Escrevo estas breves linhas para que que vós, comunicação social, possam retratar as mesmas nos vossos diferentes meios de comunicação. Faço-o, porque nestas últimas semanas se tem dito muita coisa: muitos elogios, muitas palavras de agrado e de perfeita justiça ao projecto desportivo do nosso clube. No entanto, também algumas que roçam a mediocridade, que só posso entender como inveja pelo trabalho que está a ser realizado neste imenso clube.
Somos líderes do nosso Campeonato, mas sei bem que essa coisa de lutarmos pelo título, ou de sermos o ‘novo’ Leicester City FC, não passa de uma idiotice. Como poderia um clube acabado de subir à Primeira Liga, 25 anos depois, de lutar pelo título nacional perante o poderio (no relvado e também fora dele) dos nossos queridos ‘três grandes’? Sabem quantos milhões o Leicester investiu no ano do inédito título?
Não! Não serei campeão na época 2019/2010, e não sonho ser campeão esta época. Impossível! Afinal, quem quer o FC Famalicão a lutar pelo título nacional? A comunicação social que continua a ver quase exclusivamente os três maiores do nosso país? O SC Braga que quer manter o estatuto de clube mais forte extra grandes? O Vitória SC que acredita ter quase tudo para substituir o Braga no pódio dos menos grandes? O ‘malogrado’ CF Os Belenenses ou o Boavista FC que podem continuar a dizer serem os únicos que acabaram com a hegenomia dos “grandes”?
O FC Famalicão é o ‘surpreendente’ líder isolado da Primeira Liga Fonte: FC Famalicão
Temos um projecto inovador para um clube desta dimensão. Muitos nos haviam criticado. Muitos que agora, paulatinamente, nos vão dando palmadinhas nas costas, esperando talvez que possamos começar a fraquejar o quanto antes. Quantos ouvi por aí dizer que este era um projecto demasiado arrojado, que estes jogadores viriam (grande parte deles) com o estatuto de ‘estrelas’ e que viriam passar férias para o nosso Famalicão? Que este passo era maior que a perna? Que o nosso treinador não teria ‘unhas para esta guitarra’? Que acabaríamos a descer da Primeira Liga? Afinal parece que se enganaram…
Acreditámos e acreditamos que este é o caminho. Que temos de apostar nesta juventude toda, alguns já com provas dadas, outros com enorme qualidade. Qualidade que talvez os clubes ditos ‘mais pequenos’ não estejam habituados. Sabemos que todos têm os olhos em nós. Mas mesmo quando não nos olharem como olham agora, estes jogadores, esta equipa técnica e esta direcção estarão a ter a mesma postura que actualmente: a trabalhar diariamente, com amor ao que fazem, dedicação e com a qualidade que se tem visto.
Por fim, agora que se aproxima o jogo em Alvalade, já sei o que se dirá: se não perdermos seremos ainda alvo dos holofotes de todos vós. Se perdermos começará provavelmente a debandada da atenção mediática de que a nossa equipa tem sido alvo. No entanto, qualquer que seja o resultado, e o futuro dos resultados finais das próximas jornadas, uma coisa tenho certa: a qualidade manter-se-á, este Famalicão dignificará a sua terra natal, os seus adeptos, e terá sempre como principal foco o bom futebol, pensando mais além mas com os pés bem assentes na terra. E no final do dia todos dormiremos de consciência tranquila.
Que continuem a falar muito de nós.
Cumprimentos a todos,
Jorge Silva
Presidente do FC Famalicão
Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência
Depois de resultados díspares na Liga dos Campeões e Liga Europa, os três principais clubes do futebol nacional estão de regresso à competição doméstica. Como acontece na grande maioria das rondas em Portugal, SL Benfica, FC Porto e Sporting CP são considerados “favoritos” para levarem de vencida os seus jogos, respetivamente com Moreirense FC, CD Santa Clara e Famalicão CF. As odds indicam precisamente isso. No entanto, com algumas diferenças no que respeita às vitórias: FC Porto (1.15), SL Benfica (1.34) e Sporting CP (1.54).
Isto não pára e nós, fãs, agradecemos. Vamos ao campeonato. Ordenando as ideias pela classificação dos mesmos na tabela classificativa, começamos a falar das “águias”, que apesar da igualdade pontual com os “dragões”, seguem à frente por causa da diferença de golos.
