Tbilisi foi o palco de um dos jogos mais épicos dos últimos anos. Em 2015, FC Barcelona e Sevilla FC viajaram até à Geórgia para disputar a final da Supertaça Europeia, final essa que ficaria para a História como tendo sido o jogo com mais golos de sempre na disputa pelo troféu. Os culés tinham acabado de arrecadar a quinta Liga dos Campeões ao derrotar a Juventus FC (3-1), enquanto a formação do sul de Espanha vencera a segunda de três Liga Europa consecutivas, após o triunfo diante do FK Dnipro (3-2).
Praticamente em ritmo de pré-época, as duas formações espanholas protagonizaram um daqueles shows de bola com golos para todos os gostos, mas também fruto de muitos erros que não se podem cometer em alta competição. Ainda assim, não poderia ter havido melhor jogo para abrir portas à época 2015-16.
E o jogo, esse, também não poderia ter tido um arranque mais frenético. Em quinze minutos, três golos de livre direto. O primeiro foi apontado por Banega, adiantando a equipa de Unai Emery na frente do marcador. Contudo, do outro lado, estava Messi…e a verdade é que o argentino tratou de responder exatamente da mesma forma. E em dose dupla! Estava feita a reviravolta no marcador numa partida que prometia emoção…
Sucederam-se oportunidades em ambas as balizas. Suárez viu um golo ser-lhe anulado por fora de jogo, Gameiro teve nos pés a possibilidade de restabelecer a igualdade, mas seria mesmo à beira do intervalo que chegaria o quarto golo do encontro. A defesa dos blanquirrojos facilitou e Rafinha Alcântara aproveitou, fazendo o 3-1 precisamente naquela altura em que era imperatório fechar a baliza a sete chaves.
O segundo tempo trouxe um Sevilla diferente, mas não sem antes “oferecer” de bandeja o quarto golo ao adversário, com Suárez finalmente a bater o guardião português Beto. Minuto 51’, 4-1 no marcador, dificilmente se imaginaria que o jogo pudesse ir a prolongamento, mas a verdade…é que isso aconteceu.
Os blaugranas sentaram-se na poltrona, mas rapidamente foram destronados. Pelo menos por alguns momentos… Meia dúzia de minutos depois do golo de Suárez, Reyes (falecido há menos de um ano) apareceu solto na grande área para reduzir a desvantagem. E, pouco depois, na conversão de uma grande penalidade cometida por Mathieu, seria mesmo Gameiro a colocar o resultado em 4-3.
Faltavam cerca de 20 minutos. A saída de Iniesta tinha deixado um buraco evidente no meio-campo da equipa de Luis Enrique e, do outro lado, as apostas ofensivas de Unai Emery pareciam estar a render nos processos de jogo de equipa. Aliás, o lance do 4-4 nasceria precisamente de uma jogada entre dois recém-entrados: Immobile na assistência e Konoplyanka a restabelecer a igualdade, levando o jogo para um prolongamento mais do que merecido.
Já seria de esperar que o desgaste físico se apoderasse das duas equipas e isso refletiu-se nitidamente no rendimento individual e coletivo. Contudo, a formação vencedora da Liga dos Campeões tinha guardado uma substituição para os trinta minutos extra e, imagine-se, seria esse o “joker” de Luis Enrique.
A cinco minutos do final do prolongamento, Messi viu o seu livre ser travado pela barreira, ficou-se a pedir penálti, o astro argentino tentou a sua sorte uma segunda vez e foi precisamente a defesa incompleta de Beto que permitiu ao recém-entrado Pedro Rodríguez fazer o 5-4 num estrondoso jogo de futebol (e naquele que seria também o seu antepenúltimo jogo com a camisola do Barcelona).
O jogo até poderia ter ido para penáltis, mas as duas últimas assombrações de Coke e Rami junto da baliza de Ter Stegen não deram em golo e seria mesmo o Barcelona a conquistar a Supertaça Europeia, colando-se ao AC Milan, como sendo as equipas com mais troféus (5).
