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Antevisão GP Japão: É sábado e não temos qualificação

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Começou ontem mais um fim de semana de Fórmula 1. Desta vez, em região Ásia-Pacífico – no Japão – numa das pistas mais emblemáticas do calendário e onde os fãs parecem ser os melhores fãs do mundo.

Porém, o fim de semana introduziu-se um pouco mais curto do que o normal: à conta do Tufão Hagibis, que afetará todo o território asiático, a FIA foi forçada a cancelar a qualificação deste sábado, passando a mesma para domingo de manhã (10:00H hora local, 02:00H em Portugal Continental).

A qualificação adiada para domingo já não é uma novidade no Japão, já em 2004 e em 2010 aconteceu o mesmo, devido ao mau tempo. Diria que já é um clássico.

Desde 2014, ouvir falar de Suzuka dá-me aquele pequeno nervosismo, desde o acidente de Jules Bianchi, que levaria à sua morte 9 meses depois, o Japão não parece ser o mesmo. Por isso, diria que adiar a qualificação foi uma boa decisão da parte da FIA.

A partir daqui farei uma antevisão segundo os resultados dos treinos livres realizados ontem e daquilo que poderá ser a corrida, tendo em conta alguns marcos históricos desta pista.

Caso a qualificação não se realize mesmo (porque ainda há essa possibilidade), os resultados do FP2 serão os resultados em vista para a corrida.

Neste cenário, vemos uma Mercedes a afirmar-se forte. Depois da dobradinha na Rússia, as Flechas Prateadas querem, novamente, reforçar a liderança do campeonato. Tanto para a Mercedes como para o Lewis Hamilton, visto que, em princípio, o campeonato para ambos está (quase) garantido.

No entanto, na hipótese de o TL2 servir como qualificação, seria Valtteri Bottas quem ganharia a pole position. Algo que já não vemos há algum tempo – desde Silverstone. Poderá o finlandês repetir o mesmo feito amanhã na qualificação?

Com uma boa margem de tempos, a expectativa cresce no piloto finlandês da Mercedes, Valtteri Bottas, para ganhar a 11ª pole position.
Fonte: Formula 1

Depois dos erros cometidos na estratégia em Sochi, e com o domínio da Mercedes nos treinos livres, a scuderia italiana não parece estar a ter o seu melhor momento de forma. No entanto, quem sabe se a equipa não poderá ter uma recuperação eficiente para amanhã.

Já a equipa da Red Bull parece querer afirmar-se. Pelo menos Max Verstappen não vai deixar escapar a oportunidade de acrescentar mais uma pole position ao seu palmarés.

A nível de contexto histórico, nos anos anteriores vemos, em Suzuka, um domínio claro da Mercedes: desde 2014 que as Flechas Prateadas têm dominado em território japonês.

Se o contexto histórico interessa, então a História do circuito dos últimos anos assemelha-se bastante àquilo que aconteceu nos treinos livres de ontem.

No entanto, nada é certo, porque, com a qualificação a decorrer apenas amanhã, teremos um domingo em cheio e, em contrapartida, um sábado de “descanso”, no qual teremos que esperar para ver o que vai acontecer.

Na ausência de qualificação, aqui estão os resultados finais do FP2.
Fonte: Formula 1

Foto De Capa: Formula 1

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Portugal 3-0 Luxemburgo: Passo firme rumo ao Europeu 2020



O selecionador e os jogadores bem disseram que o jogo ia ser mais complicado do que se antevia, mas isso acabou por não acontecer (e ainda bem!): Portugal venceu sem dificuldade o Luxemburgo por três golos sem resposta, e deu um passo importante rumo ao Europeu do próximo ano. O jogo foi de sentido único, tendo a seleção portuguesa claro domínio durante toda a partida.

Portugal começa o jogo logo a ameaçar com um remate de Ronaldo aos dois minutos à entrada da área. A bola passou ao lado, mas a ameaça estava feita. Passado três minutos, houve protestos sobre alegado penalti a Bernardo Silva e, de seguida, Ronaldo. O árbitro, justamente, nada assinala.