11 vitórias, três derrotas, 24 anos. Pedro Carvalho é lutador de MMA (artes marciais mistas) e compete numa das maiores promoções do mundo – Bellator. O português está a cimentar cada vez mais o seu nome na divisão de peso-pena, como um dos candidatos ao título detido por Patricio Pitbull. Mas quem é Pedro Carvalho?
Pedro começou a sua jornada no MMA aos 13 anos de idade, e fez o seu primeiro combate profissional aos 17 anos. Apaixonou-se pelo desporto quando viu pela primeira vez um evento de UFC na televisão, e foi aí que percebeu que queria ingressar no desporto.
INTRODUÇÃO AO DESPORTO
Ao contrário da grande maioria dos atletas de desportos de combate, Pedro não optou por uma arte marcial específica. Começou então a treinar MMA na RSTeam em Guimarães, cidade natal, com o treinador Rafael Silva. Como o desporto na altura não estava muito desenvolvido em Portugal, fez alguns combates noutras modalidades. Combateu em kickboxe e K1, com objetivo de se manter ativo, ganhar experiência de combate, e ao mesmo tempo participar em algumas competições.
Começou o seu percurso profissional em 15 de setembro de 2012, ao combater na World Ultimate Full Contact, evento de MMA em Viseu. Venceu na altura Edi Vicente por submissão via mata-leão na primeira ronda.
A partir daí combateu em várias Ligas em Portugal, como a Showfight, Cage Fighters, Invictus Pro MMA, entre outras. Entre 2012 e 2015 fez oito combates, ficando com um recorde profissional de cinco vitórias e três derrotas.
“DAR O SALTO”
Aos 20 anos, Pedro percebeu que em Portugal as artes marciais mistas não tinham visibilidade suficiente para se construir uma carreira no desporto. Então decidiu ir treinar para a Irlanda, para aquela que, para ele, era a melhor academia da Europa: Straight Blast Gym. Mais conhecido por “SBG”, o ginásio é a casa do atleta de MMA mais famoso: Conor McGregor. Mas para Pedro, McGregor não era a maior referência da academia, mas sim o seu treinador – John Kavanagh.
De forma a ter capacidades financeiras para se mudar para a Irlanda, Pedro esteve um ano a trabalhar numa fábrica. Algo difícil para o atleta, mas um esforço necessário para alcançar o seu grande objetivo.
Um ano depois, Pedro estava na Irlanda a treinar na academia de sonho com os melhores atletas do mundo.
O Chelsea FC atravessa uma fase diferente da sua vida recente. Após a chegada de Roman Abramovich, dono do clube, nos blues têm sido investidos milhões atrás de milhões no reforço da equipa, tornando o Chelsea FC uma das melhores equipas do país, da Europa e do Mundo, com os melhores técnicos e jogadores da atualidade.
No entanto, a época 19-20, marca uma mudança repentina de paradigma: a FIFA castigou o Chelsea FC, proibindo o clube de contratar novos ativos nas próximas duas janelas de transferências (uma já foi – verão de 2019 – e a outra será em janeiro de 2020). Com isto, o Chelsea FC, que sempre contratou em massa e tinha vários jogadores nos seus quadros a rodarem noutras paragens por empréstimo, teve de olhar para dentro para construir o plantel 19-20.
Frank Lampard, lenda autêntica de Stamford Bridge, foi o único verdadeiro reforço. Depois de um excelente trabalho no Derby County FC, o ex internacional inglês foi o escolhido para comandar a equipa após a saída de Maurizio Sarri. No capítulo das saídas, o clube (finalmente) cedeu à venda de Eden Hazard, que rumou por 100 milhões de euros ao Real Madrid CF, e vendeu David Luiz (surpreendentemente) ao rival Arsenal FC, por simbólicos 9 milhões de euros. Perder a principal estrela da equipa, o patrão da defesa e o treinador numa época sem poder contratar, pôs os adeptos do clube a coçarem a cabeça e os experts a tirarem o clube da corrida pela Premier League e pela Liga dos Campeões.
Mas, a verdade, é que o clube não tem falta de talento bruto, tanto na sua formação, como a rodar em outros clubes na condição de emprestados. Aliás, não tem, nem nunca teve, mas a transição das equipas jovens para a equipa principal do Chelsea FC era difícil e pouco encorajada, pois nunca fez parte do ADN do plano desportivo do clube londrino. No entanto, em 19-20, teve mesmo de ser. Assim sendo, Lampard fez regressar vários talentos e há três deles que prometem ser um caso muito sério, valendo tostões no início de época, mas que podem valer muitos e muitos milhões no final desta temporada.
Mason Mount é um deles. Treinado por Lampard no Derby County FC, Mount esteve duas épocas a rodar, antes de regressar nesta temporada. Jogador inteligente, goleador e talvez versão mais próxima de Frank Lampard, como jogador, desde que este saiu do clube. Bastaram dois meses, para ser titularíssimo no meio campo blue e se internacionalizar pela equipa principal de Inglaterra.
Abraham é um dos maiores talentos do mundo a emergir atualmente Fonte: Chelsea FC
Fikayo Tomori é outro exemplo de regresso e sucesso garantido. Também treinado por Lampard no Derby, o central inglês, natural do Canadá e descendência nigeriana, pegou de estaca no onze inicial depois de três temporadas de empréstimos. Tecnicamente evoluído, rápido, ágil e inteligente, Tomori também tem tudo para ser o próximo a chegar aos Three Lions.
Por fim, e o caso mais gritante de um super talento que andava perdido em empréstimos há três épocas, falamos de Tammy Abraham. Marcou 26 golos em 18-19 e ajudou o Aston Villa FC a regressar à Premier League. Ganhou o lugar a Olivier Giroud, campeão do Mundo por França, e a Michy Batshuayi, e já leva 7 golos em 7 jogos. Tecnicamente e fisicamente fortíssimo, parece ser uma versão melhorada e complementar dos últimos pontas de lança do clube, como Lukaku ou Morata, prometendo ser um caso do género de Harry Kane do Tottenham Hotpsur.
Estes três jovens craques formados no clube, juntam-se a outros três casos de sucesso recente de miúdos saídos dos escalões menores, como são os casos de Ruben Loftus-Cheek, Hudson-Odoi e Andreas Christensen. O Chelsea FC sempre teve craques nas suas equipas jovens, mas parece ser apenas agora que finalmente olham para quem vem de baixo, sendo que o castigo da FIFA veio dar um empurrão valente neste novo paradigma no clube de Stamford Bridge.
Para já, o início tem sido titubeante, com uma estreia desastrada na Liga dos Campeões, com a perda da Supertaça Europeia, e com duas vitórias, dois empates e uma derrota na Premier League. A equipa de Frank Lampard tem muito para andar, mas há um facto irredutível: apesar do castigo, não falta é qualidade no plantel blue desta temporada para sonhar alto, como é costume no clube.
Após quatro anos, o mundial de Rugby está de volta. Pela primeira vez este será realizado na Ásia, mais concretamente no Japão. O primeiro jogo da 9ª edição assentou no embate entre a equipa da casa e a Rússia. À entrada para o jogo, ambas as seleções tinham objetivos diferentes. Da parte dos japoneses esperava-se um jogo relativamente fácil, o que acabou por não acontecer. Já os russos tinham o objetivo de equilibrar o jogo ao máximo, sabendo da superioridade da seleção do país do sol nascente.
A primeira parte foi bastante equilibrada. A Rússia ao minuto quatro abriu o marcador através de um ensaio marcado pelo ponta esquerdo Golosnitskiy. O ensaio resultou de um erro de Tupou, que falhou uma receção de um pontapé alto.
As estratégias das duas equipas divergiam em diversos pontos. A equipa da casa apostou num jogo profundo, usando a largura do campo. A equipa do leste da Europa, apresentou um forte jogo de colisão, jogando no perímetro curto, com pouca mobilidade dos avançados. A Rússia também tentou tirar partido das fragilidades apresentadas pelo três de trás japonês no que toca à receção de pontapés altos, através do forte recurso ao jogo ao pé do experiente médio de abertura russo Kushnarev.
Ao minuto 11, o ponta nipónico Matsushima marcou o primeiro ensaio do Japão, assistido por uma excelente execução técnica a uma mão do segundo centro de origem samoana Lafaele.
O equilíbrio continuava a verificar-se no jogo até que a dois minutos do fim do primeiro tempo os japoneses dilataram a vantagem. Este surgiu após várias fases á mão dentro da área de 22 metros russa, conseguindo o Japão criar superioridade na zona dos 15 metros, onde afastou a bola até à ponta, onde, mais uma vez, estava Matsushima para marcar. Destaque também para o belo ‘offload’ de Nakamura que isolou o camisola 14 nipónico.
