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Football Manager 2008: O relembrar de tempos dourados e gloriosos

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Na sequência da entrevista ao Evandro Roncatto, atualmente ao serviço do Casa Pia AC, veio-me à memória a sua passagem pelo CF Belenenses entre 2006 e 2008, e, como tal, associei-o logo ao clássico videojogo de futebol: o Football Manager (FM) 2008.

Lançado a 19 de outubro de 2007, foi o primeiro jogo que joguei deste famoso best-seller da Sports Interactive e a minha experiência inicial ”a sério” como Treinador, algo que me fez perceber que até podia ter enveredado pela carreira como Técnico Principal de uma determinada equipa e rivalizar com outras lendas do “Desporto Rei” como Alex Ferguson, Johan Cruijff, José Mourinho, entre outros, em termos de conquistas de prémios e troféus – obviamente que isto não passou de um mero típico sonho de alguém que fã do FM, nome mais usual pela legião de fãs à escala planetária.

O famoso e nostálgico painel de jogo 2D
Fonte: Sports Interactive

Recordo-me perfeitamente do meu primeiro save: assumi o comando do SL Benfica, clube que contava no seu plantel com inúmeros craques de outros tempos, como o jovem David Luiz à procura da afirmação europeia, o imperial Luisão na “flor da idade” (na altura, tinha 27 anos), o reforço Di María que vinha com a missão de fazer esquecer Simão Sabrosa e o maestro Rui Costa preparado para a sua última época como jogador.

Apesar de contar com estes “diamantes”, a equipa encarnada possuía jogadores que não deixaram grandes saudades aos adeptos benfiquistas, como Edcarlos, Zoro, Bergessio e Gilles Binya. A tarefa pedida pelo presidente era muito simples: conquistar o campeonato e terminar com a hegemonia do FC Porto na Liga, vencer a Taça de Portugal e a “recentemente” criada Taça da Liga (a competição estreou-se em 2007/2008) e tentar ir o mais longe na Liga dos Campeões. Sem fazer grandes ajustes ao plantel, acabei por conseguir vencer a Liga com 85 pontos conquistados e a “Prova Rainha”.

Após esse primeiro “save”, parti numa espécie de “Volta ao Mundo” e fui à conquista de outros campeonatos com outras equipas, tanto europeus – Alemanha, Itália, Holanda e Espanha – , bem como internacionais – África do Sul, EUA, China, Brasil, Argentina e Chile -, sempre com a ambição de juntar muitas taças e ser um treinador de reputação mundial (o certo é que treinei em inúmeros países, que, quando ia verificar os rankings de Treinadores de cada país, continente e mundial, aparecia sempre o nome ‘Guilherme Costa’ – o que prova que passei ao lado de uma grande carreira como Treinador).

Quanto ao jogo em si, este era o quarto da saga, e trazia consigo inúmeras novidades como o facto de contar com mais de 5 mil equipas de 50 países para o jogador mostrar todo o seu talento como técnico, a recriação da atmosfera dos “dias de jogo” para dar mais realidade, como previsões dos jogos, conversas com a equipa e instruções de marcação específicas, a organização do “Dia do Adepto” para aumentar a receita de bilheteira nos jogos em casa e a estipulação dos prémios de vitória nas distintas competições, que podia ser alterado no início de cada época – em suma, uma “mão” recheada de novas caraterísticas e possibilidades que elevou o FM 2008 com um dos grandes sucessos da Sports Interactive, onde foi estimado que cerca de cinco milhões de utilizadores tenham viciado este autêntico “tesouro virtual”.

A disciplina e rigor tático eram notas dominantes neste videojogo
Fonte: Sports Interactive

No que diz respeito aos craques do Football Manager 2008, confesso que a lista é demasiado extensa, uma vez que joguei este jogo até 2017 sensivelmente, daí que se tiver de dizer todos as promessas que cheguei a contratar, acabaria por escrever um longo texto – e obviamente não é isso que pretendo! -, mas passo a indicar três nomes que tentava logo ir buscar assim que começava um novo save:

Girabola Zap 2019/20: Vitórias caseiras marcam 2ª jornada

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Depois dos casos administrativos que mancharam o início da edição 2019/20 do Girabola Zap, a 2ª jornada trouxe mais “gira” bola, devolvendo maior dimensão a festa futebolística nacional, com o 1º de Agosto a receber e vencer (2-0) o Desportivo da Huíla, em jogo de antecipação, na passada terça-feira.

