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Revista do Mundial’2014 – EUA

cab eua mundial'2014

Normalmente, quando as pessoas pensam na seleção dos Estados Unidos da América não a associam a uma seleção com potencial e qualidade. Mas enganam-se.

O Mundial que se inicia esta semana no Brasil será o 7º consecutivo em 10 em que a seleção americana já participou, o que prova claramente a sua evolução futebolística nos últimos anos. Na fase de qualificação, os americanos conquistaram o 1º lugar no Grupo 1 com alguma facilidade. Ganharam 4 jogos, empataram 1 e perderam 1, arrecadando um total de 13 pontos (mais 3 que o 2º classificado, a Jamaica).

O povo americano está habituado a prestações razoáveis nos Mundiais, embora desta vez estejam esperançados por esta ser das melhores equipas que o país já teve. Os Estados-Unidos ocupam o 1º lugar no Ranking da FIFA relativamente à CONCACAF e o 13º lugar a nível mundial, estando à frente de seleções como Croácia, França ou Holanda. Estes números são muitíssimos motivadores e tenho a certeza de que esta seleção será um osso duro de roer.

Até hoje disputou 5 jogos amigáveis de preparação para o Mundial – 4 vitórias e 1 derrota, estando há 3 jogos a vencer consecutivamente (2-0 ao Azerbaijão, 2-1 à Turquia e 2-1 à Nigéria).

Sendo estes jogos amigáveis, os resultados não assumem extrema importância; contudo, vencer e criar hábitos e rotinas vencedoras é sempre melhor do que perder. A equipa encerrará as partidas amigáveis diante da Bélgica no dia 12 de Junho e no dia 16 estrear-se-á no Mundial frente ao Gana. Terá cerca de três dias de descanso, o que na minha opinião é pouco. Todavia, os responsáveis pela seleção e o seu treinador Jürgen Klinsmann discordam, visto que os jogos estão agendados há vários meses.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes – Brad Guzan (Aston Villa), Tim Howard (Everton), Nick Rimando (Real Salt Lake)

Defesas – DaMarcus Beasley (Puebla), Matt Besler (Sporting KC), John Brooks (Hertha de Berlim), Geoff Cameron (Stoke City), Timmy Chandler (Nurnberg), Omar Gonzalez (LA Galaxy), Fabian Johnson (Hoffenheim), DeAndre Yedlin (Seattle Sounders)

Médios – Kyle Beckerman (Real Salt Lake), Alejandro Bedova (Nantes), Michael Bradley (Toronto FC), Brad Davis (Houston Dynamo), Mix Diskerud (Rosenborg), Julian Green (Bayern Munique), Jermaine Jones (Besiktas), Graham Zusi (Sporting KC)

Avançados – Jozy Altidore (Sunderland), Clint Dempsey (Seattle Sounders), Aron Johannsson (AZ Alkmaar), Chris Wondolowski (San Jose Earthquakes)

A ESTRELA

 Clint Dempsey Fonte: Andres Leighton /AP
Clint Dempsey
Fonte: Andres Leighton /AP

Para mim, a estrela da equipa é Landon Donovan, mas tenho de eleger outra estrela devido ao facto de Donovan não ter sido convocado. Esta ausência de Donovan suscitou muitíssimas críticas por parte do povo americano e deixou-me extremamente surpreendido. Donovan é o melhor marcador da história dos EUA e é também o melhor marcador de sempre da MLS (liga norte-americana), por isso considero-o um jogador indispensável. Porém, Klinsmann e eu não partilhamos a mesma opinião.

Michael Bradley, Jazy Altidore ou Clint Dempsey podem ser considerados os “substitutos” de Landon Donovan, mas o capitão Dempsey afirma-se mais como a estrela da comitiva americana face ao seu envolvimento em todo o jogo da equipa, rigor tático e capacidade técnica. Assume-se como uma peça vital tanto a defender como a atacar.

Altidore é um avançado nato que não tem tido muita sorte com os golos, embora seja uma peça importante graças à sua técnica, experiência e poderio físico. Michael Bradley é um médio centro de grande qualidade, é preponderante na construção do jogo da sua equipa e será certamente um elemento muito importante em todo o Mundial.

O TREINADOR

Jurgen Klinsmann Fonte: Carlos M. Saavedra/SI
Jurgen Klinsmann
Fonte: Carlos M. Saavedra/SI

Jürgen Klinsmann está no cargo desde 2011 e já treinou a seleção alemã e o Bayern Munique. Desde que assumiu o cargo, os Estados-Unidos da América alcançaram 27 vitórias, 7 empates e 10 derrotas, resultados que são extremamente positivos. Antes de partir para o Brasil, renovou até 2018, realçando a confiança que a US Soccer (Federação Norte-Americana de Futebol) deposita no alemão.

Assume-se como um treinador com bastante rigor táctico que gosta de apostar em jovens. Julian Green, John Brooks e DeAndre Yedlin são três jovens que Klinsmann pretende amadurecer e em que o selecionador confia bastante. Se hoje apresentam já muita qualidade, num futuro próximo deverão ser parte ativa na seleção. O “caso Donovan” mostra que é um treinador bastante corajoso porque não teve medo das críticas de que foi e continua a ser alvo, e ao mesmo tempo mostra que é algo reservado, já que ainda não deu uma explicação objetiva sobre a sua decisão.

Será o seu primeiro Mundial à frente dos EUA e passar a fase de grupos será certamente o objetivo. Embora tenha uma tarefa muito complicada pela frente, acredito que esta seleção possa surpreender como já o fez no passado.

O ESQUEMA TÁTICO

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Ultimamente o seleccionador tem usado a tática 4x5x1 e o tradicional 4x4x2. O plantel americano conta com jogadores de oito ligas diferentes, incluindo a norte-americana, a inglesa, a alemã, a francesa, a holandesa, a mexicana, a norueguesa e a turca. Há 10 jogadores da MLS, mostrando a clara aposta do seu treinador em jogadores da “casa” e 4 da Budesliga e da Premier League, o que prova que os jogadores americanos têm qualidade suficiente para jogar nos melhores campeonatos do mundo.

O PONTO FORTE

Os Estados Unidos da América assumem-se como uma seleção bastante forte fisicamente, que se posiciona bem no terreno de jogo e que possui uma boa intensidade de jogo, com transições muito rápidas.

Tim Howard, experiente jogador de 35 anos, é sem dúvida alguma o guarda-redes titular. É um jogador que transmite muita segurança às redes americanas e que se assume como um líder dentro das quatro linhas. Já fez mais de 400 jogos na Premier League e conta com mais de 80 internacionalizações, sendo um elemento chave para todo o grupo, ou seja, a baliza da seleção está salvaguardada.

Mas o principal ponto forte é claramente a qualidade que a equipa possui do meio-campo para a frente, com jogadores como Michael Bradley, Jermaine Jones, Jozy Altidore ou Clint Dempsey. São jogadores que jogam muitíssimo bem entre si e que têm uma qualidade enorme, tendo a capacidade de resolver qualquer encontro.

O PONTO FRACO

Para mim, o ponto fraco desta seleção é a defesa, mais concretamente a dupla de centrais. A dupla de centrais atua na MLS e é mediana. O lateral-direito, Cameron, é um lateral de muitíssima qualidade, experiente e rápido. É sem dúvida, o elemento com mais qualidade nesta defesa. O lateral-esquerdo atua na equipa mexicana do Puebla mas já tem provas dadas na Europa (jogou no PSV Eindhoven e no Manchester City) e, com 32 anos, já tem muita experiência.

