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Janeiro de recordes

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cab nba

Passada uma semana desde o meu último texto, muitíssimas coisas aconteceram. Muito podia falar sobre estes últimos dias: desde a vitória dos Miami Heat sobre os San Antonio Spurs à derrota dos Miami Heat diante dos Oklahoma City Thunder. Poderia até dar a minha opinião acerca daquela que tem sido a máquina destruidora da liga, marcando 30 ou mais pontos por mais de dez jogos consecutivos, Kevin Durant. No entanto, decidi falar sobre o mês de Janeiro.

Desde o início do ano, catorze jogadores, repito, catorze jogadores bateram os seus recordes de pontos. Um dado impressionante, quase tão espetacular como as suas prestações.

Comecemos por analisar este dado. Bater recordes pessoais é certamente uma conquista rara nas carreiras dos jogadores. No passado mês de Janeiro, mais de uma dúzia de jogadores conseguiram realizar tal feito.

Victor Oladipo, rookie dos Orlando Magic, é um dos nomes que tem andado na ribalta por ser um jogador muito completo e que tem mostrado grandes capacidades defensivas. Num jogo extremamente emocionante contra os Chicago Bulls, Oladipo marcou 35 pontos num confronto que chegou ao terceiro prolongamento. Podem contestar que estando na primeira época é relativamente fácil atingir recordes pessoais, mas 35 pontos, até para uma estrela, é fenomenal.

Do outro lado da fronteira norte-americana, em Toronto, Terrence Ross (jogador de segundo ano), atualmente campeão de afundanços do fim-de-semana dos All-Stars, fez dez triplos num jogo e marcou 51 pontos. Quebrou o seu recorde pessoal e igualou o recorde do clube. O último jogador a atingir este número foi Vince Carter. Esta performance fenomenal foi contra os Los Angeles Clippers, porém a vitória foi para a formação californiana. Sendo um atleta com um alto poder de elevação, Ross tem feito uma época impressionante e demonstrado por que merece estar no cinco inicial da equipa canadiana. Ainda na mesma formação, DeMar DeRozan carregou a sua equipa na vitória sobre os Dallas Mavericks, marcando 40 pontos. Este duo fantástico possui uma capacidade fora do normal e faz parte de uma das formações da conferência Este que mais tem dado que falar desde a saída de Rudy Gay (já falarei sobre ele mais à frente).

Ambos os jogadores têm ajudado imenso o grupo canadiano a juntar vitórias. É impressionante o facto de estarem no terceiro lugar na conferência Este depois da saída da sua maior estrela. Thechronicleherald.ca
Ambos os jogadores têm ajudado imenso o grupo canadiano a juntar vitórias. É impressionante o facto de estarem no terceiro lugar na conferência Este depois da saída da sua maior estrela
Fonte: Thechronicleherald.ca

No estado da Pensilvânia, na sua maior cidade, treinam os Philadelphia 76ers. E pode afirmar-se com algumas certezas que se tem vivido um clima de excitação à volta do rookie Michael Carter-Williams; contudo, há jogadores que também merecem atenção pelas suas épocas impressionantes, como o poste Spencer Hawes, o extremo-poste Thaddeus Young e Evan Turner, um jogador que marcou 34 pontos, um ponto alto na sua carreira na vitória sobre os New York Knicks. Turner tem sido um jogador que pessoalmente me tem vindo a impressionar bastante, sendo muito útil nesta época e dando vitórias à sua equipa, como foi o caso de ontem, sobre os Celtics.

Carmelo Anthony, por sua vez, tem sido criticado por não estar a conseguir levar os Knicks à sua teoricamente merecida glória. No entanto, contra os Charlote Bobcats Carmelo bateu três recordes. O seu pessoal, o máximo número de pontos de sempre da instituição dos New York Knicks e a maior pontuação feita por um só jogador que a mítica arena de Madison Square Garden já viu. Com 62 pontos marcados, Anthony superou Bernard King no lado dos Knicks e Kobe Bryant, com 60 e 61 pontos respetivamente.

Agora olhemos para a conferência Oeste, mais precisamente no estado do Texas: a equipa de Houston teve dois jogadores que bateram recordes pessoais (para além dos Raptors e dos Rockets, também os Thunder e os Sacramento Kings tiveram dois jogadores com a melhor prestação da carreira). Estou a falar do subestimado Chandler Parsons e do jogador em constante ascensão, Terrence Jones. O último marcou 36 pontos na vitória sobre os Milwaukee Bucks e Chandler Parsons marcou 34 na derrota diante dos Memphis Grizzlies. Para além desse ponto alto na sua carreira, Parsons fez dez triplos numa parte, batendo um recorde da NBA. A equipa de Houston parece estar bem servida de talento. Estamos perante uma equipa que pode lutar pelo título. Pelo menos, tem argumentos para isso. Mas isso são conversas para outro texto.

No estado da Califórnia, mais precisamente em Sacramento, Rudy Gay fez 41 pontos e Marcus Thorton 42. Sem dúvida um mês com jogadores a fazerem jogos impressionantes na equipa dos Kings; contudo, a qualidade de jogo apresentada tem vindo a decrescer. Os Kings ocupam agora o último lugar da conferência Oeste. Ainda neste lado do país, um dos grupos que mais espetáculo dava no final da década de 80 e durante a época de 90, os Utah Jazz, na altura com o duo formado por John Stockton, o líder em roubos e assistências na história da NBA, e por Karl Malone, um dos melhores extremos-postes de sempre, continua a sua época de reconstrução. Em Gordon Hayward têm sido apoiados quase todos os jogos da formação desde o início da época desportiva. Em Janeiro, Hayward espantou os Oklahoma City Thunder ao marcar 37 pontos e, para surpresa de todos, garantiu a vitória da equipa de Salt Lake City.

