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Bom Senso F.C.

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brasileirao

Este poderia ser o nome de um clube de futebol de intelectuais, gente das artes ou outros produtores culturais. Alguém de extrema inteligência e que fosse o pináculo da criação. Dificilmente um clube poderia ter este nome. A não ser que houvesse um bairro chamado Bom Senso, ou houvesse uma cidade com este índice onomástico.

Nada disso. Foram os próprios jogadores do Campeonato Brasileiro que se uniram e deram a cara por esta causa. Medidas concretas? Lutar por um futebol de Vera Cruz mais justo e mais solidário. Aspetos contra? Desde logo, o número excessivo de jogos que as equipas se veem obrigadas a fazer, o curto período de transição do campeonato nacional para os estaduais (começam agora nos finais de janeiro) e vice-versa, a exaustão de jogos a que os jogadores estão submetidos, salários em atraso e ainda o preço dos bilhetes para os adeptos. Assim, foi possível observar em alguns jogos do Brasileirão 2013 cenas caricatas. Por exemplo, os jogos começavam e havia cinco ou dez minutos de inatividade pura. Inércia total. Jogadores a trocar simplesmente a bola amigavelmente entre si, como numa rabia. Isto para provar que eles são os titãs mais importantes do espetáculo.

Vénia. Aplausos. Completamente de acordo. É deste tipo de movimento que a sociedade precisa. Encontrar formas de associativismo. Se se associa, algo está mal. Mas, ao associar-se, algo poderá melhorar. É absurdo o número de partidas disputadas por um “bom” clube brasileiro. Coloco bom entre aspas não por desdém a outros, menos tradicionais. Mas caracterizo um bom clube como estando na Série A, disputando a Copa do Brasil e ainda jogar a Libertadores. Ora, os encontros do campeonato são ao sábado ou domingo e à terça ou quarta-feira. Ou seja, duas vezes por semana. Quem diria que no Brasil o futebol é lento? É um ritmo alucinante. Com Copa do Brasil a meio da semana e mais Libertadores, quando é que os atletas descansam? E treinam?

Este exemplo, simples, poderá ser copiado por outros quadros da sociedade. A união faz a força, já diz o lugar-comum. Mas é bonito ver jogadores de clubes que, desculpem, mas é verdade, se odeiam abraçados. Para grandes males, grandes remédios. A greve ainda não foi uma dessas curas. Porém, se a CBF persistir no erro de ignorar as chamadas de atenção, só um poderoso antídoto poderá parar um mal tão severo.

Excelência ao extremo

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verdebrancorisca

Escreveu-se ontem mais uma página na longa História da fábrica de extremos de Alvalade. Ano após ano verificamos a excelência da formação leonina, com esta posição do terreno a receber um especial destaque.

Comecemos pela época de 1983/1984, ano da estreia profissional de um menino formado na cantera do Sporting, um menino que se transformaria num dos melhores extremos da sua era e que viria a ser segundo classificado na eleição da Bola de Ouro de 1987. Este jogador, que infelizmente teve os melhores anos da sua carreira no rival Porto (clube pelo qual, de forma atribulada, trocou o Sporting) e no Atlético de Madrid, inaugurou, a um nível superior, a magnífica fábrica de extremos do Leão. Falo-vos, obviamente, de “El Portugués”, Paulo Futre, um dos melhores jogadores portugueses de sempre, craque da conquista da primeira Taça dos Campeões Europeus por parte dos portistas.

Paulo Futre
O jovem Futre de leão ao peito
Fonte: Record

Cinco anos passados, a fábrica cria outro protótipo letal de um super-extremo ao nível planetário. Classe para dar e vender, velocidade, visão de jogo, finalização apurada: estas características fizeram dele um ídolo em três dos maiores clubes do mundo – Barcelona, Real Madrid e Inter de Milão – e levaram-no a erguer com toda a justiça e legitimidade a Bola de Ouro do ano 2000. Luís Figo, uma lenda viva, o grande capitão da selecção nacional, odiado por uns e amado por outros; porém, de uma excelência indiscutível. Quem não se lembra do “golão” a Inglaterra no primeiro jogo do Euro 2000? E daquele golo marcado a Schmeichel, num Portugal vs Dinamarca? Que recordações! Um dos melhores jogadores de futebol que o planeta Terra conheceu.

Luís Figo
Luís Figo: Um dos melhores de sempre
Fonte: Blog Tribunal do Futebol

Na época de 1996/1997 nasce mais um produto de qualidade extrema pelos lados de Alvalade. Um jogador de qualidade inegável, velocidade estonteante, com uma técnica não alcançável por qualquer atleta, bastante acarinhado durante a sua caminhada de Leão ao peito. Completou uma transferência de sonho para o gigante Barcelona, e por conseguinte adivinhava-se uma carreira magnífica para este jovem extremo. Tal facto não se viria a verificar, pois pouco tempo após a sua chegada à Catalunha este jovem voltou a Portugal para envergar as cores do rival eterno do seu clube de formação. Esta traição nunca foi perdoada a Simão Sabrosa, que se tornaria num símbolo de um Benfica completamente desprovido de classe. Apesar de tudo, foi sem dúvida um grande futebolista, passeando os dotes que absorveu em Alvalade por vários e importantes palcos mundiais.

Simão Sabrosa
Simão e a mudança para Barcelona
Fonte: Revista Mundial

No início do milénio nasce um novo filho, com um trajecto infelizmente parecido com o último atleta descrito. Pessoalmente, este extremo foi um dos jogadores que mais prazer me deu ver jogar em Alvalade. Valia bem o preço do bilhete! Uma técnica impressionante, fintas que eram novidade e que cortavam a respiração a qualquer adepto de bom futebol. Irreverente, foi lançado pelo treinador romeno Laszlo Boloni, que lhe deu a alcunha de “Mustang”, por ser uma força da natureza difícil de domar. Campeão nacional na sua primeira época de sénior, ainda jogou a temporada seguinte de leão ao peito, tendo viajado na época seguinte para Barcelona. Anos mais tarde, serve de moeda de troca no “negócio Deco” e assina pelo FC Porto, onde voltou a mostrar toda a sua magia: velocidade, técnica, finta, remate fácil, finalização apurada – o extremo com que todos os treinadores sonham. Apesar de todas estas qualidades, Ricardo Quaresma não está a ter a carreira que se esperava: entre a partida e o regresso ao Porto passou por clubes como Inter de Milão, Chelsea, Besiktas e Al Ahli do Catar, com pouco ou nenhum sucesso.