Revista do Mundial’2014 – Nigéria

cab nigéria mundial'2014

A Nigéria parte para este Mundial olhada pela crítica e pela maioria dos apreciadores do desporto-rei como apenas mais uma seleção, uma seleção banal, que pouco ou nada trará ao Mundial. Uma seleção que procura há anos a glória da geração de 90, que procura a afirmação internacional de talentos como teve outrora com o fantástico ‘Jay Jay’ Okocha, o irreverente Taribo West, o eficaz Taiwo, Babayaro, Finidi ou o carismático Babangida. Uma seleção que procura novamente o seu espaço no futebol mundial e que tem no Brasil uma oportunidade de ouro para o conseguir.

Contudo, olhando para a história e o percurso recentes das ‘Super Águias’, é possível esperar uma prestação muito positiva, onde o objetivo é tentar chegar aos quartos-de-final da prova, feito que a acontecer será a melhor prestação de sempre dos nigerianos.

Após a conquista da CAN em 2013 e de uma fase de apuramento para o Mundial irrepreensível, onde se destaca o feito de não ter tido qualquer derrota, a Nigéria surge atualmente como uma equipa sólida e com um futebol ascendente, comandada pela antiga glória nigeriana de 94 Stephen Keshi, acalentando a esperança de fazer história nesta prova. Inserida num grupo teoricamente acessível, com Irão e Bósnia, a Nigéria acredita na passagem da fase de grupos, vendo na Argentina o ‘cabeça de cartaz’ do grupo.

Uma seleção que já foi 5º no ranking FIFA em 1994, que conquistou ouro olímpico em 1996 e a prata em 2008, que venceu a CAN por três vezes (a mais recente o ano passado) e que vai realizar a sua quinta presença na prova máxima do futebol tem de assumir-se como o principal representante do continente africano no Brasil, tem de querer suplantar a sua história e pode, pelo já apresentado, surpreender em terras de Vera Cruz. Para isso a magia africana, a compleição física da equipa e o jogo ofensivo dos nigerianos serão certamente mais-valias que podem fazer esta seleção e o seu povo sonhar.

OS CONVOCADOS

Guarda-Redes – Vincent Enyeama (Lille), Austin Ejide (Hapoel Be’er Sheva) e Chigozie Agbim (Gombe United).

Defesas – Efe Ambrose (Celtic Glasgow), Godfrey Oboabona (Rizespor), Azubuike Egwuekwe (Warri Wolves), Juwon Oshaniwa (Ashdod FC), Joseph Yobo (Norwich City) e Kunle Odunlami (Sunshine Stars).

Médios – Obi Mikel (Chelsea), Ogenyi Onazi (Lazio), Ramon Azeez (Almeria), Ejike Uzoenyi (Enugu Rangers), Gabriel Reuben (Beveren), Nosa Igiebor (Bétis) e Joel Obi (Parma FC).

Avançados – Shola Ameobi (Newcastle), Victor Moses (Liverpool), Emmanuel Emenike (Fenerbahçe), Ahmed Musa (CSKA Moscovo), Peter Odemwingie (Stoke City), Nnamdi Oduamadi (Varese) e Uche Nwofor (Heerenveen).

A ESTRELA

John Obi Mikel  Fonte: itv.com
John Obi Mikel
Fonte: itv.com

John Obi Mikel. Sabe-se que Enyeama é o capitão e a figura no balneário, um guerreiro e um dos principais pilares da seleção nigeriana, mas em campo quem pauta o jogo é Mikel.

O jogador do Chelsea foi considerado o segundo melhor jogador africano do ano em 2013, apenas suplantado por Yaya Touré, da Costa do Marfim e do Manchester City, o que ilustra a forma de Mikel e a sua importância para a Nigéria. Foi um dos principais responsáveis pela vitória do seu país na CAN, é um jogador fundamental para Keshi e em quem os africanos depositam a esperança de que coordene o meio-campo e ataque das ‘Super Águias’.

Em 2010 falhou o Mundial por lesão e tem no Brasil, aos 27 anos, a responsabilidade de comandar o destino nigeriano na competição, através do seu forte poder físico, qualidade de passe e liberdade criativa que Keshi lhe oferece. Se no clube Mikel é um jogador mais fixo no meio-campo, mais defensivo, com menos utilização, na seleção é o criativo, a figura, o patrão e é claramente um jogador diferente por toda essa responsabilidade.

O TREINADOR

Stephen Keshi  Fonte: thetrentonline.com
Stephen Keshi
Fonte: thetrentonline.com

Stephen Keshi. Treinador metódico, nigeriano e que veio trazer novamente a garra, o querer e a ambição à seleção do seu país. Antigo defesa da geração de ouro da Nigéria, tenta agora trazer novamente o espirito combativo e feroz africano a este conjunto, tendo sido muito bem-sucedido até ao momento, com a qualificação para o Brasil e a conquista da CAN em 2013.

Assumiu o comando técnico das ‘Super Águias’ em 2011, depois de ter conseguido em anos anteriores o apuramento histórico e inédito do Togo para a fase final de um Mundial. Keshi é um homem respeitado pelos jogadores, que conhece a história e a tradição do futebol nigeriano, que fez parte da página mais dourada desse futebol, tendo, por isso e pelos feitos mais recentes, o total apoio de um povo e dos seus ‘guerreiros’.

Abandonou o esquema de 4-4-2 e passou a jogar num 4-3-3, com variações em 4-2-3-1, trazendo um poder ofensivo maior à Nigéria e conseguindo tornar a seleção na maior potência africana presente neste Mundial.

A magia africana com contra-ataques rápidos pelas alas, os jogadores de grande qualidade na frente, o jogo de bola no pé (mérito de Keshi), o meio-campo organizado com três homens, o forte poder físico de toda a equipa e a presença do líder Enyeama entre os postes conferem à Nigéria o necessário para pelo menos passarem esta primeira fase e fazerem sonhar os nigerianos com uma presença inédita nos quartos-de-final. Pessoalmente, considero que é possível, mas confesso que o sucesso e o alcance de uma posição histórica muito dependem do adversário que se cruzar no caminho das ‘Super Águias’ nos quartos-de-final.

O ESQUEMA TÁTICO

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O PONTO FORTE

Claramente o ataque – uma frente constituída por Moses na esquerda, Musa na direita e Emenike na frente, sendo municiada pelo ‘10’ Mikel. Emenike vem de uma boa temporada no futebol turco, tendo sido uma importante peça no esquema de Keshi para o apuramento para este Mundial. Moses e Musa são duas flechas nas alas que possibilitam incursões rápidas e fortes no ataque, gerando normalmente desequilíbrios nos defensores adversários. Mikel, como figura da equipa, é o jogador que constrói todo o futebol ofensivo da Nigéria, juntando ao trio atacante um outro perfume no que à qualidade de passe diz respeito. Para além disso, o ataque é o setor onde as ‘Super Águias’ contam com mais soluções, tendo nos 23 eleitos Ameobi, o irreverente Odemwingie, Uchedo e Uche, todos eles conhecidos dos mais atentos adeptos e militantes em clubes das principais ligas europeias. Este leque de soluções e a forma compacta e cavalgante de sair para o ataque por parte da Nigéria permitem a Keshi ter no ataque a sua principal arma para realizar um bom Mundial.

O PONTO FRACO

O lado esquerdo da defesa. Se até há uns dias atrás esse lugar estava assegurado por Elderson, jogador do Mónaco e conhecido dos adeptos portugueses por ter representado o Sporting de Braga, agora é uma grave lacuna na Nigéria. O lateral lesionou-se, vai falhar o Mundial e para o seu lugar foi convocado Uzoenyi Ejike, jogador de ataque, pelo que à partida a titularidade como lateral-esquerdo será entregue a Oshaniwa.

Oshaniwa conta apenas com 10 internacionalizações, teve muito pouca utilização na fase de qualificação, não tem experiência de seleção e sempre foi preterido em relação a Elderson, pelo que não tem entrosamento com os restantes colegas, tornando o lado esquerdo da defesa nigeriana o principal ponto fraco deste conjunto.

