Início Site Página 10520

É mesmo preciso parar um mês?

30 de setembro, 22h00: terminou aqui o último jogo da jornada que antecede a pausa de quase um mês no campeonato português. Estamos habituados a paragens de duas semanas com jogos de seleção pelo meio, mas esta será, provavelmente, a primeira vez que há um período tão alargado sem jogos da liga, imposta pela realização de eleições legislativas e pelos jogos das seleções.

Devemos entender que esta interrupção pode ser benéfica de várias formas para alguns clubes, ora porque têm a possibilidade de descanso – algumas equipas vêm de verdadeiras maratonas em termos futebolísticos, com quatro jogos em 15 dias -, ora porque conseguem, desta forma, o tempo necessário para que haja assimilação de novas ideias por parte daqueles clubes que mudaram recentemente de treinador.

No caso do Sporting CP, o treinador Silas assumiu o comando da equipa apenas três dias antes do último jogo para o campeonato frente ao CD Aves, pelo que esta pausa será decisiva para que a equipa de Alvalade se transfigure e reverta o mau momento na liga, em que contabilizou apenas uma vitória nos últimos quatro jogos.

Para tal, os jogos que se avizinham na Liga Europa e na Taça de Portugal podem ser cruciais para testar novos conceitos e retificar o que for necessário. Não que estes jogos não sejam importantes e merecedores da maior concentração por parte da equipa, mas afiguram-se como determinantes para a consolidação de processos.

Por outro lado, temos a questão da possível perda de competitividade por alguns emblemas. Aqueles já eliminados da Taça da Liga, como o Boavista FC, Moreirense FC e FC Famalicão, por exemplo, terão neste espaço de um mês apenas um jogo, para a Taça de Portugal. Para este último, note-se ainda a eventual quebra do bom momento que atravessa na liga portuguesa, com uns inéditos 19 pontos em sete jogos e o primeiro lugar isolado na tabela classificativa.

Carlos Carvalhal foi um dos treinadores que criticou o calendário do campeonato
Fonte: Rio Ave FC

Vários treinadores criticaram já esta escolha de calendário. João Pedro Sousa, treinador do Famalicão, classificou esta paragem como “um exagero”, já o treinador do Rio Ave FC, Carlos Carvalhal, considerou que “esta pausa tem dois aspetos negativos: o primeiro é a perda de competitividade, o segundo é haver demasiado rescaldo dos jogos”. Também o SL Benfica, através da sua newsletter, apelou à revisão urgente do calendário.

Visto numa perspetiva de aficionada do futebol, temos de ter em conta o impacto nos adeptos. O futebol tem, por definição, a capacidade de juntar pessoas que muitas vezes nem se conhecem à volta dele, seja numa ida ao estádio ou em frente à televisão. Os dias dos jogos são esperados com um nervoso miudinho, como se houvesse algo que nos falta e que não sabemos muito bem o que é, mas que vemos respondido com o apito inicial do árbitro.

Claro que durante esta interrupção terão lugar outros jogos, tanto de competições internas como europeias. Mas, na verdade, o campeonato é aquele que normalmente agarra os adeptos e que traz mais emoções à flor da pele.

Assim, resta-nos aguardar de forma angustiada o final do mês e com ele o desejado regresso da Primeira Liga. Até lá, ficamos com as taças e com as seleções.

Foto de Capa: Seleções de Portugal

Artigo revisto por Diogo Teixeira

 

 

A evolução do FIFA em Portugal!

O mundo dos eSports está cada vez mais emergente em Portugal e como tal, o FIFA tem uma grande fatia dessa ascensão do desporto virtual no nosso país.

Para quem está dentro do assunto e acompanha de perto, sabe exactamente daquilo que estou a falar. No entanto, ainda existe muito desconhecimento sobre o que é feito por cá e onde nos situamos no mapa dos eSports e do FIFA competitivo. Um único artigo nunca chegaria para contar os momentos, os progressos e as conquistas que nos últimos 2/3 anos têm vindo a acontecer neste panorama. E por isso este artigo será mais direccionado para o FIFA 1vs1.

