É no Birmingham City que está a nascer a próxima estrela do meio-campo inglês. Jude Bellingham, de apenas 16 anos, está na sua primeira temporada ao serviço da principal equipa do clube que sempre representou. Nascido em Stourbride, a cerca de 15 quilómetros de Birmingham, foi na segunda maior cidade do Reino Unido que teve a sua oportunidade num clube de maior nome do futebol britânico.
Promovido ao plantel principal dos “Blues” no início da atual temporada, tornou-se no mais jovem jogador de sempre a representar a equipa ‘A’ do clube. Atualmente, conta já com mais de dois mil minutos somados só na Segunda Liga Inglesa, tendo ainda participado em encontros da Taça de Inglaterra e da Taça da Liga. Os quatro golos que já apontou (incluindo um na sua estreia a titular, frente ao Charlton Athletic) e a sua veia de líder, como se fosse já um dos mais experientes do plantel, valeram-lhe comparações com Frank Lampard.
A grande versatilidade que possui tem sido bastante aproveitada pelo técnico Pep Clotet, que já utilizou Bellingham em variadas posições, tanto no meio-campo como até no ataque. Todavia, a preferência do jovem inglês é de jogar no centro do terreno, o que lhe permite ter mais vezes a bola e pautar o jogo ofensivo da equipa. Quando é um dos médios interiores no 4-4-2 de Clotet, procura combinar com o médio ala e com o lateral do lado em que se encontra, formando um triângulo e criando superioridade em relação ao lateral e ao ala adversários.
Para além das boas exibições ao serviço do clube, Bellingham tem dado nas vistas quando representa as seleções jovens de Inglaterra. Num recente torneio amigável, na Polónia, capitaneou os sub17 dos “Três Leões” até ao sucesso, marcando frente a Finlândia e Áustria e contribuindo para a vitória na final contra a seleção anfitriã.
A sua juventude, que se traduz numa grande margem de progressão, aliada à maturidade e confiança com que já encara o jogo, fizeram despertar as atenções de imensos “grandes” por toda a Europa. Tem sido o Manchester United que tem aparecido como o candidato principal a assegurar a contratação do jovem prodígio inglês já para a próxima época. No entanto, nas últimas semanas surgiram rumores de que o Borussia Dortmund estava disposto a oferecer 35 milhões de euros pelo jogador, mas o Birmingham só admite negociar por valores perto dos 50 milhões.
Jude Bellingham será, sem qualquer dúvida, uma das figuras da nova geração do futebol inglês. Como referi acima, a maneira destemida com que encara o jogo fazem com que não tenha medo de errar, por um lado, e com que não desista de nenhum lance em que participa, por outro. Se será em Manchester, Dortmund ou noutra cidade europeia que desenvolverá o seu jogo, ainda não se sabe, mas o jovem de Birmingham parece estar preparado para começar a pisar os grandes palcos.
Chegou a Alvalade na época 2012/2013 com a finalidade de abrir portas à marca Sporting CP no mercado indiano. Com Godinho Lopes na presidência, o avançado e capitão da seleção indiana, na altura com 28 anos, ingressou na equipa B dos Leões. Acabou por regressar à Índia, ainda na mesma época, emprestado aos Churchill Brothers SC, após 3 jogos pelos “bês” do Sporting, somando um total de 43 minutos. Na época seguinte não voltou a Portugal, ingressando no Bengaluru FC a custo zero, clube indiano, onde ainda hoje é jogador.
Numa entrevista recente ao site da liga indiana, Sunil Chhetri abordou a sua passagem pelo Sporting CP, onde confessou que foi para a equipa B após Ricardo Sá Pinto, na altura treinador dos Leões, lhe dizer que não tinha qualidade para a equipa principal. Ainda acrescentou que, para seu azar, a equipa B era melhor que a A.
My Journey ft. Sunil Chhetri @chetrisunil11 talks us through his remarkable footballing career, narrating stories from his childhood, his first call up and much more.