Mudando o foco, referir-me-ei agora a equipas que atualmente são consideradas favoritas na corrida ao título. Em Indiana tem-se festejado a época mais do que soberba que os Pacers têm feito. A equipa está atualmente com o melhor registo de vitórias e derrotas de toda a liga e tem feito jogos que garantem o estatuto previamente dito. Para além da estrela Paul George, que está a ser um dos melhores jogadores está época, também Lance Stephenson tem espantado todo o mundo do basquetebol com as suas exibições, sendo a vitória recente sobre os New York Knicks a que por agora é mais falada. Marcando 28 pontos, Stephenson liderou a sua equipa em pontos numa vitória sem qualquer contestação.

Ambos os atletas tiveram um mês de Janeiro fulminante. Contudo, Kevin Durant levou a melhor praticamente todas as equipas que enfrentava.  Usatoday.com
Os dois atletas tiveram um mês de Janeiro fulminante. Contudo, Kevin Durant levou a melhor praticamente todas as equipas que enfrentava
Fonte: Usatoday.com

A equipa de Portland também tem sido uma das que mais sobrolhos tem levantado, vencendo inúmeras vezes (coisa que não aconteceu muito regularmente no ano passado) e por margens elevadas. O cinco inicial, normalmente composto por Damian Lillard, Wesley Matthews, Nicolas Batum, LaMarcus Aldridge e Robin Lopez tem surpreendido todos os fãs e todas as equipas que encontram. Recentemente, Aldridge marcou 44 pontos contra os Denver Nuggets e mostrou por que é que está na corrida para MVP. Para além disso, tem sido, discutivelmente, o melhor extremo-poste do ano.

Por fim, direcionamos as atenções para Oklahoma. Desde que Russel Westbrook se lesionou, Reggie Jackson tem assumido o papel de base e até agora não tem desiludido. Para não variar, em Janeiro fez 27 pontos (mais um máximo pessoal). Mas a maior estrela dos Thunder, essa sim, não tem desapontado ninguém. Posso afirmar com certezas que se Durant não se lesionar até ao final do ano e continuar a jogar como tem feito, vai ser nomeado MVP. Está numa sequência de doze jogos sempre a marcar mais do que 30 pontos e contra os Golden State Warriors venceu, quase sozinho, marcando 54 pontos.

Enfim, Janeiro foi um mês espetacular e muitos jogos ainda faltam até o fim da época regular. Se no final de todos os meses tiver de escrever um texto assim, a liga só tem a ganhar.

Quem teme ser vencido tem a certeza da derrota

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eternamocidade

“Paulo Fonseca acaba de chamar o último jogador para entrar em campo… e vai ser Licá a última aposta do técnico portista aqui na Madeira”.

Não foi por acaso que decidi colocar esta citação, proferida por um jornalista da SportTV aquando do Marítimo-FC Porto, para começar o texto desta semana. Quando ouvi as palavras do repórter, e depois de 80 minutos de uma exibição a roçar o medíocre, pensei com os meus botões que a “última aposta do técnico portista”, de seu nome Licá, simbolizava bem aquilo que tem sido a época portista. Licá é apenas um exemplo da falta de opções que o FC Porto tem no seu plantel. A equipa, semana após semana, aparece amorfa em campo, sem um pensamento daquilo que quer para si. Atemorizado sempre que enfrenta um adversário com alguma qualidade, o FC Porto é uma equipa que não consegue reagir à adversidade. Bem sei que ainda na semana passada a reviravolta por 3-2 contra o Marítimo foi uma prova da crença dos portistas, mas esse triunfo pareceu-me sempre um acaso de circunstância.

Não vou continuar a bater na tecla do treinador por duas razões: a primeira, porque parece-me óbvio que não é preciso repetir sempre o mesmo discurso para fazer alguém perceber que Paulo Fonseca não tem unhas para a guitarra que tem nas mãos; a segunda, porque acho que a culpa não é única e exclusivamente dele. Apesar de considerar Fonseca um treinador demasiado apático e inexperiente para a responsabilidade que o cargo envolve, também é preciso perceber que a guitarra que o treinador tem é de longe a mais fraca dos últimos anos no Dragão.

Nos últimos anos, foram várias as “estrelas” que foram deixando uma marca que a história não conseguirá apagar. Falo de Lisandro López, de Lucho, de Hulk, de James, de Moutinho e até de Falcao. O FC Porto descobriu-os, desenvolveu-os e vendeu-os a preços milionários, tornando-se um dos clubes mais vendedores da Europa. A cada ano que passava, os títulos iam-se acumulando e, num efeito dominó, parecia sempre inevitável a saída das jóias da coroa portista.

Apesar das saídas, de uma maneira ou outra, a equipa reergueu-se e nos últimos dois anos, Vítor Pereira conseguiu ir buscar dois títulos ao fundo do baú. Depois da época dourada de André Villas-Boas, os dois campeonatos conquistados por Vítor Pereira fizeram deste FC Porto um tri-campeão. Contudo, e como acredito que podemos sempre ver as questões em diferentes perspectivas, não posso deixar de referir que me parece óbvio que a equipa portista foi, ao longo dos últimos anos, cada vez substituindo de maneira mais insuficiente as perdas que foi tendo. Por essa razão, não me surpreendem as últimas campanhas na Liga dos Campeões, onde, nas últimas três participações, apenas por uma vez o FC Porto passou aos oitavos, tendo nessa mesma fase sido eliminado pelo “colosso” Málaga.