Com o 1º de Maio de Benguela e Santa Rita de Cássia aptos a participar na competição, após cumprimento de questões financeiras junto da Federação Angolana de Futebol (FAF) que os impediu de efectuarem os jogos na 1ª jornada e consequentes derrotas administrativas, os campeões nacionais, em jogo de antecipação devido o envolvimento na Liga dos Clubes Campeões de África, venceram o Desportivo da Huíla, num jogo em que os “rubro-negros” liderados pelo jovem Zito Luvumbo, autor do primeiro golo (26′) e o camaronês Lionel Yombi, de penálti (36′), depois de uma falta sob Zito. Apesar da vantagem do 1º de Agosto, os huilanos dificultaram ao máximo a vitória dos anfitriões, tendo, inclusive, colocado duas bolas ao poste da baliza de Tony Cabaça, a última das quais aos 85 minutos.

No derby do leste de Angola, o Bravos do Maquis com golo solitário do atacante Miguel Bengui, aos 73 minutos, derrotou sábado, no estádio Mundunduleno, o Sagrada Esperança, ao passo que o Wiliete de Benguela que na jornada inicial forçou um surpreendente empate com o histórico Petro de Luanda, perdeu (2-0) no Estádio Municipal de Calulo, diante do Recreativo do Libolo, com golos do brasileiro Leandro Love, aos 39′, de penalti, e Liliano Pedro aos 87′. No Estádio 22 de Junho, Rocha Pinto, em Luanda, com  “hattrick” do médio Mano Calesso (41′ 83′ e 88′), o Interclube derrotou (3-0), o estreante Ferrovia do Huambo, redimindo-se da derrota sofrida na primeira ronda frente ao Sagrada Esperança, por 1-4.

Fonte: Claque Magazine

No seguimento da jornada, domingo, a Académica do Lobito que não realizou o jogo frente o 1º de Maio de Benguela, referente a 1ª jornada, por responsabilidades administrativas atribuídas aos “proletários”, venceu (3-0) o Sporting de Cabinda, com golos de Lindala (24´), Além (71´) e Geovani (82´), num jogo em que os Leões estiveram longe da exibição da 1ª jornada, em que venceram em casa o Recreativo do Libolo, por 3-1. No Huambo, o Recreativo da Caála venceu com golo solitário de Paizinho, o 1º Maio Benguela, ao passo que no estádio dos Eucaliptos, no Cuito, o Cuando Cubango FC empatou (1-1), frente o Santa Rita de Cássia do Uíge, com golo dos caseiros apontado por Paulucho, aos 48´, na marcação de um penálti, beneficiando-se de uma falta sobre Nandinho dentro da grande área. Porém, os Católicos empataram no lance a seguir, também de penálti, por intermédio de Filipe.

Com o Recreativo da Caála e a Académica do Lobito na liderança, ambas com 6 pontos, beneficiando-se das vitórias administrativas obtidas na primeira jornada. A jornada fica completa em data anunciar, quando o Petro de Luanda receber o Progresso do Sambizanga, depois de verem o jogo remarcado, quando inicialmente esteve agendado para o dia 29 de Agosto.

Artigo redigido pelo site Claque Magazine

SC Internacional 1-1 CR Flamengo: Pragmatismo europeu coloca Jesus nas meias da Libertadores

Em jogo da segunda mão dos quartos de final da Taça Libertadores, o Flamengo foi ao Beira Rio, com um pé nas meias, após vitória caseira por 2-0 frente ao Internacional de Porto Alegre. Os comandados de JJ confirmaram o favoritismo e controlaram para empatar. O agregado da eliminatória fixou-se em 3-1, resultado condizente com as diferenças entre as duas equipas.

Apesar da vantagem, foi a equipa de Jorge Jesus que entrou com pressa de resolver rapidamente o assunto, já que, ainda antes do primeiro minuto de jogo, criou uma ocasião para golo, por intermédio do homem do momento, “Gabigol”.

Mas foi sol de pouca dura, pois como seria de esperar, o Inter é que tinha de tomar iniciativa para tentar virar a eliminatória, e começou a tentar encostar o “Fla” às cordas… O que não se afigurava tarefa fácil.

À medida que o tempo passava, via-se um Flamengo a gerir o tempo e o resultado que lhe era favorável, a fazer uma posse de bola a toda a largura do terreno, e até no meio campo adversário. Aos 22’ foi Éverton Ribeiro a deixar um aviso à entrada da área, e depois, Bruno Henrique, obrigou Lomba a uma boa defesa.