Estatisticamente, não faz sentido comparar equipas A e B, pelo facto de atuarem em diferentes campeonatos e se regerem por diferentes metas. Por isso, vamos destacar os craques que brilharam pela equipa B em 2012/2013, época onde foi alcançada a melhor classificação de sempre da equipa secundária dos leões na segunda liga, o 4º lugar.
Internacionalmente conhecidos como os “Palancas”, a Seleção Angolana tem andado arredada de bons resultados no panorama das Seleções, seja em Mundiais ou no ACN (African Nations Cup).
São alguns os fatores apontados para este pouco sucesso Angolano nas competições oficiais, e se à primeira vista parece que é evidente a maior qualidade de algumas seleções africanas como a Argélia, Nigéria e Egipto, a história podia ditar-se de outra maneira se vários jogadores optassem por representar os Palancas nos seus compromissos internacionais.
Hoje escolhi, e vou-vos apresentar o onze do seculo que a Seleção Angola poderia ter tido.
Manuel Ventura Cajuda de Sousa, o treinador que não festeja golos, esteve à conversa com o Bola na Rede e dá-nos uma lição de bola à antiga. De ideias claras e discurso assertivo, fala-nos do passado em Leiria, na Madeira e no Minho, onde foi Tio e herói, enquanto dá lições de liderança, gestão de plantel e psicologia. Fora de Portugal, encontra a desorganização no Zamalek, onde teve 10 presidentes num ano, descobre o “filão” nos Emirados Árabes Unidos, onde os seus desejos eram ordens e não faltava nada, e aprende que na China a palavra mais é importante é “mas”. Por fim, partilha os seus objetivos para o Leixões e a sua visão sobre o estado do futebol português e os desafios para o futuro.
– A ocasião faz o treinador –
Bola na Rede [BnR]: Como é que surge a oportunidade de ser treinador?
Manuel Cajuda [MC]: Não fazia parte do meu horizonte enquanto jogador, foi uma questão de oportunidade, foi-me dada pelo Presidente do Farense na altura, o sr. Fernando Barata. Eu não queria ser mas ele foi de tal forma insistente no pedido que acabei por ficar como ajudante do Mladenov. Continuei como jogador e capitão e disse que ajudava como capitão, não como um futuro treinador, porque não fazia parte dos meus horizontes. Depois comecei, colaborei e ajudei com honestidade perante o compromisso que tinha feito.
BnR: Quando é que conseguiu mudar o “chip” de jogador para treinador?
MC: Penso que levei algum tempo para despir a camisola de jogador, cerca de 10, 11 meses e então comecei a achar que era qualquer coisa de fascinante a carreira de treinador. Agarrei-me a ela com unhas e dentes, tive sorte, consegui progredir, tenho jeito, continuo a adorar e acabei por, e espero continuar, a fazer uma carreira que me orgulho, que me dá satisfação e que foi aquilo que foi possível fazer.
BnR: Quais os treinadores que o influenciaram mais na sua carreira de treinador?
MC: Eu sou muito pouco influenciável (risos). Não me deixo influenciar com facilidade, tento sim absorver as coisas que eu acho que são boas, que são úteis e que me fazem evoluir. Isso também quer dizer que não vou referenciar seja quem for pelo aspeto positivo, porque ao fazê-lo estou seguramente a desapreciar alguns que não forem nomeados e isso não me parece justo. Aprendi com todos, aprendi com bons, com maus…
BnR: O que é que aprendeu com os maus treinadores?
MC: Foi muito importante aprender a não fazer algumas das asneiras que eu vi serem cometidas enquanto atleta, sobre as diferentes áreas. De todos tirei um pouco e juntei aquilo que fui aprendendo desde o início, quando comecei do zero. Na altura, depois desse conhecimento que fui adquirindo, juntei imaginação, hoje chama-se criatividade, e fui utilizando os conhecimentos que fui adquirindo sempre com a imaginação, o que quer dizer que fiz, pelo menos na minha ótica, aquilo que é mais aconselhável.