Esta contextualização serviu sobretudo para demonstrar que, apesar dos sucessos internos nos últimos anos, o FC Porto não pode nem deve ser apenas isso. Sendo o clube europeu com mais títulos no séc. XXI, os azuis e brancos habituaram-nos a outros desempenhos e outros espectáculos. Contudo, e como diz o povo, “a qualidade paga-se”. No campeonato nacional, o FC Porto foi conseguindo moldar as debilidades no seu plantel, muito devido à pouca oposição de 80% das equipas da Primeira Liga. Na Europa, e como não podia deixar de ser, a manta encurtou.

Não é preciso ser muito entendido para se perceber que o plantel deste ano é apenas mais um exemplo daquilo a que me refiro. Noutros tempos, questiono-me se jogadores como Josué, Licá e Ghilas teriam lugar no plantel do FC Porto. Noutras alturas, pergunto-me se Carlos Eduardo, Varela ou até Defour teriam classe para envergarem, enquanto titulares, uma camisola com aquela mística. Bem sei que os tempos mudaram, mas quero acreditar que a mentalidade ganhadora não.

Por tudo isto, não acho nem por um segundo que a culpa apenas é de Paulo Fonseca. Apesar da influência que teve na contratação de determinados jogadores, parece-me óbvio que não é o único culpado pelo tormento que é ver esta equipa jogar semana após semana. Sem alma, sem garra, sem atitude, já faltam palavras para descrever uma equipa que de campeã nacional parece já só ter as memórias daquele mítico minuto 92 e o símbolo de campeão envergado na camisola.

O jogo na Madeira foi apenas mais um exemplo que comprova as limitações do FC Porto. É portanto ainda mais incrível que, com todos estes equívocos, a equipa ainda consiga estar “apenas” a 4 pontos da liderança, e perfeitamente na luta pelo título. Com tantos erros acumulados, estar em quatro competições parece uma utopia para tamanha falta de qualidade na equipa portista. Não vale a pena falar do jogador A, B ou C em particular, porque a falta de espírito portista é geral.

Pior do que perder é não querer ganhar. Em poucas palavras, o título que escolhi, retirado de uma citação de Napoleão Bonaparte, retrata numa frase aquilo que o FC Porto representa actualmente. Três derrotas em 17 jogos e uma falta de identidade que não conhece comparação nos últimos anos. Entre a falta de qualidade de grande parte do plantel até à apatia do seu treinador, parece difícil encontrar argumentos que façam justificar a esperança nesta equipa. Faltam 13 jogos no campeonato e, com o derby na Luz na próxima semana, o FC Porto até se pode aproximar da liderança.

Ainda sou do tempo em que o tri-campeão não dependia de ninguém para mostrar a sua força e o seu domínio em Portugal. Bem sei que os tempos mudaram, mas quero acreditar que o FC Porto não. Ao olhar para o presente, é nisto que me resta acreditar.

Um problema de gestão

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Topo Sul

Ainda o jogo de ontem. O empate que o Benfica trouxe de Barcelos é o teor da minha reflexão de hoje. O resultado em si pode ser entendido como uma naturalidade, das muitas que o mundo do futebol acarreta. Um empate a uma bola num reduto historicamente difícil, num jogo em que o Benfica jogou mais de meia hora com menos uma unidade. No entanto, este não foi, de todo, um jogo em que imperaram situações normais e previsíveis, mas sim uma série de acontecimentos insólitos.

Comecemos pelo último lance do jogo. Cardozo e Lima juntos, em conferência, a decidirem qual dos dois vai dar a vitória, justa e merecida, ao Benfica. Lima, que minutos antes havia convertido uma grande penalidade, pega na bola e prepara-se para bisar na partida. Cardozo, que regressara aos relvados, três meses depois de ter arrasado o Sporting em jogo da Taça de Portugal, desloca-se até à zona da marca do penálti e tira a bola da mão do seu colega e assume a marcação da penalidade. O paraguaio mostra confiança e vontade em ser herói, mais uma vez. Os adeptos ficam na expectativa, mas confiam no seu matador, que tantas alegrias lhes proporcionara. Cardozo assume as responsabilidades, olha para o guarda-redes, avança para a bola e desfere um remate fraco e mal colocado, permitindo a defesa de Adriano, o guardião gilista. Jesus fica de braços caídos e, resignado, volta a sentar-se no banco. Adeptos e jogadores baixam a cabeça e pensam em mais dois pontos perdidos, que poderão vir a ser cruciais nas contas finais do campeonato.

Situações como esta têm, na minha opinião, de ser analisadas e repensadas, para que não se voltem a repetir. Aquilo que pode ser apenas entendido como um mero acidente é, na minha óptica, um problema de gestão com repercussões consideráveis. É certo que, praticamente desde que chegou ao Benfica, Cardozo se assumiu como responsável da marcação de grandes penalidades e, salve-se uma ou outra excepção, o paraguaio converte em golo a grande maioria das penalidades que marca e é, sem dúvida, um especialista nesse tipo de lances. Acontece que, esta temporada, o Tacuara tem sido assombrado por lesões que o impediram de ser aposta regular do treinador, que, não tendo o camisola sete disponível, optou por Lima para jogar a ponta de lança, sendo o próprio brasileiro a encarregar-se de marcar os penáltis da equipa. A questão que aqui se coloca é o que fazer quando os dois estão em campo, na altura em que há um penálti a favor do Benfica. Ontem, foi um desses casos. Jesus diz que os jogadores, no campo, têm autonomia para decidir o que fazer nesses momentos. Eu, mero adepto e sócio do Benfica, digo que não deve ser assim. Ainda mais nestas circunstâncias, em que Cardozo vem de longa paragem e Lima tem estado exímio na marcação de penalidades, tendo, aliás, convertido uma, de forma irrepreensível, no mesmo jogo.