É seguro afirmar que a grande evolução do FIFA em Portugal deu-se no FIFA 19 com o aparecimento das competições FPF eSports e torneios mais virados para o lado competitivo, convertendo muitos torneios H2H (jogos 1vs1 com equipas reais do FIFA) em torneios de Ultimate Team com regras especiais e prizepools. Para além disso, os constantes lugares de jogadores portugueses no Top 100 do modo FUT Champions do Ultimate Team e as frequentes qualificações para torneios internacionais também ajudaram nessa afirmação.

À esquerda Tuga810, à direita RastaArtur a representar Portugal no FIFA eWorld Cup em Londres
Fonte: FPF eSports

Depois do Futebol, do Futsal e do Futebol de Praia entre outras modalidades, Portugal está também a tomar conta dos eSports. Depois das fantásticas performances de Tuga810 e RastaArtur no FIFA 19, não só nos torneios individuais como na FIFA eNations Cup, competição em que os dois jogadores representaram Portugal como dupla e obtiveram o Top 3.

DPeixoto7 (Diogo Peixoto) a representar Portugal no Global Series em Berlim
Fonte: fraglider.pt

Para além deste percurso houve ainda outro jogador português a marcar presença numa fase final: DPeixoto7, jogador português que vive em França chegou a ser o jogador do torneio em Berlim, mas acabou por cair nos oitavos da competição.
Já no final do FIFA 19, os dois jogadores Tuga810 e RastaArtur marcaram presença no último torneio do ano ficando no Top 8 da Playstation 4 nessa competição e terminaram a época em 9.º e 10.º lugar respectivamente no ranking mundial do FIFA 19 PS4. Um grande feito conseguindo sempre manter-se no topo durante toda a temporada.

Mudam-se os tempos, mantêm-se as vontades

O FC Porto versão 2019/2020 chega à segunda paragem para seleções a realizar uma época titubeante. Vai alternando vitórias e momentos de algum brilhantismo com derrotas graves e gravosas e exibições inexplicáveis. Importa, então, perceber a performance relativa do FC Porto tendo como base de comparação a última temporada.

Numa perspetiva resultadista, ao cabo de 6 jornadas de campeonato, o FC Porto tem exatamente os mesmos pontos. No ano passado perdera em casa contra o Vitória SC num jogo a contar para a terceira jornada e este ano perdeu em Barcelos no jogo inaugural. Curiosamente, o sétimo jogo trás, este ano, tal como no ano passado, o desfio de jogar contra um dos primeiros classificados. Em 2018/2019 os portistas foram jogar e perder ao Estádio da Luz (lembro que este ano os comandados de Sérgio Conceição já venceram neste estádio) e, na presente temporada, ditou o sorteio que defrontassem o líder Famalicão no Estádio do Dragão.

Na Taça da Liga, apesar de na perspetiva dos três grandes e do SC Braga ser uma prova em fase embrionária, o FC Porto acaba por se encontrar em melhor posição, uma vez que bateu há semanas o Santa Clara na primeira jornada do grupo e há um ano empatara com o CD Chaves. Ambos os jogos realizados em casa.

Restam as competições europeias. O FC Porto levava 4 pontos conquistados em dois jogos disputados na fase de grupos da Liga dos Campeões (acabaria essa fase com pontuação recorde) e tem, agora, 3 pontos na Liga Europa com o mesmo número de jogos disputados.

Ao cabo de 6 jornadas, o FC Porto conquistou os mesmos 15 pontos que havia conseguido na época passada
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

A primeira grande diferença é precisamente essa. O FC Porto falhou um dos objetivos principais da temporada (numa perspetiva financeira talvez o principal) e não foi capaz de garantir um lugar na Liga dos Campeões 2019/2020. Uma derrota caseira com caráter de humilhação frente ao Krasnodar atirou os dragões para a Liga Europa.

