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Carta aberta ao Sr. Lopetegui – A culpa é do treinador

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Caro Mister Lopetegui,

Tão certo como a morte ou os impostos, em cada temporada desportiva existem vencedores e perdedores. Mais especificamente existe apenas um vencedor e então depois tudo o resto. E para as equipas que não ganham, toda a gente (fãs, staff, directores, jogadores, treinadores, etc…) tem uma opinião sobre porque a “sua” equipa não foi bem-sucedida nessa época.

A realidade é que ganhar um campeonato nunca é fácil. Hoje mais do que nunca, mesmo antes de entrar para a recta final, as épocas são definidas por um jogo ou alguns jogos, a meio caminho para o final. Para alcançar este derradeiro sucesso, o treinador deve ter tido a capacidade de montar um puzzle enigmático, tipo quebra-cabeças, que contém mil ou mais peças, e montado esse quebra-cabeças não apenas uma vez mas semana a semana, pelo campeonato fora. Saber quais são as peças que ele tem à sua frente é um desafio; outro é saber em que ordem colocá-las e, claro, saber por onde começar e quando mudar.

Ganhar um campeonato requer que o treinador tenha sido um verdadeiro líder. Um verdadeiro mentor. Alguém que conhece os meandros de tudo em que está envolvido. As especificidades e as generalidades. Requer que o treinador principal tenha respondido positivamente às adversidades, tenha sido um líder dotado de grande resiliência, entre outras inúmeras coisas que poderá ler nos meus artigos. Como portista que sou não posso admitir que o líder da equipa pela qual eu torço e me emociono, que me alegra quando ganha e me entristece quando perde, desça a um nível tão baixo e demonstre competências parcas para aquilo que representa e para aquilo que aufere.

Julen Lopetegui chegou ao FC Porto no início desta temporada Fonte: FC Porto
Julen Lopetegui chegou ao FC Porto no início desta temporada
Fonte: FC Porto

Mister Lopetegui, eu reconheço-lhe competências técnicas por momentos demonstrados pela equipa. Reconheço também que lhe falta muita coisa para ser o melhor treinador para o meu Futebol Clube do Porto, e posso enumerar-lhe uma lista delas se aceitar a ajuda e permanecer no clube na próxima época. Caso queira ter sucesso no FCP eis o que convém saber:

  1. Durante o defeso desportivo, leia, estude e aprenda muita coisa da cultura e mentalidade portuguesa (várias experiências anteriores em Portugal de treinadores espanhóis nunca deram grandes resultados por falta de identificação e adaptação às realidades nacionais, à excepção do grande Paco Fortes, que fez um trabalho fabuloso à frente do S. C. Farense – vários não tiveram grande sucesso, nomeadamente Camacho, Quique Flores, Víctor Fernandez, Castro Santos, Alberto Pazos, entre outros mais antigos).
  2. Aprenda e compreenda a mística e a maneira de estar com antigos “místicos” do clube: Vítor Baía, Jorge Costa, João Pinto, Rui Barros, Jaime Magalhães, Deco, António Oliveira, Frasco, Costa, André, Gomes, Paulinho Santos, Fernando Couto, etc. Para já não falar do Presidente Pinto da Costa, que deve andar distraído com outras coisas para ainda não ter feito nada (ou se fez ainda não surtiu nenhum efeito visível).
  3. Aprenda a liderar segundo os valores e identidade do clube, pois se não for assim o que transparece cá para fora é que só cá está para ganhar umas coroas… A malta não gosta disso, acredite!
  4. Siga o exemplo de comunicação de alguns novos e inteligentes treinadores que são inteiramente assertivos e coerentes perante a comunicação social e não entram em confusões quando “picados” por agentes da concorrência (por exemplo Marco Silva e Leonardo Jardim). É notório que precisa de ajuda a este nível.
  5. Mantenha um nível alto. Seja portador de standards elevados. Não reaja a provocações de nível mais baixo pois só irá desperdiçar energia. Deixe essa energia nos treinos e nos jogos.
  6. Procure entender que modelos usados no passado podem não funcionar no presente. Não falo de modelos de jogo pois isso é consigo. Qualquer um serve desde que ganhe jogos…
  7. Mentalize-se de que o FCP é o clube que lhe pode proporcionar o momento mais alto da sua carreira que até agora foi pautada por voos relativamente baixos. Reflicta seriamente sobre isso. Pode ser que lhe dê alguma motivação intrínseca.
  8. Seja mais humilde e tenha um orgulho mais positivo. Seja você mesmo aquilo que quer ver nos que o rodeiam.
  9. Deixe de ser um Treinador Cebola (se quiser saber o que significa compre e leia o meu livro “Como Ser Um Treinador de Excelência”). Deixe de arranjar desculpas focando-se na arbitragem, no adversário, no relvado, nos apanha bolas, nas convocatórias, nas lesões dos jogadores, etc. A responsabilidade da sua equipa, dos jogadores convocados, do onze inicial, da maneira como joga, da garra que ela transpira (ou não), dos resultados não é só sua mas em grande percentagem é…
  10. Leia a obra “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu, e aprenda a ser o estratega que me parece que não é.

Por mais razão que possa ter quando fala, perde-a no momento em que olhamos para trás e vemos o percurso e o comportamento da sua equipa. Quando vemos o seu comportamento e o que comunica. O que transparece ou é excesso de confiança ou falta de confiança. Cometer erros todos cometem, mas recusar-se a não aprender com eles é estupidez.

Se ficar na próxima época tenha consciência e assuma para si mesmo que falhou rotundamente em várias ocasiões. O fracasso pode ser um grande aliado mas há que ter a humildade de percebê-lo como um instrumento de realização, que já foi usado por muitas pessoas de grande sucesso que souberam aproveitá-lo. Não espere obter resultados diferentes se fizer sempre a mesma coisa, que eu também não…

Um grande abraço!

Foto de Capa: FC Porto

GP de Espanha: a ambição de Hamilton e a consistência de Rosberg

cab desportos motorizados

Este fim-de-semana, a F1 esteve de regresso à Europa. Com o sol e o calor de Barcelona a emoldurar o espectáculo, Rosberg surpreendeu ao conquistar a pole – a primeira da temporada. Como já vem sendo hábito, os Mercedes dominaram a qualificação, rejeitando a implícita ameaça do Ferrari de Vettel, que saiu da segunda linha. Mas a grande surpresa desta qualificação foi o quinto lugar de Carlos Sainz (Toro Rosso), seguido bem de perto pelo colega de equipa, Max Verstappen. Os Toro Rosso estão a ser a equipa sensação deste Mundial 2015, principalmente o jovem Verstappen. Sainz conseguiu o feito de bater o Ferrari de Raikkonen e o Red Bull de Kvyat.