É impressionante o futebol que o Mengão impõe nos seus adversários. Com este grupo de jogadores, se não tiver o azar de ocorrerem lesões (devido ao calendário exigente), demonstra que é um forte candidato à conquista da Libertadores, bem como do Brasileirão. Guarda-redes e laterais experientes; Centrais sólidos e com qualidade a construir; Cuéllar como a “caixa de velocidades”; Gerson, De Arrascaeta e Éverton como criativos; e lá na frente, Bruno Henrique e “Gabigol”, as duas setas apontadas às balizas contrárias.

Ainda assim, destaco a qualidade do meio campo do Internacional. Têm três autênticos “carregadores de piano”: Lindoso, Patrick e Edenílson. Três “monstros” de trabalho, mas com requinte na aproximação ao ataque. Aos 42’, Patrick assustou Diego Alves, (que se pode dizer, foi um mero espetador neste primeiro tempo), apesar do remate ter passado ao lado do poste.

Depois de muitos anos na Europa, Rafinha procura agora a glória na Libertadores
Fonte: Libertadores

Antes do intervalo, Gabriel Barbosa perdeu uma oportunidade das que não costuma desperdiçar. Bruno Henrique conduziu um contra-ataque e isolou o companheiro, que ficou a centímetros do golo (44’). Até ao descanso, o jogo corria de feição aos rubro-negros.

No regresso às quatro linhas, o Internacional manteve-se impotente, perante o controlo em posse do Flamengo. Mas depois das duas primeiras alterações efetuadas por Odaír Hellmann, o Inter passou a ser mais agressivo e incisivo nas suas incursões ofensivas. Até que aos 62’, na sequência de um livre cobrado por D’Alessandro, Rodrigo Lindoso marcou de cabeça para o Internacional. Golo este, que apenas foi validado cinco minutos depois, devido a análise minuciosa do VAR. Bem validado!

A formação de Porto Alegre estava por cima. Cada vez que ia para o ataque, causava calafrios à defesa adversária. Mas voltamos à velha história da manta. Quando a manta é curta, tapa-se a cabeça, destapam-se os pés…. Foi esse o caso. Num contra-ataque vertiginoso, comandado (mais uma vez) por Bruno Henrique, que levou a bola até à entrada da área, assistiu “Gabigol” e este fez o que melhor sabe. Até ao final da partida o marcador não mexeu, fixando-se o empate a uma bola.

Deste jogo fica a boa imagem que Jorge Jesus e os seus pupilos continuam a mostrar, que, tendo em conta a vantagem obtida no jogo em casa, não se deixaram relaxar e encararam este jogo com seriedade, como se não tivessem ganho na primeira mão. Ainda assim, e apesar da superioridade demonstrada nos dois jogos, o Flamengo ainda não consegue dominar o adversário do início ao fim. Ainda não está no “ponto”. Mas está quase lá.

Na próxima fase da competição irá ter um bom desafio com o Grêmio de Porto Alegre, que eliminou o Palmeiras de Scolari. Mais uma prova de fogo para o “Fla”. 35 Anos depois, o Flamengo volta a estar nas meias finais da mais prestigiada competição da América do Sul.

 

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

SC Internacional: Lomba, Uendel (Wellinton, 55’), Cúesta (Sarrafiore, 83’), Moledo, Vieira, Rodrigo Lindoso, Patrick, Edenílson, D’Alessandro, Rafael Sóbis (Nico López, 52’) e Paolo Guerrero.

CR Flamengo: Diego Alves, Filipe Luís (Renê, 90+4’), Pablo Marí, Rodrigo Caio, Rafinha, Cuéllar (Píris, 74’), Éverton Ribeiro (Berrío, 81’), De Arrascaeta, Gerson, Bruno Henrique e Gabriel Barbosa.

A precocidade da terceira jornada

Numa altura em que o mercado de transferências está prestes a encerrar e os plantéis ainda podem sofrer mexidas com entradas e saídas de jogadores. Em que todos os clubes da Liga, à exceção do Vitória SC, não têm sequer um mês de competição oficial. Em que estiveram apenas nove pontos em disputa no campeonato. Em que os processos de jogo, na maioria dos casos, precisam de ser aprimorados e se encontram longe dos ideais para se enfrentar uma época longa e competitiva. Em que se ouve muito a frase: “isto não é como começa, é como acaba’’. Em que os adeptos não resistem a fazer as suas previsões sobre quem vai ser bem ou mal sucedido. Em que muitos adeptos ainda vão a banhos nas praias de Norte a Sul do país, enquanto outros já marcam presença nos estádios. Ou seja, tudo isto significa que estamos no final de agosto e ainda faltam nove meses de competição. Nove meses em que muitas coisas vão acontecer. Reviravoltas, emoções, frustrações – tudo a que o adepto tem direito.