Ao intervalo o marcador mostrava uma vantagem nipónica de 12-7 frente à equipa russa.
Foram os russos os primeiros a marcar Fonte: Rugby World Cup
Ao contrário dos primeiros 40 minutos, a segunda parte foi melhor gerida pela equipa da casa. Quando o relógio marcava 46 minutos, o flanqueador japonês Labuschagne quebrou a linha da vantagem, fruto de erros defensivos da Rússia, fazendo assim o que seria o terceiro ensaio da sua equipa.
A Rússia ainda teve diversas possibilidades de reduzir a desvantagem, conquistando várias penalidades das quais apenas resultaram três pontos num pontapé aos postes.
Com 68 minutos de jogo, o defesa russo Artemyev, sob pressão japonesa, despachou a bola de qualquer maneira, entregando-a à equipa adversária que aproveitou o mau posicionamento da defesa russa, garantindo assim o ponto bónus ofensivo e o quarto ensaio. O autor foi, pela terceira vez, Matsushima.
O Japão garante assim uma vitória importante, mas com muitas dificuldades perante uma equipa russa que conseguiu aproveitar os pontos fracos japoneses, mas que em momentos chave do jogo perdeu a orientação defensiva.
Esta semana entrevistámos Carlos Xavier, internacional A por Portugal e antigo jogador do Sporting, Académica e Real Sociedad. Nesta animada conversa passámos em revista a sua carreira como jogador, desde os primeiros anos no Sporting e a famosa dobradinha em 81/82, passando pelo empréstimo à Académica onde jogou com o seu irmão gémeo, a primeira chamada à seleção, em que foram buscá-lo a casa às três da manhã, e a aventura na Real Sociedad, onde defrontou Maradona e Simeone, marcou ao Real Madrid e ajudou o clube a chegar à UEFA. Por fim, o regresso ao “seu” Sporting, a tempo ainda de conquistar uma Taça de Portugal e uma Supertaça.
– Os primeiros anos de Sporting –
Bola na Rede [BnR]: O Carlos chega ao Sporting em 1980. Quem era o treinador na altura?
Carlos Xavier [CX]: Eu chego em juvenil ainda mas como sénior, nessa época de estreia, era o Fernando Mendes, que saiu e eu subo e faço a minha estreia com o Radisić, que era o Preparador Físico. Ele gostava de mim e acaba a época, faz seis meses para aí, e depois chega o Allison, o inglês. Aí é que eu acabei por ficar no Sporting porque tinha subido dos juniores e havia uma série de jogadores que estavam para ser dispensados. E ele disse “não, não, eu quero vê-los a todos”, e depois pôs no círculo central do campo sete ou oito miúdos só toque e passa, controlo e passe. Passado meia hora disse, quero este, este e este, e eu fui um deles. Foi assim que fiquei no Sporting.
BnR: Como era o ambiente do grupo?
CX: Era muito bom, muito bom. Basicamente só tínhamos um estrangeiro que era o Mészáros, guarda-redes, o resto era tudo portugueses. Um ou outro brasileiro mas era malta mesmo da casa. Recebiam muito bem os mais novos, aliás, havia um respeito enorme. Tratávamos os jogadores mais velhos por “senhor”, o Sr. Vaz, o Sr. Bastos, um bocadinho mais tarde o Sr. Damas e depois o Sr. Jordão e o Sr. Manuel Fernandes. Era um ambiente totalmente diferente do que é hoje.
BnR: Como é que era ser treinado pelo Malcolm Allison?
CX: Foi um treinador que me marcou, eu com 20 anos e ele lançou-me na equipa. Na altura para se lançar um jovem era raro, bastante raro. Muitas vezes eram emprestados e depois voltavam e ele teve a coragem de me lançar e numa posição que era estranha para alguns jovens, líbero. Antigamente usava-se muito o líbero e geralmente eram jogadores mais credenciados e com mais traquejo. Ele sabia que eu tinha algumas qualidades e então lançou-me, juntamente com o Eurico, a central.
BnR: Conseguiu a dobradinha em 81/82, que memórias tem dessas conquistas?
CX: É a única memória que eu tenho de ser campeão. Foi um ano em que correu tudo muito bem, ganhamos o Campeonato, a Taça e depois ganhamos a Supertaça. Tínhamos uma equipa muito combativa.
BnR: Quem era o plantel dessa época, lembra-se?
CX: Lembro-me perfeitamente. A equipa normalmente era Mészáros na baliza, o Ademar ou o Barão a defesa direito, eu e o Eurico no meio e o Inácio a defesa esquerdo. Depois no meio-campo era o Virgílio, Nogueira, o Ademar, depois à frente era o Jordão, Manuel Fernandes e Oliveira, que resolviam. Eram oito combatentes e três estrelas que resolviam jogos.
BnR: Depois o Sporting ganha a Supertaça ao Braga, quando ainda se jogava a duas mãos, como foram esses jogos?
CX: Creio que perdemos o primeiro jogo em Braga e depois demos a volta em Alvalade. Chegamos a esta Supertaça porque ganhamos a Taça de Portugal no ano anterior também frente ao Braga, por 4-0. Eu não joguei a final porque vinha do Torneio de Toulon, eu e o Mário Jorge, e não jogámos essa final da Taça.
BnR: O Carlos só joga na 2ª mão, em Alvalade, quando o Sporting cilindra por 6-1. Qual era o estado de espírito antes do jogo?
CX: Eu lembro-me que contra o Braga, e não foi só nesse jogo, houve um jogo também que ganhámos 8-1, a ganhar 2-1 ao intervalo e depois marcámos seis na segunda parte. O Braga era uma equipa que nos calhava bem na altura, uma equipa difícil e com bons jogadores mas que nós se marcássemos primeiro… Não me lembro de muita coisa dessa altura mas lembro-me que essencialmente era nas segundas partes que nós sobressaíamos. Porque a nossa condição física… o nosso preparador físico era o Radisić, que foi campeão europeu de atletismo, e dava-nos umas tareias. Por isso é que fisicamente éramos muito fortes, corríamos, corríamos, chegávamos à segunda parte e parecia que estávamos a voar.
Carlos Xavier começou e terminou a carreira pelo Sporting Fonte: Carlos Xavier
BnR: Na sua primeira passagem pelo Sporting, está um ano emprestado à Académica. Como surge este empréstimo?
CX: Esse empréstimo surgiu porque na altura estava o Manuel José no Sporting e eu confrontei-o uma vez ou outra porque não jogava muito. Ele não encaixou e decidiu ceder-me. Fui para a Académica porque estava lá o meu irmão em Coimbra.
BnR: Nesta época acabou por jogar com o seu irmão Pedro, entendiam-se bem em campo?
CX: Bem, muito bem. Ele jogava a ponta-de-lança só que nesse ano teve uma lesão, foi operado e teve muito tempo parado mas ainda acabámos por jogar juntos. Desde o berço que andávamos sempre juntos e entendíamo-nos por assobio [Carlos faz uma pausa para imitar o assobio], já sabíamos que era para pôr lá a bola. Ainda hoje quando jogamos com os amigos o assobio está sempre presente.
BnR: E fora do campo?
CX: Sim, sempre. Ainda hoje estamos juntos praticamente todos os dias, vemo-nos sempre.
BnR: Em 87, nova conquista da Supertaça, desta vez frente ao rival Benfica. Foi a Supertaça que soube melhor ganhar?
CX: Foi, porque lá ganhámos 3-0, também era a duas mãos. Em Alvalade também ganhámos, 1-0.
BnR: Como foi o jogo na Luz?
CX: Foi um jogo fabuloso que fizemos. Aliás, no ano anterior foi o ano em que, salvo erro, fomos tirar o campeonato ao Benfica, fomos ganhar à Luz 2-1. O Benfica se ganhasse era campeão mas acabou por ser o Porto. Nós fazíamos sempre bons jogos na Luz, recordo-me perfeitamente que o jogo era mais fácil lá do que em Alvalade. Mas relativamente a esta Supertaça, correu-nos bem em casa, 3-0, e o Benfica depois teve que ir à procura do resultado mas nós conseguimos gerir melhor a vantagem.
BnR: Na pesquisa para esta entrevista, li que o John Toshack disse um dia que o Carlos conseguia abrir uma garrafa de Sumol com os pés. Que episódio foi este?