Com uma qualificação bem animada, a corrida em si foi, ao contrário do esperado, aborrecida. No arranque, Vettel ultrapassou Hamilton e conquistou a segunda posição, com Rosberg a fugir, consolidando a liderança. E se na qualificação não se havia imposto, aqui Raikkonen fez questão de mostrar o que vale: com um arranque fora de série, ultrapassou os dois Toro Rosso logo na primeira volta, conseguindo a quinta posição. Kimi Raikkonen é dos poucos pilotos do meu imaginário de criança que ainda se mantêm em prova, e, assim sendo, rejubilo com estes pequenos feitos do finlandês.

A Mercedes continua a acertar na estratégia de paragem nas boxes, e foi exactamente dessa maneira que Lewis Hamilton recuperou o segundo lugar. Na 51ª volta, Hamilton saiu das boxes à frente de Vettel e practicamente confirmou mais uma dobradinha para a Mercedes. O Mundial de F1 2015 continua dividido: os três da frente demarcam-se, com notável distância, dos outros pilotos. E com a frente da corrida decidida, o interesse deslocou-se para os lugares mais abaixo na classificação.

Os 3 primeiros Fonte: Facebook da Mercedes AMG Petronas
Os 3 primeiros da prova
Fonte: Facebook da Mercedes AMG Petronas

Sainz e Raikkonen protagonizaram os momentos mais emocionantes da recta final da prova. Raikkonen, com os pneus mais macios desde o início, esteve a 0.7s de Valtteri Bottas (Williams), tendo então a possibilidade de colocar dois Ferraris a seguir aos dois Mercedes. Apesar do esforço e da excelente prestação do piloto da Ferrari, Bottas defendeu bem o quarto lugar para a Williams. Já Carlos Sainz conseguiu, quase heroicamente, posicionar-se nos lugares pontuados, ultrapassando Kvyat (Red Bull) num momento quase aparatoso, tendo os dois carros chegado a embater um no outro.

Nota negativa para Pastor Maldonado, que por pouco não conseguiu pontuar pela primeira vez este ano. Depois de uma boa corrida, o venezuelano foi forçado a abandonar. Lewis Hamilton ainda pediu, via rádio, para se aproximar de Rosberg; o inglês chegou mesmo a insinuar que a equipa poderia pedir ao alemão para deixar o companheiro de equipa vencer. Mas a Mercedes mostrou-se irredutível: Nico Rosberg ia mesmo, tal como aconteceu, vencer o GP de Espanha. E agora está a menos de uma vitória de ultrapassar Lewis Hamilton na liderança do campeonato…

Foto de capa: Facebook da Mercedes AMG Petronas

Os cães ladram e a caravana passa

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Ainda nada está ganho. Faltam duas jornadas e temos de manter a concentração e o respeito pelos nossos adversários até ao fim. Ao mesmo tempo que admito a minha descrença no início desta época em relação à possibilidade de o Benfica vir a ser campeão, também confesso alguma ansiedade pelo próximo fim-de-semana. Se tudo correr bem, a festa descerá de Guimarães para Lisboa, num passeio triunfal que consagrará campeã aquela que foi, sem dúvida, a equipa que melhor futebol praticou esta época.

Basta lembrar a irregularidade exibicional do FC Porto no início da temporada (equipa que era apontada quase por unanimidade como a favorita a conquistar o campeonato) e o facto de o Benfica ser líder desde a 5ª jornada (está na frente, portanto, há 27 jornadas consecutivas!) para se perceber quem merece ser campeão. Temos visto nos últimos dias o nervosismo a crescer a norte. E percebe-se porquê. Primeiro, porque o Benfica não mais vacilou desde a derrota em Vila do Conde e, para além disso, tem aperfeiçoado a máquina goleadora e mantido a qualidade do seu jogo num nível alto. Segundo, porque a narrativa do colinho já caiu há muito tempo (vão-se sucedendo os jogos em que não há casos de arbitragem a registar) e agora falta outro argumento extra-jogo para colocar em causa a liderança do Benfica. Terceiro, porque vão ficando para trás os anos em que os troféus ficavam na Invicta (o mais provável é o FC Porto não voltar a ganhar rigorosamente nada este ano) e a hegemonia do futebol português parece agora estar a virar-se para sul e a ganhar tons de vermelho.

Não fui capaz de conter o sorriso quando li, ainda esta semana, um artigo publicado aqui no Bola na Rede, intitulado “Parabéns, Coli…Benfica!”, em que o seu autor, numa luta constante para contrariar o tão famoso provérbio popular “o pior cego é aquele que não quer ver”, aponta várias razões pelas quais acredita que o Benfica não será um justo campeão nacional. Apenas por razões de falta de espaço, comentarei apenas as mais ridículas. Salta à vista a acusação de que a FPF ansiava pelo bicampeonato dos encarnados. Este argumento, se é que chega a sê-lo, é facilmente neutralizado pelo facto de o atual presidente da FPF ter estado, durante quase 20 anos, ligado ao FC Porto. Depois, assiste-se ao já habitual ataque a Maxi Pereira, sem nunca ser referido o nome de Casemiro, que muitas vezes leva a agressividade para lá das regras. O autor fala também das arbitragens, aquelas que, acusa, têm cometido erros atrás de erros a favor do Benfica, expulsaram demasiados jogadores dos adversários do Benfica e, pasme-se, até validaram um golo em fora-de-jogo que permitiu aos encarnados garantirem 3 pontos.

O verdadeiro "colinho" do Benfica é este Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
O verdadeiro “colinho” do Benfica é este
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica 

Embora o autor deste texto peça a quem o lê para que não fale do escândalo do Apito Dourado, escutas telefónicas, caso da fruta e demais ilegalidades em que Pinto da Costa e os dirigentes do FC Porto estiveram envolvidos durante anos, é inevitável que se fale nestes casos, ou melhor, nestes processos. Processos porque se tornaram casos judiciais, que resultaram em condenações e multas e cujas provas que sustentaram a acusação são públicas: as escutas telefónicas. Apesar de os portistas virarem a cara para o lado e taparem os ouvidos quando se deparam com elas, as escutas não desaparecem; continuam a existir e não são mitos nem fantasias. É verdade que o Benfica ganhou 1-0 ao Gil Vicente com um golo irregular, como também é verdade que o FC Porto ganhou em Penafiel marcando três golos irregulares.

Na grande maioria dos jogos em se diz que o Benfica terá sido beneficiado, os eventuais erros do árbitro nem sequer influenciaram o resultado final. E se em muitos jogos o Benfica ficou a jogar contra 10 foi porque os jogadores adversários não encontraram outra solução para suster o poder do Benfica se não recorrer às faltas. O autor do texto acima citado garante que em todos os jogos em que os encarnados ganharam com alguma dificuldade houve sempre ajudas da equipa de arbitragem, para, de seguida, afirmar que o Benfica deveria ter, pelo menos, menos 10 pontos na classificação. Enfim, adiante. Saltemos para a parte em que, e já no fim do artigo, se arranca, a ferros, um esclarecedor “PARABÉNS, BENFICA”.