É precisamente por estarmos no princípio da temporada que os clubes devem estabelecer os seus objetivos – no fundo, saber exatamente aquilo que pretendem e empreender um plano de ação. É muito importante compreender a forma de lidar com eventuais obstáculos, como reagir aos erros e como se preparar mentalmente para os desafios. Numa altura em que existem arestas por limar, o objetivo é “diminuí-las’’ à medida que as semanas passam.

Naturalmente, existem equipas com melhores performances do que outras, mas até essas podem não vir a corresponder às expectativas criadas por um arranque positivo. Bastam poucos jogos e já existe quem comece a traçar destinos como já se tivesse visto tudo, talvez por possuírem uma bola de cristal, só disponível para alguns. O exemplo recente mais flagrante é o do SL Benfica campeão na temporada transata, algo impensável para muitos a meio da mesma.

O Belenenses de Silas ainda não marcou nesta Liga
Fonte: Site Belenenses SAD

Remetendo para esta época, observa-se o FC Famalicão como a equipa sensação do campeonato ao fim de três rondas. No sentido oposto, existem cinco equipas que ainda não triunfaram e duas destas não marcaram sequer um golo – Belenenses SAD e Vitória FC. Tudo isto são factos, mas é importante perceber que é algo variável, pois estamos numa fase precoce desta caminhada. Não vale muito a pena traçar-se já um futuro risonho para quem arrancou bem e um futuro ensombrado para quem não arrancou da melhor maneira. Encontrar-se uma equipa no topo da classificação após três jogos não significa necessariamente que a Liga vá correr de forma tranquila, assim como quem se encontra na cauda da tabela, não quer dizer que o resto do trajeto seja tenebroso.

A imprevisibilidade no mundo do futebol é muita e isso também o torna espetacular. Relembro que há duas épocas, o GD Chaves tinha apenas um ponto e era um dos últimos ao fim da terceira jornada e terminou o campeonato na sexta posição. Na temporada passada, o CD Feirense era um dos líderes da Liga por esta altura e terminou na última posição.

Ainda muita história terá de ser escrita e acredito que FC Famalicão e Belenenses SAD, por exemplo, têm condições para realizar uma boa campanha, mas só numa fase mais adiantada é que será possível ter uma melhor perceção e definir com maior clareza o futuro de todos os clubes, sendo, porém, uma previsão sempre difícil de fazer.

Termino com um comparativo das últimas três Ligas relativamente a alguns dados no final da terceira jornada. Em agosto de 2016, ao fim de três rondas, foram marcados 61 golos, sendo que havia um líder destacado só com vitórias e quatro equipas ainda sem triunfos, duas delas só com derrotas. Em agosto de 2017, contabilizavam-se 69 golos e quatro formações com nove pontos, sendo que sete ainda não tinham vencido e uma delas registava três desaires. No verão seguinte, assistiu-se a uma “chuva de golos’’ em três jornadas (85) e nenhuma equipa tinha logrado o pleno de êxitos, embora todas já tivessem pontuado. Esta época, um pouco à semelhança da anterior, ninguém efetuou o pleno e todas já pontuaram, embora tivessem sido marcados muito menos golos em igual período (65), apesar de ainda haver uma partida por disputar.

Foto de capa: Liga Portugal

 

Zé Luís, o homem que já está apresentado

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Aos 28 anos, o cabo-verdiano Zé Luís tem feito as delícias dos adeptos portistas. É o reforço mais sonante do plantel, primeiramente por estar a corresponder às expectativas e depois porque tem estado de pé quente: cinco golos em cinco jogos. Um golo por jogo é um registo de assinalar.

O primeiro tento foi marcado num ato de esperança: frente ao FK Krasnodar, num jogo em que acordou a equipa, mas que ainda assim se tornou insuficiente para a passagem à liga milionária. No entanto, deixou no ar aquilo que melhor sabia fazer e, no jogo seguinte, voltou a dar ares de sua graça. Frente ao Vitória FC marcou um hat-trick, o que lhe valeu ser a figura do encontro e o tornou, até ao momento, o melhor marcador do campeonato. Para consolidar o bom momento, só mesmo um golo frente aos maiores rivais, o SL Benfica. Um começo de época de sonho que tem tudo para se manter.

