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Sorteio Liga dos Campeões: Sonho dos oitavos é real para o tridente luso

Benfica, FC Porto e Sporting podem perfeitamente sonhar com a presença nos oitavos de final da Liga dos Campeões. No sorteio realizado no Mónaco, o campeão nacional, SL Benfica, ficou incluído no grupo C, com Zenit, B. Leverkusen e AS Mónaco. Apesar da qualidade dos três adversários da equipa de Jorge Jesus, a formação encarnada tem todas as possibilidades de seguir em frente. Relativamente à equipa russa, destaque para os regressos de Garay, Neto, Witsel, Javi Garcia, Hulk, Danny e André Villas Boas ao Estádio da Luz; no Leverkusen, salienta-se a vitória, na primeira jornada da Bundesliga, no terreno do B. Dortmund, e para a presença de jogadores como Leno, Bender, Castro e Kiessling; quanto ao AS Mónaco, será o regresso de Leonardo Jardim, João Moutinho, Ricardo Carvalho e Radamel Falcao ao reduto encarnado.

O FC Porto pode ter, à partida, razões para sorrir após o sorteio da Liga dos Campeões. Os portistas ficaram no grupo H, com o Shakhtar de Douglas Costa, Alex Teixeira, Taison e Luiz Adriano, com o At. Bilbau – uma equipa fortíssima a jogar no seu novo estádio e que conta no seu plantel com jogadores como Iker Muniain -, e, ainda, com o BATE Borisov, que ultrapassou o Slovan Bratislava no play-off. Para o Sporting ficou reservado o adversário que se espera mais difícil do sorteio: o Chelsea. Deste modo, será o reencontro de José Mourinho com os leões, num plantel que conta com estrelas como Matic, Ramires, Óscar, Hazard, Fabregas e Diego Costa. O Schalke 04 é o adversário com quem o Sporting, teoricamente, lutará pelo segundo lugar do grupo. As principais figuras da equipa alemã são Howedes, Boateng,  Draxler, Farfán e Huntelaar. O Maribor é, em princípio, a equipa mais fraca do grupo, sendo esta a primeira presença da equipa eslovena na principal prova de clubes da UEFA.

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Os oito grupos da edição de 2014/2015 da Liga dos Campeões Europeus
Fonte: Facebook oficial UEFA Champions League

Quanto aos restantes grupos, temos no grupo A um confronto de gigantes, com Atlético de Madrid e Juventus a serem os principais favoritos, fazendo o Olympiacos ver a Liga Europa como o seu destino mais provável, e onde o Malmoe surge como a equipa menos cotada. No Grupo B, surge o campeão europeu Real Madrid, que tem no regressado Liverpool o seu principal adversário. Basileia e o estreante na prova Ludogorets não parecem ter argumentos para discutir o apuramento para os oitavos. No grupo D, o Arsenal e o B. Dortmund reencontram-se e são novamente os grandes favoritos a passarem esta fase. O Galatasaray e o Anderlecht terão, em teoria, na luta pelo terceiro lugar o grande objetivo.

O Grupo E tem tudo para ser considerado o “grupo da morte”. Bayern de Munique e Manchester City são os “tubarões” do grupo, mas é importante não descurar o experiente CSKA e a rejuvenescida AS Roma, que promete baralhar as contas do apuramento. No grupo F, o favorito FC Barcelona volta a encontrar o PSG de Cavani, Lavezzi, Thiago Silva e Ibrahimovic, bem como o ex-campeão europeu Ajax. Os cipriotas do APOEL surgem como a equipa teoricamente mais fraca do grupo.

FC Porto 2-0 Lille: Invictos rumo à Champions

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No Dragão, não há cobertura para dar asas a truques; no Dragão, não há falta de ar ou campo seco. No Estádio do Dragão, em plena cidade Invicta, joga-se futebol e bom futebol. É por esta máxima que se regem Julen Lopetegui e os seus pupilos, e assim está confirmado o regresso à prova milionária com mais uma vitória irrepreensível.

Queria-se futebol, jogou-se futebol. Do primeiro ao último minuto, vestidos de azul e branco, 14 guerreiros lutaram por conquistar um lugar que é seu por direito, num encontro onde, uma vez mais, a juventude não foi um obstáculo e, dentro do campo, se encantou frente a um conjunto francês claramente a anos-luz do da casa.

Se a vitória em França permitia um certo conforto, era sabido que um outro tento apontado colocaria o Futebol Clube do Porto ainda mais perto da Liga dos Campeões – e assim foi. A abrir a segunda parte, e de bola parada, Brahimi mostrou que será aposta neste tipo de lances. Um, dois, três. Se o guarda-redes Enyeama fez a contagem, perdeu a vista à bola. Estava lá dentro, e com isto o Dragão (e Lopetegui!) respirava de alívio.

A vitória nunca esteve em causa, e enquanto os eleitos provavam ter valor para a prova-mãe do futebol europeu, no banco (e em casa) estavam jogadores como Adrian, Quaresma, Quintero e Tello a confirmar um grande plantel. De volta aos que lá dentro estiveram, foi mais uma exibição segura e exuberante do conjunto azul e branco, tão sólido defensivamente como eficaz lá na frente.

Se há equipa pronta para marcar presença numa liga para a qual não havia conquistado o apuramento directo é o Futebol Clube do Porto. E se há técnico pronto para liderar a juventude aos grandes palcos do continente, é Julen Lopetegui. Juntos, o emblema do Dragão e o técnico espanhol começam a elaborar um quadro digno de ser invejado pelos melhores.

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Com mais ou menos oportunidades, Jackson não falha: continua a somar na conta pessoal.
Fonte: Maisfutebol

Intérprete principal, esse, é difícil de escolher. Da solidez defensiva associada às arrancadas de Danilo e Alex Sandro e da criatividade de Óliver e Rúben Neves até que, lá na frente, Brahimi brilha para dar golos a Jackson, sem esquecer os já referidos (hoje) suplentes, tudo funcionou numa noite em que o público voltou a aderir na perfeição ao apelo portista.

A criar-se um tutorial sobre como garantir o apuramento para a Liga dos Campeões dominando a eliminatória frente a uma equipa que se conhece há três temporadas, o Futebol Clube do Porto assinaria a capa.

A Figura

Brahimi – Golo e meio numa eliminatória decisiva (afinal, tratava-se do jogo – singular – mais importante da época do ponto de vista monetário) não é para todos. Brilhou no meio, no segundo terço e em frente à baliza, afirmando-se cada vez mais como um dos mágicos.

O Fora-de-jogo

Herrera – Enquanto Casemiro solidificou o meio-campo, Herrera foi, involuntariamente, contribuindo para o desfasamento do mesmo. Longe da sua forma do Mundial, o médio colombiano teve um papel importante ao assinar o tento da primeira mão mas precisa de subir de nível para continuar a merecer ser primeira opção.

Um Regresso Inconveniente

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verdebrancorisca

Inveja, ressabiamento e preocupação. Muita preocupação.

De certa forma compreendo este sentimento dos nossos queridos rivais em relação ao regresso de Nani ao seu clube de coração. Compreendo que seja duro não ter referências da formação e, por conseguinte, não ter qualquer possibilidade de ver regressar a casa jogadores de classe mundial como Nani.

Peço desculpa! Cometo um grave erro. Falhava-me a memória ao não referir o grande maestro que resolveu voltar com 34 anos, assinando o contrato em branco (reza a lenda que receberia o salário mínimo nacional para jogar pelo seu clube de coração) e rejeitando propostas de grandes tubarões do futebol mundial, cujos nomes permanecem ainda hoje no segredo dos deuses. Foi um regresso incrível, com uma média de três golos e 15 lesões por época. Foram três épocas de sonho, sem qualquer título (é certo) mas com muito amor à camisola! Hoje em dia, o maestro continua no seu clube de sempre, recebendo o ordenado mínimo nacional e ocupando o cargo de director de… quer dizer… de homem-forte do… ou seja, de embaixador da… bem, passemos ao que interessa!

Quando se falava no possível regresso de Nani ao Sporting, os mesmos que o apelidavam “jogador mais regular na Selecção Nacional nos últimos anos” chacoteavam os adeptos sportinguistas por pensarem sequer nessa possibilidade: “algum dia um jogador de classe mundial voltaria ao Sporting, tendo clubes como Juventus ou Arsenal interessados no seu concurso? Que anjinhos… Um jogador que em forma é um dos melhores extremos do mundo, e que esteve, ainda há um par de épocas, no lote dos 23 nomeados para a Bola de Ouro? Vão sonhando… E ele ganha um balúrdio! Vocês nem dinheiro têm para mandar cantar um cego!”. Declarações como estas ouviam-se um pouco por toda a parte, e mesmo os sobredotados de oculinhos escondidos atrás de um computador de redacção arremessavam os seus “bitaites” em forma de “Nani reticente em voltar”, “Nani não quer voltar a Portugal”, “Nani indeciso”, “Anderson em vez de Nani”. O circo estava montado, e os palhaços preparados para dar baile ao leão. O que estes senhores não sabiam era que, no momento em que começaram a escrever as suas graçolas, já Nani era jogador do Sporting. Assim sendo, quando este regresso se tornou público, o discurso dos nossos queridos amigos deu uma volta de 180º, tornando-se qualquer coisa como: “foi o pior jogador da Selecção no Mundial! Já morreu para o futebol, não joga nada há não sei quantos anos… é só um jogador banal! Foi para o Sporting porque o Manchester o queria despachar e mais ninguém o pegava!”. A mente humana é realmente incrível.

Nani frente ao Arouca  Fonte: Daily Mail
Nani frente ao Arouca
Fonte: Daily Mail

No meio de toda esta preocupação e nervosismo no âmbito do regresso de um dos jogadores mais talentosos da Europa a Alvalade, uma alegria tremenda e uma luz divina surgiu nas vidas de todos os inquietados: Nani falhou uma grande penalidade na estreia! A felicidade e a euforia foi tal que, se não morasse tão longe do Marquês de Pombal, era capaz de lá ir dar um salto e espreitar o movimento. As graçolas já estavam a ser impressas quando Carlos Mané resolve estragar a festa… Bolas, tudo “por água abaixo”. Os “intelectualóides” sobredotados das redacções não se amedrontaram com a vitória leonina e desafiaram o reino do leão com manchetes como “Mané salva Nani” ou “Nani falha Penalty”, tornando insignificante qualquer descrição da grande exibição que Nani assinou ou, simplesmente, da vitória da garra e persistência dos jogadores leoninos. As histórias de problemas internos entre Nani e Adrien sucederam-se; parece que Nani veio estragar o ambiente no grupo de trabalho e passar por cima de todas as regras. Histórias exclusivas, muita “manha”. Confesso-me curioso pela capa de segunda-feira, dia 1.

Quanto a vocês, queridos amigos: por favor, não desistam… Quem sabe um Cavaleiro, um Cancelo ou um Bernardo Silva um dia voltem a casa como heróis da nação encarnada, qual “Maestro”.

Enquanto tal não sucede, podem continuar com essa preocupação, com essa raivinha, sabem? É que até nos sabe bem…

Jogadores que Não Admiro #1 – Ola John

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cabeçalho benfica

Para os leitores e conhecedores regulares deste portal de opinião desportiva presumo que, à partida, este artigo seja um espanto, visto que poucos foram os textos, ou nenhuns, que foram feitos única e exclusivamente para mostrar um certo desagrado em relação a um determinado jogador.

No entanto, antes de começar a apontar os defeitos que me fazem sentir um arrepio na espinha de cada vez que este jogador entra em campo, irei primeiro fazer uma breve contextualização sobre de onde apareceu este desprazer por Ola John.

Corria a segunda quinzena do mês de Agosto de 2011, e o Benfica jogava contra o Twente, clube que tinha acabado na segunda posição do campeonato holandês, ficando atrás do campeão Ajax por apenas dois pontos. Na primeira mão, jogada na Holanda, o resultado ficou em 2-2, num jogo que na altura me tinha deixado boas indicações principalmente por parte de um reforço, o irreverente Nolito. Contudo, houve um jogador que me deixou bastante intrigado. Um jogador que entrou a meio da segunda parte e que, segundo os comentadores, tinha apenas 18 anos e jogava no Twente já há largos anos. A certa altura, o jogador pegou no esférico e, feito flecha, ultrapassou tudo e todos, fazendo um cruzamento que viria a ser aproveitado por Bryan Ruiz, que marcava então o golo que iria garantir o empate. Nesse jogo, Ola John foi para mim uma das estrelas da equipa, porque entrou e dinamizou o ataque do Twente. Não esquecendo também que quem o defendia era Maxi Pereira.

Na segunda mão, aconteceu o mesmo. O jogo corria, e Ola John entrou na segunda parte, com um estilo muito gingão e baseado na sua velocidade e nas fintas de corpo. O extremo, nascido na Libéria, de pouco tempo precisou para, mais uma vez, trocar as voltas a Maxi Pereira e cruzar para um golo de cabeça de Bryan Ruiz. O Benfica acabaria por vencer nas duas mãos e, como tal, passaria para a fase de grupos da Champions.

Quando estava no Twente, Ola John era considerado uma das maiores promessas do futebol holandês Fonte: Sportinveste Multimédia
Quando estava no Twente, Ola John era considerado uma das maiores promessas do futebol holandês
Fonte: Sportinveste Multimédia

Recordo-me de que, passada uma época, começaram rumores de que aquele jogador, que na altura tinha retirado de uma forma muito bruta os rins a Maxi Pereira, interessava ao Benfica. Enquanto adepto, lembro-me de que comecei a ficar extremamente exaltado com a possibilidade de ter aquele atleta que aparentava ter tanto potencial.

Pouco tempo depois foi apresentado, tendo sido comprado por, teoricamente, nove milhões de euros. Sinceramente, não esperava um investimento tão avolumado, o que me deixou (ainda mais) intrigado. Se Ola John, então com 19 anos, já tinha este valor, daí a pouco tempo, nas mãos de Jorge Jesus, ninguém saberia quanto iria ele valer passado um ou dois anos?

Bem, como podem reparar, vendo deste prisma, até parece que admiro o número 15 do Benfica. Não estão é a ser contadas as inúmeras oportunidades que Ola John teve desde que chegou. Nem as inúmeras asneiras que já fez. Pode argumentar-se que é um jogador novo e que está na idade de as fazer. Porém, nada me tira da cabeça que o número 15 deve ser dos atletas que já vi que menos se esforçam em campo.

Na Supertaça Cândido de Oliveira, vi Ola John ter o corredor completamente vazio para poder ligar o turbo, como fez diante o Benfica uns anos antes. No entanto, ele limitava-se a parar e abrandar o jogo. Corria uns metros, fazia umas fintas de corpo, umas simulações, lá andava uns metros, contudo o esférico acabava sempre por ir parar para o Rio Ave.

Sinceramente, pensei que pudesse ser só daquele jogo, mas comecei a relembrar-me da época de estreia dele, em que fazia sempre a mesma coisa. Em vez de correr, temporizava no flanco e esperava que o lateral subisse para, quase sempre, não lhe passar a bola e se perder em fintas.

Ola John continua a ser um jogador com um potencial tremendo, no entanto, com as suas prestações, não irá crescer muito mais… Espero estar enganado Fonte: Luís Manuel Neves
Ola John continua a ser um jogador com um potencial tremendo, no entanto, com as suas prestações, não irá crescer muito mais… Espero estar enganado
Fonte: Luís Manuel Neves

O que me irrita solenemente é que Ola John tem, de facto, muito talento. Ola John tem, indiscutivelmente, muita qualidade individual, quando empenhado. Ola John, quando está num sprint, é, inequivocamente, capaz de ultrapassar quase todos os jogadores da Liga portuguesa, porque é realmente extremamente ágil e rápido. No entanto, o internacional holandês insiste em, jogo após jogo, não demonstrar essas qualidades que fizeram o Benfica desembolsar uma quantia avolumada, isto considerando o campeonato português e a situação económica nacional.

Não estou com este artigo a afirmar que o atleta perdeu as qualidades ou que se calhar nunca as teve. Estou a referir simplesmente que, de acordo com o que o número 15 encarnado já demonstrou, não valeu o esforço financeiro, de todo. E todo o hype à volta dele foi completamente escusado e exagerado.

Actualmente, posso afirmar, sem me arrepender, que não admiro nada Ola John. Aliás, o extremo benfiquista é dos jogadores que mais desagradado me deixam quando entram em campo. É o atleta que mais confusão e, passo a hipérbole, angústia me traz quando o vejo a aquecer para entrar em campo.

Espero, muito honestamente, que este artigo daqui a uns meses esteja desactualizado e que porventura me venha a arrepender de o ter escrito.

Boavista 0-1 Benfica: Sem arte, teve de ser à força

cabeçalho benfica

Sem convencer, o Benfica venceu no dia em que o Estádio do Bessa voltou a ter jogos da Primeira Liga. A apadrinhar esse regresso esteva o campeão nacional, que foi ao Bessa depois de uma vitória caseira frente ao Paços.

Foi sempre um jogo mais de força e garra do que engenho e arte. O Boavista apresentou-se como pôde, a fechar espaços ao Benfica, com uma atitude defensiva. Do lado do Benfica, sem Enzo, Jorge Jesus apostou em Amorim e Talisca, mas as coisas não correram muito bem. Rúben Amorim lesionou-se e teve de sair e Talisca a oito não dá. Demasiado frágil para discutir lances, com vários passes errados, o brasileiro nunca se adaptou muito bem ao lugar, e neste momento todos os benfiquistas rezam para que Enzo não saia e para que Samaris se adapte rapidamente. Para fazer de Talisca um bom jogador, Jorge Jesus tem muito trabalho pela frente. Também Jara continua a mostrar-se o mesmo da pré-época: não é jogador para o Benfica. Esforçado mas pouco mais do que isso, ainda não se percebeu como é que Jesus o vê como jogador para o Benfica. Precisamos de um avançado urgentemente. Num jogo onde o Benfica, apesar de controlar e de ter bola, não foi perigoso, teve de ser à lei da bomba para marcar. Eliseu, à entrada da área, desfez o nulo. Ao intervalo, a vantagem aceitava-se mas pedia-se muito mais a este Benfica, que só à força conseguiu derrubar o xadrez.

Manel do Laço teve um companheiro especial para assistir ao jogo
Manel do Laço teve um companheiro especial para assistir ao jogo
Fonte: Zerozero.pt/ Catarina Morais

Ao intervalo, Jesus foi expulso e teve de ver o jogo na bancada, ao lado do ilustre adepto Manel do Laço. O treinador não estava contente com a exibição do árbitro, que não viu uma grande penalidade.

Na segunda parte, o Boavista cresceu. Tem garra, tem determinação, mas ainda falta algo a esta equipa. Tem muitos jogadores a estrearem-se na Primeira Liga, e Petit tem muito trabalho pela frente. Ainda assim, conseguiu incomodar o Benfica. A equipa axadrezada soltou-se e foi lá à frente tentar fazer estragos. Chegou a fazer balançar a baliza por duas vezes, mas ambas as situações foram anuladas pela equipa de arbitragem. Numa, o fora-de-jogo é evidente, na outra fica a dúvida, apesar de o jogador que está em posição irregular também discutir o lance. A arbitragem foi má. As três equipas não contribuíram para um bom espectáculo, mas a de arbitragem foi a pior em campo.

Eliseu foi decisivo Fonte: Zerozero.pt/ Catarina Morais
Eliseu foi decisivo
Fonte: Zerozero.pt/ Catarina Morais

No final, o que conta são os três pontos, mas fica para o registo uma exibição fraca do Benfica. Deu para perceber que há jogadores que não estão preparados para vestir esta camisola e que nos falta um avançado. Enzo continua a fazer muita falta nesta equipa. É claramente o motor, e todos desejamos que dia 31 chegue o mais depressa possível. Quanto ao Boavista, sai de cabeça erguida pela atitude na segunda parte, mas ainda é pouco para conseguir a manutenção. Veremos se com o tempo esta equipa consegue melhorar.

A Figura

Eliseu – Conseguiu quebrar a barreira do Boavista e antes já tinha feito outro grande remate. Para o que se dizia dele na pré-época, até tem surpreendido. Está solto e confiante, embora não esteja ainda na melhor forma.

O Fora-de-Jogo

Talisca/Jara – Já foi tudo dito no texto sobre estes dois jogadores, que não mostraram capacidade para jogar no Benfica.

O problema das bilheteiras

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eternamocidade

Apesar da importante vitória alcançada fora de casa, em Lille, no play-off da Liga dos Campeões, que representa um passo de gigante rumo aos 8,6 milhões de euros correspondentes à passagem à fase de grupos da competição, foi a ausência de Quaresma dos convocados para o jogo em Paços de Ferreira, depois de o internacional português apenas ter atuado cerca de 5 minutos no jogo em solo francês, o alvo de destaque da imprensa sobre a equipa portista ao longo da semana.

Enquanto adepto, custa-me ver este desviar das atenções para um jogador apenas, quando uma equipa consegue uma vitória tão importante fora de casa. Enquanto observador do fenómeno mediático que é o futebol, não me surpreende que Quaresma seja agora o protagonista do “filme” que ele próprio diz não existir. Recuando a fita oito meses, para Janeiro de 2014, constatamos que o regresso de Ricardo Quaresma foi visto por grande parte dos adeptos portistas como uma excelente notícia para a equipa: não só por ser um jogador que já havia passado pelo clube, mas também porque o extremo trazia consigo um selo de qualidade inegável, mesmo que o “mundo do futebol” tenha estado alguns meses sem lhe pôr a vista em cima. Por isso, e falando em bom português, pode dizer-se que com o regresso de Quaresma se juntou a fome à vontade de comer, num negócio que parecia agradar a todas as partes.

Por não haver concorrência à altura no plantel, que era qualitativamente fraco, o extremo chegou, viu e entrou de caras na equipa, que suspirava por um jogador com as credenciais de Quaresma. Ainda assim, e apesar de todo o génio que as botas do português poderiam trazer, muitos foram os que olharam para o outro lado da balança e duvidaram das vantagens que o FC Porto poderia ter com este regresso: pelo mau feitio que lhe é reconhecido e pela instabilidade emocional que parece demonstrar, pareceu claro desde o início que Quaresma não estava preparado para encontrar obstáculos no plantel, ou, se preferir, em termos cinematográficos, para encontrar actores que lhe pudessem tirar protagonismo.

Quaresma não reagiu da melhor maneira à entrada em campo contra o Lille  Fonte: A Bola
Quaresma não reagiu da melhor maneira à entrada em campo contra o Lille
Fonte: A Bola

Por isso, o discurso de Pinto da Costa no início desta temporada, antecipando uma espécie de revolução para os lados do Dragão, acabou por ser o primeiro contratempo do Mustang: com um treinador novo, que não acredita em “titulares absolutos”, e com um plantel com 15 caras novas até ao momento, tornou-se mais do que óbvio que com Lopetegui começava uma nova era e todos os jogadores partiam do mesmo patamar. Naturalmente que jogadores como Danilo, Alex Sandro, Herrera, Óliver, Brahimi, Tello ou Jackson terão sempre mais oportunidades do que Marcano, Reyes, Evandro, Carlos Eduardo, Ricardo, Sami ou Kelvin; mas, depois das palavras de Lopetegui, a rotatividade do plantel do FC Porto tornou-se algo natural. Assim, não foi de estranhar que entre os jogos contra Marítimo e Lille o treinador optasse por gerir a equipa, numa medida perfeitamente compreensível se pensarmos que, em condições normais, o FC Porto terá mais de 50 jogos nesta temporada.

Depois da titularidade e da boa exibição frente ao Marítimo, Ricardo Quaresma possivelmente não deu grande importância às palavras de Lopetegui e não acreditou que o espanhol o colocasse no banco de suplentes. Muitos meses e jogos depois, aquilo que era impensável até ao início da temporada acabou por acontecer: Ricardo Quaresma foi mesmo para o banco de suplentes. Sem surpresa, até porque o plantel desta época é incomparavelmente superior ao da época anterior, a equipa não se ressentiu da falta do extremo e venceu em solo gaulês com aparente tranquilidade. Lopetegui acabou por chamar Quaresma já perto do fim e, como era previsível, o mau génio de Ricardo reapareceu: com uma atitude reprovável, o internacional português entrou em campo como se nada fosse com ele, como se lá estivesse contra a sua vontade, como se se tivesse esquecido de que há bem pouco tempo o “seu” clube lhe tinha dado uma braçadeira para dignificar em todos os jogos, contra qualquer adversário. Só que para Quaresma, com ou sem braçadeira, o seu “filme” de sonho havia acabado quando Lopetegui entrou. De um momento para o outro, o bilhete que comprou quando chegou Dragão deixou de funcionar e o lugar marcado que tinha no onze portista deu lugar a um espaço em aberto sem um nome garantido. Com tão poucos jogos nesta temporada, acredito que até Quaresma entende o argumento deste “filme”. Basta para isso deixar-se de conversas de rede social e de exibicionismos sem sentido para que, de uma vez por todas, entenda que ele é apenas mais um actor no elenco portista. Se não conseguir entender isso, então talvez seja altura de verificar a validade do bilhete e ir para outras paragens. É que agora o filme é outro.

Paços de Ferreira 0-1 FC Porto: Capitão Jackson resolve!

Pronúncia do Norte

Foi com quatro alterações no onze inicial em relalção ao jogo com o Lille que o FC Porto se apresentou na Mata Real, reduto do Paços de Ferreira, para disputar a segunda jornada do campeonato. Depois de surpreender ao deixar Danilo e Quaresma de fora da convocatória, Lopetegui surpreendeu ainda mais ao lançar Evandro e Adrián de início, deixando Brahimi, Óliver e Herrera – titulares nos primeiros dois encontros oficiais – no banco de suplentes.

Durante o primeiro tempo, o FC Porto não mostrou grande intensidade e esteve longe de praticar o futebol fluido e dinâmico que já lhe vimos na presente temporada. Apesar de ter muito mais bola do que o adversário (terminou com 70% de posse bola – é já uma imagem de marca), o FC Porto denotou sempre falta de mobilidade no meio-campo – foi quase sempre incapaz de fazer face à densidade de camisolas amarelas na zona central – e optou demasiadas vezes pelo jogo directo para tentar chegar à área pacense (principalmente através de Maicon e Casemiro). Embora controlando sempre as incidências da partida – nunca permitiram ao adversário causar perigo – os dragões raramente importunaram Defendi, o guarda-redes da casa.

A única verdadeira ocasião criada pelos azuis e brancos em toda a primeira parte deu em… golo: Alex Sandro lançou longo para Quintero, isolado sobre a direita, e o colombiano cruzou milimetricamente para o pé do compatriota Jackson Martínez, que só teve de encostar para o fundo das redes. O número 10 dos dragões, entrado aos 18 minutos para o lugar do lesionado Tello, revelou algumas dificuldades a jogar encostado à faixa (hoje teve pouco espaço para encontrar espaços no meio-campo adversário), mas soltou o seu génio nesse lance e ajudou a decidir a partida.

Depois de entradas fulgurantes contra Marítimo e Lille, Tello lesionou-se no primeiro jogo a titular  Fonte: Zero Zero
Depois de entradas fulgurantes contra Marítimo e Lille, Tello lesionou-se no primeiro jogo a titular
Fonte: Zero Zero

No segundo tempo, o Paços de Ferreira subiu as linhas, aumentou os índices de agressividade, passou a ter outro critério na saída para o ataque e conseguiu equilibrar o jogo. Com efeito, as principais ocasiões de golo, surgidas no primeiro quarto de hora, até pertenceram aos anfitriões – primeiro, na sequência de um trabalho soberbo de Minhoca sobre o lado esquerdo, Cícero antecipou-se a Alex Sandro para cabecear por cima; depois, num canto estudado, Hélder Lopes apareceu sozinho para disferir um remate a rasar o poste de Fabiano. No conjunto da capital do móvel, Michaël Seri e Sérgio Oliveira, o duplo pivot que até já vestiu de azul e branco, estiveram em destaque. Especialmente o português, pré-convocado por Paulo Bento para os primeiros compromissos da selecção nacional rumo ao Euro 2016, que foi simultaneamente maestro e carregador de piano.

O jogo ficou partido – tanto que Lopetegui ficou rouco de tanto gritar “Juntos! Juntos!” – e só com as entradas em campo de Herrera e Óliver Torres, com instruções claras para “abafar” a primeira fase de construção do Paços, o FC Porto começou a estabilizar o seu jogo e a neutralizar as investidas do adversário. Paulo Fonseca foi inteligente e dificultou a vida ao FC Porto com estratégia que montou – investiu na contenção nos primeiros quarenta e cinco minutos e assumiu uma postura mais atrevida até ao apito final –, mas os azuis e brancos, mesmo fazendo a exibição mais pálida da época até agora, mereceram os três pontos.

Apesar de nem sempre jogarem bem (o adversário não facilitou a tarefa, a dimensão do campo não privilegiou o futebol largo do FC Porto e a ausência de alguns elementos fundamentais nos primeiros desafios notou-se), os jogadores lutaram sempre e tiveram uma postura séria e aguerrida dentro das quatro linhas. É muito importante promover a rotatividade da equipa para manter todos os jogadores motivados, mas Lopetegui tem de perceber que é igualmente muito importante criar rotinas, o que não se consegue alterando abruptamente o onze de jornada para jornada.

Esperava-se muito mais de Adrián López, o reforço mais caro da época  Fonte: Zero Zero
Esperava-se muito mais de Adrián López, o reforço mais caro da época
Fonte: Zero Zero

A Figura

Jackson Martínez – à semelhança do que sucedeu contra o Lille, marcou na única oportunidade que teve para o fazer – é isso que define os grandes pontas-de-lança. Mais do que isso, trabalhou muito para a equipa, tanto do ponto de vista ofensivo (conquistando muitas bolas no ar e oferecendo apoios na construção pelo chão) como do ponto de vista defensivo (sempre disponível para correr atrás do portador da bola). Com a braçadeira no braço, voltou a deixar claro o compromisso que assumiu com o clube e com o grupo.

O Fora-de-Jogo

Adrián López – na sua estreia oficial com a camisola azul e branca, voltou a deixar indicações muito pouco positivas. Revelou apatia, conformismo e falta de confiança; decidiu demasiadas vezes mal; mal se viu. Não é, definitivamente, isto que os adeptos portistas esperam de um reforço de 11 milhões de euros. Teve uma oportunidade e desperdiçou-a. Veremos quando volta ao onze…

Um passo em frente

cab desportos motorizados

Depois de algum tempo afastado por ter estado de férias, volto a escrever sobre desportos motorizados. Vou voltar a escrever sobre Miguel Oliveira, que, segundo rumores, está de saída da Mahindra.
Segundo o próprio piloto de Almada – o único português a competir no MotoGP –, a saída da equipa indiana deve ser para a Red Bull KTM Ajo. Trata-se da equipa líder deste ano na Moto3, com Jack Miller, e que já venceu em 2010 (na então categoria 125cc) com o espanhol Marc Marquez – atual campeão do mundo e líder do campeonato. A equipa também ganhou em 2012, com o alemão Sandro Cortese. Esta equipa, portanto, parece ser um passo em frente em relação à sua atual, que não conseguiu acompanhar a qualidade do piloto.
No início da temporada e em entrevista feita ao Bola na Rede, o piloto disse que o objetivo era lutar pelo pódio e tentar ser vencedor do Moto3; como já disse num artigo de junho, quando li estas declarações não acreditei em que tal fosse possível e, infelizmente, cada vez mais tenho razão neste meu pensamento. Ocupa atualmente o nono lugar no campeonato, quando faltam sete grandes prémios (GP) para o seu fim. Apesar de ainda poder melhorar a sua classificação e melhorar o sexto lugar do ano passado, os objetivos do início da temporada não serão atingidos.

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É com estas cores que Miguel Oliveira pode correr em 2015
Fonte: MotoGP

O discurso do almadense, a mim, parece-me ser o adequado. Miguel diz numa peça que li num dos jornais da nossa praça que é preferível dar este passo para uma equipa de topo dentro do Moto3, em vez de passar já para o Moto2. Concordo totalmente com este discurso e penso que é o pensamento certo. Sem ter qualquer conhecimento de quais as equipas que entraram em contacto com Miguel, acredito que estas sejam equipas mais fracas do pelotão e que o iriam fazer andar a arrastar-se pelas corridas. Continuando no Moto3, e como ele muito bem diz, se a temporada de 2015 correr bem, as propostas para 2016 dentro do Moto2 serão melhores, o que por seu turno lhe daria um melhor lançamento para a tão almejada subida ao escalão principal.

Espero que este rumor, que se pode considerar oficial, seja mesmo verdade e que o Miguel finalmente consiga mostrar todo o seu valor, pois realmente é muito bom. As motos é que não têm conseguido acompanhar o seu valor. Assim, 2015 tem mesmo de ser o ano, se não corre o risco de não conseguir chegar ao nível que merece.

 

 

‘Atleti’: A prova de que vencer não depende de um livro de cheques

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«Olhando aquele homem, vislumbra-se todo o sentimento rojiblanco. Com ele, através dele e por ele construiu-se uma verdadeira equipa, o conjunto com todos os caracteres e com todo o carácter. Nunca como Simeone houvera alguém que conseguisse de forma tão pefeita fazer com que o global fosse imensamente superior à soma das partes, das individualidades e dos egos.

O ‘Atleti’ demorou 18 anos a limpar a cara, a reconstituir o rosto e a levá-lo à luta. Rodeado pelos adasmatores financeiros, criou o seu BI feito de um jogar verdadeiramente intransmissível, assente na garra, na vontade, na crença e no espírito guerreiro e combativo que apenas serviu para exponenciar a qualidade da ocupação dos espaços, da destreza táctica e da perspicácia na tomada da (melhor) decisão. Com bola, houve a astúcia para despir, rapidamente, o fato de operário e colocar o traje de gala, com passe curto ou longo mas com uma classe e fiabilidade indesmentíveis. O futebol musculado surgia quando o futebol apoiado não dizia ‘presente’; inauditos foram os timbres que os colchoneros foram, ao longo dos meses, sabendo tocar e aperfeiçoar, adaptar e moldar. Se o jogo exigia defesa compacta e excelência de posicionamento, o Atletíco virava rocha; se era preciso correr atrás e assumir, o Altético encarnava a pele de um lobo esfomeado, astuto quanto baste para desferir o ataque mortal à sua presa no momento certo.

No seu comando, o homem a quem tudo devem. Simeone é o catalisador da máquina, personagem central de uma equipa mecanicamente realizada, onde proemine sempre a alma. A fibra emanada do banco impulsiona os adeptos e encontra forma nos seus jogadores – olhando para ele, os (hoje) craques encontram certeza no processo e a grande probabilidade do resultado. Porque acreditam em quem os guia e no seu tão cativante quanto apaixonado discurso.

Há ciclos da vida que, por serem tão ricos, nos custam a fechar. A época 2013/14 é um caso paradigmático – ver jogar este ‘Atleti’ é um prazer, por provar que a comunhão de dezenas de complexas almas rumo a um objectivo comum é possível. Mas também cansa porque o seu esforço, por vezes, surgiu como sobrehumano. Qual fénix, o ‘Atleti’ renasceu das cinzas agarrado ao carisma de El Cholo – reuniu-se daqueles que melhor interpretaram os valores da combatividade e da eficácia e, com eles, construiu uma máquina de futebol. Uma máquina que convenceu e emocionou aqueles que mais gostam deste desporto. E desmentiu, assustando, os livros de cheques.»

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Ser campeão no Camp Nou – um feito para a história.
Fonte: Mundo Deportivo

Tais linhas, escritas num tempo em que o Atlético dava a ideia de que se desmoronaria, encontram-se hoje simultaneamente prestes a ser desmentidas e confirmadas. Desmentidas porque aquilo que se poderia julgar episódico e atípico – uma época soberba de uma equipa por quem “nada se dava”, passe o exagero – tem tudo para ser uma história ainda com curtos capítulos, cujos actores até podem mudar, mas cuja qualidade da trama é inquestionável; confirmadas porque, não obstante as tais mudanças em pedras fulcrais, a equipa continua a evidenciar-se como um verdadeiro conjunto, plenamente sólido, com uma matriz de jogo inquebrável e princípios de jogos perfeitamente assimilados, exaltando, a cada diferente momento de jogo, o fantástico trabalho de um ‘louco’ Simeone.

Desde a final da Champions, em Maio deste ano, a equipa rojiblanca viu sair Courtois, Filipe Luís, David Villa, Diego Costa e os sempre úteis Sosa, Diego e Adrián Lopez. Ou seja, dos 14 que actuaram no Estádio da Luz, perdendo, de forma dramática, o caneco para o Real Madrid, 6 deles estão noutras paragens. Simeone não abalou e enquanto outros faziam capas e capas de jornais, inflacionavam o mercado com compras tão altas quanto (talvez) desnecessárias, o ‘Atleti’ planeava aquilo que desejava ser o continuar do seu conto de fadas.

Três meses volvidos e um Mundial ultrapassado, o mesmo adversário da Luz e eterno rival apareceu-lhes novamente no caminho. A Supertaça de Espanha ditava um duplo confronto que parecia agora muito mais desequilibrado. Puro engano. A casa tinha sofrido com algumas telhas partidas, a fachada estava menos apelativa, mas os alicerces estavam e estão mais firmes do que nunca. Simeone viu em Moyá, Siqueira, Saul, Griezmann e Mandzukic alternativas válidas às importantes saídas e aquele ‘Atleti’ que parecia espremido até ao tutano voltou revigorado e fresquinho que nem uma alface.

Esta página dourada que Simeone e a sua equipa trataram de assinar – apenas a segunda vitória na Supertaça espanhola em toda a história do Atlético – permitiu comprovar que a estrutura e os princípios da equipa são os mesmos da época (quase) perfeita de 2013/14. O hoje fora da moda 4-4-2 clássico (facilmente desdobrável em 4-4-1-1) é a base táctica de uma equipa que até se deixa dominar mas jamais deixa de controlar. Defensivamente (e será sempre aqui se notará mais a qualidade do trabalho de um treinador), voltamos a ver um ‘Atleti’ muito compacto, com as linhas próximas e com correctas coberturas perante os craques do Real – ainda mais notório quando a bola cai nas alas merengues e a equipa trata de apertar sempre com três homens (o lateral, o médio ala e o médio central que descai para aquele lado). Mesmo quando arrisca com mais homens no ataque e a perda de bola acontece, o Atlético reposiciona-se com tanta qualidade quanto rapidez, não permitindo em nenhum dos jogos que o Real aplicasse uma das suas mais poderosas armas: a transição ofensiva.

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Mais do que qualquer individualidade, a força do Atlético é o seu conjunto
Fonte: bbc.co.uk

Com a saída dos três homens mais utilizados na frente de ataque – Diego Costa, Adrián e Villa –, o ‘Atleti’ ainda não consegue ser tão ameaçador quanto desejaria. Mandzukic é um jogador da mesma estirpe física do ex-‘19’ rojiblanco mas não tem a velocidade nem a capacidade de explorar a profundidade que o agora jogador do Chelsea demonstra. Por outro lado, o baixinho Griezmann pode vir dar outro poder de fogo e outro improviso no último terço do campo, atenta a forma inteligente como conduz e define os lances – algo, aliás, visível principalmente na segunda metade do jogo da segunda mão da Supertaça em que surgiu não raras vezes a dar apoio central e a ligar o jogo da equipa. Todavia, isto, em princípio, implicará a derivação do ‘farol’ Raúl Garcia para a direita (pelo menos enquanto Arda não recupera), ele que é – como era – o alvo quando a equipa tem necessidade de um jogo mais directo e mais ‘esticado’, apelando à fortíssima dimensão aérea do seu nº 8. De facto, foi essa forma de jogar que o Atlético utilizou durante muito tempo no jogo no Santiago Bernabeu bem como na 1ª parte no Vicente Calderón. Depois, com mais espaço, a equipa tornou-se mais capaz de fazer algo que tão bem sabe também: gestão do ritmo de jogo com bola. Neste sentido, a titularidade de Tiago foi um plus, tamanha a qualidade de posicionamento e capacidade (de oferecer linhas) de passe do internacional português, capitalizando ainda mais a valência que o ‘Atleti’ demonstra de fazer “campo grande” quando quer fazer posse, utilizando de forma sistemática os seus dois laterais, hoje Siqueira e Juanfran (que grande partida fez na 2ª mão!).

Tudo somado, o Atlético levou de vencida o conjunto de Ancelotti e garantiu a sua primeira conquista da época. Talvez até mais do que o título, de reter ficam já os bons feelings que a equipa de Simeone foi capaz de dar, demonstrando que as bases do inimaginável recente sucesso têm tudo para ser replicadas nesta nova época. Perante as várias baixas de peso, não admirará se o Atlético ainda vier a fazer um pequeno ajuste no seu plantel; de todo em todo, a forma como se bateu no duplo confronto diante do super-Real deixa antever que qualquer sonho que percorra a mente de Simeone pode ser materializado – os guerreiros em forma de jogadores de futebol estão de volta e, com isso, a prova de que vencer no futebol, felizmente, não depende de um livro de cheques.

super Atleti!
Depois da derrota na Luz, o ‘Atleti’ vingou-se do seu maior rival.
Fonte: Marca

Olheiro BnR: Andreas Samaris

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Andreas Samaris é uma grande adição para o plantel do Benfica, depois da transferência de Matic, em janeiro, para o Chelsea e da recente maré de lesões que tem assolado o sérvio Fejsa. Posso descrevê-lo como um médio moderno, uma vez que consegue jogar nas posições “6” e “8”. No início da sua carreira profissional era utilizado a médio-defensivo, mas no Olympiakos fez grandes progressos e passou a ser mais utilizado como um médio todo-o-terreno. Para além destas duas posições, o jogador grego pode também jogar do lado direito do meio-campo.

Samaris pode ser descrito como um jogador que sabe gerir os ritmos de jogo, que é rápido, bom no capítulo defensivo e que também consegue organizar e fazer fluir o jogo da equipa. Tem ainda boa capacidade de passe, excelentes atributos físicos e uma boa visão do jogo, daí eu entender que poderá ser uma opção regular no Benfica. O médio grego é ainda um jogador muito trabalhador, algo que o treinador Jorge Jesus deverá certamente apreciar.

Samaris foi jogador do Panionios durante 4 anos (2009-2013) até ser transferido para o Olympiacos FC. Juntou-se ao atual campeão grego em agosto de 2012, num negócio avaliado em 350 mil euros, mas foi novamente emprestado ao Panionios para fazer a temporada 2012-2013. Na seleção, foi convocado por Fernando Santos para representar a equipa grega no último Mundial, no Brasil. O atleta foi o substituto de Panagiotis Kone, que se lesionou antes de a competição começar, e acabou por se estrear no dia 24 de junho frente à Costa do Marfim. Nesse mesmo jogo fez o seu primeiro golo ao serviço da equipa grega à passagem do minuto 42, quando aproveitou um erro de Cheick Tioté para abrir o marcador do encontro.

Samaris é um jogador que pode jogar em várias posições do meio-campo Fonte: Getty Images
Samaris pode jogar em várias posições do meio-campo
Fonte: Getty Images

Relativamente a esta recente transferência para o Benfica, tenho a dizer que 10 milhões de euros é um claro exagero. No meu entender, o passe de Samaris estaria avaliado, aproximadamente, entre os 5 e os 7 milhões de euros. Samaris, que nasceu em Patras, a terceira maior cidade da Grécia, é um grande amigo de Katsouranis, antigo atleta do Benfica. Ambos deram os primeiros passos no Panachaiki (equipa local com grande história) e sempre tiveram uma grande relação de proximidade. Samaris é mesmo um grande admirador de Katsouranis, tendo recentemente admitido numa conferência de imprensa, ao serviço da seleção grega, que admira o seu conterrâneo e que gostava de ter uma carreira como a dele. Estas declarações até jogaram muito contra ele, dado que os adeptos do Olympiacos e do PAOK (clube de Katsouranis) têm uma grande rivalidade, daí terem ficado desapontados com as suas declarações.