Óscar Cardozo, pelos golos que marca e pela importância que tem na equipa, tem um peso enorme na manobra da equipa em todos os sentidos; é um elemento que está sempre num subconsciente dos adeptos. Naquela situação, Cardozo sentiu que deveria ser ele a assumir as responsabilidades e guiar, mais uma vez, a equipa, como unidade-chave que é neste Benfica. Eu não o condeno. O paraguaio é um avançado com o faro do golo, daqueles que gostam da pressão dos grandes momentos. Todavia, aquele não era o momento ideal para mostrar esse seu lado. É preciso perceber que o Tacuara vem de uma longa paragem, tem falta de ritmo competitivo e, por isso, não tem o mais desejado índice de confiança, um elemento crucial para aquele momento.

No momento em que o Tacuara, de forma legítima e própria de um goleador nato, avança para a marcação do penálti, Jorge Jesus deveria ter assumido o controlo da situação e protagonizado mais um dos seus habituais ataques de histerismo, berrando para dentro do relvado e apontando para fosse Lima a assumir a marcação. Se há momento indicado para tal acção inexplicavelmente recorrente do treinador do Benfica, aquele era um deles. Independentemente do desfecho do lance, Jesus tem mostrar que é ele quem toma as decisões na equipa, é ele o homem do leme e o responsável máximo da equipa em campo, e nenhum jogador tem mais poder que o treinador, que deve ser o líder da equipa. Em vez disso, Jesus junta mais um episódio à saga de acontecimentos erroneamente geridos pela sua pessoa.

Cardozo e Lima discutem a marcação da penalidade decisivaFonte: A Bola
Cardozo e Lima discutem a marcação da penalidade decisiva
Fonte: A Bola

Não sei quais serão as repercussões deste acontecimento a nível de balneário, mas espero que não afecte a equipa, sobretudo num momento em que os encarnados atravessam a sua melhor fase e são, hoje, uma formação segura, confiante e preparada para enfrentar todos os obstáculos até ao tão desejado titulo. A verdade é que situações como esta podem ser um elemento desestabilizador no seio da equipa. Esperemos que não.  Também duvido de que esta situação fosse tão debatida caso o penálti tivesse entrado e, aí, o Benfica estaria ainda mais isolado na frente, e o herói Cardozo teria o regresso mais auspicioso que se poderia imaginar. O que é certo que, independentemente do resultado, o que aconteceu constitui-se sempre como um problema. Um problema de gestão e de controlo da equipa, para o qual Jorge Jesus deve ser chamado à razão.

Dos insólitos sucedidos, este foi, sem dúvida, o maior e sobre o qual me queria alongar mais, porque acho que o que passou não foi somente um penálti desperdiçado. Isso é normal acontecer e acontece a todos, até aos melhores.

Depois, há a expulsão, tão discutível como infantil, de Siqueira, que naturalmente prejudicou a equipa, e o tão badalado penálti sobre Djurijic, tão duvidoso que só um árbitro tão incompetente e corajoso como Bruno Paixão o assinalaria, ainda para mais no último minuto de jogo, com 1-1 no marcador. Aliás, assinalar um penálti ao Benfica em tais circunstâncias é, também, historicamente falando, um acontecimento insólito. Finalmente, para fechar o capítulo do livro O inacreditável Gil-Vicente vs Benfica, nota para o péssimo estado do relvado, que mais parecia um batatal.

E a isto se resume mais uma partida, a quarta nesta temporada, entre águias e galos. Para a semana, há um escaldante derby lisboeta, entre Benfica e Sporting, num jogo que, nesta fase da época, será muito importante, mas não decisivo, para ambas as formações. Já estamos em contagem decrescente para o fervoroso duelo.

Sporting 0-0 Académica: Leões tropeçam no assalto à liderança

milnovezeroseis

Caro leitor,

No futebol há dias em que, por mais que tentemos, a capacidade de conseguir superar um adversário não é atingida. As vicissitudes deste desporto tão peculiar, onde se pode incluir, por exemplo, a pressão de resultados de clubes terceiros, conduz ao facto atrás referenciado. Hoje, em Alvalade, o Sporting Clube de Portugal experienciou, precisamente, esta realidade.

Após o empate do Benfica em Barcelos, os verde e brancos viram-se pressionados a vencer, dado que uma vitória (re)conduziria leões ao primeiro lugar do Campeonato. Porém, o Sporting não foi além de um empate contra uma Académica bem organizada pelo ex-internacional português, Sérgio Conceição.

A questão dos resultados de jogos de concorrentes aos mesmos objectivos, tal como o Benfica, pode ser ambivalente ainda assim. Uma equipa poderá também ver-se duplamente motivada após um resultado menos bom de um adversário directo. Contudo, tal não aconteceu e o Sporting rubricou uma exibição aquém das expectativas, espelhada no resultado final.

O jogo até nem começou mal para os comandados de Leonardo Jardim, que tiveram uma entrada prometedora. Mas, a meio do primeiro tempo, a Briosa equilibrou a balança do jogo, tendo, inclusive, acabado a primeira parte com um ligeiro ascendente. Ao intervalo os leões mostravam que seria preciso muito mais para levar a Académica de vencida.

A etapa complementar da partida começou com um Sporting mais acutilante nas decisões e com “garra de golo”. De facto, durante toda a segunda parte, a equipa de Alvalade esteve no comando do jogo. Slimani, que entrou no início do segundo tempo, teve duas oportunidades flagrantes para marcar, ambas defendidas por Ricardo. Efectivamente, os estudantes podem agradecer, em parte, ao guarda-redes ex-Varzim. O guardião da Briosa defendeu tudo o que havia para defender.