Zé Luís está no seu melhor arranque de sempre
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Na equipa orientada por Sérgio Conceição o setor ofensivo sempre foi débil. As opções apareciam, mas não davam respostas. Os jogadores eram irregulares e os golos tornavam-se escassos. Apesar de ainda ser cedo para grandes constatações, a verdade é que o jogador tem mostrado talento, consistência e raça. Marca golos, assiste e não desiste. Sabe posicionar-se e é eficaz quando surgem as oportunidades. Independentemente do desfecho do mercado de transferências, o certo é que as possíveis saídas de alguns avançados podem já estar colmatadas com este reforço de peso.

Com passagens pelo Gil Vicente FC, SC Braga e, mais recentemente, pelo Spartak de Moscovo, o avançado tem-se destacado e tem mostrado ser uma boa opção para as necessidades do clube.

Foto de capa: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Liga Europa | A aposta do Minho

Tanto Vitória SC como SC Braga estão a um pequeno (mas ainda grande) passo de rumar à fase de grupos da Liga Europa. A jornada europeia destes dois clubes já vai grande e muita coisa parece que tem passado um pouco pelos “pingos da chuva”.

Do pouco que se vê de clubes que não os três grandes naquilo que é a realidade do futebol português, ainda se vê menos essa “marca” para lá da “Ocidental praia Lusitana” como bem diz Camões. Culpa dos clubes que não conseguem impor-se além fronteiras de forma a deixar o seu cunho bem vincado? Ou, pelo menos, deixar o símbolo do seu emblema na memória de quem o tenha defrontado?

A Liga Europa não é o grande palco dos palcos, principalmente nesta altura do “campeonato”, eu bem sei. Mas a verdade é que todos têm de começar por algum lado… E quanto a Vitória e Braga, a história até tem sido escrita de forma feliz até ao momento (e com mérito para tal, claro está). Resta saber se a noite de quinta-feira vai deixar espaço para estes dois clubes portugueses terem margem de manobra para continuar a mostrar o que valem pela Europa fora.

Falando dos jogos em concreto, ambos os emblemas vêm de resultados positivos consoante os seus próprios contextos, mas, de todo, perfeitos!

SE ACREDITAS NO APURAMENTO DO SC BRGA, NÃO PERCAS TEMPO. APOSTA JÁ!

O Vitória SC empatou em casa do FCSB e adia assim a decisão final para amanhã no reduto do clube da Cidade de Berço. Se poderia ser um resultado melhor? Claro que podia, mas tendo em conta que a 2.a será em casa e, tendo em conta que basta um golo para o desfecho ser feliz para os vitorianos, o cenário não pode ser considerado desfavorável. Mas, verdade seja dita: não há espaço para a equipa de Ivo Vieira ficar de braços cruzados, pois todos bem sabemos  a diferença que faz um golo fora de casa e tudo o que ele implica numa eliminatória desta estirpe. Basta um golo fora por parte da equipa do FCSB e as contas podem ficar mesmo muito complicadas para o Vitória de Guimarães.

A segunda mão da eliminatória do Vitória SC vai ser jogada em casa
Fonte: Vitória SC

E o SC Braga? Perguntam vocês… O Braga venceu o Spartak Moscou em plena Pedreira. O golo marcado por Ricardo Horta é o que vai valendo para a equipa de Ricardo Sá Pinto nas contas da Liga Europa. Mas a tarefa de amanhã fora de casa não pode passar pela simples tática de defender o resultado que já se encontra favorável. Caso isso aconteça, o caso pode ficar mesmo mal parado para a equipa de Braga. Em termos práticos, basta um golo nesta mão e o cenário fica mesmo muito positivo para a sua equipa. Mas, vendo o reverso da moeda, basta um golo dos russos para o cenário se tornar completamente o oposto. Estamos perante uma eliminatória em que um golo de qualquer um dos lados pode fazer toda a diferença. E por isso mesmo, acho também que os momentos iniciais de qualquer uma destas partidas podem ditar aquilo pode ser o desfecho desta eliminatória.

Ainda assim, e apesar de não serem resultados que dêem 100% de segurança a qualquer um dos emblemas, acho que as nossas duas equipas podem mesmo carimbar a passagem à próxima fase. Apesar de não virem de resultados propriamente positivos no que às contas do campeonato diz respeito, estes dois clubes já mostraram que têm argumentos para passar à proxima fase! Aliás, ambos os conjuntos adversários que as equipas portuguesas defrontam já enfrentaram melhores dias. O FCSB e Spartak de Moscou são hoje equipas muito irregulares neste arranque de campeonato e isso pode ser uma grande vantagem para ambos os conjuntos do Minho.