BnR: É mais difícil treinar a equipa e ensinar os processos de jogo ou gerir as pessoas, os egos? Ou seja, é mais difícil o trabalho no treino e depois durante o jogo ou a gestão do plantel/humana?
MC: Talvez seja mais difícil gerir o plantel/parte humana. Também é verdade que atualmente o conhecimento está mais acessível a todos, incluindo aos jogadores, eles hoje têm um maior conhecimento do que é a sua profissão, dos parâmetros em que ela se deve gerir. O pôr em prática no treino penso que é a parte mais fácil, o que acho interessante e para mim é fundamental é conseguir transmitir e fazer com que os jogadores aceitem essa ideia, esse princípio, essas regras. Depois é muito mais fácil pôr em prática no campo aquilo que são as nossas ideias, os nossos métodos de trabalho, o nosso modelo de jogo e a forma como o modelo de jogo vai influenciar a utilização dos sistemas táticos. Não basta dizer que tenho uma ideia, é preciso fazer com que eles compreendam primeiro e depois aceitem as ideias e aquilo que nós pretendemos pôr em prática.
BnR: Chamaram-lhe louco há vinte e tal anos quando foi o primeiro treinador em Portugal a ter um psicólogo na equipa. Como é que se apercebeu dessa necessidade?
MC: Não me parece que tenha sido um ato de inteligência da minha parte. Parece-me acima de tudo que foi um ato de compreender e aceitar que o futebol, já nessa altura, precisava de ciências envolventes que podem ajudar a praticar um melhor futebol. De há uns anos para cá, começou a aparecer a psicologia mais direcionada para o desporto e o futebol. É um dos fatores importantes porque no fundo é a ciência que estuda o comportamento humano. Muitas vezes não é a que antevê o comportamento humano, é a que estuda o comportamento humano. Eu comecei a perceber que não entendia tudo do comportamento dos meus jogadores e era preciso que alguém me falasse sobre isso para poder gerir melhor o meu grupo.
BnR: No fundo, ver e entender a pessoa para lá do jogador.
MC: Sim. O comportamento das pessoas às vezes é inexplicável, provoca-nos uma série de interrogativas às quais nós de momento não somos capazes de encontrar resposta mais imediata e nada melhor que ter na minha equipa técnica alguém que me pudesse fazer compreender, tirar melhor rendimento dos jogadores e ensinar-me aquilo que queria. Porque se olharmos bem, não é de agora, há já alguns anos que se fala na forma tática, na forma técnica, na forma física, na forma psicológica e todos esses aspetos são importantes. Eu tinha necessidade de aprender e solicitei isso.
BnR: Como é que o grupo lidou com isso na altura?
MC: Foi muito estranho na altura porque toda a gente entendeu mal, inclusivamente os jogadores pensaram “Nós não somos malucos, não precisamos de um psicólogo”. Mas aquilo que eu entendi logo é que um psicólogo não era só para os jogadores e hoje cada vez tenho mais essa ideia, que o psicólogo é para o grupo. O grupo inclui, na minha opinião, o treinador, a equipa técnica, os roupeiros, o departamento médico, todos aqueles que verdadeiramente fazem parte do grupo. Portanto, o psicólogo é para o grupo, não é para os jogadores e às vezes o meu conselho é que os treinadores bem precisam de ter um psicólogo ao lado, precisam mais do que os jogadores.
BnR: Na União de Leiria, chega à final da Taça de Portugal em 2002/03. Era missão impossível derrotar aquele FC Porto de Mourinho?
MC: Impossível não era mas que era muito difícil era. Aliás, difícil não porque não conseguimos. O FC Porto de José Mourinho era uma equipa que fez “só” isto, ganhou a Liga dos Campeões e a Taça UEFA em dois anos seguidos. Ainda por cima tinha uma característica muito interessante, é que tinha levado três ou quatro jogadores da União de Leiria, portanto eu fiquei com a equipa enfraquecida. Fomos capazes de lutar com eles, perdemos 1-0, o jogo não foi muito fácil para o FC Porto. Lembro-me que se dizia que uma final entre o Leiria e o FC Porto não era uma coisa emocionante e eu respondi ao José Mourinho “Qualquer final que tivesse o FC Porto era um jogo muito interessante”. O Leiria é que ia fazer parte dessa situação. Ganharam os melhores, ganhou o FC Porto, ganhou o melhor treinador.