A crença e a entrega do Sevilla em transformar um 4-1 num 4-4 em meia hora não foram suficientes para conquistar o tão ansiado troféu, mas foram a imagem de marca de uma equipa que não se vergou a humilhações e conseguiu responder e estar à altura do desafio. Unai Emery e a sua equipa, nesse jogo, mereciam mais.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
FC Barcelona: Ter Stegen, Jérémy Mathieu, Javier Mascherano (Pedro Rodríguez, 93’) , Gerard Piqué, Dani Alves, Sergio Busquets, Ivan Rakitic, Andrés Iniesta (Sergi Roberto, 63’), Rafinha Alcântara (Marc Bartra, 78’), Luis Suárez e Lionel Messi.
Sevilla FC: Beto, Benoit Trémoulinas, Grzegorz Krychowiak, Adil Rami, Coke, Krohn-Dehli, Éver Banega, Vicente Iborra (Mariano, 80’), Vitolo, José Antonio Reyes (Yevhen Konoplyanka, 68’) e Kévin Gameiro (Ciro Immobile, 80’).
Depois da primeira parte e da segunda parte, na última parte deste conjunto de artigos, vamos falar sobre o momento defensivo da equipa do Leipzig e as suas variações táticas que acabaram por anular o Tottenham.
Dinâmicas em Momento Defensivo
O Tottenham iniciava a construção de jogo com os dois defesas centrais, com o lateral esquerdo recuado e com um dos médios a descer no terreno. O Leipzig conseguiu anular a primeira fase de construção através de uma pressão com bloco alto e com encaixes a cada elemento da equipa do Tottenham. Assim, a equipa inglesa era muitas vezes forçada a jogar longo e, com jogadores como Lucas Moura e Bergwijn (ambos jogadores sem capacidade de ser referência) no ataque, a taxa de sucesso destes passes era muito baixa.
A equipa alemã orientava a pressão para o espaço exterior (principalmente para o corredor esquerdo do Tottenham) e, a partir daí, anulava as linhas de passe, normalmente de um dos centrais ou lateral. Para este efeito, era crucial o trabalho da primeira linha de pressão, que além de realizar encaixes a cada central, conseguia fechar espaços para eventuais passes verticais para zonas interiores. Por sua vez, Nkunku fechava o espaço de intervenção do médio defensivo do Tottenham, Harry Winks. Apesar de serem óbvios os encaixes individuais, a equipa germânica pressionava à zona e sempre com a bola como foco de atenção, anulando determinados ângulos para a equipa inglesa progredir com bola e chegar a zonas adiantadas de forma ”limpa”.
“Sabes qual é a diferença entre um cão guardião e um cão feroz? Pões um cão feroz à porta da tua casa e vêm dois ladrões. Ao primeiro que se aproxima o cão feroz ladra e atira-se ao ladrão. Ele corre, o cão vai atrás e deixa a porta, o outro ladrão entra e rouba. Pelo contrário, o cão guardião ladra ao primeiro ladrão, mas volta para guardar a porta, não a abandona. O cão guardião é o que marca à zona, o outro marca ao homem.” César Luís Menotti
Um dos pontos de destaque desta pressão (um ponto puramente estratégico!) coincide com a orientação da pressão, quase sempre para o lado esquerdo da equipa inglesa. Mas porquê? Porque do outro lado estava um lateral mais ofensivo (Aurier) e com argumentos diferentes de Ben Davies para criar desequilíbrio. A importância do lado estratégico e de ver para além do coletivo! A perceção de cada individualidade também é importante para percebermos possíveis lacunas que o coletivo poderá ter.
“Uma equipa é sempre composta pela soma das partes, mas as partes também estão no todo” – Vítor Matos em Quarentena da Bola.
Por sua vez, na segunda mão o Tottenham apresentava uma estrutura tática com 3 defesas centrais e com dois alas (Aurier e Sessegnon) bastante subidos. De forma a encaixar no adversário e tentar recuperar a bola o mais rápido e em terrenos mais perto da baliza adversária, o Leipzig alterou a sua forma de pressionar.
Agora, os três avançados pressionavam, mais uma vez, de forma zonal os 3 defesas do Tottenham, laterais com laterais e os médios prontos para pressionarem os médios do Tottenham no caso de estes receberem a bola. Um dos aspetos importantes está relacionado com a leitura corporal que os jogadores do Leipzig (principalmente, médios e defesas centrais) faziam para prever uma possível ação do adversário. Esta perceção permitia muitas vezes uma antecipação ao adversário e consequente recuperação de bola.