A seleção das quinas estava a circular bem a bola e a conseguir criar perigo. Aos 15’, João Félix, depois de uma grande receção, remata cruzado ao primeiro poste, mas a bola passa ao lado. Os portugueses ameaçavam, mas o tento só chegou mesmo ao minuto 16’ por intermédio de Bernardo Silva. Depois de mais um arranque desenfreado de Nélson Semedo e também da saída em falso do guarda-redes do Luxemburgo, Bernardo Silva viu a sua vida muito facilitada e abanou, sem muita dificuldade, as redes adversárias.

O primeiro golo da seleção veio dos pés de Bernardo Silva, depois de um grande trabalho de Nelson Semedo
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

A partir do golo o jogo esmoreceu, infelizmente para os adeptos que, do lado da bancada, puxavam pelo seu país. Até ao término do primeiro tempo, houve lugar para uma oportunidade do Luxemburgo, mas não muito mais. Aos 26’, Vincent Thill remata pela esquerda. Rui Patrício ainda salta, mas a bola sai ao lado.

Não houve mais lances dignos de destaque até ao intervalo e o que é certo é que, apesar de curta a vantagem, a equipa de Fernando Santos regressava ao balneário a convencer com o seu jogo.

A pausa de 15 minutos não alterou grande coisa. O sentido continuou o mesmo: o do ataque português. Aos 49 minutos, Bruno Fernandes ameaçou, desde logo, com um remate à entrada da área, mas o lance não resultou em golo devido à defesa de Moris. Momentos depois, foi o momento de o capitão criar perigo: Cristiano Ronaldo ainda deu um salto acrobático na pequena área para tentar marcar o segundo, mas o esférico acabou por ser, mais uma vez, travado pelo guarda-redes do Luxemburgo.

Portugal estava a jogar bem, a fazer muitos remates à baliza, mas a verdade é que todos passavam ao lado ou eram defendidos por Moris. Como se diz na gíria popular “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura” e foi assim mesmo: Ronaldo marcou o golo 699 da carreira fazendo o segundo golo da noite. Depois de ter tirado a bola a um defesa, o número sete faz um chapéu ao guarda-redes e, com toda a calma, fez o golo.

Ronaldo fez magia e marcou o seu golo 699 na carreira
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

O Luxemburgo não teve capacidade de resposta e, verdade seja dita, o poderio português também não o permitiu. João Félix, aos 80 minutos, rematou mas houve um desvio que impediu o 3-0. Não surgiu por intermédio de João Félix, mas sim por Gonçalo Guedes aos 90’. Estava feito o terceiro numa noite bem conseguida pela equipa de Fernando Santos.

A seleção portuguesa dá então mais um passo importante para a qualificação do Euro 2020 num regresso a Alvalade após quatro anos sem visitar o terreno dos leões. Vitória justa para a equipa das quinas que venceu e convenceu nesta noite de sexta-feira.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Portugal – Rui Patrício, Nélson Semedo, Pepe, Rúben Dias, Raphael Guerreiro, Cristiano Ronaldo, Moutinho (Subst. Ruben Neves, 90’), Danilo, Bruno Fernandes, Bernardo Silva (Subst. Gonçalo Guedes, 77’), João Félix (Subst. João Mário, 88’).

Luxemburgo – Anthony Moris, Maxime Chanot, Lars Gerson, Vincent Thill (Subst. Aldin Skenderovic, 87’), Bohnert (Subst. Sinani, 46’), Dirk Carlson, Olivier Thill, Barreiro Martins, Gerson Rodrigues, Laurent Jans, Turpel (Subst. Daniel da Mota, 58’).

Frente a Frente: Luís Díaz vs Shoya Nakajima

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Uma competição anunciada. Uma batalha entre dois jogadores bastante diferentes, mas com grande qualidade individual. Hoje colocamos frente a frente Luís Díaz e Shoya Nakajima, os dois extremos esquerdos do FC Porto.