Quanto a apostas, a minha vai para a passagem dos dois emblemas portugueses para a fase de grupos da Liga Europa. Eu sei, eu sei… Esta pode não ser uma previsão totalmente isenta e imparcial, mas patriotismos à parte, acho mesmo que ambos os clubes têm mais do que argumentos para marcarem presença na fase de grupos.

Para além disso, se esta passagem do “play-off” acontecer, faz-se história porque pela primeira vez irão estar quatro equipas portuguesas na fase de grupos da Liga Europa, onde já se encontram, com presença garantida, FC Porto e Sporting CP. Melhor do que isto para elevar o valor do futebol português lá fora? Não há.

Foto de Capa: Liga Europa

Época Alta: o impacto do Clássico, a Champions e a ida a Braga

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Em altura de férias, foi a vez do SL Benfica ir a banhos: começou pela ausência de estágio e acabou no banho tático de Sérgio Conceição, o primeiro peremptóriamente entregue a Bruno Lage desde que assumiu o comando da equipa. Se as derrotas em Alvalade e Frankfurt foram consensuais, o atropelamento na Luz mostrou a total passividade da equipa quando confrontada com uma oposição ao seu nível e com outros argumentos físicos, que anulou com facilidade os anões endiabrados da turma da Luz. Grimaldo, Rafa e Pizzi foram uma sombra de si mesmos e ainda estão guardados no bolso de alguém.

Tornou-se já uma tendência: com equipas do mesmo nível, os encarnados vêm-se mergulhados numa apatia quase total, num tédio que se alastra desde os titulares ao banco de suplentes. As últimas campanhas da Champions assim o ditam, o historial com o FC Porto tem-se desnivelado desde os anos 90 (só na nova Luz, são quatro vitórias, seis empates e sete derrotas…) e a única excepção, que confirma a regra, é a eliminatória com a Juventus FC, em 2013-2014. O Benfica desta década, de nível superior ao das décadas transactas, mantém ainda assim muitos dos seus traumas, insistindo-se em alimentar complexos de inferioridade envelhecidos e de razões já esquecidas, roçando o limiar do dogmático.

A derrota causou natural apreensão na Luz e gerou ainda mais dúvidas quanto à competência da equipa na piscina dos grandes. Se este Benfica chega para consumo interno, serão as exigências da Champions demasiado pesadas para um grupo a quem só falta afirmar em contexto internacional? Dependerá muito do sorteio. Com a eliminação do Porto e a consequente colocação no pote 2, a tarefa poderá ser facilitada. Em condições normais, o pote 3 perspectivava dificuldades avultadas, com grande probabilidade de dois “tubarões” no grupo.

A primeira derrota a toda a linha do Benfica de Lage mostrou uma velha realidade, que se pensava já ultrapassada. Se a perda dos três pontos em nada ofusca a excelente evolução da equipa até agora, com resultados de acordo, a verdade é que se esperava bem mais e é essa a principal implicação deste desaire: a gestão de expectativas. Era já expectável um Benfica muito mais adulto, com outras soluções contra equipas do mesmo nível e que a identidade implementada fosse discernível em todos os momentos. Será esse o desafio da equipa daqui para a frente: confirmar à massa adepta que o 0-2 e as circunstâncias em que aconteceu (dois remates, zero à baliza!!!) foi apenas um acidente de percurso.

Caberá a Vieira a correcção dos erros de construção de um plantel ainda desequilibrado
Fonte: SL Benfica

Bruno Lage tem agora a palavra e há muita curiosidade para ver como prepara a equipa para o próximo Domingo. O jogo em Braga é a melhor oportunidade que o setubalense poderá ter para demonstrar outra face e confirmar ao público que aprende com os erros, corrigindo-os prontamente, num processo necessário à construção de um grande Benfica. Uma vitória contundente no Minho irá ajudar a recompor índices de confiança e confirmar o estofo da equipa, recheada de juventude e que tem muito a aprender com este tipo de momentos.

O que o jogo do passado fim-de-semana também poderia transparecer uma necessidade de ir ao mercado para colmatar certas debilidades: Chiquinho, para piorar todo o cenário, lesionou-se com gravidade e não joga até Janeiro. Um segundo-avançado torna-se agora prioritário, visto a inoperância entre a parelha da frente; Nuno Tavares é um craque e a sua utilização à direita não poderá ser encarada a tempo inteiro – André Almeida precisa de um substituto à sua altura, ficando Nuno a lutar por um lugar com Grimaldo.

