O jogo de hoje era muito importante para a classificação do Grupo A. A Croácia vinha de uma derrota perante o anfitrião Brasil, embora tenha efetuado uma boa exibição, lutando até ao final da partida por um resultado positivo.
Os Camarões realizaram um jogo fraco diante do México e podiam mesmo ter perdido por uma margem superior caso não tivesse tido dois golos mal anulados. Portanto, o jogo de hoje era decisivo para as contas do grupo.
A Croácia tinha de entrar muito bem na partida, visto que só os três pontos manteriam os croatas na luta pelo apuramento. Logo aos 11 minutos, Olic inaugurou o marcador num pleno golo de oportunidade. Grande início de jogo!
A partir do primeiro golo o encontro foi mais bem disputado, com a Croácia a causar inúmeras oportunidades para voltar a marcar, enquanto os africanos pouco fizeram para tentar empatar. Subiram no terreno, trocaram melhor a bola, tentaram causar algum perigo, mas, no que toca a oportunidades flagrantes de golo, não dispuseram de nenhuma.
Ao minuto 39, Alex Song comete um absurdo, agredindo um adversário. Com esta atitude, este será o último jogo do jogador do Barcelona, e a sua equipa foi tremendamente prejudicada.
A segunda parte não podia ter começado da melhor maneira para os croatas: Perisic aproveitou um passe do guarda-redes Itandje, fez uma grande arrancada e marcou um belíssimo golo!
Ao minuto 60, Mandzukic faz o 3-0 e, aos 72, o 4-0, bisando assim na partida.
O jogo estava claramente decidido, e a seleção croata exibiu-se, outra vez, a um excelente nível. Ao minuto 89, os Camarões finalmente causaram uma oportunidade flagrante que resultou num remate à barra.
Mario Mandzukic, a grande figura do encontro ao apontar dois oportunos golos Fonte: Fichajes.com
O jogo terminou e ficou na retina mais uma boa exibição dos croatas, que tudo fizeram para vencer. O resultado poderia ter sido mais avolumado, face às inúmeras oportunidades de golo de que dispuseram. Os Camarões fizeram um jogo fraco, desorganizados defensivamente e tiveram muito poucas oportunidades de golo.
De realçar também a boa arbitragem do português Pedro Proença.
O jogo entre o México e a Croácia será certamente um jogo de altíssimo nível, visto ser aquele que decide o segundo lugar e respetiva qualificação.
A Figura:
Mandzukic tem, obviamente, de ser considerado a figura do encontro devido aos dois golos que marcou, golos esses que contribuíram e muito para a importantíssima vitória do seu país.
O Fora-de-Jogo:
Alex Song é claramente o jogador escolhido para este lugar. Devido à sua infantilidade, prejudicou a sua equipa e prejudicou-se a si próprio. Foi uma péssima atitude de um jogador que possui uma vasta experiência e que devia ter-se contido. Não havia qualquer necessidade de fazer o que fez.
Quem diria! A Espanha, campeã do mundo em título, está fora do Mundial do Brasil. A derrota com o Chile por 2-0 não dita apenas o afastamento desta competição; marca o fim de ciclo de uma geração que ganhou tudo o que havia para ganhar e que ficará para sempre na história. No dia em que o rei Juan Carlos assinou a lei que torna oficial a sua abdicação do trono, os reis do futebol caem aos pés dos guerreiros chilenos, que deixaram a pele em campo e que já têm lugar marcado nos oitavos (tal como a Holanda).
Em relação à primeira jornada, Del Bosque trocou Piqué por Javi Martínez (que também esteve desastrado) e Xavi por Pedro, passando Iniesta para o corredor central. No entanto, a jogar com um duplo pivot composto por Xabi Alonso e Busquets e com laterais pouco participativos, a Espanha voltou a apresentar um futebol lento e demasiado previsível. Do outro lado esteve um Chile que usou a agressividade para compensar as lacunas defensivas da equipa. Sampaoli abdicou de Valdivia e colocou Francisco Silva em campo, voltando ao sistema habitual com três centrais. E a estratégia deu resultado. Os sul-americanos marcaram numa transição rápida, com Aranguiz a assistir Vargas para o primeiro golo. Em vantagem, a equipa baixou o bloco e entregou a posse de bola aos espanhóis, que tiveram dificuldades para penetrar na defensiva chilena (tiveram apenas uma grande oportunidade, com Diego Costa a rematar à malha lateral). O 2-0 surgiu ainda antes do intervalo, numa fase em que o Chile não o justificava. Casillas defendeu o livre de Alexis, mas na recarga Aranguiz bateu o guardião espanhol, que voltou a não estar isento de culpas.
Eduardo Vargas festeja o primeiro golo Fonte: FIFA
Para a segunda parte, Del Bosque lançou Koke para o lugar de Xabi Alonso, que esteve irreconhecível. A equipa surgiu com mais intensidade e Alba esteve mais activo no flanco esquerdo, mas Bravo – talvez o melhor em campo – foi um obstáculo intransponível. Com o passar dos minutos, os campeões do mundo deixaram de acreditar na reviravolta e podiam ter sofrido o 3-0. Alexis e Vargas, que para além dos desequilíbrios ofensivos fizeram um trabalho incansável a defender, puseram em sentido a desorientada defesa espanhola. Até ao final, os chilenos limitaram-se a gerir a posse de bola perante uma equipa sem alma. Mérito para Sampaoli – hoje deixou as “loucuras” de lado e teve uma abordagem inteligente ao jogo – e, claro, para os jogadores chilenos, que cumpriram na perfeição as suas funções.
A Figura:
Charles Aranguiz – Foi decisivo neste encontro. Apesar de Bravo ter feito uma exibição espectacular na baliza, o médio fez uma assistência e um golo e confirmou as boas indicações deixadas na partida contra a Austrália. Um jogador com muita disponibilidade física, intenso na recuperação e que chega bem à área contrária.
O Fora-de-Jogo:
Espanha – Hoje, num jogo de tudo ou nada, veio a confirmação de que o desaire frente à Holanda não foi apenas um acidente. Foi mais uma exibição medíocre de uma equipa desgastada – tanto a nível físico como mental –, sem ideias e com jogadores a pedir férias (Casillas, Ramos e Xabi Alonso tiveram uma prestação horrível no Brasil). Del Bosque tem muitas culpas no cartório, não só por ter feito uma convocatória com base no estatuto dos jogadores, mas principalmente por ter falhado na abordagem aos jogos. Entrar com Busquets e Xabi Alonso num jogo em que precisava de ganhar demonstrou algum receio (podia perfeitamente ter lançado Koke de início) e tendo em conta o modelo de jogo da equipa seria preferível alinhar com Fàbregas como falso 9. Veremos se, depois desta fraca prestação, o seleccionador campeão mundial continuará no cargo.
A Austrália apresentou-se em campo em 4-2-3-1, depositando em Tim Cahill as esperanças australianas. Por sua vez, a Holanda optou por um 5-3-2, com os laterais bem abertos. Enquanto os primeiros necessitavam de pontuar neste jogo para poderem adiar para o último jogo com a Espanha o jogo que iria decidir, ou não, a passagem para a próxima fase da Campeonato Mundial 2014, os holandeses, ainda embevecidos com a vitória alcançada perante os bi-campeões europeus e actuais detentores do título mais cobiçado do futebol entre selecções – o de campeão mundial – previam uma tarefa, teoricamente, fácil. O favoritismo não se verificou no decorrer do jogo e pode-se assumir, até, que foi uma partida extremamente bem disputada entre ambas as selecções.
A primeira parte, tal como em grande parte do jogo, foi disputada muito “taco a taco”; a Holanda tentava utilizar as maiores ao seu dispor em Robben e Van Persie e a Austrália pressionava bastante, sendo que Cahill dava o exemplo. Uns primeiros quarenta e cinco minutos em que o meio campo holandês se mostrava fraco e, apesar dos nomes que tinha, muito pouco criativo e em que Leckie e, para não variar, Cahill provavam ser os jogadores mais perigosos do maior país da Oceânia.
Aos 20 minutos, numa jogada relâmpago protagonizada por Robben, o marcador era inaugurado e, logo de seguida e sem deixar os adeptos holandeses festejarem, Tim Cahill no minuto seguinte surpreendeu o mundo do futebol com um golaço digno de registo.
O resto da primeira parte continuou com inúmeras jogadas perigosas para ambos os lados. Bruno Martins Indi, jogador nascido no Barreiro, acabou por sair lesionado numa casa, depois de uma entrada fora de tempo por Tim Cahill, que iria levar um cartão amarelo. Depay acabaria por substituir o defesa holandês.
Com o começo da segunda parte da partida e a alteração forçada por parte de Louis Van Gaal a selecção jogava agora num 4-4-2 e as mudanças tácticas mostraram-se eficazes. Contudo, nem 10 minutos passaram e a Austrália, numa grande penalidade convertida por Jedinák, dava, pela primeira vez no jogo, a liderança ao seu país. Mas, como já tinha acontecido anteriormente no jogo, pouco tempo se prolongou esta vantagem e três minutos volvidos Robin Van Persie marcava, também ele, um belo golo na grande área.
Mais uma vez o jogo estava partido, com ambas as selecções a fazerem inúmeras jogadas perigosas perto das balizas adversárias. Foi aos 68 minutos que Depay desfez, até ao final do jogo, o empate e desferiu um remate com muito efeito que acabaria por entrar na baliza defendida por Langerakm, que ficaria mal na fotografia. De reparar que este golo foi no seguimento de uma jogada de muito perigo por parte da Austrália. Contudo, após o golo marcado por Depay, o jogo ficaria (ainda mais) partido, mas nunca conseguindo a Austrália empatar e dar alguma justiça ao resultado.
A Holanda começou como favorita, mas batalhou bastante para conseguir este triunfo perante uma lutadora Austrália. De acordo com o que foi o jogo, julgo que um empate teria sido mais merecido, visto que foi um jogo realmente muito disputado. Com esta derrota e com o amarelo mostrado à sua maior estrela, que a impede de jogar o próximo jogo, os australianos já não têm muitas esperanças para passarem para uma próxima fase.
Robben foi a figura mais perigosa por parte dos holandeses e mostrou estar numa forma realmente assustadora Fonte: facebook.com/fifaworldcup
A Figura:
Arjen Robben – O veloz extremo holandês jogou a um alto nível e está numa forma assombrosa. Mais uma vez foi o maior impulsionador do ataque holandês e foi o jogador mais perigoso da selecção.
O Fora-de-Jogo:
Meio campo holandês – Apesar de contar com nomes como Wesley Sneijder e Jonathan De Guzman, o sector do meio campo foi uma sombra do que é capaz e só com a entrada de Memphis Depay é que este sector se mostrou mais perigoso. A falta de um criativo e organizador de jogo como Rafael Van der Vaart fez muita falta neste jogo.
O Bola na Rede continua a acompanhar a par e passo o Campeonato do Mundo de Futebol! Finalizada a primeira jornada do Mundial do Brasil e depois de todas as Selecções terem sido já postas à prova, é hora de fazer um breve apanhado em relação ao que está para trás e lançar os próximos dias de competição.
Grupo A
A Copa abriu com país anfitrião a receber e bater a Croácia por 3-1. Apesar da vitória, o Brasil não convenceu (algo que voltou a suceder já no primeiro jogo da segunda jornada diante do México): apareceu uma equipa demasiado presa a um 4-2-3-1 pouco dinâmico, sem profundidade, e que vive sobretudo da inspiração da sua estrela-maior, Neymar. Por sua vez, ainda que derrotada, a Croácia fez um jogo competente e é natural que venha a crescer em termos de agressividade atacante com o regresso de Mandzukic.
No outro jogo do grupo, o México derrotou os Camarões por 1-0. Com um esquema 5-3-2 que facilmente se desdobra em 3-5-2, os mexicanos revelaram (e confirmaram ontem, diante do Brasil) uma boa organização defensiva e uma capacidade invulgar de carrilar jogo pelas laterais (Aguilar e Layun são fundamentais neste aspecto), ao qual aliam grande objectividade em termos ofensivos (Herrera, Guardado e Gio dos Santos estão em evidência). Já os Camarões se mantiverem o padrão de atitude e de (des)organização defensiva terão uma curta estadia no Brasil.
Grupo B
Num grupo em que há, claramente, três galos para dois poleiros, a Holanda humilhou a Espanha (5-1). A equipa de Van Gaal trocou completamente as voltas aos Campeões do Mundo apostando num 5-3-2 muito compacto e povoado no espaço interior e em que a capacidade de esticar jogo através de passes longos dos defesas à procura de Robben e Van Persie se revelou decisiva; resta saber se Van Gaal continuará a apostar neste padrão de jogo e se Blind, um dos destaques da primeira ronda, manterá consistência no seu rendimento. Quanto a ‘La Roja’, tudo o que lhe podia correr mal, correu. Em causa está agora a forma como a equipa responderá diante do Chile num jogo em que só a vitória serve – Del Bosque deixará cair Casillas ou Xavi e injectará sangue novo na equipa, dando-lhe outra capacidade de resposta e largura em termos ofensivos (Pedro poderá ser importante num conjunto que, hoje, se revela previsível)?
Manter-se-á Casillas na baliza de ‘La Roja’? Fonte: Fifa.com
Na outra partida do grupo, o Chile venceu a Austrália por 3-1 mas só a espaços conseguiu traduzir em bom futebol a expectativa em torno da sua equipa. Os centrais Jara e Medel sofrem muito quando o jogo ganha dimensão aérea e a equipa precisará de um Vidal com outra capacidade se quer ombrear com a Espanha. Do outro lado da barricada, a Austrália é uma equipa claramente limitada, vivendo na esperança de que Cahill tenha capacidade para ganhar bolas na área, invariavelmente servido por um Bresciano que mantem a classe mas já não tem dimensão física e por uma agradável surpresa (a confirmar) de nome Leckie.
Grupo C
No grupo teoricamente mais equilibrado do Mundial, um dos resultados foi tremendamente desequilibrado. A Colômbia bateu a Grécia por 3-0, mas, não obstante esse dado, nem tudo é bom em ‘Los Cafeteros’ nem tudo é mau na equipa de Fernando Santos: os colombianos demonstraram viver muito em função da visão de jogo de James (e da prodigiosa técnica e velocidade de Cuadrado) e só não tiveram mais problemas porque o espaço central esteve sempre bem protegido e guardado por Yepes e Zapata e, à sua frente, por Aguilar e Sanchéz; quanto aos gregos, revelaram-se organizados mas demonstraram sempre enorme dificuldade em saber o que fazer com a bola, não conseguindo mudar de velocidade (Fetfazidis pode vir a ser importante para alterar esta tendência) e em que jogadores como Katsouranis, Maniatis ou Salpingidis pouco acrescenta(ra)m.
No encontro que colocou frente-a-frente Costa do Marfim e Japão, a vitória sorriu aos africanos (2-1). Os costa-marfinenses apenas foram capazes de mostrar algo de substancial na última meia hora e muito à custa da aura de Drogba: foi a sua presença em campo (moralizou e levou a equipa consigo) e na área (juntou-se a Bony e essa parceria confundiu a defesa japonesa) que virou o jogo. Já o Japão, no seu esquema habitual de 4-2-3-1, mesmo dando sempre a sensação de controlar o jogo, nunca o conseguiu dominar, vivendo demasiado em torno de Honda. Para seguir em frente, terá de não ter receio de assumir a partida (chamando mais Kagawa e Okazaki), evitar que os centrais sejam expostos a lances aéreos e possivelmente apostar em Kakitani como referência ofensiva.
Grupo D
Referir-me à primeira jornada do grupo D é falar de dois grandes jogos. Surpreendentemente o Uruguai foi batido pela Costa Rica (1-3), numa partida em que os sul-americanos desiludiram: jamais tiveram capacidade para ligar o seu jogo e sentiram demasiado a falta do seu super goleador, Luiz Suaréz. Reverter a situação não é impossível mas é preciso tornar a equipa mais compacta – como era o ‘Uru’ do Mundial’2010 ou da Copa América’2011 –, recuando Forlán (mesmo sabendo que não é o mesmo jogador de outrora) e recuperando o seu nº 9. Por outro lado, a Costa Rica foi a mais bela surpresa da Copa até à data: arrumada num invulgar 5-2-2-1 tem em Keylor Navas o seu porto de abrigo mas é Joel Campbell o seu elemento mais excitante, com uma capacidade técnica e explosiva anormais, aos quais se alia a classe de Bryan Ruiz.
O Uruguai precisa de Luiz Suárez. Fonte: Fifa.com
Se o primeiro foi bom, o segundo foi ainda melhor: a Itália bateu a Inglaterra por 2-1, naquele que é, provavelmente, o melhor jogo do torneio até ao momento. Os ingleses até convenceram – ter quase metade da equipa do Liverpool ajuda –, com um futebol ofensivo, pontuado pela classe de Gerrard e de Rooney e com a velocidade e o rasgo de Welbeck, Sterling e Sturridge, mas não conseguiram vencer. Trocar Henderson por Wilshere (ou mesmo Lampard) poderá deixar os britânicos mais perto dos primeiros três pontos. Que, em abono da verdade, só não lograram porque do outro lado esteve a Itália: a Itália que domina, controla e especula com o jogo, conforme os seus intentos a cada momento, fazendo-o como mais ninguém. Pirlo parece que tem 25 anos, e depois há De Rossi, Marchisio, Candreva ou Balotelli. Ou, se calhar, mais – a Itália parece que joga sempre com mais.
Grupo E
Na sua primeira jornada, o grupo E ficou marcado por dois jogos bastantes distintos. O Suiça 2-1 Equador revelou-se emotivo até ao final, contrapondo uma equipa helvética que viveu sobretudo das incursões dos seus dois laterais (Lichtsteiner e Rodriguez) e da veia goleadora dos homens que saíram do banco (Mehmedi e Seferovic, que, pela sua performance, merecem ser considerados para o próximo onze inicial) mas que, durante muito tempo, se mostrou apática e inconsequente, a um Equador que fez por merecer outro empate: o seu 4-4-2, facilmente desdobrável em 4-2-4, viveu muito do manancial técnico de Montero, numa equipa recheada de bons talentos (Ayovi, Paredes, Noboa e os dois Valência) e que irá, por certo, dar luta até final.
Na outra partida, as Honduras foram uma presa fácil para a França (0-3). Os hondurenhos chegaram a demonstrar capacidade de condicionar a França e esticar o jogo (através de Bengston e Costly) mas a expulsão de Palacios deitou tudo a perder. Já a equipa de Didier Deschamps, num 4-3-3 perfeitamente definido, tem um meio-campo de alta rotação (Matuidi, Cabaye e Pogba) e um Benzema a jogar a toda a largura – neste sentido, a entrada de Giroud para o espaço ‘9’, por troca com Valbuena, e a deslocação do jogador do Real Madrid para outros terrenos pode dar à França mais qualquer coisa.
Grupo F
A primeira jornada do Grupo F ficou marcada pela vitória da Argentina sobre a Bósnia (2-1) mas sobretudo pelas invenções do seleccionador do país do tango. Sabella foi a jogo com um inaudito 5-3-2 e com uma equipa claramente dividida em dois: sete praticamente só defendem, quatro só atacam. Não fosse o autogolo de Kolasinac e o jogo poderia ter sido bem mais complicado para Messi e companhia, mesmo que o regresso ao 4-3-3 (ou 4-4-2 losango, com o astro argentino no vértice ofensivo) não tenha ocultado as grandes dificuldades de organização e controlo do jogo. Do lado da Bósnia, esperava-se mais de uma equipa que tem vários elementos de categoria mas que se limitou a fazer um jogo pouco imaginativo e profundo. A entrada de Ibisevic deu outra agressividade atacante, pelo que é lógico o seu surgimento a titular na próxima partida.
Mesmo no caos, Messi ajudou a resolver. Fonte: Fifa.com
O primeiro nulo do Brasil’2014 chegou com o Irão-Nigéria. Um jogo com pouca história e que se resume a uma estratégia de resiliência montada por Carlos Queiroz, com linhas bem próximas e procurando entregar as despesas do jogo, condicionando-o, à turma nigeriana. O objectivo foi plenamente atingido e o estratagema irá por certo manter-se nas próximas partidas. Por sua vez, a Nigéria lidou mal com o papel de comandante da partida – é uma equipa que vale sobretudo pela velocidade dos seus homens da frente, pelo que, retirando-lhes espaço, rouba-se-lhes a capacidade de fazer a diferença no jogo. É, pois, possível que frente a Argentina e Bósnia se sinta mais confortável e, quiçá, consiga fazer uma gracinha.
Grupo G
No grupo de todos nós, a primeira partida de Portugal no Mundial dificilmente poderia ter corrido pior. O resultado de 4-0 é, por demais, elucidativo do que a equipa de Paulo Bento (não) fez, mesmo que seja fruto de incontáveis circunstâncias e episódios. Com os EUA aí à espreita, é imperioso que o grupo se reabilite em termos emocionais e que o seleccionador prepare uma verdadeira estratégia. Com tanto imponderável, Beto deveria assumir a baliza, Neto emparelhar com B.Alves, Veloso derivar para a lateral esquerda, William voltar à posição ‘6’ e Éder ser a aposta atacante. Do lado da Alemanha, nem Low sonharia com tanto! A inclusão de jogadores móveis na frente de ataque foi decisiva (Muller e Gotze estiveram impecáveis) e o roubo do espaço predilecto de Ronaldo revelou-se fundamental. A equipa germânica tem a qualificação na mão, tendo sido, possivelmente, a equipa que maior qualidade de jogo apresentou.
A outra partida da primeira jornada deste grupo desembocou numa vitória dos EUA sobre o Gana (2-1). Os norte-americanos foram tremendamente felizes mas o certo é que foram também imensamente competentes: defenderam-se sempre com oito homens atrás da linha da bola, com duas linhas de quatro bem próximas, redundando num bloco bastante organizado e coeso. Dempsey tem muita qualidade, Jóhannsson substituirá o lesionado Altidore mas foi Beckerman quem encheu o campo e as medidas: o médio defensivo está no encalce de todas as bolas e lances. Do lado do Gana, este foi um jogo inglório: sofreu um golo ao minuto 3, assumiu por completo o jogo, desperdiçou e viu o empate fugir-lhe por entre os dedos. Num conjunto com vários jogadores de qualidade, Atsu (ex-FC Porto) e Asamoah estiveram em plano de evidência.
Grupo H
No último grupo a entrar em campo, a primeira jornada ofereceu uma vitória da Bélgica sobre a Argélia (2-1). Ao contrário do que era expectável, os belgas tiveram muita dificuldade em assentar o seu jogo, marcadamente lento e inofensivo durante a primeira parte. A diferença esteve sobretudo no banco: a largura dada por Mertens e a dimensão física e aérea trazidas por Fellaini fizeram cair o jogo para o conjunto de Wilmots. Por sua vez, a equipa da Argélia demonstrou ter uma estratégia bem delineada: condicionar o jogo belga e tentar sair em transição, sobretudo pelo lado esquerdo. Ter bons intérpretes, como Ghoulam, ajudou durante um certo período mas, nos próximos jogos, se quiser passar, a Argélia tem de ter outra acutilância ofensiva – Ghilas ou Slimani poderão ser importantes peças.
Mertens foi preponderante na vitória da Bélgica sobre a Argélia. Fonte: Fifa.com
O empate entre Rússia e Coreia do Sul (1-1) reflecte bem a contraposição entre as duas equipas. Os russos, num 4-3-3 bem definido, têm claro dedo de Capello no processo defensivo: são uma equipa que, em organização defensiva, está sempre bem posicionada e não permite grandes veleidades. Todavia, chegar à frente ainda é complexo, algo acentuado após a lesão de Shirokov. Abrir a frente de ataque com Kerzhakov e Dzagoev resultou plenamente ontem mas dificilmente se irá repetir (pelo menos desde o inicio) diante da Bélgica. A Coreia do Sul surpreendeu positivamente: enquanto teve capacidade física, os coreanos apostaram num 4-2-3-1 muito pragmático, com um futebol rápido e positivo, mas, como tradicionalmente, com problemas ao nível da finalização. Heung-Min Son é sempre o homem mais perigoso e pode fazer com que a equipa asiática tenha uma palavra a dizer neste grupo.
Hoje escrevo-vos directamente da praia do hotel onde estou alojado, em Porto Seguro (próximo destino: Salvador). Estou sentado na areia com o computador ao colo, deixando-me levar pelo calor de uma noite fantástica – como sempre – e há uma festa aqui mesmo ao lado que me está a oferecer a banda sonora perfeita para o diário desta Quarta-Feira. Por isso, melhor cenário não poderia pedir.
O assunto do dia foi obviamente o jogo do Brasil. Não pude assistir ao desafio inaugural da Copa, por me encontrar a trabalhar, e hoje não podia perder a oportunidade de viver um momento destes junto dos brasileiros. E confirma-se que eles são tão ou mais fanáticos do que nós quando joga a canarinha. É a loucura total. Um bar de praia completamente cheio, com homens, mulheres e crianças equipados de verde e amarelo a vibrar com cada lance que acontece próximo da baliza adversária. Sobretudo quando Neymar tem a bola. A desilusão pelo nulo foi evidente, mas sobraram elogios de quase todas as mesas para o portista Herrera e isso foi o suficiente para sair de lá satisfeito. Apesar de tudo, é um jogador que actua na nossa liga e, quer queiramos quer não, temos sempre um fraquinho pelos atletas que conhecemos quando acontecem estas grandes competições.
E já que falo em Porto Seguro, deixem-me contar-vos também esta pequena curiosidade que certamente não passa para a comunicação social (muito menos a portuguesa): as selecções da Suíça e da Alemanha estão cá alojadas, a uma distância de pouco mais de 10 quilómetros e separadas por um rio que só é possível atravessar de ferry boat. Como é óbvio, sobretudo por se tratar de uma cidade pequena e pouco habituada a estas andanças, a população acolheu estas duas equipas de corpo e alma e torce por elas quase como torce pelo Brasil. Escusado será dizer que, durante o jogo de Portugal, eu mudei de ambiente mais do que uma vez para não ter de me chatear: comecei por ver o jogo numa esplanada, passei para a recepção do hotel e terminei sozinho no quarto. Eram demasiados brasileiros a gritar “gol” para eu me conseguir aguentar sem abrir a boca, mas pode ser que Ronaldo e companhia ainda lhes venham a dar um pequeno desgosto mais lá para a frente. Vá lá que eu saí do bar hoje com um sorriso no rosto quando o árbitro do Brasil-México fez soar o apito final… cá se fazem, cá se pagam.
Rússia vs Coreia do Sul, último jogo da 1ª jornada da fase de grupos deste Mundial 2014, Arena Pantanal, em Cuiaba, com as bancadas quase cheias. Num grupo em que não existe nenhum colosso (apesar da qualidade da Bélgica), russos e sul-coreanos entraram em campo sabendo que entrar a ganhar seria importantíssimo.
E se alguém pensava que a Rússia iria vencer facilmente, tendo em conta o seu bom lote de jogadores e a qualidade do seu seleccionador, Fabio Capello, enganou-se redondamente. A Coreia do Sul, que claramente não tem uma equipa ao nível doutros anos, fez das fraquezas autênticas forças e de uma forma muito compacta impediu que a Rússia fosse um conjunto muito perigoso. Aliás, o primeiro tempo desta partida foi bastante fraco, não havendo praticamente oportunidades de golo, e para isso muito contribuiu a inoperância russa. Com um futebol lento e previsível, quase a roçar o desértico, a equipa orientada por Capello raramente conseguiu ultrapassar a defensiva da selecção asiática, que, diga-se em abono da verdade, quase não criou perigo nos primeiros 45 minutos.
E assim se chegava ao intervalo, com um nulo justíssimo, castigando o mau futebol praticado pelas duas formações e com a Rússia a não provar o porquê de ter passado à fase final do Brasil 2014 num grupo que contava com a selecção portuguesa.
Quando o jogo parecia bloqueado, Akinfeev tratou de o desbloquear Fonte: Getty Images
A Rússia entrou mais decidida na etapa complementar, com um futebol mais rápido e envolvente, procurando provocar desequilíbrios no último reduto da equipa sul-coreana. Contudo, a Coreia do Sul também começou a tornar-se mais atrevida, saindo quase sempre para o contra-ataque com perigo, chegando mesmo a ter alguns momentos de domínio territorial. Até que aos 68 minutos, num remate de meia-distância de Lee Keun-Ho que parecia inofensivo, Akinfeev falhou rotundamente, dando um frango monumental, adiantando assim a selecção asiática no marcador. Um tremendo erro que mexeu completamente com o jogo.
Fabio Capello reagiu de pronto a este choque, colocando Kerzhakov em campo, e a verdade é que o avançado do Zenit, num lance confuso, restabeleceu a igualdade aos 74 minutos, colocando alguma justiça no resultado. Daí para a frente, o jogo foi emocionante, não muito bem jogado, com o perigo a rondar mais a baliza da Coreia do Sul, mas nem por isso com os sul-coreanos a abdicarem do ataque, revelando sempre rapidez de processos.
Contas feitas, empate a uma bola que se justifica, numa partida que opôs uma Rússia a alguma distância daquilo que pode e deve fazer a uma Coreia do Sul voluntariosa, que revelou aqui e ali alguma qualidade de jogo, e que pode ter por isso uma palavra a dizer neste grupo H.
A Figura Coesão da Coreia do Sul – Bem estruturada, com processos simples, a equipa sul-coreana raramente deu azo a que a Rússia provocasse grandes estragos. Mesmo estando algo na sombra neste Mundial, mesmo sendo um conjunto pouco falado, sem grandes estrelas, a verdade é que esta Coreia do Sul provou que tem qualidade, em especial na 2ª parte, em que assustou, e de que maneira, a formação russa.
O Fora-de-Jogo Erro de Akinfeev – O experiente guarda-redes russo deu um frango do tamanho do estádio, prejudicando a sua equipa. Claro que todos os atletas podem errar, e Akinfeev já provou em variadíssima ocasiões que é um excelente guarda-redes, mas isso não apaga o erro pouco admissível numa fase final de um Campeonato do Mundo e que só não teve piores consequências para a sua equipa porque Kerzhakov marcou um golo quase caído do céu, num lance às três tabelas.
Depois dos dois primeiros jogos do Mundial, que colocaram em causa a arbitragem da competição, eis que se voltou a apitar para que a bola rolasse no grupo A. Os vencedores da primeira jornada encontraram-se, sem grandes surpresas na abordagem do jogo. À excepção da saída de Hulk e da entrada de Ramires, os sistemas de ambas as formações foram os expectáveis.
Na primeira parte, o nulo justificou-se. Apesar de terem existido oportunidades de parte a parte, não houve verdadeiramente um desequilíbrio que forçasse o marcador a ser outro a meio do jogo. Óscar, numa fase inicial, e Neymar, também de uma forma ocasional, indiciaram querer pegar no jogo, mas a explosão do jogo não se deu e os golos não apareceram. É de assinalar a oposição de Ochoa ao remate de Neymar quando se jogava o minuto 26. A defesa do mexicano ao remate do número 10 é uma das melhores deste Mundial. O Brasil conseguiu uma melhor gestão com bola, em tempo e qualidade; o México apostou mais na longa distância. Destaque ainda para a organização defensiva da turma mexicana e para a capacidade de anular as transições e investidas canarinhas.
Ochoa foi a grande figura do encontro Fonte: Getty Images
Ao intervalo, Scolari mexeu na equipa. Apostando na velocidade, retirou Ramires e lançou o jovem Bernard. Mantendo uma coesão táctica assinalável, o México mostrou-se ainda assim ousado e investiu no sentido da baliza brasileira. Um Brasil sem grande personalidade permitiu uma ascensão mexicana, que continuava a apostar na longa distância. Guardado, Vázquez, Dos Santos e Herrera apontaram a mira à baliza de Júlio César, que aguentou o nulo. Numa fase em que o México apresentava mais perigo, Scolari refrescou o ataque e substituiu Fred por Jô, e a verdade é que este foi um ponto de inflexão do jogo. Não propriamente em termos de sistema (foi a chamada “troca por troca”), mas eu termos anímicos. O Brasil começou a acreditar mais, a jogar com mais confiança, a conseguir conquistar mais espaço no contra-ataque e a tendência do jogo alterou-se. O treinador mexicano, Miguel Herrera, respondeu lançando Chicharito e retirando Peralta do jogo. Ambos os treinadores ainda voltaram a mexer: no Brasil, entrou Willian por Óscar; no México, Fábian compensou Herrera e Dos Santos cedeu lugar a Jiménez.
No entanto, o clímax do jogo estava guardado para os minutos finais. Com o jogo mais aberto e sem a concentração de toda a partida, ambas as selecções esgotaram os últimos cartuchos. Valeram Ochoa e Júlio César, numa verdadeira apoteose futebolística. O empate sem golos esconde as oportunidades e a vontade das duas formações de se isolarem no grupo A. O México tem possibilidade de chegar aos oitavos-de-final pelo futebol e pela vontade que apresenta, no entanto, considerando a ameaça que é a Croácia (à data, com menos um jogo), podemos afirmar que o Brasil tem esse caminho mais facilitado. As contas estão longe de estar fechadas no grupo do anfitrião da festa do futebol.
A Figura:
Ochoa – o guarda-redes mexicano fez milagres neste jogo. É essencialmente dele a responsabilidade de o México ter saído da partida com um ponto.
O Fora-de-Jogo:
Ramires – não conseguiu aproveitar a titularidade e saiu ao intervalo. Teve pouco tempo e não conseguiu influenciar como seria de esperar.
A Bélgica apresentou um esquema em 4-2-3-1, ao passo que a Argélia optou por um 4-3-3 bastante fechado. A equipa com mais jogadores a actuar em Portugal tirando a selecção portuguesa e em igualdade com a Argentina – Halliche, da Académica, foi titular, Slimani (Sporting) e Ghilas (FC Porto) entraram a meio do jogo e Soudani, ex-Vit. Guimarães, também jogou de início – privilegiou sempre a organização defensiva e as cautelas tácticas, ao passo que os belgas tiveram desde cedo sérias dificuldades em agarrar as rédeas do jogo e em assumir na prática o favoritismo que lhes era atribuído no papel.
A primeira parte conta-se em poucas palavras: a Bélgica mostrou-se sempre apática e pouco intensa, com Dembelé e Witsel muito presos no centro do terreno e Hazard completamente apagado. O facto de os seus laterais serem na verdade centrais adaptados (Alderweireld à direita, Vertonghen à esquerda) também prejudicou a equipa, conferindo-lhe muito pouca profundidade. A tarefa dos belgas ficou ainda mais complicada quando, aos 23 minutos, a Argélia se soltou no ataque e, após um cruzamento do lateral-esquerdo Ghoulam, Vertonghen derrubou Feghouli na área. Penálti nítido, convertido pelo jogador que sofreu a falta. Até ao intervalo, a Bélgica tentou aumentar o ritmo, mas sem criar grandes oportunidades. Perante uma Argélia a defender em bloco atrás da linha da bola, as únicas ocasiões de perigo foram um remate de Witsel de fora da área e uma tentativa de Chadli, que concluiu sem sucesso a primeira jogada criada por Hazard.
No segundo tempo, perante a apatia geral da equipa europeia, percebeu-se a entrada imediata de Mertens – um jogador rápido que substituiu o inconsequente Chadli. O extremo tentou sacudir o jogo, ora arrancando em velocidade ora através da cobrança de bolas paradas. A Argélia continuava retraída mas sempre bem posicionada, e reagiu à tentativa de domínio belga com um cabeceamento perigoso de Medjani também na sequência de um canto. A Bélgica voltou a ter a iniciativa de jogo, mas sempre de forma lentíssima.
A entrada de Fellaini (aqui com o jovem avançado Divock Origi, que também saiu do banco) acabou por revolucionar o jogo Fonte: fifa.com
Slimani (alguns bons pormenores, mas sem influência na partida) entrou aos 65 minutos para o lugar de Soudani e, no momento seguinte, Origi (que tinha substituído o inexistente Lukaku) aproveitou um raro erro da defensiva argelina para, isolado, permitir a defesa de M’Bohli. Pouco tempo, depois, o recém-entrado Fellaini fez uso do seu fantástico jogo de cabeça para repor o empate, desviando um centro do lado esquerdo de De Bruyne (Halliche fez um jogo sólido, mas neste lance foi batido nas alturas). Só após o 1-1 a Bélgica foi capaz de aumentar o ritmo, mas mais uma vez sem converter o domínio em ocasiões de golo. Foi apenas na única vez em que conseguiu ter espaço, após perda de bola de Feghouli no ataque, que a equipa de Marc Wilmots chegou ao golo. Hazard conduziu bem a jogada e soltou na direita para a finalização de Mertens. Bastou um lance de contra-ataque aos belgas para fazerem aquilo que não tinham sido capazes de alcançar em 80 minutos de passividade em ataque organizado.
A fechar, houve ainda tempo para uma grande defesa do guardião argelino, que parou novo cabeceamento de Fellaini (a Argélia teve, como se viu, dificuldades em lidar com as penetrações do médio em zonas de finalização para tentar o jogo aéreo) e para a entrada de Ghilas, aos 84 minutos (sem tempo). No entanto, a perder pela primeira vez, a Argélia não soube mudar o “chip” e esticar o seu jogo em busca do empate. A vitória da Bélgica acaba por ser justa, embora a exibição tenha sido cinzenta. Os jogadores acusaram claramente a pressão de serem vistos como favoritos. Estará a equipa-sensação da fase de apuramento preparada para ir longe na prova? Depois de ver este jogo, diria que terão de melhorar bastante para vencerem as próximas partidas.
A Figura
Marc Wilmots – O treinador belga soube reagir perante a fraca exibição da sua equipa. Todas as decisões que tomou durante o jogo se revelaram acertadas: tirou o apagado Chadli ao intervalo e colocou Mertens, que iria marcar o golo da vitória; não hesitou em tirar Lukaku e lançar Origi, um jogador muito mais móvel e que espevitou o ataque; deixou De Bruyne em campo e o jogador, apesar da exibição mediana, fez a assistência para o 1-1; e, finalmente, procedeu à entrada de Fellaini, que empatou cinco minutos depois de substituir Dembélé.
O Fora-de-Jogo
Bélgica – O resultado acabou por lhes ser favorável, mas a exibição foi tudo menos convincente. Os laterais não subiram, o meio-campo mostrou-se pouco dinâmico e o ataque foi quase sempre anulado pela boa organização argelina. E tudo isto, note-se, perante uma equipa modesta. A falta de experiência nestas andanças, bem como a dificuldade em lidar com as expectativas e a juventude de alguns jogadores, quase foram fatais para a Bélgica no jogo de hoje.
Ontem foi-me impossível escrever. O sinal de wi-fi no Brasil é como a capacidade goleadora do Postiga (oscila muito) e, à hora em que deveria ter enviado o artigo, não havia internet para ninguém no hotel. Estava em Brasília, uma cidade moderna e extremamente desenvolvida, projectada do zero há pouco mais de 50 anos por Juscelino Kubitschek e Óscar Niemeyer, mas que ainda não consegue estar online a 100%. Tal como todas as outras, aliás, pelo que tenho tido oportunidade de saber.
No entanto, e isso é que importa, está engalanada para receber a Copa. O Estádio Municipal – antigo Mané Garrincha, palco onde vi a Suíça obter uma reviravolta fantástica ao cair do pano frente ao Equador – é imponente e tem todas as condições para acolher jogos de primeiríssimo nível. A única coisa que lhe falta para ser verdadeiramente útil de futuro é mesmo ter uma equipa, já que a capital brasileira não tem nenhum clube a disputar a divisão principal. Os habitantes da cidade, que nos dias que correm até os edifícios do sector público (situados na Esplanada, como eles dizem) têm iluminados de verde e amarelo, não se mostram no entanto muito preocupados com isso. A Dilma dorme ali ao lado, uma grande percentagem da população trabalha para o Estado, e pelo menos a estes não lhes deve vir a faltar nada por causa do dinheiro gasto num estádio de futebol. Tanto assim é que eles responderam em massa à primeira chamada: a loucura em torno de um jogo aparentemente de segundo nível, este Suiça-Equador, levou mais de 60.000 pessoas às bancadas.
Não espere, no entanto, por uma recepção calorosa se lá se deslocar para ver Portugal nesta primeira fase da competição. O brasiliense é educado, amigável e disponível, mas não é tão dado aos turistas como por exemplo são os baianos de São Salvador (palco do jogo de hoje entre Portugal e Alemanha). Por outro lado, encontrará certamente uma das mais bem pensadas e construídas cidades do Mundo. A estrutura é idêntica ao desenho de um avião, com o Eixo Monumental (uma via com 4 faixas para cada lado) a separar a Asa Norte da Asa Sul, e com imensos espaços verdes a decorar os edifícios de linhas curvas que vemos a cada virar de esquina, desde a Catedral até à ponte JK. E ainda poderá ter a sorte de se cruzar com Avram Grant e Roberto Carlos, como eu me cruzei hoje. Já agora, se lá for, tire um tempinho para dar uma volta pelo lago Paranoá e pelo Parque da Cidade: dizem que é maior do que o Central Park de Nova Iorque…
Hoje deixo-vos também com uma fotografia tirada por mim, no palco onde todos nós queremos ver a Selecção das Quinas ganhar daqui por uns dias.
“O Futebol Clube do Porto acabou”. Esta foi uma das frases mais utilizadas nos últimos meses para fazer referência não só ao ‘reinado’ de Pinto da Costa mas, também,(imagine-se!), ao próprio clube. Os resultados registados deixam muito a desejar, o plantel não convence, tudo está mal. Sobre os registos positivos ninguém fala – esquecem-se, como, aliás, sempre acontece quando o clube merece destaque.
Silvestre Varela (Portugal), Eliaquim Mangala (França), Steven Defour (Bélgica), Diego Reyes e Hector Herrera (México), Juan Quintero e Jackson Martínez (Colômbia), Nabil Ghilas (Argélia) e Jorge Fucile (Uruguai). São, no total, nove os representantes portistas presentes no Brasil para disputar o Mundial de Futebol 2014. Nove!
Seria fácil pegar nestes números e entrar numa extensa comparação com outros clubes portugueses. Curiosamente, o Benfica conta com cinco jogadores na prova e o Sporting com quatro (5+4=9, uma conta simples de se fazer). Mas não, não irei por aí. Seria um desperdício do tão precioso espaço deste texto e, acima de tudo, seria um desperdício de tempo, quer para mim, que o escrevo, quer para todos vós, que me lêem.
O objectivo deste conjunto de parágrafos é, sim, combater a crítica e todos aqueles que tão mal falam do clube pelas vendas de jogadores “importantes” e supostas “lacunas” no capítulo da compensação de venda dos mesmos. Pois eu pergunto: o quê?
A nível de capital, o Futebol Clube do Porto encaixou, uma vez mais, como quase ninguém. Tem também garantias de receber mais um bom conjunto de milhões no verão que se avizinha. Ao vender atletas ditos “importantes” terá posses para os substituir – como aliás sempre tem feito.
Jackson está no Mundial e está perto de sair Fonte: Goal.com
Ora, dito isto, porquê continuar pelo caminho dos últimos dias? As alterações estão a ser feitas. A espaços, mas estão: o plantel vai sendo renovado, a equipa técnica já está no terreno a trabalhar e os reforços começarão a chegar em breve. Com tudo encaminhado, porquê optar por carregar na mesma tecla? A época foi má – isso é inegável. Foi má ao ponto de o Futebol Clube do Porto terminar em terceiro lugar, falhar a entrada directa na maior competição de clubes e “apenas” conquistar um troféu. Mas não é o fim do mundo.
E com “mundo” regresso novamente ao Mundial. Enquanto a época clubística não é retomada, não há nada melhor a fazer do que dar a todos aqueles que tanto criticam a oportunidade de virarem os olhos para uma outra prova. Aproveitem os trinta dias de Mundial (que entretanto já começou) e venham renovados para a nova época. Reconheçam o registo azul e branco (o melhor da história do clube) e interiorizem que, para tal acontecer, há qualidade – muita qualidade – envolvida. Muita tinta corre nos jornais nacionais e apenas uma pequena percentagem deve ser assimilada.