No que concerne ao plantel pode dizer-se que o FC Porto iniciou a presente época com níveis de instabilidade superiores. Se na temporada passada conseguiu manter a grande maioria dos jogadores, este ano vários jogadores deixaram o clube, obrigando à restruturação do plantel e do onze. Deram-se mudanças em todos os setores. Na baliza (Marche entrou para o lugar de Casillas), no centro da defesa (Militão e Felipe dão lugar a Pepe e Marcano), no meio-campo (Herrera entregou a batuta a Uribe), nas alas ofensivas (Luís Diaz e Nakajima vêm disputando o lugar de Brahimi) e, até, no eixo do ataque (Zé Luís vai merecendo a confiança do treinador). Não deixa, também, de ser curioso e alarmante perceber que os problemas na lateral direita da defesa que vinham do ano passado se mantêm e que Alex Telles e Marega continuam a ter que disputar todos os minutos de todos os jogos.

No que concerne ao jogo jogado, a ideia mantém-se a mesma. Apesar de jogadores como Nakajima ou Uribe garantirem maior qualidade na circulação a vertigem e o vício da profundidade continuam a ser pedra basilar do jogo da equipa. Está visto que é a forma como Sérgio Conceição vê o futebol e não vai mudar, portanto, não adianta continuar a trazer este assunto à baila. O treinador portista, ganhe ou perca, fá-lo-à agarrado às suas ideias e convicções. Aos portistas, gostem mais ou menos do estilo, admirem mais ou menos a forma de jogar da equipa, resta confiar no seu timoneiro e, verdade seja dita, não há razão para que assim não seja. Com todos os seus defeitos e qualidades, o que é certo é que o FC Porto tem sido competitivo em todas as frentes desde a sua chegada ao clube, pese embora o reflexo em termos de títulos seja escasso.

Assim, não obstante o facto de poder dizer-se que é demasiado cedo para balanços ou balancetes, há já alguma matéria que permite comparar o FC Porto 2019/2020 com a sua versão do período homólogo e perceber que, apesar da mudança dos tempos, vão-se mantendo algumas vontades.

Foto de capa: FC Porto

Revisto por: Jorge Neves

Quatro anos de Klopp

Faz hoje quatro anos.

A 8 de Outubro de 2015, o Liverpool confirmou Jürgen Norbert Klopp como o seu treinador principal. Devido a mau um começo de época, a administração do Liverpool decidiu dispensar os serviços de Brendan Rodgers. Estavamos na oitava jornada e o clube no oitavo lugar. Além disso, o Liverpool aparentava não ter rumo. A luta pelo título um ano antes foi apenas uma excepção. O máximo título inglês foge desde 1990, desde então raríssimas vezes esteve na discussão pelo primeiro lugar e o domínio na Europa do final da década de 70 e do início da década de 80, era apenas uma bela e longínqua recordação.

Klopp era o escolhido. Um bom treinador, muito carismático e com personalidade forte e vincada. Mas será o seu “know how” suficiente para acordar o gigante do Mersey? O caminho faz-se caminhando e a primeira época trouxe alguns bons sinais. Final da Taça da Liga e da Liga Europa atingidas, mas de ambas ficou apenas o sabor amargo da derrota.

No entanto, os sinais eram positivos e urgia preparar o futuro, com contratações acertadas. No defeso da época 2016/2017 foram contratados, entre outros, Sadio Mané, Wijnaldum e Joel Matip. A temporada acabou por ser relativamente bem sucedida com a qualificação para a Champions League. Com a época terminada era o momento de contratar cirurgicamente para 2017/2018. Mo Salah e Oxlade- Chamberlain foram as contratações mais sonantes, a quem se juntou um tal de Andrew Robertson do Hull City por 9 milhões de euros. Afinal, quem contrata um defesa esquerdo a uma equipa que acaba de ser despromovida?