Quanto à baliza, Lage, a 19 de Julho, admitiu publicamente que outra opção seria benéfica para a evolução de Odysseas, afirmando que quer «…tirar o conforto aos jogadores e criar um plantel competitivo. Ninguém pode pensar que existem lugares garantidos no onze titular, não podem estar seguros. Têm que se deitar a pensar que existe um colega que está trabalhar tanto como eles para ficar com o lugar. Nesse sentido estamos atentos e se sentirmos que há jogadores por aí que podem trazer qualidades e ajudar a que o colega do lado seja competitivo, esse jogador vai estar no nosso radar e pode entrar a qualquer momento do clube». A 28 de Agosto e a cinco dias do fecho do mercado, continua tudo igual. O eclipse da equipa perante o rival directo deveria fazer soar os alarmes na direcção do clube, que com 200 milhões de euros em caixa tem capacidade negocial suficiente para suprimir todas as lacunas, assim queira Luis Filipe Vieira.

Foto de Capa: SL Benfica

O segredo por detrás de Luciano Vietto

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No último jogo para o campeonato, o Sporting deslocou-se a Portimão numa difícil visita, onde no ano passado o clube leonino perdeu por 4-2. Contudo, Marcel Keizer decidiu mudar a equipa em relação ao último jogo em Alvalade e decidiu introduzir Luciano Vietto no lugar de Diaby e os resultados estão à vista de todos.

Passámos de um empate na Madeira e uma vitória sofrida em Alvalade, frente ao SC Braga, para uma vitória convincente em que, para além do habitual destaque de Bruno Fernandes que fez mais duas assistências, Vietto mostrou toda a sua classe e fez por merecer mais oportunidades no onze inicial.

Houve também uma alteração que passou mais despercebida, mas que teve muito impacto nesta exibição de Vietto. Relativamente ao jogo na Madeira, Marcos Acuña baixou no terreno e ocupou o lugar de Borja como defesa esquerdo. O corredor ficou muito mais coeso porque o jogador argentino equilibra bastante o setor mais recuado, pois não se aventura muito nos processos ofensivos. Aliás, só o faz quando necessário e oferece um “pulmão” inacreditável, fazendo com que a equipa fique mais descansada nessa zona.

O número 9 leonino continua a ser uma peça-chave no esquema de Keizer
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Por isso, Luciano Vietto ficou com mais liberdade de movimentos, não tendo que se preocupar tanto com os processos defensivos e, como tal, consegue pôr em jogo todo o seu talento, o qual ficou visível no segundo golo leonino, em que fez “meio-golo” com o passe a rasgar toda a defesa do Portimonense. Com Bruno Fernandes e com o craque argentino em campo, o Sporting fica com dois “génios” que conseguem fazer aparecer jogadas ao nível de poucos em Portugal, sendo que fica mais fácil os golos aparecerem.

Mas isto não significa que Cristián Borja seja um jogador inapto para o clube leonino, muito pelo contrário, porque é um jogador que não inventa e joga simples. No entanto, em comparação com Acuña, não equilibra tão bem a equipa aquando dos contra-ataques adversários. Como tal, não combina tão bem com Luciano Vietto à sua frente, mas jogando com um extremo puro, que tenha mais disponibilidade física para defender, encaixa que nem uma luva no esquema tático de Keizer.

Foto de Capa: Bola na Rede

João Sousa eliminado na primeira ronda do US Open

João Sousa despediu-se, esta terça-feira, do último Grand Slam da temporada. O tenista português teve longe do seu melhor nível e não conseguiu fazer frente a Jordan Thompson.

As dificuldades do tenista vimaranense começaram-se a sentir logo no primeiro set. Jordan Thompson teve uma entrada forte na partida e conquistou um break point no segundo jogo de serviço de João Sousa. De seguida, o tenista australiano aumentou a vantagem para três jogos. João Sousa tentou sempre reentrar na discussão do set, no entanto acabou mesmo por ver Jordan Thompson a saltar para a frente do encontro.

Ora o segundo set seguiu a tendência da primeira partida. Nova entrada em falso de João Sousa deu a liderança no marcador ao seu adversário. Com um serviço forte e uma boa resposta ao jogo do tenista luso, Jordan Thompson voltou-se a impor ao tenista natural de Guimarães e somou o segundo break point que garantiu a vitória no set.