Luís Diaz, extremo colombiano de 22 anos, chegou ao Dragão para a sua primeira experiência na Europa proveniente do Atlético Júnior FC por uma verba a rondar os oito milhões de euros e a sua irreverência tem animado as bancadas. Com duas ou três fintas sempre à mistura, “Lucho” tem no drible a sua maior qualidade, colando a bola ao pé mesmo em velocidade, recorrendo ao recorte técnico para tirar adversários do caminho. Apesar de toda a técnica, Luís Díaz peca demasiado em frente à baliza. É, naturalmente, um desequilibrador mas, na última fase, a finalização, treme em frente à baliza e desperdiça oportunidades claras de golo. O colombiano tem contagiado os adeptos com o seu “Cha Cha Cha” e feito dos adversários um oito.

Nakajima tem brilhado nos últimos jogos
Fonte: Liga Portugal

Já Nakajima, japonês de 25 anos, chegou à Invicta com maior conhecimento daquilo que é o futebol português. Depois de uma passagem pelo Portimonense SC e da ida para o Al-Duhail, voltou ao nosso país para poder ganhar maior visibilidade, e o FC Porto era um desejo antigo. Ao estilo de Messi, Nakajima aproveita a sua baixa estatura e o consequente baixo centro de rotação para se livrar facilmente dos adversários, com os típicos movimentos diagonais para o centro, para poder atirar à baliza com o pé preferencial, o direito. O nipónico atingiu o seu auge no jogo a contar para a Taça da Liga contra o CD Santa Clara, em que esteve em grande plano com fintas exuberantes e uma enorme influência no jogo ofensivo dos dragões.

Com base nas performances com o dragão ao peito de ambos os jogadores, o vencedor deste frente a frente é Luís Díaz. O colombiano partiu atrás de Nakajima, mas aproveitou as suas oportunidades e passou a titular na equipa de Conceição, estando agora novamente a lutar pelo lugar que tem sido do japonês nos últimos jogos.

Foto de capa : Bola na Rede/ FC Porto

Yorgan De Castro: Sangue português no UFC

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Luso-caboverdiano, 32 anos, 120kg. Yorgan De Castro surpreendeu o mundo ao vencer Justin Tafa, no UFC 243, com um brutal KO, que lhe valeu o prémio de Performance da Noite. Qual é a história deste atleta que carrega a bandeira de Portugal e Cabo Verde pela maior promoção de MMA do mundo?

MUDANÇAS DE PAÍS E INTRODUÇÃO AO DESPORTO

Filho de pai português e mãe cabo-verdiana, Yorgan De Castro teve uma infância difícil. Em entrevista ao The Body Lock confessou que por vezes não tinha o que comer, e que a sua mãe criou três filhos sozinha.

Aos 18 anos, decidiu dar novo rumo à sua vida e mudou-se para Portugal. Começou a treinar kickboxing com José Oliveiras “Bogas” e imediatamente se apaixonou pelo desporto.

Grande parte da família da mãe de Yorgan reside nos Estados Unidos da América. Como em Portugal, os desportos de combate não estão muito desenvolvidos, aproveitou e foi viver com a família para o país. Começou a treinar na Lauzon MMA, academia de artes marciais mistas do lutador do UFC Joe Lauzon.

DO AMADOR AO PROFISSIONAL

O começo no MMA amador não foi o melhor para Yorgan. Venceu dois combates e perdeu quatro, mas foram derrotas que o fizeram aprender muito. Referiu que as regras do amador são mais limitadoras que as do profissional: “Não podia lançar joelhos à cabeça nem lançar cotoveladas. Limitavam as minhas capacidades”.

Yorgan De Castro deu nas vistas no UFC 243 depois da sua grande vitória
Fonte: UFC

Fez o seus primeiros dois combates profissionais na Classic Entertainment Sports, promoção de MMA em Rhode Island (EUA). Venceu ambos por KO, e foi convidado a lutar pelo título de cruiserweight, categoria dos 102 kg, da promoção New England Fights. Precisou de apenas dois minutos para nocautear Ras Hylton e tornar-se campeão. Voltou à Classic Entertainment Sports para vencer a primeira (e única) decisão da carreira, frente a Carlton Little.