Salah e Mané são os principais goleadores do Liverpool de Klopp
Fonte: Liverpool FC

Para o tão necessitado eixo defensivo não chegou ninguém. Foi preciso esperar até Janeiro para que Virgil van Dijk chegasse a Anfield, com o rótulo de defesa mais caro da história. Nesse mesmo defeso Philippe Coutinho rumou a Camp Nou por uma verba a rondar os 145 milhões de euros. A época acabou em lágrimas. Uma dolorosa derrota na final da Champions League e o quarto lugar na Premier League ditaram mais uma época sem títulos para o Liverpool. Mas Klopp não desistiu. Acreditando que estava no rumo certo, continuou a sua estrada.

Para 2018/2019 voltou a ir ao mercado, a gastar dinheiro e a reforçar-se bem, nomeadamente a baliza com a contratação milionária de Alisson Becker à AS Roma, por 62 milhões de euros. O investimento forte do Liverpool já causava desconforto nos rivais, nomeadamente em José Mourinho que não se coibiu de criticar o rival, mas certamente já esquecido no que tinha gasto em Pogba, Lukaku, Matic, Fred, Lindelof ou Eric Bailly.

O método e filosofia de Klopp levaram o Liverpool a uma temporada extraordinária. Vitória na Liga dos Campeões e o segundo lugar na Premier League com uns inacreditáveis 97 pontos, menos um que o campeão Manchester City. Seguro da qualidade dos seus jogadores, Klopp contratou apenas o guarda redes Adrian para esta temporada, a custo zero. E para já, há apenas motivos para sorrir devido à liderança no campeonato, com 8 pontos de avanço sobre o Manchester City.

O caminho até ao final ainda é muito longo, mas os sinais são positivos. Quatro anos depois Klopp pode estar orgulhoso do seu trabalho. Contratou bem, com critério, desenvolveu muito bem as suas ideias e o seu modelo de jogo. A sua filosofia é positiva e muito atractiva, o Liverpool joga um excelente futebol e, hoje em dia, é uma equipa na verdadeira acepção da palavra.

Artigo de opinião de Miguel Batista

Foto de Capa: Liverpool FC

Revisto por: Jorge Neves

João Sousa eliminado na segunda ronda do Masters 1000 de Xangai

João Sousa terminou, hoje, a sua participação no Masters 1000 de Xangai. O tenista português defrontou o canadiano Vasek Pospisil, depois de ter deixado pelo caminho Filip Krajinovic na primeira ronda do torneio chinês.

Relativamente ao encontro da segunda ronda. João Sousa entrou bem na partida e conseguiu, por diversas vezes, uma resposta forte ao primeiro jogo de serviço do adversário. João Sousa chegou a ter, por duas vezes, a oportunidade de fazer break, no entanto não aproveitou. Quem não desperdiçou foi Vasek Pospisil, aquando do quarto jogo de serviço do tenista luso. O atual 248.º classificado do ranking ATP conquistou um break decisivo e fez o 5-3, fazendo o 6-3 logo de seguida.

No segundo set, foi necessário esperar até ao 5-5 para se sentir alguma emoção na partida. Tal como no set anterior, coube ao tenista canadiano alterar o marcador ao alcançar, novamente, um break que deixou João Sousa numa posição extremamente complicada no encontro. Feita a quebra de serviço, Vasek Pospisil não deixou escapar a vitória e não só garantiu a passagem aos oitavos de final do Masters, como também venceu, pela primeira vez, o número um nacional.

Vasek Pospisil nunca tinha vencido João Sousa na sua carreira
Fonte: ATP World Tour

João Sousa mantém-se no torneio, mas na vertente pares. Já Vasek Pospisil irá defrontar Daniil Medvedev.

Foto de Capa: ATP World Tour

Revisto por: Jorge Neves

Os primeiros apontamentos do leão de Silas

0

Anunciado oficialmente no dia 27 de setembro, Silas cumpriu a primeira semana ao serviço do Sporting CP com duas vitórias, uma para o campeonato e outra para a Liga Europa.