Jordan Thompson fez uma grande exibição diante de João Sousa
Fonte: ATP World Tour

No terceiro set, João Sousa regressou ao court com uma postura diferente, passando a discutir melhor os pontos. Ainda assim, um conjunto de erros por parte do tenista de 30 anos revelaram-se fatais para as suas aspirações na partida. Jordan Thompson fez o seu trabalho e aproveitou as falhas de João Sousa para somar o break point que provocou a machadada final no encontro.

Dia não para João Sousa que, infelizmente, ditou o seu afastamento da primeira ronda do US Open. Ainda assim, o tenista português permanece em competição, mas na vertente de pares. Em relação a Jordan Thompson, o 55º classificado do ranking ATP, avançou para a segunda ronda do torneio e irá defrontar Matteo Berrettini.

Resultado final: João Sousa 0-3 Jordan Thompson (3-6 / 2-6 /4-6)

 

Foto de Capa: Millennium Estoril Open

Chiquinho: Um médio à Benfica

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Francisco Leonel Lima Silva Machado, mais conhecido no mundo do futebol como Chiquinho, é uma das caras novas do SL Benfica para a nova época. Curiosamente, em dois anos, o camisola 19 conseguiu ser anunciado em ambos como um dos reforços encarnados.

Acredito que, na época passada, já teria o destino traçado. A ida do médio para Moreira de Cónegos não se deveu seguramente à falta de qualidade. Aliás, foi pela qualidade inegável do jogador que o Benfica o resgataria novamente um ano depois da dispensa. Foram os 10 golos ao serviço do Moreirense FC que fizeram com que os holofotes da imprensa nacional estivessem todos virados para Chiquinho. A equipa minhota foi considerada a grande sensação da Liga 2018/2019 e foi o então médio natural de São Martinho do Campo o principal responsável pelo seu sucesso.

Chiquinho é a prova que a qualidade do futebol português não está centrada apenas e exclusivamente nos três grandes. Com formação maioritariamente feita no Leixões SC, atingiu o sucesso sem nunca ter representado qualquer seleção jovem. Sim, uso a palavra sucesso, pois para mim é a melhor definição de alguém que em pouco tempo salta do Campeonato de Portugal para o atual campeão nacional.

Chiquinho regressou ao SL Benfica após uma grande época ao serviço do Moreirense FC
Fonte: SL Benfica

Talvez a época de Chiquinho ao serviço da Briosa tenha sido aquela que fez com que o seu nome chegasse a um patamar de excelência. Foi considerado unanimemente por todos os treinadores daquele campeonato, como o melhor jogador da competição, corria a época 2017/2018. Foi também aí a primeira vez que o vi jogar, numa partida a contar para a Segunda Liga, que opunha o SL Benfica B e a Académica OAF. Foi impossível para quem assistiu àquele jogo não ficar com o seu nome na retina. Os estudantes saíram vitoriosos com quatro golos sem resposta, sendo dois deles da autoria de Chiquinho. Para além dos golos do médio foi notório que todas as jogadas da sua equipa passavam por si. Era quase possível imaginar a bola a sorrir cada vez que saía dos seus pés.

Quando vemos o médio a jogar deparamo-nos com um jogador que não impressiona pelo físico, mas pela qualidade de passe e a inteligência com que ocupa os espaços. É aquele típico jogador que não precisa de correr mais que os outros, que não vai sobressair por uma corrida desenfreada ou pela finta espetacular. Chiquinho é um jogador que considero ter a inteligência como um dos seus fortes e talvez esta seja a sua maior qualidade.

Foi bastante prometedor o início da época com um golo logo na estreia de águia ao peito em jogos oficiais, contra o Sporting CP. Foi seguido de uma assistência contra o FC Paços de Ferreira e outra contra o Belenenses SAD, embora este último golo tenha sido anulado. Isto tudo sem que nunca tivesse sido titular.

Chegada a terceira jornada, surge uma péssima notícia e algo que ninguém esperava. No clássico com o FC Porto, o criativo entrou a 20 minutos do fim e saiu lesionado. As lágrimas eram visíveis. Sofreu, como informa o clube encarnado no seu site, “uma desinserção do tendão médio adutor à esquerda”. O tempo de paragem não é clarificado, mas segundo a imprensa desportiva, será longo e não menos que três meses, podendo chegar a quatro, o que significará que só voltará a jogar em 2020.

Acredito seguramente que este será apenas um percalço na carreira do jogador. Desejo e aguardo ansiosamente pelo regresso de Chiquinho, porque sei que com ele o Benfica estará bem mais perto do sucesso.

Foto de Capa: SL Benfica