Não há retorno possível: o Sporting perdeu uma oportunidade de ouro para alcançar a liderança do Campeonato Nacional. Hoje a exibição foi medíocre, e o guarda-redes adversário esteve, particularmente, inspirado. O jogo do próximo Domingo, contra o eterno rival, ganha, desta forma, contornos ainda mais decisivos. Se a vitória nos sorrir, é exequível que partamos para uma cavalgada até ao Marquês. Se, pelo contrário, a derrota bater à porta, o título fica difícil. Resta esperar e, acima de tudo, acreditar.

Ciclismo: Que seja mais um grande ano

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ciclistasÉ com orgulho que começo a escrever para esta nova aposta do Bola na Rede, a rubrica Ciclistas de Sofá. Vamos começar a falar sobre ciclismo aos domingos e com artigos diários nas grandes voltas.

Para começar, o tema não poderia deixar de ser o nosso campeão do mundo, Rui Costa. O poveiro teve um ano de sonho em 2013 e parte para 2014 com grandes expetativas e responsabilidades.

A temporada que está a começar marca a sua estreia como chefe de fila de uma equipa, e logo numa das mais conceituadas do pelotão internacional, a Lampre-Merida. Ao ser chefe de fila, este vai ser o ano em que tem mais hipóteses de sucesso no Tour, um objetivo assumido. A Volta à França deste ano vai contar com 11 etapas de alta e média montanha e, portanto, vai ser uma prova de fogo para Rui Costa e para todos os ciclistas, que vão enfrentar muitas dificuldades entre 5 e 27 de julho.

Para mim, um top 10, esta temporada, já será um resultado muito bom, e acredito em que, com o trabalho por ele feito e com uma equipa a trabalhar para ele, este resultado seja alcançado. Para um futuro muito próximo, e com o desenvolvimento que está a ter, considero que possa lutar por pódios e, quem sabe, vitórias. Pegando no lema do meu clube, com “Esforço, Dedicação e Devoção” atingiremos a glória.

Superar a temporada passada, durante a qual foi vencedor da Volta à Suiça, Campeão Nacional de contrarrelógio e vencedor de duas etapas na Volta à França, entre outros resultados de destaque, vai ser algo muito difícil, um verdadeiro desafio. Contudo, o ciclista português já mostrou que gosta de desafios e tem todas as condições para os superar. Esta temporada, tem ao seu lado uma equipa trabalhadora e com provas dadas, apesar de a maioria ser na grande prova do seu país – o Giro d’Itália –, que o pode fazer obter resultados ainda mais extraordinários, ou, como espero poder dizer no futuro, resultados normais numa época de Rui Costa.

 

Lampre-Merida
Rui e os seus companheiros, entre eles Nelson Oliveira.
Fonte: Teamlampremerida.com

 

Para Rui Costa, o ano arranca já dia 5, com a participação na Volta ao Dubai. Esta prova vai contar com alguns dos nomes mais importantes do ciclismo atual, e a equipa de Tavira, Banco Bic/Carmim, também foi convidada, provavelmente por ser a equipa mais antiga do pelotão mundial. Depois da prova no Dubai, segue-se a participação na Volta ao Algarve, muito provavelmente a única possibilidade de os portugueses verem o seu Campeão do Mundo sem ser através da TV, a não ser que lhe seja permitida a disputa dos campeonatos nacionais em junho, algo de que duvido.

Que seja uma grande época para Rui e para todos os nossos ciclistas.

Depressão Pós-Cabaye

Foi confrangedor, penoso e podia ter sido ainda mais humilhante. A nova versão do Newcastle depois da saída do médio criativo Yohan Cabaye promete dar muitas dores de cabeça ao técnico Alan Pardew. Depois de ter empatado a zero com o Norwich, o Newcastle tinha em casa, frente ao seu rival de sempre, Sunderland, a possibilidade de demonstrar que tinha argumentos para reagir à saída do jogador francês para o Paris Saint-Germain. No entanto, em pleno St James’Park, os Magpies fizeram questão de comprovar que sem Cabaye a equipa corre sérios riscos de ter uma segunda volta do campeonato muito complicada. Os 3-0 encaixados em casa (resultado idêntico ao do ano passado neste mesmo Tyne–Wear derby) até foram lisonjeiros para os comandados de Alan Pardew, que raramente souberam apresentar capacidade para criar jogadas de real perigo para a baliza de Vito Mannone.

Olhando para o esquema tático do Newcastle, percebe-se desde já que sem Cabaye deverá ser completamente inútil manter o 4-3-3 que tem caracterizado Alan Pardew. Nunca fui grande fã deste técnico inglês a quem os dirigentes do Newcastle decidiram dar um contrato de 8 anos (!), mas atribuo-lhe crédito na forma como foi descobrindo alguns bons talentos para a sua equipa. É, no entanto, incrivelmente inábil a solidificar o crescimento sustentável dos seus jogadores. Cabaye conseguiu fugir à regra, mas sem ir muito longe. Pense-se no exemplo de Papiss Cissé. Um jogador que chegou à equipa dos Magpies na plenitude das suas capacidades, tendo inclusivamente marcado 13 golos em apenas 14 jogos e que agora se eclipsou completamente da equipa, estando, nesta altura, no lugar, o emblemático Shola Ameobi (sim, esse. Ainda joga).