Tenho a sensação de que depois daquela que, acredito, será uma vitória histórica, porque nos levará ao 34º campeonato nacional, a caravana do título viajará em festa em direção à capital, espalhando os festejos a todo o país e a todas as comunidades portuguesas por esse mundo fora. À passagem pelo Porto, a caravana não vai parar. Aplicar-se-á o lema “Deixem passar o maior de Portugal”.

FC Porto 2-0 Gil Vicente: Vitória à roda de Jackson em festival de desperdício

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Mais uma vitória, mais uma exibição q.b e novamente com o suspeito do costume em destaque: Jackson Martinez. Esta poderia ser uma frase suficiente para descrever uma partida em que o FC Porto não acelerou muito, em que o Gil Vicente pouco ou nada fez em termos ofensivos e em que o avançado colombiano voltou a isolar-se na tabela dos melhores marcadores. Com apenas duas alterações na equipa titular em relação à última jornada – Danilo e Bruno Martins Indi atuaram nos lugares de Ricardo Pereira e Marcano –, os comandados de Lopetegui entraram a querer comandar os ritmos da partida. Do lado gilista, José Mota decidiu emendar à mão relativamente ao último jogo, frente ao Benfica, e decidiu colocar uma equipa com um cariz mais defensivo, colocando a equipa num 4x4x2 clássico com Jander a entrar para o meio campo para o lugar de Rúben Ribeiro, deixando apenas Yazalde e Simy na frente do ataque da equipa gilista.

Mesmo sem imprimir um ritmo intenso no seu jogo, os primeiros minutos trouxeram um domínio territorial portista, com Casemiro, Herrera e Oliver a secarem completamente as possibilidades de contra ataque gilistas. Ainda assim, posicionando-se num bloco baixo, com duas linhas de quatro bem definidas, a equipa de José Mota ia segurando-se no jogo como podia, pelo menos até aos 12 minutos. Nesse momento, Jackson Martinez foi derrubado por Cadú dentro da área, levando Bruno Esteves a apontar para a marca dos 11 metros. Nessa mesma marca, Quaresma permitiu uma boa defesa a Adriano Facchini, redimindo-se segundos depois, com um excelente cruzamento para a cabeça de Jackson, que assinou o primeiro golo da partida, chegando ao décimo nono tento no campeonato português.

Apesar do golo portista, o jogo não mudou de figurino. Do lado portista, a posse de bola não tinha grande velocidade e só a espaços o tridente ofensivo dos dragões ia causando embaraços a um Adriano que quase sempre travou as investidas contrárias, rubricando uma bela exibição. O Gil, apesar de necessitar de pontos como de água para a boca, pouco ou nada ia fazendo no momento ofensivo. A equipa estava presa de movimentos e encontrava-se enclausurada num buraco tático que raramente deixava a equipa chegar ao último terço do terreno. Por isso mesmo, até ao final do primeiro tempo, as oportunidades foram poucas: do lado portista, Herrera teve uma boa situação para marcar mas, de cabeça, permitiu a defesa a Facchini; do lado gilista, a cabeçada de João Vilela levou a bola passar a centímetros da baliza de Helton.

Por ter conseguido ter o controlo do jogo no primeiro tempo e sobretudo por estar em vantagem no marcador, foi sem surpresa que o FC Porto apresentou-se na etapa complementar dentro da mesma toada. Sem nunca carregar muito no acelerador, os dragões continuavam a desperdiçar oportunidades atrás de oportunidades: primeiro Rúben Neves, num remate que passou a centímetros da barra; depois Quaresma, para defesa de Adriano e por último uma dupla bola nos ferros, com Indi e Evandro a estarem perto do 2×0.

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Jackson Martínez foi decisivo na vitória portista
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

No duelo dos bancos, Julen Lopetegui e José Mota procuraram coisas diferentes com as alterações: o técnico portista, com as entradas de Rúben Neves e Evandro para os lugares de Casemiro e Herrera, procurou dar maior rotatividade e intensidade ao jogo portista, que, com o passar dos minutos, ia caindo de ritmo e de produtividade; do lado da equipa de Barcelos, Mota procurou empurrar a equipa para o setor mais avançado, colocando Diogo Viana, Rúben Ribeiro e Paulinho em busca de uma oportunidade que lhe permitisse sonhar com o empate. Ainda assim, a equipa de Barcelos raramente incomodou e só em duas ocasiões levou Helton a rubricar boas intervenções. Pela disposição das equipas, a vantagem magra portista parecia o desfecho previsível do encontro. Isso até ao minuto 86, em que Ricardo Quaresma cruzou de forma perfeita para Jackson que, através de um pontapé de bicicleta, voltou a bater Adriano Facchini, acabando com as esperanças gilistas e colocando um ponto final na partida.

Sem uma exibição de encher o olho, até porque o adversário não o obrigou, o FC Porto somou mais uma vitória no campeonato, que lhe permite acalentar ténues esperanças de chegar ao primeiro lugar. Com apenas dois jogos até ao final da Liga, resta à equipa portista somar os seis pontos em falta e acabar da melhor forma possível o campeonato. Da noite de hoje, sobrou mais uma exibição qb portista, com dois toques de classe assinados por Jackson Martinez: de cabeça e de bicicleta, o Cha Cha Cha provou mais uma vez o porquê de ser o avançado mais produtivo e o jogador mais valioso do campeonato português.

 

A Figura
Jackson Martinez/Julen Lopetegui – À primeira vista achará estranha esta distinção dupla mas a explicação é simples. Em relação ao colombiano, o bis nesta partida é argumento suficiente para lhe dar a distinção de MVP do encontro. O golo de bicicleta é apenas mais uma obra de parte do colombiano que voltou a isolar-se na tabela dos melhores marcadores. Em relação a Lopetegui, a minha nomeação deve-se à conferência de imprensa do técnico espanhol. Concisa, perfeita e em que disse quase tudo. Numa conferência de imprensa em que se falou mais de Jesus do que de futebol, o técnico espanhol disse o que tinha a dizer de uma forma tão incisiva que se calhar explica muito daquilo que se passa no clube. Mas em relação a isso, em próximos textos no Bola na Rede eu explicarei.