Olhando para o que mais se destaca, há dois aspetos a considerar: o facto de ter revertido a situação negativa de resultados que se vinha registando e ter conseguido, após vários jogos consecutivos, não sofrer nenhum golo numa partida. Tal momento foi revertido na Vila das Aves, frente à equipa orientada por Augusto Inácio.

Contudo, olhando para a forma como os jogadores do Sporting CP atuaram em ambas as partidas, verifica-se facilmente a falta de confiança presente no plantel. Frente ao CD Aves, a posse de bola que se verificou foi consentida e o jogo dos leões foi sempre lento. Sem grande intensidade nas trocas de bola e facilmente feridos, sobretudo na segunda parte, com os contra-ataques da equipa da casa. O resultado é enganador, pois o Sporting CP não demonstrou uma superioridade assinalável perante o último classificado do campeonato e isso é preocupante.

Com Silas, o sorriso da vitória voltou a Alvalade
Fonte: Belenenses SAD

Relativamente à partida de quinta-feira, valeu o resultado, porque a exibição foi paupérrima. Os leões praticavam um futebol que não é justificável perante uma equipa do campeonato austríaco. A intranquilidade ficou registada quando Coates, sem linhas de passe, passou a bola e esbracejou enervado com os seus colegas. Na televisão, foram mostradas imagens de Silas com as mãos na cabeça, obviamente descontente e a pensar que há ainda muito trabalho a fazer.

Em termos de futebol praticado, é perceptível que Silas continua a querer jogar desde trás, mesmo que isso traga riscos. Exemplo disso foi o golo sofrido frente ao LASK. A aposta em três centrais parece também ser algo para o futuro, mas neste momento a ideia não está, obviamente, consolidada. Por último, a rotação que o novo técnico vai fazendo dos jogadores que tem à disposição parece ser também uma realidade. Jogadores como Acuña, Wendel e Luiz Phellype não fizeram os 180 minutos. Em contrapartida, foi dada oportunidade a jogadores menos utilizados como Luís Neto, Miguel Luís e Eduardo.

Concluindo, ainda há muito trabalho pela frente, mas creio que Silas tem capacidade de fazer mais pelos leões. Como eu tinha previsto, estes dois jogos significariam duas vitórias e há um balão de oxigénio, ainda que pequeno, em Alvalade. O Sporting CP tem de jogar muito mais e a exigência necessita de ser uma constante. Lembro-me que, ainda há bem pouco tempo, ombreávamos com Barcelona, Real Madrid e Juventus. É esse o caminho a seguir.

Foto de Capa: Sporting CP

Revisto por: Jorge Neves

Um bom exemplo

Como é bonito assistir a um jogo de futebol cheio de espetadores nas bancadas. Ainda para mais, numa Liga Portuguesa que não é bem conhecida por isso. O mesmo é dizer como é bonito assistir a uma partida do Vitória SC em sua casa. Que bom é que exista um clube que consiga levar tanta gente ao seu estádio. É, sem dúvida, uma pedrada no charco neste campeonato onde as assistências nos recintos costumam pecar por escassas.

Ao que parece, D. Afonso Henriques surge milagrosamente em dias de jogo para transportar as gentes vitorianas em direção à sua fortaleza. E elas vão, guiadas pelas suas ‘’ordens’’, marcando presença nos diversos confrontos desta longa ‘’batalha’’. Ou não fosse ele o Conquistador, alguém que comanda as suas tropas e que ainda hoje se faz sentir em terras de Guimarães.

A imensidão de pessoas que habitualmente se vêm nas bancadas não é de hoje e o clube soube preservar esta tendência, mantendo-se como um dos mais respeitados do panorama nacional. Dá gosto ver um jogo do Vitória SC e muita gente se deve perguntar como é possível tamanha capacidade mobilizadora das pessoas pelo emblema. Não só pelo futebol positivo com o dedo de Ivo Vieira, mas sobretudo pelo ambiente criado no estádio, normalmente repleto de apoiantes. E com certeza não se vêem mais, porque um dos topos está confinado aos adeptos visitantes, sendo que apenas quatro ou cinco clubes conseguem compô-lo na totalidade ou quase.

