto foi falado no nosso especial do Bola na Rede TV, onde contámos com a presença de Patrícia Mamona, Sara Moreira e Irina Rodrigues, sendo que todas as atletas consideram importante ainda competirem este ano, caso existam condições para tal. Ainda assim, um final de época em Outubro (tal como na temporada passada), poderá voltar a complicar as contas de quem quer realizar a temporada de pista coberta de 2021, que tem Mundiais marcados para o final de Março em Nanjing, na China.
Resta saber ainda a extensão completa do problema, sabendo de antemão que nada está garantido para 2021, uma vez que não é certa qual será a evolução do vírus e como isso poderá prejudicar atletas em zonas que tenham surtos em diferentes alturas, colocando esses atletas em desvantagem para com outros, que possam estar disponíveis para as provas de qualificação ou mesmo para os próprios Jogos Olímpicos.
Também o COI – que no início parecia redutor em manter os Jogos de Tóquio para este verão – já veio dizer que 2021 é a última chance para Tóquio. Caso não existam condições para que os Jogos se realizem no verão do ano que vem, esta edição será cancelada e os Jogos apenas regressarão em Paris, em 2024. Para já, várias alternativas estão a ser estudadas e há planos de contingência (que envolvem, por exemplo, a não existência de público ou quarentena obrigatória para todas as comitivas) que poderão ser postos em prática, dependendo de como a situação evolua.
Na ressaca dos episódios finais da série The Last Dance, existem bastantes questões sobre a falta de um verdadeiro rival de Michael Jordan. Na verdade, a história do que poderiam ter sido alguns duelos mais acesos na história da NBA terminou com a morte de Len Bias, um jovem basquetebolista que não sobreviveu a uma overdose. “E se?” nunca vamos saber.
A meados dos anos 80, o ala que jogava na Universidade de Maryland encantava tudo e todos. A imprensa americana, depois de tão boas exibições do jogador, considerava que Bias tinha o estilo de jogo mais semelhante a Air Jordan que algumas vez tinham visto. As expectativas eram elevadas, mas os números não deixavam enganar ninguém quanto ao talento que estava diante dos olhos de todos.
Após quatro anos pelos Terrapins, o número 34 terminou com médias de quase 17 pontos e seis ressaltos por jogo. Além disso, fez uma vez parte do melhor cinco inicial da NCAA e venceu por duas vezes o prémio de melhor jogador da ACC, conferência onde estava inserida a sua faculdade.
Len Bias, escolha n° 2 geral do Draft de 1986, o GOAT que nunca chegou à NBA. pic.twitter.com/Vgwk96mEw5
— Celtics Placar (de 🏠) (@CelticsPlacar) May 27, 2019
Depois de completar a licenciatura e terminar a carreira no basquetebol universitário, Len Bias colocou-se elegível para ser escolhido no Draft de 1986. Como esperado, foi escolhido cedo, logo na segunda pick, e o franchise que confiou nele tinha um plano muito bem delineado para que a sua integração funcionasse de forma perfeita.
Como em qualquer competição com grandes equipas, jogadores e muito espetáculo, há sempre quem fique aquém das expectativas que lhe são colocadas antes da bola começar a rolar. Com o regresso da competição, depois da paragem forçada, uma nova oportunidade surge para que esses jogadores se redimam. Contudo, e frisando que há sempre nomes que escapam, elenquei os cinco jogadores que mais me têm desiludido até agora na Liga Alemã, cada um com a devida explicação.
Hugo Martins, treinador do Real SC, foi o convidado do Mourinhos vs. Guardiolas desta semana. A experiência pela Índia, as passagens pelo Sertanense FC e pelo Real SC, e o futuro da sua carreira foram os assuntos com maior relevância neste programa. Hugo Martins ainda confirmou o interesse da direção realista querer renovar para continuar o processo de subida à Segunda Liga.
O treinador de 42 anos relembrou que todos os técnicos recebem influências de todos os outros, principalmente aqueles que mais importância no Futebol têm, mas acabou por destacar como influências durante o seu percurso José Mourinho, Pep Guardiola, Diego Simeone, Maurizio Sarri e Jorge Jesus.
Hugo Martins explicou aquilo que um treinador sente nos momentos das trocas de clubes durante a época. Em relação à troca em 2019/20, entre o Real SC e o Sertanense FC, o treinador afirmou: «vi o perfil dos jogadores [do Real SC] e sabia que conseguia implementar o estilo de jogo de que mais gosto no clube».
Nos realistas não sentia qualquer pressão de subir à Segunda Liga, porque acreditava naquilo que os jogadores conseguiam fazer e aliado àquilo que é o trabalho da equipa técnica. Porém, Hugo Martins não esqueceu de elogiar a formação de Álvaro Pacheco – o FC Vizela -, que, na sua opinião, era a que tinha mais argumentos para chegar à Segunda Liga.
O treinador do Real SC fala em sentimento de injustiça quanto às duas subidas de FC Arouca e FC Vizela, e concluiu: «Todos os campeonatos europeus que retomarem eu vou ver, mas o campeonato português confesso que não vou ver um único jogo. Estou desiludido com a forma que a FPF e a Liga decidiram as subidas e as descidas».
O Regresso a Casa é uma rubrica onde os antigos redatores voltam a um lugar que bem conhecem e recordam os seus tempos antigos escrevendo sobre assuntos atuais.
“Saudades! Sim… Talvez… E porque não?”
Há precisamente 15 anos festejava o meu primeiro título como benfiquista. Lembro-me perfeitamente de estar no café com a minha mãe, a pessoa que me obrigou a gostar de futebol e a ser do SL Benfica, das pessoas a gritarem e de seguir para a baixa de Setúbal, que estava tão bonita vestida de vermelho.
Hoje já festejei mais seis vezes, cada uma à sua maneira e cada vez menos emotiva. Em 15 anos muita coisa mudou. E, há 15 anos, não nos imaginávamos na situação atual.
Sem futebol, há muito em que pensar e, apesar de difícil, parece que até sabemos viver melhor sem ele. O desporto que nos apaixona deixou-nos há mais de dois meses e agora que está prestes a voltar, em vez de espalhar por este país fora uma alegria imensa, traz de volta o pior do futebol: muros vandalizados, violência à porta de estádios, interesses, polémicas e protestos.
Sou apaixonada. Pelo futebol, pelo Benfica. Mas em 15 anos aprendi, apesar de querer que para sempre a minha vida gire em torno do futebol, que não há amor grande o suficiente que justifique a raiva, o ódio e a rivalidade – que há muito deixou de ser desportiva e cheia de fair-play.
Saviola e Aimar contam como viveram e como vivem, hoje como adeptos, a ligação ao Sport Lisboa e Benfica. #EPluribusUnum
Recordo com saudades os tempos em que achava que nada me fazia mais feliz que o Benfica. Sentia-me gigante, imparável. Vi pela primeira vez o Benfica ganhar um campeonato em 2005, só voltei a ver em 2010 e desde então vivemos e vimos coisas que nunca mais se vão repetir.
Achei que era a pessoa mais sortuda e feliz do mundo porque vi o Rui Costa jogar, porque vi o Aimar e o Saviola juntos, porque vi o Benfica ir à final de uma competição europeia duas vezes, sempre a brilhar. E só isso me interessava. Benfica, Benfica, Benfica. Chorava, de tristeza e felicidade, ficava chateada e impossível de aturar quando algo não corria bem.
Hoje nada me faz mais feliz que futebol. E tenho tanto amor aos jogos na Luz numa quarta-feira às oito da noite, como aos jogos no Bonfim às nove, no Inverno, a levar com chuva na cara.
O meu desejo para o novo mundo que pode surgir depois da pandemia? Que todos nós gostemos acima de tudo do desporto. E depois, do resto. Porque quem não ama futebol não ama clube algum. E quem ama um clube ao ponto de cegar e espalhar ódio no mundo bonito do futebol, não ama nada neste mundo.
Mas isto é só o meu desabafo, num regresso à casa que me fez amar ainda mais o futebol.