Pardew tem de repensar a sua estratégia sem CabayeFonte: Talksport.com/
Pardew tem de repensar a sua estratégia sem Cabaye
Fonte: Talksport.com

Este caso de Cissé poderia ser apenas um mero erro de gestão de Pardew, mas se olharmos com atenção para o potencial individual desaproveitado pelo Newcastle, rapidamente vemos que há uma clara falta de gestão na rentabilização do talento dos seus jogadores. Observando este último encontro frente ao Sunderland, conseguimos ver, desde logo, como o técnico inglês consegue quebrar o rendimento dos seus jogadores através da posição que os faz ocupar em campo. Descontando o guarda-redes, Tim Krul, os dois laterais Debuchy e Santon e o trinco Tioté, vemos que quase todos os jogadores estão em quebra exibicional pelo lugar que ocupam no terreno de jogo. De resto, do meio-campo para a frente é urgente reorganizar toda a equipa. É incompreensível que Ben Arfa jogue no tridente do meio-campo, sendo ele um jogador que muito arrisca e que usa e abusa de jogadas individuais. Ter em 4-3-3 um médio que perde muitas bolas é um suicídio e essa situação ficou bem exposta no jogo com o Sunderland. Mais incompreensível ainda é ver que Moussa Sissoko (que é um médio-centro de raiz) está a jogar descaído numa das alas enquanto tudo isto acontece. Desperdiçar o talento de dois jogadores que até poderiam ser compatíveis com este esquema é revelador das enormes limitações de Alan Pardew, que tarda em perceber que, para que ambos funcionem, apenas bastaria trocar a posição de um com a do outro.

Para além destas limitações, ficou bem visível que, se a insistência de Pardew for para a frente e o 4-3-3 se mantiver, Anita não é jogador para substituir Cabaye. É um jogador muito inferior, com uma tremenda falta de capacidade para ajudar o outro médio a organizar e a definir jogadas e é excessivamente faltoso (tendo, inclusivamente, cometido uma grande penalidade no jogo).

Não sei o que passará pela cabeça dos dirigentes do Newcastle por esta altura, mas parece-me que sem Cabaye e com a insistência no 4-3-3 os resultados poderão ser catastróficos. E as opções, neste momento, são muito simples: ou o Newcastle abdica do teimoso Pardew ou Pardew repensa a situação e abdica do seu 4-3-3 predileto.

Shikabala: qual o peso do 10?

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Escolhi díficil. O fácil é de todos

O Sporting reforçou-se, contrariamente àquilo que se previa, no mercado de inverno com dois jogadores que ambicionarão entrar nos planos de Leonardo Jardim a curto prazo. Restam 14 partidas até final do campeonato e, já descontando a de amanhã, que nenhum deles irá jogar, tanto Héldon como Shikabala terão 13 jogos para justificar a aposta de Bruno de Carvalho.

O ex-Marítimo é um jogador ambientado ao nosso campeonato, extremo com faro pelo golo (já leva 9 este ano na Liga) e competirá numa das posições em que mais se mexe no Sporting. Carrillo, Capel e Wilson Eduardo têm sido os mais utilizados mas nenhum ganhou na primeira metade da época estatuto de indiscutível. Vejo-o, ao cabo-verdiano, como uma solução de encaixe fácil no 4x3x3 preferencialmente utilizado e de presumível preponderância dado a boa forma que tinha vindo a exibir.

Mas, em relação a Shikabala, o que esperar? Quem o conhece diz tratar-se de um jogador de requinte técnico, capaz de actuar nas alas mas também como médio-ofensivo, aquilo a que vulgarmente se chama o “número 10”. Partindo do pressuposto que com a chegada de Héldon e sem qualquer saída os jogadores habilitados às duas alas serão o Carrillo, Capel, Héldon, Wilson Eduardo e Mané, onde se irá encaixar o reforço egípcio vindo do Zamalek? Teoricamente, competirá com André Martins pelo lugar no vértice mais ofensivo do meio-campo leonino. Mas, pelo que tem sido dito, será um jogador com características bem distintas do médio português. Coloca-se a Jardim, então, o dilema que tem passado um pouco por todo o mundo do futebol: o 10 clássico ainda tem espaço num 11 competitivo e estável?

André Martins é o mais parecido a um 10 que existia em Alvalade  Fonte: anortedealvalade.blogspot.com
André Martins era o mais parecido com um 10 que existia em Alvalade
Fonte: anortedealvalade.blogspot.com

André Martins, embora seja um médio de características mais ofensivas do que defensivas, não corresponde àquilo a que se chama o nº 10 tradicional. A verdade é que, mesmo sem chegar tão bem à frente, por exemplo, na hora de finalizar, tem sido uma importante peça, até pela facilidade com que encaixa com Adrien e William Carvalho. Qualquer um dos três trata bem a bola, sai na construção e tem capacidade de pressão quando sem bola. Com Shikabala, teoricamente, Adrien e William teriam maiores responsabilidades defensivas e o meio-campo perderia a capacidade de pressão alta que dificulta a saída de jogo nos primeiros 30 metros do terreno aos adversários. Mas, com o egípcio, a criatividade e capacidade de desequilíbrio poderiam fazer com que Leonardo Jardim fosse menos vezes forçado a utilizar o 4x4x2, que tem resultado bem mas através do qual mais se arrisca.

De qualquer das formas, quer ganhe lugar no 11 ou não, Shikabala representa diferentes tipos  de soluções para o jogo leonino. Trata-se de um elemento que possui armas distintas daquelas que já existem no plantel e, independentemente do desenrolar da história, é uma aposta justificada por parte de quem efectuou a sua contratação.

Amanhã, ainda sem os reforços, o Sporting terá a oportunidade de voltar à liderança – a par com o Benfica – se vencer o jogo frente à Académica. Em casa, diante do seu público, tem sido uma equipa consistente e, em partidas de maior pressão como a que se espera amanhã, não tem acusado o nervosismo que um plantel jovem poderia sentir. Mesmo com a noção de que o jogo de amanhã é o mais importante, não se poderá ignorar o facto de William Carvalho e Montero estarem proibidos de ver amarelo se querem ir ao Estádio da Luz. À atenção de quem a merece, amanhã joga-se bem mais do que um único jogo. Afinal, em caso de vitória, o Porto ficará a 4 pontos… e ainda tem de ir a Alvalade.

Gil Vicente 1-1 Benfica: O galo de Oblak, Jesus e Cardozo

benficaabenfica

Foi um Benfica moralizado com o tropeção do Porto nos Barreiros aquele que entrou no lamaçal de Barcelos. Num relvado próprio para râguebi e não para futebol, durante a primeira parte o que faltou em futebol sobrou em faltas, apitos de um dos piores árbitros portugueses e lama pelo ar. Para o registo ficam apenas dois lances de perigo por parte do Benfica: o primeiro de Rodrigo, assistido por Lima (soberba visão de jogo de Nico Gaitán), que, num campo em mínimas condições, teria feito golo; o segundo num excelente pontapé de meia distância de Siqueira, a rasar a trave da baliza gilista. Chegava o intervalo com um 0-0 que se justificava perante tamanha inércia das duas equipas.

No segundo tempo surgiu um Benfica com mais vontade, dinâmica e velocidade. Depois de deixar passar em claro uma grande penalidade evidente cometida sobre Rodrigo, Bruno Paixão expulsou Siqueira aos 58 minutos. Quando o Benfica parecia mais perto do que nunca de conseguir furar a muralha do Gil Vicente, duro golpe para as contas de Jorge Jesus, que se preparava aí para lançar Cardozo. Recuou, manteve o Tacuara no banco e acabou por ser mesmo através de um penálti sem margem para dúvidas, cometido sobre Gaitán, que Lima inaugurou o marcador. Pedia-se um Benfica solidário e ciente da importância deste resultado nas futuras contas do campeonato.

Os gilistas não se deixaram intimidar e aos 73 minutos festejavam o empate Fonte: Mais Futebol
Os gilistas não se deixaram intimidar e aos 73 minutos festejavam o empate
Fonte: Mais Futebol

Com mais um homem em campo, o Gil tentava atacar de forma envergonhada. Luís Martins assustou num livre lateral: canto e, num pontapé de ressaca, Vítor Gonçalves contou com a preguiça de Oblak (miúdo, deixa as defesas com estilo para outro tipo de jogos…) para chegar ao empate. Estava feito o 1-1 e o Benfica reduzido a 10 teria de ir buscar forças às pernas já desgastadas pelo lamaçal barcelense. Faltavam 20 minutos para o fim quando Cardozo foi mesmo lançado, três meses depois da última aparição, que ainda deverá tirar sono aos sportinguistas. E foi mesmo o paraguaio a ter nos pés uma enorme oportunidade de golo, quando à boca da baliza rematou para uma defesa por instinto de Adriano. O Benfica carregava e desesperava por um golo importantíssimo que lhe valesse os 3 pontos, mas sempre com muito coração e pouca razão. Já nos descontos, Djuricic, em pés de veludo na lama, ganhou um penálti duvidoso e Cardozo quis coroar o regresso da lesão com um golo. E quão importante seria. Marcou mal, muito mal, e falhou. De uma possível vantagem de 2 pontos para o Sporting e 6 para o Porto, vamos acabar por entrar para o derby muito pressionados pela provável igualdade pontual com o Sporting.

Bem sei que o Jesus se costuma dar bem com o clube de Alvalade, mas também sei como está talhado para falhar nos momentos decisivos, como hoje. Se posso desculpar Cardozo pela fome de bola e do golo, tenho de culpar o treinador por não ser minimamente inteligente ao perceber o enorme risco corrido ao entregar tal responsabilidade a quem regressou hoje de uma ausência de 3 meses. Daqui para a frente as coisas são fáceis de prever: vencer o Sporting para a semana e guardar essa vantagem até ao Sporting–Porto, que está para breve. Queria só lembrar que, com um treinador competente e condenado ao sucesso, teríamos por esta altura DEZ (!) pontos de vantagem sobre o Porto. Pensem nisso.

Marítimo 1-0 FC Porto: o resultado da incompetência

Pronúncia do Norte

Depois de uma vitória muito sofrida contra o Marítimo para a Taça da Liga, no Dragão, no último fim-de-semana, o FC Porto foi aos Barreiros para jogar contra o mesmo adversário, desta vez num jogo a contar para o campeonato nacional. Um golo de Derley, na conversão de uma grande penalidade, foi o suficiente para dar a vitória aos insulares.

O Marítimo entrou muito forte na partida e durante o primeiro quarto de hora conseguiu aparecer quase exclusivamente no meio-campo portista, impedindo o adversário de sair a jogar. Foi precisamente nesse período que conseguiu chegar ao golo: Danilo Pereira driblou dois opositores, entrou na área e foi infantilmente pontapeado no pé pelo seu homónimo de azul e branco. O árbitro não teve dúvidas ao assinalar uma grande penalidade a favor do Marítimo, calmamente aproveitada por Derley, que fez o seu nono golo na Liga e igualou o seu ex-colega Héldon na terceira posição da lista dos melhores marcadores da competição.

Mesmo depois do golo, o Marítimo continuou a pressionar muito o adversário, não dando tempo e espaço ao meio-campo do FC Porto – hoje composto por Defour, Josué e Carlos Eduardo – para criar qualquer jogada de envolvimento ofensivo. Na verdade, o FC Porto só conseguiu soltar-se da apatia a dez minutos do final do primeiro tempo, quando os maritimistas recuaram um pouco as suas linhas. O intervalo chegou e Paulo Fonseca tinha muitas falhas para corrigir, uma vez que o FC Porto só havia chegado por uma vez com perigo à baliza do Marítimo, num remate forte e sem ângulo de Ricardo Quaresma.