Ricardo Quaresma
Ricardo Quaresma e mais um golo pelo Sporting
Fonte: Blog Futebol Mais

Uma época depois do aparecimento do “Mustang” nasce o expoente máximo, a “jóia rara” desta fábrica de talentos. Quando um jogador, no seu primeiro jogo como sénior (um amigável frente ao Bétis), faz um golo daquele calibre, algo de especial se passa. Mais um tremendo velocista, sempre com uma finta fantástica na manga; porém, no caso deste menino, a técnica e a velocidade aliavam-se à força e poder de choque de uma forma estranhamente harmoniosa. Só jogou uma época de leão ao peito, pois, quando estava para começar a segunda temporada como profissional leonino, resolveu deslumbrar o mundo com uma exibição de sonho frente ao Manchester United, na inauguração do novo Estádio José Alvalade. Dias mais tarde viaja para Old Trafford, onde acabaria por se tornar um deus e cumprir um dos sonhos da sua carreira: vencer a Liga dos Campeões. Foi um deus em Old Trafford e viria a sê-lo também em Madrid, onde alcançou números sobre-humanos e onde se viria a afirmar de uma vez por todas como o melhor jogador do mundo. Cristiano Ronaldo: duas Bolas de Ouro, o atleta mais mediático do planeta, o futebolista mais bem pago do mundo. CR7, pelo seu esforço, dedicação, devoção e glória já alcançada, personifica o mítico lema leonino, sendo o maior símbolo da “cantera” verde-e-branca. A meio da carreira, tem a possibilidade de se tornar no melhor jogador de futebol de todos os tempos, se é que ainda não o é…

Ronaldo
CR7 com Boloni, o técnico que o lançou.
Fonte: World Soccer Talk

E quando se pensava que, após tanto craque seguido, dificilmente apareceria outro extremo de nível mundial, como que surge mais uma pérola. De origem cabo-verdiana, este menino aparece com pêlo na venta, jogando com qualidade e facilidade em qualquer uma das alas e até no centro do terreno. Mais um autêntico sinónimo de rapidez, técnica e visão de jogo, cedo se afirmou de leão ao peito, tendo feito duas temporadas de grande qualidade até protagonizar o maior encaixe de sempre para os cofres leoninos. Nani seguiria o caminho de Cristiano Ronaldo, rumando a Old Trafford para representar o Manchester United, onde proporcionou aos adeptos ingleses grandes momentos de magia. Há vários anos nos “Red Devils”, e apesar de alguns altos e baixos, Nani é dono de uma grande carreira futebolística e um alvo bastante apetecível para qualquer emblema europeu. O actual técnico do United, David Moyes, não conta com ele, e já se fala num possível regresso ao Sporting por empréstimo, ficando o clube inglês com o direito de opção de compra de William Carvalho.

Nani
Os festejos de Nani no seu ano de estreia.
Fonte: Site Super Sporting

No mesmo ano do lançamento de Nani, e depois de um empréstimo ao Casa Pia, surge outro grande extremo, nunca aproveitado pelos lados de Alvalade. É difícil descrever a sua história de leão ao peito, pelo simples motivo de que quase tudo se resume a empréstimos: duas épocas consecutivas no Vitória de Setúbal e uma temporada em Espanha, no Recreativo de Huelva. O desejo de voltar ao Sporting não se cumpriria, pois Paulo Bento (técnico do Sporting na altura) viria a dispensá-lo no ano de 2008. Silvestre Varela assinaria pelo Estrela da Amadora, onde brilhou, chamando a atenção do FC Porto, que o contratou na época seguinte. Varela construiu uma bela carreira de dragão ao peito, onde já milita há cinco temporadas, tornando-se num dos grandes jogadores da Liga Portuguesa e da Selecção Nacional.

Varela
Varela brilhou no Estrela da Amadora, após ser dispensado por Paulo Bento
Fonte: Futebol Mundial

Na época transacta, assistimos ao nascimento, pelas mãos de Jesualdo Ferreira, de mais um extremo tremendamente promissor. Numa época terrível para o Sporting, os rasgos desta pérola luso-guineense arrancaram alguns sorrisos aos milhares de adeptos verde-e-brancos orgulhosos com a qualidade da sua formação. Depois de diversos jogos brilhantes na equipa B, e de outras tantas jogadas memoráveis na equipa profissional do leão, Bruma explode e mostra ao mundo toda a sua magia num mundial sub-20 onde foi considerado o segundo melhor jogador da competição. Percorrido este ainda curto caminho, o jovem jogador foi mal aconselhado por advogados, tutores, empresários, e acabou por protagonizar uma novela que terminou na sua venda aos turcos do Galatasaray, onde tem dado boas indicações, apesar das escassas oportunidades de jogar os 90 minutos. Se trabalhar arduamente e tomar as decisões certas, acredito que possa chegar ao nível de, pelo menos, um Nani.

Bruma joga agora no Galatasaray Fonte: Futebolportugal
Bruma joga agora no Galatasaray
Fonte: Futebolportugal

O mais recente capítulo desta bela História foi escrito ontem, no Sporting – Marítimo a contar para a Taça da Liga, quando um menino de 19 anos assina uma obra de arte fenomenal, abrindo caminho à contundente vitória leonina. Um dos mais influentes em todas as camadas jovens que percorreu, integrou a equipa de juniores com idade juvenil, integrou a equipa B com idade júnior, e mais recentemente tem sido lançado, jogo após jogo, por Leonardo Jardim, demonstrando sempre um toque de bola fora do comum. Carlos Mané demonstrou de uma vez por todas, ontem, que merece a oportunidade proporcionada pelo “Mister” Jardim, e mesmo depois do golo não se deslumbrou, jogando com responsabilidade, pondo a equipa sempre à frente do seu benefício pessoal. Este “puto” tem tudo para ser como todos os outros jogadores que referi anteriormente, e não tenho dúvidas de que dentro de alguns meses passará de uma promessa a uma clara afirmação.

É impressionante o reportório de extremos de nível mundial saídos da fábrica de Alcochete. Enumerei nove, mas podiam ter sido mais, não fossem algumas decepções como Fábio Paím, Edgar Marcelino, Vasco Matos, David Caiado ou Diogo Salomão. Espero e acredito que esta saga em busca do extremo perfeito não termine, e aposto em Iuri Medeiros como protagonista do próximo capítulo.

“Não podemos ter receio de lançar os nossos talentos” – concordo com o mister. Afinal são eles que têm escrito a História do futebol…

FC Porto 4-0 Penafiel: Uma boa resposta

Pronúncia do Norte

O FC Porto recebeu e venceu o Penafiel por 4-0, saltando, assim, para a liderança do grupo B da Taça da Liga. O jogo foi marcado por uma interrupção no início da segunda parte provocada pelo mau tempo que se abateu sobre o Dragão. Quaresma, Jackson (2) e Varela foram os autores dos golos azuis e brancos.