No D. Afonso Henriques, a presença do púbico é ‘’obrigatória’’
Fonte: Vitória SC

A paixão incessante dos vimaranenses resulta quase sempre no preenchimento de mais de metade do seu recinto, o que ajuda a valorizar o próprio espetáculo. Convenhamos que este cenário acaba sempre por embelezar o ambiente, pois o futebol quer-se com público e no Norte de Portugal é possível ver isso acontecer.

A grande diferença é que os adeptos vitorianos comparecem de forma massiva independentemente do adversário e da altura do jogo. Pelo seu estádio ter uma maior capacidade do que a maioria dos restantes participantes, a diferença nota-se mais, apesar de existirem neste momento outros clubes com uma média de ocupação superior a metade da capacidade dos seus recintos, mas albergam estádios mais pequenos. A verdade é que o clube minhoto transporta esta tradição e, mesmo nos jogos fora de casa, costumam ver-se bastantes vimaranenses presentes.

Ainda na última jornada foi possível ver um D. Afonso Henriques ‘’carregado’’ de público. Segundo dados da Liga, na partida frente ao FC Paços de Ferreira estiveram presentes cerca de 18 mil espetadores, o que é sempre um número espetacular para o nosso campeonato. É verdade que o horário, por ser a meio da tarde, era bastante apelativo, mas isto só é possível devido à «ligação afetiva» que une adeptos e equipa, como referiu Ivo Vieira na última quinta-feira após o jogo da Liga Europa. E se pensarmos que no jogo caseiro anterior, frente ao CD Aves às 21h30, estiveram cerca de 14 mil espetadores…

O que quero realçar é simplesmente a capacidade mobilizadora que o Vitória SC consegue ter, desde há muito, ao atrair um grande número de adeptos para a sua causa. Em Guimarães vive-se mesmo noutro mundo, contextualizando a realidade portuguesa.

Foto de Capa: Vitória SC

Revisto por: Jorge Neves

Clube Futebol Benfica: A luta pela reafirmação no topo do Futebol Feminino

Atendendo à enorme evolução do Futebol Feminino português nos últimos cinco anos, o Bola na Rede foi até ao Campo Francisco Lázaro (Lisboa) fazer uma reportagem sobre um dos clubes com maior tradição na modalidade: o Futebol Benfica. Acompanhámos um dos treinos semanais e houve oportunidade para dar voz às protagonistas – treinadora e jogadoras – nomeadamente, quanto ao bom início de campeonato e às ambições para a época 2019/2020.

A Primeira Liga feminina 2019/2020 começou da melhor forma para o Futebol Benfica: duas vitórias nas duas partidas disputadas, com cinco golos marcados e nenhum sofrido. Devido a isso, não foi de estranhar a boa-disposição entre as atletas e o staff técnico do mítico “Fófó”, equipa que, em tempos não muito distantes, foi uma das referências no panorama do Futebol feminino em Portugal. Após ter alcançado o terceiro posto da classificação na época passada, o clube lisboeta parte para este novo desafio com a crença de poder atingir a mesma façanha, embora haja a consciência que para tal acontecer, é preciso batalhar imenso e estar pronto para qualquer desafio.

A treinadora de equipa, Madalena Gala, é a principal responsável por levar o Futebol Benfica a “bom porto” e conseguir alcançar os objetivos que são pretendidos para a nova época. Ligada ao “Desporto Rei” há cerca de 10 anos, a técnica vai para a sua terceira época à frente da equipa e tem uma própria filosofia de jogo, uma vez que, na sua opinião, “não existem sistemas táticos e/ou posições, existem sim dinâmicas e ocupações de espaços”, daí que o estilo de jogo seja dependente do “estilo e identidade de cada jogadora”.

Durante a semana de treinos, o trabalho desenvolvido é focado no próximo adversário, onde se “analisa os jogos e vê-se os pontos fortes e fracos”, mas a abordagem a cada jogo é sempre variada consoante a partida seguinte: “Frente a um Benfica, Sporting ou Sporting de Braga, os treinos são completamente diferentes quando vou jogar contra um Valadares ou Albergaria – sem querer desvalorizar estas equipas obviamente – porque contra as principais candidatas ao título que têm muitos mais argumentos, é literalmente ‘estratégia, estratégia e estratégia’, enquanto noutros jogos estamos a treinar mais o nosso modelo de jogo”.

Madalena Gala está otimista para a nova época
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Quanto aos objetivos para este ano, Madalena Gala afirma que serão os mesmos do ano passado – ficar no top-4 na Liga e ir o mais longe possível na Taça de Portugal -, pois tem “consciência que a disputa do título vai ser entre as três grandes equipas profissionais (Sporting, Benfica e Sp. Braga)”, ainda que o Futebol Benfica queira alcançar um lugar mais respeitado: “Não metemos de parte um lugar no top-3, porque senão íamos jogar contra esses adversários a dar de “graça” a vitória, e isso não pode acontecer. Temos de acreditar que somos as mais fortes ou que vamos sempre conseguir obter resultados muito bons”.

O passado repleto de conquistas não traz maior responsabilidade em obter triunfos na ótica da jovem timoneira do Fófó, uma vez que “não é o passado que faz querer ter resultados e também não há pressão de alguém no clube para vencer jogos”, mas sim “a exigência que eu e a minha equipa técnica pomos neste grupo de trabalho, e que as jogadoras transportam consigo nos treinos e jogos”, sendo que “a responsabilidade em obter resultados parte de mim, da minha identidade e do que pretendo das atletas”.

Por último, falou-se da ainda não-profissionalização do Futebol feminino e do facto disso retirar algum foco das atletas durante os treinos e jogos, e aí a mister Gala relativizou essa problemática e deu o seu ponto de vista: “Se elas (jogadoras) vêm ao treino depois de um dia inteiro de trabalho e/ou de aulas, seja qual for a sua ocupação, é porque estão dispostas a querer, fazer e dar tudo pela equipa. Obviamente que não é a mesma coisa eu ter se calhar uma equipa de profissionais, pois isso ajudaria a relativizar a carga horária das suas ocupações além do Futebol e estariam apenas focadas em jogar, o que seria ótimo, mas não é de todo possível, pois, em Portugal, ainda só há três clubes que vivem disso. Então, fazemos o nosso melhor e acho que o foco delas nunca vai ser retirado, porque se as jogadoras estão aqui às 21h três vezes por semana é porque querem mostrar que conseguem tão boas ou melhores que outras equipas”.

Olheiro BnR – Nils Eekhoff

Na estrada, Nils Eekhoff foi uma das estrelas dos Mundiais de Yorkshire 2019. Depois de cair e deslocar o ombro, o holandês recuperou, esteve entre o grupo que perseguiu o trio que parecia ir discutir a vitória e sprintou mais rápido que todos para vencer. Na secretaria, em mais uma decisão inexplicável da UCI, foi desqualificado por recuperar para o pelotão atrás de um carro a mais de 120 quilómetros da meta.

Independentemente de a UCI lhe ter tirado o merecido lugar no livro de resultados, a exibição ninguém pode apagar e merece que olhemos para este jovem de 21 anos e para o que poderá fazer no futuro.

Desde 2017 na equipa de desenvolvimento da Team Sunweb, Nils Eekhoff foi este ano estagiário da formação World Tour, que passará a representar nas próximas duas temporadas. Para essa subida de patamar muito terá contribuído a regularidade de resultados que apresenta.

Não sendo um vencedor prolífico, é comum vê-lo na frente em provas de um dia e também já mostrou ter boas qualidades para ajudar a lançar os seus sprinters, trabalho que deverá ser uma das suas tarefas numa Sunweb com Matthews e Bol e ainda Dainese e Kanter.

A alegria antes da desilusão em Yorkshire
Fonte: SEG Racing Academy

O principal resultado que chama à atenção é a vitória no Paris-Roubaix Espoirs 2017, mas conta também triunfos nos prólogos da Istarsko Proljece 2018 e da Course de la Paix 2019 e numa etapa do Tour de Bretagne 2019 (em que foi terceiro da Geral, bem como uma quantidade assinalável de outros resultados entre os 10 primeiros.

Como já falamos, apesar de não ser um velocista, tem uma boa ponta final, passa bem as colinas e também não se dá mal nem com paralelo nem com as condições meteorológicas adversas, pelo que é claramente um homem talhado para as clássicas.

Bom rolador e contrarrelogista, isso dá-lhe outras possibilidades de obter resultados, mas também ainda mais versatilidade para cumprir um papel de gregário de luxo na proteção a um líder.

Olhando para o seu percurso, é difícil afirmar se conseguirá passar de ser um daqueles colegas que todas as estrelas querem para um ciclista que vence por si mesmo, mas a forma como se portou nos Mundiais deixa antever que há essa possibilidade.

De qualquer modo, é inegável que se trata de um jovem com muita qualidade e que poderá desde já ser muito útil à Sunweb. E, alicerçando a sua carreira numa equipa tão especializada em fazer evoluir os ciclistas até ao seu melhor dando-lhes o tempo necessário para crescerem, está no local ideal para testar os seus limites e compreender o quão longe poderá chegar no ciclismo profissional.

Foto de Capa: Team Sunweb

Revisto por: Jorge Neves

Haas F1 Team: Mais uma época prometida para Grosjean e Magnussen

0

Por norma, é sempre a partir da silly season (pausa de verão) que acontece a especulação dos pilotos que ficam, regressam ou vão para a próxima época. A Haas não ficou impune a toda esta ansiedade por parte da comunidade F1.

Com a época a não correr tão bem como desejavam, a maior parte expectava numa mudança de pilotos para a equipa americana: a possível vinda de Nico Hulkenberg – que ainda não tem lugar garantido para o próximo ano – ou mesmo a promoção do seu piloto de testes, Pietro Fittipaldi.

Mas, foi apenas com o GP da Singapura que chegou a decisão final que acaba por surpreender tudo e todos: a equipa de Guenther Steiner vai manter os dois pilotos atuais, Romain Grosjean e Kevin Magnussen, para a próxima época.

Com base neste acontecimento, decidi fazer uma pequena análise às últimas épocas da equipa, e de que forma os pilotos atuais tem ajudado na construção e desenvolvimento da mais recente equipa de Fórmula 1.

Romain Grosjean e Kevin Magnussen, respetivamente, no dia em que foram anunciados como o line-up da Haas por mais um ano
Fonte: Haas F1 Team

A Haas começou a sua aventura na Fórmula 1 em 2016, com Romain Grosjean e Esteban Gutierrez como line-up principal da equipa.

Depois de ter brilhado na antiga equipa (Lotus F1 Team), Grosjean conseguiu, logo na sua primeira corrida de estreia, arrecadar um incrível sexto lugar, que ditava um futuro brilhante, tanto para o piloto, mas principalmente para a equipa, que ainda agora se tinha lançado ao mundo da Fórmula 1.

Kevin Magnussen, com apenas três anos de experiência na F1 (dois na McLaren e um na Renault) estreou-se pela equipa no ano seguinte à formação da mesma (2017), para substituir Esteban Gutierrez.

A partir daqui, a Haas tem feito o melhor que pode, de forma a conseguir o “título virtual” do “the best of the rest”. Desde que estes dois pilotos estão na equipa, a sua melhor época foi a de 2018, acabando em quinto lugar do campeonato de construtores.