Na segunda parte, o FC Porto procurou ser mais agressivo na procura do golo e o Marítimo optou por manter a defesa coesa e organizada para segurar a vantagem, buscando, sempre que possível, o contra-ataque. O problema é que, sem Fernando e Lucho como vozes de comando no miolo e num relvado em que o esférico rolava com mais dificuldade do que deveria, o FC Porto nunca foi capaz de fazer circular a bola de forma fluida e precisa e raramente criou ocasiões de perigo para a baliza do regressado Salin. Maicon e Mangala, sempre impetuosos, iam fazendo faltas desnecessárias; Defour nunca foi capaz de pegar no jogo e mostrou mais uma vez uma tremenda dificuldade em arriscar no passe, tendo tido uma das performances mais cinzentas da época; Carlos Eduardo esteve muito menos interventivo e decisivo do que em desafios anteriores; Varela e Jackson estiveram, pura e simplesmente, em dia não; Danilo e Josué também estiveram longe do bom desempenho de um passado recente. Em suma, os únicos que conseguiram estar ao seu nível foram o capitão Hélton – que cumpriu sempre que foi chamado a intervir –, Alex Sandro – que não concedeu facilidades defensivas e procurou integrar-se nas poucas iniciativas ofensivas dos dragões – e Quaresma – o mais perigoso do ataque portista, ainda que tenha abusado do individualismo quando a equipa mais precisava dele, já na parte final.

Quaresma foi dos que mais lutou para inverter a situação.  Fonte: Mais Futebol
Quaresma foi dos que mais lutou para inverter a situação.
Fonte: Mais Futebol

Embora o Marítimo se tenha retraído no segundo tempo, como, aliás, era previsível e compreensível, o FC Porto, por demérito próprio e por mérito da organização colectiva do adversário, teve muito poucas chances de marcar. O remate à meia volta de Varela foi o único que verdadeiramente terá assustado a formação de Pedro Martins. Paulo Fonseca ainda tentou mexer na partida – tirando o desastrado Defour para lançar Quintero à passagem da hora de jogo; fazendo Ghilas render Varela cerca de 10 minutos depois e arriscando a saída de Maicon para permitir a Licá actuar os 10 minutos finais da partida. No entanto, apesar da maior acutilância da equipa motivada pelas mexidas e de procurar encostar o Marítimo às cordas nos minutos finais, o FC Porto jamais revelou competência suficiente para criar lances com “cabeça, tronco e membros”. Os passes falhados foram mais do que muitos, as movimentações inacreditáveis multiplicaram-se, a apatia generalizada voltou a reinar, os erros individuais feriram a equipa e a desordem colectiva matou-a.

Numa das piores exibições da época, o FC Porto consumou a sua terceira derrota da temporada para o campeonato, voltou a apresentar inúmeras fragilidades e deu, mais uma vez, provas da inconsistência que nunca deixou de exibir desde o início da temporada. Este resultado, justo e vergonhoso, poderá permitir aos principais rivais do FC Porto na luta pelo título aumentar a distância pontual para os dragões. Se vencerem os respectivos compromissos, já têm uma certeza: nenhum deles sairá do derby da Luz no terceiro lugar. Este é o resultado da incompetência.

A segunda vez de João Barbosa

cab desportos motorizados

João Barbosa está longe de ser o piloto português com mais nome em Portugal, e isto pode comprovar-se pelo facto de não ter uma página em português no primeiro local onde se procura informação quando se quer começar a investigar alguma coisa. Sim, estou a falar na Wikipédia, onde apenas existem, para este piloto, páginas em inglês, espanhol, francês, alemão e finlandês. Como tal, vou começar o artigo a fazer uma pequena apresentação do piloto.

João Barbosa nasceu no Porto, a 11 de março de 1975. Em 1995, foi correr para Itália, depois de ser campeão nacional da Formula Ford de 1994. Depois de dois anos com bons resultados nesse país, e de um teste com a Minardi, em 1996, mudou-se para os Estados Unidos, onde se mantém atualmente com grande sucesso.

Mas este artigo é para abordar a segunda vitória de João Barbosa em Daytona, e é isto que vou fazer a partir de agora. Na prova de resistência (24 horas) norte americana, o portuense fez equipa com o francês Sébastien Bourdais – destaco o facto de se chamar Sébastien, como outras figuras de destaque do automobilismo – e com o brasileiro Christian Fittipaldi, que estiveram ao volante de um Corvette da equipa Action Express.

João Barbosa e o carro que levou à vitória.  Autosport.pt
João Barbosa e o carro que levou à vitória.
Fonte: Autosport.pt

Apesar de ser uma prova de resistência, a emoção durou até ao fim, com a vitória a ser obtida apenas com 1,5 segundos de vantagem sobre o segundo classificado da prova. Foi João Barbosa que cortou a meta e quem teve de controlar os ataques de Wayne Taylor, que aproveitou a entrada do safety car para recuperar a diferença de tempo que tinha para o carro do português.

Houve ainda mais dois portugueses em prova. Pedro Lamy conduziu um Aston Martin Vantage GTE da equipa oficial, terminando em oitavo na classe GTLM (GT Le Mans), enquanto Filipe Albuquerque ficou em quinto na categoria GTD (GT Daytona). Albuquerque esteve ao volante de um Audi R8 LMs.

Esta foi mais uma grande vitória do portuense, que repete o triunfo de 2010, algo que o confirma como um dos melhores pilotos de resistência do mundo.