Para além disso, convém destacar a ausência de um trio certo no meio-campo. Se por um lado Onazi e Mikel parecem intocáveis para Keshi, a terceira posição do meio campo sofre trocas constantes, o que pode ser um problema para a estrutura da Nigéria. Em vantagem para ocupar o lugar surge Reuben Gabriel, seguido do promissor e talentoso mas inexperiente Azeez. Cabe ao treinador definir essa terceira posição a meio-campo e tentar lidar da melhor forma com a importante perda de Elderson. A minha aposta vai para Oshaniwa – veremos se cumpre e se Keshi não surpreende…

Vergonhoso

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Vergonhoso! Esta é a melhor palavra para descrever o trabalho que foi feito pela organização do Rali de Itália, disputado na Sardenha. Bernardo Sousa foi o único piloto português em prova e foi um dos mais prejudicados pela organização (talvez desorganização ficasse melhor) italiana. O madeirense terminou num terceiro lugar já de si algo polémico, devido a vários erros organizativos; mais ainda, recebeu, já depois do fim da prova, uma penalização de cinco minutos por uma alegada utilização de dois pneus a mais. De destacar que, mesmo que isto fosse verdade, o castigo teria se ser a exclusão e não a penalização atribuída. Curiosamente, o piloto mais beneficiado com estas decisões foi o italiano Lorenzo Bertelli – mais conhecido por ser herdeiro da Prada e pela cor do seu carro do que pela sua capacidade de conduzir (isto sem ser nenhum azelha).

Para ter-se uma pequena noção do que aconteceu, Bernardo Sousa foi dormir de sábado para domingo estando em segundo e acordou em quarto, durante a noite, por decisão da organização. Esta situação deveu-se a um problema num troço (o 11º), em que alguns pilotos foram forçados a parar, em plena especial, e os tempos atribuídos a estes pilotos foram algo difíceis de explicar.

Destaco ainda a estreia do Citroën DS3 R5, uma estreia muito boa, já que Sébastien Chardonnet ficou em segundo no WRC2. Mas até esta prestação teve problemas, já que o carro francês estava ilegal e apenas levou uma multa de 2000€, quando – novamente – deveria ter sido a desqualificação o castigo.

Na categoria principal, o vencedor foi Ogier (que surpresa!), que teve no pódio a companhia de Ostberg e Latvala. Esta foi uma prova em que a Hyundai começou muito bem com os seus dois pilotos (Neuville e Hänninen), mas a quinta especial foi má para a equipa coreana, que viu o belga perder muito tempo e o finlandês desistir, quando eram primeiro e segundo lugares, respetivamente. Azar teve também o principal piloto da M-Sport: Hirvonen viu o seu carro arder enquanto trocava um pneu durante uma ligação entre troços.

O carro alemão conduzido por Pedro Fontes dominou completamente a prova. Fonte: Autosport.pt
O carro alemão conduzido por Pedro Fontes dominou completamente a prova.
Fonte: Autosport.pt

Por Portugal também houve mais uma prova do nacional. Pela primeira vez, este ano, o vencedor não foi Pedro Meireles. José Pedro Fontes fez valer toda a qualidade do Porsche e não deu qualquer hipótese à concorrência. Ricardo Moura, que estreou o Fiesta R5 no asfalto, alcançou o segundo lugar, e o piloto vimaranense – que está cada vez mais próximo do título – completou o pódio.

Revista do Mundial’2014 – Austrália

cab austrália mundial'2014

Fundada em 1961, a seleção australiana vai jogar, pela quarta vez na sua história, um Mundial de Futebol – três das quais consecutivas. Depois de uma primeira fase de grupos tranquila, os australianos, que disputaram o apuramento na Confederação Asiática de Futebol, sentiram grandes dificuldades para carimbar a presença no Brasil na segunda fase do apuramento. A fase menos conseguida da Austrália ditou a saída do técnico Holger Osieck, que foi substituído pelo grego-australiano Ange Postecoglou apenas a oito meses do início do Mundial de Futebol.

Na verdade, os socceroos – nome inspirado na mistura das palavras Soccer (futebol) e Kangaroos (Canguru) – estão atualmente na 59ª posição do Ranking FIFA, o que reflete na perfeição a pouca qualidade dos jogadores australianos.

Apesar da pouca tradição futebolística, o futebol é, atualmente, o terceiro desporto mais praticado na Austrália. Aliado à recente expansão da modalidade no país, já são vários os futebolistas australianos que atuam nas ligas europeias e, também, na liga americana. A qualidade, porém, continua a anos-luz de distância das grandes seleções europeias e sul-americanas.

O objetivo da seleção australiana será o de repetir a prestação do Mundial de 2006, na Alemanha, onde atingiu os oitavos de final da competição (caiu aos pés da Itália). Inseridos no grupo B, juntamente com a Espanha, Holanda e Chile, facilmente percebemos que o objetivo de repetir 2006 é quase utópico.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes – Eugene Galekovic (Adelaide United FC), Mitchell Langerak (Borussia Dortmund), Mat Ryan (Club Brugge)

Defesas – Jason Davidson (Heracles Almelo), Ivan Franjic (Brisbane Roar FC), Ryan McGowan (Luneng Taishan), Matthew Spiranovic (Sydney Wanderers), Alex Wilkinson (Jeonbuk), Bailey Wright (Preston)

Médios – Oliver Bozanic (Luzern), Mark Bresciano (AL Gharafa), James Holland (Áustria Viena), Mile Jedinak (Crystal Palace), Massimo Luongo (Swindon Town), Mark Milligan (Melbourne Victory), Tommy Oar (Utrecht), Matt Mckay (Brisbane Roar), James Troisi (Atalanta), Dario Visodic (Sion)

Avançados – Tim Cahill (New York Red Bulls), Ben Halloran (Fortuna Dusseldforf), Matthew Leckie (Frankfurt), Adam Taggart (Newcastle Jets)

A ESTRELA

Tim Cahill Fonte: Brazil14.org
Tim Cahill
Fonte: Brazil14.org

É a grande estrela da seleção australiana e a referência do grupo. Com 22 golos marcados em 52 internacionalizações, Cahill tem 15 anos de futebol inglês nas pernas (Millwall e Everton) e é, naturalmente, o futebolista mais experiente dos 23 que vão ao Brasil. Dotado de um potente remate, de um cabeceamento fortíssimo e de uma excelente visão de jogo, o australiano pode jogar como médio-ofensivo ou como avançado. Os 34 anos de idade já fazem mossa na prestação do jogador, que tem como pontos negativos a velocidade e as mudanças rápidas de direção. Ainda assim, Cahill é dos poucos jogadores da seleção australiana capazes de decidir um jogo sozinho.

O TREINADOR

Ange Postecoglou  Fonte: Getty Images
Ange Postecoglou
Fonte: Getty Images

Ange Postecoglou foi jogador dos South Melbourne entre 1983 e 1993. Em 1996, assumiu o comando técnico do seu antigo clube, mas foi com os Brisbane Roar que atingiu a glória, ao conquistar dois Campeonatos Nacionais. Postecoglou foi defesa, enquanto jogador, e as suas equipas são conhecidas por consentirem poucos golos. Parece-me ter a filosofia de jogo perfeita para as aspirações dos australianos, que muito passarão pela solidez defensiva. O sistema tático será, ao que tudo indica, um 4-2-3-1 que, em grande parte dos 90 minutos, se transformará num 4-5-1 super defensivo. Resta saber em que posição irá o selecionar australiano utilizar Tim Cahill: como referência ofensiva ou como organizador de jogo.

O ESQUEMA TÁTICO

Sem Título

O PONTO FORTE

 O futebol da seleção australiana é, em quase tudo, inspirado do futebol britânico – com as devidas diferenças. Podemos esperar uma aposta intensa no jogo aéreo: passes longos e cruzamentos à procura de um cabeceamento. Esta virtude no jogo aéreo não se fica pelo futebol ofensivo, uma vez que a Austrália demonstra grande competência, também, a nível defensivo nas bolas.

O PONTO FRACO

 Com a exceção do jogo aéreo… quase tudo é um ponto fraco. O nível dos jogadores é bastante mediano e dificilmente conseguem surpreender. Os defesas são, no geral, demasiado macios e excessivamente lentos. O meio-campo pode, num ou noutro caso, ter um rasgo de criatividade, mas serão facilmente anulados.

Por fim, a constante procura da linha de fundo, com o objetivo de cruzar para a grande área adversária, torna a seleção australiana demasiado previsível.

A Austrália começa o torneio com o Chile, no próximo dia 13, o que até pode ser visto como uma vantagem, já que os chilenos são, na teoria, o adversário mais acessível da fase de grupos. No entanto, penso que só um milagre, ou um Mundial desastroso das restantes seleções do Grupo B, faria da Austrália uma das seleções dos oitavos de final.

E que comece o estágio!

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ciclistas

Quando falta menos de um mês para o início do Tour de France, no mundo do ciclismo não se pensa noutra coisa. Quem será o vencedor, em que forma chegarão os principais favoritos e quais serão as surpresas deste ano são os principais tópicos de conversa de todos os amantes da modalidade. Pois bem, esta semana temos uma óptima possibilidade de espreitar aquilo que se poderá passar no futuro. É a semana do Critérium du Dauphiné. Esta é uma prova que existe claramente para preparar o Tour de France. Muitos quilómetros percorridos nos Alpes e um contra-relógio curto, na primeira etapa, para aquecer os motores.

Como é habitual, os grandes favoritos à conquista do Tour marcam presença no Critérium, mas este ano existe uma particularidade engraçada. Nem Froome, nem Contador, nem Nibali participaram na grande prova anterior do calendário, o Giro d’Itália, facto que pode trazer um interesse extra para a edição deste ano. Chegarão os três em força para atacar esta prova ou irá notar-se falta de ritmo em algum deles? Quererão eles marcar já posição para o Tour, dando um sinal de força, ou preferirão rolar longe dos limites para evitar alguma possível queda ou lesão que os enfraqueça num futuro próximo? Poderá até algum deles querer fazer bluff e deixar passar uma mensagem de menos força para depois surpreender? Serão perguntas para as quais só teremos reais respostas durante o Tour de France, mas estes são motivos capazes de nos prender ao Critérium du Dauphiné deste ano. Não esquecer nesta equação o nome de Van Garderen, que também não marcou presença no Giro e pode fazer uma excelente prova, até porque é visto como uma das mais fortes ameaças àquele que é o pódio que muitos já prevêm como certo no Tour deste ano (outra ameaça será Valverde, mas depois de não marcar presença no Giro d’Itália e de agora passar o Critérium du Dauphiné fica mais complicado prever como chegará o espanhol à grande prova do ano).

Froome, Contador e Nibali, os três grandes favoritos para a edição deste ano  Fonte: zimbio.com
Froome, Contador e Nibali, os três grandes favoritos para a edição deste ano
Fonte: zimbio.com

Outro ponto de interesse é precisamente o oposto do acima referido. Será interessante verificar em que forma chegam a esta prova aqueles ciclistas que tiveram um rendimento ao mais alto nível em Itália. Wilko Kelderman e Ryder Hesjedal fizeram top 10 e, passado apenas uma semana do término da prova italiana, poderão ainda mostrar um alto nível de ritmo competitivo.

Ontem o pelotão já correu o contra-relógio inicial. Uma etapa curta, de apenas dez quilómetros e quatrocentos metros, e que, como era esperado, não deu para fazer grandes diferenças. Froome venceu a etapa, Contador fez segundo e Nibali oitavo, estando separados por apenas 13s. Foi um bom aquecimento, nada mais do que isso. Vêm aí as montanhas e aí sim virá o espectáculo. De qualquer maneira, é de salientar a forma como Froome e Contador começaram, ocupando desde já os dois lugares mais altos do pódio da classificação geral, algo que muito provavelmente irá acontecer bastantes vezes até ao final de Julho.

Chris Froome durante o contra relógio da primeira etapa  Fonte: cyclingnews.com
Chris Froome durante o contra relógio da primeira etapa
Fonte: cyclingnews.com

No ano passado, Froome venceu o Critérium du Dauphiné e depois venceu o Tour. Acontecerá o mesmo este ano ou conseguirá Contador bater o pé ao britânico? Apesar de não ser definitivo, é sempre um bom indicador vencer já e marcar posição para o futuro. A verdade é que, por muito que não se queira, todos os pensamentos já estão naquilo que se vai passar a partir de 5 de Julho. Os dados estão lançados, começou o estágio para o Tour de France, façamos bom proveito!

Revista do Mundial’2014 – Suíça

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A Suíça chegou há poucos dias ao Brasil para participar pela 10ª vez num Campeonato do Mundo. Depois de carimbar o passaporte numa fase de qualificação tranquila (não sofreu nenhuma derrota e superiorizou-se a adversários como Islândia e Eslovénia), o sorteio ditou que ficassem no grupo E, juntamente com França, Equador e Honduras. Se a França é um adversário de peso, os outros dois são teoricamente inferiores aos helvéticos. Actualmente no 6º (!) lugar no ranking da FIFA, a Suíça tem a grande responsabilidade de chegar aos oitavos-de-final.

Depois de duas idas aos quartos-de-final na década de 30 (1934 e 1938), quando os Mundiais ainda se disputavam apenas com eliminatórias, a Suíça teve uma digna prestação em 1950, no Brasil, embora não tenha ido além da fase de grupos. Em 1954 recebeu a competição, eliminou a Itália na primeira fase e perdeu para a Áustria num jogo que terminou 7-5 (não, não houve prolongamento!). Seguiram-se duas presenças discretas em 1962 e 1966 (sem fazer um único ponto em ambas as edições) e um interregno até 1994, onde foram esmagados pela Espanha nos oitavos-de-final. Em 2006 também chegaram aos oitavos (curiosamente, ficaram em 1º no grupo à frente de… França) e acabaram por ser eliminados nos penalties pela Ucrânia. De resto, em 2010 quedaram-se pela fase de grupos.

Uma maior aposta na formação desde o início do século fez nascer grandes talentos, melhorou a Liga do país (o Basileia, agora orientado por Paulo Sousa, tem tido prestações muito interessantes na Europa) e conduziu a Suíça a grandes resultados internacionais em torneios jovens. A convocatória para este Mundial é a prova disso: Senderos, Barnetta e Ziegler foram campeões da Europa sub-17 em 2002, enquanto Seferovic, Xhaka e Rodriguez foram campeões do Mundo sub-17 em 2009 – duas gerações que se misturam e que têm tudo para dar sucesso.

Desde que Ottmar Hitzfeld assumiu o leme, a Suíça foi eliminada do Mundial 2010 por Espanha e Chile na fase de grupos e não conseguiu apurar-se para o Euro 2012, ficando a léguas da Inglaterra na qualificação. Esta é, pois, a última oportunidade para o treinador alemão de deixar uma marca indelével na história do futebol suíço, uma vez que vai abandonar o cargo no final do torneio. Com um leque de jogadores entre os 21 e os 30 anos, quase todos eles nos melhores campeonatos da Europa – especialmente na Alemanha -, a Suíça tem todas as condições para chegar os oitavos-de-final. Shaqiri, Inler, Benaglio e companhia podem ser uma das grandes surpresas deste Mundial!

OS CONVOCADOS

Guarda-redes – Diego Benaglio (Wolfsburgo), Roman Bürki (Grasshopper) e Yann Sommer (Basileia).

Defesas – Steve von Bergen (Young Boys), Johannes Djourou (Hamburgo), Michael Lang (Grasshopper), Stephan Lichsteiner (Juventus), Ricardo Rodriguez (Wolfsburgo), Fabian Schär (Basileia), Philippe Senderos (Valência) e Reto Ziegler (Sassuolo).

Médios – Tranquillo Barnetta (Eintracht Frankfurt), Valon Behrami (Nápoles), Blerim Dzemaili (Nápoles), Gelson Fernandes (Friburgo), Gökhan Inler (Nápoles), Xherdan Shaqiri (Bayern Munique) e Valentin Stocker (Basileia).

Avançados – Josip Drmic (Nuremberga), Mario Gavranovic (FC Zurique), Admir Mehmedi (Friburgo), Haris Seferovic (Real Sociedad) e Granit Xhaqa (Borussia Moenchengladbach).

A ESTRELA

Xherdan Shaqiri  Fonte: scaryfootball.com
Xherdan Shaqiri
Fonte: scaryfootball.com

Nascido em Gjilan, no Kosovo, Xherdan Shaqiri emigrou para a Suíça com um ano de idade e foi em território helvético que despontou para o futebol. Hoje, somente com 22 anos, o extremo canhoto tem já um palmarés muito bem recheado e é quase unanimemente considerado a estrela da sua seleção (apesar do protagonismo do capitão Inler).

Formado no Basileia, a potência hegemónica do futebol suíço no presente milénio, foi lá que deu nas vistas. A sua velocidade com e sem bola, o seu poder de choque (apesar dos 167 cm), a sua técnica prodigiosa e a inteligência demonstrada dentro das quatro linhas levaram o Bayern de Munique a despender cerca de 12 milhões de euros na sua contratação há dois anos atrás.

A nível de clubes, nunca perdeu um campeonato nacional enquanto sénior (foi tri-campeão suíço e bi-campeão alemão), venceu as Taças de ambos os países onde jogou e já foi campeão europeu e mundial pelos bávaros.

No que diz respeito à selecção nacional, após um bem-sucedido percurso nas camadas jovens fez a sua estreia pelos AA da Suíça em Março de 2010, num amigável diante do Uruguai. Participou no Mundial 2010 com apenas 18 anos, cumprindo alguns minutos no jogo diante das Honduras, e a partir daí tornou-se um habitual titular. Já leva 33 jogos e 9 golos com a camisola do seu país.

Se já era muito rápido e imprevisível em todas as suas acções, tecnicamente evoluído e fisicamente poderoso quando saiu do Basileia, no Bayern adquiriu experiência e maturidade táctica. Neste momento, é o jogador mais perigoso e desequilibrador da sua selecção e a grande esperança dos seus adeptos.

O TREINADOR

Ottmar Hitzfeld  Fonte: sdgpr.com
Ottmar Hitzfeld
Fonte: sdgpr.com

Ottmar Hitzfeld dispensa apresentações. Com 65 anos e uma carreira repleta de títulos, é um dos mais conceituados treinadores do mundo. Todavia, no comando técnico da selecção suíça continua a faltar-lhe um grande resultado.

A maior parte do seu percurso enquanto jogador foi feita no futebol suíço (representou Basileia, FC Lugano e Lucerna, com um intervalo de três anos no Estugarda) e foi lá que iniciou também o seu trajecto enquanto técnico. Depois de Zug 94 e FC Aarau, foi duas vezes campeão da Suíça com o Grasshoppers. Foi assim que se lhe abriram as portas do Westfalenstadion: no Borussia Dortmund, onde cumpriu seis temporadas, venceu duas Ligas Alemãs e alcançou o único título de campeão europeu da história do clube em 1996/97. Depois dessa época de sonho, seguiu para o Bayern, onde voltou a erguer uma Champions e conquistou uma Intercontinental, somando ainda mais cinco Bundesligas ao seu currículo. Em 2005 foi eleito o melhor treinador de sempre da história do Bayern pelos adeptos, depois de já ter sido considerado o treinador do ano pela UEFA e pela IFFHS. Ao todo, são 18 títulos ao longo de 30 anos de carreira.

Ao cabo de sete anos na Baviera aceitou o desafio da Federação Suíça e sucedeu a Köbi Kuhn como seleccionador depois do Euro 2008. Este Mundial representa a última etapa de Hitzfeld nesta carreira de seleccionador suíço, uma vez que Vladimir Petkovic, actual treinador da Lazio, já foi anunciado como sucessor do germânico. Um bom resultado trar-lhe-á a glória que merece; uma má prestação resultará numa grande desilusão, uma vez que não conseguir passar da fase de grupos em três grandes competições será manifestamente insuficiente.

O ESQUEMA TÁTICO

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A Suíça costuma apresentar-se em 4-5-1, assente num meio-campo muito sólido e coeso. Na baliza, Benaglio tem o lugar garantido (Sommer é a segunda opção). Na defesa, as grandes dúvidas residem no centro da defesa – Von Bergen e Senderos (vindo de lesão prolongada) projectam-se como os possíveis titulares, mas Djourou ou Schär também podem aparecer no onze inicial, já que tanto um como outro têm jogado com regularidade. Nas laterais, o veterano Lichtsteiner e o jovem Rodriguez assumirão com certeza a titularidade. No meio-campo, Behrami e Inler compõem um duplo pivot muito trabalhador e bem rotinado (ambos actuam no Nápoles) que equilibra a equipa. O também “napolitano” Dzemaili é a mais frequente alternativa a este duo; o ex-Sporting Gelson Fernandes é a outra hipótese. Dois alas e um médio mais ofensivo aparecem entre estes dois e o ponta-de-lança: Shaqiri e Stocker devem ocupar as faixas e deixar para o jovem Xhaka o espaço central. Embora não seja muito utilizado, o experiente Barnetta também pode ser o “número 10”. Em alguns casos, Hitzfeld opta por um segundo avançado, normalmente Admir Mehmedi, quando precisa de uma solução mais ofensiva (foi o que sucedeu no último amigável, frente ao Peru). Quando ao homem mais adiantado, tem havido alguma indefinição desde o abandono do melhor marcador de sempre da selecção, o histório Sebastian Frei: Derdiyok começou por ser a opção durante o início da qualificação (mas nem sequer foi convocado), cedendo depois o lugar a Seferovic (que nem é titular na Real Sociedad). Porém, face à grande época que fez e ao momento que atravessa (marcou os três golos da Suíça nos dois primeiros jogos de preparação, frente a Croácia, 2-2, e Jamaica, 1-0), deverá ser o jovem Josip Drmic a primeira opção. Provavelmente, Gavranović, o outro ponta-de-lança, terá pouco tempo de jogo.

O PONTO FORTE

Um meio-campo muito batalhador e forte em todos momentos e em todas as vertentes do jogo. Inler e Behrami – assim como Dzemaili e Xhaka – são jogadores muito completos – fortíssimos fisicamente, inteligentes do ponto de vista táctico, bastante fiáveis com a bola no pé, experientes e habituados a jogar juntos. Um “tampão” com estas características oferece qualidade nos momentos de transição e segurança defensiva à equipa (a Suíça não perdeu na fase de qualificação, só sofreu 6 golos e deve-o mais à qualidade do seu meio-campo do que da sua defesa).

O PONTO FRACO

De facto, o eixo central da defesa pode ser encarado como a principal debilidade da equipa. Os laterais, Lichtsteiner e Rodríguez, e o guarda-redes, Benaglio, dão garantias, mas não há nenhum central de grande nível na Suíça. Além disso, não têm uma dupla bem oleada, ao contrário de várias outras selecções, dado que os quatro centrais – Steve von Bergen, Djourou, Schär e Senderos – têm formado várias composições diferentes nos últimos tempos. A falta de estabilidade e coordenação neste sector pode ser fatal.

Revista do Mundial´2014 – Gana

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“Nem pensámos em Portugal ou na Alemanha, só nos perguntávamos «Outra vez os Estados Unidos?»“. Quando Asamoah disse isto, depois do sorteio, não estava a menosprezar a Alemanha e Portugal, mas sim a realçar mais um encontro com os Estados Unidos em Mundiais. Podemos dizer que o Gana tem tido uma história de sucesso nos Mundiais, e essa história está ligada aos Estados Unidos, selecção que vão defrontar pelo terceiro Mundial consecutivo. A história ganesa começa em 2006. Do contingente africano na Alemanha, onde apenas a Tunísia não era estreante, o Gana foi a única selecção que conseguiu passar aos oitavos de final, ao superar um grupo onde estava Itália, Republica Checa e, claro, Estados Unidos. Ao passar um grupo que se antevia complicado para os franceses, o Gana ganhava o rótulo de equipa-sensação da prova. Nos oitavos-de-final, seria eliminado pelo Brasil. Em 2010, o Gana encontrou a Alemanha, a Austrália e a Sérvia na fase de grupos e passou em segundo, atrás dos alemães. Nos oitavos-de-final, a história voltaria a repetir-se, com os americanos a serem de novo os adversários do Gana. A selecção africana acabaria por cair nos quartos-de-final, nas grandes penalidades, frente ao Uruguai.

Neste Mundial, os Black Stars, como são conhecidos, querem voltar a fazer uma prova igual ou melhor em relação às edições passadas. Mas a missão não será fácil. Para além dos seus companheiros de Mundial, os Estados Unidos, o Gana tem pela frente duas selecções que estão, para muitos, no top 10 de favoritas à conquista da prova, Portugal e Alemanha. Será difícil fazer o mesmo que nos outros anos, mas o Gana estará sempre à espreita de um possível deslize destas duas selecções e tem plantel para ombrear com elas. E, claro, vai querer manter a invencibilidade frente aos Estados Unidos, no terceiro confronto consecutivo.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes: Stephen Adams (Aduana Stars), Adam Kwarasey (Stromsgodset – Noruega) e Fatau Dauda (Orlando Pirates – África do Sul)

Defesas: Daniel Opare (Standard Liege – Bélgica), Harrison Afful (Esperance Tunis – Tunísia), John Boye (Rennes – França), Jonathan Mensah (Evian – França), Rashid Sumalia (Mamelodi Sundowns – África do Sul) e Samuel Inkoom (Platanias – Grécia)

Médios: Michael Essien, Sulley Muntari e Rabiu Mohammed (Kuban Krasnodar – Rússia), Mubarak Wakaso (Rubin Kazan – Rússia), Afriyie Acquah (Parma – Itália), Emmanuel Agyemang-Badu (Udinese – Itália), Kwadwo Asamoah (Juventus – Itália), Albert Adomah (Middlesbrough – Inglaterra), Andre Ayew (O. Marselha – França) e Christian Atsu (Vitesse Arnhem – Holanda)

Avançados: Abdul Majeed Waris (Valenciennes – França), Jordan Ayew (Sochaux – França), Asamoah Gyan (Al Ain – Emirados Árabes Unidos) e Kevin-Prince Boateng (Schalke 04 – Alemanha)

A ESTRELA

Kevin-Prince Boateng Fonte: Getty Images
Kevin-Prince Boateng
Fonte: Getty Images

É difícil apontar uma estrela. Entre os experientes Essien e Muntari, ou os grandes valores, como André Ayew, Kwadwo Asamoah e Asamoah Gyan, a selecção ganesa está bem servida. No entanto, o destaque vai para Kevin Prince-Boateng. O irmão de Jerôme Boateng (vão defrontar-se neste Mundial) é conhecido pela sua versatilidade, podendo jogar nas alas ou no meio. A sua velocidade e força serão precisas se o Gana quiser voltar a brilhar no Mundial, sem esquecer o seu drible.

O TREINADOR 

Kwesi Appiah, o técnico do Gana Fonte: Ghanasoccernet.com
Kwesi Appiah, o técnico do Gana
Fonte: Ghanasoccernet.com

James Kwesi Appiah pegou na selecção do Gana em 2012. O antigo internacional ganês já tem alguns anos de trabalho com a selecção, tendo trabalhado como adjunto da selecção principal entre 2007 e 2012 e tendo conquistado os All Africa Games com a selecção sub-23 do Gana. Entrou para a história como sendo o primeiro treinador negro a apurar o Gana para um Mundial. A confiança no trabalho do seleccionador é muita, tendo Appiah renovado por mais dois anos.

O ESQUEMA TÁTICO

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PONTO FORTE

O ponto forte desta selecção é o meio campo/ataque. O Gana assenta o seu jogo no meio-campo, onde os experientes Essien e Muntari  são peças fundamentais, tanto a defender como a distribuir jogo. Na frente, a velocidade de Boateng, Ayew e Asamoah, e a mira apontada de Asamoah Gyan podem fazer estragos. Com uma média de três golos por jogo e sendo Asamoah Gyan um dos melhores marcadores da fase de apuramento, os ganeses prometem pôr em sentido as defesas adversárias.

PONTO FRACO

O ponto fraco é a defesa, principalmente as laterais. A grande parte dos golos concedidos nasce das laterais ofensivas do Gana. Se contra selecções mais fracas isso não foi problema, no Mundial, principalmente frente à Alemanha e a Portugal, isso pode tornar-se fatal.

Rafael Nadal conquista o 5º título consecutivo de Roland Garros

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Rafael Nadal venceu Novak Djokovic por 3/6, 7/5, 6/2 e 6/4 e conquistou o seu quinto título consecutivo de Roland Garros, igualando assim a façanha de Bjorn Borg e confirmando-se, ainda mais, como um dos melhores jogadores de terra batida de todos os tempos.

No primeiro set, verificou-se a regularidade habitual de inicio de final de Grand Slam. Ambos os jogadores a explorarem o jogo um do outro. Djokovic beneficiou de dois factores: um conjunto de pancadas ganhantes superior à de Rafael Nadal e que lhe permitiram galvanizar o público em momentos chave, e claro do andamento do marcador que o beneficiou na construção do resultado ao conseguir o break no jogo decisivo (o sétimo) e que lhe permitiu de seguida servir para fechar o primeiro parcial.

Na segunda partida era Rafael Nadal que partia com o peso de correr atrás do prejuízo e as coisas até estavam a parecer demasiado fáceis para o espanhol. Nadal quebrou o serviço de Djokovic e colocou-se a vencer por 4-2, servindo para o 5-2. Num momento raro o espanhol cedeu à pressão e permitiu a recuperação a Djokovic que conseguiu equilibrar a contenda levando o set a 5-5. No desempate Rafael Nadal conseguiu com toda a justiça colocar-se em vantagem para selar a vitória deste segundo parcial, comemorada em jeito de vitória final, mas que galvanizou o espanhol para enfrentar a terceira partida. A pressão estava agora do lado de Djokovic novamente.

Nadal com o troféu de Roland Garros Fonte: Sports Keeda
Nadal com o troféu de Roland Garros
Fonte: Sports Keeda

E que bem que começou a terceira partida para Rafael Nadal, com o espanhol a entrar a vencer por 3-0, e com Novak Djokovic a deixar apontamentos preocupantes, como perda de equilíbrio numa das trocas de campo. Sempre foi conhecida a falta de tolerância do sérvio ao calor, mas ainda assim o calor de Roland Garros não é sequer justificação para o “sofrimento” de Djokovic. Com 4-2 Djokovic falha uma bola fácil a meio court e Nadal partiu para a vitória decisiva deste set que acabou por selar com um 6-2.

Na quarta partida, Rafael Nadal entrou mais solto, fruto de estar na frente do marcador, e fisicamente mais presente do que Djokovic, levando assim o espanhol a conseguir dominar a fase inicial. Ainda assim e como ambos são feitos da fibra dos campeões a partida não foram “favas contadas” para Nadal. Djokovic conseguiu puxar novamente o ascendente até si e apesar da desvantagem no marcador os pontos passaram novamente a ser mais disputados. Djokovic conseguiu empatar a partida a quatro, mas Nadal não se assustou e conquistou os dois jogos seguintes, selando assim a vitória por 6/4.

Com esta conquista o espanhol conquistou assim o seu quinto titulo consecutivo de Roland Garros, batendo o mítico record de Bjorn Borg para gáudio dos adeptos espanhóis. De referir ainda as dificuldades físicas de Djokovic em momentos da partida, mas que não servem obviamente de desculpa para a superioridade de Nadal ao longo de quase todo o encontro.

Na variante feminina, Maria Sharapova conquistou mais um título do Grand Slam, ao derrotar a surpreendente Simona Halep por 6/4, 6/7 e 6/4, conquistando o seu quinto título do Grand Slam, naquela que a tenista Russa classificou como a “final mais difícil da vida”.

Segue-se agora a sempre interessante época de relva, onde os fãs de Roger Federer suspiram sempre por uma recuperação do suíço que foi, ou é, um dos maiores especialistas neste tipo de terreno. Depois de Roland Garros segue-se assim o mítico torneio de Wimbledon.

Revista do Mundial’2014 – Espanha

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A actual campeã mundial entra neste Mundial para tentar um feito inédito: ser bi-campeã mundial e bi-campeã europeia. A tarefa não se avizinha fácil, até porque o grupo que lhe saiu em sorteio conta com uma sempre forte Holanda e um aguerrido Chile, sendo a Austrália o provável outsider.
É uma das seleções com mais presenças em Mundiais -14 -, apenas suplantada por Brasil, Argentina, Itália, Alemanha e México.

La Roja, como é habitualmente conhecida, fez um apuramento relativamente tranquilo, onde tinha como principal rival a França, que superou sem superior dificuldade, terminando em primeiro do grupo sem grande pressão.

Da Espanha espera-se bastante neste Mundial: é uma das principais favoritas, diria até que a principal favorita a par de Brasil, surgindo depois um rol de seleções das quais se espera sempre grandes resultados.
Um futebol assente na posse e circulação de bola, com uma defesa coesa e forte é o que podemos esperar desta Espanha, que chegará ao Mundial com pressão de apresentar sobretudo um futebol que seja capaz de criar empatia com os adeptos, mas longe da pressão que terá o anfitrião Brasil.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes – Iker Casillas (Real Madrid), Reina (Napoles) e De Gea (Manchester United)

Defesas – Azpilicueta (Chelsea), Sergio Ramos (Real Madrid), Piqué (Barcelona), Albiol (Napoles), Juanfran (Atlético de Madrid), Javi Martínez (Bayern de Munique) e Jordi Alba (Barcelona)

Médios – Sergio Busquets (Barcelona), Xabi Alonso (Real Madrid), Koke (Atlético de Madrid), Juan Mata (Manchester United), David Silva (Manchester City), Cazorla (Arsenal), Xavi Hernandéz (Barcelona), Andrés Iniesta (Barcelona) e Cesc Fábregas (Barcelona)

Avançados – Diego Costa (Atlético de Madrid), Fernando Torres (Chelsea), Pedro Rodriguez (Barcelona) e David Villa (Atlético de Madrid)

A ESTRELA

Diego Costa Fonte: radionicaragua.com.ni
Diego Costa
Fonte: radionicaragua.com.ni

Escolher uma estrela entre jogadores desta qualidade é complicado e será até injusto para alguns, mas a estrela é aquele que veio colmatar um dos muito poucos defeitos que a seleção apresentava: o poder ofensivo que tem vindo a decair, ano após ano, com o avançar da idade de Villa e o baixo rendimento de Torres. Diego Costa é, portanto, o artista desta Espanha. Um jogador que cresceu a pulso, começando no modesto Penafiel, transferiu-se para Braga e daí saiu directamente para Espanha, para o Atlético de Madrid, atingindo o auge da sua carreira com a conquista do campeonato espanhol, um feito histórico dos colchoneros. Vem de uma temporada assombrosa, facturando golos de todas as formas e feitios e é um jogador de combate, com uma capacidade goleadora incrível. Encaixa perfeitamente no esquema de jogo Espanhol, que joga habitualmente só com um ponta-de-lança, tal como o Atlético de Madrid. Contudo, nem tudo são rosas: Diego Costa chega a este Mundial com bastantes problemas de lesões que o têm vindo a assombrar neste fim de temporada. Veremos se chega em plena forma.

O TREINADOR

Vicente Del Bosque Fonte: skysports.com
Vicente Del Bosque
Fonte: skysports.com

Pouco há a dizer sobre Vicente del Bosque. Um homem com muita experiência, campeão do Mundo e da Europa, com um leque de jogadores que praticamente conhece na totalidade do anterior Europeu, e com uma filosofia de jogo mais do que definida – claramente pontos a favor da Espanha. O seu maior defeito é um treinador bastante conservador que tem alguma dificuldade em conseguir responder a resultados mais adversos, que surgem muito poucas vezes, diga-se.

O ESQUEMA TÁTICO

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O esquema táctico espanhol é uma das maiores incógnitas para este Mundial. Oscila entre 4-5-1 que se desdobra num 4-3-3 em fase de ataque, mas muito dinâmico, com Busquets e Xabi Alonso como unidades mais recuadas, deixando a Xavi a maior responsabilidade de criar, jogando com Silva e Iniesta a cair nas laterais e com Cesc, Villa ou Costa na frente.
A grande questão neste mundial é Xavi, que chega com claras debilidades físicas, depois de uma temporada muito aquém das expectativas – a idade começa a pesar claramente. Assim, surgem as dúvidas: será Cesc a assumir essa posição criativa? Ou colocar Silva no centro e fazer entrar Koke para uma das laterais será a solução?

Por outro lado, também um 4-4-2 pode ser ajustado, juntando Cesc, Villa ou Torres a Diego Costa retirando um dos médios, normalmente Iniesta.
Há muitas dúvidas, mas tendo em conta que o conservadorismo do treinador muito provavelmente teremos o habitual onze no primeiro jogo do Mundial: Casillas, Azpillicueta, Ramos, Piqué e Jordi Alba; Xabi Alonso, Busquets, Xavi, Iniesta, Silva e Diego Costa.

O PONTO FORTE

O ponto forte de La Roja é claramente o meio-campo. Com um leque de soluções incrível, associado a uma qualidade de excelência, e isto contando que ficou de fora Thiago Alcântara, por exemplo, por lesão. Um meio-campo muito organizado, com muitos anos de rotina, campeão mundial e bi-campeão europeu, com uma coesão fantástica e uma circulação de bola inigualável.

O PONTO FRACO

Encontrar um ponto fraco nesta seleção é, quiçá, a tarefa mais complicada. As duas grandes pechas que eram a lateral direita e o ponta-de-lança estão solucionadas com a capacidade defensiva e polivalência de Azpillicueta e com uma maior necessidade ofensiva com Juanfran, assim como com o já referido Diego Costa.
Penso que o ponto mais fraco poderá residir em duas questões:
– Um futebol que, embora muito rotinado, está muito batido e apresenta poucas surpresas aos seus adversários.
– Um leque de jogadores em final de carreira, que já ganharam tudo que havia para ganhar e cuja motivação pode ser não ser tão elevada como outrora.

Revista do Mundial’2014 – Uruguai

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O povo uruguaio vive há mais de 50 anos à espera do regresso do sucesso que haviam conquistado nos anos de 1930 e 1950, alturas em que conquistaram o Campeonato do Mundo de Futebol. Curiosamente, na última vez em que se sagraram campeões, o torneio deu-se no mesmo país em que se jogará o de 2014: no Brasil. Crente na repetição da história mas sobretudo na qualidade de Suárez e de Cavani, este país tem a remota esperança de que poderá voltar ao topo do mundo futebolístico já no próximo mês.

Mas não será fácil. A tremida qualificação (em 5º lugar, na zona da América do Sul) deixa no ar alguma insegurança em relação ao que poderá render uma daquelas que é mais regularmente apontada como possível surpresa do Mundial. Por outro lado, é difícil recordar uma outra selecção do Uruguai com tanta qualidade individual nos últimos anos, o que faz deste conjunto de jogadores um perigo eminente para qualquer que seja o seu adversário. Olhando, por exemplo, para a frente de ataque uruguaia, podemos constatar que Tabárez tem ao seu dispor pelo menos quatro pontas de lança que seriam titulares no conjunto de Portugal.

Um outro elemento que pode vir a ser relevante e vantajoso para a equipa uruguaia é o facto de nunca uma equipa europeia ter ganho um Mundial jogado no continente americano. Em sentido inverso, ambos os Mundiais conquistados pelo Uruguai deram-se na América do Sul. No entanto será necessário mais do que o apoio do seu povo, as condições climatéricas favoráveis ou uma combinação de factores extra-futebolísticos para que Suárez e companhia tenham sucesso no Brasil. Passar o (complicadíssimo) grupo com Itália, Inglaterra e Costa Rica será um grande passo para esse sucesso.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes – Fernando Muslera (Galatasaray), Martín Silva (Vasco da Gama) e Rodrigo Muñoz (Libertad).

Defesas – Diego Lugano (West Bromwich), Diego Godín (Atlético Madrid), José María Giménez (Atlético Madrid), Martín Cáceres (Juventus), Maxi Pereira (Benfica), Jorge Fucile (FC Porto) e Sebastián Coates (Nacional).

Médios – Egidio Arévalo Ríos (Morelia), Walter Gargano (Parma), Diego Pérez (Bolonha), Alvaro González (Lázio), Álvaro Pereira (São Paulo), Cristian Rodríguez (Atlético Madrid), Gastón Ramírez (Southampton) e Nicolás Lodeiro (Botafogo).

Avançados – Luis Suárez (Liverpool), Edinson Cavani (Paris Saint-Germain), Diego Forlán (Cerezo Osaka), Cristian Stuani (Espanyol) e Abel Hernández (Palermo)

A ESTRELA

Luis Suárez é a estrela maior do conjunto do Uruguai  Fonte: generalseveriano.wordpress.com
Luis Suárez é a estrela maior do conjunto do Uruguai
Fonte: generalseveriano.wordpress.com

Luis Suárez foi, nesta época, o melhor marcador da Premier League e um dos grandes impulsionadores para a excelente época do Liverpool. O avançado afirmou-se como um dos melhores do mundo na sua posição e, não fosse existirem os extraterrestres Messi e Ronaldo, seria um dos mais fortes candidatos à Bola de Ouro de 2014. Melhor marcador da zona de apuramento da América do Sul com 11 golos, dele os Uruguaios não esperam menos do que golos, golos e golos. Contudo, a estrela do Liverpool poderá não estar no auge da sua forma no Mundial depois de ter sido operado ao joelho esquerdo no dia 22 de Maio. A sua presença nos convocados foi, aliás, uma das grandes dúvidas até terem sido oficiais os 23 escolhidos por Oscar Tabarez. Se se apresentar nas suas máximas potencialidades, esta é uma selecção que poderá ganhar qualquer jogo. Principalmente porque a seu lado estará um outro avançado fantástico chamado Cavani e… no banco está Forlán.

O TREINADOR

Tabarez, técnico da selecção do Uruguai  9worldcup.com
Tabarez, técnico da selecção do Uruguai
Fonte: 9worldcup.com

Oscar Tabárez, que está à frente da selecção uruguaia desde 2006, já conquistou o respeito do seu país e do seu grupo de jogadores há algum tempo: em 2010 obteve um muito bom 4º lugar no Campeonato do Mundo da África do Sul; em 2011 venceu a Copa América, prova onde Brasil e Argentina são claros favoritos. Estes resultados são elucidativos da qualidade do técnico uruguaio, principalmente se tivermos em conta a fraca prestação que esta selecção havia apresentado nos anos anteriores à sua contratação. Uma das características desta equipa, para além da grande garra e entrega típica dos países sul-americanos, é a capacidade de se adaptar a diversas formações. 4x4x2, 4x3x3 ou até 3x4x3 são sistemas em que o Uruguai jogou recentemente. Pessoalmente, não sei até que ponto esta polivalência colectiva pode vir a ser positiva: se, por um lado, é complicado prever como o Uruguai irá jogar, por outro, as rotinas podem vir a ser colocadas em causa também porque uma selecção tem sempre menos tempo de trabalho do que uma equipa. Cabe a Tabárez decidir sobre qual o melhor sistema a apresentar.

O ESQUEMA TÁTICO

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O PONTO FORTE

O Uruguai tem na qualidade individual do seu 11 titular (e em alguns substitutos até) o seu ponto forte. Na baliza, Muslera fica a dever algo a muito muito poucos guarda-redes mundiais. Na defesa, os centrais são fortes, seguros e autoritários. Cáceres, pela esquerda, dará menor profundidade ofensiva mas uma estabilidade defensiva importante e Maxi Pereira, pela direita, é – como se sabe em Portugal – um jogador bastante competitivo embora não se trate de um fora-de-série. O meio-campo é fortíssimo, pressionante e imprime uma intensidade elevadíssima ao jogo. Gargano e Arevalo enchem o campo e encarregam-se de que é complicado para qualquer selecção jogar no meio-campo do Uruguai. Depois, embora dependa do sistema que Tabarez utilize, Gaston Ramirez é um médio mais criativo, capaz de jogar entre linhas e de explorar os espaços abertos quer através da condução de bola quer do passe de ruptura e Cristian Rodriguez é um jogador de ala que deixa sempre tudo no campo. No banco estarão ainda Lodeiro, jogador semelhante a Gaston Ramirez e Álvaro Pereira, ex-Porto, que pode fazer a ala esquerda. Contudo, é na frente que se encontra o maior poderio da equipa: Suárez e Cavani são possivelmente a melhor dupla de avançados do mundo e, inspirados, são capazes de desiquilibrar qualquer jogo. Forlán, embora já não se encontre na melhor forma, é ainda uma excelente opção, tal como Stuani e Abel Hernández. Em termos de jogo jogado, a alta intensidade de jogo que a equipa consegue imprimir é talvez o ponto mais forte desta selecção.

O PONTO FRACO

A falta de jogo exterior pode vir a ser um problema para Oscar Tabarez se os seus adversários forem capazes de fechar bem o corredor central e, dessa forma, impedir que o Uruguai o utilize na sua manobra ofensiva. Tanto no meio-campo como no ataque, os melhores jogadores uruguaios são todos eles jogadores que privilegiam o jogo interior. Suárez, Cavani, Forlan, Gaston Ramirez, Lodeiro, estes são os mais perigosos, criativos e os que podem criar mais problemas aos adversários no momento de ataque e, ao mesmo tempo, são todos eles fortes no centro do terreno e mais fracos quando encostados numa linha. É certo que tanto Suárez como até Cavani conseguem flectir bem do flanco para o meio, mas resta a dúvida sobre como irá o Uruguai apresentar o seu jogo, por exemplo, na partida de estreia frente à Costa Rica, que adoptará certamente um sistema bem defensivo e de linhas juntas.