Manuel Cajuda levou a U. Leiria à final da Taça de Portugal Fonte: Facebook Manuel Cajuda
BnR: O que é que disse aos jogadores antes do jogo?
MC: Esses jogos não têm grandes argumentos para um treinador os estar a motivar. O próprio jogo em si, vejamos pela parte dos treinadores: eu sempre ouvi os meus colegas dizerem que é um sonho estar no Jamor. Para mim, o sonho já estava concretizado, eu estive no Jamor. O mesmo acontece aos jogadores. A questão emblemática à volta da Taça, a prova rainha do nosso futebol, não a prova mais importante mas a prova rainha, é conseguir chegar ao Jamor. Isso dá uma visibilidade, quer aos jogadores, quer aos treinadores e até aos clubes, que provoca vários tipos de motivação. Aquilo que é necessário fazer naquela altura é agarrar em todos os “rios” motivacionais e tentar juntá-los ao serviço do grupo mas penso que não é tão necessário motivar num jogo desses.
BnR: Quem era esta equipa da União de Leiria?
MC: Muitos, os craques eram todos. Jogadores de eleição… O Helton, o Silas, o capitão Bilro. Havia uma série de jogadores mas não é elegante da minha parte referir só alguns. Claramente uma das melhores equipas da União de Leiria, pelo menos pelos resultados que alcançou. Foi a melhor época de sempre da União de Leiria, nunca ninguém fez igual. Há um 5º lugar também um ou dois anos antes com o Manuel José só que nós somámos esse 5º lugar e a final da Taça de Portugal, com a consequente qualificação para a Taça UEFA.
BnR: Na época seguinte, consegue a qualificação para a Taça UEFA com o CS Marítimo. Depois no ano seguinte só faz um jogo e sai. Porquê?
MC: É realmente uma das melhores épocas, mesmo agora passados estes anos todos, e há o apuramento para a Taça UEFA. Depois na segunda época eu sou demitido após o primeiro jogo.
BnR: Porquê?
MC: O porquê não é muito interessante. Provavelmente terá havido alguma coisa que não correu bem no relacionamento entre mim e o sr. Presidente [n.d.r. Carlos Pereira]. Hoje continuo amigo dele, continuo a dizer que ele é um extraordinário presidente, acho que é dos melhores que tive. Mas houve coisas que ele não entendeu ou que pelo menos entendeu de uma forma diferente da minha. É presidente, está no direito de alterar, alterou. Continuo a dizer, e já falei disso com ele depois, há algumas coisas que ele eventualmente terá razão e outras que ele eventualmente terá entendido de uma forma diferente. Eu só posso ser responsabilizado por aquilo que digo, não por aquilo que os outros deduzem, só posso ser responsabilizado por aquilo que faço e não por aquilo que os outros deduzem que eu faço. O erro está repartido entre as duas partes.
BnR: Disse há uns tempos que faltava intensidade ao futebol português. Sente que isso se deve ao pouco tempo de jogo útil que temos em Portugal?
MC: Há que esclarecer uma coisa muito pequena. Eu quando digo que falta intensidade ao futebol português não estou a falar mal do futebol português ou dos meus colegas, estou apenas a dizer que o futebol português melhorará muito se tiver mais intensidade. Aliás, os melhores campeonatos na Europa dizem-nos exatamente isso: Espanha, Inglaterra tem muito mais, Alemanha também, até a Itália tem uma intensidade grande. Nós em relação aos cinco melhores campeonatos da Europa temos uma pausa de intensidade. Essa pausa de intensidade muita gente entende logo que é um défice de trabalho físico. Não é só, mas também é. Eu considero que há pouca intensidade na forma de pensar e aqui incluo logo o aspeto primordial que é a visão, quer a direta quer a periférica, porque se percebe muito pouco daquilo que cada jogador tem na envolvência da visão periférica.
