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O que esperar deste Moreirense FC?

O Moreirense FC arrancou esta época com uma herança pesada: o sexto lugar conquistado na temporada passada foi um registo impressionante, pelo que o mote para 2019/2020 só poderia ser tentar manter os bons resultados.

Contudo, viu-se órfã do treinador que foi o mentor deste sucesso, Ivo Vieira, além de ter assistido à saída das suas principais estrelas, como o defesa Ivanildo Fernandes que foi jogar para a Turquia, Rúben Lima que se recusou a renovar contrato, Chiquinho que voltou ao SL Benfica, o agora axadrezado Heriberto Tavares e Mamadou Loum que se transferiu já a meio da época passada para o FC Porto.

Esta ”devastação” do plantel terá, certamente, condicionado a preparação da temporada atual, uma vez que os responsáveis do clube se viram obrigados a alterar a fórmula que resultara anteriormente. Vítor Campelos foi o escolhido para suceder a Ivo Vieira, mas acabou por não se encaixar na equipa. Ao fim de 14 jornadas, com o Moreirense FC no 11.º lugar da classificação e com 17 pontos (menos sete pontos e quatro lugares na tabela classificativa abaixo do obtido na mesma altura, no ano passado), o treinador recebeu ordem de saída e foi substituído por Ricardo Soares. A eliminação da Taça de Portugal em casa frente ao CD Mafra, um emblema de um escalão inferior, numa partida em que os vimaranenses não conseguiram impor o seu jogo, terá também contribuído para esta decisão.

Porém, o antigo treinador do CD Aves não entrou bem na equipa, com duas derrotas seguidas frente ao FC Paços Ferreira e FC Porto. Ainda assim, o entrosamento com o plantel acabou por surgir e desde então o Moreirense apenas regista uma derrota frente ao SC Braga, tendo até arrancado um empate frente ao SL Benfica, atual campeão nacional.

Na paragem do campeonato, à 24.ª jornada, o clube de Moreira de Cónegos encontrava-se na oitava posição com 30 pontos, menos sete que os seus dois antecessores na tabela classificativa, o FC Famalicão e os seus “vizinhos” Vitória SC.

Apesar da saída das principais estrelas do plantel, a equipa contou com alguns reforços importantes esta época, como o jovem médio Filipe Soares (e o seu irmão Alex Soares, mais experiente, oferecendo bastante segurança à equipa), Steven Vitória, o defesa central de 33 anos, com já muito conhecimento do futebol português, e o extremo Fábio Abreu, que conta já com 12 golos em 26 jogos. Antes da suspensão do campeonato, o angolano estava num bom momento de forma com seis golos nos últimos seis jogos.

À semelhança de outros emblemas da Primeira Liga, o Moreirense voltou esta segunda-feira ao trabalho para preparar o regresso à competição no final do mês de Maio. O clube dividiu os jogadores entre o Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas, em Moreira de Cónegos e Campo das Oliveiras, em Serzedelo, numa primeira fase em treinos individuais, de forma a cumprir as medidas acordadas com a Direção-Geral de Saúde.

O regresso do Moreirense FC campeonato será contra o Boavista FC, um adversário que, com toda a certeza, irá colocar os pupilos de Ricardo Soares à prova. Resta saber se a equipa tem o “estofo” necessário para manter o bom momento e lutar por igualar ou aproximar-se do registo da época passada, com a possibilidade de dar ao concelho de Guimarães, nas próximas épocas, mais um clube candidato à sempre aguerrida batalha pelos lugares de acesso à Liga Europa.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão 

Fórmula 1: «A um cabelo» do título

Quando pensamos em Fórmula 1, os primeiros pensamentos fogem logo para os campeões ou então para os vencedores de Grandes Prémios. Mas hoje não vamos falar dos que foram campeões e sim daqueles que, para mim, foram os melhores a não conseguirem ser campeões. Não há grandes critérios, mas baseei a minha opinião na minha memória (ou até da falta dela, aí o nosso amigo YouTube ajuda muito) destes pilotos.

Foto de Capa: Scuderia Ferrari

Abram alas! Vem aí um novo clube milionário

Sejamos sinceros, o Newcastle United FC já não era tão falado desde que Santiago Nuñez invadiu os nossos ecrãs no filme Goal!. Porém, as últimas notícias mostram-nos que não podemos brincar com os magpies, estando o clube prestes a tornar-se um dos clubes mais ricos do mundo. O investimento do príncipe saudita Mohamed bin Salman pode catapultar um dos históricos ingleses para os lugares cimeiros da Premier League.

Para o casamento, falta o “sim, aceito” da primeira liga inglesa. No entanto, instituições como a Amnistia Internacional já vieram a público demonstrar o desagrado caso a compra seja aceite. O investimento árabe está envolto em polémica devido a várias violações de direitos humanos, mas não se espera que o negócio seja cancelado, basta nos lembrarmos dos casos do Manchester City FC e do Chelsea FC.

A imprensa avança com uma proposta a rondar os 300 milhões de libras do fundo de investimento público da Arábia Saudita. Mike Ashley, atual dono do Newcastle United, colocou a formação do nordeste de Inglaterra à venda quando decorria o ano de 2017, depois de uma travessia no Championship. Contudo, a crise já se arrastava desde 2008, quando o sócio maioritário anunciava pela primeira vez que o clube estava à venda.

O desnorte encontra-se instalado em Saint James Park há quase uma década, mas parece que em breve essa tempestade vai chegar ao fim. A última temporada em que os The Toon atingiram lugares europeus ocorreu em 2011/2012, quando Alan Pardew ajudou o histórico inglês a alcançar o quinto lugar na Premier League. Será que o dinheiro vai trazer a felicidade à pequena cidade junto ao rio Tyne?

É verdade que o plantel do Newcastle United não tem nomes vistosos como nos tempos de Alan Shearer, mas existem motivos para sorrir. Com Miguel Almirón, os irmãos Longstaff, Saint Maximin ou até Nacil Bentaleb, percebemos que existe talento nas fileiras da formação que ocupa o 13º lugar na divisão cimeira do futebol inglês. No entanto, nomes maiores do futebol internacional estão a ser equacionados para fortalecer o plantel.

Depois de esta época os magpies já terem desembolsado um valor recorde de 40 milhões de libras pelo brasileiro Joelinton, espera-se que esse preço seja irrisório para as novas capacidades financeiras do clube. Os media avançam nomes como Phillipe Coutinho, Edinson Cavani ou Dries Mertens, mas o alvo que ganha força a cada dia que passa é o do treinador Mauricio Pochettino.

O técnico argentino será, caso o projeto avance, o homem do leme para colocar o Newcastle United no topo do futebol mundial. Com um mentor de renome, espera-se que os “craques” sintam mais confiança num projeto que vai demorar a ganhar o carimbo de sucesso, apesar dos exemplos anteriores já se mostrarem casos bastante positivos.

Apesar das promessas de glória imediata, os adeptos do clube centenário mostram-se reticentes perante o perder de identidade da instituição. O projeto ainda tem muito caminho pela frente antes de se tornar uma realidade, mas espera-se que os magpies passem do meio da tabela para os lugares cimeiros ou até, quem sabe, para a conquista de grandes títulos.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

O 11 do século XXI do Sevilha FC

O século XXI tem sido um período glorioso para os adeptos do Sevilla FC, desde a subida ao primeiro escalão do futebol espanhol, em 2000/2001, até à conquista de títulos nas competições europeias.

Neste curto espaço de tempo, os “Blanquirrojos” venceram cinco edições da Liga Europa. Sobre o comando de Juande Ramos, foram bicampeões da competição, ainda com o nome de “Taça UEFA”, em 2005/06 e 2006/07, e entre 2013 e 2016, com Unai Emery a assumir funções como técnico principal, venceram-na por mais três ocasiões.

Em 20 anos decorridos neste século, vários jogadores deixaram a sua marca no clube, quer pela sua qualidade e consequente ajuda na conquista europeia do Sevilla, quer pela sua dedicação e lealdade ao clube.

Lendas do Universo Leonino | Deo

André Justino Henrique conhecido no mundo do futsal por Deo. O número dez leonino representou o Sporting CP durante 16 anos, tornando-se uma das referências na modalidade para os sportinguistas.

Deo iniciou a sua carreira no futsal, no Brasil, ao serviço do Cervicá. Em janeiro de 2002, o Sporting CP contratou o ala, que se viria a tornar uma verdadeira lenda no clube. Durante a sua carreira, apenas também representou os russos do KPRF Moskva, nas épocas 14/15 e 15/16.

Deo escreveu no Sporting CP uma história de sucesso. Ao longo de 16 temporadas conquistou 26 títulos: uma UEFA Champions League, oito campeonatos nacionais, seis Taças de Portugal, uma Taça da Liga, sete Supertaças e 3 Taças de Honra. O ala leonino somou um impressionante registo de 604 jogos e 295 golos marcados com a camisola verde e branca.

A história do futsal e do Sporting CP confunde-se com a carreira de Deo. No dia 4 de janeiro de 2004, realizou-se o último jogo na Nave de Alvalade, o Sporting recebeu e venceu o Modicus, por 11-1. Nesta goleada, Deo foi o último jogador a marcar na antiga casa das modalidades dos leões.

Mais tarde, em setembro de 2017, realizou-se o primeiro jogo de futsal no Pavilhão João Rocha. O Sporting CP defrontava os Leões de Porto Salvo, na primeira jornada da fase regular do campeonato e Deo cumpriu o seu jogo 500 pelo clube.

Na época 2018/2019, o Sporting Clube de Portugal conquistou o único título que faltava ao seu palmarés, a UEFA Futsal Champions League, vencendo na final o Kairat Almaty, por 2-0. Na caminhada para o tão desejado trono europeu, Deo apontou três golos, em oito jogos. Na meia-final, o “baixinho” foi preponderante, apontando um dos golos, na vitória diante do Inter Movistar por 5-3. Na quarta final da UEFA Futsal que o Sporting CP disputou, finalmente conquistou a tão desejada glória.

Deo destacou-se pela sua qualidade técnica, pela velocidade e sobretudo pela qualidade com que finaliza. Ao longo destes 16 anos, vestiu o leão rampante, com Esforço, Dedicação e Devoção, contribuindo para a história e Glória do clube, na conquista de 26 títulos. O “baixinho” será para sempre uma lenda e uma referência do futsal leonino.

Obrigado, Deo!

Artigo revisto por Diogo Teixeira

«Figo e Rui Costa saíram em minha defesa no caso do doping» – Entrevista BnR com Kenedy

O Bola na Rede esteve à conversa com Kenedy, de quem Sven-Goran Eriksson diz que é o melhor júnior que treinou. Dos jogos na rua a apanha-bolas dos seus ídolos no Estádio da Luz é um pulo. Formado no SL Benfica, sobe à primeira equipa e vence uma Taça e um Campeonato. Segue-se o Paris SG, onde aprende a falar francês rapidamente e se torna o pagode no balneário, de onde regressa precocemente para conquistar uma dobradinha no FC Porto. É treinado por JJ no Estrela mas é no Marítimo onde passa os melhores anos da carreira. Pelo meio, perde o barco para o Mundial 2002 devido a um controlo positivo de doping, numa situação que tem contornos sui generis. Na Grécia, vive na pele o louco futebol e como treinador adota uma relação de proximidade com os seus jogadores.

– Dos jogos na rua a apanha-bolas no Estádio da Luz –

Bola na Rede [BnR]: Nasces a 18 de fevereiro de 1974, na Guiné-Bissau. Quais são as primeiras memórias da infância?

Kenedy [K]: Tenho poucas memórias porque eu vim ainda pequeno para Portugal, mas já voltei lá depois disso. Lembro-me de em miúdo jogar à bola nas ruas, depois aqui em Portugal foi basicamente escola e futebol. Jogar futebol sempre foi a minha paixão, desde miúdo. Lembro-me que desde os 10 anos já jogava com rapazes de 15/16 anos e fui crescendo assim.

BnR: Eras adepto de algum clube em miúdo?

K: Não, em miúdo não era assim muito adepto de um clube. Às vezes ia com um tio meu ver os jogos do Sporting, porque ele gostava muito, mas eu não ligava muito. Obviamente que quando comecei a jogar nas camadas jovens do Benfica, desde esse momento passou a ser o meu clube.

BnR: Quando é que vens para Portugal?

K: Tinha 4/5 anos, vim viver com a minha avó. Penso que era infantil de primeiro ano, estava no Cultural da Pontinha e como infantil de segundo ano já vim para o Benfica, por volta dos 11/12 anos.

BnR: Fala-me do teu percurso no futebol de formação.

K: Foram tempos fantásticos, são totalmente diferentes de hoje em dia. No meu primeiro ano de infantil joguei no Cultural da Pontinha e lembro-me de nesse ano ter ido fazer uns treinos ao Benfica com um amigo meu que jogava comigo, o Hugo Costa. Ele jogava no Benfica já e disse “Vens comigo lá treinar”. Eu fui mas a equipa já estava mais ou menos feita, eu treinava um bocadinho ali atrás da baliza e tal mas nada. E acabei por ir para o Cultural da Pontinha. Fiz esse primeiro ano de infantil no Cultural e, por ironia do destino, o Benfica no ano a seguir contrata-me. Lembro-me que pagou ao Cultural bolas, equipamentos e mais uns trocos.

BnR: Tinhas algum ídolo quando eras jovem?

K: Em miúdo nem por isso mas a partir dos 14/15 anos já estava mais desperto para isso e o Benfica tinha grandes jogadores, o Valdo, lembro-me do Aldair, o Rui Águas, Pacheco. Eu era apanha-bolas deles quando estava na formação do Benfica. [pausa, houve-se uma voz no fundo e Kenedy desata-se a rir] O meu tio está a perguntar-me se eu não gostava do Eusébio e do Pelé (risos). Claro, eu não os vi jogar mas toda a gente sabia quem eram e o quão extraordinários eram, já tinham ouvido histórias deles. E tive a sorte de o Eusébio ter sido meu treinador nas camadas jovens, apanhei também o Mister Coluna, ouvi histórias dele, que tinha sido um grande jogador no Benfica. Mas pronto eu lembro-me perfeitamente de ser apanha-bolas deles e passado uns anos poder jogar com eles…

BnR: É um sonho de menino, como canta Tony Carreira.

K: É. Até tenho uma história engraçada desses tempos de apanha-bolas. Foi num Benfica-Steaua Bucareste, acho que o Rui Águas marcou dois ou três golos. Eu nesse jogo estava a apanha-bolas e fiquei na zona da baliza, ali dos lados. A certa altura fui buscar a bola e pu-la na marca do pontapé de canto. O Pacheco na altura chegou lá e nem mexeu na bola, porque eu tinha ajeitado a relva à volta quando coloquei a bola. O Pacheco bate o canto e o Rui Águas de cabeça fez o golo. Eu andei a semana toda a dizer que eu é que tinha preparado a bola (risos). Depois subo a sénior e jogo com eles, Rui Águas, Pacheco, Mozer, aqueles que eu andava a apanhar bolas acabei por jogar com eles.

O Passado Também Chuta | Liedson, “o levezinho”

Liedson, o “levezinho”, foi uma das figuras marcantes da história recente do Sporting Clube de Portugal. O avançado que se viria a tornar internacional por Portugal, destacou-se como o melhor marcador estrangeiro com a camisola leonina, superando Yazalde.

Liedson Muniz iniciou o seu trajeto no futebol ao serviço de clubes modestos, como o Poções e o Prudentópolis. Em 2001, já com 23 anos, rumou ao Coritiba FBC, emblema que representou durante duas épocas, somando 20 golos em 29 jogos. As exibições do avançado impressionaram e levaram Liedson para o Clube de Regatas do Flamengo. No ano 2003, voltaria a transferir-se desta vez para a cidade de São Paulo e para vestir a camisola do SC Corinthians. Nessa temporada, o “levezinho” contribuiu com 22 golos em 33 jogos, ajudando o clube a conquistar o Campeonato Paulista.

No verão de 2003, o Sporting Clube de Portugal adquiriu o passe do avançado, num negócio na altura avaliado em cerca de 3,2 M€. Liedson deixava assim o SC Corinthians e rumava ao futebol europeu para fazer história no clube de Alvalade. Em oito épocas de leão ao peito, o “levezinho” apontou 172 golos e disputou 313 jogos.

Na temporada 2004/2005, Liedson fez parte da histórica campanha dos leões na Taça UEFA. O Sporting chegou à final, que se disputou no Estádio José Alvalade, eliminando clubes como AZ Alkmaar, Newcastle United FC, Feyenoord e Middlesbrough FC. Nesta caminhada, o “levezinho” marcou nove golos, entre os quais um deles na mágica partida de Alkmaar, onde os leões carimbaram passaporte para a final. Mais tarde, viria a tornar-se o melhor marcador do Sporting Clube de Portugal nas competições europeias com 26 golos, superando João Lourenço e Manuel Fernandes.

Na sua passagem pelo Sporting CP, Liedson conquistou duas Taças de Portugal e duas Supertaças. No dia 27 de maio de 2007, no Estádio do Jamor, o “levezinho” resolveu a final diante do CF “Os Belenenses”, com um golo de cabeça assistido por Miguel Veloso. Em termos individuais, Liedson foi duas vezes o melhor marcador do campeonato português, nas épocas 2004/2005 e 2006/2007.

Liedson despediu-se dos sportinguistas no dia 4 de fevereiro de 2011. O Sporting CP disputava a 18ª jornada da Primeira Liga com a recepção à Naval 1º de Maio, registando um empate a três golos. Na sua derradeira partida de leão ao peito, apontou dois golos, sendo mais uma vez decisivo. O “levezinho” iria assim regressar ao SC Corinthians, aos 33 anos, numa transferência avaliada em 1,8 M€.

Neste regresso de Liedson ao Brasil, voltou a ser decisivo no “timão”, durante uma época e meia. Neste período venceu dois títulos, o Brasileirão e a Copa dos Libertadores. Antes de terminar a carreira, voltou a vestir a camisola do CR Flamengo em 2012. No entanto, na época 2012/2013, rumou ao FC Porto, onde jogou apenas 7 jogos, despedindo-se dos relvados na última jornada do campeonato frente ao Paços de Ferreira e celebrando o título.

Liedson ficará para sempre na história do futebol leonino, um avançado móvel, tecnicamente evoluído, que impressionava pela impulsão e pelo instinto goleador. Ao longo de oito temporadas, o “levezinho” deixou uma marca no Sporting pelas suas características, pelos golos, pelas assistências e pela sua garra. “Liedson Resolve!”

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Os 5 reforços para o FC Porto por menos de 30 milhões de euros

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Foi sabido durante esta semana que os dragões pretendiam adiar o reembolso do empréstimo, no valor de 35 milhões de euros, para o próximo ano, muito por causa dos efeitos da pandemia do novo coronavírus. Com o clube a ser, recentemente, intervencionado pelas medidas do fair-play financeiro da UEFA, o orçamento para transferências do FC Porto terá de ser reduzido. Sendo assim, a solução pode passar por procurar jogadores que terminem o contrato neste verão ou jogadores da Primeira Liga que, por norma, têm um valor de mercado mais baixo.

Posto isto, o Bola na Rede construiu uma lista de cinco jogadores que poderiam ingressar no FC Porto por menos de 30 milhões de euros. Dois deles seriam por transferência “paga” e os restantes seriam por assinatura de contrato, uma vez que a partir dos próximos meses serão jogadores livres.

Os 5 guarda-redes em destaque na Liga Portuguesa

Hoje falamo-vos dos guarda-redes em destaque da Primeira Liga. Curioso, pois esta posição nunca teve muito importância para mim quando era mais novo. Durante anos foram como que figuras secundárias para mim, talvez influenciado pelos tempos de escola em que o menos dotado tecnicamente ouvia – “vais para a baliza” -, ou vidrado pela classe, capacidade técnica e dinâmica dos jogadores de campos.

Desde há uns anos para cá e quanto mais fui estudando a posição, cresceu o interesse, cresceu a admiração e posso dizer que hoje é das minhas posições favoritas. O guarda-redes além de ser a posição mais complexa e mais difícil, assume um papel absolutamente fundamental, não só no futebol de 11, como no futebol de praia, no futsal, no hóquei ou no andebol. Simplesmente em qualquer um destes desportos, ou a equipa tem um guarda-redes de topo ou dificilmente atingirá os níveis de rendimento pretendidos. Sendo assim, vamos fazer uma viagem pela Primeira Liga e analisar os cinco guardiões que mais me têm impressionado esta época.

Gabriel Appelt Pires | O regresso

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Após a tão esperada decisão do regresso do campeonato, as equipas procuram no espaço de um mês recuperar da paragem competitiva e aumentar os índices físicos, como se de uma pré-época se tratasse. E quem melhor para beneficiar desta paragem que Gabriel Appelt Pires?

Afastado dos relvados desde 4 de fevereiro, acreditamos que o seu regresso à competição seja uma excelente notícia para Bruno Lage, aumentando a confiança para a perseguição ao primeiro lugar. Veremos ainda se o interregno competitivo suspendeu, ou se deu por terminado, o período mais instável e inconsistente na era “Lage”.

Em cada equipa há um lote reduzido de jogadores, que pela sua presença em campo, conseguem transmitir uma confiança extrema aos colegas, treinador e próprios adeptos. No SL Benfica um desses casos é Gabriel. Exemplo disso, na presente temporada, com o médio em campo em 24 partidas, os encarnados contabilizam apenas duas derrotas, ambas na Liga dos Campeões.

Talvez ainda mais elucidativo da influência do médio brasileiro e da importância do seu contributo nos resultados da equipa, seja mesmo notar os resultados na sua ausência. Desde o seu afastamento por lesão, a equipa iniciou um ciclo de oito jogos, apenas conseguindo uma única vitória. Certo que dados estatísticos valem o que valem, no entanto, no caso de Gabriel não há como dissociar deles.

Como justificar desportivamente tamanha dependência e influência do médio encarnado?

Com o camisola 8, defensivamente, volta uma capacidade de recuperação de bola mais eficaz, consistente, aliada a uma intensidade de pressão inigualável no plantel, e seguramente em toda a Liga Portuguesa. Sempre podemos dizer que também Florentino demonstra forte capacidade de recuperação, no entanto não tem sido alternativa direta a Gabriel e a sua capacidade evidencia-se sobretudo em antecipação e não no desarme propriamente dito, mais físico e de choque.

Regressa um conhecimento tático mais refinado, no que à ocupação de espaços, exigível a um médio num esquema de 4-4-2, diz respeito. Daí que a sua amplitude de movimentos seja tão alargada, com preenchimento de grande parte do terreno e participação em todos os momentos do jogo.

Ofensivamente, desde logo proporciona uma solução de construção adicional, face à construção a três que vem sido assegurada por qualquer um dos médios. Ainda que seja uma solução que comporta mais riscos, consegue com facilidade ser uma solução de passe na frente dos centrais, onde as suas rotações de costas para o adversário são capazes de eliminar linhas de bloqueio adversárias. Não é um médio de sair da pressão em posse, é, contudo, um médio com um controlo do espaço e de bola muito favorável a rotações perante os adversários.

Desde a lesão de Gabriel, o SL Benfica disputou oito jogos e venceu apenas um
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Como ponto diferenciador e mais entusiasmante, volta a verticalidade no último passe. Gabriel consegue produzir mais verticalidade no último passe que o próprio Taarabt, que utiliza este estilo de passe, sobretudo, em desbloqueios e rotura de setores, ainda que longe do último terço. Diria mesmo que o médio que mais se assemelha a Gabriel é Samaris, no entanto, o momento e pensamento do passe é completamente distinto, sendo mais refinado o do brasileiro, criando mais perigo em zonas frontais da baliza.

Gabriel permite um maior envolvimento coletivo em fase atacante, quer através de repentinas mudanças de flanco, capazes de desbloquear qualquer organização defensiva, quer pela procura dos laterais em fase mais avançada do terreno, potenciando toda uma dinâmica que sem Gabriel poucas vezes se evidencia.

Esta sua capacidade de imprevisibilidade e de passe proporcionam um SL Benfica mais vertical, ampliando o espaço entre setores do adversário e capaz de potenciar o jogo entre linhas tão querido a Pizzi, Chiquinho, Taarabt ou Rafa.

Nas bolas paradas, quando comparado com a maioria dos médios do plantel encarnado, surge mais qualidade e agressividade no cabeceamento, seja defensivamente ou ofensivamente. Relembre-se o golo de cabeça ao FC Famalicão a contar para a Taça de Portugal, que deu a vitória do SL Benfica já nos descontos.

Não podemos dissociar o seu regresso de um previsível aumento de passes falhados por jogo, ainda que insista em alternar o par de botas clássico constantemente. Surgirá maior quantidade de perdas de bola desnecessárias, uma menor circulação e fluidez no meio campo defensivo, aliado a um excesso de tempo com a bola nos pés, provocando uma lentidão do jogo em certos momentos.

Cremos, contudo, que os benefícios são amplamente superiores aos pontos negativos que possam advir do regresso de Gabriel. Ainda que lento, por vezes, consegue gerir bastante bem os momentos do jogo e perceber exatamente o que a equipa precisa, sendo o elemento mais esclarecido e potenciador do melhor SL Benfica de Bruno Lage.

Artigo revisto por Diogo Teixeira