Paulo Fonseca promoveu oito alterações em relação ao último jogo, na Luz, para o campeonato: Fabiano assumiu a baliza, Maicon voltou ao eixo da defesa, Ricardo jogou no lugar do castigado Danilo, Josué e Defour voltaram ao onze, Kelvin teve mais uma oportunidade a titular, Ghilas foi o ponta-de-lança e Quaresma regressou à competição no Dragão, cinco anos depois. Mangala, Alex Sandro e Fernando foram os únicos resistentes da última batalha.

O Penafiel foi a terceira equipa da Segunda Liga que o FC Porto enfrentou este ano. Ao contrário de Trofense e Atlético, equipas do fundo da tabela, que optaram por jogar “na retranca” e que acabaram eliminadas na Taça de Portugal, o Penafiel, que ainda sonha com a promoção ao primeiro escalão do futebol português, apresentou-se no Porto com uma postura bem diferente, jogando um futebol positivo, no campo todo, pressionando bem à frente e causando ocasiões de perigo. Além dessa nota, digna de registo, convém realçar a enorme falange de apoio que o Penafiel arrastou até ao Dragão.

Quaresma, num toque de génio de cabeça, abriu a contagem para os portistas / Fonte: MaisFutebol
Quaresma, num toque de génio de cabeça, abriu a contagem para os portistas / Fonte: MaisFutebol

Apesar da postura agressiva e da competência táctica do adversário, o FC Porto dominou a partida e foi um justo vencedor. Na primeira parte, destacaram-se Quaresma e Josué. O primeiro golo – o único marcado nos primeiros quarenta e cinco minutos – foi da autoria de ambos: Josué fez um passe longo para Quaresma, que, de cabeça e de costas para a baliza, fez um chapéu de belo efeito ao guarda-redes. Josué, com o papel de maestro, foi pautando o jogo do FC Porto e exibiu-se ao seu melhor nível, pese embora alguns passes menos bem medidos; Quaresma destacou-se pelos toques de génio que prometem fazer as delícias dos azuis e brancos na segunda metade da temporada. Desde trivelas a passes de letra, o Mustang contribuiu decisivamente para a vitória portista e, embora tenha sido displicente numa ou noutra situação, trabalhou muito e bem, mostrando ao treinador que pode ser uma opção bastante válida.

Na segunda parte, já depois da paragem motivada pela chuva intensa que alagou o relvado e pelo vento forte que arrastou alguns painéis publicitários para dentro das quatro linhas, o FC Porto entrou ainda mais agressivo e o Penafiel nunca mais conseguiu apresentar a fluidez que evidenciou quando o tapete do Dragão estava ainda próximo das condições ideais. Jackson e Varela – dois jogadores fortes fisicamente – substituíram Kelvin e Quaresma – dois fantasistas – e o jogo do FC Porto melhorou substancialmente. Neste caso, o mérito tem de ser dado a Paulo Fonseca, que lançou as peças certas na altura certa. Tanto um como outro foram fundamentais para vencer os duelos corpo a corpo no meio-campo do Penafiel.

Com Josué sobre a esquerda, Varela sobre a direita e Jackson a reforçar a presença na área, junto a Ghilas, o FC Porto arrancou para a goleada. Primeiro, Jackson correspondeu da melhor maneira a um surpreendente e espectacular cruzamento de letra do argelino; depois, já com Carlos Eduardo em campo, na sequência de um canto, Cha Cha Cha bisou com um cabeceamento fulminante. Ainda antes do final, também depois de um pontapé de canto, Varela haveria de dilatar o marcador, permitindo ao FC Porto ultrapassar o Sporting no número de golos marcados e atirando os dragões para a liderança do grupo. Varela parece estar em posição irregular quando recebe a bola de Mangala, após uma jogada de grande confusão na área penafidelense.

Jackson saltou do banco aos 58 minutos para bisar na partida  / Fonte: FCPorto.pt
Jackson saltou do banco aos 58 minutos para bisar na partida / Fonte: FCPorto.pt

De resto, mais algumas notas: Fabiano voltou a mostrar todos os seus dotes e voltou a não sofrer golos; Ricardo esteve novamente em bom plano na posição de lateral direito; Defour demonstrou que está em melhor forma do que Lucho, pese embora tenha tido o falhanço mais escandaloso do jogo, na cara do guarda-redes Coelho; Kelvin mostrou que é mais jogador do que Licá… novamente; e Ghilas fez, porventura, a melhor exibição ao serviço do FC Porto – finalmente teve bola, ao contrário do que aconteceu nos outros jogos, como o contra o Sporting, e aquele cruzamento de letra para o primeiro golo de Jackson foi a cereja no topo do bolo.

Foi uma exibição francamente positiva do FC Porto, frente a uma equipa cujo bom trabalho do treinador é bem evidente, e uma boa resposta à derrota infligida pelo Benfica no Domingo passado. O jogo da última jornada da Taça da Liga, no Dragão, frente ao Marítimo, será decisivo (assim como a recepção do Penafiel ao Sporting). Para já, tudo em aberto: dragões e leões discutirão a presença nas meias-finais da Taça da Liga à beira Douro, presumivelmente jogada contra as águias (que, em caso de vitória, se apuram desde já).

Balanço da 1ª volta do campeonato das equipas ‘’não-grandes’’ (1ª parte da tabela)

futebol nacional cabeçalho

A primeira volta do campeonato chegou ao fim. Com a afirmação do Sporting como candidato ao título, os clubes ‘’não-grandes’’ perderam espaço para poderem lutar pelos lugares de acesso à Liga dos Campeões. Com isto, temos quatro equipas (por enquanto) a lutar pelos lugares da Liga Europa. Na parte de baixo da classificação temos também quatro equipas em dificuldades, duas das quais que foram promovidas da Segunda Liga na época transata. Este texto fará uma análise à forma como as equipas se bateram nesta primeira volta da Liga Zon Sagres.

 

Estoril-Praia, 4º classificado – Com 25 pontos, a equipa de Marco Silva continua a mostrar que a época passada não foi um acaso. Com muitos jogadores perdidos na transição de épocas, os canarinhos têm mais sete pontos do que tinham no ano passado na altura em que terminou a 1ª volta. Com apenas quatro derrotas (Braga, Benfica, Setúbal e Guimarães), a equipa segue com dois pontos de avanço sobre os adversários diretos na luta pela Liga Europa. Curiosamente, 16 dos 25 pontos foram conquistados fora de casa. A equipa da Linha continua em prova nas duas taças internas.

Nacional da Madeira, 5º classificado – A equipa da Madeira é sempre uma crónica candidata aos lugares europeus; contudo, nem sempre é feliz. Este ano apresenta um conjunto forte, bem comandado por Manuel Machado, que já não perde há sete jogos (cinco empates e duas vitórias). Roubou pontos ao Porto e ao Sporting e tem apenas uma derrota em casa. Comparativamente ao ano passado, tem mais nove pontos, o que deixa bons indicadores de poder ser este ano que o Nacional seja feliz e consiga aceder à Liga Europa. Já foi eliminado da Taça de Portugal e a Taça da Liga (com Benfica no grupo) está complicada.

Vitória de Guimarães, 6º classificado – Tal como os dois clubes anteriores, também o Guimarães tem mais pontos do que a época passada por esta mesma altura: são mais três. A equipa de Rui Vitória sofreu uma pesada derrota no derby do Minho, o que pode abalar a confiança, não só pela derrota mas também por ter visto interrompida uma série de quatro jogos sem perder (três vitórias e um empate). O objetivo dos vimaranenses é a Liga Europa e está perto; apenas um ponto separa a equipa dos lugares. Arredado da Taça de Portugal e da Taça da Liga, a não conquista desse objetivo pode ser um fiasco para a equipa.

 

Treinador do Guimarães, Rui Vitória.  diariodigital.sapo.pt
Treinador do Guimarães, Rui Vitória.
diariodigital.sapo.pt

 

Sporting de Braga, 7º classificado – É a principal desilusão da época: menos sete pontos do que o ano passado (meio da época) e já com sete derrotas, quase tantas como a época passada inteira (dez). Jesualdo Ferreira tem a vida complicada no Minho; apesar de ter vencido e convencido no derby, as coisas no campeonato não têm corrido nada bem. Aquando das cinco derrotas consecutivas da equipa, o presidente, António Salvador, decidiu manter a confiança no experiente treinador. O plantel melhorou o seu futebol e tem conseguido melhores resultados, mas ainda é pouco para uma equipa com expetativas tão altas no futebol português. A Taça de Portugal e Taça da Liga têm assumido um papel importante esta época, em termos motivacionais – e, com os sorteios favoráveis, os bracarenses podem mesmo aspirar à conquista de ambas as provas.

Gil Vicente, 8º classificado – Uma época tranquila é sempre o desejo dos sócios e do presidente do Gil Vicente e João de Deus (treinador) não quis desiludir ninguém e é o que está a fazer; tem 18 pontos mais do que os 15 da época passada na mesma altura e ainda está na luta pela passagem na Taça da Liga. A Taça de Portugal já não é possível, mas também nunca foi um objetivo. Após o melhor arranque de sempre da equipa de Barcelos, o Galo parece não ter mais voltado a cantar, isto porque já lá vão seis jogos consecutivos sem ganhar em que a equipa apenas tem um ponto. Com um arranque tão auspicioso esperava-se mais deste Gil, mas com um orçamento tão reduzido e tão poucas ambições a nível europeu, podemos e devemos dizer que a prestação de João de Deus no comando dos gilistas é satisfatória.

Treinador do Rio Ave, Nuno Espírito Santo.   rioave.net
Treinador do Rio Ave, Nuno Espírito Santo.
rioave.net

Rio Ave, 9º classificado – Nuno Espírito Santo continua a demonstrar que é um ótimo treinador para o Rio Ave; apesar de estar uns furos abaixo do que tinha conseguido na época passada (menos três pontos), o técnico está a fazer um campeonato tranquilo e mantém a equipa longe da zona de despromoção. A grande deficiência da equipa de Vila do Conde têm sido os jogos em casa, apenas quatro pontos dos 18 conquistados. Os últimos dois confrontos para a Liga resultaram em dois empates e a equipa quer regressar às vitórias já este fim-de-semana diante do Belenenses, para se afastar ainda mais dos lugares de despromoção. A Taça de Portugal e a Taça da Liga têm corrido bem e o sorteio foi favorável aos vila-condenses, que evitaram as equipas grandes e podem assim sonhar mais alto nestas competições.

Seahawks mostram quem manda

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cab NFL

Aqui vamos nós! Com as finais de conferência marcadas para sábado, aproximamo-nos cada vez mais do mediático Superbowl. E que playoffs têm sido estes… Jogos renhidos, com recuperações incríveis, jogadas de cortar a respiração. Mas, no fim de tudo, volto a reafirmar aquilo que disse aqui há umas semanas: os Seattle Seahawks são os melhores da liga.

Antes de mais, temos de olhar para o alinhamento de domingo. Os Seahawks vão receber os San Francisco 49ers para reeditar uma rivalidade bem acesa, ao passo que, no outro lado, os Denver Broncos enfrentam os New England Patriots. Só os 49ers me surpreendem de alguma forma, embora a falta de experiência dos Carolina Panthers em jogos de playoff pudesse – como se viu, aliás, na derrota por 10-23 – estar em evidência.

Os Seahawks foram mais fortes e acabaram a derrotar os Saints por 23-15 nas meias-finais de conferência http://www.gannett-cdn.com
Os Seahawks foram mais fortes e acabaram a derrotar os Saints por 23-15 nas meias-finais de conferência
Fonte: gannett-cdn.com

Os Patriots têm Tom Brady como figura, enquanto nos Broncos é Peyton Manning. Já nos 49ers, Colin Kaepernick é a estrela. Tudo quarterbacks. Então e nos Seahawks? É por não definir um só jogador que os atiro para a conquista no Superbowl. Como ouvi alguém dizer, hoje, os Seahawks “são um exército”.

É fabuloso ver o QB Russell Wilson manejar o ataque, com Marshawn Lynch e Golden Tate como armas. Depois há a defesa, absolutamente sufocante, a melhor da liga em termos estatísticos. Secaram Drew Brees, contra os New Orleans Saints, sem pedir licença. Suspeito de que Kaepernick vá padecer do mesmo mal, já que Richard Shearman e Earl Thomas são dois dos melhores defesas da NFL.

Bestiais

Como já destaquei os Seattle Seahawks aqui, vou dar o protagonismo aos New England Patriots. É certo que, em casa, os Pats sentem-se como peixes na água, mas a forma dominadora como despacharam os Indianapolis Colts impôs respeito (43-22). Tom Brady controlou, a defesa acabou com a sorte de Andrew Luck, dos Colts, e marcou embate com os Broncos de Peyton Manning. É desta que os Patriots regressam ao Superbowl?