A CHAMADA INACREDITÁVEL E UMA ESTREIA DE SONHO

Uma das chaves para o sucesso de Yorgan é a sua disciplina. Acorda às 5h30 e trabalha até as 14h40 da tarde. Às 15h começam os seus treinos: primeiro faz condicionamento físico no Infinite Fitness, e depois vai treinar MMA na academia Regiment Training Center, em Fall River no estado do Massachusetts.

Nas asas de um génio

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Longe vão os tempos de glória do AC Milan, no entanto, sempre que muda a temporada, a esperança do acordar do gigante renasce. Depois de uma época 18-19, onde não conseguiram mais que a quinta posição e nem passaram da fase de grupos, os Rossoneri começaram esta temporada com expetativas altas como sempre.

O clube que está suspenso das competições europeias, tem todas as baterias apontadas para a Taça Italiana e para a Serie A. Para esta temporada, Gennaro Gattuso foi substituído no comando técnico por Marco Giampaolo, um treinador muito cotado em Itália e de quem se esperava muito. Em relação ao plantel, não faltam opções de qualidade, recheado de talento individual, que (os anos passam e o problema é sempre o mesmo) continua a não funcionar de uma maneira regular a nível coletivo. É aqui que entra Lucas Paquetá.

O internacional brasileiro de 22 anos, contratado em janeiro de 2019 ao CR Flamengo por 35 milhões de euros, é o playmaker que, curiosamente, Giampaolo parece não valorizar. Só esteve indisponível uma vez esta temporada, por problema físico, somando duas titularidades e três utilizações a partir do banco. No entanto, a resposta para a fraca produtividade do AC Milan, tem só um nome: Paquetá.

Leão ameaça abafar o estatuto de Piatek
Fonte: AC Milan

O craque, que chegou a San Siro rotulado de novo Kaká, tem o potencial para criar um legado do tamanho do ex-craque do Real Madrid CF e do próprio AC Milan, e, se continuar a evoluir, até sonhar com a camisola 10 da canarinha e com nomeações para Bolas de Ouro. Quem o vê e gosta de futebol, até lacrimeja só de ver aquele toque de bola inconfundível.

Nem é preciso recuar muito. Basta ver o último jogo do AC Milan com o Génova CFC. Com a ajuda de Rafael Leão, que também entrou ao intervalo e revolucionou o ataque da equipa (Piatek está uma sombra do que rendeu a época passada), Paquetá saltou do banco para mudar o jogo. Substituindo Çalhanoglu, outro jogador que tarda em se afirmar em termos de regularidade, o brasileiro rebentou com o meio campo e linha defensiva dos Rossoblu. Alternando arrancadas com a bola no pé com uma condução de bola de um verdadeiro tratado, com tabelas e dribles, Paquetá foi fundamental para virar o jogo no Luigi Ferraris.

O AC Milan continua com um potencial e um plantel tremendos. Parece é que, venha que treinador vier, ninguém consegue pôr estas individualidades a render coletivamente. Uma equipa que tem Paquetá, que nem se percebe como não é intocável no onze, Reina e Donnarumma para a baliza, defesas como Theo, Romagnoli ou Caldara (um craque, que vive um calvário de lesões), Kessié, Biglia, Suso, Piatek, Leão, Çalhanoglu, Rebic ou Bonaventura, consegue e pode fazer mais. Talvez seja curto para ameaçar o título de campeão, mas tem matéria prima mais que suficiente para lutar pelo top 5 da Serie A e lutar pela Taça de Itália.

Esta semana Giampaolo foi despedido (nem a vitória em Génova o safou) e Stefano Pioli, confesso adepto do rival de Milão, terá como tarefa dar consistência ao jogo e à equipa, procurando uma sequência positiva de resultados. Paquetá poderá ganhar o protagonismo que merece e que tem de ter para o AC Milan crescer, enquanto Leão, que tinha conquistado muitos pontos junto de Giampaolo, poderá ficar novamente tapado pelo estatuto de Piatek (normalmente, quando um treinador novo chega a um clube com a época a decorrer, as estrelas têm prioridade). Para já há 7 jogos oficiais a contabilizar, 3 vitórias e 4 derrotas. Giampaolo deixa a equipa ocupando a 10ª posição, a 10 pontos da liderança e com mais 3 pontos que a zona de descida de divisão.