O Fora-de-Jogo
Simy – O avançado gilista foi uma completa nulidade durante o tempo em que esteve no encontro. A falta de mobilidade e intensidade no seu jogo fez com que raramente tenha ganho um duelo e com que tenha sido preterido por José Mota. Claramente uma peça a menos numa estratégia que ficou curta em termos ofensivos muito em virtude do jogo paupérrimo do avançado gilista.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

Estoril 1-1 Sporting: Marco Silva não foi feliz no regresso à Amoreira

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Com um tempo convidativo e já com sabor a final de época, os leões apresentaram um onze com algumas novidades, com Jonathan a recuperar um lugar na lateral esquerda e Montero a subir no relvado e a ocupar o lugar de Tanaka. Nani, Slimani e Jefferson ficaram de fora da convocatória, algo que tem vindo a ser já habitual na rotação do plantel que o treinador leonino tem vindo a realizar nas últimas partidas.

O início do jogo foi morno e com pouca velocidade. Só aos dez minutos surgiu a primeira jogada de perigo e para a equipa da casa, numa jogada em que Patrício foi obrigado a sair da área para evitar males maiores. Na resposta o Sporting poderia ter marcado mas Mané deixou-se antecipar quando só tinha que encostar para a baliza de Kieszek.

O jogo voltou a acalmar, com os leões a terem mais posse de bola mas com os visitados a criarem mais perigo; até que, numa jogada de rápido contra-ataque, Fernandinho surge isolado do lado esquerdo do ataque e cruza a bola apara uma finalização de Sebá. Este resultado veio penalizar a apatia verde e branca, que, apesar da desvantagem no marcador, não conseguiu mudar o rumo do jogo até ao intervalo. O futebol dos comandados de Marco Silva procurava sempre cruzamentos para a área, onde Yoann Tavares e Ruben Ferreira continuavam a neutralizar a ameaça de Montero, que só de livre directo assutou Pawel Kieszek.

Montero esteve sempre muito desapoiado durante a primeira parte da partida Fonte: Facebook oficial do Sporting Clube de Portugal
Montero esteve sempre muito desapoiado durante a primeira parte da partida
Fonte: Facebook oficial do Sporting Clube de Portugal

A segunda parte trouxe um Sporting com um maior pendor ofensivo, e que começou cedo a tentar reduzir a desvantagem. O avançado colombiano foi o primeiro a assustar a defesa canarinha, com um cabeceamento que passou perto do travessão da equipa da casa e foi, sem surpresa, que à passagem dos dez minutos da segunda parte a equipa de Alvalade empatou. Livre cobrado por Carrillo e Ewerton emenda um remate de Jonathan Silva.

Um empate que veio por justiça a um jogo em que o Estoril entrou na segunda parte muito mais amorfo que na primeira. Montero e Tanaka ainda estiveram muito perto da reviravolta no marcador, mas Kieszek opôs-se com duas excelentes defesas. Ultrapassada a hora de jogo, a intensidade do jogo voltou a decrescer, e o futebol jogado ressentiu-se. Fabiano Soares optou por tirar Kleber para apostar numa defesa com três centrais, contrariando os dois avançados do Sporting. Algo que acabou por surtir efeito, entrando a partir daí numa fase com muitos passes falhados, muitas bolas pelo ar e pouca capacidade de chegar com perigo a qualquer uma das balizas.

O jogo acabou assim a um ritmo lento e disputado muito a meio campo, sem momentos de apuro em qualquer uma das balizas. O treinador visitante ainda tentou refrescar o ataque com a entrada de Diego Capel e André Martins, mas nenhum dos dois chegou a participar verdadeiramente no encontro.

A Figura:
André Carrillo
– O extremo peruano foi um dos poucos que conseguiram realizar um jogo sempre positivo, contrariando até o marasmo da primeira parte leonina. Mais um encontro que mostra que a renovação com “La Culebra” deve ser uma das prioridades da direcção leonina.

O Fora-de-Jogo:
Primeira parte do Sporting – Já começa a ser uma constante as primeiras partes aborrecidas e vazias de ideias por parte dos leões. Numa altura em que a Taça de Portugal é a principal aposta, os jogadores já devem ter a cabeça na final do Jamor, esquecendo-se de que nesta equipa todos os jogos são para ganhar.

5 Guarda-redes prontos para dar o salto

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Sou o Gonçalo Xavier, gestor da página de guarda-redes A Última Barreira. Foi-me proposto que fizesse um top de promessas para futuros melhores guarda-redes do mundo, mas alargou-se para guardiões mais desconhecidos e para os melhores guarda-redes jovens a actuar em Portugal. Sem mais demoras, começo pelo top-5 de “Desconhecidos” que merecem outros voos:

Lukas Hradecky (Brondby/Finlândia)

Aos 25 anos (faz 26 ainda este ano), já não caminha para novo e o rótulo de promessa tem desvanecido com o passar do tempo. Com vasta experiência em clubes na Dinamarca, o guardião de 1.90m já passou pelo Esbjerg e actualmente joga no histórico Brondby. Curiosamente seguiu para o actual clube depois de uma exibição monstruosa que culminou numa vitória da sua antiga equipa. Com 15 internacionalizações, divide a baliza da selecção principal com outro guardião, que joga na segunda liga holandesa pelo VVV.

Não é um guarda-redes com muita capacidade de bloqueio, preferindo desviar a bola. Possui uma postura muito ofensiva no jogo, ou seja, a maioria das vezes afasta-se da linha de golo de forma a cortar o máximo possível o ângulo ao adversário. Usa bastante a sua agilidade para grandes defesas, sempre com o desvio em mente. Parece talhado para uma equipa que defenda mais, os tais “guarda-redes de engate”, mas penso ter potencial para algo mais. Uma boa opção para alguns clubes europeus, mas, se não der o salto rapidamente, terá tendência para estagnar a sua evolução.

Hradecky tem qualidade a mais para a liga dinamarquesa Fonte: Facebook do Brondby
Hradecky tem qualidade a mais para a liga dinamarquesa
Fonte: Facebook do Brondby

Roman Bürki (Friburgo/Suiça)

Uma das revelações da Bundesliga. Pertence a um clube que está “aflito” para se manter na primeira divisão. Faz 25 anos ainda em 2015, mas está numa situação diferente. É, efectivamente, uma promessa do futebol Mundial, e teve esta época a primeira experiência numa liga mais competitiva (chegou do Grasshoppers, da Suíça). Excedeu as expectativas até dos mais crentes. Que época soberba que está a fazer e, se o Friburgo não desceu já de divisão, bem que pode agradecer ao suíço.

Com 1.87m, é elegante em tudo o que faz. Se defende bem em cima da linha, também o faz fora dos postes. Forte nos cruzamentos, sai pela certa apenas e define bem. Agressivo nas saídas aos pés dos adversários, é difícil de ultrapassar. A sua personalidade e postura em campo gera desconforto ao adversário, encarando-o de frente e não se escondendo do encontro em nenhuma ocasião! Tendo um historial de equipas “fracas” e de contextos competitivos de baixo nível, aprimorou a arte de ser massacrado. E dá-se muito bem com isso, portanto a mudança para um nível de equipa grande podia ser difícil. A sua equipa actual tem pouca pressão para obter resultados. Estará tudo bem se sofrer um golo, apesar de fazer 6/7 defesas por jogo. Numa equipa grande isso não pode acontecer. Tudo depende do contexto em que se joga.

Diz-se que será o substituto de Weidenfeller no Dortmund, e se na primeira época já está a ser associado a um gigante na Alemanha… só se pode esperar o melhor deste guardião! Será certamente alguém a dar o salto qualitativo na sua carreira em breve.

Bürki foi uma das revelações da Bundesliga Fonte: Facebook de Roman Bürki
Bürki foi uma das revelações da Bundesliga
Fonte: Facebook de Roman Bürki

Simone Scuffet (Udinese/Itália)

Bem sei que não é desconhecido para a maioria dos adeptos, mas é alguém que merecia estar numa situação melhor do que ser suplente de Karnezis uma época inteira. Não que o grego esteja mal, mas o menino é demasiado talentoso para não jogar alguns jogos que sejam.

Apareceu aos 17 anos na época transacta na Udinese, aproveitando a lesão de Brkic. E certo é que o mundo ficou fascinado com aquele miúdo que acabava os encontros com mais de uma mão cheia de intervenções. A personalidade em campo e atitude para o jogo deixava os mesmos adeptos com um sorriso nos lábios. Afinal, de onde vinha aquele jovem sem experiência? Certo é que no final da época ainda conseguiu dizer que não ao Atlético de Madrid por estar a pensar na sua educação, e desde então não mais jogou. Teve uma lesão que o afastou dos relvados, e a prestação de Karnezis no Mundial’14 pela Grécia ditou-lhe a titularidade até hoje.

Como referi, tinha uma atitude positiva no jogo, possuindo uns reflexos fantásticos. Fruto talvez da inexperiência, desviava muitas vezes para a frente, e não foram poucas as vezes em que sofria golos em recargas. Mas quando o clube estava mal colectivamente ele dizia presente como podia e acabava a maioria dos jogos sendo massacrado. Isso impressionou os adeptos, que lhe deram o rótulo de uma das maiores promessas em Itália. Ainda irá a tempo? É muito cedo, mas terá, certamente, espaço suficiente para crescer em breve.

Scuffet foi suplente nesta temporada Fonte: Facebook da Udinese
Scuffet foi suplente nesta temporada
Fonte: Facebook da Udinese

Augusto Batalla (River Plate/Argentina) 

Com 19 anos feitos há dias, é suplente no clube argentino do River Plate. Mas foi na selecção argentina de sub20 que se destacou recentemente, levando inclusivamente a contactos do Real Madrid tendo em vista a sua contratação (diz-se que seguirá por empréstimo para Espanha na próxima época). Ajudou a vencer o Sudamericano 2015 sofrendo apenas 2 golos em 5 jogos, contra selecções de valia como o Brasil, Uruguai, Colômbia, entre outros países da América do Sul.

Além da evidente qualidade técnica, evidencia uma característica que o distingue dos demais: liderança. É o capitão da equipa e tornou-se viral um vídeo de um discurso no balneário para os seus colegas antes do jogo do título. E o discurso resultou, pois acabaria por ser campeão. Aquilo eram palavras para um Ceni de 40 anos, não para um jovem de 18 anos. Incrível! Terá um futuro brilhante certamente. Qualidade tem, é inteligente e bastante maduro para a idade. Tem tudo para se evidenciar e vingar num bom clube do futebol europeu.

Augusto Batalla foi um dos líderes da selecção argentina de sub-20 Fonte: goal.com
Augusto Batalla foi um dos líderes da selecção argentina de sub-20
Fonte: goal.com

Bartlomiej Dragowski (Jagiellonia/Polónia)

O mais desconhecido deste top 5, mas com uma qualidade tremenda. Referenciado pelo Benfica recentemente, rejeitou o clube encarnado por querer ter X jogos a titular e ter essa garantia de que não passaria pela equipa B. Pelo menos é o que se diz…

Ainda com 17 anos (vai fazer 18 no final deste ano), já foi titular em metade dos jogos pelo clube polaco, que se encontra em terceiro lugar. Surpreendeu pela qualidade de intervenções e segurança. “Frio”, como é apanágio dos de leste, tem uma tomada de decisão que o distingue. Percebe quando tem de bloquear e quando tem de desviar, e são raras as vezes que compromete.  Mas a beleza das suas intervenções é algo de salutar. A sua confiança em campo com tenros 17 anos é notável. Se estivermos num momento de apreciar um pássaro a voar, assistir aos voos de Dragowski seria um bom serão.

Dragowski é um prodígio do futebol polaco Fonte: ekstraklasa.net
Dragowski é um prodígio do futebol polaco
Fonte: ekstraklasa.net

Chego assim ao fim deste top-5 de “Desconhecidos” que merecem melhor nas suas carreiras. Notas de destaque ainda para Gudiño (a explorar noutro artigo), Karius, Kapino (ambos do Mainz) , Fabri (Corunha), entre muitos outros. Existe bastante qualidade por aí fora, é uma questão de se dar as oportunidades necessárias.

Académica 1-1 Belenenses: Triste sina ver-me assim

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Diz-se, na cidade dos estudantes, que a “Queima é em Coimbra e o resto são fitas”. Algo que pode ser discutido até à exaustão sem se chegar a qualquer conclusão, porém, é legítimo afirmar-se que não há outra cidade no mundo inteiro com um clube que respire tanto a tradição académica como a própria Académica e que, por isso, a Queima das Fitas tenha uma importância maior em Coimbra do que noutras cidades.

Na tarde quente de Sábado, 9 de Maio de 2015, sentiu-se o pulsar da vida académica e da tradição futebolística no Estádio Cidade de Coimbra, das bancadas, salpicadas a negro pelas capas dos mais de 1400 estudantes (entrada gratuita para os “trajados”) presentes, para o campo, onde jogavam dois históricos emblemas do futebol nacional.

Tal como, provavelmente, muitos dos estudantes de Coimbra após uma “noite do parque” (começaram ontem), o jogo demorou a acordar e parecia, ele próprio, ressacado de uma noite bem regada, não querendo fazer “muito barulho” (situações de perigo iminente), que só foi ouvido a espaços, com dois remates perigosos de parte a parte. O primeiro por Ricardo Dias, aproveitando a passividade academista, e o segundo por Aderlan na sequência de uma jogada de fino recorte por parte dos estudantes, com a bola a ir de um flanco ao outro com passes ao primeiro toque e que terminou com um disparo fantástico de Aderlan, correspondido numa grande defesa de Ventura.