CX: Precisamente, foi o segundo treinador que me marcou e que teve comigo no Sporting, e foi ele que me levou para a Real Sociedad porque já conhecia as minhas características. Se bem que, quando ele cá esteve, eu jogava na posição de defesa direito mas sempre ao ataque, só atacava. Nós jogávamos com três centrais, nem defendíamos, e ele via que eu tinha atributos técnicos e gostava muito de mim porque tinha alguma facilidade de pôr a bola onde queria, passava bem a bola e ele então disse isso. Houve alguém que disse também, já não me lembro quem foi… Já sei, foi o agente Carlos Janela, que disse que se a bola tivesse um formato tipo de melão, dava-a ao Carlos Xavier para ela ficar direitinha (risos).
O formato da prova feminina organizada pela La Vuelta é o exato oposto do que tem acontecido nos últimos anos com a semelhante corrida do Le Tour. Se a ASO não parece saber o que quer fazer com a La Course, a sua filial espanhol Unipublic mostrou de forma sublime que, contrariamente ao que muitos organizadores parecem pensar, não é preciso nada muito elaborado para se criar um belo espetáculo de Ciclismo.
A premissa da Madrid Challenge continua semelhante à do ano transato – apenas alterou o contrarrelógio de sábado de um coletivo para um individual – e, mais uma vez, presentou os madrilenos com uma bonita prova.
Primeiro, o esforço individual realizado nos arredores de Madrid ao final da tarde de sábado estabeleceu as diferenças iniciais e serviu de aperitivo para o circuito citadino de domingo. A antiga campeã do Mundo de contrarrelógio Lisa Brennauer fez jus à sua qualidade na especialidade e levou de vencida a jornada, com uma vantagem de quatro segundos sobre Lucinda Brand e 13 sobre Pernille Mathiesen, ambas da mesma equipa, a Sunweb, conjunto que havia ganho o Madrid Challenge em 2018.
No entanto, a corrida estava longe de se encontrar decidida, já que o circuito de Madrid, apesar de totalmente plano, trazia um claro ponto de interesse: bonificações no final da etapa e em sete sprints intermédios. Brand e Brennauer deram espetáculo, bem como algumas outras atacantes, que nunca ganharam muita vantagem, porque o pelotão queria disputar os segundos de bonificação oferecidos a cada duas voltas.
Brennauer acabou por levar a melhor e aumentar a vantagem para dez segundos, apesar de Brand ter ficado perto de roubar a Geral na meta ao ser quarta e falhar por pouco as bonificações. Ao sprint, levou a melhor Chloe Hosking, a sprinter australiana a impor-se com autoridade após bastante trabalho da sua equipa durante a jornada.
Maria Martins bateu-se com as mais rápidas do pelotão Fonte: José Baptista/Bola na Rede
Presente em prova esteve apenas uma ciclista nacional, Maria Martins, que se assumia como a principal figura do conjunto espanhol da Sopela Team. A jovem lusitana não se fez rogada e esteve entre as melhores numa segunda etapa bem ao seu jeito.
Face a algumas das melhores sprinters do mundo, Maria Martins não se encolheu e acelerou para um belo sexto lugar na Praça Cibeles, cimentando o seu estatuto de uma das promessas do velocidade mundial.
O bom resultado é ainda mais meritório ao considerarmos que a portuguesa havia corrido o Lotto Belgium Tour, prova de quatro dias, imediatamente antes e viajando do norte para o sul da Europa sem direito a qualquer dia de descanso entre estas duas exigentes competições.
Desde a saída de William Carvalho para o Bétis de Sevilha, o clube leonino nunca mais conseguiu encontrar uma referência para a “posição 6”, que em Portugal é uma posição essencial não só para conseguir conter os contra-ataques das equipas adversárias, mas também para a distribuição e contrução de jogo da própria equipa. Tais características são evidentes no caso de William e também, por exemplo, de Danilo Pereira do FC Porto, contudo são características muito difíceis de encontrar num jogador e daí resulta a dificuldade do clube leonino em conseguir adquirir um bom atleta para essa posição.
No clube de Alvalade existem dois jogadores para as tarefas defensivas do meio campo e esses jogadores são Rodrigo Battaglia e Idrissa Doumbia. O jogador argentino sofreu na época passada uma grave lesão que o afastou dos relvados durante praticamente toda a temporada, e apesar de ter dado boas indicações no regresso aos relvados, tendo mostrado bons índices físicos e competitivos, a verdade é que Doumbia parte na “pole position” para ser a referência nessa posição.
O médio costa-marfinense tem sido indiscutível no onze leonino Fonte: Sporting CP
Doumbia é um jogador com alguma técnica, possui altos índices de resistência e sabe equilibrar a equipa, oferecendo uma boa consistência ao meio campo leonino. Apesar de nos últimos tempos ter descido o seu rendimento, muito devido à pobre gestão do meio campo por parte de Marcel Keizer, a verdade é que a sua qualidade está sempre presente e com um treinador como Leonel Pontes, pode colocar a sua qualidade em função da equipa. Se não houverem lesões ou outros fatores alheios, será certamente um elemento fundamental para as aspirações leoninas.
Em jeito de conclusão, Rodrigo Battaglia ainda terá de lutar muito por um lugar que já foi seu, mas com um jogador como Doumbia à sua frente – que na teoria é melhor jogador – a verdade é que o internacional costa-marfinense tem tudo para ser a nova referência na “posição 6”.
“Ser treinador de futebol é a profissão mais mediática daquelas que foram medalhadas aqui hoje. Mas que significado tem isso na nossa vida? Por sermos mais mediáticos gostam de tirar ‘selfies’ connosco. Mas depois quem é que pára na rua para tirar ‘selfies’ com o professor primário ou com um médico? É uma reflexão.”
Foi de medalha ao peito e na cidade que o viu nascer que Bruno Lage deferiu estas palavras, engalanadas uma a uma com a mais saudável das humildades e a simplicidade de um homem que se fez grande a sentir-se pequeno – está a mudar o paradigma da comunicação num desporto português habituado ás personalidades “fortes”, que de forte nada têm e caiem sempre no exagero da frontalidade e da agressividade, num salivar raivoso que percorre as sedentas manchetes – e que reclama para si o peso da história como outras “figuraças” antes dele tiveram.
Não estamos a falar das competências enquanto profissional da bola: é assumido que tem muito a aprender, que ainda agora começou na aventura dos bancos a sério e que é óbvia uma vistosa atrapalhação nos jogos mais difíceis (ainda que o diagnóstico se prenda com um vírus entranhado no Benfica recente) e claro que ainda tem um longo caminho a percorrer.
Aos 43 anos é (mais) a chegar à selva dos “místeres” de topo, um menino tímido que se tenta intrometer nos parlapiés dos garotões e que ainda agora fez o primeiro jogo continental em modo campeão. Mas o que se escreve aqui é o salvaguardar duma opinião e o elogio ás suas competências enquanto pessoa: independentemente do excelente, bom, mau ou catastrófico futuro enquanto líder de equipas, o Bruno já tem peso no futebol português pela sua conduta extra-campo.
É o primeiro, uns valentes anos depois, a responsabilizar-se com a recuperação de um estilo antigo, caracterizado pelas larachas mais ou menos acertadas mas sempre íntegras e cavalheiras, resquícios de tempos quando os Senhores eram obrigados a sê-lo e quando a roupa suja era lavada nos tanques correctos.
A assimilação da mentalidade britânica começou no Hillsborough, um processo de maturação que continuou depois no País de Gales Fonte: Sheffield Wednesday FC
Podemos assumir que seja próprio dele: a sua educação pode ser esta mesmo, o que é a mais provável origem. A sua passagem por Inglaterra pode ter ajudado a sofisticar o discurso e o mindset, sempre virado para o fair-play e o melhor que nele existe? Penso que não existem dúvidas. É um mundo de diferença cultural. Bruno não se enquadra nos parâmetros do futebol latino e funciona como mediador entre duas realidades completamente distintas.
Foragido dos lugares comuns, refugia-se no bom senso das opiniões próprias e vincadas com conta peso e medida – não confundir com politicamente correcto – enquanto que enxuga a mensagem com uma honestidade brutal o que faz crescer nos pauliteiros da praça a dúvida de se que é falso ou sonso.
Existe aquele momento icónico no Dragão do ano passado em que após uma qualquer sarrafada e consequente confusão, Luís Gonçalves apodera-se do instinto animal e parte para cima de Bruno, pedindo explicações – como se ele as conseguisse dar – testando o maçarico. Num gesto apaziguador, Bruno ri-se, desvaloriza a parvoíce e puff, adversário desarmado.
Que existam seguidores desta forma de estar. A necessidade de sangue dos Diários não se pode submeter ao Desporto e a quem bem trata dele, seja que cor tenha.
FC Porto e BSC Young Boys mediram forças hoje, no Estádio do Dragão, em jogo a contar para a primeira jornada da fase de grupos da Liga Europa.
O FC Porto chegou a esta fase depois de ter sido afastado pelo FK Krasnodar da Liga dos Campeões. Uma derrota que abalou a equipa, mas, ao mesmo tempo, a deixou com vontade de fazer uma boa campanha na Liga Europa, como aconteceu mais recentemente em 2011. Já os suíços, que ultimamente não têm conseguido marcar território nas competições europeias, têm sido uma equipa consistente, com um bom arranque de temporada.
Com um começo de jogo fervoroso, os dragões mostraram desde cedo que queriam tomar as rédeas da partida e, logo no primeiro minuto, Marega conseguiu ganhar a bola na ala esquerda e tirar um cruzamento. Embora sem conseguir criar perigo o aviso estava feito.
E foram precisos apenas oito minutos para transformar o aviso em golo. Um excelente passe de Otávio, na direita, para Soares que recebeu e passou para Luís Diaz que lhe devolveu a bola, terminando a jogada com um remate sem hipóteses para o guardião suíço.
O FC Porto entrava bem, estava melhor, mas sofreu um duro golpe cinco minutos depois do golo marcado. Na primeira jogada de ataque dos Young Boys, Marchesín derrubou Assalé e o árbitro prontamente assinalou grande penalidade. A primeira oportunidade de golo para os forasteiros que não desperdiçaram e empataram através de Nsame, aos 13 minutos.
Os azuis e brancos reagiram bem ao golo sofrido, criando várias jogadas de ataque, com destaque para o meio-campo que ia dando a tranquilidade necessária. E depois de um remate enquadrado de Soares (21 minutos) e de um cabeceamento de Danilo ao poste (25 minutos), surge novo golo da equipa da casa e outra vez por Soares. Luis Díaz desmarcou Corona que subtilmente assistiu Soares para o segundo golo do FC Porto aos 29 minutos.
Apesar de estar novamente em desvantagem, os Young Boys pouco ou nada fizeram até ao intervalo. Aos 41 minutos, Marchesín saiu mal a um cruzamento de Garcia, mas nenhum jogador da equipa Suíça aproveita o deslize do guardião portista. Os Dragões chegaram ao intervalo em vantagem e a conseguir dominar a partida.
Saidy Janko regressou ao Estádio do Dragão e Díaz não lhe fez vida fácil Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede
Na segunda parte, os Young Boys entraram com vontade de reverter a desvatagem e ao minuto 47 viram Pepe a ser crucial, ao fazer um excelente corte numa boa jogada de Ulisses Garcia. Na resposta, os dragões criaram algum perigo, muito por culpa do guardião Von Ballmoos que ia complicando as coisas com uma má saída.
O FC Porto ia tentando gerir a vantagem enquanto o Young Boys tentava causar algumas dores de cabeça, mas a segunda parte pouco ou nada teve de perigo. As duas equipas mostravam vontade, mas pouca concentração nos momentos cruciais, ainda assim era a equipa da casa a criar maior perigo. Aos 69 minutos, Soares esteve perto do hat trick, depois de passar pela defensiva suíça, mas na finalização atirou ao lado.
Dois minutos depois, surgiu a resposta do Young Boys através de Ulisses Garcia, que surgiu na área a rematar forte e a obrigar a uma grande defesa de Marchesín. Até ao final da partida, não houve lances de maior perigo, apesar das mexidas do treinadores a toada da primeira parte manteve-se. O FC Porto conseguiu assim, de forma tranquila, uma vitória expectável e entrou com o pé direito na fase de grupos da Liga Europa.
ONZE INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
FC Porto: Marchesín; Corona, Pepe, Marcano e Alex Telles; Otávio, Danilo, Uribe e Luis Díaz (Romário Baro, 65′); Marega (Manafá, 70′) e Soares (Fábio Silva, 80′)
Young Boys: Von Ballmoos; Bürgy, Sorensen, Zesiger; Janko, Sierro (Aebischer, 70′), Lustenberger, García; Fassnacht (Gaudino, 73′), Assalé, Nsame (Hoarau, 61′)