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Lille 0-1 FC Porto: Vitória sem grandes euforias

Começou da melhor forma a aventura europeia do Futebol Clube do Porto esta época. O estádio Pierre Mauroy foi palco de um jogo dominado pelos Dragões, em que o Lille nunca deixou de tentar mostrar o porquê de ser o “campeão do seu campeonato” (como disse num outro texto de antevisão, PSG e Mónaco estão “noutra liga”) e que só pecou pela vitória escassa do conjunto vindo do norte de Portugal. Lopetegui demonstrou desde logo ter um grande respeito pelo adversário e, sabendo que esta eliminatória tem 180 minutos e não apenas 90, entrou com um onze surpreendente…  apenas para quem não acompanha os azuis-e-brancos. Teve todo o sentido incluir Casimiro no “miolo” para ajudar Rúben Neves (mais um enorme jogo do jovem de 17 anos, que ganhou o seu espaço no meio dos graúdos!) e Herrera nas missões mais defensivas para deixar o jogo ofensivo entregue ao maestro Óliver e ao sempre deambulante Brahimi. O homem-golo foi evidentemente o Cha Cha Cha, Jackson Martinez.

Num jogo que exigia concentração a 100%, Quaresma ficou no banco (diria que perdeu a titularidade para Brahimi devido aos inúmeros erros que apontou desde que desligou o chip ao minuto 65 do jogo com o Marítimo). Do outro lado, o Lille apresentou o poderoso Mavuba no meio-campo, o “bate na sombra” Balmont e o gigante Origi na frente, no apoio ao sempre rápido Kalou)

No seu primeiro jogo europeu, Lopetegui optou por deixar Quaresma de fora  Fonte: UEFA
No seu primeiro jogo europeu, Lopetegui optou por deixar Quaresma de fora
Fonte: UEFA

A primeira parte foi dominada pelos dragões mas terminou sem grandes oportunidades de golo, exceptuando um remate de Rúben Neves à passagem do minuto 11 numa grande jogada coletiva, e foi sem surpresa que o intervalo chegou com um nulo. Nos primeiros 45 minutos destacou-se a supremacia do FC Porto e o gosto pela posse de bola dos azuis e brancos (que chegou a estar 30%-70% a favor dos dragões). Pelo contrário, nos últimos 5 minutos do primeiro tempo o Porto deixou-se ir no jogo dos franceses e permitiu duas ou três investidas perigosas à baliza do, até então, espectador Fabiano. De destacar também o relvado seco que não permitiu as saídas rápidas habituais do Porto (claramente estratégia dos responsáveis pelo clube francês, que negaram a rega do terreno de jogo) e um penalty claro por assinalar sobre Jackson Martinez ao minuto 28, num lance que o árbitro principal não poderia ver mas que o árbitro de baliza tinha obrigação de assinalar.

Óliver e Brahimi não conseguiram dar profundidade aos corredores e por isso esperava-se a entrada de um jogador com as características de Tello ou Quaresma. O segundo tempo trouxe um jogo igual: um Porto dominante mas sem conseguir penetrar no último terço da “teia” francesa. A tão anunciada substituição sucedeu ao minuto 59, com a escolha de Lopetegui a recair sobre Tello, em detrimento do apagado Brahimi. E não podia ter-se revelado uma escolha mais acertada por parte do treinador espanhol: volvidos 2 minutos, golo do Porto! Grande jogada coletiva iniciada por Herrera, com uma triangulação fantástica entre Tello e Rúben Neves, culminada com um cruzamento do extremo espanhol com conta, peso e medida para Jackson, que desferiu um cabeceamento para uma grande defesa do guarda-redes dos locais e permitiu a Herrera, livre de oposição, fazer a recarga para o fundo das redes. Estava feita justiça no marcador. Nota para Tello, que em pouco menos de 45 minutos oficiais de dragão ao peito já entrou diretamente para 2 golos (assistência para Jackson contra o Marítimo e cruzamento para o golo de hoje).

Herrera marcou o único golo da partida  Fonte: UEFA
O mexicano Herrera marcou o único golo da partida
Fonte: UEFA

O jogo baixou então de ritmo e as equipas voltaram ao que tinham sido os momentos finais do primeiro tempo: jogo muito “mastigado” a meio-campo e tendência para se jogar bola longa, favorecendo os franceses. Aos 72 minutos, para surpresa do universo portista, Lopetegui decidiu tirar Rúben Neves (até então o melhor jogador do conjunto azul-e-branco) e fazer entrar Evandro, também estreante na Liga dos Campeões. O jogo portista partiu-se ainda mais e a ligação defesa-ataque passou a ser feita essencialmente por Herrera, com Tello a aparecer em zonas interiores (Óliver já estava de rastos). Ainda houve tempo para Quaresma entrar, naquela que foi uma substituição para queimar tempo.

No intervalo desta eliminatória, a equipa do FC Porto terá mais motivos para encarar com optimismo o segundo jogo no Estádio do Dragão, fruto do resultado obtido em solo francês. Mas desengane-se quem pensa que a passagem à liga milionária está garantida: tudo pode acontecer e todo o cuidado será pouco para ambas as equipas. Espera-se que em Portugal a equipa da casa entre a mandar (como de costume) e que a atrevida equipa do Lille venha tentar fazer aquilo que não conseguiu fazer em casa: golos.

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Rúben Neves voltou a mostrar muita maturidade no meio-campo portista
Fonte: UEFA

A Figura

Rúben Neves e Tello – não fosse a saída da jovem pérola dos azuis e brancos, seria de longe o melhor jogador em campo. Lopetegui colocou-o a “8”, e não a “6”, e o menino Rúben cumpriu na perfeição aquilo que lhe foi pedido: ajudar a defender, fechando espaços, e apoiar no ataque, sendo o homem mais recuado no triângulo formado entre o portador da bola e dois companheiros, oferecendo sempre uma linha de passe. Brilhante! Já Tello trouxe ao jogo aquilo que até então faltou: profundidade pelos corredores. Pela jogada do golo, 2 minutos depois de entrar, merece destaque.

O Fora-de-Jogo

Jackson Martinez e UEFA – o avançado do Porto teve a vida difícil, mas hoje cedeu demasiado aos centrais do conjunto francês: recuou demais e perdeu demasiadas bolas aéreas, fazendo um jogo aquém das expectativas. Já a UEFA também merece uma referência negativa (mais uma vez!): para além de permitir, sem motivo aparente, o fecho da cobertura do estádio do Lille (o que abre um precedente grave, uma vez que iremos ver equipas a querer jogar sob uma neve intensa, sem fechar a sua cobertura), ainda não entendeu que os árbitros de baliza são meros espectadores com vista privilegiada: o penalty sobre Jackson é escandaloso e o árbitro de baliza tinha obrigação de o assinalar. Mais uma vez, a UEFA de Platini a fazer das suas (curiosamente contra portugueses, curiosamente a beneficiar franceses…).

Bem vindo a casa, Nani!

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O regresso do Nani é sem qualquer dúvida uma grande notícia para todos os sportinguistas. Num plantel com mais soluções do que o do ano passado mas em que a qualidade não é muito superior, ter um jogador que possa desbloquear certos jogos é muito importante e com este regresso a casa o plantel fica com esta capacidade.

Esta contratação pode ser o que faltava para a ligação adeptos/clube. Esta ligação, que se vê cada vez mais, saiu muito reforçada depois de ontem e espera-se que a venda de camisolas do clube aumente – já várias pessoas disseram que era aquilo que faltava para comprarem a Gamebox. Como se pode ver, este negócio será, muito provavelmente, totalmente vantajoso para o nosso clube.

Se é verdade que perdemos um central razoável, em troca recebemos 20 milhões de euros (apenas 13M para o clube) e Nani. Pessoalmente, esta perda do Rojo não me preocupa muito, pois acredito que temos no plantel quem ocupe a posição com uma qualidade próxima; além disso, não sei se iríamos conseguir valorizar muito mais o jogador, considerando o Mundial que fez. A vinda do Nani é mais importante e compensa a perda de Rojo sem qualquer dúvida, pois como já disse atrás irá render mais dinheiro em vendas de lugares anuais e camisolas do que iria render Rojo, e sem os custos que o argentino teria.

Aqui temos de agradecer a Bruno de Carvalho, que soube lutar pelos interesses do clube; fosse o presidente anterior e acredito que Nani não viria e talvez o United não pagasse os tais 20M.

Mais uns golos como este serão bem-vindos; pode começar já no próximo dia 31.

Mas o que pode fazer Nani no Sporting? Para começar, vai dar a tal imprevisibilidade de que já falei acima – faltava um extremo com estas características, apesar de Carrillo também as ter; o problema é que o peruano é muito inconsistente. Mas Nani pode ainda fazer a posição de 10 – como se viu no primeiro jogo desta época do United -, outra posição que está algo deficitária no plantel, ou seja, com este empréstimo ficamos com um ataque mais forte e com um jogador que pode fazer duas posições debilitadas.

Indo agora para o actual plantel, o Sporting fica com seis extremos – Nani, Mané, Capel, Carrillo, Heldon e Shikabala –, um número muito grande. Na minha opinião, Capel e Heldon deveriam sair, reduzindo assim este número, que teria sempre no plantel da equipa B uma boa base de recruta (Iuri e Podence, por exemplo) caso fosse preciso. Ficaria assim apenas a faltar um “Jardel” que metesse 42 golos na temporada.

Para terminar, apenas algumas curiosidades de que me fui lembrando. Nani fez a última temporada na primeira época da Puma como fabricante dos equipamentos; regressa agora na primeira temporada da Macron. As cores dos equipamentos são iguais nos dois casos – principal riscado de verde e branco, alternativo verde e amarelo, e a Stromp – apesar de este ano termos um quarto equipamento para a UEFA todo verde. Estas duas temporadas seguem-se ainda à realização de um Mundial. Ambos foram ganhos por países europeus (2006 Itália e 2014 Alemanha), sendo que em ambos os casos estes países venceram o seu quarto mundial.

Nani, sê bem-vindo neste teu regresso a casa!

NWSL: Porque o futebol feminino joga-se (e bem); não são só ‘meninas bonitas’!

cab futebol feminino

Futebol feminino. Todos aqueles que ainda se regem pela norma “o futebol feminino resume-se a meninas bonitas que passeiam com uma bola pelo campo” estão enganados – bem enganados. O futebol feminino é mais do que isso e tem vindo a ser tido cada vez mais em consideração desde o Campeonato do Mundo de 2011, onde o Japão derrotou de certa forma surpreendente os Estados Unidos da América na grande final.

Sim, Hope Solo ainda ‘faz’ capas de revistas, e Alex Morgan (a outra menina bonita do futebol norte-americano) encanta qualquer um quando a vemos. Mas há mais: a primeira é a melhor guarda-redes da actualidade, e a segunda uma das melhores jogadoras do mundo. Mais do que a beleza, brilham dentro dos campos e na noite deste domingo estiveram frente a frente num jogo que mudou a história dos acontecimentos na recém reformulada National Women’s Soccer League. É, aliás, do Campeonato Nacional Feminino dos Estados Unidos da América que vos falo hoje. Se não acompanham, não sabem o que estão a perder: mais do que meninas bonitas dentro de um campo, aqui joga-se bom futebol.

Como dizia, o futebol feminino mudou muito nos últimos tempos – mais jogadoras, mais equipas e, acima de tudo, muitos mais seguidores – e com isso também a liga americana ganhou uma outra visibilidade e competitividade. Dentro do campo estão agora, sempre e sem qualquer excepção, 22 jogadoras com muita qualidade – as mesmas que depois lutam pelo apuramento das selecções americanas para os Campeonatos do Mundo e Jogos Olímpicos.

Há três, quatro anos, o futebol mudou na parte norte-americana do continente. Depois do grande sucesso da Major League Soccer, a liga feminina é agora muito acompanhada pelos mais variados grupos de seguidores: desde adolescentes apaixonados pela generalidade do desporto a cidadãos mais velhos que descobriram a vertente feminina, sem esquecer o grande aumento de cobertura feita pelos media. A título de curiosidade, e fazendo um atalho antes de regressarmos à história e impacto da liga feminina norte-americana, estiveram presentes 17 000 espectadores no jogo entre Seattle XXX e Portland Thorns disputado no passado domingo.

Para percebermos o crescimento do futebol feminino é necessário recuarmos ao dito Mundial, aos tempos em que Hope Solo (sim, ela mesmo) encantava – porque é impossível afastar do aumento mediático a cobertura que grande parte das atletas começou por ter devido à sua beleza dentro do campo – enquanto travava praticamente todos os remates com que era confrontada, e Alex Morgan, então uma jovem de apenas 21 anos, já liderava a sua selecção à final da competição. Solo e Morgan, porque são elas as principais (não únicas, mas principais) responsáveis pelo grande e rápido crescimento do futebol feminino nos Estados Unidos.

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Megan Rapinoe e Alex Morgan em acção no Mundial disputado na Alemanha, um ano antes de levarem os Estados Unidos ao Ouro Olímpico (Martin Rose/Getty Images Europe)

Naquele Mundial, disputado no terreno de uma das maiores rivais, a Alemanha, e um pouco à semelhança do que em 2014 aconteceu com a selecção masculina no Brasil, criou-se uma enorme ligação entre atletas e adeptos. Mesmo separados por milhares de quilómetros, os norte-americanos acompanharam fervorosamente a caminhada das suas compatriotas até ao vice-campeonato decidido nos penáltis, enquanto, em simultâneo, a Europa se rendia também ela ao seu talento. O mesmo aconteceu nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, onde a selecção americana voltou a estar em destaque e não parou até conquistar o Ouro.

Desde aí, a popularidade do desporto alargou-se à vertente feminina e, mais do que isso, estendeu-se a equipas. A selecção continua a ganhar visibilidade e seguidores, mas também as equipas inscritas na National Women’s Soccer League são agora muito acompanhadas.

Aqui, reflecte-se bem o estilo norte-americano: com nove equipas inscritas (Bonston Breakers, Chigado Red Stars, Houston Dash, Kansas City, Portland Thorns, Seattle Reign, Sky Blue, Washington Spirit e Western New York Flash), que disputam entre si uma fase de ‘todas contra todas’, à semelhança dos campeonatos europeus e sul-americanos, a competição termina com um restrito lote de conjuntos (quatro) apurados para um playoff, sendo então apurada a grande vencedora da temporada através de um sistema de meias-finais e final. Este fim-de-semana deu-se por concluída a fase regular, e foram apuradas as quatro equipas semi-finalistas: Seattle Reign, Kansas City, Portland Thorns, Washington Spirit.

(Segunda Parte do Texto AQUI)

O novo prodígio blaugrana

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Munir El Haddadi é um nome a fixar. O hispano-marroquino, melhor jogador da UEFA Youth League na época passada, é a nova jóia do Barcelona e pode desde já integrar o plantel principal do clube. O craque foi uma das figuras da pré-temporada dos catalães, aproveitando o facto de vários jogadores estarem ausentes para se assumir como o maior goleador da equipa nesta fase. Com Suárez castigado até Outubro, é bem provável que o avançado continue a ser opção regular de Luís Enrique.

Já era conhecido o enorme talento de El Haddadi mas, com tantas estrelas no ataque, dificilmente se poderia adivinhar que o jovem de apenas 18 anos viria a ganhar o seu espaço na equipa catalã. No entanto, as excelentes indicações que deixou na pré-temporada (muitas vezes titular, sendo autor de um bis frente a Helsínquia e León) fazem crer que Luis Enrique conta com ele para os jogos a doer. A Liga Adelante, onde actua o Barça B, já é curta para a qualidade apresentada pelo avançado.

Munir El Haddadi foi uma das revelações da pré-época dos culés  Fonte: sportv.globo.com
Munir El Haddadi foi uma das revelações da pré-época dos culés
Fonte: sportv.globo.com

O hispano-marroquino deu nas vistas na UEFA Youth League, mostrando que tem potencial para ser um craque de nível mundial. É um jogador muito móvel, com uma técnica assombrosa (tem um pé esquerdo fantástico) e um sentido de baliza notável. Desequilibra facilmente no um para um e em acções de condução acelerada, apresentando uma capacidade de decisão muito acima da média. O avançado, que também pode jogar pelas alas, marcou 11 golos em 10 jogos na caminhada vitoriosa do Barcelona, sendo decisivo em várias eliminatórias e na final frente ao Benfica (fez um golaço do meio-campo).

Messi e Neymar serão indiscutíveis nesta fase inicial da temporada, ficando Iniesta (que naturalmente pode actuar no meio-campo), Pedro e El Haddadi como opções para a vaga que sobra até ao regresso de Suárez. O hispano-marroquino impressionou Luís Enrique na pré-temporada e, se conseguir manter a boa forma, terá certamente oportunidades de mostrar o seu talento. É daqueles que não engana.

Alerta Red, mas os Saints podem descansar!

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Percorrido um deserto de 23 anos sem a conquista da Premier League, pensou-se, no ano passado, que o Liverpool encontraria, finalmente, o oásis competitivo de que necessitava para sossegar os seus adeptos… mas ficou a 3 pontos de distância.

Anfield Road partia, por isso, e apesar da ausência da referência da equipa no ano passado (Suárez), com uma ambição renovada para a edição deste ano do principal campeonato inglês. Afinal, também a pré-época tinha sido pródiga em sinais esperançosos, com vitórias sobre colossos mundiais como o Milan (2-1) ou Dortmund (4-0!).

Assim, nos momentos imediatamente anteriores ao jogo com o Southampton, cada sílaba do “You Will Never Walk Alone” foi entoada de forma apaixonante por 45 mil almas que trazem na voz o embargo próprio da esperança e do sonho (agora, mais do que nunca, concebível) da reconquista do título nacional.

Foi assim, com a ilusão dos seus aficcionados sobre as costas, que os jogadores dos reds começaram o jogo inaugural da Premier League. Talvez por isso, pensou-se, a equipa entrou algo arrastada, sem conseguir penetrar a àrea contrária, criando lances de apenas “quase-perígo”, com remates ora fora da àrea ora interceptados… até que, quase caído do céu, surgiu o golo de Sterling numa bola longa de Jordan Henderson. A tranquilidade, pensava-se, chegaria; a equipa saberia estabilizar o seu jogo e ser mais criteriosa na procura do golo, algo que até foi conseguido nos primeiros instantes, pela galvanização dos seus jogadores (principalmente os alas), mas isso durou pouco e saints caíram em cima do Liverpool.

Koeman conseguiu fazer com os saints se superiorizassem aos reds durante grande parte do jogo  Fonte: Getty Images
Koeman conseguiu fazer com  que os saints se superiorizassem aos reds durante grande parte do jogo
Fonte: Getty Images

Foram senhores do jogo desde o final da primeira parte, e entre a primeira meia-hora de jogo e a entrada para o último quarto de hora da partida (ou seja, durante 45 minutos), foi a equipa orientada por Ronald Koeman que mais oportunidades criou, rematando por 7 vezes, contra apenas 2 dos reds. Conseguiu empatar, com justiça, mas, novamente com um golpe de sorte, o Liverpool adiantou-se no marcador, que não se alterou para além do 2-1. O mais forte, teoricamente, venceu…

… embora não o merecendo. Creio que é o melhor elogio que se pode fazer a este novo Southampton de Ronald Koeman. A equipa ficou completamente desfalcada com as saídas de Adam Lallana, Rickie Lambert no ataque e de Luke Shaw e Dejan Lovren (na defesa). O treinador holandês, com reforços (de qualidade, para já, incerta) para colmatar estas ausências, mas com pouco tempo para implementar as suas ideias, soube manter a competitivdade dos saints, à imagem daquilo que esta equipa foi na Premier League do ano passado (um dos melhores conjuntos, a principal surpresa), jogando de igual para igual em casa do vice-campeão nacional.

O segredo esteve na pressão alta que não se coibiu de exercer sobre a primeira zona de construção dos reds, tendo com os incansáveis Ward-Prowse e Tadic, secundados por Davis, a condicionar a saída de bola do adversário e Schneiderlin e Wanyama, autênticos pêndulos do meio-campo da equipa, a trabalhar na recuperação do esférico.

Foi assim, destemido, que Koeman assustou Anfield Road, e descansou os adeptos dos saints (que sairam de Anfield legitimamente injustiçados pelo resultado) – é possível repetir a performance da temporada passada.

Académica 1-1 Sporting: Neste momento, somos apenas “candidatos a candidatos”

O Sexto Violino

Não há nada pior do que traçar o destino de um clube com base em apenas um jogo oficial. E isto serve para as boas e as más exibições, para os bons e os maus resultados. O Sporting não seria a melhor equipa do Mundo (ou de Portugal, sequer) se tivesse ganho em Coimbra, nem é o pior clube do planeta por ter consentido um empate. Nestes casos, as conclusões demasiado radicais são simplistas e, consequentemente, pouco certeiras. No entanto, olhando para os plantéis dos três grandes e para o nível exibicional demonstrado até agora, é possível concluir que os leões partem, uma vez mais, atrás de Porto e Benfica.

É claro que a expulsão de William Carvalho condicionou o jogo do Sporting, que até tinha entrado melhor (Carrillo parece estar a tentar assumir um papel importante de uma vez por todas). Mas, depois de chegar à vantagem, a equipa pareceu retrair-se um pouco. Heldon (não percebi a razão da sua titularidade em detrimento de Capel) podia ter feito o 0-2, mas foi perdulário e permitiu que a máxima que diz que quem não marca sofre voltasse a verificar-se. Se contarmos com os jogos de pré-época, é a terceira vez que o Sporting sofre um golo para lá da hora. O sector mais recuado, que com Leonardo Jardim sempre deu garantias, parece agora algo instável.

A lesão de Cédric foi outro contratempo, e acabou também por revelar alguma falta de profundidade no plantel do Sporting: Geraldes ainda não convenceu, Esgaio beneficiaria com um empréstimo para ganhar minutos e Miguel Lopes só fica se baixar o ordenado. Posto isto, nem a cultura táctica de Rosell nem o promissor mas inexperiente Paulo Oliveira foram suficientes para segurar a vitória contra uma equipa sofrível. Com a saída de Marcos Rojo, o Sporting tem duas opções: ou vai buscar um central de créditos firmados (hipótese pouco provável dada a política de contenção de custos da direcção) ou verá o seu eixo defensivo decair bastante de qualidade face à última época. Em ano de Champions, as perspectivas na retaguarda não são animadoras.

Isto leva-me, portanto, a perguntar o seguinte: caso se confirmem as saídas de Rojo e Slimani (e reforço o “se”, sobretudo quanto ao avançado), como é que se pode dizer que o Sporting está mais forte do que em 2013/2014? A defesa está mais permeável, o ataque não marca e as alas – posição mais deficitária da última época – ainda não foram reforçadas… Para além de tudo isto o treinador também é outro, o que exige sempre um período de aprendizagem e adaptação. Se Rojo e Slimani ficassem, tudo seria diferente. Mas essa hipótese parece cada vez mais distante, e a ausência de jogadores com qualidade para os substituir pode comprometer seriamente as hipóteses verde-e-brancas.

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Sem Rojo e Slimani, como se pode dizer que o Sporting está mais fote do que há um ano? Ir ao mercado é urgente
Fonte: Blogue A Norte de Alvalade

Comecei este texto com uma chamada de atenção contra as conclusões precipitadas, às quais espero ter conseguido escapar, e termino-o reforçando esse aspecto com um exemplo muito recente: o Benfica fez uma pré-época muito má, em que tudo começou a ser posto em causa. De facto, o clube da Luz não só ficou sem muitas das suas maiores figuras como parecia ter perdido por completo o norte. Mas, mesmo sem referências como Garay, Siqueira ou Rodrigo, e ainda que venha a perder Enzo Pérez, continua com um onze forte, até porque muita gente se esquece que jogadores como Sidnei ou Luis Felipe nunca irão jogar (este último até já foi recambiado). Artur, um dos elementos mais criticados durante os “jogos a brincar”, como lhes chama Jesus de forma sobranceira quando as coisas não correm bem, acabou por ser decisivo nos dois jogos oficiais que disputou até agora.

Tudo isto para dizer o quê? Que a pré-época do Sporting, que começou bem apesar de ter acabado de forma menos exuberante, pouco ou nada diz sobre a temporada que agora começou. Sem querer parecer agoirento nem derrotista logo após a primeira contrariedade, creio que o futebol mais atacante e atractivo de Marco Silva de pouco ou nada valerá se não se conseguir encontrar um equilíbrio. Com Rojo e Slimani, o Sporting deste ano seria um dos plantéis mais promissores desde o último título conquistado; sem eles, a equipa será apenas “candidata a candidata” ao título, partindo novamente atrás de Porto e Benfica – sim, esse Benfica que até há poucos dias tantos disseram estar morto e enterrado. Se ficar sem os dois mundialistas, o Sporting terá obrigatoriamente de ir ao mercado para garantir pelo menos um ponta-de-lança. E tem já menos de duas semanas para o fazer.

Está de volta a Vuelta

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Tenho como princípio tentar não repetir duas vezes o mesmo erro, mas nem sempre é fácil. Especialmente quando toca ao coração. Antes do início do Tour, escrevi um artigo sob uma excitação enorme. Tínhamos uma prova virada para as montanhas, tínhamos uma diminuição da importância dos contra-relógios, tínhamos Nibali, Contador e Froome, tínhamos tudo para ser uma das melhores Voltas a França da história. Infelizmente, imensos azares depois, ficámos com pouco daquilo que imaginávamos e com uma enorme dor na alma. Por esse motivo, agora que a Vuelta está a chegar, gostava de não cair na mesma armadilha das altas expectativas, mas não é nada fácil! Como não hei-de ficar ansioso se olhamos para a lista de atletas da maior prova do ciclismo espanhol e encontramos tanto talento. Contador, Froome, Quintana, Valverde, Fabio Aru, Joaquim Rodriguéz, Cadel Evans, Gesink, Kelderman, Talansky, Pozzovivo, Pinot e tantos outros! Podemos facilmente imaginar duelos emocionantes na alta montanha e temos muita dificuldade em fazer um prognóstico para a classificação final. Existem pelo menos dez ciclistas com reais ambições de terminar no top5 e mais alguns para o top10, tudo pode acontecer.

Contador e Froome podem ser, mais uma vez, as personagens principais desta história  Fonte: Independent
Contador e Froome podem ser, mais uma vez, as personagens principais desta história
Fonte: Independent

Mesmo tendo plena consiciência de que vou fazer o que disse que não queria, tenho de fazer um destaque ao duelo Contador vs Froome. É verdade que pode novamente decepcionar todos os corações dos amantes de ciclismo, até porque o corredor espanhol esteve em dúvida durante muito tempo e não deve chegar nas melhores condições físicas, mas, que raio, eles devem-nos um duelo emocinante há já algum tempo! Temos de acreditar que é desta! O pistoleiro corre em casa e isso pode ser a força extra que talvez não tenha nas pernas. Esperemos que ambos consigam dar o seu melhor, até porque há dois senhores da Movistar que têm objectivos muito bem definidos e por isso não convém que se descuidem muito no ataque à camisola roja. Um senhor chamado Quintana, que depois de vencer o Giro e faltar ao Tour quererá somar outra grande volta ao seu palmarés e também um senhor chamado Valverde, que foi uma das maiores desilusões do Tour e deve querer limpar a sua imagem perante os seus conterrâneos.

Acabando como comecei, não quero cair no mesmo erro das altas expectativas, mas é muito complicado quando se apresentam reunidas tantas condições para o espetáculo acontecer. Temos de fazer muita força para a racionalidade vencer este duelo particular com a emoção. Uma coisa é certa, de uma maneira ou de outra, neste sábado está de volta a Vuelta.

Os perigos do deslumbramento

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eternamocidade

O regresso da I Liga de futebol trouxe de novo uma enchente ao Estádio do Dragão, e sobretudo teve o condão de trazer o bom futebol de regresso ao palco azul e branco. No meio das 48 000 pessoas que praticamente encheram o anfiteatro portista, admito que não estava à espera de tão bons pormenores e ideias de jogo nesta fase tão prematura da temporada. Antes do início da partida, o primeiro “pormenor” que me fez “saltar da cadeira” foi ver a titularidade de Rúben Neves em detrimento de Casemiro. Admito que não estava à espera de ver o jovem formado no clube portista no onze titular e que a decisão de Lopetegui foi uma boa surpresa. Não sou daqueles “obcecados” pela formação, que acham que todos os anos devem existir nos plantéis meia dúzia de jogadores. Sinceramente, ao olhar para a formação de um plantel, pouco me importa se o jogador é da formação ou se vem do campeonato espanhol, italiano, francês ou alemão. Enquanto adepto, o importante é que época após época, cheguem ao clube jogadores de qualidade reconhecida, que venham acrescentar qualidade ao plantel. Por isso mesmo, não consigo caraterizar o ato de Lopetegui ao colocar Rúben Neves no onze inicial simplesmente como um ato de “coragem”, como se tivesse algo de corajoso colocar na equipa titular um jogador que cumpre nos treinos, nos jogos e que é, neste momento, melhor do que o seu concorrente direto ao lugar, mesmo que ele tenha vindo do campeão europeu.

Quanto à exibição portista, como não podia deixar de ser, teve altos e baixos, e por consequência, houve jogadores que estiveram em melhor plano comparativamente com outros. Quanto a boas surpresas, admito que não estava à espera de um Óliver tão interventivo no jogo ofensivo portista, com constantes trocas de posição com o jogador que para mim foi a figura maior do encontro: Brahimi. De processos simples, sempre privilegiando a progressão no terreno e com um sentido posicional de fazer inveja: tudo isto são qualidades por demais evidentes do argelino, que, ainda assim, parece um “corpo estranho” na equipa. Isto porque tendo em conta o estilo de jogo que Lopetegui quer privilegiar é difícil imaginar o FC Porto com um falso extremo, o que poderá fazer com que o jogo pelas alas não seja tão produtivo. Bem sei que a posse de bola está no centro da ideia de jogo preconizada pelo treinador espanhol, mas tendo em conta as caraterísticas do futebol português, onde as equipas teoricamente mais pequenas colocam muitos jogadores na zona central, o jogo pelas faixas é fundamental. Por isso, não é difícil imaginar que, na grande maioria dos jogos, os portistas precisem de dois extremos puros que derrubem as muralhas defensivas contrárias. Por esta razão, e com Óliver Torres a mostrar-se tão decisivo no jogo ofensivo portista, resta saber se Lopetegui continuará com a colocação do argelino na ala, remetendo Tello para o banco. Ainda assim, e porque Herrera parece ter lugar garantido no onze, torna-se complicado perceber como será possível, tendo em conta as exibições do espanhol e do argelino, retirar um dos dois do onze titular azul e branco.

Jogando a extremo, Brahimi foi o melhor em campo no jogo de estreia do campeonato  Fonte: MSN
Jogando a extremo, Brahimi foi o melhor em campo no jogo de estreia do campeonato
Fonte: MSN

Quanto a exibições menos coloridas, vi um Alex Sandro com uma irregularidade preocupante e um Herrera que continua a definir mal em muitas ocasiões no último terço do terreno. Ainda assim, para primeiro jogo do campeonato, devo admitir que não estava à espera de um futebol tão rendilhado e agradável como o que se viu em muitos momentos na sexta-feira no Dragão. Ainda a precisar de muitos retoques, sobretudo na primeira fase de construção, onde Maicon e Martins Indi necessitam de ser mais práticos a construir jogo, ficou claro que este é um FC Porto que quer dominar, ter bola e sobretudo, tal como diz Lopetegui, ser protagonista.

Esta quarta-feira, na deslocação a Lille, os portistas têm o primeiro teste de fogo, num encontro decisivo para o apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Por isso, e porque o adversário é bem diferente do Marítimo, será preciso um Porto diferente, uma equipa que guarde melhor a bola, que não permita transições ao adversário, e sobretudo que saiba vestir o “fato de macaco” quando o jogo assim o exigir. A exibição contra o Marítimo deve ser vista como sinal positivo, mas não mais do que isso, até porque os madeirenses raramente conseguiram incomodar a baliza de Fabiano Freitas. Contra o Lille, a música será outra e os oponentes também. Por isso, Lopetegui terá como principal desafio levar os jogadores a perceber que o duelo contra os franceses é essencial para o futuro do clube nesta época, sob pena de (quase) tudo se perder em poucos dias. Na eliminatória contra o Lille, dificilmente o FC Porto estará sempre com bola e sempre por cima do jogo. É, então, essencial perceber se figuras como Óliver e Brahimi continuam como figuras de destaque ou mostram ainda inexperiência face à pressão. É que nem sempre se consegue ser protagonista. É bom que Lopetegui entenda isso. Até para o seu futuro.

Benfica 2-0 Paços de Ferreira: Fim da maldição no regresso a casa

cabeçalho benfica

Tarde de Domingo de Agosto: o Verão caminha para o seu fim, mas começa o campeonato. Para qualquer adepto do futebol, é o regressar à rotina dos fins-de-semana de jogos no café, da mini e dos tremoços e dos comentários durante a semana inteira. E, em especial para nós benfiquistas, é o regresso do nosso clube aos jogos a sério e à nossa querida casa. Já tinha saudades disto.

Depois de uma pré-época atribulada mas com um jogo bem conseguido na Supertaça, o campeão nacional começava a defesa do título em casa, frente ao Paços de Ferreira. Mais do que querer provar que a pré-época tinha sido apenas isso, pré-época, Jorge Jesus e companhia tinham outro desafio. Desde 2004 que o Benfica não entra a ganhar no campeonato. Jorge Jesus queria que hoje fosse diferente. Do outro lado, estava o Paços de Ferreira com o regressado Paulo Fonseca. Depois de uma má experiência no Porto, o treinador voltava ao clube onde foi feliz e se deu a conhecer ao mundo. Um gesto de humildade por parte de Paulo Fonseca, na minha opinião.

E pode dizer-se que este jogo foi uma continuação do da Supertaça. Artur acabou Rei em Aveiro e começou da mesma maneira na Luz. Nervosismo da estreia ou pressão de quebrar essa malapata de entrar a perder, o Benfica não entrou da melhor maneira. Mérito para o Paços, que ocupava bem os espaços e fazia uma pressão forte. Aos 10 minutos, Eliseu derruba Hurtado na área e é marcado penálti. Aceita-se a decisão. Mas Artur estava ainda em altas depois do jogo com o Rio Ave e defendeu. O Paços estava melhor, e o brasileiro teve mais duas boas defesas a impedir o golo. Era Artur, um dos alvos da pré-época, que salvava o Benfica, mas havia mérito pacense nesta má entrada benfiquista. A equipa encarnada demorou a encontrar-se no jogo mas, quando o fez, marcou. Aos 25 minutos, tabelinha entre Gaitan e Maxi Pereira e o uruguaio a marcar. Jogada simples, e ela estava lá dentro. Festa na Luz e um Benfica que parecia estar superado da má entrada. O golo só fez bem à equipa do Benfica, que passou a controlar a partida até ao intervalo. Destaque ainda para a saída de Enzo Perez, por lesão. O universo benfiquista não esquece a importância deste grande jogador no plantel e aplaudiu-o, quase como um pedido para ficar num clube onde é admirado por todos. Esperemos que este não seja o seu último jogo.

Ao intervalo, o Benfica vencia depois de ter entrado mal, mas quando se viu em vantagem voltou a controlar o jogo, embora sem dominar.

Artur voltou a estar em destaque Fonte: Zerozero.pt
Artur voltou a estar em destaque
Fonte: Zerozero.pt/ Carlos Alberto Costa

A segunda parte mostrou um Benfica mais calmo, mais seguro e pressionante. A mudança de Rúben Amorim mais para a frente no meio-campo foi fulcral. O jogo desceu de nível; o Benfica controlava, o Paços tentava o golo mas sem o fulgor da primeira parte e sem assustar realmente Artur. Aos 72 minutos, Gaitan, mais uma vez, assiste Salvio para este cabecear para o golo da tranquilidade. Estava estabelecido o resultado final. Numa exibição segura a partir do primeiro golo, o Benfica é um vencedor justo. Não dominou completamente a partida mas controlou-a a seu belo prazer.  Ainda assim, há que destacar a boa imagem do Paços de Ferreira neste jogo, especialmente naquele início. Paulo Fonseca tem material para fazer uma época mais tranquila do que a época passada.

Quanto ao Benfica, depois de uma pré-época atribulada, a equipa parece ter-se encontrado. Ainda não está no total das suas capacidades, ainda faltam reforços e esperemos que Enzo não saia. Mas também não é o descalabro que muitos apontavam.

A Figura

Artur – Entre Artur e Gaitan será difícil. Gaitan teve duas assistências e foi igual a si próprio. Mas Artur defendeu um penálti e fez duas defesas importantes numa altura em que o Paços ameaçava. Continua motivado depois da Supertaça mas, numa altura em que Júlio César e Karnezis parecem estar mais perto da Luz, será que o brasileiro continua nesta forma ou volta ao que foi na pré-época?

O Fora-de-Jogo

Eliseu – Esteve bem contra o Rio Ave, mas hoje não esteve no seu melhor. Teve muito trabalho frente a Hurtado, que o venceu no um para um.

É desta, Arsenal?

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O Arsenal começou a época 2014/15 da melhor maneira possível. Derrotou, no passado domingo, o Manchester City no jogo relativo à Community Shield (Supertaça Inglesa), conquistando o segundo troféu oficial em menos de três meses.

A superioridade sobre os actuais campeões da Premier League ficou bem patente durante toda a partida. Depois de ter inaugurado o marcador, numa altura em que já estava por cima, só teve de gerir o encontro, e nesse capítulo esteve irrepreensível, neutralizando o temível ataque do City, que não chegou a assustar as redes defendidas por Szczesny.

O segundo golo chegou de contra-ataque, e a vitória do primeiro troféu da época ficou confirmada com um golaço de Giroud, entrado ao intervalo. 3-0 do Arsenal ao City. Uma diferença significativa, surpreendente (pelas indicações dadas por ambas as equipas na pré-época e no final da época transacta), mas justa face ao que se passou dentro de campo.

Como é natural, e apesar de, normalmente, se desvalorizar um pouco este encontro, a imprensa inglesa começou a associar este resultado e esta exibição a uma manifestação de intenções dos londrinos relativamente ao título. Uma espécie de grito de afirmação, o assumir do papel de candidato à vitória de um dos mais competitivos campeonatos do mundo.

Giroud sentenciou a partida contra o City no passado fim-de-semana  Fonte: Daily Star
Giroud sentenciou a partida contra o City no passado fim-de-semana
Fonte: Daily Star

Parece-me prematuro fazer-se esse julgamento. O Arsenal encontrou uma equipa do Manchester City sem muitas das suas principais referências – Kompany, Aguero, Zabaleta, Sagna (provável titular nesta equipa) e Fernandinho formam quase uma “espinha dorsal” do onze dos citizens– e esta fase da época é muito estéril em indicadores para o que pode vir a ser a época de uma equipa, conforme se pode concluir pelos últimos vencedores da Supertaça de Inglaterra e a sua relação com as performances na Premier League.

Em 2011, o United superiorizou-se ao City neste encontro (3-2, dois golos de Nani), mas viria a perder o campeonato para o rival… no último minuto da competição; em 2012, o City manteve a cultura de vitória com que encerrou o ano transacto e venceu o Chelsea por 3-2 na Community Shield… mas este troféu foi de digestão difícil, pois viria a ficar a 11 pontos do primeiro lugar; no ano passado, dois golos de Van Persie deram o troféu ao United… que terminou a época 2013/14 num histórico (de tão mau) 7º lugar!

Concluir que o Arsenal pode ser candidato ao título através desta vitória é, pois, algo precipitado, sendo mais prudente avaliar aspectos como a profundidade do plantel ou os processos de jogos da equipa.

Começando pelo ataque, parece-me que, muito provavelmente, o Arsenal irá dispôr do manacial de opções mais forte desde que Thierry Henry passou (pela primeira vez) pelo clube, contando com: o regresso de um dos melhores extremos do mundo – Theo Walcott; a integração de um miúdo cheio de potencial e que poderá ter neste o seu ano de definitiva afirmação – Oxlade Chamberlain; avançados móveis, capazes de fazer todas as zonas do terreno, e com qualidade – Campbell e Podolski; um goleador em potência – Giroud; e um virtuoso, um génio da bola – Alexis Sanchez.

Todo este leque de “fogo” é apoiado por uma linha média ofensiva de grande qualidade (posição 8/10), encabeçada pelo mágico Ozil, secundado por nomes experientes como os de Arteta e Cazorla e por gente irreverente como Jack Wilshere e Aaron Ramsey.

Alexis foi o grande reforço para o ataque dos gunners Fonte: scotsman.com
Alexis Sánchez foi o grande reforço para o ataque dos gunners
Fonte: scotsman.com

Do meio-campo para a frente tudo parece estar bem. Porém, é na posição 6, e para trás, que a coisa começa a complicar para Arséne Wenger. É que, com o fluxo ofensivo que a equipa naturalmente terá, urge a necessidade de estancar um possível desposicionamento defensivo, um homem que “mate” toda e qualquer possibilidade de contra-ataque contrário, e esse ainda não existe, por mais que se queira fazer de Flamini esse homem. É certo que há Diaby, mas este vem de uma paragem longa, é muitas vezes assolado por lesões e parece não contar para Arsène Wenger (disputou 16 jogos em 3 épocas).

No sector recuado, o cenário não melhora. É certo que o quarteto defensivo continua a ter qualidade – Mertesacker e Koscielny são centrais ao nível de um clube como o Arsenal, e nas laterais Debuchy e Gibbs não destoam dos seus colegas do eixo… mas faltam substitutos. Para além de Nacho, capaz de “remendar” ambas as laterais, não há um jogador com provas dadas que possa substituir uma eventual lesão de qualquer um dos centrais e isso, numa época de uma equipa inglesa, em que o contacto físico é o pão-nosso de cada jogo, pode tornar-se caro.

Esta falta de profunidade defensiva pode ser decisiva para o resto da época. Capaz, mesmo, de comprometer o sonho de voltar a erguer o troféu da Premier League, fugido dos londrinos há uma década…

… mas o mercado ainda não fechou, e chegados dois centrais e um lateral de qualidade, acredito que este poderá ser o ano dos gunners.