A equipa da Académica tem a manutenção quase garantida Fonte: Facebook da Académica
A equipa da Académica tem a manutenção quase garantida
Fonte: Facebook da Académica

No segundo tempo, o jogo pareceu acordar e o espírito festivo parecia estar de volta, impulsionado por um futebol de circulação mais rápida (conforme afirmou Jorge Simão na conferência de imprensa). Não houve mexidas de jogadores até ao minuto 66 mas houve na mentalidade dos jogadores, com a bola a circular mais perto de ambas as áreas e com mais motivos de entretenimento. Fernando Alexandre, após jogada de insistência perto da baliza do Belenenses, rematou por cima e Carlos Martins aproveitou, tal como Ricardo Dias no primeiro tempo, o espaço concedido pela Académica à entrada da sua grande área para rematar com perigo, perto do poste da baliza defendida por Cristiano.

Depois do tal minuto 66, começaram a verificar-se as mexidas nas equipas, e a primeira foi mesmo a mais decisiva para agitar o encontro – entrou Hugo Seco e saiu Marcos Paulo. O extremo formado na Académica acusou a motivação de estar em plena Queima das Fitas e a importância deste jogo para os adeptos, dando rasgos de irreverência a um jogo que deles carecia, inventando oportunidades de perigo prometedoras, uma delas com um final feliz – Rafael Lopes respondeu da melhor maneira ao cruzamento do 77 e inaugurou o marcador. Até ao final, a Académica soube suster o ímpeto ofensivo do Belenenses mas não evitou a triste sina (do “Fado do Estudante”, imortalizada por Vasco Santana no “Pátio das Cantigas”) de manter uma série de jogos sem vencer – aos 92 minutos, uma bola que era suposto ser cruzada por Fábio Nunes terminou, graças a um desvio involuntário de Aderlan, no fundo das redes de Cristiano e sentenciou o resultado.

Figura do jogo:

Ricardo Dias – A par de Pelé, foi um tampão importante no meio-campo do Belenenses e esteve em evidência a nível posicional na primeira parte, impedindo o ascendente da Académica e conseguindo criar oportunidades com a envolvência ofensiva. No fundo, o líder da intensa batalha táctica vivida durante esse período. Na segunda, foi um dos motores da equipa. Incansável.

Fora de jogo:

Marcos Paulo – O brasileiro, de regresso ao onze, acusou a pressão. Esteve deslocado da sua posição habitual e, talvez por isso, foi a imagem da desinspiração ofensiva que tomou conta da Briosa durante o primeiro tempo. Depois de ter saído, a equipa melhorou.

Momento do jogo:

66 minutos – Hugo Seco entrou e mudou muita coisa no jogo. É certo que a segunda parte já tinha demonstrado que se estava a fugir do marasmo que tinha sido o primeiro tempo, mas com o extremo português houve irreverência e a confirmação de um jogo que justificou minimamente o preço do tempo empregue pelos espectadores.

Benfica 4-0 Penafiel: A4 para o bicampeonato

Terceiro Anel
Não, não estou a falar da importante auto-estrada do Norte do país, mas sim da via aberta para o título que se desenhou depois do esclarecedor triunfo do Benfica por 4-0, diante do Penafiel. Só por manifesta incompetência o campeão nacional poderá deixar fugir a hipótese de se sagrar bicampeão nacional, 31 anos depois, numa altura em que os comandados de Jorge Jesus até se podem dar ao luxo de perder em Guimarães, na próxima jornada. Já o Penafiel acabou por ver consumada a descida de divisão, cenário que se afigurava como mais do que provável de há algum tempo a esta parte.

Perante cerca de 58 mil espectadores no Estádio da Luz, o Benfica entrava em campo com a convicção de que só um cataclismo evitaria uma vitória na partida desta tarde. E de facto, as águias geriram o desafio quase a seu belo prazer, não obstante a atitude personalizada do conjunto duriense. Sem nada a perder, o Penafiel nunca estacionou o autocarro e tentou sempre fazer a vida negra ao Benfica, mas a diferença de potencial dos dois plantéis é avassaladora e a partir do primeiro golo dos encarnados a sentença final foi quase ditada. Mas desengane-se quem pensa que o Benfica realizou uma grande exibição. A equipa da Luz jogou o suficiente para ultrapassar mais um obstáculo rumo ao título, apesar de aqui e ali ter havido nota artística, sendo o primeiro golo do desafio a prova viva disso.

Numa excelente jogada de combinação entre Jonas, Maxi Pereira e Lima, o avançado brasileiro não perdoou e bateu o guarda-redes iraniano, Haguigui, através de um portentoso cabeceamento. A partir dali, e com maior ou menor dificuldade, o Benfica foi sustendo o ímpeto penafidelense, numa partida marcada por um ritmo algo lento para o qual também contribuiu o calor que se fez sentir na cidade de Lisboa. Até que aos 30 minutos surgiu o segundo momento que fez estremecer a Luz: o 2-0 para o campeão nacional obtido por intermédio de Jonas em mais um excelente lance individual (e vão 28 golos em todas as competições para o dianteiro brasileiro, que assim voltou a igualar Jackson Martínez na lista dos melhores marcadores do campeonato). Estava praticamente garantida a 26ª vitória da prova para o Benfica, estava o Penafiel praticamente condenado à descida de divisão.

~Lima continua a ser importante Fonte: Facebook do Sport Lisboa eBenfica
Lima continua a ser importante
Fonte: Facebook do Sport Lisboa eBenfica

Na etapa complementar o cenário não se alterou. Futebol algo previsível, toada morna, Estádio da Luz em festa a celebrar um possível bicampeonato que caminha a passos largos para se tornar bem real. Jorge Jesus pôde ir rodando a equipa, retirando do terreno um apagado Sulejmani para a entrada de Ola John e substituindo um Salvio em risco de exclusão e vindo de lesão por Talisca. Pelo meio, e num ápice, mais dois golos para o Benfica que fizeram o resultado final, por intermédio de Pizzi, num remate colocado, e através de Lima, que aproveitou uma tremenda fífia de Romeu Ribeiro, chegando assim aos 17 golos na liga, entrando assim de uma forma clara na luta pelo título de melhor marcador deste campeonato.

O técnico do Benfica certamente que só não contou com a amostragem de um cartão amarelo a Samaris, que o impossibilita de dar o seu contributo à equipa no importantíssimo jogo de Guimarães. Todavia, nem isso fez esmorecer os ânimos dos adeptos benfiquistas que proporcionaram, do princípio ao fim, um ambiente muito festivo nas bancadas da Luz. Ainda houve tempo para Rúben Amorim alinhar no meio-campo do Benfica, por troca com Samaris, e para assistir a um ou outro assomo de ambas as equipas, destacando-se o irrequieto Aldair, jogador da equipa duriense que também entrou no segundo tempo.

No final da partida, sentimentos completamente antagónicos. Um Benfica em estado de alegria, ainda que controlada, com a plena consciência de que para a semana a nação benfiquista poderá entrar em polvorosa (poucos acreditarão que o FC Porto perca o desafio de amanhã). Em contraste fica a tristeza da equipa do Penafiel, que acaba por ter uma passagem por este campeonato sem honra nem glória, apesar de ficar a ideia no ar de que com Carlos Brito mais cedo ao leme deste conjunto… as coisas talvez pudessem ter sido diferentes.

Por último, e como nota final, um elogio para a dupla Lima/Jonas: é um regalo ver estes dois avançados em acção. Total entrosamento, conjugação de operariado e de classe, conjugação de eficácia e de classe. Com estes dois futebolistas na frente, e num momento de forma tão apurado como aquele por que estão a passar neste momento, é normal que o Benfica esteja tão perto de almejar o êxito.

Figura do jogo: Lima – Grande exibição do avançado brasileiro que está a atravessar um notável momento de forma. Numa altura em que se fala sobre a sua permanência na Luz, ficou mais uma vez provado que Lima continua a ser muito útil ao campeão nacional.

Fora-de-jogo: Penafiel – Não tanto por esta partida, em que o Penafiel se apresentou de uma forma bastante digna, mas sim pelo campeonato realizado. Com claras debilidades no plantel, cedo se percebeu que muito dificilmente a equipa duriense continuaria no escalão maior do futebol português. Talvez Carlos Brito seja mesmo o homem certo para recolocar o Penafiel no trilho dos bons resultados.

FC Porto ou Sporting, quem é melhor?

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FC Porto em 1º com 62 pontos, Sporting em 2º com 58. Assim terminou a fase regular do Campeonato Fidelidade Andebol 1. Os dragões somaram 20 vitórias e apenas duas derrotas (ABC em casa e Benfica fora, este último já com as contas decididas), enquanto os leões registaram 17 triunfos, dois empates (Benfica e Sp. da Horta, ambos fora) e três derrotas (os dois jogos com o FC Porto e um desaire surpreendente com o ISMAI, em casa). Tendo em conta não só os números mas também o próprio jogo jogado, a conclusão é simples: os dragões são os grandes favoritos nesta final do regressado playoff. Para aqui chegar, o clube da Invicta eliminou o Passos Manuel nos quartos-de-final (2-0) e o Benfica nas meias-finais (3-0). Já o Sporting superiorizou-se ao Sp. da Horta na primeira ronda (2-0) e ao ABC na segunda (3-1).

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A final do playoff disputa-se à melhor de três

 

FC PORTO

Vantagens: os azuis-e-brancos são hexacampeões, terminaram a fase regular no primeiro posto (garantindo assim a importante vantagem no factor-casa) e têm um plantel experiente, profundo e consolidado – Wilson Davyes saiu, mas o lateral-esquerdo Gilberto Duarte continua no clube e tem sido determinante. Os comandados de Ljubomir Obradovic dispõem, de resto, de óptimas soluções para todos os sectores: Alfredo Quintana e Hugo Laurentino na baliza, Daymaro Salina e Alexis Hernández como pivots, o já mencionado Gilberto Duarte e Michal Kasal na lateral-esquerda (o checo é, aos 21 anos, um dos elementos com maior experiência internacional da equipa, tendo participado no Europeu 2014 e no Mundial 2015), João Ferraz a lateral-direito e ainda os pontas Mick Schubert, à esquerda, e Ricardo Moreira, o carismático capitão, à direita. Miguel Martins, central, é, a par de Kasal, um dos jovens mais promissores.

Destaque individual: precisamente Gilberto Duarte, um dos melhores andebolistas portugueses. Com um porte físico notável e dono de um remate poderoso, o lateral é a maior referência numa equipa onde não falta qualidade. No primeiro jogo da meia-final do playoff apontou 10 golos ao Benfica e, na fase regular, tinha sido o carrasco do Sporting ao marcar, no último segundo, o golo do triunfo portista no reduto dos leões.

Jogo colectivo: o FC Porto é, no seu conjunto, uma equipa agressiva, muito forte fisicamente e com uma vasta variedade de recursos, mostrando grandes argumentos tanto na procura do jogo interior como através das pontas. Os dragões jogam a um ritmo alto, desgastam o adversário no ataque e manietam muitas das iniciativas deste no momento de defender. Frente a uma equipa do Sporting mais repentista mas menos imponente nos duelos de corpo a corpo, poderá passar por aqui um eventual sucesso azul-e-branco.

Pontos fracos: poucos duvidam da superioridade dos dragões, uma vez que os primeiros são uma equipa mais madura e, sobretudo, mais regular do que os leões. Porém, o sistema de “mata-mata” pode pesar, já que, desde 2012, o FC Porto perdeu três vezes contra o Sporting na Taça e uma vez na Supertaça. Só este ano a história foi diferente, com a equipa de Obradovic a levar os verde-e-brancos de vencida na Supertaça por 29-28. A excessiva dependência de Gilberto Duarte também cabe nesta categoria, especialmente se o Sporting conseguir contrariar as acções do jogador.

Probabilidade de conquistar o campeonato: 75%

 

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Gilberto Duarte é a maior figura dos dragões e quer voltar a festejar
Fonte: fcporto.pt

 

SPORTING CP

Vantagens: as transições e jogadas rápidas são uma das imagens de marca do conjunto leonino e também um dos melhores argumentos para desmontar a defesa portista. A fome de títulos e o facto de alguns jogadores, como o central Rui Silva, o ponta-direita Pedro Portela e o lateral-esquerdo Fábio Magalhães, terem amadurecido, também poderão jogar a favor da equipa verde-e-branca.

Também o regresso de João Antunes à modalidade é uma boa notícia para o Sporting, que ganha assim uma arma defensiva e um complemento a Bruno Moreira para a posição de pivot. A experiência de Pedro Solha na ponta-esquerda e a grande meia-distância do lateral/central Frankis Carol também poderão fazer a diferença, assim como o facto de os leões terem no regressado Bosko Bjelanovic e no lateral-direito Pedro Spínola, ex-FC Porto, duas opções que acrescentam valor. Na baliza, Ricardo Candeias está de pedra e cal.

Destaque individual: embora o central Rui Silva (que irá, ao que tudo indica, reforçar os dragões no próximo ano) seja o estratega da equipa, o ponta-direita Pedro Portela é talvez o atleta “mais” deste Sporting. Jogador fisicamente potente, exímio nos remates cruzados e competente a defender, executa com critério e tem claramente nível para actuar numa liga mais competitiva. Exibiu-se a bom nível na eliminatória com o ABC, conseguindo 6 golos no primeiro jogo e 7 nos outros dois. É o terceiro melhor marcador do campeonato, com 177 golos.

Jogo colectivo: os homens de Frederico Santos apostam em transições rápidas e em reacções quase imediatas nas reposições de bola após os golos sofridos. Aproveitando o facto de o adversário ainda não estar bem posicionado, os leões dão frequentemente preferência ao efeito-surpresa em detrimento do ataque organizado. Se, por um lado, esta escolha permitirá mascarar um pouco a menor imponência física face ao FC Porto, por outro poderá levar, pontualmente, a decisões precipitadas (sobretudo se os leões não souberem prolongar os ataques quando estão a ganhar e concretizar de seguida) e a um cansaço superior ao desejável. No entanto, se a estratégia tem dado resultados, não se espera que a equipa abdique dela.

Pontos fracos: É mais fácil encontrá-los no Sporting CP do que no FC Porto. O peso do factor histórico (os leões não ganham no Porto há largos anos e terão forçosamente de o fazer para serem campeões) pode levar a quebras psicológicas nos momentos decisivos – este ano, nos três jogos realizados contra o FC Porto, o emblema de Alvalade perdeu pela margem mínima e sempre no último minuto. A equipa de Frederico Santos é algo inconstante, podendo aliar bons momentos na partida a largos minutos sem conseguir concretizar e com uma proliferação intrigante de falhas técnicas. Na baliza, apesar de Ricardo Candeias ter muito valor, o FC Porto leva alguma vantagem – o suplente leonino Ricardo Correia é nitidamente menos opção do que Hugo Laurentino, o seu homólogo azul-e-branco. O Sporting também é menos incisivo nos duelos físicos do que o rival.

Probabilidade de conquistar o campeonato: 25%

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Pedro Portela terá de estar a bom nível se o Sporting quiser contrariar o favoritismo portista
Fonte: sporting.pt

 

Foto de capa: site oficial do FC Porto

Gosto de Marco Silva, e então?

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O Sportinguista é um ser estranho. Eternamente insatisfeito, agindo como uma aleta, movimenta-se ao sabor do vento procurando sempre o norte, mas muitas vezes sem o conseguir alcançar.

De quando em vez coloco-me a pensar na facilidade com que as pessoas mudam de opinião,  no que hoje é branco mas que amanhã, só porque ouviram o Zé dos Plásticos a refilar com o Bruno, com o Marco ou com o Nani, já tudo está mal e é preciso mudar tudo de novo. Esquecem-se de que as coisas boas crescem devagar, não se pode colher os frutos no dia seguinte a semear a terra.

E não digo que isto acontece apenas com os outros Sportinguistas e num mundo distante do meu. Às vezes basta ter um almoço com o meu pai – sim, aquele que me ensinou o que é verdadeiramente o Sporting – para perceber que os anos de desgaste de Roquettismo e a falta de títulos na equipa sénior de futebol começam a levar a melhor sobre o amor incondicional que vi nele durante mais de dois anos.

Pior do que estes casos de desgaste, de cansaço e de algumas mágoas, é o caso dos sportinguenses. O sportinguense é um adepto, por vezes até sócio, que é um “António Variações”, nunca se decidindo e achando sempre que está tudo mal só porque sim. Passo a explicar: o sportinguense vai ao estádio duas vezes por ano, mas sentado na sua poltrona passa os dias a postar coisas contra a actual direcção, porque os anos de má gestão do passado é que eram. Para este espécime, Leonardo Jardim é o melhor treinador de sempre, e Marco Silva é horrível, a pior coisa que já aconteceu no futebol leonino e que é para ir para a rua, mais que não seja porque – supostamente – é adepto dum clube rival. Mas o próximo treinador do Sporting ainda irá ser pior, e então aí ficará um eterno saudosista do actual treinador do Sporting. Esta classe de adeptos são os verdadeiros arautos da desgraça, preferindo enfatizar o mau e remetendo para um plano secundário tudo o que se passa de bom no clube.

Quando corre tudo bem, as frases dum sportinguense possuem sempre um “mas”: “mas há quinze dias empataste com X”, “estamos na final da Taça mas o campeonato está uma desgraça”. Tudo serve para alimentar este complexo de”Velho do Restelo”.

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A vitória frente ao Schalke 04 em Novembro é um dos bons exemplos na melhoria do futebol leonino
Fonte: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal

Marco Silva não é o melhor treinador do mundo, honestamente nem o considero superior a Jorge Jesus, por exemplo. No entanto, o trabalho dele no Sporting tem vindo a ser manifestamente bom, ainda que nesta fase da época o futebol não seja tão atractivo como o de um passado recente. O treinador leonino comete erros, já questionei na bancada muitas das suas decisões técnicas; mas qual é o treinador que não erra? Quem não toma más decisões no seu trabalho e não aprende com essas atitudes?  Quantas vezes a teimosia de JJ ou de Lopetegui já lhes custou pontos e vitórias?

O futebol de Leonardo Jardim era, na minha opinião, muito resultadista, procurando sempre a vitória mas raramente encantando os Sportinguistas e, quiçá, os sportinguenses também. O actual técnico leonino procura um futebol mais vistoso, pecando no excesso de dependência dos extremos e de cruzamentos para a área, algo que também criticava em Jardim. Ainda assim, os jogos que vi o Sporting fazer no Dragão para a Taça, contra o Chelsea em casa e nos dois jogos frente ao Schalke 04 encheram-me as medidas e digo que já desde o tempo de Boloni ou Peseiro que não via o Sporting jogar de uma forma tão bonita e cativante.

A saída de Marco Silva seria um regresso ao ponto zero, seria prejudicial a um clube que pretende a breve trecho ser campeão nacional de futebol e seria um erro de gestão por parte de Bruno de Carvalho. Para além dos erros de arbitragem que prejudicaram o Sporting em algumas partidas, não podemos esquecer que os leões têm um orçamento de tostões quando comparado com os milhões dos seus dois rivais. Este ano, até o Braga gastou mais dinheiro em transferências do que o clube de Alvalade.

A vitória na Taça de Portugal irá determinar o sucesso ou o fracasso da temporada leonina, no entanto não deverá nunca pôr em causa a continuidade de Marco Silva à frente do futebol do Sporting.

Para terminar, gostava de fazer uma pergunta a todos os sportinguenses de teclado, que atrás do seu monitor são o pináculo da gestão desportiva ou os melhores treinadores de Football Manager que o mundo já viu. A todos eles pergunto: já carregaram neste link? https://missaopavilhao.pt

 Foto de Capa: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal