A vida do Valência CF já teve melhores momentos. Vive-se um clima de guerra e tensão no Mestalla, que terá um desfecho previsível: uma época desportiva muito longe do nível e qualidade da equipa.
Depois de um verão atribulado, que já fazia antever o que está a acontecer, o clima de hostilidade entre o dono do clube, Peter Lim, e o grupo de trabalho, desde treinador, a diretor e jogadores, parecia estar sanado. No entanto, Marcelino Toral foi despedido durante esta semana do comando técnico do clube, originando uma onda de desagrado contra Peter Lim, que afetará em muito o bom funcionamento da equipa.
Depois de um 4.º lugar, que deu acesso direto à Liga dos Campeões, e de uma conquista da Copa do Rey em 18-19, os Che partiram com confiança para a época 19-20 e com a ambição e confiança redobradas. Marcelino Toral, que trouxe novamente o clube para a ribalta nacional e internacional, conquistou os exigentes adeptos do Valência CF, devolvendo o orgulho Che.
O impacto de Toral foi tão grande no clube, que este despedimento significou um grande tiro no pé do próprio dono, Peter Lim. Os adeptos querem que Lim saia do comando dos valencianos e os jogadores mostram o seu descontentamento pelo despedimento de Toral, com quem tinham uma afinidade muito grande (Garay foi o mais contundente na forma de demonstração do seu apoio ao ex-técnico).
Valencia CF não conquistava um título desde 2008, pondo fim à seca em 2019 Fonte: Valencia CF
Rei morto, rei posto. Peter Lim, que não goza de grande popularidade atualmente, decidiu apostar numa antiga estrela do futebol espanhol, associado ao bom futebol, e com passagens por clubes como FC Barcelona e Real Madrid CF, Albert Celades.
O ex-internacional espanhol nunca foi treinador principal de uma equipa sénior, mas trabalhou vários anos na Federação Espanhola, com muitos craques atuais e do futuro do país a passarem-lhe pelas mãos, e no Real Madrid CF.
Em teoria, a nível de perfil, Celades encaixa-se num clube ambicioso como o Valência, mesmo assim, não deixa de ser uma aposta arrojada de Lim e da direção do clube. O timing também parece arriscado. Lim despediu Toral e contratou Celades já no término da interrupção para os compromissos de seleção (a semana e meia de pausa poderia dar muito jeito ao novo timoneiro) e, além disso, os próximos dois jogos da equipa não poderiam ser mais difíceis: vão a Camp Nou e a Stamford Brigde. Para já, a equipa iniciou a temporada de forma titubeante, com um empate, uma derrota e uma vitória.
A equipa de Rodrigo Moreno, Gonçalo Guedes, Denys Cheryshev, Jasper Cillessen, entre outras estrelas, com Thierry Correia acabado de chegar do Sporting CP, enfrentam agora uma altura atribulada na estrutura do clube e na relação com os adeptos, mas, uma coisa é certa, os adeptos Che não vão permitir que o foco não esteja na vitória e Celades aceitou um desafio numa conjuntura muito difícil.
A margem de erro é curta e a cobrança dos adeptos será imensa.
O Basquetebol está de volta ao Sporting Clube de Portugal quase 25 anos depois e hoje foi dia de treino aberto à comunicação social. Tal como acontece no hóquei em patins, também nesta modalidade existem quatro candidatos ao título: SL Benfica, FC Porto e UD Oliveirense. No entanto, nem por isso a ambição dos leões é afetada. Na voz do seu treinador, Luís Magalhães, “os objetivos são mais do que evidentes e próprios de um clube grande como o Sporting”.
Com um plantel construído de raiz, os leões querem assumir-se como um dos emblemas de referência no que ao basquetebol diz respeito. Nomes como Travante Williams e James Ellisor, ambos vindos da campeã Oliveirense, ou Cláudio Fonseca, vindo do rival SL Benfica e um dos mais velhos do plantel, perspetivam um Sporting competitivo para a época que se adivinha.
DIFICULDADES NÃO SÃO DESCULPA
Uma das maiores dificuldades na preparação da época 2019/2020 é o facto de o Sporting ter de construir um plantel de raiz. Como referi anteriormente, a liga portuguesa tem vindo a crescer e a competitividade da mesma a aumentar significativamente. Assim, uma das formas encontradas pela direção para colmatar essa contrariedade foi a contratação de jogadores que já conhecessem a liga e também “roubar” jogadores de renome aos adversários direito. Neste capítulo, destaque para o norte-americano Travante Williams que será, certamente, a principal figura da equipa verde e branca.
Travante Williams promete ser uma das principais figuras da equipa do Sporting para a época que se avizinha Fonte: Sporting CP – Modalidades
EXPERIÊNCIA ALIADA COM JUVENTUDE PODE SER CHAVE PARA O SUCESSO
Numa época que se adivinha longa – o campeonato tem uma fase regular, seguida de uma segunda fase e ainda os playoffs – a experiência será certamente importante. Contudo, este plantel do Sporting conta com bastantes jovens, que, certamente, terão ambição de vencer.
Bem sei que é uma frase feita, mas para uma integração correta dos jovens jogadores é necessária alguma experiência. Nesta lógica, a contratação de Luís Magalhães, treinador bastante rodado e com muita qualidade, parece-me ser a chave para que a temporada corra de acordo com as expectativas. Jogadores como Cláudio Fonseca devem também desempenhar um papel importante ao longo de toda a temporada.
Luís Magalhães, treinador do Sporting, promete ser uma das principais armas dos leões para fazer frente aos principais rivais Fonte: Sporting CP – Modalidades
Este encontro, relativo às meias-finais do Euro Sub-19, começou animado, com um claro domínio português perante um adversário mais defensivo, à espreita de um erro para tentar marcar através de transições ofensivas rápidas.
Ao contrário de todos os jogos anteriores, a primeira parte não foi fértil em golos, que só se justificavam na baliza croata, pois o nosso adversário foi praticamente inofensivo no ataque, com exceção dos últimos dois minutos, em que o jogo ‘partiu’ e a seleção balcânica criou algum perigo.
Consequentemente, ao intervalo o marcador estava tal como começou, um 0-0, mas que dava bastante confiança aos portugueses em relação a um eventual apuramento para o jogo decisivo. A Croácia é uma equipa de qualidade, se não nunca tinha chegado a esta fase do campeonato europeu, mas a nossa equipa parecia estar num nível superior, pelo menos a nível individual, daí a minha confiança para a segunda parte. Entrámos melhor na segunda parte, com uma grande ocasião de golo, mas Hugo Neves disparou um pouco por cima.
A Croácia, de vez em quando ameaçava a baliza portuguesa, que contou com um Bernardo Paçó atento, pouco chamado a intervir, mas quando o fazia, era sempre com qualidade.
Curiosamente, aos seis minutos da metade complementar, criámos uma excelente ocasião através de um contra-ataque rápido, que englobou uma triangulação perfeita para a entrada de Rui Moreira, mas o guarda-redes croata fechou bem o ângulo e impediu o tento de Moreira.
Célio apontou o único golo português no tempo regulamentar Fonte:UEFA
Sensivelmente a meio, e após um remate frouxo de um jogador croata, Bernardo Paçó saiu da baliza, fez uma jogada sensacional e fez uma bela assistência para o golo de Célio Coque, quebrando assim a resistência balcânica. Que arrancada incrível do nosso guardião, exímio entre os postes e muito bom também com os pés.
A estratégia do nosso adversário teria então que mudar, começar por arriscar um pouco mais, o que poderia permitir o aumento da vantagem no marcador.
A três minutos do fim, a Croácia apostou no guarda-redes avançado e tal parecia não estar a dar frutos, até que a apenas dois segundos do fim, Jurlina marcou o golo do empate, um autêntico balde de água gelada nos ânimos dos adeptos portugueses, indo a partida para prolongamento com um empate a uma bola, castigo demasiado duro para os nossos jogadores, que no jogo jogado foram claramente superiores nos 40 minutos regulamentares.
O prolongamento continuou igual ao jogo até ao nosso primeiro golo, nós a dominar e a Croácia ‘encostadinha’ lá atrás. Mais uma vez a muralha croata parecia inquebrável até que antes do intervalo, numa reposição de bola na linha lateral, algo trabalhado nos treinos, Chuva apareceu sozinho na cara de Cismic e conseguir bater o guardião, devolvendo a vantagem para o nosso lado.
A segunda metade do tempo extra poderia ser parecida com os últimos minutos regulamentares, esperávamos nós, mas com um final diferente. A realidade é que não foi. Um cruzamento de Vukelic acabou por devolver a igualdade ao marcador e arrastar a decisão para as grandes penalidades.
Nas penalidades, acabámos por tombar devido ao falhanço, provavelmente, do jogador que menos merecia esse castigo.
Hugo Neves foi um dos melhores jogadores portugueses ao longo do torneio, excelente jogador que vai ter uma carreira brilhante, não só ao nível de clubes como na seleção principal, tenho a certeza. Infelizmente, ficamos por aqui, mas deu para ver que esta geração de jogadores é brilhante e vai certamente encher-nos de orgulho e alegrias num futuro bastante próximo.
Rali Terras D´Aboboreira, um nome difícil de dizer para mim. Então, resolvi pesquisar um pouco. A sétima prova do Campeonato de Portugal de Ralis foi realizada em Amarante, Baião e Marco de Canaveses. E é aí que está o significado. A Serra da Aboboreira é um cruzamento destes três. Uma elevação, com cerca de 700 metros, temperaturas frias e uma zona granítica. E estradas espetaculares para os carros de rali passarem.
Na chegada a esta prova, Ricardo Teodósio era quem liderava o Campeonato. Este ano, as regras mudaram, ou seja, numa das provas do campeonato os pilotos não pontuam e o algarvio escolheu esta para não pontuar para o CPR. Mas isso não o impediu de estar presente para preparar o Skoda Fabia R5 da ARC Sport para o Rali Vidreiro Centro de Portugal.
Armindo Araújo e Bruno Magalhães, segundo e terceiro, chegavam nos restantes lugares do pódio. Magalhães vem de uma vitória no Rali Vinho Madeira, enquanto Armindo procura encurtar a desvantagem para se tornar campeão outra vez. João Barros regressava ao CPR, a bordo de um Skoda Fabia R5, e navegado por António Costa. Luís Miguel Rego Jr, campeão dos Açores em 2018, fazia a sua estreia este ano no CPR, trazendo o Ford Fiesta R5 da Rego Jr Competições, carro que conhece muito bem.
O campeão dos Açores de Ralis, Luís Miguel Rego Jr, voltou a correr no CPR, onde já tinha corrido em 2008, no Rali de Mortágua Fonte: Rali Terra D´Aboboreira
Mas vamos ao rali. Logo no início e antes das especiais ‘a sério’ duas baixas. Miguel Correia/Pedro Alves (Ford Fiesta R5) saíram de estrada e o Ford ardeu por completo. Felizmente ambos os tripulantes não tiveram mazelas físicas. Já António Dias/Nuno Rodrigues da Silva (Skoda Fabia R5) também bateram com o carro e não conseguiram começar o rali.
Nas quatro primeiras especiais, Bruno Magalhães/Hugo Magalhães (Hyundai i20 R5) foram os primeiros líderes. Com o ímpeto vindo da Madeira, o piloto lisboeta estava em luta com José Pedro Fontes/Inês Ponte (Citroen C3 R5). Na quinta especial, os pilotos da frente já tinha alguma distância para o terceiro classificado, Armindo Araújo/Luís Ramalho (Hyundai i20 R5).
Bruno Magalhães/Hugo Magalhães foram os primeiros líderes do rali, mas o desconhecimento das especiais pesou Fonte: Hyundai Portugal Motorsport
Mas na sexta especial, tudo mudou. Dois acidentes levaram à desistência do terceiro classificado, Armindo Araújo, e o piloto que lutava com ele pelo pódio, Miguel Barbosa/Jorge Carvalho (Skoda Fabia R5), que era quarto classificado.
Sempre consistente, mas com pouco ritmo devido à paragem longa, João Barros/António Costa (Skoda Fabia R5) herdaram o pódio, seguido de Ricardo Teodósio/José Teixeira (Skoda Fabia R5).
Mas a luta pela vitória era muito emocionante. Na especial cinco, José Pedro Fonte passou para a frente de Bruno Magalhães e começou a abrir vantagem. Até ao final, o piloto da Citroen Vodafone Team foi sendo o mais rápido e acabou por ganhar com 14.9s de diferença para Bruno Magalhães.
Mais atrás, e a utilizar o segundo Volkswagen Polo GTI R5, Pedro Meireles/Mário Castro deram um toque na especial cinco e decidiram não continuar a competir.
Nas duas rodas motrizes, Gil Antunes/Diogo Correia (Renault Clio RS R3T) tiveram a tarefa facilitada pois Paulo Neto/Vitor Hugo (Citroen DS3 R3T Max) tiveram uma saída de estrada, provocada pelo descolamento do pneu esquerdo frontal da jante, de acordo com o mesmo. Esta saída ainda coloca mais dificuldades, pois a presença nas restantes provas do CPR está pendurada. Pelo menos o Rali das Camélias, prova caseira de Paulo Neto está assegurada.
Gil Antunes não teve oposição nas duas rodas motrizes Fonte: Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting
A segunda posição ficou para Filipe Nogueira/João Francisco Vieira (Peugeot 208 R2). O piloto do Peugeot já confirmou que em 2020 o seu programa desportivo passa pelo CPR2WD. Terceira posição para Hugo Lopes/Nuno Mota Ribeira (Peugeot 208 R2) que ultrapassaram Rafael Cardeira/André Couceiro (Renault Clio RS R3T) na prova especial nove, a última do rali.
Assim, no Campeonato de Portugal de Ralis, Armindo Araújo com este acidente, não ajuda nada as suas hipóteses de revalidar o título de 2018. Ricardo Teodósio certamente irá estar muito forte na Rali Vidreiro, nem que seja pelo ‘Rali Teste’ que efetuou no Rali Terras D´Aboboreira. Bruno Magalhães mostra que o desconhecimento deste rali pode ter influenciado o resultado, mas a sua experiência, e um motor do Hyundai revisto desde o Rali da Madeira, são algo que fizeram imensa diferença. José Pedro Fontes conquista a vitória, mostrando um Citroen C3 R5 extremamente competitivo no asfalto e dá a primeira vitória de regresso a Inês Ponte, depois do acidente no rali de Portugal em 2017.
Daniel Nunes esteve envolvido num acidente de viação grave. O piloto do Peugeot 208 R2 encontra-se agora a recuperar, mas em 2019 não deve voltar a competir Fonte: Peugeot Rally Cup Iberica
Também o Rali Terras D´Aboboreira trouxe-nos novidades para 2020. Ricardo Teodósio já tem o seu projeto montado e Miguel Barbosa deve trazer o novo Skoda Fabia R5 Evo, viatura que vai ser estreada em Portugal no Rali Além Mar Ilha Lilás, na ilha Terceira, prova a contar para o Campeonato dos Açores de Ralis, pelas mãos de Luís Miguel Rego Jr./Jorge Henriques.
A próxima prova do Campeoanto de Portugal de Ralis é o Rali Vidreiro Centro de Portugal – Marinha Grande, que se corre nos dias 4 e 5 de outubro.
Abdul Majeed Waris, é este o nome de um dos reforços de inverno que Sérgio Conceição recebeu durante o mercado de 2018. Até essa data, a equipa azul e branca estava em campo por todas as competições em que estava inserida, o que significava imensos jogos nas pernas dos jogadores. Por isso, o treinador portista apontou à direção liderada por Pinto da Costa a falta de profundidade que o seu grupo de trabalho sofria. Algo que ganhou concordância dentro da cúpula diretiva do FC Porto que assim entrou em “campo” para satisfazer as necessidades do seu técnico.
Deste modo, um dos pedidos de Sérgio Conceição era um velho conhecido seu do campeonato francês, Waris, que colidiu com o treinador, quando este treinava o FC Nantes, enquanto que o futebolista ganês defendia as cores do FC Lorient. O desejo de contar com o jogador tornou-se numa realidade, visto que, no final de janeiro, o FC Porto anunciou a sua contratação e desta forma conseguiu colocar mais matéria prima ao serviço da sua equipa técnica.
Assim, Waris estava pensado para fazer a diferença no imediato, uma vez que se evidenciava pela velocidade e pelo drible que incutia no seu jogo. Bem como a sua frieza no momento da finalização, já que nas épocas anteriores tinha apresentado números bem satisfatórios para alguém que não se assumia como principal referência da equipa ofensivamente. Porém, as coisas nem sempre acontecem como se pretende e a verdade é que os seis meses que o extremo se apresentou na cidade invicta não foram suficientes para confirmar aquilo que o técnico do FC Porto augurava aquando da sua aquisição. Fez apenas oito partida (duas a titular) pelos dragões sem conseguir marcar qualquer golo pelo emblema português.
Por conseguinte, o destino de Waris parecia estar traçado e o mesmo não seria em Portugal. Ainda teve a oportunidade de iniciar a pré-época com os portistas, numa última chance de reverter a sua situação, mas o panorama não se alterou para os seus lados. O momento que parece ter sentenciado a sua “despedida” do FC Porto foi uma derrota com o SC Portimonense, no estágio do Algarve, em que os azuis e brancos foram duramente criticados pelo seu técnico, que chegou a afirmar que no seu grupo de trabalho haviam jogadores que não tinham categoria para vestir a camisola da sua equipa. Rapidamente, a imprensa apontou Waris como um dos visados e a sua dispensa do estágio parecia confirmar isso com o acréscimo do seu empréstimo ao FC Nantes. Posteriormente foi negado pelo próprio atleta numa entrevista em que justificou a saída pelo simples facto de querer jogar com maior regularidade.
A temporada na Primeira Liga Francesa pelos “canários” franceses, alcunha com que o FC Nantes é tratado em França, até nem correu mal como comprovam as estatísticas, pois em 38 partidas apontou sete golos. Apesar disto, nunca foi intenção dos dirigentes gauleses acionar a opção de compra que tinham acordado com os seus pares do FC Porto, na altura que a cedência foi fechada e oficializada. No meio de tanta indecisão sobre o seu futuro, Waris só tinha uma certeza, isto é, estava de fora dos planos de Sérgio Conceição e para continuar a sua carreira tinha de procurar um novo clube.
Waris está a treinar à parte até encontrar um novo clube no mercado de janeiro Fonte: FC Porto
Ao longo dos dois meses em que o mercado esteve aberto muitas foram as possibilidades associadas ao futebolista e nesse sentido a continuidade no campeonato francês parecia a hipótese mais fácil, onde o FC Nantes aparecia como a solução preferida pelo atleta. No entanto, como já foi referido anteriormente, logo após o término do empréstimo ficou vincado que uma futura transferência tinha de ser por valores mais baixos do que os seis milhões de euros que o FC Porto tinha estipulado para sua venda, na esperança de conseguir recuperar o investimento feito no ganês ou pelo menos grande parte da quantia paga ao Lorient FC pelo seu passe.
Aliás, nos primeiros dias de agosto, o empresário de Waris, Yusif Chibsah, veio a público afirmar que os valores pedidos pelos dragões “estavam a afastar possíveis interessados”, numa forma de tentar baixar as exigências financeiras dos azuis e brancos. Posteriormente, o tempo foi passando e cada vez mais o futuro do extremo de 27 anos caiu na indefinição até que, na última semana de mercado, apareceu a solução do Deportivo Alavés, emblema do campeonato espanhol.
Quando tudo parecia fechado e decidido o negócio foi cancelado pela direção do último 11º classificado da Primeira Liga Espanhola. Um cancelamento que mereceu duras críticas por parte do empresário do jogador, dado que o FC Porto, apesar de o ter inscrito na Primeira Liga, não conta mesmo com ele e o mais provável é que Waris fique até janeiro a treinar com a equipa B dos portistas sem qualquer tipo de competição.
Por fim, é caso para dizer que Waris tem a sua carreira em “stand by”. Um momento infeliz para um atleta que vê todo um acumular de situações a culminarem neste desfecho. Muito pelo facto não ter conseguido convencer Sérgio Conceição, pela altas exigências que o FC Porto invocava aos clubes interessados e pela incompetência ou falta de respeito por parte do Deportivo Alavés, pegando nas palavras do seu agente. Agora, o melhor que o jogador tem a fazer é mesmo esperar até janeiro e aí conseguir dar um novo rumo à sua carreira futebolística.
Em jogo antecipado devido ao compromisso europeu dos dragões, o FC Porto Sofarma deslocou-se, esta quarta feira, até ao Pavilhão Acácio Rosa, levando de vencida a equipa da casa, o CF Os Belenenses, por 27-34, num embate relativo à quarta jornada da prova.
As duas equipas entraram em campo ainda sem saber o que era perder. Os azuis e brancos somavam três vitórias em três jogos e, por sua vez, os homens do restelo constavam com duas vitórias e um empate na presente temporada.
Tal como seria de esperar, os primeiros minutos foram de grande intensidade, e, apesar de ter sido o campeão nacional a inaugurar o marcador, por intermédio de Djibril, foi o Belenenses que entrou por cima na partida, aproveitando da melhor forma os vários remates e contra-ataques desperdiçados pelos dragões.
Fruto dos infortúnios do conjunto de Magnus Andersson e da rápida circulação de bola da equipa da casa, a turma de Belém chegou ao quarto de hora da partida na frente do marcador, 9-8, forçando o treinador sueco à primeira paragem no encontro.
Como já é habitual, o técnico portista aproveitou a paragem para rodar o plantel, o que se traduziu numa boa aposta, sendo que a partir do momento em que Alfredo Quintana entrou em campo, por troca com Thomas Bauer, o FC Porto assumiu totalmente as rédeas da partida. Atente-se que os azuis brancos a partir daqui não só passaram para a frente do marcador como consumaram um parcial de 3-9, recolhendo ao balneário a ganhar por 12-17.
Já na segunda metade e, à imagem do que sucedera na primeira, a turma azul e branca voltou a entrar algo atípica no encontro, permitindo uma aproximação no marcador, 15-18, quando estavam decorridos os primeiros cinco minutos.
Para azar da equipa da casa, Alfredo Quintana estava endiabrado e não permitiu que aproximação fosse além dos 3 golos, defendendo consecutivamente dois livres de sete metros. Defesas que acabaram por culminar em nova vantagem de cinco golos aos 12 minutos, sendo que, aos 13’, foi alargada para seis.
Diferença que acabou por se alterar só nos últimos cinco minutos, numa altura em que o FC Porto através de sucessivos roubos de bola e contra-ataques, dilatou ainda mais a vantagem, fixando o resultado final em 27-34.
Equipas
CF Os Belenenses: Diogo Valério, Bruno Moreira, Rui Barreto, Pedro Sequeira, André Alves, Pedro Solha, Gonçalo Nogueira, Roney Franzini, Diogo Domingos, Nuno Roque, Fábio Semedo, João Ferreira, Pedro Loureiro, João Marques, Nelson Pina, Tiago Ferro.
FC PORTO: Alfredo Bravo, Victor Alvarez, Miguel Martins, Djibril Mbengue, Angel Zulueta, Rui Silva, Daymaro Salina, Ruben Ribeiro, Leonel Fernandes, Alexis Borges, Diogo Branquinho, Thomas Bauer, António Areia, André Gomes, Miguel Alves, Fábio Magalhães.
Sporting CP e ABC/UMinho encontraram-se hoje, no Pavilhão João Rocha, em jogo referente à 4ª jornada do Campeonato Andebol1.
A equipa visitante, comandada por Jorge Rito, entrou forte na partida, conquistando um placar de 2:0 logo no primeiro minuto. O ABC procurava utilizar entradas dos pontas a segundo pivot para criar espaços no forte bloco defensivo sportinguista, já que é muito difícil finalizar da primeira linha contra o Sporting. A vantagem forasteira durou pouco tempo, já que aos seis minutos a equipa da casa assumiu a liderança da partida e nunca mais a largou.
Nos primeiros minutos da partida o Sporting não fazia qualquer substituição defesa/ataque, o que permitia à equipa fazer transições rápidas, tanto defensivas e ofensivas. Isto só é possível devido à presença em campo de Valentin Ghionea, que apesar de ser ponta direito consegue defender a lateral.
O ABC apresentava, em termos defensivos, um 3×3 que dava imenso espaço aos pivots sportinguistas que causaram imensas dificuldades à defesa bracarense. O jogo estava controlado, já que o ataque do ABC pouco ou nada conseguia criar, o que permitiu que Thierry Anti fizesse rotação da equipa a pensar no compromisso europeu de Domingo. Ao intervalo o resultado era 17-11.
Humberto Gomes pouco ou nada conseguiu fazer no jogo de hoje Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
No inicio do segundo tempo, as dificuldades ofensivas do ABC continuavam e o Sporting conseguia manter a vantagem através de transições rápidas. Até que por volta dos 40 minutos a equipa da casa começou a apresentar alguma displicência no jogo o que levou a uma aproximação do ABC no resultado.
Aos 49 minutos, o placard marcava 24-21. Mas nesse momento o Sporting voltou ao jogo e em quatros minutos fez um parcial de 3-0 que colocou um ponto final na partida. O resultado final foi 30-26.
Uma nota final para arbitragem: é preciso melhor, para o bem do nosso Andebol.
Equipas
Sporting CP – Pedro Valdés; João Pinto, Gonçalo Vieira, Carlos Ruesga, Frankis Carol, Aljosa Cudic, Tiago Rocha, Carlos Carneiro, Tomas Van Zeller, Francisco Tavares, Manuel Gaspar, Arnaud Bingo, Valentin Ghionea, Nemanja Mladenovic, Ivan Nikcevic, Luís Frade´
ABC/UMinho – Humberto Gomes; Hugo Rocha; Carlos Bandeira, João Peixoto, Arsenashvilierekle, Carlos Oliveira, André José, Diogo Duarte, Rui Baptista, Hugo Manso, André Rei, Francisco Silva, João Fernandes, Rui Ferreira, José Vieira
O passado sábado, dia 7 de setembro, foi de festa e muito futebol em Belém. No mítico Estádio do Restelo, foi dado o “pontapé de saída” para as comemorações do centésimo aniversário do Clube de Futebol “Os Belenenses” – as restantes festividades irão ocorrer nos dias 23 e 27 de setembro –, com a “Tarde do Centenário”.
O evento tinha como principal objetivo a apresentação da equipa sénior para a época 2019/2020 aos seus adeptos e sócios, e, além disso, continha mais um “extra”: a equipa de veteranos dos “Azuis do Restelo” iria defrontar a equipa de veteranos do Real Madrid CF, numa reedição do duelo ocorrido a 14 de dezembro de 1947, quando foi inaugurado o Estádio Chamartin (o atual Santiago Bernabeu).
“Saudade, eu te matei de fome” – o sample da canção “Irene” músico brasileiro Rodrigo Amarante – e utilizado na música “Saudade” do rapper português Dillaz, que se ouviu nas colunas do Estádio no pré-jogo – simboliza perfeitamente o sentimento que os/as entrevistados/as pelo Bola na Rede evidenciaram quando foram desafiados a contar uma história que vivenciaram ao longo dos 100 anos de existência do Clube de Futebol “Os Belenenses”.
Quando abordados para falar acerca do seu amor ao clube, os adeptos da equipa do Restelo demonstraram algum receio em querer relatar um momento marcante, mas, perante a insistência de um redator que adora boas histórias sobre o Desporto Rei, lá aceitaram dar o seu testemunho e ajudar a compor um belo artigo de reportagem, uma vez que os clubes são feitos de apoiantes que vibram intensamente com as suas vitórias e não deixam de apoiar mesmo na hora das derrotas.
O primeiro entrevistado foi o senhor António Almeida, de 66 anos. Sócio desde 1972, António afirmou que associa o verbo “Vencer” ao seu clube do coração, uma vez que “faz parte do nosso lema uma certeza de vencer” e recordou as finais da Taça de Portugal e sobretudo o campeonato de 1975/76 em que os homens do Restelo ficou em terceiro: “Tivemos grandes vitórias frente aos ditos ‘Três Grandes’, num campeonato em que ficámos em terceiro e não sofremos derrotas em casa nessa época. Foi um ano espetacular, tínhamos uma equipa extraordinária composta por Godinho, Quaresma e muitos outros que eram excelentes jogadores”.
António Almeida fez questão de ser fotografado junto do memorial de Pepe, antiga glória do C.F. “Os Belenenses” Fonte: Guilherme Costa/Bola na Rede
O seguinte entrevistado foi Paulo Carmo, que marca presença nas bancadas do Restelo para apoiar o Belenenses desde os seus três anos de idade. A memória que o torcedor de 50 anos fez questão de partilhar com o Bola na Rede foi a final da Taça de 1989, por razões familiares: “Foi a última final que o meu pai esteve presente e depois ele faleceu infelizmente. Foi um dia especial, pois metade do Estádio (do Jamor) era nosso e outra era do Benfica, que tinha acabado de disputar a final da Liga dos Campeões e tinha uma equipa bestial. Nós éramos treinados pelo Marinho Peres e, ao pé do Benfica, ninguém dava importância à nossa equipa mas o certo é que nessa caminhada vencemos o Sporting, Porto e Benfica, uma coisa sem igual e espetacular. Ficámos super felizes e fomos para a Praça Afonso Albuquerque festejar, foi uma alegria imensa para mim”. Além disso, Paulo defendeu que a proximidade dos adeptos com os jogadores é um dos principais motivos para o Belenenses ser diferente das outras equipas: “Nós temos uma proximidade muito grande com os atletas de todas as modalidades e são quase nossos irmãos, fazem parte da família”.
Paulo Carmo falou sobre a final da Taça de Portugal de 1989 Fonte: Guilherme Costa/Bola na Rede
Terminado período estival de transferências, é altura de se fazer uma retrospetiva (com especial enfoque nas contratações mais surpreendentes) à atuação de vários emblemas da Primeira Liga. Desde a vinda de um talentoso e promissor extremo internacional sub-20 inglês, passando pela aquisição de dois goleadores magrebinos, o passado defeso reservou-nos diversas movimentações atípicas por parte de muitos clubes nacionais.
Marcus Edwards, um talento inglês que emergiu na Holanda:
Formado no Tottenham Hotspur FC e internacional por todos os escalões jovens da seleção inglesa desde os sub-16, Marcus Edwards contabilizou, somente, uma aparição pela equipa principal dos Lilywhites, ao participar em 25 minutos de um encontro referente à terceira eliminatória da EFLCup, ante o Gillingham FC, em setembro de 2016. Posteriormente, e já no ano passado, o jovem extremo direito foi emprestado ao SBV Excelsior de Roterdão, formação pela qual alinhou em 25 encontros da Eredivisie – a primeira divisão do futebol holandês -, marcando dois golos e efetuando, ainda, quatro assistências. Assim sendo, e não obstante a temporada negativa a nível coletivo protagonizada pelos Kralingers, o jovem extremo inglês conseguiu causar impacto nos «relvados» holandeses, afigurando-se como o principal elemento desequilibrador da sua equipa. A título de exemplo, destaque-se o facto de ter sido o futebolista da competição que maior número de dribles completou por jogo, efetuando uma média de (3, 3), o que equivale a uma percentagem de sucesso na ordem dos (63, 5%), face ao número total de tentativas. Para além disso, este virtuoso extremo tratou-se do segundo jogador sobre o qual foram cometidas mais faltas (sofrera, em média, três infrações, por jogo), sendo, apenas, superado pelo médio holandês Mark Diemers, do Fortuna Sittard. Em suma, os adeptos do Vitória Sport Clube poderão contar com um driblador nato, capaz de conferir uma maior criatividade ao futebol vitoriano no último terço.
Magrebe, um mercado apetecível:
Com uma população estimada em 98 milhões de habitantes (de acordo com dados de 2017) e tendo no futebol o seu desporto dominante, esta região da África do Norte que agrega cinco países, entre os quais se destacam as duas maiores potências do continente no que ao «desporto-rei» diz respeito (a Argélia, cuja seleção A, recentemente conquistou a Taça das Nações Africanas e Marrocos), tem vindo a ganhar alguma expressão em termos de transações de jogadores para o mercado europeu. Ora, para além da qualidade dos seus jovens, também os salários que aí se praticam – para que tenha noção, o futebolista mais bem pago do Raja Club Athletic, um dos clubes mais ricos de Marrocos, auferia, em julho de 2018, 36 000 dirhams mensais (valor que ronda os 3360 euros, à taxa de câmbio de 5 de setembro de 2019) constituem um atrativo para que inúmeros clubes de baixa e/ou média dimensão no contexto do futebol do «Velho Continente» (sobretudo franceses, mas não só) o tenham em (boa) consideração, na hora de reforçar os seus plantéis.
Decorria o passado dia 26 de junho, quando o Vitória Futebol Clube anunciou a contratação de Khalid Hachadi, um jovem ponta de lança (21 anos) marroquino proveniente do Olympique Club de Khouribga, equipa que almejara o 11.º posto na edição transata do BotolaMarocD1 (o principal escalão da hierarquia do futebol de Marrocos). Ao serviço do ClubFousfate, Hachadi, autor de 14 golos em 23 encontros, assumiu-se como o melhor marcador da formação «verde e branca» (somou mais três tentos que o compatriota Reda Hajhouj) e, paralelamente, como a principal atração do campeonato, ao ponto de suscitar, segundo a imprensa marroquina, a cobiça de dois dos mais emblemáticos clubes do país: os gigantes de Casablanca, Wydad Athletic Club e o Raja Club Athletic, atuais campeão e vice-campeão do Botola, respetivamente.
Do outro lado da fronteira e para a cidade de Barcelos veio o argelino Zakaria Naidji, de 24 anos. Formado na academia do Paradou AC, que integra a prestigiada rede internacional de centros de formação da Jean–MarcGuillou (JMG), este móvel avançado natural de Bordj Bou Arréridj foi o melhor marcador e uma das revelações da Ligue1, o principal escalão do futebol da Argélia. Note-se que, ao longo da temporada passada, o dianteiro se tornara o primeiro futebolista que nos últimos 24 anos logrou a marca dos 20 golos naquele campeonato. Zakaria, que, em fevereiro passado, numa entrevista concedida a um conhecido OCS argelino afirmara que «não fecharia nenhuma porta» que lhe possibilitasse atuar na Europa, dispõe agora dessa oportunidade no Gil Vicente FC, após confirmar o seu instinto «matador» no país natal (marcou 31 golos em 53 jogos, no conjunto das duas últimas épocas). Ao serviço dos “Galos”, o jogador que enverga a camisola número nove da formação treinada por Vítor Oliveira até já se estreou como titular, num encontro referente à terceira jornada da Primeira Liga, ante o SC Braga.
Gil Vicente FC e Belenenses SAD à pesca no Báltico:
Os países do Norte da Europa desde há muito que têm vindo a ganhar reputação, no que toca à exportação de futebolistas para campeonatos mais competitivos: clubes alemães, ingleses e italianos estão entre aqueles que, tendencialmente, recrutam nesses países. Portugal, por seu turno, não consta de entre os destinos habituais dessas transações e, por conseguinte, qualquer que seja a incursão de uma equipa lusa neste mercado é motivo de surpresa. Na passada janela de transferências, quer Gil Vicente FC, quer Belenenses SAD recorreram a esse mercado, a fim de reforçarem os seus plantéis. Os Gilistas recrutaram o jovem Bozhidar Kraev ao FC Midtjylland, o atual vice-campeão dinamarquês. Os “Azuis”, por sua vez, procederam à contratação do nigeriano Chima Akas ao Kalmar Fotbollsförening, um emblema centenário que atua na Allsvenskan – o principal campeonato da Suécia.
Kraev é um médio internacional búlgaro de 21 anos, que, desde muito cedo, mereceu a atenção dos principais clubes europeus (casos de Manchester City FC e FC Barcelona). Tratando-se de um futebolista extremamente versátil (tanto pode atuar a médio ofensivo, como a extremo ou, até, a segundo avançado) e dotado de uma excelente capacidade para ler o jogo, este jovem nascido em Vratsa tem tudo para ser uma mais-valia para a, recém-promovida, equipa da cidade de Barcelos – como de resto o tem vindo a demonstrar nas rondas iniciais do campeonato.
Bozhidar Kraev, camisola 24 do Gil, iniciou de forma bastante positiva a sua trajetória na Primeira Liga Fonte: Gil Vicente FC
Já “Chima”, um lateral esquerdino de 26 anos, é um futebolista que se destaca, acima de tudo, pela contribuição que oferece à sua equipa a nível defensivo.
A aposta no mercado japonês: «Primeiro se estranha, despois entranha-se»
Quando há sensivelmente dois anos o Portimonense SC anunciava a contratação de Shoya Nakajima, um (até então) desconhecido extremo japonês, oriundo da JLeague (o principal campeonato local), pairou uma certa desconfiança em relação à viabilidade dessa aposta.
No entanto, pouco tempo bastou, para se perceber que tal houvera sido uma escolha mais que acertada. Em abono da verdade, pode dizer-se que a mesma superou as melhores expetativas, atendendo ao êxito que o «baixinho» nipónico tivera no nosso campeonato.
Assim, e talvez por isso, não seja de estranhar que volvidos dois anos o mesmo clube continue a recrutar na “Terra do Sol Nascente”, com a escolha a recair desta vez em Koki Anzai, um lateral direito de forte propensão ofensiva que tem vindo a sobressair neste início de campeonato.
Todavia, não só os algarvios se reforçaram neste mercado asiático. Também o CS Marítimo o fez, contratando o avançado de 21 anos Daizen Maeda, futebolista descrito pelo site oficial da Japanese Football Association (JFA) como “[…] um avançado veloz, capaz de explorar o espaço nas costas da linha defensiva adversária […]”.
À semelhança de Koki Anzai, também Daizen Maeda (na imagem acima) já é internacional A pelos Samurai Blue Fonte: JFA
Por fim, e ainda que seja prematuro fazer qualquer tipo de avaliação no que concerne ao sucesso ou insucesso da aposta nesses mercados, os indicadores evidenciados por alguns desses futebolistas parecem antever que, mais cedo ou mais tarde, os seus clubes acabarão por obter dividendos (seja no plano desportivo, seja a nível financeiro).
Após, a perda de Brahimi, no final da época passada, a “custo zero” pelo facto do contrato que o ligava ao FC Porto expirar, as alas dos dragões ficaram reféns de magia ou pelo menos ficaram mais pobres. Por esse facto, a direção dos azuis e brancos tinha como um dos vários objetivos neste mercado de verão encontrar um digno sucessor do mago argelino.
Desta forma, logo no início de julho, o FC Porto esteve perto de contratar o jovem internacional português, Bruma, no entanto, à última da hora um último “pressing” lançado pelo PSV Eindhoven conseguiu desviar o jogador da cidade invicta.
Contudo, o emblema presidido por Pinto da Costa não tinha tempo a perder e rapidamente virou-se para as alternativas que tinham referenciado. Uma delas era o bem conhecido dos adeptos da liga portuguesa, Shoya Nakajima, que no dia 5 de julho de 2019, assinou um vínculo até 2024 com os dragões. Há que dizer que esta movimentação de mercado por parte do Porto foi algo surpreendente, não pela valia do jogador, mas sim pelo simples motivo que o internacional japonês tinha sido transferido, em janeiro de 2019, para os Emirados Árabes Unidos a troco de uns impensáveis 35 milhões de euros.
Sem grandes surpresas, o futebolista nipónico transformou-se num dos jogadores mais acarinhados pela nação portista. Talvez por terem ainda na memória os dois anos protagonizados pelo atleta ao serviço do SC Portimonense, onde foi dono e senhor de grandes golos e de grandes jogadas deixando os seus adversários, na maioria das partidas, completamente de “olhos em bico”.
Por outro lado, os adeptos mais céticos também ficaram um pouco alarmados pelo avultado investimento que a sua aquisição significou para as contas portistas, dado que o negócio por “Naka”, como é tratado pelos seus colegas, consumou-se por uma quantia a rondar os 12 milhões de euros por apenas 40% dos seus direitos económicos, logo o jogador figurou-se como uma das principais transferências do FC Porto, neste último mercado. O novo desafio em Portugal até começou da melhor maneira, já que Nakajima iniciou esta nova etapa numa zona em que já tinha sido muito feliz, ou seja, no Algarve, localidade escolhida pelos azuis e brancos para realizar o estágio de duas semanas à semelhança do que tinha acontecido na época anterior. Deste modo, pode-se dizer que o atleta sentia-se completamente em casa, pois não tinha melhor sítio para começar esta nova fase da sua vida. Além disso foi titular na primeira partida particular em que o emblema português realizou frente ao Fulham FC, sendo que se exibiu a um bom nível.
Por conseguinte, pareciam estar presentes todos os ingredientes para que o jogador conseguisse um início de temporada auspicioso. Porém, a partir desse momento tudo começou a mudar e Nakajima foi perdendo espaço nos planos de Sérgio Conceição para outros jogadores do plantel, nomeadamente Luis Díaz. É importante frisar que nos seis jogos já realizados pelo FC Porto de forma oficial, o jogador de 25 anos apenas foi titular em apenas um desafio, na derrota frente ao FK Krasnodar, sendo que o resto da sua contribuição foi efetuada a título de suplente utilizado no duelo com o Vitória FC, no Estádio do Dragão. Como se vê, o ex- Al-Duhail SC já falhou mais de 50% do calendário do FC Porto até ao momento. Este facto pode-se justificar por variadas razões, mas agora é o momento de apresentar quatro possíveis justificações que podem explicar melhor este insucesso precoce por parte de Shoya Nakajima.
A afirmação de Luis Díaz
É do conhecimento geral que Nakajima prefere jogar na ala esquerda, já que foi nessa posição a que todos os adeptos em Portugal se habituaram a vê-lo brilhar com a camisola do SC Portimonense, onde foi figura de proa. É nessa zona do terreno que, frequentemente, realiza os seus famosos movimentos interiores com a finalidade de assistir os seus colegas ou então ser o próprio a finalizar o que tinha iniciado, muitas vezes com golo.
Mas, como se sabe, a concorrência num grande clube é mais feroz e não basta apenas ser um bom jogador para se afirmar neste tipo de emblemas, que é o que acontece exatamente no FC Porto. Aqui, o nipónico encontrou atletas de grande valia e, neste caso concreto, tem de enfrentar Luis Díaz, um jovem colombiano adquirido pelos dragões, que tem tido uma preponderância enorme na equipa portista fruto das suas excelentes exibições, que são culminadas com golos, assistências ou então com dribles que ficam na retina de qualquer amante do futebol. Até ver, o internacional “cafetero” tem levado a melhor sobre o seu colega de equipa, mas certamente Nakajima não quererá ficar uma temporada como segunda opção. No entanto, para reverter a sua situação terá de provar que poderá acrescentar mais do que o ex CDP Junior Barranquilla FC, que se diga que, até ao momento, não tem sido pouco!
Nakajima apenas foi titular frente ao FK Krasnodar Fonte: Bola na Rede
Os ideais de Sérgio Conceição
Este é talvez um dos motivos que maior consenso reúne entre a generalidade dos adeptos e da imprensa desportiva, ou seja, o facto das características ou das maiores qualidades de Nakajima não encaixar na tática definida por Sérgio Conceição. Um ponto que com o passar do tempo tem ganho maior destaque ou consistência para justificar esta “falsa partida” do atleta ao serviço do Porto.
Como se sabe, Sérgio Conceição, desde que assumiu o comando técnico da equipa nortenha, tem adotado um estilo de jogo muito vincado no aspeto físico dos seus jogadores. Isto é, assenta muito no ataque à profundidade apelando à velocidade e à intensidade incutida pelos seus atacantes, bem como na procura de espaços livres que possam provocar danos aos seus rivais. Tenta implementar uma forte pressão, no momento sem bola, aos seus adversários, que só é possível com futebolistas altamente resistentes e com uma complexidade física assinalável.
Desta forma, há uma opinião pública que assume que o “timoneiro” português despreza atletas com maiores requisitos técnicos do que físicos, como é o caso do Nakajima. Situação que veio ganhar mais força com a saída de Óliver Torres, onde muitos adeptos e comentadores acusaram Sérgio Conceição de não conseguir tirar maior proveito do médio espanhol e que, de certa forma, desaproveitou o talento do atual atleta do Sevilha FC, que durante as suas épocas como azul e branco foi sempre dos mais acarinhados pela massa adepta portista.
Com isto, é habitual dizer que o treinador, campeão nacional em 2017/2018, “prefere a força à técnica”, algo muito dito no mundo do futebol, e pelo facto do japonês se destacar pela sua grande capacidade técnica, pela sua capacidade de passe ou pela sua visão de jogo é frequente dizer que Nakajima não se enquadra no estereótipo de jogador que agrada a Sérgio Conceição.
A adaptação a uma nova realidade
Pode parecer um pormenor pequeno ou então sem grande importância, mas a verdade é que o FC Porto é o primeiro grande desafio que o pequeno génio japonês enfrenta na sua carreira. A cobrança pela perfeição é uma constante e a pressão pela vitória ou pela conquista de títulos é muito maior do que qualquer outro emblema que Nakajima tenha representado e o facto é que nem todos os jogadores se adaptam a esta nova realidade. O mundo do futebol está cheio de casos onde certos atletas eram protagonistas em clubes de menor dimensão. Quando deram o salto para um desafio mais aliciante não conseguiram corresponder às expetativas criadas aquando da sua transferência.
Além disso, há outro facto que pode estar a dificultar a adaptação do nipónico ao FC Porto, ou seja, é o facto dos dragões não lhe terem proporcionado um tradutor particular que o acompanhasse no seu dia a dia, um luxo que o mesmo usufruía em Portimão.
Como referi, no inicio deste ponto, pode parecer algo insignificante, mas para alguém que é oriundo de um país diferente, de uma cultura distinta da portuguesa, é algo que vale muito e a “língua” é uma ferramenta de comunicação essencial para a nossa vida e que neste caso pode dificultar a relação ou a criação de relação de Nakajima com os seus colegas de balneário.
A vida privada
Infelizmente ou felizmente, depende da perspetiva, as cabeças dos jogadores não funcionam como nos jogos virtuais, onde a vida particular de um atleta não influencia com o seu rendimento desportivo.
Recentemente, Nakajima foi pai, e inclusive foi autorizado por Sérgio Conceição e restante direção portista a deslocar-se ao Japão para assistir ao nascimento do seu primeiro filho. Porém, o final de gravidez e o parto do bebé do internacional japonês não foi um processo fácil, algo que mexe inevitavelmente com a cabeça de qualquer jogador e que por uns tempos breves pode retirar o foco do individuo do trabalho.
Por incrível que pareça para algumas pessoas, os futebolistas também são seres humanos, e por vezes, não conseguem dissociar a sua vida privada do futebol, o que pode provocar uma quebra de rendimento e para estes casos talvez falte uma maior proteção dos clubes para com os seus ativos.
Assim, foram aqui apresentadas 4 razões que podem estar por detrás do mau arranque de Shoya Nakajima ao serviço do FC Porto. Porém os argumentos enunciados não significam que a situação se mantenha até ao final de época, até porque o futebol já nos habituou que qualquer jogador, treinador ou dirigente pode passar de “bestial a besta” ou vice versa muito depressa.
Por fim, há também a finalidade de querer fazer entender que uma má fase de um jogador numa determinada realidade pode não ter a ver apenas com os seus aspetos técnicos ou futebolísticos, mas também com outros problemas que afetam imensos atletas e que nem sempre tem a devida atenção por parte deste grande mundo que é o futebol.
Agora, cabe ao jogador e a toda a estrutura que o envolve conseguir alterar este panorama que até aos dias de hoje não é muito animador para ambas as partes. Sendo assim, a pergunta que se coloca é se Nakajima conseguirá transformar-se no verdadeiro “Samurai do Dragão”?