Foto de Capa: AC Milan

Bruno Fernandes | O Maestro

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O capitão Bruno Fernandes cumpre a sua terceira temporada de leão ao peito. Na época transata, 2018/2019, registou números absolutamente extraordinários, com 32 golos apontados e 18 assistências, em 53 jogos. Desta forma, o número oito leonino consagrou-se como o médio mais goleador de sempre do futebol europeu.

Num verão com muita especulação, o capitão acabou por permanecer no clube de Alvalade, sendo o melhor “reforço” para a equipa. Sendo que tem o seu passe avaliado em 55 M€, contrato válido até 2023 e uma cláusula de rescisão fixada nos 100 M€.

Neste arranque de época, embora coletivamente os resultados não correspondam às expectativas, Bruno Fernandes continua num bom momento de forma. Com 10 partidas disputadas, o capitão do Sporting já soma sete golos apontados e cinco assistências, sendo absolutamente decisivo. Com estes números, numa fase tão prematura da temporada, o número oito poderá bater os recordes da época passada. Independentemente da equipa técnica, do modelo de jogo e do esquema tático, o médio é fundamental para o coletivo.

Depois de uma época em que encantou a Europa, Bruno Fernandes não abranda
Fonte: Sporting CP

Sob a liderança de Jorge Silas, o desafio é retirar o melhor de Bruno Fernandes e de todos os atletas, conquistando vitórias. A preponderância de Bruno Fernandes faz-se sentir no processo ofensivo, mas também no processo defensivo, sendo o primeiro a pressionar os adversários, tendo uma forte reação à perda da bola. Em termos ofensivos, destaca-se a capacidade de chegada a zonas de finalização, a forte meia distância, a qualidade de passe e visão de jogo. Além das suas características, é um verdadeiro líder dentro de campo, com enorme entrega e raça, dando tudo em cada lance, em cada jogo.

Bruno Fernandes soma três títulos ao serviço do Sporting: uma Taça de Portugal e duas Taças da Liga. Ao serviço da Seleção portuguesa conquistou a Liga das Nações e contabiliza, até ao momento, 15 internacionalizações e um golo apontado.

O capitão do Sporting Clube de Portugal é hoje o melhor jogador a atuar em Portugal. Sendo um exemplo pelo Esforço, Dedicação e Devoção, em cada jogo e em cada lance. Que esta seja mais uma época, para ajudar os leões a conquistar títulos, com o contributo da qualidade e talento deste verdadeiro craque.

Foto de Capa: Sporting CP

Pausa para respirar…

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Chega a primeira grande paragem da temporada, devido a compromissos para seleções. São cerca de duas semanas até ao próximo jogo oficial. Até lá, Bruno Lage e restante equipa técnica têm muito trabalho pela frente. Após a última derrota no jogo contra o Zenit, para a Liga dos Campeões, ficou claro – se já não o era – que o Benfica está a atravessar um momento delicado nesta fase da época.

Após um início fulgurante, com uma vitória expressiva sobre os “eternos rivais”, na Supertaça, e com uma goleada na estreia da presente edição da Liga NOS, o Benfica tem vindo a passar por uma fase menos positiva no que à qualidade do futebol praticado diz respeito.

Bruno Lage atravessa o momento mais complicado desde que assumiu o comando técnico do Benfica
Fonte: SL Benfica

Apesar do segundo lugar na Liga, com 18 pontos, e de apresentar uma maior consistência defensiva em relação ao ano passado, o Benfica aparenta estar num deserto de ideias no que concerne à produção de jogo ofensivo.