BnR: Essa pouca intensidade está relacionada com a velocidade a que se joga?
MC: Sim, somos lentos a pensar quando ganhamos a bola, somos lentos na recuperação da posse de bola, somos lentos a reposicionar no aspeto tático e esse pensamento pouco intenso provoca … levamos mais tempo a executar, mais tempo a querer surpreender o adversário. Levamos muito tempo a definir aquilo que queremos construir, a fase de construção é excessivamente grande, mesmo que seja em segundos é excessivamente grande, e isso permite sempre ao adversário a contra-arma de se reorganizar. Um exemplo fascinante é o Liverpool FC, porque eles praticamente parece que não têm fase de construção. Parece que constroem a uma velocidade impressionante, não estão à espera do erro do adversário, eles provocam o erro do adversário e aqui se traduz a falta de intensidade que eu gostaria, como treinador e como espetador porque vejo muitos jogos, ver melhorada. Aquilo que digo e aponto como uma deficiência que me parece evidente, em relação aos restantes campeonatos da Europa ainda é mais evidente, só com muito diálogo se consegue melhorar. Gostaria muito que no futebol português todos os jogos fossem entre duas equipas que querem ganhar, taco a taco. Há muitas equipas em Portugal que dizem que enfrentam o adversário cara a cara… cara a cara mas parados (risos).
A irrupção da epidemia de Coronavírus tem tido repercussões negativas, de uma forma geral, em vários domínios da sociedade e o futebol não constitui exceção. Com praticamente todas as provas a se encontrarem suspensas desde meados de março, este surto tem causado bastantes constrangimentos (nomeadamente no plano financeiro).
A título de exemplo, e segundo um estudo publicado recentemente pelo CIES Football Observatory, organismo responsável por investigar fenómenos relacionados com o «desporto-rei», estima-se que o valor de mercado das cinco principais ligas europeias (Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França) decaia 28% até 30 de junho de 2020. Por cá, a fim de tentar atenuar as consequências que decorrem da interrupção das atividades desportivas, a Federação Portuguesa de Futebol criou um fundo de apoio ao qual todas as entidades nela registadas poderão recorrer (caso cumpram alguns requisitos): por exemplo, cada clube do Campeonato de Portugal poderá requerer até um máximo de 35 250 euros (valor repartido por duas prestações mensais: uma em maio e outra em junho).
Assim, e ainda que a retoma de quase todas as competições a nível internacional permaneça (para já) uma simples miragem, o «desporto-rei» é, como já se viu, uma importante fonte de receita a nível nacional e, como tal, nunca poderá parar na totalidade. Ora, tendo isto em atenção, o Bola na Rede tentou procurar respostas para a forma como muitos profissionais (desde logo, a começar pelos próprios jogadores) se estão a reajustar perante este cenário de crise e se esforçam por dar continuidade à sua rotina de trabalho.
Para isso, contámos com a ajuda de uma agência de futebolistas, a Team of Future (a quem desde já se agradece, pela disponibilidade revelada para colaborar). Neste momento de crise, o teletrabalho tem sido a solução. No que toca ao futebol, o panorama tem sido o mesmo: grande maior parte dos atletas tem treinado em casa, seguindo planos específicos orientados pela sua equipa técnica.Os jogos não se realizam há mais de um mês e, naturalmente, isso poderia trazer entraves ao nível de scouting tendo em conta que está tudo parado.
A este respeito, Bruno Carvalho Santos, Diretor Geral da Team of Future, apresentou-nos soluções para tal. Hoje em dia existem as mais diversas ferramentas que avaliam o desempenho de um jogador. O Wyscout ou até mesmo o InStat são plataformas com que as agências, nomeadamente a Team Of Future, trabalham nesse sentido: observar novos jogadores e avaliar os já contratados.
Com todos remetidos ao isolamento das suas casas, a comunicação segue com um papel fundamental no que diz respeito às relações entre os jogadores e as suas agências. Neste sentido, a TOF tem promovido reuniões: “(…) a comunicação entre nós, funcionários, está condicionada e, então, privilegiamos as reuniões online (dia sim, dia não, com todos), durante 2h30, onde, por reunião, vamos alternando entre Futebol Formação e Futebol Profissional”. Se não conseguem acompanhar os jogadores presencialmente, as agências têm tentado estar a par da realidade de cada cada jogador através das mais diversas tecnologias ao nosso dispor nos dias que correm.
Em suma, e tal como em muitos domínios da sociedade, também os profissionais do desporto não cessaram a sua atividade. Deste modo, e ainda que a bola não role dentro das «quatro-linhas», o futebol continua a jogar-se.
Hoje falamos sobre um eventual regresso. FC Paços de Ferreira x Vitória SC, Leixões SC x SC Farense, Clube Condeixa ACD x CD Fátima e Sporting CP x SL Benfica: o que têm em comum estes jogos? Antes da interrupção forçada causada pela pandemia covid-19, estas foram as partidas que nos deram o último vislumbre de Primeira e Segunda Ligas, Campeonato de Portugal e Campeonato Nacional Feminino, respetivamente.
Quase dois meses volvidos e a competição continua parada. Com a luz ao fundo do túnel anunciada pelo Presidente da República e com os clubes a firmar datas para o regresso ao trabalho, importa perceber o que está em causa e de que forma é que isso pode ser feito.
Em primeiro lugar, há que perceber que para além do espetáculo “da bola” e do fanatismo, estão jogadores, treinadores e funcionários, todos com famílias, e cujos rendimentos estão ameaçados. Os jogadores a ganhar milhões em Portugal são poucos e convém estender o olhar até ao Campeonato de Portugal, onde os treinos semanais e o jogo ao fim de semana traz o essencial pão para a boca daqueles clubes e respetivas estruturas.
Quanto às vozes que se levantam relativamente ao quão bem se vive sem futebol, também me merecem algumas palavras. Pegando numa expressão tão querida a Sérgio Conceição e uma ideia repetida por Bruno Lage desde a sua chegada ao SL Benfica, as pessoas preferem “falar do futebol do que de futebol”.
A tática, o aspeto psicológico, as escolhas arrojadas ou as decisões falhadas são sempre relegadas para segundo plano – ou plano nenhum – e sobrepostas pelas quezílias entre clubes, guerras de comunicação e perguntinhas que não lembram a ninguém. Desconfio que se valessem pontos, os programas de comentário desportivo teriam mais audiência que o próprio jogo.
O futebol, aquele da relva, do nervoso miudinho pré-jogo, da cerveja no sofá e da euforia ou desilusão após o apito final, esse é essencial a uma sociedade tão dependente do sucesso do seu clube. Visto como um escape para o seu quotidiano, salários ou situações profissionais negativas, o futebol é onde todos se nivelam pelo mesmo gosto, clubes diferentes.
É 𝗢𝗙𝗜𝗖𝗜𝗔𝗟: estamos de volta 👋
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Perante tudo isto, não concebo que se não ache urgente fazer regressar o futebol. No entanto, o regresso não deve ser à força toda nem a troca de qualquer coisa. É de suprema importância garantir a segurança de todos os envolvidos numa partida de futebol, a começar pelos adeptos.
Pelo bem do futebol e dos clubes, o adepto tem de perceber que o seu lugar, até ao fim da época, é em casa. Este primeiro ponto tem de ficar bem esclarecido, ou os pontos seguintes não interessarão para nada. Os ajuntamentos estão proibidos e assim deve ser cumprido. O futebol é do e para o adepto, é certo, mas de forma a ter estádios cheios amanhã, é imperativo que hoje estejam às moscas.
Outra das soluções apontadas seria restringir o fim da competição a uma zona geográfica do país. Os clubes entrariam num estágio prolongado num determinado hotel ou centro de treinos e por lá ficaria até ao fim da prova. Os jogos seriam disputados em dois ou três estádios e evitavam-se as deslocações de ponta a ponta do país. No caso do Campeonato de Portugal, onde as séries já estão divididas geograficamente, esta medida seria redundante.
À semelhança do que se estuda em Espanha, também os grandes clubes podiam abdicar de jogar nos seus estádios e utilizar os centros de treinos para a realização das partidas. Ao não ser permitida a entrada de adeptos neste regresso, a lotação dos estádios deixava de ser importante, a logística seria menor, implicaria menos custos com iluminações, acessos e policiamento.
Na linha dos rumores e “meias-confirmações” que circulam, as conferências de imprensa pré e pós-jogo, bem como as flash, seriam através de vídeo conferência, sendo apenas admitidos no recinto os jornalistas e profissionais destacados exclusivamente para a transmissão da partida.
Um dos maiores problemas, e para o qual não vejo solução agradável, é a interrupção das receitas das bilheteiras para clubes com menor tesouraria, como seria o caso da quase totalidade dos participantes do Campeonato de Portugal.
Ainda que esta prova tenha sido cancelada e os mecanismos de subidas e descidas desativados, há ainda salários para pagar, famílias que desesperam por algo para pôr sobre a mesa. As notícias de solidariedade de presidentes e colegas que albergam e ajudam outros surgem diariamente, mas não é só pela solidariedade que se resolve este problema colossal.
Há uma reforma urgente deste escalão que tem que ser feita. As receitas não são desculpa para tudo. A pandemia covid-19 veio só destapar e agravar os problemas que eram, a muito custo, disfarçados. Os jogos já davam prejuízo quando tudo corria normalmente, mas isso despontaria um novo artigo.
Até lá, desesperamos pelo nosso campeonato, mas com a consciência que o nosso papel, longe da bancada, é, neste momento, um dos mais importantes para que aconteça o regresso e a bola volte a rolar, saudável.
Hoje em dia sabemos do valor que é dado ao resultado no futebol, a importância que é dada à perseguição à vitória e evitar a derrota, independentemente daquilo que seja utilizado para a atingir. Não interessam os meios que são adotados, mas sim aqueles três preciosos pontos. É assim a realidade em muitos casos e isto é preocupante.
Porque não podemos nós aprender com a derrota? Porque não podemos nós aproveitar a derrota para nos reinventarmos? Porque não podemos nós ver a derrota como algo positivo? Porque não podemos abordar a derrota como uma oportunidade de crescimento e desenvolvimento?
Não poderão as constantes vitórias em cima de vitórias “atirar poeira para os olhos”, encobrir falhas e erros, criando estagnação na evolução de um grupo, de uma equipa, de um jogador ou de um treinador? A vitória cria, muitas vezes, conforto inadequado, confiança em demasia e tudo isso, dá aso a facilitismos, erros no processo porque há um desvirtuamento daquilo que deve ser implementado e exigido, há relaxamento.
No que ao futebol de formação se refere, é importante formar jovens e cidadãos competentes e capazes de atuar na sociedade em que se vão inserir, é desejável formá-los a ganhar, mas é essencial que os formemos também com derrotas, que os façamos conviver com as falhas, com os erros, com a ausência da vitória desportiva, porque na maior parte das vezes na nossa vida, vamos falhar e perder. Vão ser mais as vezes que vamos errar do que as que vamos ganhar, por isso é fundamental conviver neste ambiente.
Neste contexto em específico, os erros e as coisas menos bem feitas são constantes, e se não valorizarmos corretamente aquilo que devemos, caímos num precipício. Deve ser valorizado o esforço, a reação ao erro, o cair e levantar e deve-se valorizar a derrota no sentido em que nos vai permitir crescer, alterar processos e formas de estar, exigir que nos entreguemos mais e que possamos trabalhar mais para atingir os objetivos estabelecidos.
Várias vezes já vimos Pep Guardiola depois de derrotas referir que está orgulhoso da equipa, que a equipa trabalhou e se esforçou ao máximo, que foi intensa e que criou muitas oportunidades, no entanto houve um pormenor ou outro em que não estiveram tão bem, mas que não demonstra arrependimento por nada e que a derrota faz parte do jogo, e terminando com a congratulação ao adversário porque foi mais competente.
Esta abordagem ao fenómeno que é o futebol faz do treinador espanhol um dos melhores treinadores da modalidade e não é por acaso. Valoriza a derrota da forma que deve, mas, acima de tudo, faz predominar em si a valorização da entrega e compromisso da parte dos seus jogadores para com o que foi trabalhado e exigido e, desta forma, vai conseguir sempre o melhor de cada um.
No futebol de formação ou em alto-rendimento, a derrota vai sempre existir e o mais importante parte da abordagem que temos perante este resultado, da capacidade de conviver saudavelmente com o falhanço e com o erro, da capacidade que o treinador tem de valorizar a derrota perante os seus atletas e da leitura que é feita por estes com o intuito de que este resultado seja uma oportunidade de crescimento e desenvolvimento, e só assim é que mais depressa cada um se volta a erguer.
Creio que já todos vimos filmes de Hollywood no qual aparecem motoqueiros a percorrer uma estrada que parece não ter fim, a famosa Route 66, conhecida por atravessar grande parte dos Estados Unidos, começando em Chicago e terminando na Califórnia. O que muitos não saberão, é que existe uma estrada similar em Portugal que também atravessa o país de Norte a Sul, começando em Chaves e terminando em Faro, a mítica Nacional 2. Esta estrada nasceu como um incentivo a mobilizar a população para o interior do país, sempre esquecido pêlas pessoas do litoral e pelos governantes, fazendo uma espécie de oposição ao centralismo português e ao litoral, através de um excelente aproveitamento das muitas valências do nosso interior. Naturalmente, foram-se estabelecendo clubes de futebol em volta desta estrada, clubes com orgulho em ser do interior e que, tal como a Nacional 2, têm muitas histórias para contar.
Numa altura em que ainda não podemos ver o melhor tenista português de sempre nos courts, aproveitamos para recordar os títulos mais importantes da carreira de João Sousa.
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João Sousa tornou-se no primeiro tenista português a vencer um torneio da principal categoria do ténis Fonte: ATP World Tour
Kuala Lumpur (2013) – Malásia, 29 de setembro de 2013. Esta é uma das datas mais marcantes na carreira de João Sousa. Neste dia, o tenista natural de Guimarães venceu o seu primeiro título ATP na sua estreia em finais. Na altura, com 24 anos, João Sousa fez um percurso notável no torneio de Kuala Lumpur, ao deixar pelo caminho tenistas como: Pablo Cuevas e David Ferrer (1.º cabeça de série).
Na final, o português defrontou o tenista francês Julien Benneteau. A partida nem começou da melhor maneira para João Sousa, tendo em conta que perdeu o primeiro set por 6-2. Ainda assim, o vimaranense não baixou os braços e foi recompensado com esse esforço vencendo o segundo jogo por 7-5.
No decisivo terceiro set, João Sousa fez break logo no primeiro jogo de serviço de Julien Benneteau e segurou a vantagem até ao fim. Foi com esta reviravolta que João Sousa alcançou o seu primeiro título ATP da carreira. Mas não se ficaria por aqui.
Resultado: João Sousa 2-1 Julien Benneteau (2-6/7-5/6-4)
O SL Benfica é um clube reconhecido pela sua grande capacidade de “ressuscitar” e, até, catapultar carreiras, sendo o caso de Adel Taarabt o paradigma dessa mesma afirmação.
Esta semana, mais uma em que nos encontramos privados do desporto-rei, tentámos elaborar um 11 de jogadores que, por diversos fatores, não se conseguiram afirmar no Glorioso. Vê connosco, então, um XI inicial, organizado num 4-4-2 clássico, de jogadores mal aproveitados pelo SL Benfica.