Quando a bola estava no corredor, a equipa do Leipzig orientava-se para esse corredor, tapando todas as linhas de passe aí existentes. Neste caso, o lateral desse lado avançava no terreno para pressionar, e formava uma linha de 3 elementos com o duplo pivô do meio-campo (sistema mutável e altamente dinâmico, mas neste caso um visível 4x3x3). Assim, a linha defensiva era formada pelos 3 centrais e pelo lateral do lado contrário (imagem abaixo). Esta estrutura poderia ter como principal problema o passe longo para o flanco contrário, no entanto, as rápidas basculações da equipa alemã não permitiam espaço e tempo aos jogadores do Tottenham sempre que isso acontecia.
Outro aspeto relaciona-se com a condição de o lateral ser ultrapassado. Nesse caso a cobertura seria realizada pelo defesa central de forma rápida e muito eficiente. Dado que os dois centrais (Klostermann e Halstenberg) são “laterais” de posição de origem, estes possuem velocidade e intensidade para se deslocarem até ao seu oponente num curto espaço de tempo e recuperar a posse.
Os médios tinham um papel importante pela intensidade na recuperação da bola, quando esta chegava a terrenos interiores. Foram os grandes responsáveis pelos equilíbrios da equipa em momento de perda da posse. Neste aspeto destaca-se Laimer, que foi o jogador com mais recuperações de bola no total das duas mãos.
Uma das chaves para este sistema de pressão era a capacidade de os centrais subirem no terreno e marcarem os avançados. O Tottenham colocava vários jogadores entre a linha média e a linha defensiva do Leipzig, mas a estrutura compacta e a intensidade na saída à marcação dos centrais marcavam a diferença.
Quando um passe vertical superava a linha média do Leipzig e os avançados recebiam a bola entre-linhas, um dos defesas saía da sua posição e pressionava com intensidade esse avançado, até o mesmo perder a bola. Devido ao posicionamento mais adiantado da linha defensiva, o Tottenham poderia aproveitar a profundidade pela velocidade de Bergwijn ou de Lucas Moura, mas nunca o fez. Em vez disso, Dele Alli descia para terrenos interiores, fazendo de terceiro médio, e tentava combinar com os avançados quase sempre em espaço entre-linhas (algo facilmente anulado pela equipa germânica).
A equipa alemã tem também um excelente controlo da profundidade. O facto de todos os defesas centrais terem características físicas de excelência ao nível da velocidade, força, agilidade e capacidade de reação, permitia-lhes encurtar distâncias nas suas costas e conseguir alcançar os avançados num curto espaço e intervalo de tempo. Outro aspeto reside no bom entendimento desta linha defensiva aquando dos momentos de avançar e recuar, sempre com concentração e rigor na identificação de bola coberta ou descoberta.
Como é óbvio a equipa do Leipzig quando se viu em vantagem optou por recuar um pouco as suas linhas, pressionando num bloco médio. Na segunda mão adotou um comportamento bastante pressionante, mas, novamente, quando ganhou vantagem começou a defender mais baixo.
“Defender bem o mais longe possível da baliza é uma arte” – Nuno Campos em Quarentena da Bola
Quem pretende ser ofensivo terá necessariamente de ter uma preocupação especial pela primeira fase defensiva. E em caso de perda de posse terá de ter uma abordagem espontânea, mas organizada. Uma equipa sem clareza nesse momento permitirá ao adversário, não só ficar confortável com bola, como retirará confiança e desgastará os seus jogadores.
Nagelsmann chega a referir que “Eu gosto de atacar o adversário perto da sua baliza porque o teu próprio caminho para chegar ao golo não é tão longo se recuperares a bola mais adiantado”. Este objetivo de recuperar a bola em zonas altas e não permitir o adversário chegar a zonas de criação, está relacionado com o momento ofensivo da equipa. Não se poderá dissociar momento defensivo com momento ofensivo. Quando procuramos criar dificuldade ao adversário em terrenos perto da sua baliza, estamos mais perto de criar perigo no caso de recuperarmos a bola. Agora, claro, esta pressão terá de ser eficiente, porque se não o for, existe risco máximo de a bola chegar a zonas de criação, ultrapassando 2 linhas de pressão, e o adversário chegar à baliza com mais perigo.
O lado estratégico de Nagelsmann está bem assente na forma como defendem. As mudanças ao longo das duas mãos, de acordo com o resultado e com as dinâmicas da equipa adversária, são prova disso mesmo. No entanto, a identidade da equipa e os macro princípios nunca são alterados. O Leipzig é sem dúvida uma das melhores equipas a defender em terrenos subidos, fazendo-o com grande eficácia. Nesta eliminatória, foram várias as perdas de posse que o Tottenham concedeu, pela intensidade, inteligência e perfil físico dos jogadores comandados por Nagelsmann.
O Leipzig era uma equipa que atacava com os seus jogadores próximos, principalmente médios e avançados que formavam triângulos para combinações mais eficazes. Este princípio não só permitia uma troca de bola mais fluída, como também uma recuperação da posse muito mais eficaz. Quando perdiam a bola tinham vários jogadores próximos para reagirem à perda. É uma equipa que se foca na bola e consegue colocar num curto espaço de tempo vários jogadores na pressão. Vale muito pelo coletivo, porque todos os jogadores conseguem ser altamente intensos neste momento de reação à perda. A agressividade e intensidade neste pressing por parte de todos os jogadores foi fundamental. Todos defendiam e todos atacavam!
Em ataque posicional, normalmente, deixavam 4 ou 5 jogadores (duplo pivô do meio-campo, os três defesas centrais ou um dos laterais) preparados para agir em momento de perda de posse, mas os restantes elementos conseguiam recompor-se de forma bastante rápida.
Apesar de todas estas valências, o Leipzig ainda sente alguma dificuldade quando a sua linha média é ultrapassada e jogadores com criatividade e capacidade técnica diferenciadora, como Lucas Moura ou Dele Alli, conseguiam acelerar o jogo e colocar-se de frente para a linha defensiva. Principalmente em momentos em que os laterais estão subidos, a linha dos 3 centrais era encarada de frente pelos avançados do Tottenham e era criado algum perigo. Além disso, pela constante subida dos laterais (sujeitos a cargas físicas altíssimas durante a partida) existia espaço nas suas costas que poderia ser aproveitado. Quando o futebol é um jogo de probabilidades e possibilidades, estes são claramente riscos, que valem a pena pelas possibilidades que o conjunto das dinâmicas oferece.
Uma equipa que pelas caraterísticas dos seus jogadores consegue ter uma variabilidade pouco comum e que lhe permite ser forte em todos os momentos do jogo. Nagelsmann promete ser um dos grandes destaques para o futuro do Futebol!
No final de maio estará de volta a Primeira Liga, sabe-se lá porquê. Por algum estranho motivo, as entidades ditas competentes que regem o futebol português decidiram que não valia a pena retomar as restantes competições do desporto-rei em terras lusitanas. Contudo, consideraram de sobeja importância dar aos adeptos de futebol (entenda-se adeptos de clubes de futebol) as desconsoladoras imagens de 90(!) jogos à porta fechada.
Apesar de estar contra essa decisão (não sei se notaram), nada posso fazer. O campeonato vai ser retomado e, se tudo correr bem (?), vai ser disputado até ao fim e teremos descidas, manutenções e um campeão que será certamente contestado meses a fio pelo adversário direto que terminar com o “título” todo pomposo de vice-campeão.
Na luta pelo título (o que conta), estão SL Benfica e FC Porto. No corrente artigo, é abordada a perspetiva dos encarnados, partindo da pergunta que o titula: terminar em primeiro lugar é apenas um desejo ou será uma necessidade das águias, face ao cenário atual (que pelos vistos não é assim tão mau, até dá para haver bola)? R.: Ehhh…
Tão ou mais importante que o título é a presença garantida na fase de grupos da Liga dos Campeões. Será mais uma necessidade do que um desejo? Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
De certa forma, a conquista do campeonato nacional (ou a, preparem-se, “Reconquista”) é sempre uma necessidade, em particular quando apenas o campeão português tem acesso direto à Liga dos Campeões (porque é que será?…). Em jogo estão, logo à cabeça, 40 milhões de euros. Mesmo para quem respira saúde financeira, é muito dinheiro (além de que agora é complicado respirar).
Perante a pandemia em curso e as suas certamente devastadoras consequências (que pelos vistos não são assim tão devastadoras, até dá para haver bola), essa necessidade acentua-se, podendo até tornar-se premente. No entanto, a imagem transparecida pela direção do SL Benfica (se é que há transparência numa direção de um clube de futebol português), é a de que o clube pode superar com alguma tranquilidade a negra fase que vivemos (que pelos vistos… vocês já sabem o resto).
O investimento não será reduzido de sobremaneira e os salários não serão cortados, ao que tudo indica. Assim, o clube da Luz poderá abordar a reta final do campeonato (isto vai mesmo acontecer? Uau…) com a tranquilidade de quem almeja o título sem carregar a pressão adicional de ter, forçosamente, que o conquistar. Nesse sentido, os encarnados podem até partir em vantagem em relação aos dragões, que me parecem mais necessitados do título e da garantia da presença na liga milionária.
O UFC regressou em grande. O cartaz do evento 249 não desiludiu, pois, nos cinco combates principais, assistimos a quatro finalizações e muita emoção. Destaque para Henry Cejudo, que, após defender novamente o seu título, anunciou a sua retirada do desporto. Justin Gaethje finalizou Tony Ferguson numa das melhores lutas de 2020 e sagrou-se campeão interino de peso-leve.
1.
Tony Ferguson vs Justin Gaethje – Inicialmente a intenção do UFC seria que Tony Ferguson defrontasse Khabib Nurmagomedov pelo título mundial de peso-leve. Devido às complicações que a Covid-19 originou, o lutador russo não conseguiu viajar até aos Estados Unidos da América, e a promoção marcou um combate pelo título interino entre Ferguson e Justin Gaethje.
Ferguson procurou fazer o seu jogo habitual de strike, lançando um grande volume de golpes precisos e com muitas movimentações pouco ortodoxas. Justin, conhecido pela força que coloca em cada golpe, foi misturando pontapés à perna e pancadas significativas, pontuando mais.
Ambos lutadores ficaram a certa altura visivelmente magoados, sendo que a finalização esteve perto para os dois. O combate foi uma autêntica batalha, apenas de troca de golpes muito violentos, em que mais uma vez se destacou a durabilidade e resistência aos golpes de Tony Ferguson.
Na quinta ronda, já ambos estavam desgastados, principalmente Ferguson, que estava com vários cortes e com a cara inchada por baixo do olho direito. Justin conseguiu manter a calma e ir selecionando bem os seus golpes, gerindo também o cansaço, e um direto no nariz fez abanar o seu adversário, obrigando o árbitro a parar o combate para garantir a segurança física de Ferguson.
Justin Gaethje teve um plano para o combate irrepreensível, geriu bem o cansaço e a força que implementava em cada golpe, algo que não era usual nos últimos combates. Com esta vitória sagrou-se campeão interino de peso-leve, e garantiu assim uma luta de unificação de título contra Khabib Nurmagomedov.
Depois do sucesso do jogo, nesta semana temos novo encontro em direto para ti! A Liga da Bielorrússia está no Bola na Rede e nesta semana temos encontro de campeões. O detentor do título, FC Dínamo Brest, recebe o FC Dínamo Minsk. Ambas as equipas precisam de pontos para se aproximarem dos primeiros lugares e o favoritismo parece estar todo do lado da equipa da casa.
Se quiseres, podes ler a antevisão, ao mesmo tempo que vês o jogo em direto e com acompanhamento ao minuto no Twitter.
Rúben Micael não é um dos nomes mais óbvios no que a médios portistas diz respeito, contudo entraria, na minha opinião, facilmente numa lista de menosprezados da história recente do FC Porto e, por que não, do futebol português como um todo.
Falar deste jogador é falar de alguém que participa, ainda em tenra idade, em fantásticas campanhas do CD Nacional (a nível interno e europeu), bem como de anos vitoriosos, quer de FC Porto, quer de SC Braga. Bom, mas já lá iremos…
Comecemos pelo início: após o seu período de formação (curiosamente, com a camisola do União da Madeira), Rúben chega à Choupana para ser comandado por Manuel Machado, corria o verão de 2008.
Coincidência ou não, esse verão anteciparia uma época que seria histórica para a turma insular: quarto lugar no campeonato e consequente acesso às provas europeias.
Nesse percurso, o médio recém-contratado revelar-se-ia uma peça fundamental, não só pelas suas regulares aparições no onze inicial, como também em termos de golos: cinco tentos de sua autoria em adição a quatro assistências.
Esse era um aspeto em que Rúben Micael se destaca particularmente: os golos. É um médio com capacidade de pisar terrenos mais adiantados, um médio também com golo.
E qual o melhor palco para demonstrá-lo? A Liga Europa. Numa edição em que os insulares alcançaram a fase de grupos, após eliminar o Zenit na eliminatória de acesso, o médio madeirense participa diretamente em extraordinários dez golos em oito partidas.
Os números já eram demasiado chamativos para que fosse possível segurar Rúben Micael na Madeira. Dentre muitos interessados, o FC Porto viria mesmo a vencer esta corrida, assegurando a sua contratação a meio da temporada 2009/10.
De dragão ao peito, chegaria ao ápice da sua carreira, no que a conquistas diz respeito: é campeão nacional, vence duas edições da Taça de Portugal, duas edições da Supertaça e, por último, mas não menos importante, uma Liga Europa.
No entanto, do ponto de vista dos minutos, a sua passagem pela Invicta acaba por ficar algo aquém do esperado, muito por conta, diga-se, da enorme concorrência existente para aquele setor.
Despede-se do FC Porto juntamente com Falcao, no verão de 2011, e ruma ao Vicente Calderón, numa transferência, no mínimo, estranha. Seguiram-se os empréstimos: num primeiro momento, ao Real Zaragoza e, em 2012/13, ao SC Braga.
Logo após a sua chegada a Braga, “coloca” a formação minhota na fase de grupos da Liga dos Campeões, marcando um golo no tempo regulamentar que empata a eliminatória e cobrando a grande penalidade decisiva no desempate.
Ao serviço dos guerreiros do Minho, Rúben Micael somaria quinze golos e onze assistências, conquistando, precisamente frente ao FC Porto, uma Taça da Liga.
Seguiram-se passagens por China e Israel, até que as portas do nosso país se abriram novamente, desta feita as de Paços de Ferreira, onde não conseguiu evitar a descida de divisão. Da capital do móvel viajou para Setúbal, onde, desta vez, o objetivo “manutenção” foi alcançado.
No início da presente temporada, regressou à sua ilha, ao CD Nacional, clube que ajudou a devolver à elite do futebol nacional (ao que tudo indica).
No que toca à seleção portuguesa, Rúben Micael acumula, até à data, dezasseis internacionalizações, possuindo no seu currículo, inclusivamente, uma convocação para o Euro 2012.
Esta semana convido-vos a passar em revista dez clubes que marcaram presença no campeonato nacional desde o início do novo milénio e que depois deixámos de os ver por cá. Alguns são clubes históricos da divisão, outros tiveram uma aventura fugaz entre os grandes. Com a Federação Portuguesa de Futebol a decretar o fim de todas as competições, exceção à Primeira Liga, bem como consequentes promoções e despromoções de clubes que prometem fazer correr muita tinta, aproveitamos para um momento de nostalgia com esta visita ao passado e presente de alguns clubes.
Hoje trago-vos um artigo sobre jogadores que passaram pelo Sporting CP mas acabaram por ser importantes ao serviço de outros emblemas que não o de verde e branco. Alguns podem dar vontade de rir, outros já caíram no esquecimento e, provavelmente, existem jogadores dos quais não faziam ideia que tinha passado por Alvalade.
A final de contas, o Sporting CP é um clube que já nos habituou a surpreender de diversas formas e faz-nos acreditar que tudo é possível mesmo quando ninguém espera. Embora possamos rir um pouco ao recordar as desgraças, a verdade é que têm sido anos e anos de má gestão e incompetência que têm levado o clube a atrasar-se em relação aos rivais e a sermos consideramos o eterno “terceiro grande”.
A NBA é uma liga propensa a criar equipas icónicas. Equipas que, por uma ou outra razão, ficam na história e na mente de todos os amantes da modalidade por terem marcado uma era – seja pela sua qualidade de jogo, domínio da modalidade ou, noutras alturas, pela imagem negativa que deixaram.
A década de 80 é um período de tempo verdadeiramente histórico. As lutas entre LA Lakers e Boston Celtics, Larry Bird contra Magic Johnson, o início do que seria o fenómeno Michael Jordan… e os Detroit Pistons.
Durante toda a década de oitenta, Celtics e Lakers haviam sido as duas principais equipas da NBA. Contudo, na conferência Este, as batalhas entre Boston e Detroit tinham sido dos confrontos mais intensos de que há memória. A intensidade física, muitas vezes atingindo a violência desmedida, eram comuns nos jogos de play-offs entre os dois conjuntos. Mas ano após ano, quem saía por cima era Larry Bird, Kevin McHale, Robert Parish, Bill Walton e companhia – o mau passe de Isiah Thomas nas finais de conferência de 1987 está na memória de todos os adeptos dos Celtics e Pistons.
Mas em 1988 algo começou a mudar.
Esse foi o ano do primeiro embate entre Chicago e Detroit nas meias-finais de conferência. Jordan era MVP e Defensive Player of the Year, mas faltava-lhe experiência competitiva para enfrentar uma equipa mais “batida”. Usando e abusando do seu tipo de jogo extremamente físico e duro, os Pistons conseguiram chegar à final – depois de ultrapassarem os Celtics –, mas sucumbiram aos pés de Magic Johnson e os Lakers.
Contudo, a época seguinte foi o ano em que Detroit se afirmou como um verdadeiro candidato ao título. Apoiados em Isiah Thomas e Bill Laimbeer – os dois capitães da equipa – Joe Dumars, Vinnie Johnson, Rick Mahorn, Dennis Rodman, e muitos outros, os Pistons primavam claramente pela intensidade física, defensiva, e pela intimidação e jogo psicológico.
Como tem sido mostrado vezes e vezes sem conta na série-documentário produzida pela Netflix “The Last Dance” – que acompanha o último campeonato vencido por Michael Jordan e os Chicago Bulls, o seu segundo tricampeonato em oito anos – a equipa de Detroit foi o ritual de passagem que tornou Jordan no jogador que foi.
Nesse ano de 1989, e dado o desenvolvimento de Jordan, Isiah Thomas e Bill Laimbeer criaram as famosas “Jordan Rules”. Mas o que eram as Jordan Rules?
Eram um conjunto de regras que na prática diziam: Destruir MJ do ponto de vista físico e mental, explorando as suas fragilidades, empurrando-o para o seu lado esquerdo, o mais fraco, e – esta é a única forma de o descrever – batendo-lhe cada vez que ele tentasse chegar perto do cesto. Isto levou a que Jordan, como o próprio admitiu, se virasse para o ginásio de forma que o seu corpo conseguisse aguentar a carga que lhe era colocada em cima.
Esse ano Detroit conseguiu vencer o seu primeiro título, batendo os Celtics por 3-0, Milwaukee por 4-0, Chicago por 4-2 e finalmente os LA Lakers por 4-0, uma caminhada brilhante e que foi repetido no ano seguinte, em 1990, quando repetiram a vitória sagrando-se bicampeões e quebrando assim o reinado Boston – Los Angeles.
No entanto, estes dois campeonatos parecem ter um asterisco ao lado, tudo pela forma como foram vencendo, e pelo estilo de jogo e controvérsia que sempre os acompanhou e afetou as suas carreiras – Isiah Thomas que o diga.
Os “Bad Boy” Pistons ficarão para sempre na história, por bons e maus motivos, mas os seus dois títulos, o facto de terem quebrado a dinastia Boston – LA, e terem tornado Michael Jordan naquilo que foi, nunca terão o destaque que mereciam.
Em circunstâncias normais, sem pandemia nem vidas em stand-by, devíamos estar a duas semanas de finalizar o campeonato, antevendo campeões, descidas de divisão, apuramentos para a Europa… tempos pelos quais anseio e que em breve voltarão. Nesse mundo sem Covid-19, já teriam começado os rumores próprios do mercado de transferências, apontando um sem número de jogadores a diferentes clubes. No entanto, com a grave crise sanitária que vivemos, e a económica que já aí espreita, poderemos ter um mercado de Verão atípico, com todos os clubes a apertar o cinto e com menos especulação. A realidade que vivemos pode levar os ditos clubes grandes a olharem para dentro, cingindo-se ao mercado interno, onde certamente encontrarão jogadores preparados para dar o salto na carreira. Assim, falemos de cinco jogadores de equipas “pequenas”, no radar dos grandes, com mais que qualidade para vingar.