Bestas

Oh Cam, oh Cam… No último texto que aqui escrevi, disse que os teus Panthers queriam chegar ao topo às tuas custas. Nada feito. A estrear-se nos playoffs, Cam Newton não conseguiu resolver a dura defesa dos 49ers e acabou por nem sequer conseguir cheirar o triunfo (10-23). Ainda assim, cuidado. Os Panthers são jovens, vão ter esta experiência para o ano e vão voltar mais fortes. Candidatos.

Cereja no topo do bolo

Broncos-Patriots na final da AFC. Peyton Manning vs Tom Brady. Se nunca viram futebol Americano, é uma boa oportunidade, já que o jogo até começa cedo, às 20 horas de domingo. Tem tudo para ser absolutamente épico, e confesso que estava a torcer para que este cenário acontecesse. Agora… que haja muitos pontos e muita emoção.

Amarelo: ‘é só um aviso’

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cab Volei

Quando ouvimos “amarelo” no desporto e usando, como exemplo, o futebol, é sim considerado um “aviso”, mas o destino do jogador já está neste momento muito mais instável, colocando-o numa “corda bamba” no papel das infrações: mais um amarelo significa também uma expulsão, que advém do cartão vermelho que é imediatamente mostrado.

Ora, no caso do voleibol, o cartão amarelo até hoje era considerado «penalização» – na medida em que significava a perca de um ponto para a equipa cujo cartão fora atribuído a determinado jogador e a consequente perca do direito a servir.

Na mais recente alteração das regras do voleibol internacional – as quais já estão em vigor na competição nacional, regional e local – o amarelo passou a funcionar como uma simples advertência ou, dito por forma mais simples, um “aviso”.

Nas regras antigas isto seria uma penalização. Agora é só uma advertência que não afeta o resultado do jogo. (Melhor do Volei - Brasil)
Nas regras antigas isto seria uma penalização. Agora é só uma advertência que não afeta o resultado do jogo.
Fonte: melhordovolei.com.br

Se imaginarmos uma hierarquia, no voleibol das regras antigas tínhamos amarelo, vermelho e os dois em simultâneo (mostrados sempre com a mesma mão): penalização, expulsão (saída da área de jogo durante apenas durante o set e permanência na área de penalização) e desqualificação (abandono total da área de jogo e para a sua total duração), respetivamente.

Ora, numa tentativa de controlar as sanções a cometer (espelhando o caso das maiores competições nacionais – 1ª Divisão – não é usual haver comportamentos grosseiros, ofensivos ou mesmo agressivos), em vez do habitual aviso verbal que se fazia, o cartão amarelo passa a ter esse valor. Temos neste caso um vermelho que passa a ser penalização e os dois cartões em simultâneo na mesma mão são a expulsão – basicamente é um lugar abaixo na hierarquia que referi. O caso da desqualificação – e como as novas regras não apresentam novos cartões – passa a ser também os dois cartões mas um em cada mão, mostrados simultaneamente, claro.

Sou árbitro. A minha visão bem direta desta alteração é a de que neste momento, e maioritariamente nos escalões de formação e em competições de cariz mais amador (onde é mais importante cumprir regras de sancionamento e fomentar a cultura do “fair play”), muito mais dificilmente haverá sanções de cariz de penalização (antigo amarelo). Os árbitros continuarão a fazer constantes advertências verbais sem ter noção de que, por vezes, quando “a conversa já é muita”, o cartão amarelo “avisa”, e não posso discordar disto – mas é um aviso já “sério” e que obriga o interveniente a tomar precauções para que da próxima não aconteça uma penalização (vermelho); e aqui a equipa toda será afetada.

De uma forma geral, estando no papel do jogador ou outro membro da equipa técnica, a mentalidade será: “bem, posso refilar porque o árbitro ainda há de me avisar uma vez ou outra vez, e só depois me mostra um ‘amarelinho que não conta para nada’, e depois… Aparece o vermelho!”.

A questão principal e que conclui a minha reflexão desta semana é que tanto a equipa de arbitragem como quem está em campo ou no banco tem de ter noção dos comportamentos que tem e das penalizações que advêm desses comportamentos – se estes não coincidirem com a conduta correta a ter segundo a regulamentação imposta.

A nova alteração impõe que o árbitro tenha de tomar um papel mais decisivo e momentâneo na aplicação de sanções, de forma a dar o devido ao valor ao cartão amarelo, que prevê um conjunto de sanções que nenhuma equipa deseja. É um aviso, mas nunca poderá ser o simples aviso que na regulamentação antiga se dava antes da penalização. Agora o amarelo significa para o árbitro: “não preciso de dizer mais nada – não se passa nada com este cartão, mas na realidade pode passar-se tudo se não te portares bem.”

Escala de Sanções - Novas Regras
Escala de Sanções – Novas Regras

Se tens Limões, não faças limonada…

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dragaoaopeito

Paulo Fonseca tem um plantel extraordinário. Experiência e juventude, técnica e táctica, são todas palavras facilmente adaptáveis a vários jogadores do plantel portista. Ter talento parece não bastar, o que importa para o treinador do Porto é seguir ideias fixas emanadas da sua experiência em clubes de fraca dimensão. Não quero nem vou analisar o jogo da Luz a um nível muito aprofundado, pois é algo que seguramente já foi feito (e porque me custa falar do mesmo de uma forma racional). Quero apenas abordar factos considero útil realçar.

Antes do apito inicial, a homenagem a Eusébio / Fonte: Lusa
Antes do apito inicial, a homenagem a Eusébio / Fonte: Lusa

2 joke(r)s no onze do Porto
A semana passada previ uma defesa com Maicon em vez de Otamendi e um trio atacante sem Licá (com Josué, Kelvin ou Quaresma). De resto, acertei (era fácil prever).

Otamendi mostrou o que recentemente tinha vindo a fazer. O jogador argentino falha passes como ninguém, facilitando contra-ataques às equipas adversárias. Um central que ambiciona ser chamada à selecção argentina para ir o Mundial no Brasil não pode jogar assim e, com a concorrência de Maicon e Reyes, é incompreensível que tenha voltado a ser titular. Outrora achava-o melhor do que Garay (que nunca achei um excelente central) porque efectivamente o mostrava em campo, agora é impossível sequer comparar os dois jogadores. Otamendi tem que voltar a ser o que era. Não entendo se o que lhe falta é motivação para continuar no clube ou não. Se é, parece-me bastante bem que seja encontrada uma excelente equipa europeia para ele.

Um pouco mais à frente, Licá mostrou o porquê de tantos adeptos criticarem a sua permanência no onze portista. Não é que jogue necessariamente mal ou que não se esforce, mas efectivamente é muito limitado para uma equipa como o Porto, começando já a ser incompreensível esta aposta de Paulo Fonseca, tendo no banco jogadores como Kelvin, Quintero, Josué e Quaresma, que chegou mais recentemente. Jogar com o jogador português não é o mesmo que jogar com 10, mas é jogar com um elemento que na posição onde está deveria desequilibrar e não apenas pressionar defesas laterais.

Apatia de Fonseca
Foi notória a aceitação do treinador quanto ao resultado que se verificava em campo. Um treinador do Porto, na Luz, não se pode conformar com o jogo, muito menos com a exibição fraquíssima que a equipa teve em muitos momentos ou com o rendimento individual de um ou dois jogadores. Como já tive oportunidade de dizer, Paulo Fonseca não é treinador do Porto, é apenas um treinador que calha estar no Porto num dado momento. No último Domingo isso verificou-se pela atitude pobre e mansa de alguém que continua sem saber o que fazer. As substituições eram previsíveis e nem acho que tenha sido nesse aspecto que falhou, mas sobretudo a entrada de Ricardo Quaresma deveria ter sido antecipada para o intervalo do jogo, onde ainda tudo estava em aberto.

Paulo Fonseca esteve apático na Luz  / Fonte: Lusa
Paulo Fonseca esteve apático na Luz / Fonte: Lusa

Arbitragem
Quem me conhece sabe que não gosto de falar de arbitragens. Como disse Leonardo Jardim, “os três grandes são normalmente mais beneficiados e seria uma hipocrisia estar a falar de arbitragens”. Revejo-me nas palavras do treinador sportinguista. Se o Porto tivesse feito um jogo fenomenal e tivesse sido o único prejudicado em campo, possivelmente criticaria Artur Soares Dias, mas o árbitro português não o fez. Conseguiu até certo ponto adiar a mostragem de cartões amarelos (em lances para ambas as equipas), mas a certa altura começou simplesmente a distribui-los, sobretudo a jogadores do Porto. Não viu duas grandes penalidades (para ambos os lados), nem sabe o que é a lei da vantagem, mas o erro que mais incrédulo me deixou foi o segundo amarelo a Danilo. Não faz qualquer sentido dar amarelo a um jogador que cai na área, mesmo não sendo penalty, numa ocasião em que é normal dar-se um desequilíbrio – pela mesma razão teria que mostrar cartão a todos os outros jogadores que caíram quando não foi assinalada falta, e não o fez.

Foi uma arbitragem negativa, que começou com uma boa atitude (de deixar jogar e de não estragar o jogo com cartões amarelos), mas acabou num clima autoritário de alguém que parece querer marcar uma posição quando o jogo não teve sequer muitos desentendimentos (à excepção de Quaresma com Markovic e de Jackson com Maxi Pereira).

Estreia de Ricardo Quaresma
Não está gordo, nem está pesado, não vai a medo à bola e arrisca as jogadas. Falta-lhe ritmo, o que é evidente, mas dada a altura em que entrou (exactamente durante os festejos do 2ºgolo do Benfica), com uma equipa que andava perdida em campo, teve uma estreia positiva, mostrando a agressividade que o caracteriza e os toques de génio de sempre (isolou Jackson com uma trivela antes do meio-campo depois de ter ultrapassado um jogador na tal jogada da lei da vantagem). A sua entrada, ainda que surpreendente, deveria ter sido feita ao minuto 0 da partida, onde se poderia adaptar ao jogo. Desta forma acabou por apostar em demasia nas jogadas individuais. Não tenho, contudo, a menor dúvida de que mais jogo, menos jogo será titular absoluto neste Porto: o Harry Potter está longe de estar acabado.

Aproveito ainda para criticar o facto de o jogador estar “certo” no Porto desde Dezembro, e disponível para jogar desde os primeiros dias Janeiro, e mesmo assim o seu certificado não ter chegado antes do jogo do Atlético, que certamente teria permitido ao jogador uma estreia mais tranquila e porventura ganhar desde logo um lugar no onze frente ao Benfica. Não se entende, assim, que um clube reconhecido pela sua gestão eficaz e eficiente não ter feito os possíveis para que um certificado tivesse chegado dias mais cedo.

Quaresma fez o que pôde e o que a equipa lhe permitiu  / Fonte: Lusa
Quaresma fez o que pôde e o que a equipa lhe permitiu / Fonte: Lusa

Adeptos do Porto
Ansiosamente, falava-se na forma como os adeptos do Porto (especialmente os SuperDragões) iriam reagir ao minuto de silêncio em homenagem a Eusébio. É verdade que se ouviram alguns gritos menos positivos vindas da bancada, mas na generalidade o momento foi respeitado, não se ouvindo cânticos durante aquele doloroso minuto, dando origem até a um estranho mas positivo elogio por parte de Luis Filipe Vieira. Já durante o jogo, e mesmo a perder por 2-0, foram audíveis os cânticos de apoio à equipa, o que só mostrou um apoio incondicional a jogadores e treinador.

Ausência de Quintero
Juan Quintero passou de possível nova estrela da equipa a jogador não convocado para o clássico. Passou de jogador que ambicionava jogar no Porto a jogador que quer é ir para outro lado qualquer jogar – apenas isso, jogar -, porque no Dragão não o deixam. O Porto era conhecido por formar jogadores (no sentido em que não os criava, mas os desenvolvia numa fase posterior aos escalões de formação), hoje são esbanjados milhões para os desperdiçar. Primeiro foi Iturbe, agora é Quintero. É incompreensível a má gestão de Vitor Pereira e, agora, de Paulo Fonseca destes jogadores. Na apresentação do plantel, o argentino era o 7 e o colombiano o 10. Actualmente existe um novo 7 e o 10 foi apagado das convocatórias.

Impacto emocional
Este era um clássico diferente. Mais do que um clássico entre as duas melhores equipas portuguesas, era mais uma homenagem a Eusébio. O ambiente seguramente motivou os jogadores do Benfica mas nem isso, nem a arbitragem são desculpas para um Porto medíocre, que desde logo assumiu querer ganhar o jogo, mas que nunca provou conseguir fazê-lo. Não sei quais as consequências desta derrota, só sei que desde logo o Porto está a 1 ponto do Sporting e a 3 do Benfica. Algo tem mesmo de mudar e, verdade seja dita, a saída de Paulo Fonseca não é de todo um cenário realista, pois Pinto da Costa nunca foi apologista de despedimentos a meio da época. O que espero é que Quaresma comece a ser titular: esse será um bom primeiro passo para começar a justificar o preço dos bilhetes aos adeptos.

O impacto emocional desta derrota na equipa é uma incógnita  / Fonte: Lusa
O impacto emocional desta derrota na equipa é uma incógnita / Fonte: Lusa

P.S.: Não podia deixa de referir a Bola de Ouro, entregue no dia de ontem ao melhor jogador do Mundo, Cristiano Ronaldo. É seguramente o melhor português que vi jogar e tenho a certeza de que vai bater todos os recordes, nacionais e internacionais, que existirem para bater. Muitas vezes foi criticado, mas hoje todos o defenderam (se não o fizeram, não merecem sequer festejar um golo seu no Mundial) pelo orgulho que todos temos nele. Provou ser o melhor, provou dar tudo por Portugal, e o momento em que foi “coroado” será recordado para a eternidade por todos os portugueses. Parabéns, Ronaldo, e Obrigado!

A importância das pequenas coisas

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Todos sabemos que a vida não é apenas feita de grandes acontecimentos. Se fosse, a nossa curta passagem pela Terra não seria mais do que um vazio contínuo, intercalado por uns quantos momentos tão distantes entre si como a primeira namorada, o primeiro emprego, o casamento ou o nascimento dos filhos. Felizmente existem também pequenas coisas – um abraço de um amigo que não vemos há muito, um beijo da nossa mãe, um sorriso de alguém que não conhecemos no metro, um momento de cumplicidade com a pessoa de quem gostamos – que não marcam a nossa vida mas ajudam a colorir o nosso dia-a-dia. Todos passamos por isso. Mesmo as personalidades históricas mais conhecidas e admiradas coleccionaram, em vida, várias destas “insignificâncias” que não ficam para a posteridade nem constam das suas biografias, perdendo-se para sempre com o avançar do tempo.

Com o Sporting passa-se o mesmo. Com duas grandes diferenças: no que diz respeito ao nosso clube, as pequenas coisas tendem a ser negativas e a ter grandes consequências. Vem isto a propósito do momento menos positivo que a equipa atravessa, depois de quatro ou cinco meses em que excedeu todas as expectativas. Contra o Estoril, o Sporting, também por mérito do adversário, mostrou dificuldades em pôr a bola no chão e em criar lances de golo. Aliás, a competência canarinha e a inoperância sportinguista tornaram praticamente desnecessário que Pedro Proença tivesse de se assumir como o centro das atenções. Porém, ainda assim, o juiz lisboeta fez questão de, pelo sim pelo não, enervar os jogadores do Sporting como forma de comprometer à partida quaisquer pretensões de ganhar o jogo que a equipa pudesse ter.

A arbitragem de Proença esteve repleta das tais pequenas coisas de que falava: as sucessivas “faltinhas” a meio-campo que quebravam o ritmo de jogo, as diferenças na amostragem de cartões, o excesso de zelo quando, no último esforço do Sporting, atrasou a marcação de um livre para mandar o jogador avançar a bola um ou dois centímetros, o modo como não compensou as perdas de tempo do Estoril nos dois períodos de descontos, etc. Como não são lances capitais, muitas destas coisas passam ao lado da análise ao jogo feita nos media. Pode, portanto, dizer-se que Pedro Proença fez uma arbitragem mais inteligente e ardilosa do que a de Manuel Mota no Sporting-Nacional. Talvez seja por isso que um apita finais da Champions e o outro não passa dos Olhanenses-Aroucas. Mas, ao fim e ao cabo, ambos tiveram o mesmo objectivo na mente: tirar o Sporting do primeiro lugar.

O Sporting continua dentro do seu objectivo, mas vai ter de jogar mais se quer dar continuidade à boa temporada que tem vindo a fazer. A equipa não soube desmontar a estratégia do Estoril, e até acho que no lance polémico sobre o Montero se pode aceitar a decisão do árbitro. Mas em que planeta é que esse lance é legal e a jogada do golo do Slimani com o Nacional já não é? Talvez só mesmo no planeta Terra, onde o Sporting é sistematicamente prejudicado. Ainda se podia alegar que são árbitros diferentes, o que é verdade. O que nunca é diferente é o lado para que esses árbitros puxam. E, apenas para citar um exemplo, o mesmo Pedro Proença que no sábado não apitou penalti naquela jogada não teve dúvidas em inventar, à 6ª jornada, um castigo máximo a favor do Porto contra o Guimarães, numa altura em que havia 0-0.

Ao cabo de tantos jogos, os donos do futebol português conseguiram finalmente o que queriam: o Sporting já não é primeiro. E quase tão mau como ver a nossa equipa ser prejudicada é vermo-nos rotulados como “chorões” ou “calimeros” por falarmos com insistência dos árbitros. Ainda que tudo isso tenha apenas a importância que lhe dermos, fica a pergunta: que culpa têm os Sportinguistas de se verem obrigados a falar das arbitragens, num país em que até já ficou provado que as nossas desconfianças têm toda a razão de ser?

Convencionou-se recentemente que Pedro Proença é, nos dias que correm, o “melhor árbitro do mundo”. Pessoalmente, assim como não sei o que é uma “boa gripe” ou uma “boa unha encravada”, também não conheço o conceito de “bom árbitro”. Não em Portugal, pelo menos. Irei sempre olhar para todos eles como gente que agiu em bando, sem pudores e ao longo de décadas contra o meu clube. Não sou eu que o digo, é a realidade que o comprova. E, por falar no “melhor árbitro do mundo”, aqui fica uma amostra dos procedimentos que o ajudaram a atingir esse estatuto. As provas existem mas, pouco a pouco, vão desaparecendo da memória colectiva. É o tal problema das pequenas coisas… Neste caso, porém, as consequências continuam a poder ser testemunhadas semanalmente. E o Sporting sente-as na pele, há pelo menos 30 anos.

CR7, o melhor de 2013

 
Fez-se justiça. Cristiano Ronaldo é, oficialmente, o melhor jogador do ano para a FIFA. Um prémio justo, que não deixa margem para dúvidas e que ajuda a reduzir um pouco a exagerada distância que o separa de Lionel Messi, o seu único e verdadeiro rival na luta pelo prémio da Bola de Ouro. Logo por aí, percebe-se a minha relutância em sequer se considerar o nome de Frank Ribéry para esta contenda. Em termos de valia individual não está, nem de perto, próximo dos outros dois astros. Coletivamente, sim, ganhou tudo e foi importante para essas conquistas… como Neuer, Lahm, Schweinsteiger, Robben ou Mandžukić. Daí que não faça nenhum sentido estar envolvido nesta discussão. Digo até que não me faria confusão alguma ver, por exemplo, o nome de Zlatan Ibrahimović nos três finalistas, em detrimento do internacional francês.

Mas, claro está, para além da eleição óbvia de Ronaldo e Messi, ninguém sabe ao certo o que realmente conta na hora de selecionar os finalistas deste prémio. Os critérios continuam por esclarecer e a polémica terá sempre tendência para aumentar se ninguém confirmar se o que conta realmente é a valia individual de um jogador ou se os seus feitos coletivos terão um peso maior. As declarações de Platini, no final de gala de ontem, pecam apenas por terem sido feitas tardiamente. Concordo em absoluto com o francês quando afirma que os critérios devem ser esclarecidos para a atribuição do vencedor. Se os prémios coletivos devem, ou não, ter um peso para a atribuição do vencedor. Agora, honestamente, acho muita piada ao facto de só agora lhe ter incomodado esta questão. Nos últimos 4 anos em que Messi ganhou, nunca este senhor colocou nada em causa. Nem nos momentos em que o argentino foi o melhor individualmente ou quando, apesar de não ter sido o melhor, ganhou mais em termos coletivos. Só agora que o vencedor mudou é que, misteriosamente, já vem colocar em causa os critérios da FIFA.

De qualquer forma, será importante rever tudo isto. Não acharia descabido fazer-se duas bolas de ouro: uma para o melhor jogador e outra para a equipa do ano. Isto porque o Bayern de Munique, depois da época fantástica que fez, merecia mais algum reconhecimento nesta gala. O prémio ao treinador e a apenas alguns jogadores não é, de facto, suficiente. Fica a dica para os senhores da FIFA.

Os dois únicos verdadeiros candidatos ao prémio Fonte: http://i.telegraph.co.uk/
Os dois únicos verdadeiros candidatos ao prémio
Fonte: http://i.telegraph.co.uk/

Quanto a Ronaldo, acaba por se tornar no primeiro português a conseguir conquistar duas Bolas de Ouro e não conseguiu disfarçar as lágrimas que lhe caíam no rosto quando recebeu o prémio. Lágrimas de alegria, de revolta e, acima de tudo, de muito esforço e dedicação. Era expectável que, depois de 4 anos dominados por Messi, fosse quase impossível que Cristiano Ronaldo voltasse ao topo. E, de facto, era uma tarefa muito complicada. Destronar Messi só estava ao alcance do português. Por isso é que, a partir do momento em que se abriu o precedente para eleger aquele que é, de facto, o melhor do mundo em termos exclusivamente individuais, a escolha apenas poderia recair num deles (salvo a excepção de Xavi ou Iniesta, em 2012, que poderiam ter beneficiado da quebra de forma do português e do argentino). Para o ano, espera-se que a a luta volte, novamente, a ser a dois.

Uma rivalidade saudável e que enriquece o futebol. Desde 2008 que não há ninguém que lhes chegue aos calcanhares. Arrisco dizer que nos próximos 2/3 anos também não irá haver opositores reais à sua valia. E, se assim for, Messi e Ronaldo poder-se-ão afirmar, de vez, como dois dos melhores desportistas de sempre.

Foi como tinha de ser

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lanternavermelha

Foi como tinha de ser. Já tive muitos pesadelos, mas nem no pior o Porto ganhava na Luz, tendo em conta toda a carga emotiva deste jogo. Não podiam. Não ganharam.

No Domingo ficou mais uma vez provado quem são os benfiquistas e o que é o Benfica. Nem falo, para já, do resultado. Falo da nossa mística – que é só nossa -, do que ela significa e do simbolismo que tem estar no maior dos palcos num dia destes, estar na Catedral. É indescritível a forma como a vi vestida de vermelho e branco, vestida de negro, a sorrir e a chorar. Só sabe quem sente.

Luz fiel às suas cores Fonte: Facebook do Benfica
Luz fiel às suas cores
Fonte: Facebook do Benfica

Foi como tinha de ser! Uma equipa sem medo, que jogou de facto para ganhar, que jogou ao ataque, que lutou, que mostrou as garras, que puxou pelos adeptos como eles puxaram pela equipa. Uma equipa que deu e recebeu, que honrou o Rei, que dignificou o manto sagrado. Só peço isso, que dignifiquem sempre essa camisola, que é única. Um orgulho.

Domingo foi a melhor das homenagens. Ganhar ao Porto, na Luz, sem sofrer golos,  com um estádio inteiro a homenagear Eusébio e tudo a terminar numa vitória que nos torna líderes isolados do campeonato. Melhor? Só se o Eusébio jogasse. Mas aí não tinha a mesma piada, porque certamente ele marcaria três ou quatro golos e resolveria a questão facilmente. Como aliás era hábito. E não é isso que se quer num clássico.

Mas voltando ao real que parece sonho, é quase isso, um sonho. Só quem é verdadeiramente Benfica sabe, só quem respira Benfica sente. Ver um estádio que sempre foi e será, para sempre, vermelho vestir-se de negro para homenagear o seu maior símbolo foi algo arrepiante. Verdadeiramente arrepiante.

Foi como tinha de ser. Penso, volto a pensar, e acho que este foi um Domingo bom demais. Mas se não fosse assim seria como? Alguém concebe outra opção? Haveria outro cenário possível para o jogo de despedida do nosso querido Pantera Negra? Claro que não. Não podia e o Benfica mostrou isso elevando uma vez mais o seu significado, o nome de Eusébio, os seus adeptos, os seus jogadores. No clássico, o Benfica foi Benfica.

O Rei certamente vai descansar em paz; certamente ficou orgulhoso de todo o carinho, de tanto carinho.

Ao Benfica e ao Jorge só peço uma coisa: atitude!

Mas sempre. Queremos um jogo inteiro à Benfica, o que por outras palavras significa um jogo inteiro à Eusébio. Como disse Ricardo Araújo Pereira (enorme benfiquista), é outra forma de dizer Benfica.

Finalmente...celebrar frente ao FC Porto Fonte: Facebook do Benfica
Finalmente…celebrar frente ao FC Porto
Fonte: Facebook do Benfica

Atitude, equipa! Honrem sempre o nosso manto, que tantos de nós comiam relva para ter uma oportunidade de o vestir, nem que fosse realmente por uma vez. Honrem o clube, honrem os adeptos, honrem o Rei, o maior. Sempre.

Se assim for  talvez o nosso Pantera tenha de facto  a verdadeira homenagem, a que merece. A derradeira homenagem. Só posso desejar que Ele tenha de facto essa prenda em breve, dos benfiquistas, e que também daqui a uns tempos eu possa dizer, de forma justa:

Por ti, Eusébio. Foi como tinha de ser.