Os comandados de Bruno Lage apresentam um jogo ofensivo lento e previsível, que permite às defesas contrárias fechar facilmente os caminhos para a baliza. A integração de Taarabt na equipa tem, em parte, ajudado a quebrar a monotonia de processos, trazendo uma visão de jogo mais refinada, aliada a uma capacidade de explosão com bola que permite queimar linhas no processo de construção de jogo da equipa.

Taarabt tem assumido um papel preponderante nas “águias”
Fonte: SL Benfica

No entanto, o renascimento do marroquino não é suficiente para suportar todo o futebol do Benfica. É, portanto, imperativo a criação de novas dinâmicas de jogo entre os jogadores, assim como um reset ao espírito da equipa.

Para além da lentidão de processos e de alguma ausência de atitude, a falta de faro de golo demonstrado por parte dos avançados encarnados tem contribuído para o agravar da situação das “águias”. Os três “pontas de lança” encarnados (Raúl de Tomás, Seferovic e Vinícius) valem, entre si, quatro golos no total da temporada: números bastante modestos num clube que luta por títulos e que ambiciona voar alto na Europa.

Bruno Lage tem agora um período para reajustar e reflectir sobre quais são as melhores ideias e estratégias para acordar o Benfica que jogou e encantou na segunda metade da época passada. Não vai ser uma tarefa fácil – é certo -, mas qualidade não falta ao plantel encarnado e o técnico português já demonstrou ter excelentes capacidades técnico-táticas para dar a volta a situações menos favoráveis.

Foto de capa: SL Benfica

Da final da “Champions” ao início de época desastroso

Se há cerca de cinco meses vos dissessem que o Tottenham Hotspur (vice-campeão europeu), numa fase inicial da nova época, seria goleado pelo Bayern Munchen (2-7) e pelo Brighton & Hove Albion (3-0), acreditariam? Pois bem, o futebol é espetacular por isto mesmo! Num dia, a chegada ao topo da montanha, no outro, a queda a pique!

O treinador manteve-se ao leme (com mérito). Desde 2014 no clube, Mauricio Pochettino, tem vindo a entusiasmar os adeptos a cada ano, com prestações em “crescendo”, tanto na Liga dos Campeões, como na Premier League. Aliando resultados a exibições de “encher o olho”, faz os adeptos sonhar com importantes conquistas. Ou fazia…

A nível de plantel, dos habituais escolhidos, apenas perdeu o lateral direito, Kieran Trippier (Atlético Madrid) e o ponta de lança experiente, Fernando Llorente (Nápoles). Reforçou-se, (ainda que, para posições diferentes) com Ndombélé, Lo Celso e o jovem Ryan Sessegnon. É verdade que se podia ter reforçado melhor, mas os resultados recentes, pouco ou nada, têm a ver com a qualidade do plantel.

Desde que a temporada começou, ainda só venceram por três vezes (!), a contar para todas as competições. Saíram derrotados, inclusive, pelo modesto Colchester UFC, que os atirou para fora da Taça da Liga. E para além disso, encontram-se no nono lugar no campeonato, a 13 pontos do líder Liverpool.

Cá para mim, algo de complicado se passa naquele balneário… Crise de confiança? Confronto de egos? Ou simplesmente “falta de sorte”? A tudo isto, veio agora juntar-se a lesão do guarda-redes e capitão, Lloris. Pode ser que a paragem, fruto dos compromissos das seleções, faça bem à equipa.

Em maio, Pochettino teria, certamente, melhores motivos para sorrir, do que na nova temporada
Fonte: Tottenham Hotspur Football Club

Futebolisticamente falando, dá para perceber que o plantel dos “Spurs” não está à altura do Liverpool, do Manchester City ou até mesmo do rival Arsenal, que esta época se reforçou em quantidade e qualidade, mantendo ainda a aposta do clube nos jovens da formação, tal como o Chelsea. Coloco o Tottenham ao nível do Manchester United, no que diz respeito à profundidade das opções. E cuidado com o Leicester, que este ano voltou forte e já lhes venceu.

Não há, no mínimo, dois jogadores por posição. Pelo menos, não com qualidade idêntica. Falta sangue novo. Falta sangue quente. Faltam jogadores com vontade de provar a sua qualidade. Tão bem que encaixava naquele meio campo, um tal de Bruno Fernandes, de quem tanto se falou no mercado de verão. Acabou por ir, em vez dele, Giovani Lo Celso. Era mais “barato” e mais novo. Mas, a meu ver, de valor inferior.

Na defesa, não chegou ninguém para substituir o titular da época transata (Trippier). Na baliza, não há ninguém à altura de substituir Lloris, aquando das suas lesões recorrentes. Na frente, se não forem Kane e Son, quem é que marca golos? Além disso, há ali gente que já gostaria de ter saído e sente-se algo “presa” ou “obrigada” a ficar. São os casos de Eriksen, que esteve a um passo do Real Madrid e de Alderweireld, que já foi associado várias vezes ao Manchester United.

Algo terá de mudar. E só Pochettino saberá o quê e de que maneira. A direção do Tottenham já reiterou a sua confiança no técnico argentino. Segundo a imprensa espanhola, se a massa diretiva o quiser despedir, terá de indemnizar o mesmo em 36 milhões de euros. Sendo assim, é normal que não estejam muito preocupados com os resultados negativos… Afinal, o que é que preferiam? Dar tempo a um treinador (competente, com provas dadas) acreditando que se trata apenas de uma fase negativa, ou gastar tal quantia para o “mandar embora”?

Foto de Capa: Tottenham Hotspur Football Club

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Finalmente paz para Mile

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Mile Svilar é um caso especial de precocidade. Menino prodígio vindo da conceituada escola belga, com mais de duas dezenas de internacionalizações nas selecções jovens, exige na chegada a Lisboa protagonismo imediato e um lugar cativo na primeira equipa. À custa de uma evolução saudável e acentuada no tempo, é lançado às feras em jogos de Liga de Campeões, surgindo numa fase horrenda de Rui Vitória: depois do desastre de Basileia, Júlio César cede espaço a Bruno Varela, que, não estando também de todo preparado, luta durante umas semanas pela titularidade com o belga de dezoito anos. Entre 14 de Outubro e 5 de Novembro de 2017, Svilar faz todos os minutos, assumindo a baliza na jornada dupla frente ao Manchester United de José Mourinho, na qual a notória falta de preparação para o nível de topo é resumida no famoso auto-golo após balão inofensivo para a área.

Numa idade na qual o tempo de jogo se torna crucial para a evolução do atleta, o SL Benfica comete erro crasso no desenvolvimento sustentável da sua futura estrela, ao mantê-lo no plantel para 2018/19, entregando-lhe as taças de Portugal e da Liga. Quando o atleta suplicava por minutos, e podendo remetê-lo para a equipa B numa fase transitória ou empresta-lo com garantias de titularidade, o clube decide que Svilar é para ficar como segundo guarda-redes, na sombra de Odysseas. Naturalmente, os números são escassos: 12 jogos que traduzem 1080 minutos, uma época de estagnação e o adiar da confirmação de todo o potencial que lhe é reconhecido.

A estreia de Svilar na Champions, aos 18 anos
Fonte: SL Benfica

É no verão seguinte que entra o planeamento de Bruno Lage, que entrega a Mile definitivamente o espaço ideal de crescimento: a baliza da equipa B é dele em 2019/20, depois de várias ofertas de empréstimo rejeitadas, segundo noticiado na comunicação social. É agora visível um projecto a curto e médio prazo, numa aposta séria nas capacidades do imberbe belga, que tem tudo para assumir a baliza encarnada nos anos vindouros.

Valendo-se do seu forte sentido posicional, elasticidade e coragem, Svilar é um guarda-redes moderno, não se coibindo de fechar uns metros à frente de forma a anular a profundidade adversária e funcionar como líbero – é, nesse sentido, o melhor guarda-redes nos quadros. Dos sete jogos do SL Benfica B até agora na Liga Pro, Mile completou os 630′ correspondentes, exibindo bons pormenores apesar da inconsistência da equipa liderada por Renato Paiva e dos 10 golos sofridos.

A direccioná-lo no seu desenvolvimento terá dois bons treinadores de guarda-redes. O “Record” desta semana noticiava o plano de acompanhamento que Fernando Ferreira teria preparado para Mile. O treinador de guarda-redes que transitou com Lage da equipa B é alguém de créditos firmados, com passagens pela formação do Sporting CP, Real SC e 1º de Agosto – o mesmo que garantiu uma excelente segunda-volta a Odysseas, com oito clean sheets em dezanove jogos, um registo exemplar e digno de atenção.

Na equipa B, Paulo Lopes, o “senhor da trave”, terá certamente conhecimentos cirúrgicos da posição, fruto da larga experiência e da carreira de vinte anos ao mais alto nível, passada em todos os escalões profissionais do futebol nacional: um senhor na verdadeira acepção da palavra e que certamente ajudará o menino Svilar a perpetuar a excelente fase que atravessa.

Fonte: SL Benfica

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

 

 

 

 

Os maiores défices do FC Porto 2019/2020

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Na era de Sérgio Conceição, que chegou em 2017, este arranque de temporada tem sido o pior. Há três anos que o treinador assumiu o comando técnico da equipa e os resultados conseguidos até então têm estado abaixo dos anos anteriores e, consequentemente, abaixo das expectativas também. A eliminação precoce da Liga dos Campeões foi o primeiro sinal de que as coisas não estavam bem, assim como a derrota na jornada inaugural do campeonato. Apesar de depois a equipa ter conseguido obter resultados melhores, as exibições continuaram a ficar aquém. Mais recentemente, para a Liga Europa, o FC Porto somou mais uma derrota. É verdade que foi num jogo fora, mas não é menos verdade que se esperava um resultado diferente de uma equipa que é, de longe, o favorito do grupo.

Houve saídas, houve entradas, novas apostas, mudanças… mas a realidade é que os maiores problemas se têm mantido. Uma defesa vulnerável e um ataque insuficiente.

Em comparação à última temporada, a defesa sofreu sérias mudanças. Saiu, ainda que sem ser uma certeza, Casillas. No entanto, a baliza continua a ser bem representada e Marchesín tem sido um dos melhores da equipa. Ainda assim, a linha defensiva sofreu mudanças e há lugares que parecem estar sempre por colmatar. A saída de Militão e de Felipe têm-se feito sentir, mas o maior drama de Conceição continuam a ser os laterais. Há alturas que Alex Telles parece insuficiente e acusa cansaço e agora até Corona foi adaptado a lateral direito. Os reforços chegaram, mas ainda não reforçaram nada. Parece que a equipa demonstra insegurança e falta de serenidade. Quando está a vencer, acaba por se expor e arrisca demasiado, como aconteceu em Portimão e como esteve perto de acontecer em Vila do Conde.

O FC Porto não tem convencido os seus adeptos.
Fonte: Bola na Rede

A defesa tem de sofrer mudanças sérias porque se há uns tempos parecia um muro intransponível, agora parece que está ao alcance de qualquer equipa. O trabalho aqui é muito técnico e tático, mas talvez seja preciso entrar no psicológico dos jogadores e fazer ver que há rotinas que precisam de ser criadas.

O meio-campo tem sido um mal menor, mas quando Danilo aparenta estar em baixo de forma, parece que contagia os companheiros embora, de todos os setores, tem sido o mais regular.

O mesmo não pode ser dito do setor ofensivo que continua a falhar muitos golos. A equipa precisa de marcar e sente cada vez mais dificuldades. Zé Luís começou muito bem a temporada, mas não pode fazer tudo sozinho. Marega continua a ter mais força física do que técnica e isso reflete-se nos resultados: ganha faltas, mas falha, escandalosamente, os golos.

Contratar mais algum avançado pode não ser a solução, mas manter a linha ofensiva como está pode trazer males maiores num futuro muito próximo. Estes problemas vão sempre existir, mas é aqui que tem de entrar o papel do treinador: ativo e proativo. Se é um clube que quer retornar às conquistas, há muito trabalho a fazer.

Foto de capa: FC Porto

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão